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Quinta-feira, 11 de Abril de 2013
A mulher de laranja

Por obra e graça de circunstâncias imprevistas, o final do dia de ontem foi ocupado a ajudar um formador a ensinar adultos a rebolar pelo chão. Basicamente, foi isso. Eu sei que, dito assim, parece coisa diabólica, com galinhas decapitadas e coelhos esventrados e asas de morcego embebidas em chocolate rançoso. Mas, fazendo o balanço, foram duas horas e meia a ensinar adultos a rebolar no chão. É um facto.

Entre os adultos, que somavam menos de dúzia e meia, encontrava-se uma moça, aparentemente trintona, trajando fato de treino cor-de-laranja. Podia ser gorda, mal feita e muito feia. Podia. Mas depois não havia assunto. Para gáudio da intimidade do meu cérebro pecador, esta mulher de laranja era elegantíssima e de feiosa não tinha nada. Agradável à vista, especialmente quando observada pelas 12h, com as calças a ajustarem-se suavemente às nádegas – aquele tipo de bochechas sem qualquer grama de gordura. Um gajo tem de ficar muito agradado com a oportunidade.

Ora, sucede que, a determinada altura, o exercício proposto pelo formador era um agachamento da bacia, com as plantas dos pés completamente assentes no solo. Do lado de fora da área ocupada pelos formandos, eu observava-os, preparado para intervir quando fosse necessário corrigir qualquer movimento. Do lado oposto, a mulher de laranja agachava-se também. Um harmonioso ómega (letra grega) laranja desenhou-se nos meus olhos, definido pelo perfil dos quartos traseiros daquela mulher. Não havia contorno do corpo dela que escapasse, ali, às evidências. Comparado com aquela paisagem alaranjada, a menina do bodyrock.tv ainda tem muito que malhar. Não bastasse o ómega, havia um destaque pulmonar impossível de desdenhar, na medida perfeita. Houve, ali, uns lapsos de segundo em que senti as minhas pernas fraquejarem. É terrível, este efeito devastador. Um gajo quase que cai de quatro com a língua de fora, entre o pasmo e a paragem cardíaca. Sobrevivi, com esforço. Desviei o olhar e recuperei a postura.

Mais tarde, o exercício proposto passou a ser um enrolamento parcial à retaguarda. Isto é, como quem vai dar uma cambalhota à retaguarda, mas pára antes de tocar com os joelhos no chão. Obviamente, fica-se com o rabo no ar. Eu já me tinha esquecido da mulher de laranja, mas, porque o destino gosta de me lixar a vida, fui apanhado de surpresa. Ia eu descansadamente a passar entre os formandos, a ver se nenhum partia a espinha ao meio com um movimento descontrolado, quando dei de caras com as nádegas laranja em plena elevação, à distância de braço e meio. As calças completamente justas. Impossível de sobreviver a isto. Nem deu tempo para fraquejar das pernas. Caí de joelhos, logo ali. Abri a boca num esgar muito hiena. Olhos de pirilampo a faiscar. Comecei a dar palmadas no chão, primeiro devagarinho, mas aumentando aos poucos o ritmo e a força. O pessoal começou a reparar que se passava qualquer coisa comigo. Às tantas, pararam todos para olharem para mim. Estava completamente fora de controlo. Parei de dar palmadas no chão e comecei a dar palmadas nas nádegas alaranjadas, aproveitando o facto de a moça ter ficado tão atónita com o meu descontrolo que nem foi capaz de baixar as pernas e o rabo. Palmadinhas, vá. Ela reagiu de forma negativa e pouco simpática, desviando-se e soltando uns palavrões. O formador ainda chamou o meu nome, mas eu já não ouvia nada. Atirei as beiças para o ar e comecei a uivar de forma pouco afinada, assim uma espécie de mistura entre Chopin e o grunhido de um porco a ser atropelado. Completamente coiso. O Gollum parece um acólito de oito anos com laçarote de veludo, comparado com as minhas figuras. Entretanto, a mulher de laranja fugiu para os balneários, a chorar, amparada pelas duas outras mulheres do grupo. Dois formandos mais musculados, acharam que estava na hora de salvar as honras da casa e fizeram-me uma placagem brutal, empurrando-me contra a parede espelhada do ginásio. Foi cacos de espelho por todo o lado, fiz um corte na testa, e um deles espetou um naco de espelho numa nalga.

Aproveitei o momento e corri porta fora, em fuga, deixando para trás os berros reprovadores dos formandos e o ar desolado do formador, milhão de vezes arrependido de me ter convidado.

