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Segunda-feira, 26 de Junho de 2006
Golos e outras baboseiras
Ontem, Domingo, foi dia de jogo. Em dias destes, algumas pessoas aproveitam para ir a sítios públicos onde não andará a grande massa humana que vagueia fora de casa naquela busca incessante pelo mítico calhau que lhes preencha a existência. Não tive essa sorte, porque missões mais nobres e entusiasmantes me preencheram o Domingo, mas, depois de actividades na natureza, piqueniques, sestas à sombra, fugas estratégicas e viagens de comboio, cheguei finalmente a casa quase à hora em que uma percentagem estupidamente grande da população portuguesa estaria a preparar-se para, impacientemente, assistir a mais um joguinho daquela coisa a que chamam a Selecção Portuguesa. Pessoalmente, prefiro gajas. E, se tiver que ser uma Selecção, ao menos que seja uma Selecção Rochery do Pingo Doce. Portanto, gajas ou gelados, mas gajos peludos e ordinários é que não, por favor. Claro que, aqui neste prédio da 2ª Guerra Mundial (como o meu irmão tão bem descreveu o edifício à minha mãezinha), estas preferências não são partilhadas. Aqui, como no prédio em frente, e nos outros todos aqui nesta grande aldeia, o povo sentou-se colado na TV. Eu, sentei-me calmamente em frente do computador, com acesso à Internet, para me cultivar um bocadinho com as notícias do fim-de-semana. Ia a leitura a meio, quando explodiu uma saraivada de “GOLO” por todo o lado. Não era difícil de perceber que um dos cromos da equipa portuguesa tinha conseguido, com mais um golpe de sorte, enfiar a bola dentro da baliza adversária. E fiquei cá a pensar para comigo, por que raio é que esta gente grita “golo”. Toda a gente (os que têm TV) vê que foi golo. As gralhas dos comentadores “desportivos” gritam desalmadamente que foi golo, certamente num gesto de simpática atenção para com os invisuais. Há necessidade de as pessoas em casa gritarem também que foi golo? Eu acho que não. Então, gritam porquê? Bem, eu vejo aqui algumas semelhanças com o sector dos indivíduos infelizmente portadores de deficiências mentais. Onde trabalho, há lá um, o Cristóvão, a quem eu veria com bons olhos que gritasse “golo” a olhar para a TV. O pobre coitado, que tem Trissomia 21, repete facilmente e com alguma alegria qualquer coisa, descontando as alterações que a sua situação física provoca nos sons. Com sorte, talvez até consiga dizer qualquer coisinha sem se babar, o que é muito bom. Esses, como o Cristóvão, eu compreendo. Agora, pessoas teoricamente normais, a terem essas atitudes, é que eu já não entendo. Será alegria? Mas alegria de quê? Devem gostar de ganhar o que ganham e aplaudir uma equipa de macacos peludos cujos vencimentos mensais ultrapassam a soma dos vencimentos de toda uma vida de trabalho de um cidadão normal. Devem gostar, devem. Devem gostar de aplaudir uma coisa que não traz benefício nenhum para a condição de vida do normal cidadão, pois se a selecção portuguesa marcar vinte golos contra o Brasil, nenhum de nós irá ganhar mais uns euros ao final do mês, nenhum de nós pagará menos por um litro de gasolina, nenhum de nós verá perdoada a sua dívida dos empréstimos aos bancos, e nenhum de nós verá reduzido o seu horário de trabalho. Ainda assim, a malta teima em gritar “golo” e esticar uma versão chinesa da bandeira portuguesa na varanda. Mas para que é que a malta mete uma bandeira portuguesa a arejar? É por sermos muito patrióticos? Claro que não somos patrióticos. Por vontade do comum cidadão, Portugal até podia ir para o caraças, juntamente com o resto dos seus habitantes, desde que não faltasse dinheiro no bolso para gastar estupidamente em coisas inúteis. É que, como é sabido, o português está sempre a arranjar maneira de chular o Estado que somos, afinal, todos nós, e isto, a bem dizer, não se pode chamar de patriotismo. Mas, enfim, é como os portadores de Trissomia 21: se lhes dermos uma bandeira portuguesa para as mãos, eles também a vão meter numa varanda, apesar de não compreenderem porque o que estão a fazer. pickwick
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publicado por riverfl0w às 13:57
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Sexta-feira, 23 de Junho de 2006
Feel like doin' it?
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

