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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

25
Ago11

Coisas de miúdas!!!

pickwick

Era uma vez, do outro lado do planeta, lá para o ano de 1987, um grupo de amigos que ah e tal e faziam umas coisas juntos, iam acampar, curtiam a natureza, cantar à volta da fogueira, adormecer a olhar a Lua e a snifar o odor a terra húmida, etc. Eu andaria pelos 18 anos, sendo que o resto da malta descia por aí abaixo, até aos 12 anos, mais coisa, menos coisa. Hoje, é tudo trintões e quarentões.

 

Este grupo de amigos, entretanto, encontra-se disperso, tanto por Portugal, como pelo mundo. Ocasionalmente, toca o clarim e a malta encontra-se por aí, para matar saudades, meter a conversa em dia, e, com jeitinho, fazer alguns disparates. A última vez, foi há uns dois ou três anos. No próximo fim-de-semana, há novo encontro, mais um acampamento. Porque a malta curte o ar livre, pronto.

 

Temos trocado dezenas de e-mails para opinar, discutir e escolher o local, acertando detalhes de última hora, planeando disparates, enfim.

 

Como já havia gente a levar auto-caravana, outros a quererem ficar num bungalow, outros num jipe adaptado para caravana ambulante, achei por bem fazer um ponto de ordem à mesa e marcar a minha posição: eu é mais tenda!

 

Logo uma menina a reclamar, que ah e tal, “só faz estes convites agora, que está gordo e careca e nós velhas e flácidas... porque no tempo em que todas sonhávamos dormir na tenda dele, não os fazia...”

 

(um gajo diz que vai dormir numa tenda e parece logo que está a fazer um convite geral...)

 

Uma voz masculina veio meter lenha na fogueira: “minha sonsa, querias dormir com o Pickwick e não dizias nada?”

 

E a desculpa, a seguir: “Eu acho que todas nós, de alguma forma, tínhamos uma paixão secreta pelo Pickwick... coisas de miúdas, claro!!!”

 

Entretanto, uma voz feminina que há anos não era ouvida: “Também eu tinha uma paixão secreta pelo Pickwick... não sei se era uma real paixão, mas acho que era aquela figura mais velha, protector, (ahhh... e podemos também dizer que, tirando o meu paizinho, ele devia ser o único homem que eu via em tronco nu...!!!!) enfim... coisas de miúdas!!!”

 

Portanto, qual é o problema? É eu estar alegadamente “gordo e careca”, completamente desprovido de virtudes? Ou é eu ter passado grande parte da minha juventude completamente distraído?

 

Por falar em distraído, ocorre-me agora um episódio desse mesmo tempo, quando duas mocinhas da minha idade apareceram num pouco frequentado treino de artes marciais (eu e o Octávio). Conhecia-as de vista e de um ou dois “olás”. Dias mais tarde, tive oportunidade de lhes perguntar “o que raio” lá tinham ido fazer as duas. Respondeu a Paula: fomos lá para apreciar o teu “cabedal”. E pensei eu para comigo: grande estúpida inculta! o fato de judo é de algodão, não é de cabedal! Entretanto, hoje a Paula é professora universitária doutorada xpto algures no Norte, mas isso agora não interessa.

 

Portanto, agora estou “gordo e careca”, mas quando não estava, andava distraído. Os ingredientes garantidos para uma vida de sucesso junto do sexo oposto. pickwick

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