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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012
A Honda, a neve e a mula

Após muita ponderação, muitas pesagens de prós e contras, e muitas contas, sempre me decidi comprar uma mota. Já lá vai um mês, é verdade. Honda CBF125M. Consumo de 1,8. Como na foto. Com carta de automóvel. Porque a vida não está fácil e estou farto de estoirar setenta e tal euros para encher o depósito do carro quando posso fazer a festa só com vinte, tirando duas rodas e uma bagageira e o aquecimento para os pés e mais umas miudezas.

 

Bom, já tinha dado umas voltas com a menina, mas faltava mais um punhado de quilómetros para a levar à revisão dos 1000, pelo que aproveitei a previsão de bom tempo para sábado e quis ir às Penhas Douradas apanhar sementes. Luvas, cachecol polar, casaco xpto, calças impermeáveis (tipo trolha), botas Boreal 130€, mochila às costas, enfim. Correu tudo lindamente, até chegar aos 1400 metros de altitude, lá para as 9h e pouco. O sol desapareceu atrás de uma nuvem gigantesca e havia neve por todo o lado.

 

Em poucos minutos, fiquei com os pés gelados, as mãos idem, o nariz idem, e só se safaram os tintins porque estavam resguardados estrategicamente atrás do depósito de gasolina. No cruzamento para as Penhas Douradas, meia-volta e força, que as rodas patinavam que nem vaselina e já não havia mãos para distinguir uma semente de um penedo de granito.

 

Devagarinho, com jeitinho, safei-me da zona deslizante e comecei a descer em direcção a Gouveia. Lá para os 1200 metros de altitude, já sem neve, encostei a menina e larguei a correr montanha acima, na esperança de conseguir aquecer o suficiente para descongelar a bexiga e dominar a destreza nos dedos. Figurinhas, portanto. Minutos mais tarde, a arfar, de bexiga vazia, estava de regresso à estrada, deslizado montanha abaixo, saboreando o encosto reconfortante dos raios solares matinais.

 

Em Gouveia, pensei: ah e tal, vou ali ao Curral do Negro ver se há sementes. Para meu espanto, poucos metros antes do Curral do Negro, alcatroaram um trilho que leva a Folgosinho. Nem pensei duas vezes: pumba a caminho de Folgosinho, como se fosse levado pelo vento numa pista de motociclismo. É curioso, o país supostamente em crise, e andam a alcatroar trilhos no meio de um parque natural.

 

Chegado a Folgosinho, desci para os viveiros. Boa jogada. Havia bolotas de carvalho em quantidades obscenas. E com dimensões muito generosas. Grande delírio! A determinada altura, cheguei à conclusão de que não havia carro para transportar tamanha quantidade de bolotas. Parei com a recolha e meti a mochila cheia às costas. Quase que me vergou a espinha, tal era o peso. E lá fui eu, carregadinho que nem uma mula. Ou a mota a fazer de mula. Não, era eu mesmo, que as costas eram minhas. Podia ter apanhado outras tantas bolotas, mas não havia condições. Fazer de mula, em pleno século XXI, não é das coisas mais inteligentes, eu sei. Podia ter arranjado uns alforges rudimentares, com restos de calças de ganga, à cowboy-rafeiro, mas nunca me tinha passado pela cabeça arranjar tantas bolotas de uma só vez. Fica para a próxima. pickwick