São 6 da manhã. Horas de estar a dormir, entenda-se - como provavelmente estarão a fazer 90% das pessoas à distância de menos de cinco fusos horários - exceptuando uns quantos que hão de estar a fazer relinchar as molas dos colchões. Se eu não fosse, portanto, ligeiramente insano, estaria a ressonar - embora não ressone - em vez de estar pr'aqui a escrever baboseiras. A questão é que esta madrugada fui assaltado por uma ideia altamente filosófica. Muitas vezes pensamos naquilo que deixámos por fazer, em certas oportunidades que não agarrámos com ambas as mãos... existe até aquele cliché - que fica sempre bem na boca de uma loura qualquer, até porque é fácil de decorar - do "só me arrependo daquilo que não fiz". Pois bem, aqui entre nós, temo que não passe mesmo de um cliché. A verdade é que em qualquer coisa que façamos, mesmo que se trate da oportunidade do século, existe sempre algum pormenor - por mais ínfimo que seja - que não corre bem. Como quando pisei a miúda mais gira da escola inteira, no Baile de Finalistas (que por acaso até estava a dançar comigo), ou quando gaguejei na minha primeira peça de teatro por me ter esquecido da deixa. São momentos que acabamos por recordar com alguma piada, ternura até, mas guardamos alguma mágoa por não terem sido... perfeitos. Os únicos que acabam por ser inexoravelmente perfeitos são, esses sim, aqueles que nunca aconteceram. Situações que ficaram apenas num pensamento, num sorriso, num olhar cúmplice. Aí, imaginámos tudo como queremos - até ao mínimo detalhe - e é assim que fica maravilhosamente guardado no álbum de recordações. Como se tivesse acontecido. Até ao dia em que disfrutamos da alegria imensa de se ter realizado, e guardamos aquela mágoa pequenina de não ter sido perfeito. Quer-me parecer que Flaubert já dissertou sobre este assunto, mas se assim for, é preciso que compreendam que em mais de 4000 anos de história humana é difícil de lembrarmo-nos de coisas originais. Ainda assim, vale a pena pensar nisto. riverfl0w
música: Perfect – Smashing Pumpkins
publicado por riverfl0w às 06:03
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Quinta-feira, 22 de Junho de 2006
Parideiras condicionadas
Há aquelas parvoíces dos Direitos Humanos e dos Direitos das Fêmeas e dos Direitos às Liberdades e outras anormalidades começadas com “direitos”. Eu sei que há, mas não pode continuar a haver. Pelo menos, não da forma oferecida como tem sido desde que se conquistaram. E não, porque é um cancro. Daqueles que infestam a sociedade, que minam a civilização, e que irritam enormemente. O direito a parir tem de ser condicionado. Mas tem mesmo, carago! Mães não há muitas, no meio de tantos milhões e quaquitribilhões de mulheres. O que há muito, isso sim, são Parideiras. E o que é uma parideira? É uma fêmea – por enquanto – que apenas dá o seu contributo fisiológico para trazer ao mundo uma criança, sustentando-a (ou não) durante uma série de anos. Portanto, e para que não haja dúvidas, uma parideira é uma mulher que dá à luz, mas que depois se demite da função que a civilização lhe atribuiu para os anos vindouros – ser a Educadora do rebento. Como não dá educação ao rebento, deixando-o crescer como uma aberração da sociedade, cravejado de traumas fingidos e desvios sociais acentuados, não passa esta mulher de uma simples parideira. Como as galinhas e as peruas, aliás. E outros animais. Pois, falta concluir com esta perspectiva: a mulher parideira não passa de um animal que pariu. Ponto final. Ora bem, e estas cenas deviam ser condicionadas, obviamente. Deu-me para isto, hoje, depois de observar com alguma atenção um bando de “pitas” de 12-15 anos. Deviam ser todas carimbadas de “parideiras condicionadas”, imediatamente, e para sempre. Aliás, “parideiras inviáveis”, definitivamente, mas pronto, há que dar o benefício à dúvida que o futuro reserva sempre. Estas “pitas” estão predestinadas a serem os espécimes de classe mais reles daquilo a que uns quantos poetas inspirados designaram de “vacas”. É uma evolução natural e previsível, esta. Basta olhar e está tudo visto. Esta gentinha de meio palmo e muito vazio, não pode parir. Era só o que nos faltava! Até podiam parir petizes saudáveis, sim, mas, e depois? Que sairia dali? Que educação teriam aquelas amostras de bovinos para dar? Zero! Ou menos, ainda. Portanto, tem de ser missão da civilização corrigir-se a si própria, prevenindo que o futuro traga aberrações ainda maiores do que as que já circulam por aí. Chama-se a isto um processo auto-correctivo. Carimbam-se estas “pitas” logo que se denota a pinta, e pronto, meio caminho andado para a prevenção eficaz. Ou seja, pode partir-se logo para aquelas operações maquiavélicas de extrair não sei o quê dos ovários e cortar não sei o quê no útero e encher não sei o quê nas trompas e ah e tal. Depois, que andem por aí a roçar-se com trolhas e a rebolarem com bêbados, que não virá muito mal ao mundo. Porque estas “pitas”, a bem dizer, do jeito que estão as coisas, vão todas emprenhar muito cedo, ficando depois muito surpresas, apanhadas a meio da festa da vida, atiradas para aquela chatice de vida de progenitora à qual darão o mínimo dos mínimos. É mau, esta onda, mas ainda há-de vir o dia! Daqui a uns anos, provavelmente quando eu já não andar cá, mas vai ser esse o caminho. A sociedade vai ver-se a braços com um