Desde então, tenho suores na cama, atormentado por aquelas nádegas alaranjadas, que atrás de mim correm para me apertarem o crânio até explodir. Quão vingativas podem ser umas nádegas femininas? Não há limite! pickwick 

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publicado por pickwick às 23:53
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Sábado, 22 de Setembro de 2012
Aldonza Lorenzo

Okay, tal como previsto, sexta-feira foi dia de passar, pela primeira vez, a manhã em trabalho conjunto com a Aldonza Lorenzo. Assim será, todas as sextas-feiras até ao Verão.

 

Cheguei primeiro, para não fazer figurinhas de atrasado, que fica mal e perdem-se importantes peripécias. A meio da conversa com os demais já presentes, chegou a Aldonza. Aperto de mão protocolar, metro e oitenta e saltos altos de dimensões pouco razoáveis. Dizem que as primeiras impressões é que não sei o quê. O certo é que, após uns vinte segundos de entrar na sala, a Aldonza já estava a puxar para cima aquelas calças brancas justinhas, ajustando adequadamente o tecido às nádegas não necessitadas de corridinhas. Impressionadíssimo, pensei para comigo: ‘tás tramado, ó pá!

 

Calças brancas justinhas, sapatinhos de salto alto-gigante com adornos brilhantes, corrente sexy no tornozelo, blusa preta de alças, ombros descobertos, tatuagem mística na omoplata, morenaça da cabeça aos pés, peito modelo ui-mão-cheia, cabelo preto, enfim. Tudo o que se podia pedir para dar cabo do desempenho profissional aqui deste humilde servo dos desígnios nacionais.

 

Dois minutos depois, a Aldonza já tinha mudado de calçado, usando um chinelinho de enfiar nos dedos do pé, cravejado de brilhantes. Mesmas calças. Mesma blusa. Ao trocarmos meia dúzia de palavras de índole profissional, apercebi-me que, afinal, sem os tamancos, a Aldonza deveria medir menos dois centímetros do que eu, facto que me deixou mais descansado, pois facilitaria o nobre acto de lhe dar umas palmadinhas de conforto nas nádegas, em momento intemporal mais íntimo.

 

Durante três horas, travei uma luta com o meu consciente, para não sucumbir à tentação de parar tudo o que estivesse a fazer e ficar pasmo a tirar-lhe as medidas, de beiça descaída, franzindo o sobrolho a cada golpe de anca. Luta com o consciente, porque tenho a perfeita noção de que o subconsciente já estava perdido, inegavelmente ao rubro, a carburar com combustível da NASA, perdendo-se na loucura de uma lingerie pouco perceptível.


Foi uma manhã muito difícil. Não sei como irá ser, suportar este ambiente todas as sextas-feiras até Junho… Uma boa estratégia poderia ser marcar semanalmente um blind date, sempre ao jantar de quinta-feira, garantindo que, assim, todas as sextas-feiras andaria enjoado e incapaz de apreciar qualquer rabiosque bem feito. pickwick

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publicado por pickwick às 18:08
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Terça-feira, 17 de Julho de 2012
Leggings para cima

Depois de ter aprendido com a Liliana o que são umas leggings, um gajo sente-se logo à vontade para divagar sobre esse adereço modernaço.
Assim que dei os primeiros dez passos dentro do Pingo Doce, esbarrei-me visualmente com uma jovem funcionária de rabo alçado a ajeitar uma pilha de cestos. Era loira e usava leggings.


Ainda eu estava com o cérebro a processar a informação (toma nota, são leggings, são pretas, é loira, são pretas, leggings, ui, pretas, loira, coiso), quando a moça abandona a pilha de cestos a puxar as leggings para cima.


Eu não sabia que as leggings se puxavam para cima. Quem as puxa para cima, é porque, em primeiro lugar, elas deslizaram para baixo. Eu não sabia disso. Liliana, não me ensinaste a coisa toda! Assim, um gajo é apanhado de surpresa, como quem aprende uma receita nova para um bolo, mas não sabe que tem que acender o forno.


Dado o traçado muito positivo da anatomia da moça, perfeitamente visível em meia dúzia de movimentos de antílope, fiquei intrigado. Será que comprou as leggings antes de começar uma dieta rigorosa e agora aquilo escorrega-lhe por entre as nádegas qual faca na manteiga? Será que as nádegas são tão gelatinosas que qualquer movimento reformata o conjunto traseiro a tal ponto que as leggings perdem o norte e caem por si? Será que o material é pouco elástico e o fecho metálico no tornozelo prende de tal forma as leggings às canelas que a cintura descai assim que a moça se dobra para a frente? (sim, reparei no fecho metálico no tornozelo) Será que simplesmente eram umas leggings novas e o gesto resultou de uma preocupação instintiva com o correcto posicionamento do material em relação ao corpo? Não sei, não sei… Mas este desconhecimento atormenta-me a alma… pickwick

 

Actualização - Comentário científico da Liliana: claro que as leggings se puxam para cima, ora essa!, mas normalmente isso acontece quando o número não é o ideal ou se está há muitas horas com elas e com o suor e afins elas deslizam.

