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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007
Misógino, misoginia e a mulher mistério

Por estes dias, recebi um e-mail muito interessante e simpático, que rezava assim (depois da devida correcção ortográfica):

Olá Pickwick,

Estava a ler blogs "random" e achei o teu. Fiquei a ler o primeiro post sobre os penteados das mulheres. E perguntei-me porque fala tão mal das mulheres?! És misógino?? Não leves a mal esta minha pergunta. Só é que fiquei curiosa. Mas gostei da tua maneira de escrever. Peço já desculpa pelo meu português e pela falta de acentos. Aguardo uma resposta atenciosamente. PV

Querida PV, já me obrigaste a ir descobrir o que raio quer dizer “misógino”. Foi uma estafadeira! E misoginia, também. Uma tímida busca na Internet resultou em:

- que tem aversão às mulheres.

- desprezo ou aversão ao sexo e/ou ao género feminino.

- do grego 'misogynía'

Por favor? Eu?! Oh PV! Mas que conversa é essa? Eu?! Eu, que sou um dos maiores admiradores e fãs do sexo feminino, dos seios firmes, das ancas torneadas, dos cabelos caídos, dos lábios pecaminosos, dos tornozelos com tatuagem, das cuequinhas atrevidas, das pestanas compridas, da pele de seda, das nádegas fibrosas, da voz fina, e de mais uma infinidade de atributos e produtos agregados à condição de mulher, que tanto apraz ao género masculino! Como é possível que confundas, com tanta facilidade, a busca incessante pela qualidade e beleza do sexo e género femininos, com misoginia?! A única aversão que tenho, mesmo, mesmo, mesmo, mesmo, é àqueles defeitos de fabrico, àquelas ultrapassagens de prazos validade sem controlo de qualidade, e àquelas mentes estupidificadas pela condição de gaja pindérica com manias de fineza foleira. Aí, sim, sou um misógino ferrenho e incontrolável. Mas, francamente, se forem a um restaurante e vos sair uma barata escondida numa lula, também não reclamam e apontam o dedo? Pronto, eu faço o mesmo, transformando em baratas as borbulhas mal cuidadas, os pêlos grandes e desprezados, a estupidez crónica, as vestimentas e maquilhagens pindéricas, o volume de celulite exagerado e esquecido, e demais deformações, sendo a lula a mulher perfeita que deveria habitar em todos os exemplares do género e sexo femininos. Está bem? Limito-me a tornar público um processo pessoal de controlo de qualidade. Com boas intenções. Já sei que as gajas não vêem aqui nenhuma boa intenção, mas, a bem dizer, gaja que é gaja vê maldade até numa tampa de sanita esquecida na posição vertical. Quanto a ti, PV, lamento ter descoberto que não pareces ter uma conta no “aifáive”, para grande pena minha. A minha incansável missão levar-me-ia a pesquisar, cientificamente, se a simpatia, simplicidade e delicadeza com que escreveste este e-mail, fazem parelha com uma mulher de atributos ao mesmo nível. Não é todos os dias que uma mulher escreve assim, como tu, com suavidade, porém curiosa e algo magoada, delicadamente, com muita educação, como se estivesses a tocar num baralho de cartas de cristal empilhadas em castelo. Por momentos, quase senti os teus dedos tocarem ao de leve na minha alma, com o indicador a tocar com jeitinho naquela parte do cérebro que comanda o olho atento sobre as mulheres. Quem és tu, PV? Uma mulher misteriosa? De que cor é o teu cabelo? E os teus lábios, são carnudos? Choras na solidão de uma almofada? Andas pelas esquinas, escondida dos olhares? Ou passeias-te pelas passerelles ao fim-de-semana, entre aplausos e bocas abertas de espanto? Onde vives? Partilhas este país de brutos, ou vives nalgum paraíso além-mar? Corres o areal da praia num vestido branco enquanto o sol se põe e o povo já debandou? Escreves poemas sobre sonhos e paixões, que escondes na gaveta da privacidade? Quedas-te a olhar a lua, a tentar encontrar o reflexo de um rosto que se enchesse de sorrisos só por te saber existir? Olhas-te no espelho, sem coragem para rodopiar? PV, quem és tu?, ó mulher misteriosa! Onde andas? Que fazes? Que cantas? Que te move? A que cheiras? Quantas vezes sorris num dia? (suspiro) Bem, não respondes? Pronto! Vou comer um iogurte e não se fala mais nisso! pickwick

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publicado por pickwick às 00:10

editado por riverfl0w em 19/06/2007 às 19:17
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007
E eis que da penumbra surge...