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publicado por pickwick às 20:11
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
O povo javardolas
O dia um de Janeiro de dois mil e oito começou muito bem. Depois de uma noite maravilhosa, de céu limpo, com milhões de estrelas lá ao longe, chegou um sol fantástico. Não há nada como o sol a bater na barraca, logo pela manhã, para aquecer o ambiente e incentivar à alvorada tardia. Infelizmente, foi coisa de pouca dura, pois vieram as nuvens e estragaram tudo. Ou apenas uma nuvem, segundo a teoria de alguém. Uma nuvem imensa, que cobriu o topo da serra por completo e mergulhou o povo naquele estado crítico da visibilidade de “um palmo à frente do nariz”. Depois de desmontada a barraca e arrumadas as trouxas, abalámos calhaus acima, a apalpar o terreno, pisando a neve com cuidado por causa das surpresas, em direcção à Torre. Deveríamos demorar apenas alguns minutos, mas, com aquela visibilidade, a marcha foi feita como quem está a percorrer com os dedos o corpo de uma deusa toda nua, pela primeira vez. Devagarinho, portanto. Mais à frente, começámos a ouvir vozes. Devíamos estar próximos, obviamente, mas pouco mais se via para além de neve, calhaus e a maldita nuvem omnipresente. A determinado instante, quase chocámos com uma fila de carros e autocaravanas estacionados. À esquerda, como um monstro a sair do nevoeiro, erguiam-se aqueles edifícios foleiros. E entrámos no mundo divertido da Torre. Centenas de pessoas, vestidas como se estivessem no meio da serra, andavam ali, para trás e para a frente. Uns a entrar e a sair do centro comercial. Outros a entrar e a sair do café. Outros a entrar e a sair dos carros. E resmas, mas resmas, mas muitas resmas, a chafurdarem no lamaçal congelado em que se tinha transformado a zona mais alta de Portugal continental. Luvas, trenós de plástico rasca, sacos de plástico, óculos pirosos, gorros, casacos volumosos, dentes por lavar, risadas, registos fotográficos, carros topo de gama, sei lá. Todos os anos encontro estas cenas e fico decepcionado com este meu povo. Vêm lá de baixo, da civilização, equipados a rigor, muitos em carros topo de gama, para depois se comportarem como cachorros rafeiros a chafurdar na primeira poça de lama que encontram. É que, a bem da verdade, não se pode dizer que aquela malta andava a brincar na neve. Não, isso é que não! A neve é branca e dá para lamber, tipo sorvete de aroma natural. Por um lado, o nevoeiro não convidava ninguém a aventurar-se para longe dos carros. Por outro, o povo é mesmo rasca e contenta-se com aquela coisa nojenta e castanha que sobra depois de centenas de botas lamacentas espezinharem a neve branca. Francamente, e não querendo ofender ninguém, aquela malta parecia um bando de javardolas. Sai a família toda do seu Mercedes ou BMW, e toda a esfregarem-se naquela nojeira, a rirem-se, a atirarem bolas de lama congelada, e fotografarem-se uns aos outros, as miúdas a guincharem de histerismo e alegria, enfim. Uma coisa sem palavras. Este povo contenta-se mesmo com qualquer porcaria. Eu até acho, na humildade da minha curta visão comercial, que alguém poderia ganhar rios de dinheiro a vender máquinas de fabricar neve, para os cidadãos instalarem no quintal lá de casa e esquiarem e atirarem bolas de neve uns aos outros e guincharem à vontade e tirarem todas as fotos que quisessem. Até podiam instalar na varanda, ou na sala, ou num canteiro de flores, porque, pelo que deu para ver, qualquer sítio serve para o efeito. E os equipamentos que eles levam? Ui! Elas é casacos brancos de penas de ganso! É gorros com aspecto de penico de lã! É botas de ir à horta apanhar alfaces! É luvas de lavar retretes! Enfim. Centenas de exemplares desta gente, deste calibre medonho, e filas intermináveis de carros a entupir as estradas. Mais valia deixar de haver neve na serra e a Torre passar a servir apenas de palco a festivais eróticos para motards. Os motards, apesar daquele aspecto sabujo e vestuário carnavalesco, sempre se comportam de forma mais… humana… pickwick
publicado por pickwick às 20:41
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
Uma barraca na neve
