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Sábado, 21 de Julho de 2012
Teorias com prostitutas II

Estava mesmo, mesmo, mesmo para enfiar à boca a primeira garfada de “carne de porco com cogumelos chineses e bambu”, quando o meu paizinho se lembra de trazer à mesa um episódio televisivo que o impressionou. Valeu o facto de sermos os únicos clientes do restaurante, naquele momento.
O dito episódio, envolveu uma inédita entrevista a uma prostituta sobre as dificuldades e agruras da sua vida profissional, ao que a senhora informou que os clientes mais difíceis são os que a contratam para desabafarem, em vez de satisfazerem as suas necessidades animais.

 

Veio-me logo à imaginação a senhora da vida, alapada no seu banco-lata-de-tinta-20-litros-do-avesso, a olhar para o cliente A, cento e noventa e cinco centímetros e outros tantos quilos, a tresandar a catinga, barba crescida, gadelha desgrenhada, olho de vidro a mirar o infinito, meia dentadura apodrecida e outra metade ausente, unhas enegrecidas sabe-se lá com o quê, espuma de baba a assomar ao canto da boca, a arfar descontroladamente como quem está capaz de tirar a virgindade ao primeiro quadrúpede que se lhe atravesse na frente, seja ovelha ou ouriço-caixeiro, e o cliente B, moço bem-parecido, bem constituído, fato e gravata, perfumado, educadíssimo, desejoso de encontrar alguém que o oiça mais que trinta segundos. E a senhora escolhe o brutamontes, que lhe vai esfrangalhar sardanica e deixá-la com um cheiro imundo para duas semanas. E desdenha o moço, porque não há paciência para servir de bom ouvido.


Posto isto, começa o meu paizinho a teorizar, que ah e tal, a prostituta tem três grandes vantagens em relação a um psicólogo:
1 – Sai incrivelmente mais barato.
2 – O primeiro serviço não pressupõe, nem exige, a marcação de N serviços posteriores.
3 – E há um inegável factor de privacidade, num contraste gritante entre a dispensa do nome, por parte da prostituta, e a recolha de dados pessoais comprometedores, por parte do psicólogo.


Entretanto, imagino-me a parar ali para os lados de Alenquer a caminho de Leiria, a solicitar os serviços da Vanda (nome fictício), a deitar a minha cabeça no colinho dela, qual guerreiro a fazer as pazes com o mundo, e a começar a desabafar as minhas mágoas sentimentais. Ao fim de dois minutos, a Vanda olha-me nos olhos, com um ar ternurento, esboça um sorriso e diz “tadinho”, afagando-me o cabelo. Só que, entre o “ta” e o “di”, vem o balde de água gelada, com uma mão cheia de dentes frontais completamente pretos e ratados, e meio centímetro de borracha de preservativo aromatizado (pêssego e frutos silvestres) entalado entre o incisivo lateral e um canino. Não há condições… pickwick

publicado por pickwick às 10:04
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012
Teorias com prostitutas I

Mais uma viagem de carro desde a província até à capital. É sempre aquela viagem solitária, aproveitada para meditar sobre “a vida, o amor e as vacas”, observar o tráfego e o casario, enfim. E as prostitutas, de serviço à Nacional 1.


Eu sei que não soa muito bem, mas é verdade que tiro as medidas a todas elas. Entremeio a música do rádio com um repertório pessoal de expressões qualificativas resultantes de apreciações rigorosas e imparciais: uiiiiii…, eia que nojo!, eh lá!, tão gira!, blerk!, tão feiaaa!... e por aí fora. Nesta viagem, em particular, as expressões elogiosas estiveram em crise, em virtude da falta de qualidade dos exemplares avaliados, mas, há viagens em que funciona ao contrário. A par das expressões verbais, aproveito a solidão da viagem para me expressar corporalmente, com toda a liberdade que o banco do lado vazio me permite. Ora assobios, ora esgares de vómito, ora boca aberta e silêncio profundo. É da variedade que nasce a riqueza, já dizia o poeta.


