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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008
O pénis de quem?
Ontem fui acompanhar quinze crianças numa visita à Fundação de Serralves, nomeadamente uma exposição ou museu o lá o que era, com “obras de arte” misteriosas. Uma delas era uma barra metálica estreita, com cerca de um metro de altura, com uma pena na ponta, e espetada na vertical numa base em madeira na qual estava a frase “é uma pena” inscrita a giz. Outra obra de arte era uma gaveta achada na praia, dentro da qual espetaram com mais lixo achado na praia. Arte, portanto.
 
O guia procurava abrir os horizontes às crianças, despertando-os para aquele estado de espírito em que acham que todo o artista é louco e preguiçoso e que só faz aquelas porcarias porque não tem jeito para nada.
 
Dois quadros, em paredes opostas, representavam o “acto sexual”. Uma queca transfigurada pelo artista. No primeiro quadro a queca tinha um espelho redondo e uma fita métrica, no segundo tinha um cisne a saltar dos corpos nus. Nisto, o guia vira-se para a Cátia e pergunta o que representa a cena do quadro. Obviamente é uma queca, mas a Cátia fica sem pio. O guia passa a pergunta ao Mauro, que também perde o pio. Erotismo e pornografia? Blá blá blá…
 
Conversa puxa conversa, que as crianças eram muito tímidas e o guia tinha um ar de larilas, ah e tal, que não sei quem tinha dito que “o pincel é o pénis do artista”, diz o guia. Ah e tal, molhar o pincel. E tal, e molhar o bico. Claro, molhar o pincel, molhar o bico, cisne, sexo, ah e tal.
 
Moral da história, segundo o guia: os gajos que pintam a realidade são “macacos de imitação”; os gajos que pintam porcarias sem nexo e sem jeito, é que são artistas.
 
Moral da história, segundo o João: o homem estava sempre a gozar connosco!
 
Moral da história, segundo metade das crianças: oh, aquilo qualquer um é capaz de fazer!
 
Moral da história, segundo o Nuno: para a próxima, não meto o dedo numa tela, senão levo outro raspanete da senhora da segurança.
 
Moral da história, segundo o Paulo: hihihi… hahaha… hehehe… pickwick
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publicado por pickwick às 15:51
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008
As túlipas negras
Há uns bons anos atrás, a Ana ofereceu-me um livro chamado “A Túlipa Negra”. Adorei o livro. É muito difícil eu adorar um livro. Não passei da segunda página do “Senhor dos Anéis”. Outros nem encontrei coragem para abrir na primeira página. Outros, foram devorados em regime non-stop, apesar da imensidão de páginas em letra miúda. Depende do estado de espírito, depende da onda, depende do vento, depende do tempo livre, depende das gajas, e de mais uma infinidade de factores. Enfim, são gostos e desgostos, como se costuma dizer. E eu que pensava que a túlipa era uma daquelas ervas daninhas tipo Sardinheiras e Malmequeres. Li, aprendi e diverti-me à brava. Não me lembro minimamente qual o enredo nem quais os protagonistas. Também não interessa, que os livros são para voarmos e não para tirarmos apontamentos mentais de vidas alheias. A Ana, foi minha vizinha durante dois anos, numa daquelas caves arrendadas a estudantes pindéricos. Já falei dela muitas vezes. Sempre nutri um carinho especial por ela, embora não traduzisse esse carinho em actividades carnais. É verdade. Sempre reinou, ali, o respeitinho. Depois ela “chateou-se” por não obter de mim o que nós sabemos que ela queria, “chateou-se” com o meu companheiro de quarto por motivos idênticos, e com mais não sei quem, e com os gajos que só queriam dela o prazer momentâneo de uma noitada de sexo. Chateou-se e hoje é freira. A sério! Era uma porreira, a Ana. Querida Ana, se me estiveres a ler, aí na tua simpática clausura, o meu mais sincero obrigado pelas longas conversas que tivemos, durante as quais tentaste – insistentemente e em vão – educar-me para a boa moral, para as boas maneiras, para o respeito pelo sexo oposto, para a importância superior do amor em relação ao consumo carnal, e para a moderação alimentar. Ainda hoje penso nas tuas lições. Sempre. Bom, esta conversa toda sobre a Ana e as freiras e as túlipa negras, serviram apenas como vulgar introdução para os factos que me trazem à luz deste blog. E os factos são que a Rici – a minha colega rechonchuda e séria – mudou claramente a sua forma de estar no mundo. E essa forma de estar no mundo passa, para começar, pela pintura do cabelo, impecavelmente liso, numa cor preto-ruivo-brilhante. Um gajo olha e, assim de repente e numa fracção minúscula de uma milésima de segundo, fica a pensar que deu de caras com um borracho. Eu sei que “borracho” é um termo em desuso, caduco, típico de arrastadores de tijolos nostálgicos, mas a Magda fez o favor de me lembrar da sua existência. Um borracho é que a Rici não é, certamente. É mais para o bolachuda, pronto. Eu gosto dela, atenção! É querida, simpática, responsável, profissional, etc. Além do cabelo, também tem um dente desalinhado, daqueles que podem entrar de imprevisto numa das narinas. Presumo que terá sido o resultado de um tabefe mais viril proporcionado pelo namorado, numa noite de prazer mais intenso. Além do cabelo e do dente desalinhado, a Rici também aderiu à moda da pele ao léu. Timidamente, mas aderiu. Apesar do frio intenso que se tem sentido aqui nas fraldas da Serra da Estrela. Assim como que a medo, tem deixado escapar, para fora da roupa, um engraçado pneuzinho de gordura. Disfarça, tapando logo a seguir com a camisola pouco comprida, mas eu já conheço esta peça de teatro. Lá para Abril já andará com pêlos púbicos entalados no cinto. Isto é que foi um avanço! Mas, além do cabelo, do dente desalinhado, do pneu ao léu, e, porque não, de uns sorrisos a que não estávamos habituados, a maior novidade é a cuequinha dela, trazida à luz do dia num daqueles momentos em que deixava o pneuzinho vir espreitar o ambiente. Eu até fiquei sem jeito. Foi inesperado! Muito inesperado! “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, passou a uma nova versão: “mostra-me um pedacinho das tuas cuecas e irei para o meu blog escrever disparates sobre o assunto”. As cuequinhas da Rici eram brancas, naquele tecido rasca de cueca-da-feira, compradas um ou dois números acima para poder acolher desvios volumétricos indesejados. Brancas, mas com uns motivos pequeninos a preto, que mais pareciam pontos uniformemente espalhados. O elástico era preto, também. Fiquei curioso quanto aos motivos. Seriam as iniciais do nome do namorado? Seriam ursinhos? Pulgas? Rodelas de micro-salpicão? Caveiras? Não resisti ao desafio. Fiz de conta que dava uma volta pela sala, com ar distraído, até lhe passar à porta dos quartos traseiros, à distância de três palmos. Foquei o meu olhar de lince, regulei-o para intensidade máxima, seleccionei o dispositivo de reconhecimento de padrões para o modo padrão-de-cueca e fiz as contas. Caramba! Eram túlipas! Dezenas de minúsculas túlipas negras!... pickwick
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Domingo, 2 de Setembro de 2007
Também quero ser inspector

