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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

10
Mai10

Quase como na Califórnia

pickwick

Já não tenho a certeza se a cena padrão se passa na Califórnia, ou noutro qualquer pedaço de terra americano à beira-mar, mas, o que interessa mesmo, mesmo, mesmo, é a jovem senhora em trajes mais ou menos provocantes, passeando o seu cãozinho. A parte do “mais” provocante, é aquela em que o calçãozinho, em virtude das suas dimensões, se confunde com uma cuequinha tanga. A parte do “menos”, é aquela em que o calçãozinho ah e tal, que linda bochecha. Se, em vez do cãozinho, fosse uma fatia de pizza a ser arrastada pelo chão, o efeito era o mesmo, apenas com o inconveniente de a fatia de pizza não parar estrategicamente junto às palmeiras, o que impediria os mirones de apreciar e ajuizar o aspecto estático das nádegas.

 

Na versão que me traz aqui hoje, a menina de 25 anos saiu de um automóvel de cerca de 18000 euros, no parque de estacionamento do Pingo Doce, de trela na mão. Alguém mais também saiu do automóvel e foi às compras. Na ponta da trela, uma bola de pêlo. E eu também fui às compras.

 

Embora a descrição do parágrafo atrás pareça nu de assunto, tenho a dizer que, na realidade, a saída da menina do automóvel e a sua apropriação da trela e do cão, teve muito assunto. A menina, vestia um vestido de pano fresco e leve, de cor branco-sujo polvilhado de flores, a terminar meio palmo acima do joelho. Acontece que, na empenhada tentativa de retirar o cão pela porta de trás, a menina teve que se inclinar para a frente. E acontece que, com este singular gesto, deixou a descoberto o fim de um par de meias transparentes, identificado por umas ligas de cor suspeita (algo entre o bordeaux e o castanho), aparentemente sem suspensórios, localizadas dez centímetros abaixo da linha da cueca (por estimativa).

 

Entrei pelo supermercado dentro com aquela boa disposição que se pode imaginar, fascinado pelo mau gosto que originou a combinação foleira de um vestido pindérico, tipicamente usado pelas donas-de-casa quando vão à horta colher cenouras e couves, com umas meias suspensas por vistosas ligas. É como usar uma tanga igual à do Tarzan dos anos 30, feita de um pano de limpar loiça, com umas botas de cano alto cravejadas de diamantes e safiras.

 

Ao regressar ao carro, de saco na mão, reparei que a menina andava a circundar o parque de estacionamento, de trela na mão, com o vento a agitar atrevidamente a parte inferior do vestido.

 

Depois disto, passei um fim-de-semana a tentar explicar a dois amigos que só existem dois tipos de mulheres: as que não regulam bem da cabeça, e as que regulam bem. pickwick