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publicado por pickwick às 23:42
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2012
Intimidações

Desde há vários e longos meses que travo uma discussão filosófica muito acesa com a Liliana, a propósito do jejum a que o destino a parece ter forçado.


(contextualização: a Liliana tem 24 aninhos (já?!), a acabar a sua licenciatura, moça inteligente, sabe o que quer, muito bem apresentada, faz duas horas de ginásio dia-sim-dia-não e o resultado até faz impressão à vista desarmada)


A discussão gira, portanto, em torno do facto de a Liliana estar de jejum, apesar daquela tão boa apresentação. As amigas, pelos vistos, abarbatam-se todas com os respectivos namorados, embora fiquem a anos-luz dela no que respeita a boa apresentação. Mais, parece que, quanto pior o feitio delas, mais fácil é encontrarem um namorado.


Para contrapor as teorias delas sobre o destino e a má sorte, eu insisto em duas teorias principais que se lhe aplicam na perfeição: a teoria das probabilidades e a teoria da intimidação.


A teoria das probabilidades, é simples de perceber. Quanto maior o número de rapazes que ela conhecer, na sua vida pessoal, profissional ou lúdica, maior a probabilidade de encontrar um rapaz que lhe caia aos pés com uma rosa entalada nas beiças. E como está a haver, claramente, uma assímptota horizontal na função que descreve o número de rapazes que ela conhece, as coisas correm mal. É como ir à caça de coelhos com uma G-3, lado a lado com uma mão-cheia de caçadores com os seus coelhos à cintura, num terreno já batido e onde apenas sobram esquilos, ratos-do-campo, gafanhotos e uma menina de mini-saia de serviço ao quilómetro trinta e nove.


A teoria da intimidação já é uma coisa mais refinada. Dita esta teoria que há um certo número de pessoas, independentemente do sexo/género, que têm um perfil intimidante. Ainda que possa tresandar a simpatia, um perfil intimidante é algo natural, quase inexplicável, mas facilmente detectável, que coloca uma barreira cerrada dissuasora de qualquer niquinho de atrevimento. A um homem, nunca passará pela cabeça dar uma palmadinha nas nádegas a uma mulher com perfil intimidante, ou apalpar-lhe uma maminha a ver se faz “fon-fon”. Ora, sendo dissuasor de atrevimentos, este tipo de perfil será, também, dissuasor de desejos. Ou seja, em vez sugerir um jantar romântico, ou um passeio à beira-mar, ou um cineminha, ou uma canja com broa à luz da vela, o homem desanima e parte em busca de paisagens mais pacíficas, em que não corra o risco (ainda que infundado) de ter que engolir um sofá ou um fardo de palha a arder. E, dado o facilitismo e o imediatismo que se entranharam na cultura da nossa sociedade, para quê arriscar, quando ao lado há garantido e sem esforço? pickwick

publicado por pickwick às 22:31
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Pêra murcha

A Nélia (nome de código) é uma jovem de cerca de trinta anos que colabora esporadicamente com o viveiro florestal onde dedico parte dos meus fins-de-semana. A mãe dela, também colabora e também se chama Nélia (nome de código). Obviamente, mãe e filha partilham o mesmo apelido: Facadas (código para um apelido semelhante). Daí que, quando preciso referir-me a uma delas, tenho sempre que distinguir: Nélia Facadas filha, ou Nélia facadas mãe. Como se um gajo não tivesse mais nada na vida para fazer.

 

Ora, andar a mexer em plantinhas, a meter sementes na terra, etc., que é um trabalho nobre em prol da Mãe Natureza, é uma excelente oportunidade para deitar o olho para o lado. Não devia ser assim, mas é mais forte do que eu. E assim é, de cada vez que partilho o espaço com a Nélia filha.

 

Acontece que a Nélia filha pode ser catalogada numa categoria que eu denomino “pêra murcha”. Não me ocorreu nome melhor para uma categoria, lamento. A Nélia filha, que é uma moça muito fofinha, daquelas que dá vontade de dar umas palmadinhas nas nádegas (é brejeiro, eu sei, mas é daquelas coisas que se sonham e não se fazem), tem uma desproporção corporal que é algo comum nas mulheres: nádegas a alargarem substancialmente e peito mirrado. Faz o efeito de uma pêra murcha, portanto.