Uma brigada da ASAE esteve ontem, ao princípio da noite, na Expo do Sexo, no Pavilhão Arena, em Portimão. A principal preocupação dos três inspectores presentes residiu na falta de tradução para português das embalagens de artigos eróticos à venda nos stands”. Esta foi a notícia. Para os mais distraídos, ASAE quer dizer Autoridade de Segurança Alimentar e Económica. E, em face desta e de outras notícias das actividades desta autoridade, também quero ser inspector e pertencer a uma brigada e ir às exposições de sexo e feiras do presunto e do leitão. Sim, quero. É bom. Um gajo mete-se no carro, com a pistola na sovaqueira e o crachá ao peito, os colegas de brigada todos sorridentes, ah e tal, entra-se num festival do sexo, confraterniza-se com as estrelas porno, quiçá recebe-se um donativo em forma de queca (é uma vertente da alimentação, como todos nós sabemos) ou um simples strip privado, trazem-se para casa umas dezenas de DVD’s pornográficos ou uma peça de lingerie obscena para cegar a mulher lá em casa, e pronto, missão cumprida. Quero ser inspector da ASAE. Já não bastava irem às feiras e trazer de lá quilos e quilos de roupas e óculos marroquinos, agora também se pode ir aos festivais do sexo. Parece-me muito bem. Gosto. Não consigo deixar de pensar no assunto. Imagino-me, fato e gravata, ar de manganão, pistola, gel no cabelo (tinha-o deixado crescer de propósito para poder usar gel), sapatos engraxados, fósforo por acender entre os dentes, yes, estilo q.b., e uns óculos Rayban. Ui! Entro na Expo do Sexo. Rapidamente, os organizadores da expo acercam-se de mim e dos meus colegas inspectores, com uma bandeja repleta de copos de champanhe caríssimo e salgadinhos apetitosos. Ah e tal, estávamos à vossa espera, temos ali um cantinho especial, não sei quê. Vamos para o cantinho especial, discretamente desviado do público, “a media luz”. Uma mesa redonda, sofás, espelhos, incenso, mais champanhe. Uma cortina fecha-se nas nossas costas. Música no ar. Elas entram, desfilando nos seus trajes minúsculos e botas altas. Eles despedem-se, coiso e tal, tenham uma boa estadia entre nós, até mais logo. Elas começam a dançar, besuntam-se com óleos aromáticos, abanam as nádegas com mestria inigualável, puxam pelas pontas das tetas como se estivesse na hora da ordenha, roçam-se nas nossas pernas e estragam-me as calças com a porcaria do óleo que trazem no corpo. O ambiente aquece. Já não há cuecas nem fio dental, as depilações estão perfeitas, elas riem-se, o prazer flutua no ar. Uma delas, morena, que tinha entrado com folhas de castanheiro atadas à cuequinha e um colar de flores pendurado no pescoço, dobra-se e, para além de mostrar a coisa e tal, apanha de um armário meio coco com uma palhinha lá dentro e começa a beber, a chupar pela palhinha, ah e tal, ui! que sexy!, exclama o Carlos, entusiasmado. Coco?, pergunto eu? Mas estas parolas não sabem que eu detesto coco? É pior que arroz de grelos com carapau frito depois de assado! Noite estragada! Levanto-me, ajeito a zona da braguilha, saco da pistola, dou três tiros para o ar, e elas fogem em pânico. Vamos a isto, cambada! Porra lá para o coco, palhaço, acabaste de me estragar a noite, diz o Tiago. Atiramos a cortina para os lados e invadimos a expo. O Carlos saca da pistola dele e dá dois tiros para o ar. Gente a fugir por todo o lado. Tiramos os sacos dos bolsos e corremos para os expositores das Sex Shops, repletos de objectos de incrível sofisticação, DVD’s, lingerie sugestiva, etc. Em poucos minutos enchemos os sacos e estamos dali para fora, com uma fortuna arrecadada e meses de entretenimento gratuito garantido. Quando já vamos a passar as portas do Pavilhão Arena, um dos organizadores vem a correr atrás de nós e interpela-nos: mas, então?, que é isso?, que vieram cá fazer?, porque levam esses sacos cheios? Com ar de poucos amigos, passo com a palma da mão na coronha da pistola recentemente devolvida ao coldre, meto ao mão ao saco e tiro, ao acaso, a caixa com o DVD do último filme da Dolly Golden. Esfrego-lhe a caixa nas ventas, com alguma agressividade. Seu palhaço, chamas a isto uma tradução em português? Golden? Como é que os clientes vão perceber que a miúda é dourada? Hem? Devolvo a caixa ao saco, viro-lhe as costas e vamos embora para o carro. Noite ganha! Como é bom ser inspector da alimentação. pickwick

