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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

29
Ago09

As filhas dos patrões

pickwick
Hoje fui almoçar a casa do patrão. É a segunda vez que ele convida, nas últimas duas semanas. Aliás, nos últimos cem anos. Da primeira vez, foi assim um convite mais rebuscado, ah e tal, com aviso prévio à navegação. A ementa foi qualquer coisa da perna de um porco ou de uma vaca, que já não me recordo, mas que devorei com a devida cerimónia. Afinal, a mulher do patrão ainda me trata por você, embora a partir do mês que vem vá começar a trabalhar na mesma instituição que eu e o patrão e marido.
 
Hoje, a coisa foi mais à bruta. O sub-patrão anunciou que ia almoçar – o que é extraordinário – e o patrão secundou-o, complementando com a informação de que eu ia lá comer a casa dele. Ainda sussurrei discretamente que ah e tal vou ali a casa e já venho, mas devo ter sido pouco convincente, porque ele atalhou logo a seguir, com ar de patrão consumado, que nã, nã, vais lá a casa. E pronto. O patrão é que manda.
 
Regra geral e sem excepções, detesto ir comer a casa de alguém. Exceptuam-se os casos dos amigos, em que este acontecimento é um grande prazer. No caso presente, somos colegas de trabalho, e um colega de trabalho nunca é um amigo. Enfim, podia-me dar para comer um grelhado de ratazana embrulhada em couve-de-bruxelas, mas, pronto, tenho esta mania (e outras do mesmo género).
 
Desta vez, a filha também almoçava. Por momentos fiquei confundido com o aspecto da moça, assim tipo miúda do 11º ano, leve e fresca, extremamente elegante, olhos escuros e enormes, um sorriso tipo não sei que agora não me lembro mas que enfim, um rosto bonito e uma camisa meio desabotoada. Pois, não ia estar a dar-me ao trabalho de escrever um post se não houvesse um pormenor qualquer associado à zona torácica. A confusão, afinal, era só nas habilitações académicas da rapariga. Não é miúda do 11º ano. Está só a terminar o curso de Medicina, pronto. Pouca diferença, portanto.
 
Assim sendo, a filha do patrão é médica. Das filhas do ex-patrão e actual sub-patrão, duas são médicas e a terceira, que ainda está na secundária, tem notas para entrar em Medicina a fazer o pino; complementarmente, as duas filhas médicas são duas brasas. Depois estou eu, o misterioso adjunto do patrão, uma nódoa social sem descendência e com um grande défice de juízo. Não tenho filhas, nem um gato, nem um cachorro, nem um periquito e nem sequer um peixinho de plástico a boiar num alguidar. Há dias em que me sinto ligeiramente intimidado… pickwick

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