Adiante. Ora, dadas as circunstâncias actuais da minha vida pessoal, veio-me à alembradura uma teoria muito antiga para resolver o buraco da minha vida sentimental. Reza a mesma que poderia parar à beira de uma qualquer jovem prostituta, desde que bem apresentada, ou bem-apessoada, e propor-lhe o abandono daquela vida dura, a troco da partilha do resto da vida dela comigo. Trocar a vida de objecto sexual para ser a única princesa de alguém. Blá, blá, blá. Só um gajo desesperado é que se lembra destas coisas, eu sei, mas já foi há muito tempo, mesmo.

 

E, se bem me lembro, o prazo de validade desta teoria terminou quando fiz a pé a estrada entre Lourosa e Espinho e me cruzei com uma prostituta tão feia, mas tão feia, mas tão tipo-atropelada-por-manada-de-búfalos-em-pânico, que ainda andei uns vinte passos a cambalear, agoniado com a visão, como se tivesse engolido de uma só vez uma perna de javali a decompor-se há duas semanas e invadida por uma colónia de larvas asquerosas a contorcerem-se de mórbido prazer com o nojento banquete.


Era uma teoria engraçada, era. Para uma época em que um gajo não era muito esquisitinho, tinha a fasquia quase a roçar o pó do chão, e havia disponibilidade psicológica para aturar um défice intelectual grave… pickwick

publicado por pickwick às 11:30
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Segunda-feira, 24 de Julho de 2006
Calor e Sexo

Estava num almoço de família, a actualizar conhecimentos via televisiva, quando entrou pela cozinha dentro a reportagem. Ficámos caladinhos que nem uns ratos. Um célebre sexólogo, daqueles que não são capazes de falar sem espalharem-se todos num sofá, para darem ares de sexualmente activos, tentando enganar a população, teceu algumas teorias despropositadas que mereceram o desprezo do povo. O tema era a relação entre o calor e o sexo, ou vice-versa. Isto é, mais calor, mais sexo? Ou nem por isso? Ora, este assunto, pela sua importância no combate à crise nacional, merece toda a nossa atenção e empenho. Assim sendo, façamos a abordagem de forma científica.

Teorema do Presunto Estragado
Qualquer que seja T (entre 30 e 45 ºC), o suor provocado pelo sobreaquecimento das moléculas produzirá, ao fim de H horas (para H>0,5), um odor insuportável a presunto estragado nas zonas do corpo em que as peles se esfregam, odor esse que extinguirá qualquer excitação sexual.

Excepções ao Teorema do Presunto Estragado
São passíveis de não serem abrangidos pelo Teorema os indivíduos:
a) Portadores de deficiências de funcionamento das narinas;
b) Colectores do lixo;
c) Apreciadores de queijo francês.

Teorema de Tarzan e Jane
Seja V a percentagem de área coberta do corpo humano. Para valores de V inferiores a 23%, o cérebro humano será condicionado por factores genéticos, os quais tendem a eliminar idealizações poéticas das relações humanas e a impulsionar o desejo de simular ou efectivar a procriação, à semelhança do que faziam Tarzan e Jane a viverem pacatamente numa cabana no cimo de uma árvore no meio da selva africada no meio da macacada.

Teorema da Cevada
Seja M a taxa de excesso de gordura no corpo. Para valores de M acima dos 136%, o ser humano do sexo masculino reagirá de uma das seguintes formas:
a) Se M diz respeito ao indivíduo do sexo masculino, a necessidade física de arrefecer a massa corporal levá-lo-á a trocar a parceira por uma cervejola de cevada, bem fresca.
b) Se M diz respeito ao indivíduo do sexo feminino, o desagrado pelo aspecto da parceira levá-lo-á a trocá-la por uma cervejola de cevada, bem fresca.
c) Se M diz respeito a ambos os indivíduos, haverá um incremento na aquisição e consumo de cervejolas, bem frescas, em grades ou packs.

