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Domingo, 18 de Junho de 2006
Colares de pérolas e dardos na patroa
Há fins-de-semana que nos apanham de surpresa. Ou surpresas que nos apanham ao fim-de-semana. Neste que agora mesmo findou, acordei a meio de uma bela tarde de sábado com uma bela princesa na minha cama. Estava toda nua e tinha um colar de pérolas tipo cor de uva ainda a tostar ao sol. Ora, como todos sabem, faz parte do sonho de qualquer macho que se preze acordar com uma bela princesa toda nua na sua cama. Com ou sem colar, sem ou com pérolas. É bonito, é sensual, é apaziguante, é relaxante. Está calor, cheira a férias, cheira a outras coisas que não são para aqui chamadas e sabe bem. Quando se traça um quadro assim, imagina-se um ambiente condizente e requintado, “à matador”, portanto. Contudo, neste fim-de-semana, a única coisa que se aproveitava deste quadro era mesmo a bela princesa com o seu colar de pérolas, porque o resto, bem, era o caos: um quarto com 1,5x3,0 m, que não passa de um cubículo; dois sacos-cama usados, abertos à toa e a necessitarem de uma máquina de lavar; um estendal portátil para secar roupa, atulhado com o conteúdo de duas máquinas de roupa cheias, num mix divertido e colorido de t-shirts, meias foleiras e cuecas másculas; livros e revistas empilhados debaixo de pilhas de pó; uma caixa da roupa suja perigosamente aberta, sujeitando quem passe a cair lá dentro; roupa que já não sei se está usada ou lavadinha de fresco, espalhada em cima de tudo e mais alguma coisa; e uma cama que foi um sofá rasca em metal e que milagrosamente sobreviveu a 140 kg. O que me vale é que esta princesa não é mariquinhas, senão o acordar a meio da tarde teria sido o fim do mundo. Ah, falta só acrescentar um pormenor sobre o ex-sofá rasca: aguenta mais do que 140 kg… tem a haver com aquela cena da física, sobre a energia cinética e etc. Mas isso, é outra estória. Também neste mesmo fim-de-semana, dei comigo a partilhar vivamente com uma amiga íntima, muito íntima, uma mão cheia de amarguras derivadas da estupidez crónica da nossa patroa. E como se partilha devidamente uma amargura? Bem, há várias maneiras… Mas acabámos por encontrar uma forma reconfortante de afogar as amarguras. Para tanto bastou um computador com Internet, uma impressora e um jogo de dardos afiados. Vai-se à Internet, saca-se uma foto da nossa patroa, imprime-se, prega-se no alvo redondo, dá-se uns passos atrás, e zás! Confesso que acabámos por divergir ligeiramente na zona a atingir. A minha amiga, que é uma amiga íntima, tinha uma predilecção mórbida por atingir o coração. Era tanta a predilecção que recortou um coração em papel amarelo e colou-o sobre o externo da fotografia da nossa patroa. Eu ainda lhe tentei explicar que o coração fica mais ao lado, ah e tal, mas ela não quis saber, ficou mesmo ao meio e pronto, bota os dardos para cima. A minha preferência foi para a zona da cabeça. A testa fica sempre muito bem com um dardo bem espetado, idem para o queixo, mas o melhor de tudo é mesmo num olho. É artístico e fica bonito. E enfim, podia dar-me para pior. Às tantas, o mal é sono… pickwick
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Domingo, 7 de Maio de 2006
Romance na penumbra

Se há amores que parecem predestinados, tal é o fogo da paixão, outros há que são mais difíceis de conseguir, por motivos vários de ordem natural e sobrenatural e outras coisas acabadas em 'al', com laranjal. Bem, quando eu era miúdo escrevi um romance entre duas pessoas, em que uma delas era uma galinha, não me lembro bem se era o gajo ou a gaja, mas também não importa agora. Apetece-me escrever um romance difícil. Assim, decido agora mesmo criar dois personagens: o Amílcar, que é um prato de porcelana do início da década de 1900 com a pintura de um general, e a Brobuteia, que é uma maçaneta de porta em esmalte branco. Ali por alturas de Outubro, o Amílcar foi comprado num antiquário e espetado em imaculada prateleira numa sala antiquada cuja porta se fechava às custas de apalpar o rabo à Brobuteia. Poder-se-ia dizer que esta rapariga era da má vida, mas seria depreciar a sua missão de vida e ignorar a utilidade evidente. Poucos dias depois do Amílcar aparecer - já a euforia da sua chegada tinha passado entre os restantes pratos, jarras e porcarias inúteis - o tédio regressou à sala. As