Mais um post meu. Perdoem-me os que ainda esperavam o regresso de El-Rei D. Sebastião. Para quem começou a ler este blog há menos de um mês: sou o riverfl0w, prazer. E sim, eu existo, não sou apenas um mito. Adiante. Nos últimos 11 dias tenho-me dedicado dia e noite à concepção, planeamento e implementação de um artefacto digital de índole intercomunicacional (um site - para quem quiser ser poupado ao paleio académico). E isto não me tem deixado tempo para muita coisa, quanto mais não seja pela quantidade mínima de palavras que temos de usar para descrever uma coisa tão corriqueira como é um site. Mas este não é apenas mais um site. Este foi, na realidade, desenvolvido para um grupo de senhoras muito apessoadas cuja façanha informática mais relevante será, provavelmente, localizar o Microsoft Word na barra de Iniciar em menos de quatro minutos. Mas enfim, o importante é encontrá-lo (pelo menos é o que se diz nas revistas quando se fala do ponto G). Nós, a equipa de implementação, fomos portanto obrigados a fazer com que as ditas senhoras pudessem editar qualquer conteúdo do site, sem para isso precisarem sequer de saber soletrar "Internéte". E assim foi. Basicamente aquilo tornou-se numa espécie de Arautos do Estendal, em que lhes basta escrever umas baboseiras quaisquer e carregar no botão "Enviar", para depois aparecer tudo bonitinho sem mexer uma palha que seja. Mais difícil será certamente habituarem-se a descobrir o Internet Explorer algures no menu Iniciar. Aqui está uma imagem do dito (preservando, obviamente, o anonimato):

Resumindo, essa coisinha que aí vêem privou-me de uma vida normal, ou seja: dormir até às quatro da tarde, ver o telejornal, falar no MSN com as já famosas leitoras deste blog e, claro, apreciar de esguelha um ou outro rabo de saia. Para celebrar o sucesso do projecto, decidi aproveitar o convite da Sheilinha (que também trabalhou no projecto) e de uma amiga da Sheilinha para ir a um cinema e tomar um copo ali-não-sei-onde. (Devo referir, antes que me esqueça, que a  Sheilinha e a amiga são dois rabos de saia bastante apreciáveis. Pena uma ser casada e a outra não usar saia mais vezes.) Ora bem, cinema tá quieto. Como bons portugueses que somos, chegámos 25 minutos depois da sessão começar, pelo que decidimos ficar a conversar numa das mesinhas lá-do-sítio-onde-há-cinema. Isto foi o planeado, mas na realidade o tempo do filme foi todo gasto com as três meninas (Sheilinha+amiga da Sheilinha+irmã da amiga da Sheilinha) a irem à vez à casa de banho encher a cara de pozinhos e químicos. Chegados ao sítio ali-não-sei-onde, que por acaso é mesmo ao lado lá-do-sítio-onde-há-cinema, o panorama visual parecia promissor. Cerca de uma centena de corpos à pinha, muito top sem alças e muita carinha laroca. Pior foi quando efectuei o reconhecimento do panorama auditivo: música brasileira "ah e tal samba práqui samba prálá" e uma grande maioria da população a expressar-se na versão brasileira do português. Não é que eu tenha alguma coisa contra os brasileiros. É só que sempre que eles abrem a boca, dá-me uma vontade incontrolável de explicar àquela gente toda que "cara" refere-se à zona frontal da cabeça de um indivíduo e não ao indivíduo em si, e "galera" é um tipo de navio, muito utilizado nos Descobrimentos, e não um conjunto de "caras". Pior, só mesmo na passagem de ano, onde a proporção brasileiro/português era de cinco para um. Pena ninguém se ter dado ao trabalho de explicar que à meia noite de Lisboa, a passagem de ano no Brasil só será pelo menos daí a 3 horas. riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 01:30
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2006
Homossexualidade feminina
Sinónimo de confusão? Um bando de vinte lésbicas, de olhos vendados, num mercado de peixe! Era, assim, uma anedota que ouvi em tempos idos, juntamente com aquela de as polacas não poderem praticar ginástica de solo. Conhecem? Se não era assim, era tal e qual. Bom, seja como for, pode estar aqui a explicação para a homossexualidade feminina: os peixes! Não sei muito bem como é que se lá chega, mas de alguma forma há-de ser. Deve haver qualquer coisa de misterioso, quanto de erótico nos peixes. Ou ao contrário. O que é certo, é que elas deixam-se fotografar todas nuas, enroscadas em enormes peixes, para o calendário de uma marca de equipamento para pesca. Portanto, é só pensar um bocadinho, e havemos de chegar a alguma conclusão. Será que as lésbicas são mulheres que nunca compraram peixe num mercado? Nunca sentiram o contacto daquelas escamas húmidas, os bigodes da boga, a elegância da pescada? Ou será que, as lésbicas, são mulheres que tiveram um impulso secreto quando chegaram a casa com o pescado? Imagine-se, uma adolescente, que vai às compras com a mãe. Compram carapaus, a mãe vai à garagem arrumar as batatas e a miúda fica na cozinha a arrumar os carapaus no frigorífico. Quando lhes toca, sente um arrepio na espinha. Aquela humidade, as escamas escorregadias, a sensibilidade… e se metesse o carapau entre as pernas, pensa a adolescente? Os olhos até brilham! Entretanto, chega a mãe e estraga tudo. A adolescente, passado um bocado, vai até ao seu quarto, ainda alucinada com os carapaus húmidos, a respiração ofegante. Mais tarde, já mais calma, procura no seu universo de vida um carapau. Não há. O mais próximo que existe, é uma sereia. E uma sereia, é um ser mítico do sexo feminino, regra geral com uns seios perfeitos debaixo de uma gadelha farta. Uma sereia é que era, pensa a adolescente. Mas não há sereias. Por isso, o mais perto de uma sereia, é uma mulher. E pronto, está produzida uma lésbica. No dia seguinte, vai para a escola e