publicado por pickwick às 00:10
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007
A mulher com cabeça de cabeça-de-fósforo – parte 1
Esta é uma história de fantasia e sei lá mais o quê, essencialmente disparates, outro modesto tributo à Carlinha, autora e escritora, com o mundo à sua frente.
 
Era uma vez uma jovem adolescente cuja cabeça era igualzinha a uma cabeça-de-fósforo: vermelha, áspera, combustível, explosiva, sem olhos, sem boca, sem nariz. Chamava-se Rusalka, em memória de uma sereia checa qualquer. Aos 17 anos, Rusalka sujeitou-se a uma operação plástica para tentar dar à cabeça uma aparência minimamente humana, mas os médicos conseguiram pouco mais do que uma sucessão de rejeições do organismo aos implantes. Dois anos mais tarde, Rusalka passou vários meses numa instituição científica que se ofereceu para conceber um manual de instruções para comunicação, que permitisse a qualquer ser humano normal comunicar com a jovem. Durante esta estadia na instituição, um dos médicos que acompanhou os trabalhos adiantou a remota hipótese de a aberração da cabeça de Rusalka poder ser “curada” com uma curta cerimónia descrita num livro de mistérios e lendas da natureza. Dizia este livro, escrito algures no século XVIII, que, nas altas e distantes montanhas de Tá Tá Lingsh, existe um animal misterioso, uma mistura improvável da natureza: o Kondilingsh, com catorze metros de comprimento, cabeça de crocodilo, corpo de libelinha e rabo de tigre-de-bengala. O Kondilingsh, apesar de ser uma aberração, é dotado de estranhos poderes, nomeadamente o de corrigir aberrações da natureza através de uma simples lambidela. Assim, e ainda segundo o livro, o portador da aberração deveria aproximar-se do Kondilingsh até ficar a cerca de 42 cm deste, bater palmas sete vezes, gritar “Ai Tá Tá! Moiumbé Lingsh Kondimar” e fechar os olhos. O Kondilingsh, então, daria uma lambidela na pessoa e, de um momento para o outro, a aberração desapareceria, dando lugar a um ser humano perfeitamente normal. Lenda ou realidade? Rusalka estava disposta a tirar a dúvida e arriscar. Aos 22 anos, e depois de 3 anos a treinar intensivamente montanhismo com o João Garcia, ali na Serra da Arrábida, Rusalka partiu para as altas montanhas de Tá Tá Lingsh, equipada com o seu manual de instruções para comunicação (MIC), uma mochila impermeável, um saco-cama-térmico, dezoito mudas de lingerie, um leitor de MP3 com o grito “Ai Tá Tá! Moiumbé Lingsh Kondimar”, um par de botas de escalada, um pack de preservativos de marca branca, e um saco de tremoços. Na aldeia de Shumyk, no sopé das montanhas de Tá Tá Lingsh, Rusalka contratou o hábil Ninini, caçador de caracóis, massagista e guia de montanha, mediante o adequado pagamento em tremoços e o solene compromisso de lhe conceder a primeira noite de sexo depois de ser curada pela lambidela do Kondilingsh. Ninini ajudá-la-ia a encontrar um Kondilingsh e a levar a cabo a cerimónia. Assim ficou combinado. Quatro madrugadas depois, partiram os dois, montanha acima, cada qual montado no seu burro-de-cauda-encaracolada. Seguiram-se seis tardes e duas manhãs, entre o sol das três da madrugada e a lua das cinco da tarde, na árdua subida das montanhas de Tá Tá Lingsh, apenas com umas curtíssimas paragens para tomar uma bica ou fazer as necessidades. A meio da sétima tarde e quase no fim da terceira manhã, Ninini descobriu o rastro fresco de um Kondilingsh adulto, a cerca de 14450 metros de altitude! Ninini sacou imediatamente dos seus óculos de visão diurna, fabricados em Macau com bambu e fundos de garrafas de cerveja Tsing Tao. Ao fim de algumas horas de perseguição, Ninini e Rusalka viram-se frente a frente com um Kondilingsh a comer pevides à sombra de um embondeiro. Que impressionante, o animal! Que imponente! Que vigoroso! A Mãe Natureza soube fazer a Sua obra. Ninini e Rusalka tiraram as botas de montanha e calçaram as pantufas em pele de pato que compraram em Shumyk por cinco tremoços cada par. Silenciosamente, Ninini conduziu Rusalka até esta ficar a escassos 42 cm do Kondilingsh. Tudo a postos para a cerimónia! (continua amanhã, no mesmo local, à mesma hora, com ainda mais disparates) pickwick
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Terça-feira, 1 de Agosto de 2006
A velhice está perdida
Costuma dizer-se que ah e tal, a juventude está perdida. Eu acredito que ainda há esperança para a juventude, naquela base de que não há nada que não se resolva com uns bons tabefes e uns cabelos arrancados. Mas, quanto à velhice, está mesmo perdida. Eu ainda pensava, ingenuamente, que a velhice era o pilar da sabedoria, da educação, da rectidão. Ontem, vi-me confrontado com a triste realidade. Passo a explicar. Enquanto esperava pela minha fã número um, resolvi abancar à sombra de umas belas árvores, num belo banco de madeira, num belo jardim de uma bela vila do centro deste belo país. Era hora do almoço, o sol estava chateado com alguém, e nada como uma sombrinha, um livro, e muito sossego. Tipo férias, a bem dizer. Estava tudo a correr bem, a leitura a deslizar, a sombra agradável, o som do repuxo no pequeno lago, o chilrear dos passarinhos, umas miúdas todas arejadas a passar no passeio do outro lado da rua, enfim. Até ao momento em que apareceu um senhor aí dos seus 65 anos, com ar de tarado e algum atrofio mental. No jardim havia resmas de bancos, todos vazios, à excepção