vistas não eram das melhores, alternando entre quadros mal pintados, jarras cheias de celulite e pratos rachados, tudo a cheirar a mofo num ambiente de meia-luz. Por vezes, o velhote anfitrião surgia pela porta, batendo irritantemente com a sua bengala no chão de madeira comida pelo bicho, misturando o cheiro a mofo com o fedor a cueca mijada. Enfim, não era das melhores vidas que se podia ter, a do Amílcar e da Brobuteia, mas podia ser sempre pior. Algures ali para o mês de Dezembro, o Amílcar começou a prestar mais atenção à forma obscena como o dono da casa apalpava a Brobuteia. Afinfava ali uma manápula nas nádegas da rapariga e torcia-a sem qualquer compaixão, obrigando-a a gemer de dor. A forma condescendente com que Brobuteia aceitava o seu destino, levou Amílcar a pensar que estava ali uma rapariga de valor, uma pessoa invulgar no sítio errado com a missão errada. De si próprio não pensava muito diferente, pelo que o seu cérebro, ainda desenvolto e elástico, como sempre foi desde que foi parido, e o foi no célebre dia da violenta perseguição aos pratos foleiros do número 4 da rua do Almirante Carvalho Araújo, não demorou muito a tecer planos e cruzar ideias. Obviamente, Amílcar tinha que saltar dali para fora, pegar na Brobuteia e transladarem-se para paragens mais propícias à felicidade de ambos. Por alturas de Novembro, ou seja, um mês antes de ter estas ideias, Amílcar decidiu que não tinha mais tempo a perder e estava na hora de passar dos actos aos pensamentos. Na segunda semana de Outubro, aproveitando a escuridão trazida pela noite e por um candeeiro avariado na rua próxima, desceu da sua prateleira por uma fio de teia de aranha, sem ser notado. A aranha fez negócio com ele, trocando o suporte para pratos onde estava Amílcar - e que dava um excelente palco para os seus concertos e recitações - por uma descida grátis usando a sua teia. Um negócio da China! Já no chão, Amílcar rodopiou acrobaticamente pelo soalho estragado, até estacar à beira da porta. Olhando para o meio desta, chamou:
- Ó boazona! Ó rabo branco! Ó jeitosa!
Por alturas de Setembro, o alvo da sua paixão deu conta do chamamento e respondeu:
- Sim?! Quem me chama? Que me quereis!
- Quero-te toda, cá em baixo, ó brasa da minha paixão, e despacha-te que o eléctrico das onze não tarda a passar lá para as catorze! - respondeu o Amílcar, todo entusiasmado.
- Ai, ó homem, mas ainda me magoou toda a saltar daqui aí para baixo… não é perigoso?
- Perigoso é o primo do piri-piri, ó boazuda! Deixa-te de tretas e desatarracha-te lá depressa, vá!...
A Brobuteia era uma miúda jeitosa, de falas moderadas, mas um bocadinho limitada em termos de progressão do pensamento. Se hoje voltasse à escola, seria definitivamente uma aluna com necessidades educativas especiais, aparelho nos dentes e saia cor-de-laranja. Um tom mais elevado de voz será como que uma ordem para ela. Em menos de quinze dias desatarrachou-se sozinha da fechadura da porta, onde viveu durante tantos anos, e preparou-se para saltar para a nova vida.
- Ó de baixo! Estais aí? Vou saltar, está bem?
- Sim, anda lá, despacha-te que o estúpido do velhote já olhou várias vezes para aqui a pensar que sou um cotão das ceroulas… quando vier a mulher da limpeza, daqui a dois dias, descobrem a trapaça e estamos lixados! Rápido!...
Brobuteia inclinou-se para a frente, preparando o salto. Lá em baixo, Amílcar esfregou de contente as mãos do general da pintura, posicionando-se para receber aquele rabo branco e perfeito que há tantos meses ansiava. Lá para Julho, Brobuteia saltou, finalmente.
- Aí vou eu! Segurai-me que sou uma louca!
- Vem! Anda, que te amparo pelas nádegas, meu pedaço de febra!
A descida, como nos filmes, demorou alguns minutos. Amílcar, com os braços do general estendidos e a tremerem, fechou os olhos do general. Numa questão de segundos, o rabo da Brobuteia pareceu-lhe maior do que aquilo que via da prateleira e ali de baixo. Teria sido enganado? Do outro lado da sala, um grito triunfante do dono da casa apanhou-o desprevenido.
- Upa!... - gritava o dono.
A senhora da limpeza, com uma lingerie púrpura cheia de rendas e muito foleira, agitava o espanador do pó enquanto tentava bater palmas.
- Engrácia, chegue-me aí outro penico. Esta operação às cataratas transformou-me num lince! Não há maçaneta que hoje escape aos meus lançamentos.
