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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

07
Ago08

Quem está, está…

pickwick

Na viagem que fiz a Trás-os-Montes, na semana passada, tomei conhecimento de uma perspectiva do mundo e da vida deveras interessante, da autoria de um daqueles “Ti” qualquer coisa que vivem numa aldeia qualquer e têm uma horta e frequentam a tasca em busca de maior sabedoria.

 
Ora, essa perspectiva consiste no seguinte:
 
O mundo está todo mal, com essas coisas de uns morrerem e outros nascerem. Nada disso! Devia ser assim: ninguém nasce, ninguém morre, quem está, está… quem não está, estivesse!
 
Pessoalmente, apenas tenho umas quantas reticências. Como é? O pessoal envelhece ou fica tal e qual para sempre? Se ficar assim para sempre, dá para recuar 15 anos e tal e apanhar o barco? Há alguma possibilidade de uma parte das adolescentes crescerem só até aos 21, para passarem a fasquia da maturidade e assim haver mais oferta? Dá para concretizar o falecimento súbito de algumas pessoas, com base numa lista criteriosa?
 
Outro dia, quando vinha de passagem por umas aldeias serranas, passei ao lado de uma daquelas piscinas fluviais muito bem cuidadas e apresentáveis, repletas de corpos bronzeados, biquínis e relva verde. Uns metros mais à frente, numa moradia com alguma dimensão, um casal descansava na varanda, ao abrigo da sombra que os protegia do sol abrasador que se fazia sentir.
 
Perguntei a mim mesmo porque raio não estavam também ali no meio da confusão, esticados na relva ou a chapinharem na água fresca da montanha. Provavelmente, porque já pertenciam ao escalão etário 70+, com todos os inconvenientes que daí resultam, nomeadamente o corpo ressequido e visualmente pouco estético que poderia não se enquadrar muito bem naquele rebanho de peles jovens e músculos elásticos.
 
A teoria do “Ti” qualquer-coisa não era mal pensado, pois poupar-me-ia a um futuro em que também eu, incansável apreciador do corpo feminino, acabaria por ficar em casa, plantado numa varanda, incapaz de me desnudar no meio daquelas fibras todas, daquele fedor a juventude.
 
Enfim. Mas, lá vai ter que ser, um dia, daqui a muitos anos. Até lá, carago!, deixem-me cá aproveitar o mundo e embebedar a vista com tanta coisa boa que por aí anda… pickwick

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