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Domingo, 12 de Maio de 2013
Banho de leggings

Para o Carlos, era para ser um fim-de-semana “só no relax”, em Mira. Pois. Ah e tal, na companhia de duas mocinhas de 23 e 24 anos, coiso, uns passeios de bicicleta, umas refeições agradáveis para elas mostrarem os seus dotes com os tachos, aspirar o ar do mar, comer uns caracóis, e por aí fora.

Mas, a vida não costuma prendar os atrevidos com a doce descontração da monotonia.

Tudo começou com um supostamente pacífico passeio de bicicleta a quatro pelos pinhais. Os homens, machos, trajados como quem vão para uma aventura. Elas, muito fêmeas, trajadas com leggings.

Podiam ser mal feitinhas de corpo, com nádegas-de-farinheira, flacidez generalizada e celulite abundante? Podiam. Mas, não. Nem uma pontinha de flacidez, ou gordurinha, ou celulite, ou o que quer que fosse fora do sítio. É no que dá praticar-se desporto regularmente e com afinco. Depois, o que é que acontece? Um gajo, vem lá da parvónia onde as gajas têm bigode e arrastam nalgas gigantescas, e entra em sofrimento súbito e incontrolável.

Eu podia ir na frente do pelotão, liderando e apontando o dedo ao arvoredo? Podia. Mas, fiquei para trás, em jeito de carro-vassoura, num sacrifício sem medida, torturado impiedosamente ao ritmo implacável de cada pedalada feminina. Eu já tinha uma impressão esteticamente positiva das leggings, e, ingenuamente, até pensava já ter atingido o zénite da apreciação desta moderna forma de trajar feminina. Que ingénuo! Credo! Há visões, a partir de um carro-vassoura, que são quase que indescritíveis, de tão perfeitas. Há uma harmonia no negro que cobre os glúteos, que ultrapassa todas as palavras que se poderão juntar para cantar o balancear das ancas. Enfim. Um gajo não faz mal a ninguém e depois tem que sofrer assim. Há justiça no mundo? Claro que não há.

A determinada altura, vimo-nos enfiados no meio de um mato confuso, alterado pela queda catastrófica de milhares de árvores em 2013. Opção: atravessar o leito de um ribeiro com cerca de uma dezena de metros de largura e água acima do joelho. “Vala” é como lhe chamam popularmente. Com as bicicletas. Eu não sabia, mas pedalar com água quase a chegar à coxa, não dá grande resultado, em especial com o fundo arenoso. Lá se fez a travessia, um a um, em grande galhofa, sempre na expectativa de que alguma alma tropeçasse e fosse arrastada pela corrente, afogando-se, devorada pelos crocodilos ou engasgada com um lagostim atravessada nas goelas.

Como a malta é jovem, a travessia não bastou. Houve que regressar para dentro de água, sem as bicicletas, e dar umas braçadas à mete-nojo. Fica sempre bem às meninas atirarem-se à água sem roupagem adequada… molham-se, a roupa molhada desadequada cola-se ao corpo, coiso e tal, as leggings não precisavam porque já estavam coladas, enfim. E, claro, roupa molhada torna-se transparente. O que faz com que, qualquer cuequinha com coraçõezinhos fica imediatamente visível, tanto em textura, como na dimensão da nádega que cobre.  

Como a malta é jovem, a travessia e o banho não bastaram. Havia que voltar para dentro do leito do rio e seguir a corrente, sempre com as bicicletas. Era um plano inteligente, audacioso, que correu lindamente na primeira meia dúzia de metros. Até os guiadores desaparecerem abaixo da superfície da água.

À noite, de banho quente tomado e agasalhados por causa do vento frio, comeram-se uns caracóis e beberam-se umas cervejolas e provaram-se novamente uns “viriatos” e tentou ver-se um filme e tal.

No dia seguinte, Domingo, novamente em cima das bicicletas, novamente leggings, novamente um sofrimento indescritível. Ah e tal, são tão confortáveis, comentava a Liliana. E pensava eu para comigo: são tão confortáveis, que se consegue averiguar mais detalhadamente o corpo de uma mulher de leggings do que o de uma mulher com micro-biquíni. Este, é um facto inquestionável. Aliás, eu até ia mais longe. Mais detalhadamente do que uma mulher nua, porque pode ter aqueles quilómetros de pêlos públicos encaracolados que distorcem as linhas da pele. Com leggings, não há enganos nem distorções. As leggings revelam a verdade. Tenho dito!