Não tenho nada contra, é verdade. Só que, lá está, é daquelas coisas que, ou se gosta, ou não se gosta. E eu não aprecio. Deu-me para isto, agora, já com esta idade. Não lhe falta cintura. Não lhe falta um sorriso muito feminino. Não lhe falta aquela penugem fofinha a descer da nuca para as costas. Mas… menos em baixo e mais em cima, era o que fazia falta.

 

Entretanto, uns quantos espertalhões andam a pressionar-me para ser mais atencioso para com a rapariga. Corre a teoria de que o pai da miúda é que teve a ideia de a meter lá a colaborar: via-se livre da mãe e da filha, já que passavam a vida em casa a azucrinar-lhe o juízo. Teorias. Eu chuto para canto. O facto de me ter passado pela cabeça a inovadora ideia de lhe afagar as nalgas com umas palmadinhas, não implica que lhe queira pegar ao colo e arrancar-lhe as cuequinhas com os dentes. A menos que fosse possível abocanhar-lhe uma nádega e a pressão empurrar alguma chicha até ao tórax… pickwick

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publicado por pickwick às 17:24
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Terça-feira, 27 de Março de 2012
A anfitriã tormentosa

A propósito de nada, uma ex-colega de trabalho resolveu meter as beiças no chifre e tocar a recolher as tropas em sua casa, para um lanche ajantarado, para relembrar velhos tempos e trocar novidades. Para evitar confusões, a anfitriã chamar-se-á Fena (nome de código).

 

A Fena já foi alvo de, pelo menos, um post aqui neste blogue. Afinal, sempre foram dois anos de convivência profissional, remontando a uma época em que eu fazia parte do patronato. Estamos a falar de uma moça trintona recente, casada, mãe, cabelos alourados, tão elegante que até chateia, e de pulmões bem protegidos. Um luxo, portanto. O único defeito físico, é um místico olhar de carneiro mal morto, daqueles que são atropelados numa qualquer estrada alentejana e que são misteriosamente resgatados para uma dimensão desconhecida e que aí lhe trocam o corpo peludo pela carne sedosa de uma musa e que lhe tiram os chifres e lhe fazem a depilação do focinho com laser, e que, para finalizar, lhe metem uns implantes de silicone até ficar pronto a consumir por qualquer mortal. Ah! Não esquecer a mudança de sexo, claro.

 

Bom, nesse dia do lanche, a Fena usou umas calças de ganga justas. Não sei o que prefira. Se quando ela usa calças justas para se tirar todas as dúvidas. Se quando se atravessa no caminho com um vestidinho curtinho de saia rodada, daquelas que chamam pelo vento: ffffuuuuuuu… sopra-me… sopra-me…

 

Independentemente das minhas preferências, foi um lanche muito perigoso e tormentoso. O marido ligeiramente à minha esquerda. Ela, para trás e para a frente, ora a fazer de mãe, ora a fazer de empregada de mesa. Nestas ocasiões, há que dominar muitas variáveis para conseguir disfrutar todo o ambiente na sua plenitude, mais a variedade gastronómica. Não querendo ser gabarolas, confesso que tenho algum domínio. À minha esquerda, todos os homens da mesa. Dois bem que me podiam apanhar a babar-me para as nádegas da anfitriã, que saberiam ser discretos e guardar segredo. Quanto ao marido, a coisa poderia acabar à facada, no mínimo. À minha frente, uma moça de quinze anos, perspicaz e incapaz de guardar qualquer segredo. Ao lado dela, a tia solteirona e artista, muito discreta, mas não cega. Ao lado desta, uma divorciada, também discreta, e nada cega. A seguir, uma colega casada e mãe de filhos com quem simpatizo muito e cujos decotes de primavera-verão costumam fascinar-me até ao delírio – e muito, mas mesmo muito perspicaz. Para finalizar, mais uma mãe de filhos, que há pouco tempo me apalpou o braço (escandaleira, carago!). No meio da mesa, um sem fim de pratos com iguarias e umas garrafitas de coisas que fazem bem ao espírito.

 

Foi cansativo, é o que posso dizer. Cada vez que a anfitriã se levantava, era preciso aproveitar para apreciar o movimento da ganga, controlando o marido e as outras mulheres todas e respondendo em tempo útil às inúmeras solicitações para passar o pratinho do presunto ou encher mais um copo.