do meu e de outro mais além, onde estava sentada uma miúda toda gira. Mas o homem teve mesmo que se vir sentar no banco em frente ao meu, a uns dois metros de distância. Até aí, pronto, aceitável. A coisa começou a tomar contornos dantescos, quando chegaram as amigas do homem. Duas velhas muito encardidas e enrugadas, uma mancar e a outra sem os dentes, acompanhadas pela filha de uma delas, deficiente mental (a sério). Devo dizer que, esta última, era a única pessoa ali que trazia alguma normalidade. Porque, das conversas que se seguiram, não há memória! Aparentemente, era tudo solteiro, divorciado ou viúvo. Daí que a conversa tendesse, por tudo e por nada, para o sexo. Porque fulano não sei o quê com a gaja tal, porque a fulana não sei que mais a olhar para o outro, porque foram não sei que mais, e o que querem sei eu, e você o que quer sei eu, e ah e tal, e por aí fora. Ah e você passa a vida na cama, tem que passar mais tempo de pé, está a ficar muito gorda, o que você precisava sei eu. O homem só dizia que precisava de uma mulher em casa para lhe tratar da roupa, da comida e das limpezas. Sim, sim, diziam as outras, com aqueles risinhos de quem está a pensar em muito sexo. Nisto, chegou uma outra amiga, aí dos seus 60 anos (uma jovem, portanto), que veio definitivamente baixar a qualidade da conversa. Ainda por cima, veio sentar-se no meu banco, do outro lado da minha minúscula mochila. Não podia com o homem nem com molho de tomate, nem com as amigas de não sei quem, e vai daí aos gritos, a praguejar, a puxar de todo o bonito vocabulário do mais ordinário dos carroceiros, porque estou f***** com fulano tal, c****** os f****, p*** que os pariu, e ah e tal. Às tantas, deu conta que estava gente ao lado dela, nomeadamente aqui este personagem, com ar intelectual, de livro em punho, feito letrado. Ai desculpe a minha conversa e tal, disse ela. Respondi com um olhar condescendente e um sorriso amarelo-torrado. Ah e tal, os homens? Os homens não servem para nada. Só servem para limpar o cu à gente, dizia a outra. Não sei se foi da minha camisa às riscas comprada no Continente, ou da cor dos meus olhos, ou do cabelo rapado à mete-nojo, mas a mulher entendeu e comentou para as outras: ah, este deve ser francês. Pois claro, eu até estava a ler um livro inglês, portanto, só podia ser francês. Passada hora e meia, lembraram-se que estava na hora de zarpar. Ia eu começar a sorrir com o retorno do sossego, após tanto tempo de matracas a chocalhar, quando as velhotas são imediatamente substituídas por uma nova brigada do reumático, de bengalas em punho, almoço no bucho, e muita palheta para soltar. A brigada encheu os dois bancos, deixando-me ali, novamente, encostado a uma ponta, de livro em riste, para levar mais um banho de cultura popular. A presença, ali perto, de um bando de adolescentes com aquelas calças a deixar ver a bela da cuequinha, como é moda, bonitos e minúsculos tops, posições provocantes em cima dos bancos do jardim, serviram de mote para os membros da brigada começarem a divagar sobre a vida. Ah e tal, essas miúdas, agora, andam para aí todas descascadas, dizia um. Pois andam, todas descascadas, responderam os outros. No meu tempo, não era nada disto, elas até se censuravam umas às outras se trouxessem a saia acima do joelho. Assim, nem dá gosto, porque o fruto proibido é o mais apetecido, e dantes a gente ao tentar imaginar o que ficava por baixo da roupa ficávamos logo todos entusiasmados, mas agora não sobra nada para a imaginação. Pois é, pois é. E no meu tempo, se fossem à missa com a saia acima do joelho, eram logo corridas dali, senão o padre não conseguia dar a missa direito. Ah, e outro dia, o padre ali da aldeia X foi apanhado na cama ali com uma fulana da aldeia Y. Ah pois claro, então elas vão-se lá confessar a ele, ele fica logo a saber o que elas são e já sabe que pode aproveitar à vontade. Bom, depois de três horas deste banho oral de cultura popular, tocou o meu telemóvel. Estava safo. A minha fã número um vinha-me buscar. A sorte, é que vinha com um decote de fazer engasgar qualquer um, principalmente a mim. Foi graças a este decote que, após alguns, minutos, consegui tirar da minha cabeça o tormento e o desassossego de imaginar aquelas velhotas encardidas, desdentadas, mal cheirosas, de unhas enormes e rugas por todo o lado, a uivarem em cenas de sexo desabrido com velhotes em idêntico estado de decomposição. Em dias de calor, recomendo: não vos quedeis em bancos de jardim à sombra, pois correis o risco de acumulação de pesadelos eróticos. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:50
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Segunda-feira, 24 de Julho de 2006
Calor e Sexo

Estava num almoço de família, a actualizar conhecimentos via televisiva, quando entrou pela cozinha dentro a reportagem. Ficámos caladinhos que nem uns ratos. Um célebre sexólogo, daqueles que não são capazes de falar sem espalharem-se todos num sofá, para darem ares de sexualmente activos, tentando enganar a população, teceu algumas teorias despropositadas que mereceram o desprezo do povo. O tema era a relação entre o calor e o sexo, ou vice-versa. Isto é, mais calor, mais sexo? Ou nem por isso? Ora, este assunto, pela sua importância no combate à crise nacional, merece toda a nossa atenção e empenho. Assim sendo, façamos a abordagem de forma científica.