Amílcar, subitamente, caiu em si. Sim, tudo fazia sentido. O estúpido do velho, operado aos olhos há três semanas, treinava a pontaria que a nova visão lhe permitia ter, atirando penicos de porcelana branca à maçaneta da porta, ou seja, às nádegas da Brobuteia. Obviamente, quem se quedava em cima dele, não era a Brobuteia, mas sim o penico de porcelana. Brobuteia, atingida violentamente no cóccix e assim atordoada, caía também. O penico caiu com um estrondo ensurdecedor em cima do Amílcar, fazendo-o em cacos e desfazendo-se também em pedaços de porcelana branca com cheiro a urina. Brobuteia caiu logo a seguir, lascando-se nas nádegas. Como estava atordoada nem deu pela morte a chegar. Amílcar só teve tempo de arregalar os olhos do general, pois em poucos segundos um dos olhos ficou em cima do tapete e o outro foi para debaixo da estante de pau-preto.
- Porra, que já parti isto tudo! - gritou o velho.
- Ai, tão giro! Atire outro, atire outro! - guinchava a senhora da limpeza, abanando o rabo disforme e gorduroso.
E assim terminou, dramaticamente, o segundo maior romance da história daquela sala. Porque o maior, estava para vir a seguir, quando uma das cadeiras piscou o olho às ceroulas do velhote. Mas isso, é outra estória.
Moral desta estória: se faz favor, coma cenouras enquanto é novo, para não ter de ser operado às cataratas quando for velho e depois estragar um romance como este, está bem? pickwick

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Sábado, 8 de Janeiro de 2005
Coração


Esta é a história de um coração
que andava pelo Mundo procurando uma razão,
uma razão para viver, uma razão para morrer,
uma razão para continuar a cantar
ao ritmo marcado pelo vento,
uma razão para viver a vida, de dia e de noite, de noite e de dia,
cantando sem parar, procurando a verdade,
ao ritmo de um Güagüancó.

Coração de cristal,
coração de madeira,
coração de verdade,
coração que bombeia,
coração armadilhado,
coração da guerra,
coração da paz,
coração da minha terra,
coração que não ri,
coração que não sente,
coração que não canta,
coração que morre,
coração transparente,
coração que não mente,
coração que se move,
coração da minha gente.

4 eram os Beatles,
30 pétalas tem a margarida,
10 são os mandamentos
e apenas uma a vida.
40 são os ladrões,
0 as regras para o amor,
4 são as cores, milhares as flores,
e apenas um o coração.

O coração pequeno e forte
continuava viajando e conhecendo o Mundo.
Encontrou outro coração que, como ele,
procurava um sítio para viver, para morrer,
para continuar a cantar,
ao compasso desse ritmo criado pelo vento.
E com tudo o que viu e escutou
por aí escreveu uma canção,
a canção do coração que canta.

O coração continuou marchando
com um sonho na mão,
conhecer o amor,
encontrar um irmão,
um coração diferente
que cantasse o presente,
que quisesse acreditar
que havia um mundo melhor.

No dia em que chegou ao mar
lançou uma garrafa
com uma breve mensagem
que aprendeu na viagem.
Que era baixo o céu,
havia um mundo imperfeito
com um coração bom
que continuava cantando.

4 eram os Beatles,
30 pétalas tem a margarida,
10 são os mandamentos
e apenas uma a vida.
40 são os ladrões,
0 as regras para o amor,
centenas são os países,
mil as raízes,
e apenas um o coração.

Coração que parte, que sobe, que canta,
que morde, que vale, que vem e que vai.
Coração que escuta, que cala, que grita, que baila,
que sabe, que fala, que se ouve palpitar.
Coração que se sente, que salta e que cai,
que ladra, que pede e que não tem nada.
Ele que agora vem, ele que se vai, ele que te oferece,
ele que te dá, ele que te toca, ele que te foge,
ele que agora quer,
ele que agora basta.

Que canta, que canta, que canta, que canta, que canta.

Coração de leão,
coração de pantera,
coração por amor,
coração que não espera,
coração de uma noite,
coração de luta,
coração de paixão,
coração, coração.
Coração de leão, que canta,
coração de pantera, que canta,
coração por amor, que canta,
coração que não espera, que canta,
coração de uma noite, que canta,
coração de luta, que canta,
coração de paixão, que canta,
coração, coração,
que canta, que canta.


