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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
O rego, as saias, a baleia e a caspa
Hoje, que foi um dia sombrio e humedecido por uma chuvinha constante, fui forçado a reparar que a Marta trazia metade do rego do cu à mostra. Não se pense que tenho um fetiche qualquer, ou que passo a vida a espreitar para o fundo das costas de todas as mulheres. Nada disso. Trata-se de uma simples e inocente questão de contraste de cores. Eu explico: a pele é clara, a roupa é escura, logo uma combinação escuro-claro-escuro faz realçar a parte clara, ou seja, a pele. Percebido? Confesso que fiquei um bocado chocado. Por um lado, estamos no Inverno. Por outro lado, o princípio do rego do cu, ou o início das entre-nádegas, é uma cena muito sexy. Consegue, até, ser excitante. Mas, é mesmo só o princípio. Quando metade do rego fica ao léu, perde toda a sensualidade e faz lembrar uma cigana fumada a preparar-se para defecar atrás de um frigorífico ferrugento. Torna-se, portanto, chocante! Após alguma meditação, cheguei à conclusão que este acidente visual teve origem na falta do cinto nas calças. Nada de extraordinário. Estas visões chocantes têm o condão de me transportar para outras dimensões. Neste caso, para a dimensão das saias. Veio-me à alembradura, mais uma vez, aquela teoria que persegui durante anos, mas que nunca alcancei, sobre o que condiciona o uso de saias nas mulheres. Nos homens, é fácil: ou se é maricas, ou se é escocês, ou se tem uma inflamação testicular incurável. Nas mulheres, ficou por descobrir. Durante anos a fio, observei com atenção que o uso de saias não se distribui no tempo de forma uniforme. Isto é, há dias que dá para andar todas de saia, dias em que não se vê uma saia, e dias assim-assim. Ao princípio, associava a opção de vestuário a factores meteorológicos: se está frio, andam de calças, se está calor, saias para arejar as partes baixas. Teoria refutada rapidamente pela verificação casual de que havia mais saias do que calças em dias de frio e chuva, e mais calças do que saias em dias de calor. Terá que ver com a lua? Nunca me dei ao trabalho de fazer registos e comparar com um calendário lunar. Vento? Telejornal da véspera? Humidade relativa do ar? Satélites artificiais? Magnetismo da Terra? Nunca cheguei a perceber. Aliás, nunca cheguei a tratar o fenómeno com rigor científico. Apenas deambulava pelas ruas, exclamando: “olha, hoje está a dar-lhes para as saias”, ou “ora bolas, hoje que me apetecia ver umas pernas, andam todas de calças”. Olhei novamente para o rego do cu da Marta. Os meus pensamentos voaram novamente, desta feita para uns curtos minutos do dia de ontem, durante os quais estive – em casa de uma amiga - frente a frente com uma TV alimentada por uma antena de interior, originando uma imagem muito rasca, ora a cores, ora a cinzento, cheia de chuva e riscos. Três pessoas – dois homens e uma mulher – estavam sentados num sofá, de mãos dadas, tipo gostamos-de-comer-a-três, esperando ansiosamente um anúncio. Veio um anúncio, um dos bisontes ganhou qualquer coisa e os três abraçaram-se com paixão – os dois que não ganharam estavam com uma paixão intensa para torcer o pescoço ao outro e partir-lhe ambas as pernas e os dentes e a cara toda, mas isso mais ninguém reparou. O bisonte afastou-se e o outro bisonte e a baleia ficaram de mãos dadas, com o mesmo ar anormal que tinha antes, quando eram três. Depois disseram não sei quê, eles levantaram-se, foram não sei para onde, deram um grande plano da mulher-baleia e aí eu perdi a paciência. A minha anfitriã ainda tentou amenizar a coisa, porque ah e tal, ela é da Madeira, e até é engraçadinha