Para aliviar a coisa, teoricamente, surgiu a oportunidade de um passeio numa barca típica numa lagoa. Podia ser um passeio pacífico? Podia. Não fossem as meninas gostarem de ficar de pé, em cima do banco da barca, a balouçarem para um lado e para o outro. De leggings. Num lindo dia de sol. Com a luz recordada pelo negro que cobria os glúteos. Já tinha falado no negro que cobria os glúteos? Talvez, mas nunca é demais reforçar certos detalhes, não vá a memória fraquejar. Acho que os escravos das galeras sofreram menos em décadas de trabalhos forçados do que eu ali, em meia-hora de tortura psicológica.

Por fim, a Liliana fez um arroz de tamboril que ainda não provei, por estar aqui na escrita, torturado pela circulação das leggings dela pela cozinha. E a Alexandra fez uma sobremesa húngara com croissants fatiados (what?!) que também ainda não provei, e sim, a Alexandra também anda para ali de leggings de um lado para o outro. Há um ambiente nesta cozinha que não se aguenta!!! pickwick

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Domingo, 2 de Dezembro de 2012
Aldonza Lorenzo de leggings

É verdade. O frio não é amigo de boas paisagens, mas, por vezes, o Pai Natal chega mais cedo. A Aldonza foi trabalhar de leggings. Pretas. Assim, sem mais, nem menos. Um gajo é apanhado de surpresa e, para variar, fica desorientado do GPS. A moça é elegante, o que é de admirar para a idade, pelo que as leggings cobrem-lhe as pernas sem provocar azia nos observadores mais atentos, como era o meu caso. Os saltos extremamente altos que ela insiste em usar todas as sextas-feiras, no trabalho, pressionam os músculos das pernas e o resultado é agradável à vista, tenho que confessar. Para aliviar a tensão que me assalta quando recordo a paisagem, reconheço que uma mulher em cima de uns saltos exageradamente altos tem sempre um aspecto pouco abonatório, ficando qualquer coisa entre um flamingo com poliomielite e um camaleão com a língua nos 220v. Mete dó, pronto. E passei a manhã assim, a espreitar pelo rabo do olho, a fazer analogias com flamingos e camaleões, e a inventariar o leque de actividades lúdicas que protagonizaria caso o conteúdo daquelas leggings repousasse por uns breves minutos no meu colinho… pickwick

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Terça-feira, 17 de Julho de 2012
Leggings para cima

Depois de ter aprendido com a Liliana o que são umas leggings, um gajo sente-se logo à vontade para divagar sobre esse adereço modernaço.
Assim que dei os primeiros dez passos dentro do Pingo Doce, esbarrei-me visualmente com uma jovem funcionária de rabo alçado a ajeitar uma pilha de cestos. Era loira e usava leggings.


Ainda eu estava com o cérebro a processar a informação (toma nota, são leggings, são pretas, é loira, são pretas, leggings, ui, pretas, loira, coiso), quando a moça abandona a pilha de cestos a puxar as leggings para cima.


Eu não sabia que as leggings se puxavam para cima. Quem as puxa para cima, é porque, em primeiro lugar, elas deslizaram para baixo. Eu não sabia disso. Liliana, não me ensinaste a coisa toda! Assim, um gajo é apanhado de surpresa, como quem aprende uma receita nova para um bolo, mas não sabe que tem que acender o forno.


