Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

25
Jul06

Crónicas de um príncipe desencantado –- Parte 1

riverfl0w

(porque dei conta que há, pelo menos, duas leitoras deste blog que acreditam na vinda de um príncipe encantado, aqui fica uma estorinha, em jeito de homenagem a esse sonho)

Jean-Pierre era um príncipe. O seu atribulado principado nadava num desencanto pela falta da amada desde sempre sonhada. As pretendentes, algumas que por um fio não o anilharam em cerimónia, multiplicavam-se dentro e fora de fronteiras. Fartura de oferta, dizia-se à boca cheia, não faltava, assim como a qualidade. Mulheres feitas e jovens de beleza estonteante gladiavam-se nas arenas dos boatos e pelos corredores das cortes, na ânsia de alcançar algo que, mal sabiam, estava muito fora do seu alcance. Filhas das melhores famílias, prendadas por anos e anos de formação em finezas e outros atributos procurados pela realeza sem sentido, embatiam num muro, aparentemente intransponível, de simplicidade que aquele príncipe fazia questão de exibir.
Aos 26 anos, Jean-Pierre aliava o porte atlético e todo o garbo provido por anos de treino na arte da guerra, à sensibilidade e delicadeza de quem sabe apreciar as várias formas de arte. Era esta sensibilidade que o levava a declinar todas as pretendentes que se passeavam pelos corredores cósmicos das casas reais. Buscava algo que não se encontrava, de forma alguma, entre o vazio de festas sem fim, preocupações confinadas a vestimentas na moda e pensamentos pobres e limitados. Além, lá longe, para trás da copa das árvores da mata do castelo, estaria à espera a mulher dos seus sonhos, despida de riqueza que não a sua alma. Algures, anónima, desprezada pelos que não sabem ver bem fundo o coração de uma mulher e descobrir o verdadeiro filão de uma princesa. Assim pensava Jean-Pierre. Não fazia sentido esperar mais tempo entre o silêncio das muralhas e a tristeza da solidão. A partida, urgia.
O meio da Primavera apanhou Jean-Pierre no cúmulo da impaciência. Perante o pasmo e a incredulidade de todos, anunciou a sua decisão como quem anuncia uma praga de gafanhotos nas searas do reino. Frei Jonas, o responsável pela sua faceta sensível e delicada, preparou-o espiritualmente para o Caminho. Não sendo fácil, faria do mais difícil também o mais apetecível e valioso. Frei Jonas, embora temeroso dos perigos, compreendia aquele jovem, as suas angústias e a sua ambição. Uma ambição tão simples e nobre como era a de encontrar, apenas, a outra metade do seu próprio mundo, onde depositaria todo o amor que tinha para entregar.
E, no meio da Primavera, partiu.

(Lúcia, olha, desculpa, mas não consigo escrever mais assim... não consigo aguentar mais sem avacalhar a estória toda, sem transformar o cavalo onde se vai montar numa égua resmungona com o cio, sem inventar mulheres gordas e peludas por essas aldeias fora, sem dissecar a mente extremamente perversa deste príncipe, e enfim... isto é mais forte que eu...desculpa... eu tentei... mas não consigo...) pickwick