descontrolo total da transmissão de valores de geração em geração, e terá que meter a mão na massa para endireitar tanta coisa torta. O direito a parir terá que ser adquirido, como se de um passaporte se tratasse. Estará dependente do percurso de vida até aí, e não olhará a desculpas. A sociedade condicionará as tantas coisas que hoje fazem parte daquela libertinagem disfarçada de liberdade e direitos a que estamos habituados. E vai doer, pois vai, mas terá que ser assim. Os direitos não serão adquiridos, como até agora, mas terão de ser conquistados. A diferença, em relação ao passado, é que estarão inteiramente disponíveis para serem conquistados. Só faltará mesmo conquistá-los. A Patrícia quer ser mãezinha? Quer? Então vamos lá ver como tem sido a sua vida!... Ah pois é! Vai doer, mas vai ser assim, depois de termos todos batido muito lá no fundo. pickwick
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publicado por riverfl0w às 21:12
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Segunda-feira, 19 de Junho de 2006
Vestido de chimpanzé
O fim-de-semana passado foi mesmo em cheio. Para além de ter acordado com um corpo nu ao fim da sesta de sábado e de ter enchido a fronha da minha patroa com dardos lançados a meias com uma amiga, também fui às compras com outra amiga e ainda fui almoçar a um restaurante altamente romântico, numa cave e uma ementa de picanha deliciosa, com outra amiga. Ou seja, 4 mulheres num único fim-de-semana. É o que se chama ter bom proveito. Bom, mas não posso deixar passar em branco essa bela actividade que é ir comprar roupa. Especialmente roupa para ir a um casamento. De outra pessoa que não eu, está claro. Cada vez que passo em frente de uma loja de mariquices para casamentos, não consigo evitar uma careta de enjoo e um abanão de cabeça. Nem sei bem que palavras serão melhor empregues, mas é uma coisa que me fascina pela negativa. A minha prima vai desembolsar a módica quantia de cerca de 300 contos para pagar um vestido piroso. Tem de ser piroso! Só pode. As noivas ficam sempre pirosas, e quanto mais querem parecer bonitas, mais monstruosas ficam. Acho que, em todos os casamentos que já fui, fiquei sempre a comentar para comigo mesmo: “poxa… a miúda até não era feia… mas agora assim…” Se, por um lado, empastam-se com quilos de maquilhagem foleira, ficando com aquele ar de nativas de África que põem uma camada de bosta de búfalo no rosto para tratar a pele, por outro lado, vestem-se com as vestimentas mais abobalhadas que algum criador embriagado inventou, com uns folhos e umas rendas e umas pirosices indescritíveis a rojar pelo chão. É mesmo piroso, a sério. Parecem ursas num circo falhado de aldeia. Ao menos os noivos safam-se com mais facilidade, envergando um fato e mais nada. Claro que há os que gostam de fazer parceria com a ursa da noiva, e compram uns fatos todos artilhados, com folhos maricas a sair das mangas e outros adereços de que não há memória. Enfim, é tudo muito foleiro. Daí que, ao ir às compras, tive que me sujeitar à oferta, dentro dos limites do reino animal. Ou seja, animal por animal, que seja um mais próximo do homem. Os ursos, como toda a gente sabe, descendem dos peixes, logo não têm nada a haver com o bicho homem. Assim, o animal mais próximo será o chimpanzé, e foi à cata disso que entrei numa loja: para comprar roupa que me deixasse com ar de chimpanzé. Se no capítulo das calças a coisa correu bem, já na parte da camisa o funcionário da loja correu alguns riscos quando sugeriu uma camisa cor-de-rosa. Eu ainda fiquei atónito a olhar para uma camisa cor-de-rosa (realmente cor-de-rosa) na prateleira das camisas para homens, como se houvesse algum engano, mas o funcionário prontificou-se a garantir que se usava muito. A minha amiga compactuou com o funcionário nesta trama de convencer os homens - esses animais másculos, viris, de peito varonil e muitos pêlos a saltar pelo colarinho – de que usar camisas cor-de-rosa é fashion. Mas como é que alguma vez no mundo usar uma camisa cor-de-vomitado-de-mousse-de-morango pode ser fashion???? Bom, de entre as cores foleiras que povoavam a loja, acabei por ficar-me com uma cor-de-pérola-não-sei-de-que-porcaria-de-recife. A seguir, foi o trauma das gravatas. Eu acho as gravatas ao mesmo nível da bolinha que os palhaços usam no circo, mas enfim, aqui a situação era uma boa causa: fazer a vontade à minha mãezinha, que muito preza as gravatas e outros adereços que fazem de qualquer homem decente um autêntico urso. A ideia até era boa, as cores das gravatas é que são um escândalo. Não têm cabimento, a sério. O expositor rotativo parecia uma terrina de sopa cheia de vomitado de um banquete, uma mistura entre vómitos de bifes de novilho, bacalhau com natas e muitas sobremesas. Pensei, por várias e muitas vezes, em virar costas e sair disparado da loja, mas a minha amiga não ia achar piada e depois nunca mais ia falar comigo e pronto, sucumbi à azia de ficar com uma gravata cujas cores já não me lembra, mas que parece uma espécie de preparado de enguia para fritar. Na loja da frente, a sapataria. Posso resumir a aventura na sapataria desta forma: vim-me embora com uns sapatos por um preço aceitável, mas que, tal como a esmagadora maioria dos sapatos nas sapatarias, tem um formato horrível: um bico-de-pato-com-gripe. Os sapatos dos palhaços são do tipo bico-de-pato-inchado-depois-de-um-sopapo. Estes que comprei são bico normal, apenas com gripe. Enfim, no final, o conjunto completo é tal e qual um chimpanzé. Só me faltou comprar um bocado de corda e um pneu. pickwick