de cara… mas lá achou que, com o ar de vómito que eu exibia, com os trejeitos de completo nojo que preenchiam por completo o meu rosto, não valia a pena insistir mais a defender a miúda. Eu sou pouco tolerante a coisas feias e mal feitas em grandes planos televisivos, pronto, admito. Olhei novamente para o rego do cu da Marta. Depois para o cabelo da Carolina. Mais um pensamento fantástico. A caspa está praticamente erradicada. Há longos meses, diria mesmo que para cima de um ano, que não vejo caspa nos cabelos das pessoas à minha volta. Aliás, nem em mim. Sinal dos tempos? Tempos de mudanças climatéricas, a caminho do derradeiro holocausto? Falta de chuva? Secura? Água da rede com bactérias letais para o vírus da caspa? Olhei novamente para o rego do cu da Marta. Estava tapado pelo casaco. Foi do frio, pois claro. Enfim, sem nojo, não há pensamentos que me aflijam! pickwick
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publicado por pickwick às 10:08
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
A solha nojenta
Há umas noites atrás, fui convidado para jantar em casa da minha fã número um. Eu até não desgosto de lá ir comer. Há sempre qualquer coisa de esquisito na mesa, no seu conjunto, mas, a mim, o esquisito não afugenta. Ao subir as escadas, pensei para comigo: ui, ‘tou com uma fome tal que ‘tou capaz de comer duas vacas inteiras e ainda sobra espaço para a sobremesa! Eu gosto de ir jantar com esta perspectiva de vida. Dá aquela sensação de vida boa, de abundância, de felicidade, de muita saúde. Há que aproveitar o colesterol andar ocupado com outrem. Subi, toquei, ela veio abrir a porta, e, repentinamente, entraram-me pelas narinas aquelas partículas microscópicas que trazem consigo o odor ao jantar. E as partículas que trazem o odor a um jantar, também trazem o odor a qualquer porcaria imunda que esteja presente. Neste caso, e para grande desespero meu, o odor era: a solha – esse animal nojento, fedorento e pré-histórico! Essa aberração da natureza! Esse excremento dos oceanos! Um nojo! O mundo perfeito de um manjar de carne desmoronou-se ali mesmo à minha frente, enquanto a minha anfitriã se mentalizava para, pacientemente, me aturar o resto da noite. Aturar-me a mim e ao meu repúdio pelos animais com espinhas. Exclamei vozes de ordem contra a opção gastronómica, apesar de não me ficar nada bem reclamar dentro das paredes da casa que me acolhe. Fiquei desvairado, sim! Como louco! Que nojo, solha! – gritei! Não é solha, é douradinha, respondeu calma e condescendentemente a minha anfitriã. Douradinha? Não se chama “douradinha” a um peixe, carago! Quando muito, “dourado”, ou “exterco-aquático”, mas “douradinha” é que não. Douradinha é o que se chama a uma loiraça podre de boa a desfilar com um biquini dourado. Ou sem biquini, mas com cabelo comprido. Agoniadíssimo com o fedor, enchi-me de coragem e penetrei na penumbra de mau cheiro em que se tinha transformado a cozinha. Impressionante! Numa travessa, ladeados por quatro rodelas de limão, repousavam os dois defundos. Peixes, claro. Ela insistia que eram douradinhas. Eu, que sou vidente nas horas vagas, vi logo que se tratava de solhas nojentas. Há cinco grandes classes de peixes: os carapaus, as sardinhas, os bacalhaus, as solhas e as lulas. As solhas – que abarcam uma grande variedade de peixes vendidos habitualmente no mercado – destacam-se pelo nojo que provocam em seres humanos com bom gosto, como a minha ilustre pessoa. Arrepiantes. Grelhadas! A minha anfitriã que tire o cavalinho da chuva, porque nunca mais vou comer bifanas grelhadas naquela chapa! Jamais! Pasma-me a alma como há gente – entre a qual a minha anfitriã – que exclama coisas