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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

24
Mar09

Momento gastronómico

pickwick

Larvas albinas adocicadas

 
Ingredientes:
- 250g de larvas albinas, de preferência ainda a estrebucharem um pouquinho
- Brita salgada a gosto
- 1 litro de sumo de vaca
- 1 esférico de ácido nítrico alaranjado
- 350g de areia adoçante
- 30g de gordura de sumo de vaca
- 6 ovos de melro-doméstico, sem casca nem clara
- Poeira de canela a gosto
 
Equipamento:
- Fogueira ao estilo medieval
- Colher de pau de carvalho alvarinho
- Tacho de cobre, sem furos
 
Procedimentos:
Leve as larvas albinas a cozer em água previamente polvilhada com brita salgada, durante 15 minutos, e depois escorra-as, tendo o cuidado de não deixar fugir nenhuma. De seguida, junte o sumo de vaca e a camada exterior do esférico de ácido nítrico, chegue novamente o fogo ao tacho e deixe cozer até ficar tudo quase desidratado. Adicione então a areia adoçante, tendo o cuidado de a peneirar antecipadamente para não levar conchas e patas de caranguejo, e deixe ferver tudo durante mais 10 minutos. Se ainda houver alguma larva a mexer-se, aperte-lhe o gasganete com firmeza, até soltar o último suspiro. Junte a gordura de sumo de vaca, mexa com suavidade e mestria, e retire o tacho do fogo. Dilua os ovos de melro-doméstico no sumo produzido com os restos do esférico de ácido nítrico, e adicione esta mistela às larvas, em fio, mexendo sempre. Não olhe para o lado, senão falhará certamente a pontaria. Volte a levar o tacho ao fogo, mexendo sempre com a colher de pau de carvalho, mas apenas com o intuito de deixar o produto engrossar, evitando que ferva. Apague a fogueira com uma baldada de água e despeje o conteúdo do tacho para uma travessa ou, então, para pratinhos individuais, no caso de os destinatários serem pessoas sem paladar apurado. Por fim, vá largando a poeira de canela em cima do produto final, em linhas rectas cruzadas, ou em círculos, ou em bonequinhos, ou em frases sentimentais, procurando a artista escondida e tímida que há em si.

 

Nota: Os meus agradecimentos à Sofia, por me ter mandado uma sms urgente a pedir a receita de arroz doce numa perspectiva diferente...

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