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Domingo, 12 de Maio de 2013
Banho de leggings

Para o Carlos, era para ser um fim-de-semana “só no relax”, em Mira. Pois. Ah e tal, na companhia de duas mocinhas de 23 e 24 anos, coiso, uns passeios de bicicleta, umas refeições agradáveis para elas mostrarem os seus dotes com os tachos, aspirar o ar do mar, comer uns caracóis, e por aí fora.

Mas, a vida não costuma prendar os atrevidos com a doce descontração da monotonia.

Tudo começou com um supostamente pacífico passeio de bicicleta a quatro pelos pinhais. Os homens, machos, trajados como quem vão para uma aventura. Elas, muito fêmeas, trajadas com leggings.

Podiam ser mal feitinhas de corpo, com nádegas-de-farinheira, flacidez generalizada e celulite abundante? Podiam. Mas, não. Nem uma pontinha de flacidez, ou gordurinha, ou celulite, ou o que quer que fosse fora do sítio. É no que dá praticar-se desporto regularmente e com afinco. Depois, o que é que acontece? Um gajo, vem lá da parvónia onde as gajas têm bigode e arrastam nalgas gigantescas, e entra em sofrimento súbito e incontrolável.

Eu podia ir na frente do pelotão, liderando e apontando o dedo ao arvoredo? Podia. Mas, fiquei para trás, em jeito de carro-vassoura, num sacrifício sem medida, torturado impiedosamente ao ritmo implacável de cada pedalada feminina. Eu já tinha uma impressão esteticamente positiva das leggings, e, ingenuamente, até pensava já ter atingido o zénite da apreciação desta moderna forma de trajar feminina. Que ingénuo! Credo! Há visões, a partir de um carro-vassoura, que são quase que indescritíveis, de tão perfeitas. Há uma harmonia no negro que cobre os glúteos, que ultrapassa todas as palavras que se poderão juntar para cantar o balancear das ancas. Enfim. Um gajo não faz mal a ninguém e depois tem que sofrer assim. Há justiça no mundo? Claro que não há.

A determinada altura, vimo-nos enfiados no meio de um mato confuso, alterado pela queda catastrófica de milhares de árvores em 2013. Opção: atravessar o leito de um ribeiro com cerca de uma dezena de metros de largura e água acima do joelho. “Vala” é como lhe chamam popularmente. Com as bicicletas. Eu não sabia, mas pedalar com água quase a chegar à coxa, não dá grande resultado, em especial com o fundo arenoso. Lá se fez a travessia, um a um, em grande galhofa, sempre na expectativa de que alguma alma tropeçasse e fosse arrastada pela corrente, afogando-se, devorada pelos crocodilos ou engasgada com um lagostim atravessada nas goelas.

Como a malta é jovem, a travessia não bastou. Houve que regressar para dentro de água, sem as bicicletas, e dar umas braçadas à mete-nojo. Fica sempre bem às meninas atirarem-se à água sem roupagem adequada… molham-se, a roupa molhada desadequada cola-se ao corpo, coiso e tal, as leggings não precisavam porque já estavam coladas, enfim. E, claro, roupa molhada torna-se transparente. O que faz com que, qualquer cuequinha com coraçõezinhos fica imediatamente visível, tanto em textura, como na dimensão da nádega que cobre.  

Como a malta é jovem, a travessia e o banho não bastaram. Havia que voltar para dentro do leito do rio e seguir a corrente, sempre com as bicicletas. Era um plano inteligente, audacioso, que correu lindamente na primeira meia dúzia de metros. Até os guiadores desaparecerem abaixo da superfície da água.

À noite, de banho quente tomado e agasalhados por causa do vento frio, comeram-se uns caracóis e beberam-se umas cervejolas e provaram-se novamente uns “viriatos” e tentou ver-se um filme e tal.

No dia seguinte, Domingo, novamente em cima das bicicletas, novamente leggings, novamente um sofrimento indescritível. Ah e tal, são tão confortáveis, comentava a Liliana. E pensava eu para comigo: são tão confortáveis, que se consegue averiguar mais detalhadamente o corpo de uma mulher de leggings do que o de uma mulher com micro-biquíni. Este, é um facto inquestionável. Aliás, eu até ia mais longe. Mais detalhadamente do que uma mulher nua, porque pode ter aqueles quilómetros de pêlos públicos encaracolados que distorcem as linhas da pele. Com leggings, não há enganos nem distorções. As leggings revelam a verdade. Tenho dito!