Teorema do Choque Térmico
Qualquer que seja T1 (entre 30 e 40 ºC) e T2 (entre 15 e 25 ºC), respectivamente temperatura ambiente e temperatura da água, o choque térmico provocado pelo facto de T2<T1 levará a um disparo súbito da excitação sexual em ambiente aquático, resultando numa pré-disposição imediata para o sexo.

Teorema da Inflamação Involuntária
Qualquer que seja T (entre 35 e 50 ºC), a dilatação natural dos corpos, principalmente nas zonas sexualmente atiçáveis, produzirá um efeito de adulteração da capacidade de distinguir entre inflamação por calor e inflamação por desejo. Esta perda de capacidades, que resulta numa desorientação natural, levará as suas vítimas a incorrerem num processo excessivamente repetitivo de compensação da falsa sensação de desejo sexual. Da observação deste processo resultam comentários conservadores, do género “no verão é só sexo”.

Teorema da Erecção Involuntária
Para valores de T acima dos 29 ºC, o excesso de consumo de água, ou outro tipo de bebidas, tornará mais activo o sistema urinário dos indivíduos do sexo masculino, ocorrendo erecções despropositadas e involuntárias do respectivo órgão sexual. O conhecido fenómeno, que tem uma designação popular muito brejeira, será contabilizado erradamente como uma estimulação sexual, enganando estatísticas e estudiosos do tema, e o próprio dono do órgão. Assim, nos inquéritos em que a população masculina responda “sim” à pergunta se com o calor tem mais apetite para o sexo, deverão ser eliminadas 35% das respostas. pickwick