Letra e música de Jovanotti, Jarabe de Palo, Ernesttico
Tradução livre de riverfl0w

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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004
O Sol e a Terra
É feio plagiar-se, mas, aproveito este breve momento em que a vergonha foi dar uma curva ao virar da esquina, para plagiar alguém: “Sonha com o Sol e a Terra a beijarem-se.... como nós....” Isto é o que se chama o mote introdutório. Também se pode interpretar como uma clara provocação, se houver contexto para tal. É que, a bem dizer, e porque ainda não atingimos a senilidade profunda, o sol e a terra não se beijam. Certo? A terra não tem beiços. Mesmo que tivesse, queimava-se tudo. Todo o mundo sabe que perto do sol não se aguenta. Aquilo é um braseiro brutal. E o sol teria beiços feitos de quê? Francamente, não pode ser. Só vejo mesmo aquela frase como sendo uma provocação. Uma grande provocação. No devido contexto, está claro. Assim tipo tentar fazer uma história com coisas que não existem, sobre coisas que existem, mas disfarçando para não se dizerem mesmo as coisas que existem, porque as que não existem são sempre um bom disfarce. Ou parecido. Isso tem um nome, que se aprende na escola, mas agora não me ocorre, nem o nome, nem a escola. Mas posso dar mais cordel à coisa. O sol e a terra. Lembra-me a madrugada, fria, escura, como que abandonada. Por cima das colinas, chega o sol, sorridente, quente, reconfortante. Aos poucos, a terra sorri-lhe também, pois acabou-se a solidão de mais uma noite de trevas. Há ali uns momentos íntimos que nos escapam numa observação pragmática de quem ainda esfrega os olhos. Mas eles estão lá, esses momentos íntimos. Faz lembrar um par de namorados que não se vê desde o dia anterior, atulhados em saudades e mais saudades, ansiosos por caírem nos braços um do outro, cada qual gelado e triste por uma noite passada ao abandono, mas também cada qual sentindo-se o sol que aquecerá, com um abraço carinhoso, com um beijo atiçado, a alma fria do outro. Faz-se um papel duplo, a bem dizer, reconfortados por sentirmos que nos aquecem, satisfeitos por sentirmos que aquecemos alguém. Como o sol aquece a terra. Afinal de contas, é como que um beijo do sol na terra, devolvido na mesma moeda; se não houvesse terra para aquecer, realmente, para que precisava o sol de ser sol? Bastava-lhe ser um calhau frio e mal jeitoso a flutuar na imensidão do universo. Como quem não ama. pickwick
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2004
CDs
“CD. Compact Disc. Identifica genericamente os discos ópticos.” Está bem. Isto é o que diz num glossário que encontrei na Internet. Nada de novo, até porque CDs são CDs e já toda a gente sabe o que são e para o que servem. Quando derretidos com um isqueiro dão formas artísticas muito originais. Voam, se não precisarmos mais deles e estivermos chateados com alguém. Enfim, é o que se chamam objectos multiusos. Mas, este título reverte para algo mais animalesco do que um prato sintético. Ontem cruzei-me com uma frase que me deixou meio pendurado de uma teia de aranha, algures lá bem no alto. Dizia assim: “… pensava que o meu coração já estava muito duro para amar…” Coração duro. CD. Eu sei, não bato certo, com estas associações de siglas. Não faz mal. Fiquei a pensar para comigo como é esta coisa de um coração muito duro para amar. Uma renúncia, voluntária ou involuntária, àquilo para que o coração foi mesmo desenhado e construído: amor! Dar e receber. Como é que se chega a tal ponto? A vida traz-nos dissabores, amarguras e muitas frustrações, mas é também fonte de alegria, júbilo e muitos sorrisos. Creio que isto passa mais pelo voluntário do que pelo involuntário. O que não faltam são pessoas que passam por tormentos atrás de tormentos, amargam cada minuto que passa, e mantêm o coração sempre disponível para dar o amor. Eternamente fofos, esses corações. Como uma “Bola de Berlim” acabadinha de sair do forno. No entanto, muitas outras pessoas optam por congelar o forno. Não há cá bolos acabados de sair do forno para ninguém. É dureza e mais nada. Nunca se sabe bem se é uma opção estratégica para não levarmos mais daquelas facadas da vida, se é por vermos o nosso mundo confinado a um carreiro sinuoso numa montanha agreste, mesmo à nossa frente. Algo nos faz sentir o coração duro. Incapaz de amar. Muito lá no fundo, desejamos ser capazes de o fazer, com muita intensidade, com muita luz, e por muito tempo, mas, ou já consideramos isso um sonho inatingível, ou simplesmente recusamos enveredar por esse trilho. É uma sensação muito estranha. Uma espécie de conforto mórbido, como que estendidos num caixão, em pleno cemitério dos