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publicado por riverfl0w às 20:06
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2006
O amor é como o capim
O Guã ligou-me esta semana, novamente, sendo que as vacas vieram novamente à conversa. O Guã é o tal que foi pintar vacas com frases brilhantes para o meio da cidade, num momento de reflexão interior de grande projecção mediática. Desta feita, tinha para me transmitir um daqueles pensamentos eternos que nos revelam grande sabedoria. Era um pensamento comprido, mas posso resumi-lo assim: o amor é como o capim… o capim nasce, com toda a beleza da natureza, cresce, floresce, torna-se lindo, verdejante, apetecível, deslumbrante, eleva os sentidos, torna tudo mais cor-de-rosa (apesar de ser verde), até que um dia… vem uma vaca cheia de fome e dá cabo de tudo! Ora bem, portanto, para os que não perceberam o pensamento todo, a vaca aparece no prado e come o capim. A relva, a erva, whatever. Eu acrescentaria que a vaca ainda há-de acabar por ruminar a coisa. Se bem me lembro, ruminar é aquele acto educadíssimo de puxar a comida do estômago para a boca, para mastigar mais um bocado e, finalmente, engolir de vez. Deve ser assim. As vacas têm destas coisas… ruminar o que se comeu, mesmo que lhes seja indigesto. É um fenómeno psicológico difícil de explicar. Portanto, imaginemos que o capim já não está nos conformes com os gostos mais refinados da vaca, mas ela não hesita em puxar para cima para mastigar e, pasme-se, voltar a engolir. Eu cá não percebo, mas deve ser mesmo típico das vacas. Tal como é típico dos fanáticos por futebol arrotar e grunhir como se percebessem alguma coisa do que deitam cá para fora. O pensamento, é bonito. E muito realista. Depois de meditar nele, puxei do livro das memórias e constatei que é muito comum vir a vaca e comer o capim. Estragar tudo, portanto. Não é que tenham de ser sempre as vacas… não… é sabido que nos prados também há bois, mas todos sabemos que há mais vacas do que bois… deve ter a haver com aquela coisa do equilíbrio da qualidade, certo? Portanto, estatisticamente, como há mais vacas que bois, haverá mais vacas a comer o capim e estragar tudo, do que bois a fazer o mesmo. Feio, feio, é estragar tudo. Seja boi, vaca ou um tabuleiro de xadrez, tanto faz. É feio e é foleiro. Eu também faço como os bois que vão ao prado a estragam o capim. De tempos a tempos. Às vezes, é por uma questão de preservação da qualidade de algo, mas outras é mesmo porque um gajo não as pensa, não as medita e não tem paciência para prevenir. É verdade. O que vale é que costumam ser coisas pequenas, de pouca monta. Se um gajo foi boi e ao mesmo tempo for engenheiro de pontes, aí é que não convém muito, mas isso são pormenores secundários. Entretanto, há uma vaca especial que nos últimos tempos até tem aparecido na TV, que adora aparecer no prado e comer o capim todo. Às vezes, não vem para comer… vem mesmo é para se borrar toda pelas ancas abaixo, para cima da erva, e deixar tudo que é um nojo, mal cheiroso e com mau aspecto. Não quero citar nomes, para não ser processado, mas ela anda aí… a dar cabo do capim… pickwick
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publicado por riverfl0w às 19:11
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006
Porquê?
Já ando com esta tanga há muito tempo, mas lembrei-me agora de lhe pegar. É a tanga do “porquê”: a minha explicação para o ser humano e todos os seus disparates. Há uma lei da Física, muito foleira, que fala sobre a reacção que existe sempre que há uma acção. Ou seja, se metermos à boca um ovo cru inteiro dentro da respectiva casca e fecharmos as mandíbulas, o ovo partir-se-á e ficaremos com a boca toda badalhoca, cheia de pedaços de casca misturada com um líquido seboso e a cheirar a penas. A acção é meter o ovo e a reacção é ficarmos todos badalhocos. A Física é uma ciência lindíssima. Mas, tecnologias à parte, o bicho Homem é um palermita de primeira e tudo o que faz tem sempre um porquê. Fizéssemos nós um esforço por entender os porquês e as soluções radicais não tardariam a surgir e a melhorar a sociedade. Vejamos. Porque é que o pessoal rouba? Muito simplesmente, rouba porque pode roubar. Se não pudesse roubar, ou o acto lhe trouxesse inevitáveis e imediatas consequências, tem a sua lógica pensar que não roubariam. Imagine-se, por exemplo, que mal acabasse de roubar, um larápio era apanhado e obrigado a andar nu pelas ruas com um cartaz pendurado a anunciar a besta que ele era, com as unhas dos dedos dos pés pintadas de roxo fluorescente. Porque é que o pessoal conduz na estrada que nem uns loucos? Porque podem conduzir assim. Se não pudessem conduzir assim, ou esse tipo de condução lhes trouxesse um efeito imediato, acabariam imediatamente os acidentes na estrada. Por exemplo, imagine-se os carros equipados com um sistema de ejecção de um objecto fálico lubrificado e pontiagudo, com ponta em forma de broca, no assento do condutor, que, ao menor sinal de condução perigosa, como atravessar um traço contínuo ou ultrapassar limites de velocidade, dispararia o dito objecto entre as nádegas relaxadas