 

E o que é responder em tempo útil? É receber o pedido para passar o pratinho do presunto e não ficar meia dúzia de segundos de olhar fixo no movimento harmonioso das nádegas da anfitriã, de boca entreaberta da qual escorreria inevitavelmente um asqueroso fio de baba… pickwick

publicado por pickwick às 23:10
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Terça-feira, 13 de Março de 2012
A dieta, a tareia e o rodízio – parte 2

Quanto eu era jovem e ter cabelos brancos era ainda uma miragem, lembro-me muito bem da adrenalina que antecedia uns animados combates de judo. Era homem para urinar 200 ml em tranches de 10 ml, tantas eram as idas ao WC. Aliás, o número de vezes que urinava era diretamente proporcional ao tamanho das tareias que levava, como que uma forma de o meu subconsciente adivinhar a desgraça.

 

Passados cerca de duas décadas, a coisa está mais calminha. Muito mais. Uma única e discreta visita ao urinol. Fiquei impressionadíssimo comigo mesmo, devo dizer.

 

Esperavam-me quatro combates. Claro que, bem vistas as coisas, podia só fazer o primeiro e ir logo de maca para o hospital, mas, a esperança é a penúltima a morrer. (a última é a barata)

 

Do primeiro combate, pouco me lembro. Por um motivo qualquer, apaga-se-me da memória todos os movimentos e acontecimentos dos meus próprios combates. O Miguel deve ter-se entusiasmado com o início das hostilidades e falhou-lhe a filmagem da coisa, pelo que fiquei sem registo em vídeo. O adversário tinha mais um palmo do que eu e já o tinha defrontado em Outubro, em Lisboa. Continuava assanhado e bruto, o moço. Parece-me que, depois de ter-me tratado como um boneco de trapos nas mãos de um carniceiro, aconteceu-lhe o mesmo que em Lisboa: ficou com os bofes de fora ao fim de dois minutos. E, tal como em Lisboa, aproveitei a exaustão alheia para lhe “fazer a folha” e pumba!

 

No segundo combate, outro calmeirão, cheio de sangue na guelra. A coisa esteve a correr mesmo mal. A determinada altura, fiquei por cima dele e comecei a estrangulá-lo. Eu sei que parece coisa feia, dito assim, a frio, mas o judo tem destas trocas de carinhos. Infelizmente, o homem tinha os braços bem mais compridos do que eu, pelo que conseguiu deitar-me as mãos e começar também a estrangular-me. É como um caçador estar a encher um coelho com chumbo e este responder à pedrada. Não é bom, pronto. Como ninguém morria estrangulado, o árbitro fartou-se e interrompeu. Entretanto, faltava uma meia dúzia de segundos para o combate terminar e eu ia jurar eu estava a perder por uma cagagésima. Em desespero (isto parece um desporto para desesperados), consegui espetar com ele no chão e o árbitro encerrou logo ali o caso. O adversário não gostou da piadinha, bateu com a mão no tapete e guinchou um “que estúpido!”, como quem saltou do avião com a mochila cheia de chocolates em vez de um para-quedas. Pumba!

 

Ao terceiro combate, saiu-me um baixinho, com ar de perigoso. Já tinha as pernas meio a vacilar de fraqueza e provavelmente já nem podia com uma gata pelo rabo. Foi uma estafadeira. Eu bem que tentava atirá-lo ao chão, mas ele estava com um mau feitio tramado, não alinhava no jogo, fazia-se difícil, e, ainda por cima, tentou estrangular-me no chão, o mauzão! Entretanto, à n-ésima tentativa, consegui levá-lo ao chão assim meio de lado e o árbitro pontuou uma lasca de ponto a meu favor. Antes de recomeçar, olhei o cronómetro do painel: 20 segundos para acabar. Se não tivesse nenhum azar até ao fim, ganhava a coisa. Eh pá! Contra os meus princípios, decidi fazer ronha. Para trás e para a frente, tipo jogador de futebol manhoso, como se fosse fazer alguma coisa, mas sem me atrever a tal, e movimentando-me de tal maneira que nem o adversário conseguia fazer nada de jeito. E soou o “gongo”. Pumba!