procura, com o olhar atento, outras adolescentes que tenham tido um encontro imediato com um carapau, ou uma solha, ou uma pescada, e que busquem nas outras adolescentes a sereia que há nelas. Outro dia, fiz uma longa viagem de carro com uma amiga, nome de código Rita. Há poucas semanas atrás, eu tinha conhecido o namorado dela. Agora já era ex-namorado. Ela tinha-lhe dado um chuto. Conversa puxa conversa, ela confessa que já teve uma experiência a três, com o ex-namorado e mais uma amiga de ambos, numa típica “ménage à trois”, que correu muito bem. Tão bem, que depois experimentou só com a amiga, e ainda foi melhor. Segundo a Rita (cujo nome verdadeiro é bem diferente), uma relação sexual com uma mulher é bem mais interessante e proveitosa do que com um homem. Ela não deve conhecer muitos homens, tive vontade de lhe dizer. No entanto, passados meses, ela voltou a arranjar um namorado, e ainda por aí toda contente. Não a percebo. Seja como for, essa da relação mais proveitosa pode estar na preferência das mulheres pelas mulheres: a homossexualidade feminina. A ter em conta, nestas preferências, pode ser o conhecimento que as mulheres têm da máquina feminina. Por exemplo, a Ana sabe o que lhe dá muito prazer, logo, será, muito provavelmente, o que dará também muito prazer à Catarina. Além do mais, a mulher não chega ali, monta a outra mulher e em 18 segundos já tem a torneira aberta e está pronta para ir para o sofá beber uma cervejola e ver televisão. No mínimo, 18 minutos, e mesmo assim… Bem, para finalizar, estava aqui a pensar que um bom negócio para montar, e assim ganhar uns trocados extra, seria a venda de carapaus em sex-shops. De silicone. Vibradores, em forma de carapau, com variações em forma de sardinha, atum e peixe-espada. Auto-lubrificados. Com umas luzinhas nos olhos que piscavam, verdes ou azuis. Para as mais violentas, ou sadomasoquistas, uma versão de vibrador em forma de peixe-aranha, com os devidos ferrões. Ui… como elas iriam gostar! Com um dispositivo motorizado na cauda, tipo abano, para quando o carapau desaparece todo e fica só o rabo de fora, a abanar. Muito sexy! Um sucesso! pickwick
publicado por riverfl0w às 09:42
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Quinta-feira, 20 de Julho de 2006
Elas não querem ser princesas
Só a ida à Serra da Estrela, no passado fim-de-semana, dava um blog inteirinho. Em vez de apreciarem a natureza, o contacto com a beleza suprema, os passarinhos a chilrear, o vento da passar entre os arbustos serranos, e outras coisas que tais, os cinco letrados de mochila às costas que compunham o grupo de andarilhos, não se calaram o tempo todo. Ainda estão por escrever algumas divagações menores obtidas durante a caminhada, mas esta é demasiado profunda para ser deixada no meio das outras, pelo que lhe dedico um post próprio. Ora bem, então, após o confronto de uma série de experiências pessoais e alheias, chegámos à brilhante conclusão de que as mulheres não querem ser princesas. E, atenção, isto não é uma conclusão machista e desavergonhada, como algumas mentes feministas possam alvitrar. A própria Ana (nome de código do único elemento do sexo feminino do grupo, cujo nome verdadeiro se escreve ao contrário) defendeu esta ideia com unhas e dentes, ela própria partilhando factos e argumentos a favor. A ideia, que já defendo desde há duas décadas, é de que as mulheres gostam mesmo é de levar porrada. Bem, não precisa de ser à estalada. Aliás, nem precisam de levar porrada. Elas não querem mesmo é ser tratadas como princesas. O passado mostra que, em todos os casos em que os homens mimaram as respectivas mulheres, a relação acabou por se deteriorar com o passar do tempo. Numa larga percentagem destes casos, as mulheres, outrora tratadas como princesas, acabaram por se juntar a homens que as tratam como sopeiras de segunda escolha. Mesmo assim, mesmo sabendo que agora já não são bem tratadas como antigamente, resignam-se com alguma satisfação. Isto é, ou não é, de um gajo atirar com a cabeça contra uma parede? O JN (nome de código já referenciado noutro post), chegou-se à frente com uma teoria para justificar esta atitude aparentemente insana das mulheres: elas gostam de um homem que as trate à bofetada, porque esse será o homem que as defenderá mais rapidamente. Ou seja, é tudo uma questão animalesca. Ou seja, as mulheres são uns puros animais grosseiros. Aquela imagem que temos das mulheres, doces, sensíveis, belas, frágeis, queridas, e ah e tal, não passa de bluff. Elas regem-se por instintos animais básicos, onde a violência é parte integrante e omnipresente. O JN foi mais além na sua teoria: cada vez que o homem bate na mulher, esta sente que ele está a treinar para um dia a defender. É bonito, não é? O gajo que trate bem a sua mulher, é um frouxo, sabendo ela que, quando se vir num aperto, atacada por outrem, em risco, o frouxo do seu gajo não irá em sua defesa, porque... não tem treinado nela! Todas estas teorias, note-se, assentam em estudos científicos verídicos. São resmas e resmas de casos assim. E, quando estivermos perante um caso de separação ou divórcio, em que haja o argumento de violência doméstica por parte do homem, atentem: pode ser um caso de défice de violência, e não de excesso, ok? pickwick
publicado por riverfl0w às 00:45
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2006
Machistas, liberais e conservadoras
Há poucos minutos atrás, soube que fui classificado de machista. Ainda por cima, por uma mulher! Tentei esclarecer esta possibilidade junto de uma das nossas leitoras, com nome de código “Ita”, através do MSN.
pickwick: acusaram-me de ser machista
pickwick: achas normal? uma gaja!
