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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

19
Jul08

A saga das maminhas – parte 5

pickwick

O excesso de moscas em Regoufe convenceu-nos a, na viagem de regresso, não pararmos na tasquinha para rematar umas cervejinhas geladinhas. Por mais ideal que seja a temperatura da garrafa, não compensa a estafadeira de ter que tapar sempre o gargalo para não deixar entrar as moscas. Assim, seguimos, sem parar, para o Covêlo de Paivó, de regresso ao carro e ao salvo-conduto para a civilização.

 
Lá chegados, e porque fazia um sol escaldante, decidimos juntar o útil ao cultural e visitar a aldeia enquanto procurávamos um local agradável para dar uns mergulhos no rio. Conclusão: apesar de aparentar ter menos cabras que Regoufe, Covêlo de Paivó tem a mesma quantidade irritante de moscas!
 
Já quase na periferia da aldeia, um velhote simpático indicou-nos um trilho que daria para um local porreiro para o banho, a uns dez minutos a pé. Lá fomos, não sabemos se era o que ele tinha indicado, porque as indicações desta malta são feitas à medida dos próprios e pecam sempre por objectividade. Ah e tal é já ali à frente. Pimba, sete quilómetros. Ah e tal é só meia-hora. Pimba, hora e meia.
 
Ainda assim, arranjámos um poiso à sombra de umas parreiras, junto a um muro, numa parte seca do leito do rio. Um calor abrasador. Insuficiente, contudo, para fazer elevar a temperatura da água a um nível aceitável. Ou seja, um gajo está ali a morrer de calor, só apetece tomar banho todo nu, afogar-se três vezes seguidas, engolir o rio e os peixes todos e mais uns calhaus, mas, mal toca na água, sente aquele choque inesperado de quem está sujeito a morrer com hipotermia se ousar descuidar-se e ficar dentro de água mais que seis segundos. Perde-se o calor sem ser necessário entrar na água. As ribeiras, os ribeiros e os rios na montanha têm destas coisas, pronto.
 
Findos os banhos, esfregados os suados sovacos, arrumadas as mochilas, fizeram-se as centenas de metros que nos separavam do carro. Objectivo: em quatro rodas, chegar a um certo restaurante, onde nos esperaria um petisco delicioso – maminhas de vaca. Com as curvas pelo meio, ainda demorou quase uma hora até chegarmos ao destino, já fora de horas, tipo três da tarde.
 
Entre três canecas de meio litro de cerveja para cada um, serviram-se as maminhas de vaca. Uma desilusão completa! Afinal de contas, as maminhas de vaca, não são maminhas de vaca. Fui enganado. São, simplesmente, nacos de carne de vaca. Naquele restaurante, como têm a mania que são finos, os nacos chegam à mesa crus, em cima de uma placa de mármore quentíssima, sendo que os clientes são obrigados a cozinharem a carne, ali mesmo. Para acompanhar a meia dúzia de nacos de carne, um reles pires de arroz de feijão deslavado e uma minúscula travessa de batatas fritas. Para quatro gajos encorpados e esfomeados, recém chegados das agruras da montanha. Toma lá catorze euros a cada um.
 
No mínimo dos mínimos, as “maminhas de vaca” deveriam ser um petisco em que fossem visíveis as tetas da vaca, talvez trespassadas por uns palitos de cocktail, quiçá, para ficarem mais bonitas. Deveriam ter uma forma arredondada, tipo maminha. E deveriam saber a leite de vaca, pelo menos! Mas, não! A isto, chama-se publicidade enganosa. É quase como ir ao Fujaco buscar uma esposa e vir de lá com uma velhota desdentada, de mamas secas ao pendurão, com a última sessão de higiene íntima realizada em 1962. Chiça! pickwick