Teorema do Presunto Estragado
Qualquer que seja T (entre 30 e 45 ºC), o suor provocado pelo sobreaquecimento das moléculas produzirá, ao fim de H horas (para H>0,5), um odor insuportável a presunto estragado nas zonas do corpo em que as peles se esfregam, odor esse que extinguirá qualquer excitação sexual.

Excepções ao Teorema do Presunto Estragado
São passíveis de não serem abrangidos pelo Teorema os indivíduos:
a) Portadores de deficiências de funcionamento das narinas;
b) Colectores do lixo;
c) Apreciadores de queijo francês.

Teorema de Tarzan e Jane
Seja V a percentagem de área coberta do corpo humano. Para valores de V inferiores a 23%, o cérebro humano será condicionado por factores genéticos, os quais tendem a eliminar idealizações poéticas das relações humanas e a impulsionar o desejo de simular ou efectivar a procriação, à semelhança do que faziam Tarzan e Jane a viverem pacatamente numa cabana no cimo de uma árvore no meio da selva africada no meio da macacada.

Teorema da Cevada
Seja M a taxa de excesso de gordura no corpo. Para valores de M acima dos 136%, o ser humano do sexo masculino reagirá de uma das seguintes formas:
a) Se M diz respeito ao indivíduo do sexo masculino, a necessidade física de arrefecer a massa corporal levá-lo-á a trocar a parceira por uma cervejola de cevada, bem fresca.
b) Se M diz respeito ao indivíduo do sexo feminino, o desagrado pelo aspecto da parceira levá-lo-á a trocá-la por uma cervejola de cevada, bem fresca.
c) Se M diz respeito a ambos os indivíduos, haverá um incremento na aquisição e consumo de cervejolas, bem frescas, em grades ou packs.

Teorema do Choque Térmico
Qualquer que seja T1 (entre 30 e 40 ºC) e T2 (entre 15 e 25 ºC), respectivamente temperatura ambiente e temperatura da água, o choque térmico provocado pelo facto de T2<T1 levará a um disparo súbito da excitação sexual em ambiente aquático, resultando numa pré-disposição imediata para o sexo.

Teorema da Inflamação Involuntária
Qualquer que seja T (entre 35 e 50 ºC), a dilatação natural dos corpos, principalmente nas zonas sexualmente atiçáveis, produzirá um efeito de adulteração da capacidade de distinguir entre inflamação por calor e inflamação por desejo. Esta perda de capacidades, que resulta numa desorientação natural, levará as suas vítimas a incorrerem num processo excessivamente repetitivo de compensação da falsa sensação de desejo sexual. Da observação deste processo resultam comentários conservadores, do género “no verão é só sexo”.

Teorema da Erecção Involuntária
Para valores de T acima dos 29 ºC, o excesso de consumo de água, ou outro tipo de bebidas, tornará mais activo o sistema urinário dos indivíduos do sexo masculino, ocorrendo erecções despropositadas e involuntárias do respectivo órgão sexual. O conhecido fenómeno, que tem uma designação popular muito brejeira, será contabilizado erradamente como uma estimulação sexual, enganando estatísticas e estudiosos do tema, e o próprio dono do órgão. Assim, nos inquéritos em que a população masculina responda “sim” à pergunta se com o calor tem mais apetite para o sexo, deverão ser eliminadas 35% das respostas. pickwick