Ita: não acho, mas as gajas não são normais!
pickwick: ai não?
Ita: não.
Eu já desconfiava, mas pronto, não queria ir por esse caminho, para evitar clivagens sociais verbalizadas com representantes menos compreensíveis. Seja como for, quero esclarecer publicamente que não sou machista!!! Um machista, como o próprio nome indica, é um gajo que aprecia machos. Macho é um homem com qualidades viris, segundo o dicionário. Eu aprecio mulheres. Lindas, de preferência. Feias e badalhocas é que não. Um machista pode, ainda, ser um gajo que aprecia os machos das saias das mulheres, mas isso já é uma tara muito grande e muito gay. Eu sou aquilo que os mais actualizados dicionários classificam de mulherista, ou seja, apreciador de mulheres. Eu e mais metade da população mundial. Metade, sim, porque há muitas mais mulheres do que homens, mas esse excesso é contrabalançado pelo facto de ser constituído por resmas de mulheres que são, elas próprias, mulheristas. São as “fufas”, para os iletrados. Enfim. A ilustre acusadora é, segundo se consta nos bastidores, uma liberal. Eu adoro estas classificações de machistas, liberais, conservadoras e outras coisas acabadas em “s”. É divertidérrimo! Quero adiantar, desde já, que não gosto nem de liberais, nem de conservadores. Umas e outras alimentam-se de um excesso antagónico de ideais, distúrbios e traumas de infância. Mulher que é mulher, é apenas mulher, não é nada dessas coisas de liberais ou conservadoras. As liberais não passam de conservadoras acérrimas a fazerem o pino e a darem as nádegas por três cêntimos para que toda a gente pense que são providas de mentes abertas e de largos horizontes. As conservadoras não passam de badalhocas envergonhadas com os próprios sonhos e pensamentos ensopados em pecado. Regra geral, chega um momento da vida em que cortam, de vez, com o passado fingido e assumem a sua verdadeira condição. As liberais fecham-se em copas com uma vida de clausura e as conservadoras dão em libertinas que só à chapada. A freira liberta-se da prisão da vadiagem e a vaca foge do curral do pudor. Mulher que é mulher, a única surpresa que causa num homem é das boas e surge na forma de um lindo sorriso pela manhã, num leito inundado de amor e salpicado de suor. Ora bem! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:09
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Terça-feira, 11 de Julho de 2006
Reiki e outras coisas acabadas em i
Recentemente recebi um comentário a um dos meus posts, da autoria de um misterioso Ouvinte nº57, respeitante à possível coincidência das três Arletes na minha vida. Isso mereceria uma abordagem dedicada, mas, para ser sincero, fascinou-me enormemente a alusão ao Reiki. Essa bela arte. Ora bem, o meu primeiro contacto com o Reiki ocorreu há largos anos atrás, quando a minha ex (vou meter-lhe o nome de código “ex” para ninguém saber) chegou a casa com a notícia de que ia assistir a umas aulas de Tai Chi, ou Tai Li ou qualquer coisa acabada em “i”, no pavilhão do quartel dos bombeiros da cidade alentejana onde vivíamos. Eu achei graça e estive a pontos de ir também, se bem que durante vários anos vivi no Oriente paredes meias com um jardim onde dezenas de chinocas de pijama faziam daquilo todos os dias a partir das 6h da manhã. E não fui. Em pouco tempo o Tai Chi passou a Reiki e as demonstrações públicas do mestre passaram a sessões de grupo, para praticar a arte. Temo não conseguir recordar com precisão a evolução da coisa, mas em poucas semanas começaram a aparecer espelhos pela casa, colocados em lugares estratégicos e altamente estéticos, como em cima das aduelas das portas, por exemplo. Pensava para comigo que a rapariga devia estar numa demanda misteriosa para alongar o pescoço, como aquelas africanas estranhas, as mulheres-girafa, mas não liguei, na esperança que fosse algo passageiro. Havia planos para mudar a disposição da mobília da casa, de acordo com não sei o quê do sol e da lua e das energias e tal, mas, felizmente, não foram avante. Isto tudo ainda era aceitável. É como aqueles gajos que começam a praticar uma nova arte marcial e depois andam por aí cheios de tiques esquisitos e gestos abichanados, com os braços a abanar e o rabo a dar-a-dar. A coisa começou a descambar quando, a propósito da Helena (nome de código para uma colega minha lá do trabalho, que por acaso também se chama Helena), a minha ex manifestou disponibilidade para, em conjunto com o seu grupo de amigos e aficionados do Reiki, proporcionar tratamento sofisticado para a minha colega. Ora, a Helena era (e ainda deve ser) uma daquelas personagens dos filmes de ficção e muita aflição, artista típica de vanguarda, de ideias do avesso e muito, mas muito, maluca. Para além de gostar de fazer-se aos homens comprometidos e de adorar fazer arte com montes de ferro muito ferrugento, era acometida frequentemente por profundos poços de depressão, assim com