sentimentos, num marasmo, numa paz desassossegada. Até ao dia em que o destino nos prega uma partidinha e, quando damos por isso, zás! Somos apanhados de surpresa por um sentimento que já quase nos custa a reconhecer, tão distante fica a prateleira para onde o atirámos no passado. Cambaleamos com o peso e ainda levamos algum tempo até conseguirmos reunir as tropas lógicas para pedirmos contas ao coração sobre o que se passa. Encostamo-lo à parede com uma espada de cera e perguntamos: “Então, pá? ‘Tás parvo, ou quê? ‘Tá a dar-te alguma coisa ruim?” E ele responde timidamente “Simmmm…”. Ligeiramente irritados com a resposta, pressionamo-lo ainda mais com a espada. Esta, começa a derreter-se. Se fossemos espertos, usávamos uma espada a sério, mas não, com o coração, fala-se sempre com uma espada de cera. É uma regra! Sem excepção! Esbugalhamos os olhos perante a cena, a cera a derreter-se toda, o coração a rir-se p’ra gente. Fulos, perguntamos “Então, mas q’esta m…., pá???!!”. A resposta vem crua e fulminante: “Cala-te, oh mongo, monte de esterco mal disposto! Não vês que estou a amar?”. (Nota do autor: o coração fala assim, mas é só fachada; ele gosta da gente, mas às vezes tem de dizer assim estas coisas ordinárias, para ser mais convincente e ser levado a sério…) pickwick
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Domingo, 26 de Setembro de 2004
As gajas do meu tempo 2
Este segundo tomo tem o subtítulo “Explicadas a quem não percebeu, e a mim também”. O “paleio inteligente e sugestivo” era de facto um paleio divertido. Um rapazola dos seus 20 anos galanteava uma moçoila um pouco mas velha que ele, já muito mulher e senhora do seu nariz, algures num canal de chat. Ela, que é conhecida pela sua simpatia, não estava muito pelos ajustes com o discurso. A bem dizer, ela até o conhecia e sabia bem a linda prenda que ali estava. Independentemente disso, o rapaz desfazia-se em rasgados elogios e palavras muito românticas. Mandava-lhe rosas. Dizia coisas bonitas. Obviamente ele estava na brincadeira. Eu sei que ele até queria que não fosse na brincadeira, mas há que encarar a realidade de frente, e essa não perdoa. Perante o desdém da moçoila, corri em socorro do rapaz, com o argumento vistoso de que “no meu tempo as gajas não eram assim”. Eu também disse isso na brincadeira. Confesso que não tenho bem a noção se eram ou não eram, ou se as de hoje são ou não são, e isso pouco importa, para ser franco. Mas, entrar em comparações entre o passado e o presente, é sempre meio caminho andado para se dizerem muitas asneiras. Em resumo, dizer que dantes as miúdas gostavam de ouvir palavras bonitas e receber flores, e que as de hoje não, e até acham ridículo se um rapaz vai por esse caminho. Será? Não sei. A questão é que, quando enveredamos pelo caminho da comparação fácil com um passado que vive na nossa imaginação, é provável que estejamos apenas a comparar presenças e ausências. Ou seja, trocado por miúdos (a pedido de alguém), ou temos, ou não temos. Ou temos uma mulher a quem podemos dizer coisas bonitas com cheirinho a romance, ou não temos. E se não temos, é fácil identificar o problema: as gajas dantes não eram assim! Quanto temos, bom, o resto do post também era sobre isso. Ser-se ou tentar ser-se romântico. Até parece que se é intencional. E é-o, de facto. Não se é romântico ficando de papo para o ar a ler o jornal ou de olhos colados na TV. A própria noção de romântico deve ser deixada apenas para ela, que melhor poderá avaliar. Embora romântico e apaixonado sejam uma parelha inseparável. No entanto, quando queremos dar algo, daquele tipo de coisas que não se metem numa caixa, recorremos a uma série de estratégias e malabarismos. Intencionalmente. Sempre intencionalmente. É curioso que, quando falamos em intencional, acende-se sempre o holofote da desconfiança, tornando as intenções sempre de foro maligno. A nossa sociedade ensina-nos a ser assim, desconfiados, pouco crentes e a colocar um gigantesco sinal negativo na palavra “intenção”. A realidade é que, por mais que digamos que não, tudo o que fazemos é com intenção. Senão, seríamos todos uma cambada de asnos atados uns aos outros pela corda da estupidez. Não dizemos à mulher de quem gostamos “adoro-te” sem nenhuma intenção. É muito intencional. Muito mesmo! Saltam logo à vista duas intenções muito óbvias, neste exemplo: uma, porque sabemos que ela vai gostar de ouvir, vai ficar contente, vai sorrir, o ego sobe por ali acima, sente-se feliz, e nós ficamos satisfeitos por isso acontecer; outra, porque muitas vezes não conseguimos conter dentro de nós próprios aquilo que sentimos, e temos uma necessidade incrível de soltar cá para fora