Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

28
Ago09

Actualização do patronato

pickwick
Embora este assunto tenha retroactivos a Junho deste ano, só agora me ocorreu registá-lo aqui.
 
Em Junho, portanto, houve uma actualização do patronato da minha instituição. As “regras do jogo” mudaram, por força de lei, e o patronato – eleito democraticamente - teve que cessar funções à força, o que, já agora, não deixa de ser um pormenor interessantíssimo neste bonito país armado aos cucos. Assim, o patrão deixou de ser o patrão, eu deixei de ser o vice-patrão, e as duas vice-patroas também foram à vida.
 
Após movimentações discretas, embora insistentes, recrutámos um conhecido para, no âmbito da nova lei, sujeitar-se a ser nomeado patrão. Este, aceitou o desafio na condição de que eu e o ainda patrão aceitássemos alinhar com ele.
 
Assim que o novo patrão tomou posse, nomeou o ex-patrão como sub-patrão e nomeou-me a mim como adjunto do patrão. Na teoria, deixou de haver patronato, de acordo com a lei. Há o patrão, há os dois cromos que o coadjuvam, mas se alguma coisa correr para o torto, só o patrão é que leva nas orelhas, enquanto que, antigamente, era o patronato – uma equipa – que apanhava. Enfim, coisas dos tempos e da imaginação do Sócrates. Na prática, continua a parecer um patronato, mas, se eu urinar fora do penico, é o patrão que leva nas orelhas, embora depois tenha de ser eu a passar a esfregona no chão.
 
Nesta nova conjuntura, posso adiantar que houve um acréscimo de qualidade de vida. O novo patrão é, de longe, muito menos stressado do que o anterior, que agora é sub-patrão. Ou melhor, tem outras formas de encarar a vida.
 
Considerando que a velocidade do caminhar natural de um ser humano é de cerca de 5 km/h, o novo patrão tem um tique que muito me diverte: várias vezes por dia, levanta-se e começa a caminhar de um lado para o outro, dentro do gabinete, a uma velocidade aproximada de 8 km/h (estimativa), enquanto pensa em voz alta. Por vezes, faz o mesmo quando está ao telefone. Isto é muito giro. Em especial porque o gabinete tem um degrau a toda a largura e ele ainda não tropeçou nele! Mas há-de chegar o dia!
 
Outro tique do novo patrão, e que muito aprecio, é o ritual da paragem. Ao meio-dia em meio, mais cinco minutos, menos cinco minutos, toca-lhe o alarme biológico e anuncia em voz alta que está na hora de irmos almoçar. Às dezassete e trinca, mais meia hora, menos meia hora, toca-lhe novamente o alarme e anuncia que está na hora de fecharmos a loja. Uma vez que não temos horário de trabalho fixo, este tique do novo patrão é uma lufada de ar fresco após dois anos num patronato em que facilmente se chegava à hora do jantar e ainda se estava no gabinete de volta dos papéis…
 
Até o nível das conversas foi actualizado para um índice diferente. O novo patrão saca palavrões com muita frequência, talvez pelo facto que ter findado a presença feminina no gabinete, e certos comentários são propositadamente tão brejeiros que um gajo fica com dores de barriga de tanto rir. Não se poupa em comentários explícitos sobre o aspecto físico desta ou daquela colega, o que é muito bom, até pelo carácter informativo, e assim fico ansioso pela apresentação ao serviço de uma nova colega que, segundo ele, é “muito boa em todos os aspectos”.
 
A ver vamos, se o ambiente divertido é sol de muita dura… pickwick