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publicado por riverfl0w às 20:33
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Quinta-feira, 20 de Julho de 2006
Elas não querem ser princesas
Só a ida à Serra da Estrela, no passado fim-de-semana, dava um blog inteirinho. Em vez de apreciarem a natureza, o contacto com a beleza suprema, os passarinhos a chilrear, o vento da passar entre os arbustos serranos, e outras coisas que tais, os cinco letrados de mochila às costas que compunham o grupo de andarilhos, não se calaram o tempo todo. Ainda estão por escrever algumas divagações menores obtidas durante a caminhada, mas esta é demasiado profunda para ser deixada no meio das outras, pelo que lhe dedico um post próprio. Ora bem, então, após o confronto de uma série de experiências pessoais e alheias, chegámos à brilhante conclusão de que as mulheres não querem ser princesas. E, atenção, isto não é uma conclusão machista e desavergonhada, como algumas mentes feministas possam alvitrar. A própria Ana (nome de código do único elemento do sexo feminino do grupo, cujo nome verdadeiro se escreve ao contrário) defendeu esta ideia com unhas e dentes, ela própria partilhando factos e argumentos a favor. A ideia, que já defendo desde há duas décadas, é de que as mulheres gostam mesmo é de levar porrada. Bem, não precisa de ser à estalada. Aliás, nem precisam de levar porrada. Elas não querem mesmo é ser tratadas como princesas. O passado mostra que, em todos os casos em que os homens mimaram as respectivas mulheres, a relação acabou por se deteriorar com o passar do tempo. Numa larga percentagem destes casos, as mulheres, outrora tratadas como princesas, acabaram por se juntar a homens que as tratam como sopeiras de segunda escolha. Mesmo assim, mesmo sabendo que agora já não são bem tratadas como antigamente, resignam-se com alguma satisfação. Isto é, ou não é, de um gajo atirar com a cabeça contra uma parede? O JN (nome de código já referenciado noutro post), chegou-se à frente com uma teoria para justificar esta atitude aparentemente insana das mulheres: elas gostam de um homem que as trate à bofetada, porque esse será o homem que as defenderá mais rapidamente. Ou seja, é tudo uma questão animalesca. Ou seja, as mulheres são uns puros animais grosseiros. Aquela imagem que temos das mulheres, doces, sensíveis, belas, frágeis, queridas, e ah e tal, não passa de bluff. Elas regem-se por instintos animais básicos, onde a violência é parte integrante e omnipresente. O JN foi mais além na sua teoria: cada vez que o homem bate na mulher, esta sente que ele está a treinar para um dia a defender. É bonito, não é? O gajo que trate bem a sua mulher, é um frouxo, sabendo ela que, quando se vir num aperto, atacada por outrem, em risco, o frouxo do seu gajo não irá em sua defesa, porque... não tem treinado nela! Todas estas teorias, note-se, assentam em estudos científicos verídicos. São resmas e resmas de casos assim. E, quando estivermos perante um caso de separação ou divórcio, em que haja o argumento de violência doméstica por parte do homem, atentem: pode ser um caso de défice de violência, e não de excesso, ok? pickwick
publicado por riverfl0w às 00:45
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Quarta-feira, 19 de Julho de 2006
Reflexões sobre a homossexualidade
Vínhamos nós, serra abaixo, as botas de penedo em penedo pelo carreiro que levava a Loriga, debaixo do intenso braseiro de um sol de Julho. Os temas de conversar multiplicavam-se, o que é natural quando se juntam vários licenciados, mestres e doutorados, todos a cheirarem a catinga nos sovacos muito suados. Um dos temas foi, imagine-se, a homossexualidade. O debate começou com a análise do relacionamento entre seres humanos, com base na experiência de vida de cada um. Os homens dão-se bem com os homens, as mulheres dão-se mal com os homens e as mulheres dão-se mal com as mulheres. Seja aos pares, aos trios ou em grupos maiores, como é o caso de uma cidade universitária onde abundam apartamentos