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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

26
Jan11

Medicina moderna e prazeres reprimidos

pickwick

Durante o fim-de-semana passado, engendrei um esquema para ir visitar uma povoação encalhada na margem acidentada de um rio, mesmo à saída da Serra da Estrela. Uma área rica em espécies vegetais, pensava eu. Entre o convite a uma colega de trabalho (Lili – nome de código), que também estava interessada em conhecer o local, e o pedido a uma amiga (Sisi – nome de código), para servir de guia, juntou-se ali um rebanho de gente, crianças em esmagadora maioria, sendo que o único exemplar do sexo masculino era a minha pessoa. Sabeis como é: ah e tal, vão as filhas e as amigas das filhas e até uma cadelinha com pilhas não-desgastáveis.

 

Numa breve paragem para apreciar a paisagem, eis que surgiu um discreto momento de descontracção, ali mesmo, rodeados de uma natureza deslumbrante, ao som das águas deslizantes do rio Alva. De repente, a Lili olha para a filha mais velha, quase com o dobro do tamanho dela, e faz um reparo científico sobre a sua postura corporal. Ah e tal, endireita as costas!

 

Bravo!, pensei eu para comigo.

 

A Lili deve ter pressentido a minha exclamação, pelo que aproveitou para debitar para ali algumas preciosas informações, a saber:

 

- A Lili levou a filha ao médico.

- O médico detectou que a coluna da moça não estava a desenvolver-se da melhor forma, mercê de um abuso de posturas incorrectas.

- Havia que combater esse abuso.

- Medida um: a Lili registar, em suporte papel, todas as ocasiões em que detectasse a filhota em posturas incorrectas.

- Medida dois: a filhota começar a usar uma mini-saia extremamente curta, que a fizesse andar de costas direitas para que não se vissem as cuecas. (a rapariga tem 15 anos)

- Medida três: a Lili encurtar ainda mais a mini-saia já extremamente curta da filhota, para que esta se sentisse ainda mais forçada a endireitar as coisas. (apesar de 15 anos, a rapariga já vai, à vontade, nos seus 175 cm de altura)

 

Estava eu ainda a começar a abrir a boca de espanto, tanto pela inovação científica das medidas, como pela figurinha que a filhota haveria de fazer… quando a Sisi fez uma intervenção… como direi… inesperada, vá!

 

Com um sorriso rasgadíssimo, quase em bicos de pés e a deixar escapar um ligeiro estremecimento corporal, exclamou a Sisi: ah e tal, no meu tempo é que não havia médicos assim!, senão eu podia ter ido logo para casa dizer aos meus pais que era receita médica, e tal…

 

(“e tal”, é como quem diz que os pais não gostavam muito da ideia de a Sisi andar de mini-saia, pelo que teve que passar a sua adolescência e, quiçá, parte da vida adulta, a trajar-se de forma conservadora)

 

De facto, eu já tinha reparado, noutras ocasiões, que a Sisi tem um prazer incontrolável em se apresentar de mini-saia, para gáudio de espectadores atentos. Mas, daí até isso ter sido um prazer reprimido durante anos… Upa! Upa!

 

E, pergunto eu, que prazer misterioso é esse, que assiste a algumas mulheres?

 

Será exibicionismo? Excesso de calor abaixo da cintura? Maior facilidade de movimentos para subir escadas de três em três degraus? Austeridade têxtil? Paixão por cintos largos? Gosto em sentir-se sensual? Ou, simplesmente, adora ver os olhinhos masculinos a darem reviravoltas dentro das órbitas? pickwick