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publicado por riverfl0w às 20:33
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006
Divagações dos andarilhos
Ainda o grupinho de cinco andarilhos que se passeou pela Serra da Estrela no passado fim-de-semana. Falta referir o percurso feito. Quem sai de Loriga e se lança serra adentro, tem um belo de um trilho que sobe, sobe, sobe, e sobe, até lá bem acima, até à Estrela, a tal da falcatrua dos dois mil metros. Pelo caminho, existem locais de se lhe tirar o chapéu, entre os quais está o Covão da Areia, nosso destino para pernoitar. O caminho, entre calhaus e mato, convida a reflexões profundas. A Ana (nome de código já referenciado, difícil de decifrar) prestou-se a relatos científicos sobre o seu estágio como enfermeira na secção de urologia de um qualquer hospital português. Urologia, como todos sabem, é aquela ciência das pilas. Portanto, fomos agraciados com descrições entusiásticas de suturações, erecções involuntárias, e outras coisas do mesmo calibre, que deram uma excelente música de fundo a parte da nossa caminhada. Os seios femininos, foram também alvo de grandes e profundas reflexões, nomeadamente a opção entre as mãos e a boca, as preferências de cada um, a consistência aos dezoito anos e a decadência posterior, e ah e tal, tudo num tom muito erudito, que nenhum de nós gosta de brejeirices, obviamente. Tivemos também uns momentos de aprofundamento de vocabulário e expressões, aquilo a que alguém poderia, sabiamente, chamar de enriquecimento cultural. Assim, ficámos a saber o que é uma “arreia na vaga” (ou qualquer coisa parecida). Trata-se de uma posição, portanto, de coiso e tal, também conhecida por “apanha o borboto”. Esta, acontece quando a mulher está em casa e se inclina para o chão para apanhar o borboto da alcatifa e o homem ah e tal por trás. Trata-se de uma inovação em relação à posição do aspirador, em que a mulher anda só ligeiramente inclinada para a frente a passar o aspirador pela casa, e vem o homem e ah e tal por trás. Portanto, anotem: “arreia na vaga”. A cultura portuguesa é demais! Mais vulgar está a expressão “suadela de quatro joelhos”, que gerou alguma discussão quanto à intervenção dos próprios joelhos, mas que, após esclarecimento dos mais cultos, também poderia ser “suadela dos quatro cotovelos” ou “suadela das quatro nádegas”, onde o “quatro” tem apenas o simplório papel de múltiplo de dois. Mais comum ainda, a “conchinha”, essa posição quase fetal, tão adorável. É bonito partilhar cultura. Entretanto, e porque estava muito calor e em redor só havia calhaus, a conversa deu para os gelados. De entre a oferta banal das arcas frigoríficas, destaca-se o “Calippo”, da “Olá”, pela forma como as jovens portuguesas lidam com ele, uma forma ostensivamente erótica e que deveria merecer uma maior atenção por parte dos pais, educadores e autoridades. Assim, decidimos que era pertinente a publicação de uma lei que restringisse a venda de gelados “Calippo” apenas a meninas maiores de dezasseis anos, num gesto claro de prevenção, para que não fosse acelerado o processo de desenvolvimento da sexualidade nas nossas adolescentes e crianças e, adicionalmente, evitando que estas jovens andassem por aí, em trajes de veraneantes e fio dental, a chuparem desenfreadamente pedaços de água gelada com limão, descontrolando potenciais pedófilos. Pelo caminho, parámos à beira da Fonte dos Carreiros, de onde jorra um fio de água incrivelmente límpido e puro, com sabor a granito. Tagarelámos com um outro grupo de andarilhos, que circulavam em sentido contrário, para trocar algumas impressões técnicas. Já de abalada, alguém do nosso grupo vislumbrou outro grupo que se aproximava da fonte e não hesitou em gritar bem alto “mija na água”! Ora bem, como já referi num post anterior, este nosso grupo era composto por licenciados, mestres e doutorados, mas, naquele preciso momento, senti-me a fazer parte de uma trupe de carregadores de baldes de massa em horário de almoço, à sombra de um andaime, a ver o gado a passar. O grupo que se aproximava, passou por nós, olhando-nos de lado, como que a tentar adivinhar quem tinha sido o porcalhão que tinha urinado para cima da fonte para que os demais dela não bebessem. Obviamente, ninguém urinou na fonte, e tudo não passou de uma brincadeirinha, mas pronto, sabem como é, o calor e ah e tal, provoca alucinações temporárias, algumas mais intensas que outras, e por aí fora. O momento alto da viagem foi quando o JN confessou a justificação que a sua mãe lhe tinha dado para que não tivesse relações com a namorada antes do casamento: assim, tendo relações antes do casamento, disse a senhora, ele não atingiria a “plenitude da espiritualidade em Deus”. É bonita, não é? Repetimos a frase vezes sem conta, até à exaustão, mas, mesmo assim, passámos a vida a engasgar-nos a cada vez que tentávamos pronunciá-la. Como se a nossa mente porca e muito pecadora tropeçasse constantemente naquela verdade divina. pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:14
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Terça-feira, 18 de Julho de 2006
A cabra merendeira