 

Último combate, com um Filipe, um amigo que treinava comigo há 20 anos atrás, e de quem eu levava porrada todos os treinos. Adivinha-se aqui um factor psicológico muito pesado, certo? O meu treinador ainda veio com uma conversa comigo, ah e tal, tu fala lá com o teu adversário, ele perdeu todos os combates, se perder também contigo, tu ficas imediatamente campeão nacional e coiso e tal. Eh lá, pensei eu, suborno?! Mas ele tem que dar o litro, respondi feito ingénuo. Oh pá, nestas coisas, a gente tem de falar, e ah e tal, voltou o treinador à carga. Entretanto, apareceu o Filipe, com um grande sorriso, coiso, vamos lá? E o treinador, cof cof cof. Havia necessidade destas cenas? Claro que não havia. Como se não bastasse isto tudo, saiu-me uma árbitra na rifa. Gira, gira, gira, com uma vozinha tão sexy, mas tão fofinha, que um gajo fica logo sem condições para andar à porrada. “Hajimé”, disse ela, para dar início ao combate, como quem pede para afastar os lençóis porque está muito calor… (há aqui muita interpretação artística, eu sei, eu sei) Bom, é certo que foi porradinha da feia, com a voz da árbitra a dar música romântica de fundo. O Filipe não parecia nada cansado e eu bufava que nem um touro a cada dois segundos. Tentei aplicar uma técnica manhosa, mas saiu asneira da grossa e ia perdendo logo ali. A seguir, o Filipe também aplicou uma cena manhosa, eu cai-lhe em cima e a menina deu-me uma amostra de meio pontinho. Eu acho que foi muito generosa. Demasiado até. Depois veio o “gongo” e pumba! Ao vermos o vídeo, os meus amigos do peito insistiram na teoria de que a árbitra estava fascinada com as minhas nádegas, ocultas pelo grosso fato de judo. Tenho que concordar, pelo vídeo, que o olhar dela parecia eternamente fixado no volume dos meus glúteos. Cena estranha, realmente. Por falar em nádegas, o único defeito da árbitra era, precisamente, o excesso de nádegas, assim mais para os presuntos do que para as nádegas. Mas aquela vozinha e aquela carinha larocas, deixaram-me a suspirar. Sim, porque, entre cada bufadela, havia sempre espaço para um suspiro.

 

Ainda agora, passada uma semana, o Nando continua a não saber como é que ganhei os combates todos. Ele só me via a apanhar tareias atrás de tareias, sempre a ficar por baixo, em desvantagem. Eu também não sei. Não me lembro. Mas podia procurar a árbitra no Facebook e adicioná-la, assim só para tirar as teimas. Ou, se calhar, não. Podia estar fascinada com a marca do meu fato, cuja etiqueta aparece pouco abaixo do cinto. Sei lá. pickwick

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publicado por pickwick às 20:07
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Sábado, 10 de Setembro de 2011
Campismo – parte 2 – meloas

Pondo de lado o saudosismo, o tradicionalismo, e outras coisas acabadas em “ismo”, convenhamos que há algumas sérias vantagens em se passar uns dias num parque de campismo com piscina incorporada. Por um lado, pode apreciar-se conveniente e detalhadamente uma longa série de biquínis e respectivos suportes. Por outro lado, também se pode apreciar esses biquínis e respectivos suportes. Basicamente, é isso.

 

Nas duas manhãs que passámos na piscina do parque, quase que deu para fazer amigas. Bom, pelo menos, a minha vista apurada fez meia dúzia de amigas.

 

Em particular, um grupinho engraçado de seis jovens adultos, assim como quem andam na universidade e tal: três rapazes e três raparigas.

 

Rapariga 1. Estilo “arrumava-te bem dentro da caixa da flauta transversal”. Quase que podia andar em topless que ninguém pensaria tratar-se de uma rapariga, tal era a planície. A leveza corporal dava-lhe margem de manobra para andar a saltitar por ali, conversando com uns e com outros, saltando para a água, apanhando sol. Mas, ainda assim, apetecível.

 

Rapariga 2. Estilo “cuidado que podes partir o biquíni de porcelana”. Imponente, boa figura, elegante,175 cm de altura, biquíni discreto embora com pouco tecido. Confesso que devo ter passado aproximadamente duas horas líquidas a consumir-lhe a pele do peito com a minha mira laser alojada debaixo da sobrancelha esquerda. Era daqueles peitos que dão gosto apreciar: majestosos, mas não tipo “bolas de Pilates”. Um peito sobre o qual eu dormiria a melhor das sestas num qualquer prado verdejante nos Alpes. Tímida, definitivamente. Molhar o corpo desde as unhas dos pés até aos joelhos, já era uma aventura com demasiada adrenalina. E pouco dada a sessões fotográficas indiscretas, não tendo apreciado a iniciativa do amigo de pele branco-farinha, quando este saltou para dentro da piscina de máquina fotográfica de rolo em punho, tentando fotografá-la sentada na escadinha metálica com água a meio das canelas.

