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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

29
Jul10

O manequim com umas certas proeminências

pickwick

Por alturas desta semana, recebi uma inesperada mensagem de uma amiga e leitora deste blogue, recordando momentos partilhados há alguns anos atrás e apelando ao débito literário nestas paragens.

 

Entre os momentos partilhados, que não foram muitos, mas foram muito bons, a amiga recordou a feitura de um jornal amador, entre as sete paredes de um gabinete médico de uma instituição onde ambos os quatro (falhei no número?) prestávamos serviço. Não me apetece, por ora, estar a dar explicações sobre o jornal, sobre o gabinete médico, sobre os ambos serem quatro, e, muito menos, sobre as sete paredes do gabinete médico.

 

Contudo, a amiga relembrou-me um pormenor técnico daquele gabinete, que sempre me fascinou de forma secreta: a existência de dois impávidos e serenos manequins, um dos quais com umas certas proeminências. Obviamente, o fascínio era pelo manequim das proeminências.

 

Quem nunca colaborou intensamente num jornal ou revista, com prazos a morder as canelas, não imagina o cansaço e a ansiedade que povoam as mentes dos feitores. Por vezes, mas só às vezes, o cérebro tem um colapso e uma pessoa pode perder a “compostura”. Ou seja, o que é que pode acontecer no interior de um gabinete médico, com uma marquesa, um manequim feminino completamente despido e um gajo que não regula bem da cabeça, escreve muitos disparates e está a ter um breve colapso cerebral?...

 

Podia, mas não aconteceu. Talvez porque o manequim era feito de um material frio, duro e seco. Se fosse feito de silicone... já não posso garantir que nada se passasse. E, já agora, devo confessar que a presença do manequim masculino, com aquele olhar baço e reprovador, não ajudava nada a dar asas a qualquer gesto mais entusiasmado. Porque, para mim, dois é perfeito, mas três é pior que andar no Metro de Tóquio em hora de ponta. pickwick

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