Depois de uma voltinha pelo Piódão, fustigada há menos de vinte e quatro horas pela fúria da natureza, acabámos no belo museu local, muito bem conseguido, muito bem conservado e muito interessante. Fiquei espantado com a história daquelas paragens, com os artefactos expostos e com a boa apresentação de tudo. De entre as muitas histórias e descrições da vida local, houve uma que me fascinou particularmente. Faço aqui uma descrição, com adaptação e comentários da minha autoria. Ora, naqueles tempos, os pastores levavam os numerosos rebanhos de cabras pelos montes, passando os dias com elas. De entre as cabras, havia uma eleita que respondia pelo nome de “cabra merendeira”. Bonito nome! O pastor, que não podia andar ali pelos montes com tachos e panelas e demais elementos do trem de cozinha, queria fazer umas sopinhas de leite à maneira. Assim, chamava a “cabra merendeira”, a qual poderia ter uma alcunha mais íntima, tipo Alice ou Zélia, e molestava-a sexualmente durante algum tempo. Merendeira vem de merenda, termo usado em vez do moderno lanche ou do muito popular “snack”, pelo que, se os tempos fossem agora, seria a “cabra lancheira” ou a “cabra do snack”. Os historiadores do museu tentaram encobrir a verdade com palavras vagas como ordenhar e tal, mas eu bem sei como são os pastores, ainda para mais um pastor com uma cabra especial, no meio dos montes, afastado de olhares censuradores. Ao fim de algum tempo de abuso sexual, teria uma tigela cheia de leite. A pobre da cabra, sem acesso a qualquer cuidado de saúde um apoio psicológico, voltava ao resto do rebanho, com as sensíveis tetas muito molestadas. O pastor, então, tirava das brasas da fogueira uma pedra ao rubro e colocava-a na tigela, fazendo o leite da cabra abusada sexualmente ferver em apenas alguns segundos. De seguida, o pastor desfazia uma broa em pedaços e misturava-os com o leite quente, proporcionando uma deliciosa sopinha de leite. Esta técnica requintada, que tanto me fascinou, foi habilmente descrita pelos historiadores como tendo o objectivo de amolecer a broa ressequida com o leite quente. Ora, os historiadores podem ter alguma habilidade em intrujar os visitantes ingénuos, mas eu, com a minha abrangente experiência de vida, topei logo a tramóia dos pastores e a vontade dos historiadores de esconder a dramática verdade das gentes daquela região, talvez para não prejudicar o turismo. Não era muito bonito o Piódão ser conhecido pelos hábitos pouco católicos dos seus pastores. Imagine-se a placa à entrada da aldeia: “Bem-vindo ao Piódão, aldeia dos pastores que andam pelos montes a apalpar as tetas às suas cabras”. Não era nada bonito, pois não? Bem, a tramóia dos pastores deduz-se com alguma facilidade. Depois de consumado o abuso sexual nas pobres e transtornadas cabras, era necessário encobrir todas as provas do crime. O leite era a prova mais cabal desse abuso. Qualquer teste ao DNA provaria qual a cabra envolvida, ligando-a ao leite, às tetas com nódoas negras e ao pastor responsável pelo rebanho à qual pertencia o pobre e indefeso animal. Havia, pois, necessidade de esconder ou destruir a prova do crime. O leite, como todos sabem, é um líquido amarelo esbranquiçado, que não se evapora com facilidade e que, directamente da origem e longe das adulterações dos produtores, tem uma forma espessa que não desaparece facilmente nem se infiltra na terra. Assim, o método mais eficaz de resolver o problema de um teste ao DNA da cabra seria ferver o leite. A fervura, como é sabido, destrói os micróbios do DNA. Alguns dos mais famosos “serial-killers” da história do crime ficaram famosos por introduzir esferas em brasa nas vaginas das vítimas, para, precisamente, fazer ferver o sémen denunciador, matando os micróbios do DNA nele presentes e impedir que fossem indiciados. É triste que façamos parte de um país cujos pastores faziam destas coisas hediondas, eu sei. Hoje, já não há pastores e as cabras são ordenhadas “in vitro”, mas a perversidade anda aí, passada de geração em geração, de pais para filhos, de pastores para apresentadores de TV… enfim! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:26
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006
Surprise!
Surprise, como os mais cultos devem saber, quer “dizer surpresa”, em húngaro, ou noutra língua qualquer. Tanto faz a língua. E surprise porquê? Porque a miúda estava pacatamente a estender roupa no estendal (eu encomendei especificamente umas pernas, mas não me quiseram fazer a vontade) quando surgiu o artista e a retratou assim. Surpreendidíssima. Presumindo que a roupa estendida seria a roupa a vestir de seguida, nomeadamente umas botas pretas (ficam sempre sexy), uma camisola de gola alta laranja (já vi cores mais bonitas) e… e… bem… o que aparenta ser uma saia moderna, às listas verdes e brancas. Tanto faz que seja uma saia branca às listas verdes, como uma saia verde às listas brancas, desde que o verde não seja brando, nem vice-versa, porque aí é que ia ser uma grande confusão para a miúda. E é escusado alguém vir alegar que aquilo é uma toalha, porque não é. É uma saia, nota-se logo, até porque não há mais nenhuma peça de roupa para usar abaixo da cintura, o que imediatamente leva à brilhante conclusão que aquilo é a saia. O modelo da saia, isso sim, é o modelo sai-do-banho-enrolada-na-toalha, também muito sexy! Mas há outras coisas que faltam no estendal e que me levam a conjecturar. Outras coisas como uma cuequinha. Podia ser uma daquelas tipo fio-de-seda a fazer comichão nos pêlos do rabo. Mas nem isso. Não tem nada. E, para cima, para os apetrechos de amamentação das crianças, também não há nada que sirva de suporte ou, ao menos, de preservação do pudor. Nadinha. É uma opção de vida da miúda, entenda-se e respeite-se. Trata-se, obviamente, de uma galdéria, mas pronto, de galdérias e de peruas está o mundo cheio, que no inferno não as deixam entrar. Ao olhar para o rosto pretensiosamente surpreendido da moça, ocorre-me que nunca surpreendi uma miúda nestes preparos. Nem miúda, nem graúda, nem nestes preparos. É uma daquelas coisas da vida que apenas imagino através dos filmes. Será que só acontece nos filmes? Não sei, mas fico sempre com a impressão que não há miúda que seja realmente surpreendida assim. Ou nunca é apanhada de surpresa, ou se é apanhada, não é surpresa nenhuma, antes pelo contrário, é o satisfazer de um sonho íntimo e tal. Eu sei que estou a ser maldoso, mas os factos especulados são para ser relatados sem omissão. Sobre a miúda do estendal, apanhada de surpresa, devo acrescentar apenas que é desdentada. Eu não aprecio miúdas desdentadas, até porque depois não são capazes de dar umas trincadelas sensuais na carne alheia, mas deve haver quem aprecie profundamente miúdas desdentadas. Provavelmente, especulo eu, por razões de ordem técnica no decorrer de algumas actividades mais em