bonitas e solta gemidos de prazer enquanto mastiga e engole nacos de solha. Não compreendo, a sério. Será por ser gaja? Eu sempre imaginei que um bando de mulheres nuas numa praça de peixe entraria facilmente numa histeria colectiva, numa loucura sexual em massa, a esfregarem-se todas com solhas e carapaus, gemendo e guinchando de imensos prazeres, com escamas perdidas nos cabelos molhados, rabos de peixe a sair das bocas badalhocas, enfim. Uma orgia em jeito de semi-fábula-erótica. Deve ser por isso que as mulheres têm uma predilecção natural para os pratos de peixe. Pronto, a muito custo, entre mil caretas, meia dúzia de arrotos e uma agonia profunda, enfiei goela abaixo a maldita solha, sem espinhas, sem restos de tripas, sem escamas, sem aqueles nacos de gordura sebosa dos oceanos acumulada à passagem pelas descargas de não sei quantos petroleiros. Devo ter levado uma boa meia hora para o fazer. Ela ria-se. Não sei de quê. A agonia alheia não deve ser motivo de riso. E muito menos a minha agonia! Blerk! Que solha nojenta, pá! No dia seguinte, andei de caganeira (perdoem-me a expressão, mas é o termo que melhor enquadra as revoluções intestinais que me assaltaram), como se a solha ingerida estivesse prenha e houvesse parido dentro das minhas tripas, dando à luz milhares de solhas nojentas, de tamanho minúsculo, grelhadas, assim ao bom estilo dos filmes tipo “Aliens”. Felizmente, o corpo humano vem dotado de capacidades fantásticas e conseguiu expelir naturalmente o cardume de solhas. Isso deu-me margem de manobra para enfrentar, de forma séria e consciente, dias mais tarde, a Ceia de Natal da minha instituição. Ui! Que até doeu! pickwick
publicado por pickwick às 17:42
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007
Que nojo!!!

Poxa, ainda agora me tinha visto livre da Arlete… e já me caiu no olho mais um horror da natureza humana. Não sei bem explicar, por isto há coisas que são mistérios ao quadrado, mas fui parar a um site muito sugestivo, onde os carecas imperam. Teoricamente, não haveria nada de mal, todos têm o direito de ser carecas, é como os piercings e as canecas de cerveja equilibradas em cima da barriga inflacionada, e as tatuagens na nádega e as calças-boca-de-sino. Mas, isto acabou num quase filme de horror! Gajos carecas, ainda vá, dá um ar maduro, poupa-se no barbeiro e nos pentes e nos champôs para piolhos, enfim, não fica mal. Mas… gajas?! Gajas carecas?! Mas anda tudo parvo, ou quê? Gajas sem cabelo? Não é normal. Esta gente não é normal. Estas gajas não são normais. As gajas já têm uma natureza que enfim, mas as carecas excedem-se! E metem nojo. Ora vejamos:

Temos, por uma ordem qualquer: Cameron Diaz, Britney Spears, Brooke Shields, Victoria Silverstead, Cindy Crawford, Sandra Bullok, Uma Thurman, Demi Moore e a Sharon Stone “perna-aberta”. Incrível. Parece aquela série que dava na televisão em que os gajos e as gajas eram de um planeta qualquer e não tinham cabelo e em vez disso tinham varizes nojentas e pareciam periquitos embalsamados e untados com óleo-de-fígado-de-bacalhau. Sinceramente, entre a Arlete e estas gajas todas carecas, venha o diabo e escolha, que eu cá não queria nenhuma, nem a pagantes! Chiça! Será um fetiche esta coisa das gajas carecas? Sei lá, para posarem para uma revista pornográfica num artigo técnico-científico sobre o fetiche de eles-querem-nas-todas-carequinhas? “Get a razor!”, dizem no site. Arranjem mas é um cérebro novo, ó seus badalhocos!, digo-lhes eu. Que agonia! Ai! E a pizza que tinha caído tão bem… pickwick

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publicado por pickwick às 00:10
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