 

Rapariga 3. Estilo “meu Deus, porque me obrigas a ver estas coisas sem poder tocar?”. Extremamente elegante, quase a cair para o magrinha (opinião do Zequinha, muito discutível). Abdominais perfeitos, notando-se à distância cada músculo. Peitos discretos, meia-laranja. Pele muito, mas muito bem bronzeada. E, o mais importante, interessante, e outras coisas acabadas em “ante”, umas nádegas deslumbrantes, duas perfeitas meloas bem tonificadas. Acresce, a favor do deslumbramento, o facto de a rapariga usar uma reduzidíssima cuequinha, quase que “apagada” do mapa de tão enfiada que estava entre as duas deliciosas meloas. Com muita frequência, esta endiabrada inclinava-se para cima dos amigos e das amigas deitados, virando as nádegas para a piscina. Não estavam reunidas condições para um gajo conseguir racionalizar o que quer que fosse. Devo ter passado umas quatro horas líquidas a degustar visualmente aquelas meloas. À custa disso, apanhei um escaldão na careca que ficou uma obra imprópria para consumo.

 

Posto isto, resta acrescentar que, em determinada altura, os rapazes e a rapariga 1, acharam que era boa ideia pegar na rapariga 3 e atirá-la para dentro da piscina. A esta empreitada, a rapariga 3 opôs-se ferozmente, debatendo-se com unhas e dentes, muito valorosamente, para gáudio dos bons apreciadores de uma cena de pancadaria amigável. Realmente, aquele corpinho elegante e musculado certamente devia muito ao desenvolvimento de uma qualquer actividade desportiva de nível competitivo. A determinada altura, no emaranhado de braços e pernas e empurrões e puxões e muita risota, a rapariga 3 começou a perder a compostura da parte de cima do biquíni, facto que se evidenciou pelo contraste de cor entre a pele bronzeada do tronco e a pele branquinha dos seios. A ondulação habitual da piscina desapareceu subitamente, tal era a atenção com que os muitos utentes masculinos observavam o desenrolar dos acontecimentos.

 

Com grande pena minha, não tentaram a mesma sorte com a rapariga 2. O que, a bem dizer, até foi bom, porque, se calhasse a dar luta também, podia acontecer-lhe o mesmo deslize com a parte de cima do biquíni, e, aí, garanto que não conseguiria manter qualquer traço de serenidade. Provavelmente, passava-me uma coisa ruim pela mioleira e começava a bater palmas e a uivar ruidosamente, assim numa espécie de foca-lobo num qualquer show erótico de um parque aquático. pickwick

 

publicado por pickwick às 23:41
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Acidentes rodoviários
Já nos finais do mês de Julho, pela manhã, fiz-me à estrada daqui até Sintra. Ia passar uns quatro dias na companhia de uns amigos, algures numa quinta junto à serra. Coisa bonita, portanto.
 
Saltei fora do IP3 para apanhar um troço de auto-estrada até Condeixa, passando, a partir daí, a circular na velhinha Nacional nº1. Eu gosto deste trajecto, que, para além de poupar nos custos de combustível e portagens, proporciona uma paisagem muito mais diversificada, com milhares de casas e casinhas, lojas e indústrias, anúncios e tascas, gente a circular a pé ou em duas ou em quatro rodas, montanhas, árvores, contentores do lixo, pontes e buracos. Não há motivo algum para um gajo se aborrecer ou para adormecer de tédio ao volante.
 
Desta vez, no entanto, e apesar de desperto para o perigo acrescido dos acidentes rodoviários, fui vítima de um.
 
Foi assim: eu ia descansado da vida, já a deixar Condeixa para trás, numa zona em que a estrada era ladeada por abundantes matas, quando sou surpreendido, à minha direita, por uma moçoila dos seus vinte anos, linda que se fartava, boa que até doía, com uma blusa insignificante e uma saia com cerca de 14 cm de altura. Sim, 14 cm de saia é assim tipo ah e tal esqueci-me da saia mas como o cinto é largo ninguém nota. Sem exagero! Não bastasse esta visão, a moçoila ainda fez o favor de sorrir para mim, de orelha a orelha, obviamente satisfeitíssima por me ver de boca aberta e de olhos pregados nos seus atributos mais vistosos.
 
Com a distracção da paisagem, saí fora do alcatrão e a roda direita embateu violentamente num penedo ali perto. Como era de esperar, o carro capotou violentamente quatro vezes seguidas antes de se estatelar violentamente em cima das quatro rodas. Sem que eu conseguisse controlar, o embate das quatro rodas fez com que o carro saltitasse violentamente durante vários metros, qual elefante pardo a saltitar suavemente de nenúfar em nenúfar na Lagoa Azul. E a moçoila ficou para trás.
 