Depois do repasto muito calórico do jantar do dia trinta, e da noite passada ainda na civilização, seguiu-se a viagem até à Serra da Estrela, tardiamente, como manda a tradição. Os carros ficaram à beira de uma casa de férias no Covão da Gaja (nome de código para um local algures no coração da serra). Subimos encosta acima, em direcção à Torre, pisando as primeiras placas de gelo. Um uísque viria a calhar. A malta começa a já não ter idade para estas aventuras cansativas. Esteve um sol de escaldar nesse último dia do ano. Quase que dava para as miúdas andarem de biquíni – e creio que só não andaram por uma reles questão de moda. À medida que subíamos em altitude, aumentava a quantidade de neve por todo o lado. É bonito andar na neve, com a mochila carregada com o saco-cama, o cobertor, a colchonete, os toldos, as bebidas que fazem rir, os petiscos, as meias, o rolinho de papel higiénico, as velinhas e a lanterna. É bonito enterrar a bota na neve e entrar meio litro de neve pelo cano da bota dentro. É bonito cair na neve. É bonito estar distraído e levar com uma bola de neve. É bonito saltar um ribeiro e enfiar um pé lá dentro, por engano. É tudo muito bonito e eu gosto muito e é muito giro. Quando já se avistava as “bolas da Torre” – esse mítico símbolo fálico serrano –, chegámos ao destino: um buraco plano, do tamanho de um campo de futebol, completamente coberto por um manto branco de trinta centímetros de neve, atravessado por um ribeiro, fora de vista de qualquer ponta de civilização. O local ideal para uma passagem de ano com os amigos. Longe de tudo e de todos. Com uma técnica apurada ao longo de anos de experiência, lográmos montar uma barraca à cigano, mesmo em cima da neve. Uma obra magnífica, de piso único, capaz de albergar cinco boémios e três boémias, mais os seus pertences, a mesa para o jantar, a sapateira, o salão de jogos, a iluminação, a arrecadação, a adega, a cozinha, os quartos e a despensa. Um luxo! Ainda se conseguiu erguer uma parede de protecção contra o vento, feita com enormes paralelepípedos de neve, ao bom estilo esquimó. À fogueira secou-se a roupa, aqueceram-se os corpos fustigados pelo frio da noite, e assaram-se as chouriças (aromatizadas com o fedor do vapor que se libertava das meias). Aproveitando a paisagem e o local privilegiado, tiraram-se fotos artísticas depois do sol se pôr. Umas mais artísticas que outras, claro. Tenho a reclamar a inexistência de sinalização indicando o trajecto do ribeiro que atravessa o local. Por causa desta falha, em certa ocasião vi-me inesperadamente com uma perna enterrada por completo – até aos túbaros, como se diz – na neve, e a bota (e o respectivo conteúdo) mergulhada na fresca água do ribeiro. Ui, tão bom! Por falar em “bom”, é bom relembrar a sorte que tivemos por haver aquele manto branco de pureza. É que toda aquela zona está infestada de poios e caganitas de cabra. Poios, para quem não sabe, são amontoados artísticos de bosta de vaca. Assim, ficou tudo soterrado pela neve. Sorte a nossa. Para a maioria. O mesmo não se pode dizer dos gulosos que meteram à boca duas ou três rodelas de chouriça que haviam caído ao chão naquela zona em redor da fogueira que não tinha neve… Por falar em poios, pouco antes de cair definitivamente a escuridão, fui acometido por uma vontade súbita de defecar – assim uma daquelas coisas que, ou se trata do assunto rapidamente, ou nos salta um poio por uma orelha e outro poio por uma narina. Atravessei cem metros de neve e agachei-me atrás de um penedo. Olhei melhor em redor e reparei que o penedo tinha uma saliência mesmo a jeito de eu apoiar uma das bochechas do rabo. Portanto, em jeito de resumo, defequei que nem um rei, a mil e novecentos metros de altitude (mais metro, menos metro), sentado, com as botas enterradas na neve, a apreciar uma paisagem fantástica desta nossa natureza. Este tipo de prazer, não é para todos! Ui, tão bom! Entre o jantar, que acabou cedo, e as comemorações e festejos da passagem de ano, ousámos desafiar a tradição e mantivemo-nos acordados. Valeu-nos o Trivial Pursuit, edição Genius, à luz das velas. Valeu-nos a santa ignorância generalizada, pois, ao fim de várias horas de jogo, havia apenas uma equipa com uns extraordinários dois queijos! Tínhamos ali matéria para ficar a jogar até ao fim da tarde do dia seguinte! Depois, quando se ouviram os primeiros foguetes no ar, lá ao longe, o Daniel fugiu com a garrafa de champanhe para cima de um penedo a uns cem metros da barraca e tivemos que ir todos atrás, pelo meio da neve, naquela escuridão, com o ar frio a coçar-nos a pele, porque ah e tal, é meia-noite, e não sei quê. Resultado: a garrafa voltou cheia para a barraca, que ninguém se atreveu a fazer mais do que beijar o gargalo e fingir que emborcava meio litro de penálti. Para o próximo ano, ficam, desde já, duas sugestões:
1. Nada de fogueiras, senão o pessoal fica a brincar aos ciganos e ninguém janta em condições.
2. A garrafa de champanhe fica presa ao mastro da barraca com uma corda, para ninguém fugir com ela para local ermo e frio. pickwick
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publicado por pickwick às 20:07
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