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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

17
Ago11

Pseudo-Ode às Virtudes da Retaguarda

pickwick

Acabava-se o dia,

Quente, trabalhoso, produtivo;

Jantar no estômago

E banho tomado.

 

Noite dentro, com luar.

Leve e fresca ia ela,

Trilho acima, pelo mato,

A caminho da nossa tenda.

 

Cavalheiro e prestável,

Alumiando o caminho

Na subida irregular,

Seguia eu, na retaguarda.

 

No ar da noite,

Trazido pela brisa suave,

Chegava-me ao nariz

O aroma perfumado pós-banho.

 

A um terço da subida,

Iluminada pela Lua,

Com um jeito suave,

Puxou para cima as calças.

 

Atraído pelo movimento,

Que vi eu, pasmado?

Demónios!

Usava uma tanguinha!

 

Marota, pensei eu!

Vens para o campo

E trazes tanga para dormir?

Que é isso?

 

Atormentado,

Descontrolado,

Palpitações aceleradas,

Assim me deitei eu.

 

Já na privacidade da tenda,

Com dois palmos pelo meio,

Pois o respeitinho é bonito,

Sofri a noite toda.

 

Pois é de sensações,

Pelo olfacto e pela visão,

Que mais se sofre

Quanto se está de privação.

 

(e perguntou-me depois o Carlos: Então, pá?! Com isso tudo, passaram duas noites assim e nada?! Como é que é? Aiii…) pickwick