esse sentimento, dizer a alguém, contar a alguém, e tanto melhor se é precisamente a pessoa por quem sentimos o que sentimos. E todos os gestos que fazemos, todas as frases que dizemos, todos os beijos que damos, pautam-se sempre por estas duas intenções. Sempre intencionalmente. Depois, vem o medo. Claro, esse! O discurso mais fácil é o de remeter tudo para os tempos de hoje, as gajas de hoje e tudo o mais de hoje. Já os gregos faziam o mesmo. O medo está presente nas relações. Sempre. Em maior ou menor dose, por este ou aquele motivo, está lá sempre. Sentir medo é humano. Só os loucos não o sentem. Sentimos medo dos outros, medo da nossa relação e, pior que tudo, sentimos medo de nós próprios. O rapazola do início do post, por certo que pensará duas e mais vezes nas ocasiões futuras que se prestarem ao desenvolvimento daquelas frases bonitos e rosas virtuais. Sentirá medo. Medo de ser ignorado. Medo de se rirem na cara dele. Medo por não ser correspondido na mesma medida. Medo de não ser compreendido. Traumatizado, algum dia decidirá que as mulheres não querem mais ouvir baboseiras nem serem tratadas como princesas de um conto de fadas. Eventualmente, depois dessa decisão, chegará até ele uma que sempre sonhou ser a princesa do conto de fadas de algum príncipe. Tarde demais! Ou talvez não! Enfim, agora que confundi quem não tinha percebido, e que cada vez menos percebo aquilo que escrevo, chegou a hora de meter o ponto final neste derramamento de trocadilhos. pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:58
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Sábado, 25 de Setembro de 2004
As gajas do meu tempo
Acabei de estar embrulhado num paleio inteligente e sugestivo sobre a reacção das mulheres de ontem e de hoje aos gestos cavalheirescos e de plena devoção dos corações masculinos que palpitam por elas. Tem que se entrar logo no discurso do “no meu tempo”, porque é inevitável. Aliás, até fica bem. Fica bem, mas habitualmente cai-se no disparate da comparação desmedida, da palavra fácil, do julgamento sem argumento, do comentário depreciativo, enfim, é sempre a dar nos costados. Não quero entrar em comparações. Ou melhor, quero, mas discretamente, sem que se perceba que as estou a fazer. Quero comparar, não as gajas do meu tempo com as gajas deste tempo, mas sim quando se tem uma gaja que gosta de ser do meu tempo com quando não se tem essa gaja. Não sei se me fiz entender… Em vez de comparar uma travessa de leite-creme com um balde de comida para porcos, compara-se o quando tínhamos a travessa com quando não a tínhamos. Assim, creio que somos mais fiéis ao que pensamos realmente. Concentramo-nos na riqueza daquilo que temos, em vez de gastarmos energias a pensar no que já tivemos, ou que sonhamos ter, ou no que os outros têm. Há que dar valor, em tempo real, ao que temos. A vida não é fácil para ninguém, e todos os pedaços de felicidade que batem à nossa porta devem ser convidados a entrar e a passar uns anos connosco. Uns longos anos. Mas, a conversa era mesmo por causa da receptividade das moças aos embates dos nossos arremessos de romance. Ser-se romântico não é fácil. Ou melhor… não se é romântico. Tenta-se ser. Tenta-se que esses nossos arremessos sejam recebidos com um sorriso imenso e um galopar do coração. Que haja eco nas nossas palavras, nos nossos gestos, nas nossas vontades expressas de uma forma ou de outra. Quando uma palavra não basta para expressar o que sentimos, multiplicamos as formas de o fazer saber a ela. Com mais jeito ou menos arte, ou vice-versa, lá nos aventuramos a fazer isto ou dizer aquilo. Não há que ter medo! Medo de quê? Que hoje os nossos arremessos sejam ridicularizados? Que pareçamos demasiado lamechas para a velocidade e a frieza com que correm os dias? Ou medo simplesmente de mostrar o que nos vai cá dentro? Quem tem medo, compra um cão! Ou escreve num blog! Ups!... Isto não era para se dizer… pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:00
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2004
Intimidade