Para aliviar a coisa, teoricamente, surgiu a oportunidade de um passeio numa barca típica numa lagoa. Podia ser um passeio pacífico? Podia. Não fossem as meninas gostarem de ficar de pé, em cima do banco da barca, a balouçarem para um lado e para o outro. De leggings. Num lindo dia de sol. Com a luz recordada pelo negro que cobria os glúteos. Já tinha falado no negro que cobria os glúteos? Talvez, mas nunca é demais reforçar certos detalhes, não vá a memória fraquejar. Acho que os escravos das galeras sofreram menos em décadas de trabalhos forçados do que eu ali, em meia-hora de tortura psicológica.

Por fim, a Liliana fez um arroz de tamboril que ainda não provei, por estar aqui na escrita, torturado pela circulação das leggings dela pela cozinha. E a Alexandra fez uma sobremesa húngara com croissants fatiados (what?!) que também ainda não provei, e sim, a Alexandra também anda para ali de leggings de um lado para o outro. Há um ambiente nesta cozinha que não se aguenta!!! pickwick

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publicado por pickwick às 14:43
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
Abutrismo

“Abutrismo” vem do “abutre” e já sei que esta palavra não existe, mas fica bem mais exótico do que recorrer a malabarismos com “necrófago”. Se bem que “detritívoro” e “saprófago” fazem lembrar, respectivamente, uma dançarina bolachuda de Honolulu abanando dezenas de folhas de couve agarradas à cintura, e um sapo que só come batatas fritas do McDonald’s regadas com molho de saliva de princesa. É giro, mas não é modermo. Já “abutrismo”, faz lembrar essa “nova” modalidade desportiva chamada arborismo, que mais não é do que uma imitação barata de uma prova constante do currículo de várias tropas especiais em todo o mundo. Cheira a modernidade, portanto.

 

Outro dia, dei por mim a sentir-me nitidamente como um abutre, a pairar lá no alto dos céus, vigiando as tragédias alheias e aguardando pacientemente uma pouco esforçada refeição. A que propósito?

 

Há uns três anos atrás, trabalhou na minha instituição uma mocinha chamada Caty (nome de código), aí pelos seus trinta aninhos, fofinha quanto baste, casada e mãe recentíssima. Uma joia de miúda, prestável, simpática, reservada, elegante, enfim, só com o grande “defeito” de ser casada.

 

Ora, há um par de meses, comentou-se em sussurro que a Caty se tinha divorciado, após um curto casamento. E pensei para comigo: ena pá!... tão fofinha… agora, livre que nem um passarinho… provavelmente a precisar de compreensão e carinho e atenção e miminhos e um penteado novo e coiso e tal… Assim que pude, espreitei-lhe o dedo, para confirmação, e aproveitei a onda para espreitar tudo o resto, a ver se as condições de qualidade se mantinham: o diâmetro das coxas, o volume das calças de ganga, o posicionamento do umbigo em relação à espinha, e até o sorriso, que quase não se vê. Como um abutre, a ver se o naco de carne em decomposição ainda está dentro do “prazo”. E senti-me envergonhado comigo próprio! Francamente. A desgraçada da miúda a tentar endireitar a vida, provavelmente, e eu a tirar-lhe as medidas todas e fazer contas de cabeça.

 

Felizmente, caí em mim. Não há nada como um défice excessivo de glúteos para um gajo cair em si. Ou, como diria um amigo: arranjas com cada desculpa mais esfarrapada…

 

Ainda assim, vou aguardar pacientemente por um clima mais propício à apreciação visual da arte anatómica. pickwick

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Terça-feira, 13 de Março de 2012
A dieta, a tareia e o rodízio – parte 2

Quanto eu era jovem e ter cabelos brancos era ainda uma miragem, lembro-me muito bem da adrenalina que antecedia uns animados combates de judo. Era homem para urinar 200 ml em tranches de 10 ml, tantas eram as idas ao WC. Aliás, o número de vezes que urinava era diretamente proporcional ao tamanho das tareias que levava, como que uma forma de o meu subconsciente adivinhar a desgraça.