Dado o traçado muito positivo da anatomia da moça, perfeitamente visível em meia dúzia de movimentos de antílope, fiquei intrigado. Será que comprou as leggings antes de começar uma dieta rigorosa e agora aquilo escorrega-lhe por entre as nádegas qual faca na manteiga? Será que as nádegas são tão gelatinosas que qualquer movimento reformata o conjunto traseiro a tal ponto que as leggings perdem o norte e caem por si? Será que o material é pouco elástico e o fecho metálico no tornozelo prende de tal forma as leggings às canelas que a cintura descai assim que a moça se dobra para a frente? (sim, reparei no fecho metálico no tornozelo) Será que simplesmente eram umas leggings novas e o gesto resultou de uma preocupação instintiva com o correcto posicionamento do material em relação ao corpo? Não sei, não sei… Mas este desconhecimento atormenta-me a alma… pickwick

 

Actualização - Comentário científico da Liliana: claro que as leggings se puxam para cima, ora essa!, mas normalmente isso acontece quando o número não é o ideal ou se está há muitas horas com elas e com o suor e afins elas deslizam.

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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
Toilettes de Verão

No início do Verão, fui fazer uma singela caminhada na Serra da Estrela com uma amiga. A Liliana, vá!, que é nome de código e fica giro. É coisa salutar, barata e limpa os pulmões. É coisa que contraria as actividades que pratica a maioria dos portugueses: dão cabo da saúde, da carteira e ainda sujam os pulmões.

 

Mas, com tanta saúde e austeridade, houve um aspecto, nesta actividade, que não foi tão positivo assim. Aliás, direi mesmo que o aspecto em causa acabou por me atormentar durante todo o dia e ainda nos dias além, até que acabou por sucumbir ligeiramente à perda de memória que tanto me afecta.

 

Vamos por partes.

 

Parte I – Toilette “Mas eu fiz mal a alguém?”

Fui buscar a Liliana à central da camionagem de Viseu, essa grande capital de distrito. Alguma curiosidade pairava no ar. Será que ela vinha com botas militares até meio da canela e calças camufladas? Ou calças caqui de bolsos laterais? Ou botas para trekking? Não!... A Liliana apareceu com uma mini-saia rodada. Como é sabido, este tipo de mini-saia é o mais fatal de todos os tipos de mini-saia. Nem demasiado curta, para a dona não parecer uma galdéria, nem demasiado comprida, de como quem vai à missa. Não demasiado justa, que pareceria requerer autorização papal para consultar a bibliografia interior. É um modelo arejado, saudável, capaz de suscitar, no mais distraído dos distraídos, o desejo súbito de que sopre um ventinho mais arrojado. Enquanto nos dirigíamos para o carro, pensava para comigo: “Mas eu fiz mal a alguém? Parti os dentes a alguma criancinha ou senhora de idade? Era só para fazermos uma caminhada na serra! Eu, assim, não vou aguentar!” Bom, entrámos para o carro, e eis que, poucos metros à frente, tive que encostar para a Liliana ir ao Multibanco. O mundo inteiro, mais os astros e os anjinhos e o Pai Natal, estavam todos contra mim: a caixa do Multibanco estava num local elevado em relação ao carro. Estou tramado, pensei para comigo. O que poderia haver pior que uma mini-saia rodada dois metros acima do nível dos olhos? Exacto: umas pernas finamente talhadas a escorrer por ali abaixo até ao chão; sem pitada de celulite e com muita, mas muita fibra. Não havia mais condições para manter a serenidade que se impunha. Mas, teve que ser! Daí até ao cimo da serra, ainda seria bem mais de uma hora de caminho, sujeito a ataques sucessivos e violentíssimos de vertigens “downhill”. E o que são “vertigens downhill”? São vertigens em que um gajo está sossegado, mas, de repente, sente como que uma tontura (mas que não é tontura, embora se arrisque a fazer figura de tonto), e uma força misteriosa e invisível o puxa para cima da bem torneada coxa de uma mulher. Hora e meia nisto, resistindo valorosamente, foi obra!

 

Parte II – Toilette “Credo! É melhor olhar para o chão!”