A intimidade é uma coisa muito gira. Sermos íntimos. Há quem não goste. Há quem prefira carapaus fritos com arroz de tomate, mas não faz mal. Mas a intimidade é assim como que a porta de entrada para outro mundo, outra dimensão. As distâncias encurtam-se e não conseguimos esconder um sorrisinho de prazer por não haver barreira alguma entre o nosso coração e o coração da outra pessoa. Podemos perguntar porque nos faz uma carícia na bochecha, e respondermos sobre o que sentimos quando lhe beijamos o pescoço. Sei lá. Dá para tudo. Uma imensidão de sentimentos, de toques, que podemos explorar a dois, sem receios, sem vergonhas, sem precisarmos de nos entalar atrás de uma máscara protectora. Podemos olhar nos olhos, passar horas assim, sem sermos assaltados por dúvidas e incertezas. Podemos passar horas a tocar-nos, com o mesmo à vontade, com a mesma liberdade, com as mesmas certezas. É sentir que apenas o corpo físico nos separa, enquanto que tudo o resto se une. E mesmo esse, colado carne com carne, pele com pele, em pouco tempo se funde num só. É podermos esgravatar lá no mais fundo dos nossos sentimentos, para os procurar descobrir e partilhar. Porque só assim conseguimos viver a intimidade. Partilhando. Tudo. Até ao minúsculo grão de areia emperrado naquele cantinho do coração. pickwick
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publicado por riverfl0w às 18:12
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2004
Um dia no paraíso
Ela é loira, espampanante, linda de morrer, boa como o milho e como a broa, vestida da maneira mais sexy que se possa imaginar. A luxuosa limousine passa veloz entre o trânsito, a caminho do restaurante à beira-mar, com vista para a marina cheia de iates e barcos de recreio. Antes da refeição, um mergulho na piscina privativa e requintada do restaurante, para abrir o apetite. Almoçam-se lagostas, engole-se caviar descontraidamente, o champanhe de oitenta euros borbulha nos copos, os empregados deambulam à nossa volta para que não nos falte nada, as iguarias a preços exorbitantes sucedem-se umas às outras. Vêm as sobremesas, coisas nunca antes vistas, numa diversidade impressionante de sabores e arte. Sai-se do restaurante e desce-se para a marina. No bolso já salta a chave no barco de recreio onde passaremos as próximas horas. Um barco grande, veloz e com muitos extras. Parte-se em direcção ao horizonte, ela despe o vestido curto, ficando-lhe sobre a pele bronzeada e muito cuidada aquele biquini minúsculo e provocante. Passam-se praias e rochedos, ultrapassam-se gaivotas e golfinhos, ao longe avistam-se umas ilhas. Aproximam-se. Aparecem coqueiros, praias desertas, areias sem fim. Abrimos a arca frigorífica e tiramos o repasto que fará o lanche: camarões, vinho verde e gelado de manga. Suspira-se. Afinal de contas, isto é um verdadeiro dia no paraíso. Mas, eu sou um gajo de gostos simples. Um programa destes era tédio garantido. Do que eu gostava mesmo, mas mesmo, mesmo, mesmo, era de ir até um local sossegado. Na companhia de quem me faz feliz e me consegue arrancar um sorriso quando estou mais carrancudo. Um local sossegado, pode ser à beira de um rio de águas límpidas, à sombra de algumas árvores, sem ninguém. Apenas nós os dois. E um guarda-rios muito azul que debica no leito do rio em busca do almoço. Um mergulho num rio destes vale um milhão de praias. Não é preciso ser loira, nem usar biquini tanga. Basta ser ela! E haverá algo mais romântico do que um piquenique aqui? Não me parece! Para a ementa, não haja requinte! Sandes mistas, rissóis, salada e tigeladas. Água serve muito bem para acompanhar. E depois, francamente… um barco de recreio? Mas haverá algo melhor que dormir uma sestinha ao colo da mulher por quem estamos de beicinho caído e que nos adormece entre um olhar, um sorriso e muitas carícias? Ou tentar dormir… porque se tem sempre receio de adormecer e perder minutos daquele cenário tão transbordante. E passar umas horas com ela nos meus braços, conversando, escutando ora a sua voz, ora o passar do vento entre as árvores, ora o seu riso alegre, ora as águas do rio entre as pedras. E também há lanche, atenção! O resto das sandes, do fiambre, do queijo, dos rissóis, uma fruta. Um passeio, atravessar uma ponte sobre o rio, ver uma cobra-de-água a caçar um peixe, ver muitas árvores, olhá-la de soslaio e pensar o quanto estou bem ali na sua companhia. Enfim… Como é que era mesmo o título deste post? “Um dia no paraíso”? Exactamente! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:18
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Domingo, 5 de Setembro de 2004
Virtual pleasure – The Princess