partilhados por vários estudantes. Nos apartamentos só com homens, e tirando crises geradas por partilha de namoradas e fãs, o ambiente saudável perdura pelos anos fora, inabalável, aprofundando-se amizades, partilhando-se sonhos e aventuras. É bonito de se ver e viver. Em apartamentos só com mulheres, bem, há sempre desavenças, crises emocionais, crises de ciúmes, batalhas verbais, zangas de alguidar, umas que abalam e mudam de apartamento, grupos que se desfazem, amizades feitas e desfeitas, enfim, uma roda viva que faz as delícias dos homens que assistam a tudo. Em apartamentos mistos, porque também os há, o ambiente nunca é cem por cento saudável, mas, caso haja homens habituados a fazer estalar o chicote, ou habituados a deitar desprezo pelas narinas, há esperança de não haver uma degradação da qualidade de vida que comprometa a continuação. Ainda assim, é perigoso, entenda-se. Daí que, segundo a teoria do PM (nome de código de um doutorado em engenharia, como se depreende pelas letras), a relação de amor ideal é mesmo entre homens. Tipo homossexualidade. Só que, segundo o autor da teoria, há um problema grave de “hardware” neste tipo de relacionamento. O “hardware”, como todos sabem, é a parte física do ser humano. O “software” será a parte psicológica, que, no caso das relações homossexuais, desliza que nem vaselina. O problema de “hardware” resume-se, nas palavras do homem que trouxe à luz do dia esta teoria, a um problema de dar o rabinho. Compreensível, portanto. Outros membros masculinos do grupo acrescentaram mais alguns problemas de “hardware”, para dotar a teoria de bases mais sólidas, tais como a questão as pernas peludas dos homens, que não ficam bem quando há mais que duas juntas, a parte dos pêlos ao fundo das costas a fugirem para o rego das entre-nádegas, e outras coisas que tais. O único membro feminino do grupo confirmou a teoria, reconhecendo que, de facto, os relacionamentos homem-mulher e mulher-mulher estão, à partida e desde sempre, condenados ao fracasso. Nisto, o JN (nome de código para um mestre em gestão, confundindo-se com um célebre jornal) fez a revelação do ano: a teoria da “carreirinha na onda”! Eu confesso que fiquei atónito com esta teoria, dada a mestria com que foi descrita e a sua evidente aplicação prática. Ora, esta teoria é muito simples e passo a descrever. Os rapazes ou homens, quando vão à praia, gostam sempre de apanhar umas belas ondas e, mesmo sem prancha, tentarem fazer de pranchas-humanas, sendo propulsionados a uma velocidade vertiginosa pelas vagas de água salgada, até ao limite, sendo que, numa fase final do percurso, se vêem envolvidos em água turva, espuma e muita areia, raspando os peitos viris no fundo do mar cheio de conchinhas, pedrinhas e areia grossa. Depois de umas horas destas habilidades, voltam às suas casas, parques de campismo, apartamentos de férias, etc., onde vão para debaixo do chuveiro lavar o sal da água do mar. Entretanto, e por via do tal percurso final da carreirinha da onda, no qual entraram quilos e quilos de areia para dentro dos calções, são obrigados a retirar aquela areia malandreca que se infiltrou mesmo nas profundidades do rabinho, onde a água do chuveiro não chega. Inocentemente, sem saberem do perigo que correm, usam o belo do dedinho (indicador ou médio) para, num gesto harmonioso e carinhoso, retirarem aquela areia incomodativa. À primeira passagem do dedinho, e enquanto ainda soa no ar um “uiii… que é bom…” de satisfação, já é tarde para voltar atrás. Descobriram o prazer da homossexualidade! Era caso para os chuveiros serem vendidos com uma placa de aviso: “atenção, limpar a areia do rabinho usando o dedinho, pode provocar homossexualidade”. pickwick
publicado por riverfl0w às 14:34
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Terça-feira, 27 de Junho de 2006
Tratado das meias