do condutor. É que isto entrava logo tudo nos eixos! Infelizmente, os intelectuais e os seus mandatários não partilham esta opinião, recorrendo àqueles discursos da liberdade e dos direitos de não sei o quê, enfim, disparates em cima de disparates que nos trazem como andamos. Mas o dia virá! O dia virá em que isto leva uma volta e tudo passará a levar em conta os porquês, e estes estarão na base de todo o tipo de consequências e previdências. Pode demorar umas décadas, mas lá chegaremos. Que esta mania de se esperar que sejamos todos cidadãos, tem de acabar. Não há cidadãos! Porque é que haveríamos de ser cidadãos? Cheios de civismo! Porquê? Algum motivo prático para o sermos? Sabemos que é isso que desejamos em sonhos, mas que na prática implicaria deixarmos de ser uns porcos e uma cambada de mal intencionados. Por isso, falamos em civismo, fazemos de conta que damos lições de civismo, mas na realidade continuamos a ser os mesmos animais de sempre. Porque o próprio conceito não existe, não se enquadra no ser humano. O ser humano não nasceu para ser cívico, nem para ter civismo, nem para ser cidadão. Portanto, se a malta quer que o povo tenha civismo, tem que ser por obrigação. Depois o povo pensará: ó carago, deixa cá ser cívico senão ainda fico sem um olho ou um testículo ou um mamilo. E aí tem um “porquê” que lhe guiará a vida, como rumo, como farol. Não se explica ao povo que é feio deitar-se lixo para o chão. O povo não percebe. O povo não entende. O povo está-se nas tintas para que o chão fique cheio de lixo. Portanto, é preciso arranjar um porquê para que o povo não deite lixo no chão. Por exemplo, se deitar lixo no chão, é obrigado a viajar três horas seguidas dentro do contentor de um camião do lixo em hora de ponta no serviço de recolha. Aí, o pai diz ao filho, qual advertência: Zezé, se deitares lixo para o chão, depois vais ter que andar três horas dentro do camião do lixo e ficas a cheirar tão mal que não te queremos em casa durante dois meses. O próprio pai não deitará, porque não está com muita vontade de viajar no camião. O mesmo sistema se pode alargar a tudo e mais alguma coisa que dependa da vontade pessoal do ser humano e que possa ter prejuízos para a sociedade e para o mundo. Por exemplo, as gajas feias não podem andar na rua sem uma máscara. Porquê? Porque senão depois vem a Polícia da Estética e as gajas feias, apanhadas em flagrante delito, têm de andar durante um mês de verão com um tapete de Arraiolos com dois furos para os olhos enfiado em cima. Sou mesmo mauzinho. Vá, eu não queria ir por aqui, mas, não sei porquê, não resisto a estas coisas, a esta censura da falta de estética. Isto é mais forte que eu. Mas é daquelas coisas para as quais não há porquê que lhes valha. Já se nasce assim. Pior, é quando a feiura vem de dentro e aí reside. Não há plástica que modifique, não há chicote que eduque, nem creme que hidrate. Ser-se feio por dentro é do pior que pode haver e não tem cura. Ou melhor, ter cura, até tem, mas era preciso um “porquê” muito convincente e assustador para curar. Demasiado assustador. Demasiado brutal. É que, este “porquê” teria de abalroar o outro “porquê”, o “porquê” que leva a que algumas pessoas sejam feias por dentro, que está associado a um prazer mórbido em ser-se assim, em ser-se feio, em ser-se mete-nojo, em ser-se um monte de esterco, em ser-se um pedaço de poio de cavalo engripado. Uma missão impossível, direi eu. Por isso, o mundo está irremediavelmente perdido. A todos os que são feios por dentro, eu desejo, sinceramente, que morram numa valeta com um foguete psicadélico enfiado naquela zona do corpo onde o sol não brilha! Não fazeis cá falta!!!... pickwick
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publicado por riverfl0w às 22:07
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2006
Malditas purpurinas
Ontem, um puto perguntou-me o que eram purpurinas. Achei estranho a pergunta, vinda de um fedelho de 12 anos, ávido consumidor de televisão como todo o fedelho de 12 anos que se preze. A Sónia, da mesma idade, chegou-se à frente para adiantar uma explicação para o objecto em causa, falando em vernizes e brilhantes e porcarias (as porcarias são da minha autoria) para adornar as unhas de miúdas pirosas (as miúdas pirosas também são da minha autoria). Eu não tenho TV mas ainda outro dia calhou ver um pedaço de um anúncio num ecrã alheio. Fiquei na mesma, mas deu para ver que as gaiatas que interpretavam os papéis tinham um ar de bestas. Não daquelas bestas como normalmente encontramos a sair de um bar mal cheiroso, daquelas bestas a cheirar a cavalo cansado, muito ordinários em todos os aspectos e que não se perderia nada se fossem levados pelo veterinário municipal para abate. Não, aqui estamos a falar de bestas requintadas. Daquelas que se lavam, cheiram bem, têm bom aspecto, mas que não passam disso. São as chamadas BPs… ou Bestas das Purpurinas. As BPs são insolentes, porcas de espírito, vazias de valores e esgotam a paciência ao pobre mundo. Bem, mas desviei-me do assunto. Eu queria mesmo falar era das purpurinas. Alguém é capaz de me explicar o que raio são purpurinas? E porque raio se chamam assim? Serão de cor púrpura? Ou purpurina tem a haver com desinfecções e álcool etílico? Peço desculpa por tresandar a ódio a esta onda das purpurinas, mas é mais forte que eu. Apesar