ligeiras inclinações para as tentativas frustradas de suicídio, acabando sempre por rodear-se de amigas preocupadíssimas com o seu lamentável estado depressivo. Bom, a minha ex queria, portanto, levar lá a Helena para uma sessão de tratamento. Tentei explicar-lhe que aquele tipo de mulheres são avariadas por gosto e não há conversa que as meta na linha. Uns pares de galhetas deveriam fazer algum efeito, mas consta que ela gostava que o namorado lhe batesse, daí que o método teria resultados opostos. A minha ex passou a tentar explicar que o tratamento não seria à base de conversa, mas, sim, de energia. Das mãos e ah e tal, e os fluxos de energia e não sei mais o quê. Percebi imediatamente que a minha ex viria, mais ano, menos ano, a ser, de facto, minha ex. Eu até curto as cenas orientais, pratiquei uma arte marcial durante muitos anos, vivi vários anos no Oriente, acredito na capacidade do corpo para além daquilo que conhecemos do nosso dia-a-dia, mas, francamente, curar a Helena?! Não há sabedoria oriental que cure uma chanfrada ninfomaníaca que tem em casa uma galinha com um metro de altura, a que chama “a minha filha”, toda feita com peças de ferramentas agrícolas alentejanas completamente ferrugentas! No entanto, vejo um lado fantasticamente positivo no Reiki: o uso das mãos para transmitir energias e curar! Portanto, um gajo afiambra-se de uns diplomas na Feira da Ladra, monta um consultório, compra indumentária a condizer – qualquer pijama serve, espalha uns palitos de incenso e meia dúzia de espelhos, e passa o resto da vida a apalpar mulheres lindíssimas e endinheiradas, desejosas de verem curados todos os seus males através de um fluxo misterioso que lhes entrará pelas nádegas castigadas e pelos seios recauchutados. Ora bem, este é mesmo um mundo cheio de oportunidades!... pickwick
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publicado por riverfl0w às 21:58
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Segunda-feira, 10 de Julho de 2006
A verdade e a mentira
Parece o nome de um filme com actores musculados e encardidos e actrizes de cabelo oxigenado e lábio inchado à pressão, mas não é. A verdade e a mentira aconteceu hoje, já perto da hora do almoço, quando fui a um dos supermercados cá da terra abastecer-me devidamente para proporcionar um almoço romântico a dois na estranha cozinha do meu apartamento. Depois de alguns passos vigorosos entre o carro e a entrada, esbarrei-me com uma mãe de filhos e respectivo marido. Eu temo insistir muito nisto, mas, francamente, há gente que não devia casar-se, ter filhos e, muito menos sair de casa. Esta senhora tinha uma aparência aparentemente normal, para quem é mãe, assim do tipo bola de Berlim, vestido à sopeira e cambalear pesado. Olha uma mãe, pensei eu, a poucos metros de me cruzar com ela, que, por sua vez, estava a três passos do resto da família e do respectivo carro. Tudo corria bem, até ao momento em que a mãe abriu a boca para falar para a família e sorrir. Valha-me Deus! Eu já tinha visto umas coisas parecidas na net, mas nunca ao vivo, e nunca tão medonho! A senhora, coitada, tinha um pavão dentário dentro da boca! Uma coisa descomunal e horripilante! De ambas as mandíbulas saltavam dentes com cerca de 8 cm, cada um disparado em sua direcção, quase como a cauda de um pavão, só que com as penas desorientadas. Tipo filme de terror! Quase como o “Eduardo Mãos de Tesoura”, mas adaptado para as mandíbulas, com as tesouras transformadas em dentes. Não é humano! Nestes momentos, que acabam por ser demasiado frequentes, não consigo evitar perguntar-me a mim mesmo que raio de homem é que se casa com um par de mandíbulas tão medonhas?! Deve aproveitar os sacos do InterMarché para qualquer coisinha, lá naqueles momentos mais íntimos, quase que aposto. Um verdadeiro camafeu, aquela mulher! Entrei no supermercado meio atordoado pelo choque estético e fui encher o cesto. Nisto, surge no supermercado uma jovem mulher, dos seus vinte e poucos anos, alta, esbelta, formas exemplares, vestido clássico todo preto, saia solta, sapato alto a condizer, óculos, cabelo claro, costas direitas, caminhar firme e hirto, sorriso a cumprimentar as funcionárias, cesto em riste, enfim. Ia eu para pensar comigo como esta terra está a mudar, que já não tem só camafeus com tesouras a sair das mandíbulas e feiosas com bigode enrolado, e tal, quando reparo mesmo na moçoila. Ora, afinal, era a miúda (com o devido respeito, que já deve ser licenciada) que atura as criancinhas mais parvinhas ali no centro de explicações. Olhei com mais atenção, especialmente do pescoço para baixo. Aquilo… era uma fraude! Assim, de preto, vestida daquela maneira, é compreensível que faça virar todas as cabeças masculinas nos arredores, mas eu sei que é uma fraude, uma mentira. Ela tem andado a fazer dieta, de certeza, só pode, porque é rechonchuda e abonada da bunda por natureza, a atirar para