privado. Neste mundo, há de tudo, como sabemos. Mas, recordo-me agora de uma história de uma miúda que foi, de facto, surpreendida com os pêlos púbicos arejados. Contaram-me há anos atrás e acredito piamente que a história é mesmo um facto. Passo a descrever. M (nome fictício para preservar a identidade de uma miúda que eu nunca conheci nem me lembro do nome) era uma estudante universitária e, tal como a maior parte das estudantes universitárias, transformou-se rapidamente numa galdéria espevitada e aluada (das que uivam à lua). Longe dos pais, a liberdade esticou-se até não poder mais, até aos limites de tudo o que pudesse ter limites. Certo dia, mais um dia daqueles dias banais feitos de aventuras e traquinices, juntou um grupo de amigos no apartamento alugado, na cidade. Amigos e amigas, que resolveram proporcionar uns aos outros uma actividade lúdica, recreativa e desportiva, banalmente conhecida como orgia. Para os que não sabem o que é uma orgia, é tipo numa festa com vinte lésbicas de olhos vendados dentro de um tanque cheio de peixes e enguias. Uma festança! Ora, calhou que, nesse mesmo dia, e não noutro, os dedicados pais que lhe sustentavam os estudos e o apartamento, resolveram vir de lá do sol-posto, qual caravana em peregrinação, para fazer uma visita de surpresa à adorada filha universitária. Vieram, chegaram, bateram à porta e foram atendidos por uma filha toda nua, com um fundo de jovens possuídos e desabridos, todos nus e suados, com música ambiente de gemidos e garrafas a tilintar. A isto, sim, chama-se uma “surprise” e uma miúda surpreendida! pickwick
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publicado por riverfl0w às 18:24
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Sábado, 4 de Setembro de 2004
Inconsciências 3
Pornografia. E sexo. É o tema deste post. Algum dia tinha de ser. Começo com uma estória. Era uma vez, claro, um bando de cerca de uma dezena de putos de onze anos. Caía a noite, mas, ali, naquele caminho alcatroado e ladeado por árvores frondosas, a noite caía ainda mais depressa. Era a subida para o ginásio da escola, onde ao final do dia vinham treinar atletas de outras escolas e não só. O bando aguardava do lado esquerdo para quem sobe, escondidos por montes de terra e arbustos. Ninguém sabia ao certo o que estavam ali a fazer, mas estava a ser divertidíssimo. Nisto, vislumbra-se por entre as sombras um vulto. Era uma mulher dos seus vinte anos, saco desportivo a tiracolo e passadas enérgicas. Alguém no bando descobriu o que poderia ser feito. “Vamos violá-la”, exclamou. A ideia foi recebida com bocas abertas de espanto e sobrolhos franzidos, num sinal evidente de apoio inequívoco. “Quando eu disser, saltamos para cima dela”, era o plano. Os corpos franzinos dos putos retesaram-se naquela posição de salto, impacientes pela ordem final. A mulher passou por eles e, quando já só os via pela nuca, soou o “já!” tão esperado. Foi só o tempo de darem dois ou três passos, alguns nem tanto pois escorregaram desastradamente na terra solta, e ouviu-se a poucas dezenas de metros um apito estridente. Aquela zona era vigiada, sabiam, mas escusavam de apitar numa altura destas. Tomados de pânico, o bando dispersou descontroladamente por todos os lados onde havia um arbusto e muita escuridão. Lá se foi a violação, e a mulher nem chegou a aperceber-se de nada. Mas, “vamos violá-la”??? Do que raio eu me havia de lembrar!... Eu nem sabia o que isso era. Nem eu, nem o resto do bando. Éramos putos, mal informados e completamente estouvados. Devia ter ouvido aquele verbo algures, associado a qualquer coisa que se faz a uma mulher, provavelmente sem roupa. Ainda bem que não chegámos a vias de facto, pois, para além de não sabermos o que fazer, se chegássemos perto dela, o mais provável era sermos corridos ao estalo e ao pontapé, situação que decerto nos traumatizaria para o resto da vida. Foi um ano de descobertas, este. Falava-se muito na Camisa de Vénus, ou Camisinha, para os amigos, mas acho que só no ano seguinte descobri que afinal esta camisa não era a camisa branca vestida pelos nossos colegas mais velhos nas aulas de equitação, de uso obrigatório. Um dos meus colegas, magrinho e com ar lunático, repetente, era o ídolo de alguns pela proeza de conseguir masturbar-se no meio de uma aula de inglês com o professor Walter, esse metro e noventa de peso, fato e lenço no pescoço, com umas mãos maiores que qualquer uma das nossas cabeças. Chamava-lhe àquilo uma … (petisco nacional à base de bacalhau cru desfiado). Mais um nome para a nossa colecção. Circulavam as revistas pornográficas. Às custas delas, sempre que ouço o nome Gina, não consigo contornar a memória. Algumas páginas soltas tornavam-se mesmo num mistério, pois os grandes planos dificultavam a orientação vertical da página. Para além de nos parecerem um bocado nojentas, ficava-nos sempre mal virar e revirar aquilo com um ar de ignorância total. Um dos alunos mais velhos, já nos seus dezassete anos, era frequentador semanal dos serviços das meretrizes da Avenida da Liberdade. Facilmente se tornou o nosso ídolo, reunindo-nos horas a fio à sua volta enquanto contava as aventuras. Tinha predilecção por uma delas, com quem mantinha um relacionamento mais carinhoso, e a quem levava queijo e outros petiscos quase todas as semanas. Nós andávamos fascinados com aquilo tudo, com tantas novidades. Certo dia, o nosso ídolo deixou de aparecer nas aulas durante umas semanas. Mais tarde, voltou às aulas. Não era o mesmo. Vinha de muletas e mal conseguia esboçar um arremesso de sorriso, bem aquém de antigamente. Reunimo-nos à volta dele, curiosos. Teria levado uma sova do chulo da outra? Atropelado? Ele explicou. Nesses minutos seguintes, tive a melhor e mais eficaz lição sobre prevenção de doenças venéreas de toda a minha vida, num gesto de humildade que me marcou para sempre. pickwick
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publicado por riverfl0w às 11:39
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