de não ter TV, oiço rádio com frequência, não escapando, assim, à porcaria do anúncio das malditas purpurinas. É de ouvido cheio que ando, de tanto ouvir aquelas pitas mal desmamadas, com pronúncia de quem anda a mascar gomas do tamanho de um presunto e a saber a corante sintético, conspurcando o ar à sua volta com gafanhotos cuspidos em partículas minúsculas filtradas pelos aparelhos metálicos que usam nos dentes. É irritante! Muito irritante! Será esta a geração das purpurinas? A tal que levará o mundo à derrocada final? O triunfo das bestas das purpurinas no mundo civilizado, a queda do império do normal, o fim do princípio do caos. Lá estou eu a bater no ceguinho. Devo ter alguma coisa contra alguém, para estar aqui assanhado com um sector da sociedade que cospe gafanhotos por entre os aparelhos. Só pode. E eu que só queria dizer mal das purpurinas, depois de saber o que são… O estranho, é que tenho falado com uma série de gente, de todas as idades, e ninguém parece saber o que são purpurinas. Cá para mim, esta é mais uma estratégia de génio de algum grupo empresarial X, do qual faz parte uma nova empresa B que fabrica purpurinas. A empresa A, que também faz parte do grupo X, lança no mercado uma publicidade sobre os seus produtos, mencionando um outro produto que não tem nada a haver com a sua linha de produção, mas que, dada a sua raridade e insistência, suscita a curiosidade de 10 milhões de cromos. Ora, quando a curiosidade já é tanta que não cabe entre tanta calça justa, eis que surge no mercado uma empresa B, fabricante do tal novo produto, também do mesmo grupo X mas que ninguém precisa de saber, que terá à sua mercê 10 milhões de consumidores, completas bestas, ansiosos por levar para casa um frasquinho da novidade. Ou seja, daqui a nada, haverá 10 milhões de frascos de purpurinas vendidos, entrando em praticamente todos os lares desde país. Duvidam? Esperem só para ver... pickwick
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publicado por riverfl0w às 13:49
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Terça-feira, 2 de Maio de 2006
Investir os rendimentos
Estava há minutos no banco a olhar para um folheto acerca de investimento de rendimentos, quando fui iluminado por uma solução fantástica para aplicar os milhares e milhares de contos que tenho em marasmo na minha conta bancária. A solução não seria, obviamente, investir numa aplicação financeira gerida por um banco qualquer, mas sim aplicar o dinheiro num negócio. Lembrei-me daquelas gajas tremendamente feias que estão sentadas à espera de clientes ali na descida para Mondego. Podem ser feias, mas quando passo por lá e não vejo alguma delas, é sinal que está a satisfazer o ímpeto animalesco de um qualquer camionista e a tirar rendimentos pessoais dessa satisfação. Um trabalho como outro qualquer. Assim, eu poderia lançar-me no negócio da satisfação do prazer alheio, a famosíssima SPA, que tanto vemos publicitada em revistas da média-alta sociedade. Mas, façamos contas. Estabelecendo contrato com 3 meninas disponíveis para trabalhar dedicadamente ali na descida para o rio Mondego, sendo de 50% a minha comissão de gestão, cabendo a cada serviço básico (entenda-se por serviço básico o feminino daquele conhecidíssimo bolo de pastelaria) a cobrança da módica quantia de 30 euros, e considerando uma média diária de 4 clientes, é só facturar. Sendo por cada menina uma comissão diária de 4 x 15 euros = 60 euros, eu ganharia com a brincadeira qualquer coisa como 120 euros por dia. Apostando apenas em dias úteis, totalizando 4 x 5 = 20 dias úteis por mês, estaria aqui este rapaz a facturar o gordo bolo de 2400 euros por mês. Assim, por alto, 480 contos. Cada menina meteria ao bolso 1200 euros por mês, um ordenado muito jeitoso. Aos 2400 euros teria de deduzir despesas de manutenção, isto é, considerando uma ida por mês ao médico, corresponderia a despesas de 3 x 40 euros = 120 euros, mensalmente. Oferecendo almoço diário, a 4 euros por cabeça, seria, no final do mês, 20 x 3 x 4 euros = 240 euros. Para o transporte diário das meninas, considere-se uma média de 50 km por dia, contabilizados a 0,12 euros por km, ou seja, 6 euros diários ou 120 euros mensais. Deduzindo as despesas, então, ficaria com 2400 - 120 - 240 - 120 = 1920 euros. What???!!!! Só???? Uns míseros 384 contos? Bem, vida de proxeneta não está fácil… E se triplicasse o número de meninas? Metia mais 3 aí numa recta qualquer e outras 3 num parque da capital deste distrito. Ou seja, 9 meninas. Mantendo as mesmas contas, receberia uma comissão de 3 x 2400 = 7200 euros, deduzindo 3 x 480 = 1440 euros de despesas com saúde, alimentação e transporte, resultando num saldo de 5760 euros ou 1152 contos. Assim sim! Já é vida!... Bem, assim, só precisava mesmo de investir os meus milhares e milhares de contos numa carrinha para transportar as funcionárias da minha empresa de SPA. E livre de impostos, claro. Sim, é fixe ser-se empresário em Portugal. Qualquer porcariazinha de negócio da treta gera rendimentos astronómicos livres de impostos. E anda aqui um gajo feito parvo a trabalhar para o Estado mal-pagante porquê? Porque é mesmo parvo! Só pode! pickwick
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publicado por riverfl0w às 13:26
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2006
Recrutamento para os HDL