o disforme, até, retirando-lhe qualquer atributo perto da elegância. Além da possibilidade da dieta, podia estar a usar um colete-de-forças, estilo corpete medieval, com aquelas cuecas cor bege que fazem gangrenas nas nádegas de tanto apertarem a bunda. Enquanto passeava o meu cesto em busca de petiscos para o tal almoço, lá me fui entretendo com os meus botões, divagando sobre o triste que acabar por ser caçado por aquela mulher, fascinado pelo vestido preto e o aspecto intelectual, e que só mais tarde dará conta que, afinal, a gordura abunda naquelas partes do corpo onde mais gostamos de assentar as manápulas. Viverá momentos felizes enquanto continuar a ser enganado por aquela mentira. Coitado. Com um sentimento de pena, regressei a casa para preparar o tal almoço romântico. Pousei os olhos na deusa de lingerie azul sentada na minha sala, sorrindo com a minha chegada. Devorei, com os olhos, a elegância debaixo da lingerie e o que sobrava a descoberto. Sorri, deliciando-me com um pensamento: esta é verdadeira e não engana! Sou um gajo com sorte, carago! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:03
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Terça-feira, 4 de Julho de 2006
O pesadelo num sonho de pescador

No domingo fui até à Barragem da Aguieira lavar uma canoa e dar umas pagaiadas com o Miguel, para desenferrujar o corpo entorpecido por meses de cativeiro. Junto a uma ponte, existe um restaurante, uma loja de pesca e um parque de estacionamento, onde combinámos encontrar-nos. A sessão de canoagem foi divertidíssima. Apesar de sensação de andar a navegar numa sopa de cadáveres, patrocinada por aquele já célebre talhante de Santa Comba Dão, é sempre um prazer sulcar as águas calmas e esverdeadas de um lençol de água, abalroando um ocasional peixe morto ou serpenteando entre nacos de madeira apodrecidos. A parte mais divertida reside na falta de destreza da tripulação da canoa, muito adeptos dos golpes de rins que fazem desequilibrar a embarcação. Os artistas, são bons artistas, e assim proporcionaram o belo espectáculo de virar a canoa várias vezes. Um dos motivos para os golpes de rins e o consequente naufrágio, ou mesmo o maior motivo, era a bela da gargalhada. Pronto, um gajo ri-se por tudo e por nada, a barriga contrai, deixa de estar relaxada, contrai para aqui, contrai para ali, e em menos de nada um gajo está a gargarejar a bela da sopa esverdeada, com peixes minúsculos a saltarem pelas narinas. Bom, com toda a aventura e divertimento, chegou-se ao fim como numa prova de natação: todos estafadinhos e todos molhadinhos. Uma vez que se aproximava a hora do almoço e a fome começava a fazer corpo presente, demos um saltinho à loja de pesca, para tentar comprar uma t-shirt para o Miguel, que se tinha esquecido de uma de reserva. A verdade é que ele não tinha contado com os naufrágios da embarcação. Enquanto o Miguel corria a loja à procura, com o dono a mostrar-lhe as existências, eu vim até à rua ver o ambiente e a montra da loja. Aí, na montra, dei de caras com o calendário 2005 da Zebco, uma marca de equipamento para pesca. Aquilo não era um calendário. Era uma mostra de horrores! Não consegui evitar uma cara de enjoado e uma boca toda aberta. Os calendários, a cores e bem grandes, mostravam mulheres nuas e semi-nuas em poses artísticas com… peixes! Pá, não estou a falar de sardinhas nem petingas! Estou a falar de peixes grandes! Muito grandes e cheios de lodo. Elas encostavam as mamas aos peixes, seguravam neles com carinho como se lhes fossem beijar apaixonadamente as beiças, sentavam-se em cima deles como se tivessem um prazer fantástico em roçarem-se nas escamas, eu sei lá. Fiquei como que atirado para o meio de um pesadelo! Uma gaja toda boa e nua sentada em cima de um descapotável numa oficina de mecânica, ainda que bezuntada com óleo queimado, ainda vá que não vá, mas… peixes?! Peixes grandes?!... Por favor! Eu não tenho em muito boa conta os caçadores. Mas os pescadores, pronto, eu até pesquei uns peixitos no Mondego, quando ainda não tinha barba e a actividade até era divertida. Mas esta marca Zebco considera os pescadores como seres semi-humanos, animais com pila de homem que se excitam com um par de mamas e umas belas nádegas, mas que se excitam muito mais quanto as mamas e as nádegas contracenam com um peixão feio e asqueroso. Se a marca existe é porque tem clientes, e, se os clientes compram equipamento da marca, é porque se encaixam no perfil destinatário da publicidade. Ou seja, são uns tarados! Resta-me avisar as mulheres deste país: se o vosso marido, companheiro, namorado ou amigo das cambalhotas, usa equipamento Zebco, atenção! Ficai cientes que, naqueles momentos de grande paixão e ternura, de corpos suados e respiração ofegante, a visão bi-ocular do vosso parceiro estará a repartir equitativamente o vosso corpo real com a imaginação de um peixe enorme e feio, num verdadeiro e excitante ménage-à-trois. pickwick