Chegados ao destino, no belo lugar de Penhas Douradas, estacionei o carro e deixei a Liliana entregue à privacidade necessária para trocar de roupa (que eu já estava quase sem aguentar mais um minuto de sofrimento) para a caminhada. Agora é que iam aparecer as calças camufladas, pensei eu. Nã! Nada disso! Mártir que é mártir, não tem sossego. A Liliana sai do carro e… pumba! Leggings pretos e uma espécie de top cinzento. Tudo muuuuuito justinho ao corpo. Definitivamente, fiz muito mal a alguém num passado pouco distante. Mal refeito do choque e metemo-nos ao caminho. Credo, pensei eu. É melhor olhar para o chão! Ou para o lado. Fechar os olhos, não podia, por causa dos calhaus. Até à paragem para almoçar, junto a um ribeiro de águas límpidas salpicadas por flores brancas flutuando à superfície, foi mais hora e meia de tortura. Aquela coisa das leggings, é, basicamente, como que uma pintura a spray por cima das pernas, numa só camada. Permite apreciar pormenorizadamente a interacção muscular das coxas, dos gémeos e dos glúteos. Sempre com grande discrição, claro. O top cinzento justo, tem o defeito de permitir aferir a dimensão e a consistência da região do tórax, as quais, no caso particular da Liliana, estavam na dose perfeita para um gajo se desorientar. O meu azar, sinceramente, foi a Liliana frequentar um ginásio. Senão, a situação até poderia passar-me ao lado. Mas, não foi o caso. Aquilo eram pernas demasiado bem talhadas para um gajo se deixar distrair pelas plantas, pelos montes, pelos vales e pelos passarinhos. Enfim, depois parámos para almoçar, descansar, tirar umas fotos e apreciar a natureza, junto ao tal ribeiro. Entretanto, a Liliana estava entretida a fotografar umas plantinhas e eu estava entretido a fotografá-la a ela. Discretamente, claro. Ou não. Acho que já estava a perder a vergonha e não tirava os olhos de cima dela. Aqueles braços bem feitos e suavemente musculados, também, ui!, ui! Depois veio uma conversa sobre macrofotografia, ah e tal, ela encostou-se ligeiramente a mim para espreitar a máquina e pensei logo: nã!... tu deves é ter pegado fogo a um infantário sobrelotado na hora da sesta! Gaguejei? Não me lembro. Mas passou-me um arrepio pela espinha abaixo… Depois continuámos viagem, mais um bocadinho de tortura, deixámos o trilho e começámos a entrarem corta-mato. Eu, preocupadíssimo com o bem-estar da Liliana, e a rapariga, afinal, não tinha fibra só no corpo todo. Meteu-se por ali fora, no meio de um matagal de giestas, tojos e demais vegetação serrana, saltitando graciosamente de penedo em penedo, qual gazela passeando na savana. Mais uns pontos a favor dela.

 

Parte III – Toilette “Ufff!...”

Finalmente, estávamos de volta ao carro. Mais um bocadinho de privacidade para a muda de roupa. Eu já não sabia se havia de esfregar as mãos de contente por ir passar mais uma hora e meia sentado ao lado de uma deliciosa mulher de mini-saia, com umas coxas que me tiram a serenidade toda, ou se havia de começar a rezar antes de hora e meia de “vertigens downhill”. Tortura pura. E se eu me enganava a meter uma mudança e me “caía” a mão em cima da pele daquela coxa tão ah e tal? E se me descuidava e ficava colado naquelas coxas e deixava o carro resvalar para o meio dos pinheiros-de-casquinha e das tramazeiras e dos penedos? Ó vida difícil! Estava entregue a estes pensamentos pecaminosos, quando ela saiu, finalmente. De calças de ganga justas. A terceira toilette do dia. Pensei logo: ufff!... Acabou-se parte do tormento! Mas, atenção! Aquelas calças de ganga não são de se menosprezar. São as calças perfeitas para um qualquer passeio ou jantar, em que um homem sente aquele prazer infinito de estar orgulhosamente na companhia de uma bela mulher. Parámos, mais à frente, para provar a água na nascente do Mondego, e tive oportunidade para verificar que, efectivamente, aquelas calças eram umas boas calças. Portanto.

 

E pronto. Fui levá-la para apanhar o autocarro de volta à terra dela e regressei, sossegado, conforme consegui, para a paz da minha casinha. Seguiram-se umas quantas noites mal dormidas, assaltado por visões de mini-saias rodadas, de leggings pretas, e dos contornos irresistíveis do corpinho da Liliana. E agora, só por causa de estar para aqui a escrever isto, já estou mesmo a ver que vou ter outra noite mal dormida. Ai, a minha vida! pickwick

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publicado por pickwick às 15:37
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