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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

11
Ago08

A problemática dos macacos

pickwick

Minho, 16h00. Depois de quatrocentas fotos tiradas, desde as 10h00, chegara a vez das últimas. É o que dá um gajo andar a fingir que é repórter fotográfico para uma revista, com um cartão de identificação a dizer “Press”, barba por fazer, cheiro a cavalo cansado, enfim, o aparato todo.

 
Às mijinhas, chegavam à minúscula praia fluvial duas centenas de crianças do 1º ciclo, darem um mergulho na pouca água do rio, pouco mais que ao nível do tornozelo. Quando há uma concentração de crianças, a probabilidade de apanhar expressões engraçadas e tirar fotos de mestre aumenta abruptamente. Claro que, para tirar fotos de mestre, é preciso ser-se mestre, mas isso agora não interessa. Aliás, acho que só interessava ao gajo que foi transportado juntamente comigo, para missão idêntica, com uma bolsa enorme a tiracolo, uma máquina profissionalíssima nas mãos e outra igual suspensa no ombro, ambas com canhões tipo macho-africano-bem-dotado. Nitidamente, era um profissional, o gajo. Até usava um colete, vejam só! Metia-se com as criancinhas todas, ah e tal, juntem-se lá aqui para tirar uma foto, coiso e tal, enquanto eu era mais do tipo discreto, tipo barata tonta a disparar em todas as direcções sem pedir nada a ninguém.
 
A determinada altura, o gajo aproxima-se de mim, com um sorriso, mostra-me uma das suas fotos de um grupo de crianças a posarem cheias de sorriso, e pergunta-me: quanto é que dá por uma foto destas lá para a sua revista? Senti-me ofendido, calmamente guardei a minha Canon compacta e pequenina e discreta e pobrezinha na respectiva bolsa, olhei-o nos olhos e parti para a loucura. Saquei-lhe a máquina das mãos, espetei-a numa pedra e comecei a gritar, completamente enlouquecido. O gajo foi apanhado de surpresa e não se conseguiu recompor a tempo de escapar à minha fúria, pelo que lhe escavaquei a outra máquina, parti-lhe dois dentes da frente, arranquei-me um tufo de cabelos, rasguei-lhe o colete e fiz-lhe uma luxação no ombro. Entretanto apareceu a GNR e foi o que o salvou, perante o pânico das criancinhas que desataram a chorar assim que o gajo começou a sangrar das beiças.
 
Bom, claro que entre o que um gajo deseja fazer e aquilo que realmente faz, vai um saltinho, por vezes bem longo, mas não custa nada sonhar. Fiz um sorriso aparvalhado, um “hehe” tipo deficiente mental, e ele começou a disfarçar que ah e tal, estava a brincar, que se eu quisesse mandava as fotos a troco de nada, porque estava ali por prazer e mais não sei o quê. Ok, pá.
 
E este post vem a propósito de quê? É que muitas das fotos que tirei às miúdas de 7, 8 e 9 anos, assim mais coisa menos gafanhoto, ficaram completamente estragadas. E porque ficaram completamente estragadas, apesar de já ter rifado o cartão de 4Gb e comprado um de 2Gb que funciona lindamente? Porque muitas das miúdas passavam a vida a escarafunchar as narinas com os dedos e a retirar de lá todos os macacos possíveis e imaginários!
 
É frustrante! Um gajo apanha assim uma carinha larocas a olhar o horizonte, à espera de vez para entrar na água, num belíssimo dia de sol, e quando vai a disparar ela mete o dedo todo dentro do nariz, feita bruta! Não há condições!
 
Como se isso não bastasse, e porque depois acabei por ficar especado a ver se elas tiravam o dedo de dentro do nariz, as miúdas tinham todas o horrível hábito de enfiar o dedo logo de seguida dentro da boca, para lhe tomar o gosto! Como nos filmes de terror! A minha sorte foi ainda não ter almoçado, senão ia ficar mesmo enojado e o resultado podia ser pouco higiénico.
 
Algumas delas, devo dizer, tinham umas carinhas muito giras, promissoras de poderosas beldades daqui a uma década. Ou não. Ou não, porque, sabendo-se deste hábito pouco higiénico, há que compreender que, por mais bonitas que fiquem, por mais podres de boas que fiquem, aqueles corpos vão crescer alimentados a macacos do nariz! Ou seja, debaixo da pele sedosa, haverá quilos de macacos do nariz acumulados nas células, nas articulações, nos músculos, a largar sebo no couro cabeludo, enfim, uma grande nojeira orgânica! pickwick

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