Encontra-se em jovial andamento a fase recrutamento de pessoal altamente especializado e motivado para uma nova instituição portuguesa, da qual sou o seu modesto e caridoso fundador, denominada HDL. Leia-se “Homens Do Lixo”. Esta inovadora instituição, mais conhecida por HDL, que procura técnicos para preencher os seus quadros de pessoal, tem um leque de acção diverso, assente em motivações de carácter altamente patriótico, como a limpeza do lixo. Assim, a acção desta instituição será dividida em duas fases distintas, perfeitamente delimitadas temporalmente, a saber:

Fase 1 - Lixo de Grau 1

A HDL formará equipas especializadas que, de forma sistemática e concertada, infligirá no lixo humano primário deste país o salutar método da amputação/corte, como forma de proteger a sociedade da podridão inerente ao lixo. Este método consiste em:

a) Amputar as mãos (ambas) aos que se vejam envolvidos (como protagonistas e executantes) em casos de violência que atentem, em primeira instância, contra a integridade física de qualquer cidadão do mundo, em território nacional. Sem mãos, não há muito a temer. Ou seja, assaltos ou ajustes de contas à mão armada, violência gratuita contra humanos, tentativa ou ameaça ou concretização de homicídio, violação, e outras delícias do mesmo calibre. Válida a partir dos 14 anos de idade.

b) Cortar definitivamente os tendões de Aquiles aos que se vejam envolvidos em acções que visem atingir liberdades e propriedades alheias. Sem tendões, só mesmo de cadeirinha de rodas. Ou seja, assaltos, roubos, gamanços, etc. Válida a partir dos 11 anos de idade.

As equipas da HDL receberão, primariamente, instrução na arte do corte de carnes e ossadas, no Talho Salsicha Boa, propriedade da D. Clementina, que muito gentilmente acedeu colaborar como benemérita da HDL. Os homens trajarão fato-macaco preto, com gorro passa-montanha, e botas com biqueira de aço. Sem óculos escuros (é muito gay). Os homens da HDL actuarão, principalmente, em estabelecimentos prisionais, esquadras e postos das várias polícias, e à saída de tribunais. A Fase 1 terá a duração de 11 meses.

Fase 2 - Lixo de Grau 2

Os técnicos da HDL, também conhecidos (e já temidos) no sub-mundo do crime por “Homens Do Lixo”, já possuidores de uma vasta experiência no terreno, proporcionada na Fase 1, organizar-se-ão novamente em equipas, desta feita trajados de fato preto e gravata (sem óculos escuros, claro). O saldo altamente positivo alcançado com as missões da Fase 1, será catalizador de uma motivação inabalável das equipas, garante à priori do sucesso futuro. Nesta fase, as equipas da HDL assegurarão, em todo o território nacional, a aplicação das seguintes medidas:

a) Reestruturação da rede de estabelecimentos prisionais. A saber, a criação de cadeias niveladas por simulação social. Isto é, a cadeia A funciona com simulação de nível 1, correspondente à ausência de direitos básicos para além dos necessários à sobrevivência, implicando celas individuais e impossibilidade de contactos com outros reclusos, destinada àqueles incapazes de integrar um modelo social funcional. Na cadeia B funciona com um nível 2, onde há uma organização social primária, funções sociais distribuídas por todos, com melhoria dos direitos de cada um em função do seu desempenho. Na cadeia C, de nível 3, funciona um regime idêntico ao de qualquer sociedade, sem restrições além da proibição para sair do estabelecimento, com empregos, remunerações, formação, e todo o tipo de profissões necessárias ao funcionamento de uma pequena sociedade. A degradação de comportamento ou renúncia na sujeição às regras determinam a descida de nível, logo a mudança de estabelecimento prisional. A idade mínima para recolher a um estabelecimento prisional será de 10 anos.