Numa noite recente, estava eu aqui sem nada para fazer, ou pelo menos sem vontade de pegar no muito que tinha para fazer, quando descobri na Internet um site que vinha mesmo a calhar para essa noite tão solitária. Era em www.virtualpleasure.com e não é preciso explicar mais. Ou é? Havia vários programas para ocupar a noite com algo que nos desse um prazer para além do real. Bastava termos os olhos bem abertos, um microfone e uns auscultadores (colunas de som não convinha, por causa da vizinhança). Entre todos os programas disponíveis, houve um que me atraiu, não sei bem porquê. Deve ser por andar meio lamechas, ultimamente. Chamava-se “The Princess” e não hesitei muito em o escolher. Isto ia meter uma princesa, obviamente. Já era quase meia-noite, portanto, uma belíssima hora para uma coisa destas. Depois que cliquei no botãozinho que dizia “Go and be happy”, os acontecimentos sucederam-se a uma velocidade que ainda agora não consigo definir se era lenta, normal ou demasiado rápida. Ora bem, vamos lá a contar a coisa. A história, resumidamente, era um cavaleiro que faria uma viagem até um castelo longínquo, “roubaria” a princesa ali mantida prisioneira, levá-la-ia para uma cabana algures no isolamento de uma floresta, passaria a noite com ela, e, no dia seguinte, devolvê-la-ia ao castelo mesmo a tempo de alguém dar pela sua falta. Estas estórias modernas, realmente, não são como as de antigamente. Dantes, a princesa não voltava a ser prisioneira, ora bolas. O cavaleiro levava-a e pronto, eram felizes para sempre. Enfim. Modernices!... Adiante. Aquele site deve ter muitas visitas. Ó pá! A parte da viagem, que não interessava para nada, demorou quase uma hora. Irritante! Depois, o site foi abaixo logo na altura em que chegava ao castelo. Era suposto meter a princesa na garupa do cavalo e zarpar para a cabana na floresta, mas o que é certo é que ainda tive de gramar ali quase hora e meia à espera que metessem o site a funcionar novamente. Já estava a dar em doido. Ainda reiniciei o pc a pensar que o problema seria daqui, mas não, era mesmo deles. Assim que o site retomou a actividade, apareceu a princesa. Bem, um luxo. O site tem umas opções para se escolher a figura da princesa, assim bastante sofisticadas. Com jeito, consegui fazer uma montagem que ficou igualzinha à rapariga que eu mais desejava que fosse a minha princesa nessa noite. Impecável! A parte do corpo é que foi mais engraçado. Os gajos aí só tinham uma opção. Nem havia hipótese de escolha. Era corpo perfeito e mais nada. Isto não é bom, porque há muito gajo que prefere miúdas com mais de 150kg, e assim nem participa, tal é a desilusão. Mas, no meu caso, assentou que nem uma luva. Um corpo perfeito é o que tem a rapariga que eu desejava que fosse a minha princesa nessa noite. Assim, de alto a baixo, ficou igualzinho. Cinco estrelas. Viva a tecnologia! Na garupa do meu cavalo, linda de morrer, ia a princesa. Mais uma seca de viagem por montes, vales e florestas, até à cabana. Tenho de mandar um e-mail para ver se eles encurtam essa parte, que não tem piada nenhuma. Já na cabana, notava-se logo uma falhas. Não havia lareira. A sorte é que não estava frio. Também não havia uma cama! Ao menos um sofá, poxa! Mas nem isso! Estenderam-se umas mantas no chão e já fomos com sorte. A partir daí, uma vela iluminou-nos até se apagar, e a noite não foi noite, mas sim horas e horas de… de… enfim… Eu nem tenho palavras… Inexplicável. Também não vou entrar em detalhes. Mas foi… Eu sei lá!... Podia ficar assim dias seguidos! Um gajo não se farta! Nunca, quando estamos com a rapariga com quem mais gostamos de estar, a nossa princesa deste sonho que é a vida. O único atrofio era um relógio daqueles antigos que fazem ding-dong-ding e dão as badaladas de hora a hora, e às meias horas fazem ding. Ou dong. Sacana do relógio! A manhã nasceu cedo e o sol penetrou por entre as fisgas da janela. Diz-se que, se queremos saber se uma mulher é realmente bonita, o teste infalível é ao acordar. Se for mesmo bonita, acorda igualmente bonita, senão, é uma farsa. E esta? Estava perfeita! Eu se não estivesse já irremediavelmente apaixonado, era ali mesmo que o ficava. Princesa que é princesa, toma o pequeno-almoço na cama. E um cavaleiro nunca nega os direitos a quem de direito, daí que lhe fui levar o dito à “cama”. E o dito era, dentro das limitadíssimas opções disponíveis no site, duas rodelinhas de ananás e um copo de sumo de alperce. É lindo levar o pequeno-almoço à cama, a uma princesa, mesmo que seja de ementa limitada. Conta a intenção e o gesto, e, princesa que é princesa, sabe disso. Mais tarde, fiz-lhe um almocinho ligeiro e levei-a de volta ao castelo, mesmo a tempo de as gentes aparecerem para mais um dia entre muralhas. Sobra, agora, a recordação. Parece que ainda sinto os seus lábios nos meus, nas mordiscadelas provocadoras, o toque naquela pele macia, o abraço contínuo, e a insubstituível companhia. É escusado ir ao site agora, pois está em baixo. Pode ser que qualquer dia o voltem a meter online. Espero que sim. Quanto a ti, minha princesa virtual, seja o perpetuar dos meus beijos e do calor do meu abraço o preenchimento dos teus sonhos passados e futuros. pickwick
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publicado por riverfl0w às 17:38
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