Ao fim de uns cem metros, ainda o carro ia a rabear de forma ligeiramente descontrolada já no asfalto, surgiu, à minha esquerda, uma segunda moçoila, igualzinha à primeira. Só que esta, para piorar toda situação, para além de ter o que parecia ser uma saia igual à da outra, tinha-a completamente arregaçada até à cintura! Literalmente! Ainda por cima, quando ia a passar por ela, virou-se de costas para mim, a provocadora! Para que conste da acta, eram duas as magníficas e divinais bochechas das nádegas, perfeitas bolas de carne sem qualquer ponta de gordura, de tonalidade ligeiramente carente de sol, redondinhas como as bolinhas chinesas de terapia.
 
Não sei o que aconteceu, mas o motor de repente enguiçou, bloqueou as rodas e o carro deu dois mortais à frente, elevando-se a cerca de catorze metros de altura. Durante a subida do primeiro mortal – lembro-me como se tivesse sido daqui a um bocado -, o meu cérebro ainda labutou, em velocidade acelerada, para tentar discernir se entre as duas bochechas haveria algo parecido com um discreto fio dental, mas, infelizmente, não chegou a resultados. Quanto mais o carro se elevava no ar, pior o ângulo de observação das bochechas. Felizmente, ao fim dos dois mortais à frente, o carro aterrou em cima do farol direito, amortecendo a queda. Mais uns saltinhos durante uns metros e, graças à dificilmente igualável perícia do condutor, o carro retomou a marcha monótona pela Nacional nº1.
 
Percorri vários quilómetros completamente desorientado, em dúvida sobre se teria adormecido ao volante e começado a sonhar, ou se tinha mesmo passado por duas deusas em preparos pouco conservadores e a tresandar a erotismo barato.
 
Tal como há quem chame acidentes de terreno a qualquer monte de terra e calhaus, também somos livres de considerar que duas gajas daquele calibre à beira da estrada são verdadeiros acidentes rodoviários, já que estão mesmo em cima da rodovia.
 
Nota 1: o relato das cambalhotas e reviravoltas e demais agitações a que o carro foi sujeito, é pura ficção, sendo a única parte desta estória nessas condições.
 
Nota 2: as duas meninas não trabalham ao Domingo, conforme pude verificar na viagem de regresso, quatro dias depois. pickwick
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publicado por pickwick às 21:09
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008
Amelinha e o colete

Um grupo de jovens amigos preparava-se para um passeio de bicicleta numa escaldante tarde de Domingo. Cientes das questões de segurança associadas a actividades desta natureza, os jovens envergavam coletes reflectores e capacetes típicos do ciclismo. Rapazes e raparigas, assim na casa dos 20, mais ano, menos tremoço. Eu andava por perto, empenhadíssimo na minha missão dominical.

 
Às tantas, este apuradíssimo sistema auditivo que transporto nas zonas laterais do crânio detectou uma conversa que merecia alguma atenção da minha parte.
 
Adulto preocupado: Amelinha, vais assim vestida?
Amelinha: Vou.
Adulto preocupado: Não levas o teu colete?
Amelinha: Não.
Adulto preocupado: Queres que te empreste o meu?
Amelinha: Não, vou bem assim, obrigada.
Adulto preocupado: Mas, não tens outra roupa?
Amelinha: Tenho, mas vou bem assim.
Adulto preocupado: (silêncio).
Amelinha: (meia-volta).
 
Não quis perder a oportunidade de registar o alvo de tanta preocupação por parte do adulto em causa e partilhar o objecto em si. Afinal, não há melhor disfarce para um fotógrafo, do que o próprio disfarce de fotógrafo. Se é que me faço entender. Aqui fica, então, o belo par de nádegas da Amelinha.
 
 
 
 
Portanto, e analisando friamente a questão, se de pé, firme e hirta, as nádegas da Amelinha já são o que se vê, uma provocação sensual irresistível, imagine-se a proprietária das mesmas encavalitada no selim de uma bicicleta. Imagine-se o efeito da flexão do corpo para a frente na disposição dos humildes calções e consequente visibilidade das perfeitas bochechas que compõem o par de nádegas. Imagine-se o aperto. Imagine-se o suor. Meu Deus…
 
Nota do autor: os factos aqui narrados, bem como a imagem e os suores sentidos, são em tudo coincidentes com a realidade presenciada e vivida. Ficção, só mesmo o rumo tomado pela imaginação nos minutos que se seguiram. pickwick
publicado por pickwick às 00:02
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