Não sei o que dizer sobre meias cor-de-rosa. Desde que um fulano teve o atrevimento de me sugerir uma camisa cor-de-rosa, a mim, que levava umas calças coçadas e uma barba asquerosa por fazer, tudo é possível. Mesmo assim, continuo a achar que meias cor-de-rosa é mesmo só para gaja. E, há que concordar, fica-lhes muito bem. Aliás, às gajas, sejam miúdas ou mulheres feitas, as meias ficam bem de qualquer cor. Acho. Pois, pensando melhor, há meias que ficam mal às gajas. São aqueles tipos de meia de vidro, de cor azul-a-fugir, que mais parecem os cortinados nojentos e meio transparentes das casas de pornografia barata. Fica assim a ver-se a pele por baixo, meio azulada, tipo uma perna com um torniquete, prestes a ficar inutilizada e a precisar de uma amputação. Mas, pronto, fora essas meias, todas as outras ficam bem nas gajas. Incluindo as cor-de-rosa. É melhor não entrar naqueles pormenores das meias brancas até ao joelho com uma saia axadrezada, tipo “plaid”, ou só até ao tornozelo, de renda, com saia rodada acima do joelho, porque isso deixa-me assim um bocado descontrolado… e a espumar… Ah! Lembrei-me de outro tipo de meias que ficam altamente pirosas: as meias às riscas horizontais multicores. Especialmente se forem até acima dos joelhos, tipo pipi-das-meias-altas. Ah… essa depravada de totós e sardas foleiras! Com bonequinhos, tipo rato Mickey ou os estrunfes, também ficam muito bem, assim curtas, a querer fazer passar um “quê” de sensualidade inocente e teenager. Um tipo de meias que ficam muito bem numa gaja são aquelas de lã grossa, de meia canela, para usar exclusivamente no Inverno rigoroso, e só em casa, com “lingerie” curta, em cima do sofá e ah e tal. Bom, há uma versão destas meias que ultimamente anda na moda e que, francamente, dão tão mau aspecto como um velhote de bengala com umas chuteiras da Adidas calçadas e passear-se no Museu da Vista Alegre. Falo daquelas meias de lã grossa com pitons antiderrapantes. Ou seja, umas bolinhas super-pirosas que evitam aquele prazer milenar de deslizar no soalho lustrado dentro de um par de meias. Uma aberração do comércio, é o que é. Depois, vêm as meias para homem. Ora bem, essas querem-se grossas. Porquê? Para amortecer os pontapés. Não estou a falar em pontapés nas bolas, mas sim noutras coisas da vida. Como gajas, gatos, gatunos e outras coisas começadas com “ga”. As gajas, segundo reza a história, acham que aos homens ficam mal meias brancas e ah e tal, mas nunca as vi a olhar-me para as meias. Não sei quem inventou essa história, mas é um profundo disparate. A meia branca é mais barata, é mais pura, serve para praticar desporto e fica muito bem como pano de limpeza no “cockpit” do veículo. Eventualmente, e aqui fala a experiência, uma meia branca bem enroladinha, em forma de esfera mal feita, torna-se uma excelente bola de micro-basquete, para aquelas noitadas em que não cabe nem mais uma cervejola no bucho. Mas, a parte que mais me impressiona nas meias - e que ainda não sei muito bem se é pela positiva ou pela negativa - é o sexo. Fazer amor, portanto, para os mais pudicos. Sexo de meias, de peúgas, a bem dizer. Os corpos nus, suados, a brilharem ao luar, upa-upa… e… dois pares de meias calçadas. Assim contado, parece um bocado piroso. Especialmente se um gajo se levantar para espairecer e andar a passear todo nu pela casa, pilirau ao pendurão como os pêndulos dos relógios, com um par de meias calçadas. Realmente, assim descrita, a cena parece mesmo pirosa, mas no Inverno o chão está frio e um gajo distrai-se. Lembro-me, muito vagamente, de ter, ao longo da minha vida, dado de caras com outras versões de meia-de-gaja, coisas de meter medo ao susto, de cores indescritíveis e padrões muito enjoativos. Por uma questão de qualidade de vida, fiz-lhes um “erase” no “memory stick”, ficando apenas gravado os esgares de desagrado associados ao choque da vista. Meninas, mulheres deste mundo, por favor, não comprem meias pirosas! Por favor! Não estraguem a paisagem, está bem? Obrigado! pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:33
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Sexta-feira, 23 de Junho de 2006
Feel like doin' it?
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