b) Radicalização das consequências da corrupção pública. Eliminada a estúpida limitação de 25 anos nas penas a aplicar por delitos, os funcionários públicos envolvidos em corrupção verão as suas penas multiplicadas por cinco, em relação à alínea

c). Isto é, se a um cidadão normal fosse aplicada uma pena de 3 anos por falsificação de documentos, a um funcionário público seria aplicada uma pena de 5x3=15 anos. Aplicável igualmente a polícias, magistrados, detentores de cargos políticos, etc.

c) Radicalização das consequências da corrupção. Agravamento de todas as penas que impliquem corrupção. Multiplicar por 10 em relação ao que está em vigor presentemente, parece razoável. As situações de fuga a impostos serão penalizadas barbaramente, com apreensão de bens, congelamento de contas, e detenção prisional.

d) Prevenção prematura da delinquência. A partir dos 6 anos de idade, todos os casos que indiciem uma provável queda para a delinquência serão alvo de acompanhamento especial e actuação incisiva por parte das equipas da HDL. Aos progenitores de menores protagonistas de casos de delinquência, serão aplicadas penas com o dobro da duração que lhes seriam aplicadas no caso de serem eles próprios a cometer os delitos. Serão exterminados, definitivamente, todos os estabelecimentos com denominações e objectivos que se assemelhem a “integração social” ou outra palermice que o valha.

e) Caça ao pensamento anárquico. Os pensadores anárquicos serão perseguidos e subtraídos à sociedade. Por pensamento anárquico, entende-se a renúncia e desprezo por qualquer tipo de autoridade ou regra imposta. Passar sinais vermelhos intencionalmente, ignorar ordem a polícia para parar, desobediência a qualquer responsável pela ordem, entre muitos outros, serão motivos para encaminhar os iluminados para a rede de estabelecimentos prisionais.

(sim, claro que ando chateado...) pickwick

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publicado por riverfl0w às 14:15
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2005
A bela da dignidade
Enquanto o arroz de marisco acabava de apurar e eu dava umas trincas em generosas fatias de salame, qual aperitivo fora de ordem, passavam as notícias na TV. A minha mãezinha, professora de profissão, não se conteve e desabafou todo um chorrilho de lamentações, a propósito da recente greve dos profissionais (ou não) da classe e da respectiva manifestação pública e ruidosa em Lisboa. Curiosamente, em vez de defender o habitual, contra o governo, apontou ali meia dúzia de pormenores que me deixaram a pensar nos tempos que correm. Apontou, por exemplo, o dedo à falta de dignidade com que estes profissionais se manifestavam pelas ruas, trajados feitos palhaços com cenas esquisitas na cabeça e a apitarem desalmadamente, entre gritos e risotas e muita galhofa. Apontou, por exemplo, o dedo à falta de dignidade com que estes profissionais se pronunciavam para as câmaras de TV, em entrevistas de circunstância, esgrimindo argumentos pouco convincentes e ajudando à má imagem que parecem gozar entre o povo. O mesmo povo que, se pudesse, acabava com todos os polícias (e com os ladrões também) e que destila ódio a tudo o que seja autoridade. Realmente, e bem vistas as coisas, aquela imagem do professor que eu tenho na minha memória, como uma pessoa culta, que sabe estar, sóbrio, com uma postura firme e sendo uma referência para os outros, acho que já não existe. A liberdade de expressão, sob todas as formas, é a desculpa para se defumar essa imagem e produzir um cidadão igual a qualquer outro, que não tem qualidades nem postura suficientes para servir de pilar da sociedade nem referência para ninguém. Lamentável? Claro que sim. É a dignidade que está em causa. Só pode. Não consigo aceitar que, numa reunião de professores, pouco menos de metade estejam de pastilha elástica na boca, mascando que nem uns selvagens, atendendo telemóveis, apáticos, conversando com o colega do lado, indisciplinados ao ponto de o presidente da reunião ter de bater várias vezes com a mão na mesa para merecer a atenção de todos. Custa-me ver professores a fazer figuras no meio da rua, que aceitaríamos facilmente da parte de estudantes, mas que ficam muito mal num professor. Dificilmente se credibiliza uma classe com paletes de sindicados que nunca se conseguem entender. Enfim. A dignidade foi-se. A classe enterra-se a si própria. Enterram-se uns aos outros. Abre-se a boca sem pensar no que vai sair, e o maior dos disparates é pronunciado com a leviandade mais compatível que se consiga inventar. É triste. Já não há professores como antigamente. Cheios de dignidade. Pilares. Referências. Âncoras da cultura e da sabedoria. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:04
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