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publicado por riverfl0w às 02:21
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Segunda-feira, 3 de Julho de 2006
Mamas abaixo das omoplatas
Ainda a propósito do casamento da minha prima. No final da missa, que foi animada por um grupo de jovens bem prendados, uma das mocinhas do grupo levantou-se calmamente, assim com aquela descontracção de quem vai fazer a milésima leitura da sua vida, sobe lá acima, junta-se ao micro, pigarreia para eliminar bicharada das cordas vocais, aguarda uns segundos, o gajo do órgão (o instrumento musical) toca uns sons muito desafinados, e… bem, divinal! Simplesmente divinal. “Ave Maria”, aquela bela música, numa voz completamente extraordinária! Até me veio um arrepio à espinha, tal era emoção de estar ao vivo na presença de uma voz assim. Fantástico. Até dava vontade de gravar e levar para casa para passar um dia a ouvir. Bom, com a mesma descontracção com que subiu, assim desceu, a menina vestida de cor-de-rosa. Como se viesse da milésima leitura da sua vida. Uma miúda ligeiramente bonita, nos seus não mais de 20 anos. A minha mente, perversa como aparentemente é, cravou-se nas costas dela, assim que voltou ao seu lugar, uns bancos mais à frente. A miúda vestia uma cena que não sei explicar muito bem, mas que vou tentar descrever. A parte da frente não reparei, mas nas costas tinha uma abertura, tipo boca-de-sorriso-de-hipopótamo, a qual deixava ver as costas, logo abaixo das omoplatas. Não sei o que me deu, mas passou-me pela cabeça como seria se as mulheres tivessem mamas também nas costas, logo abaixo das omoplatas, e usassem vestidos destes. Ou seja, à frente, um soutien aparava a jogada e uma camisola garantia o pudor. Atrás, para gáudio dos trolhas, um novo par de mamas, todas espevitadas, como que a saltarem à golfinho, exibiam-se por entre a sugestiva abertura. Estou a falar, portanto, de uma mulher com quatro mamas. Seios, portanto, para os que teimam em confundir mamas com a conjugação do verbo mamar. Quatro mamas, duas à frente, duas atrás, como naquele anúncio dos airbags da BMW. Não era bonito? Houve, na história, uma civilização qualquer onde a moda era as mulheres usarem um vestido propositado para que as mamas ficassem totalmente à mostra, a caírem melodiosamente para a frente. Bons tempos, esses. Mas só tinham duas mamas. Com quatro era bem melhor. Aquelas imagens que aparecem inesperadamente na Internet com uma mulher com três mamas são altamente inestéticas e representam um aberração da natureza. O que é bonito, vem aos pares. Excepto o que vem só, porque se emparelha muito bem com outros solitários, acabando a fazerem pares na mesma. No que toca a relações sexuais, ou, para os mais pudicos, no que toca a fazer amor (os pudicos devem pensar que sexo é como fazer panadinhos de peru, não?), há uma vantagem óbvia: duplicam as posições em que o acesso das mãos é directo. Isto não é estar a ser ordinário, mas é apenas um exercício académico elementar: experimentação assistida pela imaginação! Segundo os teóricos da evolução, é provável que, se começarmos a afagar circular e insistentemente a zona abaixo das omoplatas das nossas mulheres, companheiras, namoradas ou amigas, daqui a X milhares de anos as mulheres verão crescer naturalmente nas suas costas um belo par de mamas. É certo que não dá muito jeito na hora de dar de mamar aos cachopos, mas se os pegarem pelos tornozelos e os atirarem para trás das costas, os pequenos são bem capazes de dar conta de si e chegar onde o líquido jorra. Depois de Y milhares de anos, os bebés nascerão com os ossos das pernas elásticos, para poderem ser atirados para trás das costas sem que se partam os ossos ao vergar a mola nos ombros da progenitora. O Estado deveria criar uma polícia especial que controle a evolução, por forma a que não surjam uns tarados quaisquer que passem o tempo a acariciar outras partes dos corpos das mulheres, na perspectiva de lhes ver nascer mamas por todo o lado. Imagine-se uma nova seita cuja ideologia se baseasse nas mulheres com três pares de mamas: um par no sítio do costume, um par nos rins, uma mama no cotovelo direito e outra debaixo do queixo. Há que precaver estas situações, obviamente. Como já referi, as mamas querem-se aos pares, por isso, nada de separações inestéticas e perversas. pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:46
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Domingo, 2 de Julho de 2006
A cria de búfalo