São 6 da manhã. Horas de estar a dormir, entenda-se - como provavelmente estarão a fazer 90% das pessoas à distância de menos de cinco fusos horários - exceptuando uns quantos que hão de estar a fazer relinchar as molas dos colchões. Se eu não fosse, portanto, ligeiramente insano, estaria a ressonar - embora não ressone - em vez de estar pr'aqui a escrever baboseiras. A questão é que esta madrugada fui assaltado por uma ideia altamente filosófica. Muitas vezes pensamos naquilo que deixámos por fazer, em certas oportunidades que não agarrámos com ambas as mãos... existe até aquele cliché - que fica sempre bem na boca de uma loura qualquer, até porque é fácil de decorar - do "só me arrependo daquilo que não fiz". Pois bem, aqui entre nós, temo que não passe mesmo de um cliché. A verdade é que em qualquer coisa que façamos, mesmo que se trate da oportunidade do século, existe sempre algum pormenor - por mais ínfimo que seja - que não corre bem. Como quando pisei a miúda mais gira da escola inteira, no Baile de Finalistas (que por acaso até estava a dançar comigo), ou quando gaguejei na minha primeira peça de teatro por me ter esquecido da deixa. São momentos que acabamos por recordar com alguma piada, ternura até, mas guardamos alguma mágoa por não terem sido... perfeitos. Os únicos que acabam por ser inexoravelmente perfeitos são, esses sim, aqueles que nunca aconteceram. Situações que ficaram apenas num pensamento, num sorriso, num olhar cúmplice. Aí, imaginámos tudo como queremos - até ao mínimo detalhe - e é assim que fica maravilhosamente guardado no álbum de recordações. Como se tivesse acontecido. Até ao dia em que disfrutamos da alegria imensa de se ter realizado, e guardamos aquela mágoa pequenina de não ter sido perfeito. Quer-me parecer que Flaubert já dissertou sobre este assunto, mas se assim for, é preciso que compreendam que em mais de 4000 anos de história humana é difícil de lembrarmo-nos de coisas originais. Ainda assim, vale a pena pensar nisto. riverfl0w
música: Perfect – Smashing Pumpkins
publicado por riverfl0w às 06:03
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Segunda-feira, 31 de Maio de 2004
Resolução de problemas em Tróia
Dei a ler a uma colega o post sobre o problema técnico da conquista de Tróia. Pensava eu, na minha infinita ingenuidade, que a moça se iria debruçar seriamente sobre o assunto e também colocar em causa o processo de invasão da cidade a bordo de uma cavalgadura de tábuas. Mas não. Há mulheres que não perdem uma oportunidade para nos deitar abaixo o mais pequeno sonho de glória, de ficar imortalizado na história mundial como a pessoa que tinha encontrado um bug na aventura dos gregos. O primeiro comentário dela foi: “mas isso tinha solução”! Carvalho Araújo!!! Solução? E lá começou a enumerar maneiras de dar a volta à questão. A primeira, muito grosseira mas teoricamente eficaz, seria apanhar uma borracheira de água antes de subir para cavalo. Porquê? Porque se bebessem metros e metros de água, assim mesmo a abusar, a urina sairia sem cheiro, deixando de haver assim o problema de serem detectados por narinas sensíveis. Outra maneira, seria não beber mesmo água. Isto é, passar sede. Ou seja, não bebe, não urina, problema resolvido. Esta solução é radical, mas era capaz de funcionar. Por último, havia sempre a possibilidade de umas dietas especiais para que não urinassem tanto, ou para que a urina não cheirasse tão mal, ou não sei para que raio eram as dietas, mas a solução era mesmo as dietas. Que dietas? Não sei. Eu não percebo nada de dietas. Gosto é de apreciar as miúdas que fazem dietas. Ficam melhores que caracóis. Bom, mas é chato assim vir uma miúda e estragar-me tudo. Fiquei desolado. Como se não bastasse, por via do espevitamento do intelecto a que fui sujeito com tantas e tão sofisticadas soluções, lembrei-me ainda de uma possível quarta solução: oitenta centímetros de fio de pesca enrolados numa falcaça simples em redor do poderoso. Não haveria pinguinhas para ninguém. Talvez uma gangrena no fim e zás, mas homem que é homem faz tudo por uma causa. pickwick
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publicado por riverfl0w às 22:20
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Quinta-feira, 20 de Maio de 2004
A Conquista de Tróia – um problema urinário
Esta semana fui ao cinema. Adoro cinema. Especialmente quando passam filmes. E fui bem acompanhado, ainda por cima, que é coisa cada vez mais rara, tal como a minha farta cabeleira. Fui ver aquele filme sobre Tróia, que não me lembro já como se chamava, mas que metia dois actores conhecidos: o Pito aos Brados e o Pedro Ó Ferramenta. Ilustríssimos. Também gostei da loira que merecia ser atirada aos leões e que se apaixonava pelo mariquinhas da cidade. Mas algumas partes intrigaram-me. Como o cavalo de madeira podre. Que grande treta! O famoso equídeo, que é tão usado para descrever a jogada que a história conta, só pode ser uma fraude. Só pode. Senão, vejamos: os moços esconderam-se dentro do bicho provavelmente durante a noite. No dia seguinte, o mamarracho de tábuas foi encontrado pelos habitantes da cidade e levado portas dentro para gáudio do povo e delírio dos taberneiros que devem ter feito uns trocos muito jeitosos, a avaliar pelos corpos esticados no chão por todo o lado. Durante a noite, no mínimo 24 horas depois de se terem entalado lá dentro, é que os moços saltaram fora e foram a correr abrir a portinhola das muralhas. Mas, ó meus amigos!, 24 horas sem urinar? Como é possível? Mesmo com potes de barro onde verter as águas, eles eram tantos que o pivete em menos de nada invadiria as narinas dos que passassem perto. E seriam descobertos. Isto já para não falar nos que sentissem uma necessidade incontrolável de defecar, dado que a comida naqueles contextos devia ser uma bela porcaria. E os gases? Ui!... Esta história do cavalo está muito mal contada, para ser franco. Aposto como foi tudo inventado, só para vender mais. pickwick
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publicado por riverfl0w às 12:35
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Quinta-feira, 6 de Maio de 2004
Teoria do Caos
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

