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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

18
Set09

Ó para ele, tão macho

pickwick
Outro dia fui apanhado numa onda de ah e tal vamos à feira comer umas bifanas e um caldo verde e andar nos carrinhos-de-choque. Já houve tempos em que mandar umas pantufadas nos carrinhos-de-choque ainda me entusiasmava, mas acho que já foi algures no século passado. Um gajo com a idade fica meio artolas e deixa de saber apreciar certos prazeres da vida. Enfim, não se pode ser perfeito. Entre o perfeito e o imperfeito fica aquele gajo que, como eu, já não tem paciência para andar a chocar contra os carrinhos das meninas nem para andar ao soco com os namorados ou pretendentes dessas meninas que também andavam na pista mas um gajo não sabia, embora seja incapaz de renunciar a um caldo verde e a uma bifana. E assim lá fui.
 
Depois do manjar, os meus companheiros de passeio - uma senhora e os seus dois filhos adolescentes – foram gastar umas fichas nos carrinhos, enquanto que eu me plantei nuns bancos metálicos muito mal jeitosos que rodeavam a pista, daqueles que um gajo senta-se e passados três segundos já está a levantar-se para se sentar novamente porque entretanto já se está quase com o traseiro no chão.
 
Algures durante a terceira ficha, acercou-se da pista uma família muito jovem, tipo os irmãozinhos todos juntos e os pais nem vê-los. Havia a adolescente gorda, um bebé num carrinho, um jovem adulto com ar de quem levanta vacas durante a manhã e mata coelhos à dentada durante a tarde, mais duas ou três personagens que se me evaporaram da memória, e um puto com cerca de onze anos.
 
Às tantas, cada um foi para seu lado, para os carrinhos, carrosséis e demais diversões, ficando o bebé, no carrinho, à guarda do puto. Que puto responsável, pensei eu. Quando olhei com mais atenção, reparei que o puto estava já a mais de meio de um cigarrinho, na maior das descontracções, alternando umas beijocas no bebé com umas baforadas de fumo para o ar. Com aquele ar de macho-por-desmamar, quase que aposto como o puto estava decidido a que o povo o tomasse por pai do bebé.
 
Eu, com aquela idade, se fosse apanhado pelo meu paizinho a armar-me aos cágados com um cigarro, nem que fosse meio cigarro, levava um chuto com tamanha força que pegava fogo no cu e ainda ganhava um galo na testa quando chocasse com o planeta Mercúrio. A minha sorte, com aquela idade, foi dominar minimamente a versão lusitana da mítica arte Ninja. Embora às vezes nem por isso. pickwick