Acho que nunca desabafei sobre a Sandra. Bem, a Sandra era uma vizinha da minha prima com quem eu mantive uma certa afinidade e, até, uma certa amizade, embora a distância não desse azo a mais nada. Parecia boa mocinha, bem feitinha, querida, simpática e ah e tal. Uma vez, há mais de uma década atrás, andava eu feito ao desespero, a tal ponto que fui na conversa de ir para o “Dia Depois”, aquela famosa discoteca beirã, onde pulula uma concentração inacreditável de mentes vazias. O desespero era tanto, que quando dei por mim estava a dançar uma daquelas MCF’s (leia-se, Música para Constituir Família) agarrado a ela, a lambuçarmos as beiças um do outro. Durou pouco tempo, note-se, pois em poucos segundos descobri, graças ao divino raio de luz da bola de espelhos, que a Sandra tinha paletes de borbulhas na cara. Ora, o desespero tem limites. Pronto. Enfim, seja como for, trocámos correspondência durante alguns anos, até que o destino da vida levou ao esquecimento mútuo. Até ao dia em que dei de caras com ela aqui na vila, a meia dúzia de metros dos correios. Conversa puxa conversa, ah e tal, ficámos de ir beber um copo para contar mais novidades. Isto já foi há uns anos, mas desde esse cruzamento que começou um tormentoso aturo de uma doente esquizofrénica. A bem dizer, uma mulher que vive mundos fora daqui, que inventa situações, cancros da mama e da nádega, leucemias e diarreias, sei lá, ora adeus que vou viver para Londres, ora olá que afinal não vou porque vou ser operada ao cérebro, olha isto, olha aquilo, enfim. Certa noite, já na N-ésima em que me ligava e mandava SMS com mais episódios fantásticos das sete vidas dela, pedidos de socorro e declarações de arrependimento, devolvi a última SMS, lá para as 4 e-troca-o-passo horas manhã, cuja redacção era mais ou menos assim: “ligas-me outra vez e saio daqui disparado até tua casa (ela vivia com os pais), arrombo-te a porta, ponho o bairro todo a pé e nem a GNR te safa”. Um gajo por vezes tem de ser assim, poético, para merecer alguma atenção. Foi remédio santo durante algumas semanas, mas com esquizofrénicos não há sol que dure. Optei por ignorar, o que também deu alguns resultados, tendo diminuído as SMS patéticas quase até à nulidade. Como que assunto resolvido. Considero-o resolvido, de facto. Ontem, a minha prima casou-se. Eu fui ao casamento e a Sandra também. Não lhe dirigi a palavra e o dia passou-se bem. Seja como for, e porque eu realmente tenho mesmo muito mau feitio, não resisti em dedicar alguns momentos de reflexão sobre a Sandra. Reflexões maléficas. Bom, pasmei-me ela ter um filhote, estar prenha de outro, e ter um marido, ou companheiro, ou sei lá. O companheiro é um tipo extremamente franzino, tipo judeu em estado terminal num campo de concentração nazi na última guerra mundial, com três únicas diferenças em relação a esses infelizes: estava vestido como as pessoas que vão a um casamento, tinha gadelha que dava para fazer um pincel e tem uma companheira esquizofrénica. É um infeliz, também. Não sei como é que lhe fez um filho, francamente. A Sandra é quase maior que eu, tanto em altura como em outras dimensões físicas. Tem uma bunda. Para os mais incultos, “bunda” é um excesso bidimensional das nádegas. Não é “quadridimensional”, porque as nádegas não se excedem para a frente, onde fica a zona púbica, nem na vertical. Ou seja, excesso bidimensional, a saber: para os lados e para trás. E uma grande bunda. Como é que o gajo foi capaz de… enfim! Mas alguém consegue ter prazer em coiso e tal?… Oh, francamente, é que não há qualidade! Nem condições de serventia. Mas, o que foi mesmo um choque estético, foi a visão horrenda ao sair da missa. Eu não sou de andar a olhar para estas coisas, claro, mas estava sol e enfim, há coisas que saltam mais à vista que outras, por bons ou por mais motivos. Neste caso, por um péssimo motivo. É que a Sandra, essa mutante mal engendrada, estava vestida com umas calças de licra pretas, meio transparentes ao sol, mais de meio, para ser preciso, saltando à vista a já descrita bunda, uma etiqueta das calças em cima da costura alinhada com o rego das nádegas, e… ó pá, isto até custa a dizer… até tenho receio que me venha o jantar à boca… mas aquela gaja tinha umas cuecas tipo tanga! Tanga, carago! Tipo fio dental! Mas isto admite-se? Mas isto compreende-se? Fiquei logo mal disposto. Isto devia ser proibido. Parece um filme de terror. Arre! Bem, passados os momentos iniciais de agonia, passei umas quantas horas a tentar traduzir. Como toda a gente sabe, há uma percentagem relativamente grande de seres humanos que se assemelham fisicamente a certos animais. Há os cara-de-golfinho, os cú-de-galinha, os narizes-de-catatua, enfim. Dei voltas e mais voltas até encontrar um animal que encaixasse na Sandra. Ou a Sandra se encaixasse nele. Ao cabo de muitas horas de árduo esforço mental, entre copos de vinho verde e lombinhos de porco com castanhas, cheguei à solução: uma cria de búfalo! Tal e qual. Caros búfalos, perdoem-me, não foi por mal, eu até vos curto, sois uns bacanos e ah e tal, mas é uma questão meramente visual. Efeito óptico, estão a ver? Desculpem lá. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:24
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