É incrível o caos que se consegue albergar em apenas dez metros quadrados. É verdade que se trata de uma balbúrdia metódica, compilada por anos e anos de sabedoria desorganizacional, mas isso não explica tudo. Que se desengane quem pensar que falo de uma qualquer repartição de Finanças Públicas, apesar de não ser de todo descabido. Refiro-me apenas àquilo que dizem ser o meu quarto, designação que, obviamente, nego veementemente em público, não vá a minha sanidade mental ser posta em causa.

 

Mas só hoje me apercebi do potencial financeiro que me rodeia… na verdade, tenho aqui uma mina de ouro por explorar.

 

A primeira das hipóteses de exploração financeira seria alugar o espaço para festas de crianças. O estratagema é simples: põe-se o Peixe de Plástico a cantarolar o Fungagá da Bicharada, enquanto os pirralhos usam a cama como trampolim para o monte de roupa por lavar. Mais tarde, podia organizar-se um certame de pintura nas paredes do quarto, com os restos do bolo do aniversariante. Assim estaríamos a complementar a rambóia com princípios de uma vida social activa, o que é altamente aconselhado, segundo psicólogos infantis de renome. Fácil e rentável! 

 

A segunda alternativa, mais rebuscada, seria tornar o quarto num Centro de Inspiração para músicos. É uma verdade inegável que este quarto pode ser a musa de qualquer poeta, mesmo sem o auxílio de alucinogéneos, aos quais recorrem frequentemente. É para mim fácil de imaginar o Pedro Abrunhosa a obter inspiração divina no meu quarto… óculos escuros, careca a brilhar, fato preto sopimpa, com camisinha branca por baixo. OK. Começa-se a escrever: 

 

Uma toalha no chão (entre roupa interior e derivados, sempre se deve encontrar uma ou duas),
uma luz inquieta (a da varanda, que tem a lâmpada semi-fundida à anos),
uma garrafa vazia (Yop Melão),
um cinzeiro apagado (de porcelana, muito bonito, com motivos chineses),
um bilhete no ar (post-it da minha mãe: "ARRUMA O QUARTO!"),
dois corpos despidos (com alguma sorte, é um fenómeno observável). 

 

Em abono da verdade, podiam-se juntar-se duas ou três coisas, embora bem menos românticas: o pó acumulado, os livros espalhados, a cama a chiar (falta-lhe um parafuso, chia por tudo e por nada).

 

Depois, é só pôr a vozinha de gigolot reformado e recitar o poema. Vende-se bem.

 

Entretanto, se conhecerem alguém disposto a adquirir os meus serviços, sintam-se à vontade em entrar em contacto comigo: basta tocarem à trombeta.

 

Enquanto ninguém se propõe, perdoem-me a cobardia, mas vou continuar a deixar a porta fechada quando houverem visitas. riverfl0w
música: ‘Momento’, Pedro Abrunhosa
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publicado por riverfl0w às 14:24
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