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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

18
Jan09

Mais um sinal…

pickwick

… nítido de decadência.

Numa segunda-feira, recebi um telefonema, confirmando o início dos treinos de judo na terriola aqui ao lado. No dia seguinte, fui lá espreitar, até porque o mestre tinha sido meu colega de trabalho há alguns anos atrás. Gostei: ambiente acolhedor, tapetes verdes, paredes de granito, colunas de cimento protegidas com espuma, e nenhum matulão desejoso de conquistar um lugar nos próximos jogos olímpicos. De regresso a casa, vasculhei nos “baús” do antigamente, em busca do meu fato do antigamente, arrumado há cerca de seis anos na sequência de um singelo acidente. Na quinta-feira seguinte, lá estava eu a entrar pelas instalações do antigo colégio, de mochila ao ombro, armado em campeão. Afinal, abonava em meu favor o facto de, por agora, os únicos praticantes serem apenas inofensivos miúdos do 8º ano. Nos balneários, repeti um ritual já muito antigo: apertar as calças com uma atadura-especial-de-corrida, vestir o grosso casaco, esticar as mangas e apertar o cinto, com aquelas voltas especiais e um nó direito a rematar. E aqui é que foi o caraças! Confesso que costumo ficar sem jeito quando sou confrontado com uma surpresa inesperada – ou não seria uma surpresa, portanto – que surge como uma quebra de algo a que estive habituado durante anos. Por exemplo, se acordar de manhã e der por falta de uma perna, fico sem jeito. Ora, assim que acabei de dar o nó direito, quis repetir o procedimento de socá-lo, isto é, dar um esticão pelas pontas, em sentidos opostos, para apertar o nó. Durante muitos anos, agarrava firmemente nas pontas do cinto e dava um valente esticão. Agora, de repente, sobravam-me cerca de cinco centímetros em cada ponta, o que, como facilmente se percebe, não facilita o trabalho. Ou seja, um gajo não tem por onde agarrar e dar o esticão. Dantes, sobravam-me uns vinte centímetros... Primeiro pensamento: o cinto encolheu! Mal pensado. Segundo pensamento: o casaco engrossou! Quase. Terceiro pensamento: tás gordo que nem um texugo! Certo! Ora, este pequeno pormenor técnico tem dois inconvenientes que se complementam na perfeição. Não tendo comprimento de pontas para agarrar, nunca consigo socar o nó convenientemente, o que traz, como consequência, o desfazer frequente do nó. Não tendo comprimento de pontas suficiente, o nó é mais rápido a desfazer-se, pois a ponta chega mais rapidamente ao núcleo do nó. Resumidamente, um gajo em estado decadente, gordo que nem um texugo, numa forma física deplorável, com os bofes de fora, a arfar, a arfar, passando a vida a colocar de novo o cinto e a apertá-lo. Não é uma imagem bonita, note-se. pickwick