 

Passados cerca de duas décadas, a coisa está mais calminha. Muito mais. Uma única e discreta visita ao urinol. Fiquei impressionadíssimo comigo mesmo, devo dizer.

 

Esperavam-me quatro combates. Claro que, bem vistas as coisas, podia só fazer o primeiro e ir logo de maca para o hospital, mas, a esperança é a penúltima a morrer. (a última é a barata)

 

Do primeiro combate, pouco me lembro. Por um motivo qualquer, apaga-se-me da memória todos os movimentos e acontecimentos dos meus próprios combates. O Miguel deve ter-se entusiasmado com o início das hostilidades e falhou-lhe a filmagem da coisa, pelo que fiquei sem registo em vídeo. O adversário tinha mais um palmo do que eu e já o tinha defrontado em Outubro, em Lisboa. Continuava assanhado e bruto, o moço. Parece-me que, depois de ter-me tratado como um boneco de trapos nas mãos de um carniceiro, aconteceu-lhe o mesmo que em Lisboa: ficou com os bofes de fora ao fim de dois minutos. E, tal como em Lisboa, aproveitei a exaustão alheia para lhe “fazer a folha” e pumba!

 

No segundo combate, outro calmeirão, cheio de sangue na guelra. A coisa esteve a correr mesmo mal. A determinada altura, fiquei por cima dele e comecei a estrangulá-lo. Eu sei que parece coisa feia, dito assim, a frio, mas o judo tem destas trocas de carinhos. Infelizmente, o homem tinha os braços bem mais compridos do que eu, pelo que conseguiu deitar-me as mãos e começar também a estrangular-me. É como um caçador estar a encher um coelho com chumbo e este responder à pedrada. Não é bom, pronto. Como ninguém morria estrangulado, o árbitro fartou-se e interrompeu. Entretanto, faltava uma meia dúzia de segundos para o combate terminar e eu ia jurar eu estava a perder por uma cagagésima. Em desespero (isto parece um desporto para desesperados), consegui espetar com ele no chão e o árbitro encerrou logo ali o caso. O adversário não gostou da piadinha, bateu com a mão no tapete e guinchou um “que estúpido!”, como quem saltou do avião com a mochila cheia de chocolates em vez de um para-quedas. Pumba!

 

Ao terceiro combate, saiu-me um baixinho, com ar de perigoso. Já tinha as pernas meio a vacilar de fraqueza e provavelmente já nem podia com uma gata pelo rabo. Foi uma estafadeira. Eu bem que tentava atirá-lo ao chão, mas ele estava com um mau feitio tramado, não alinhava no jogo, fazia-se difícil, e, ainda por cima, tentou estrangular-me no chão, o mauzão! Entretanto, à n-ésima tentativa, consegui levá-lo ao chão assim meio de lado e o árbitro pontuou uma lasca de ponto a meu favor. Antes de recomeçar, olhei o cronómetro do painel: 20 segundos para acabar. Se não tivesse nenhum azar até ao fim, ganhava a coisa. Eh pá! Contra os meus princípios, decidi fazer ronha. Para trás e para a frente, tipo jogador de futebol manhoso, como se fosse fazer alguma coisa, mas sem me atrever a tal, e movimentando-me de tal maneira que nem o adversário conseguia fazer nada de jeito. E soou o “gongo”. Pumba!

 

Último combate, com um Filipe, um amigo que treinava comigo há 20 anos atrás, e de quem eu levava porrada todos os treinos. Adivinha-se aqui um factor psicológico muito pesado, certo? O meu treinador ainda veio com uma conversa comigo, ah e tal, tu fala lá com o teu adversário, ele perdeu todos os combates, se perder também contigo, tu ficas imediatamente campeão nacional e coiso e tal. Eh lá, pensei eu, suborno?! Mas ele tem que dar o litro, respondi feito ingénuo. Oh pá, nestas coisas, a gente tem de falar, e ah e tal, voltou o treinador à carga. Entretanto, apareceu o Filipe, com um grande sorriso, coiso, vamos lá? E o treinador, cof cof cof. Havia necessidade destas cenas? Claro que não havia. Como se não bastasse isto tudo, saiu-me uma árbitra na rifa. Gira, gira, gira, com uma vozinha tão sexy, mas tão fofinha, que um gajo fica logo sem condições para andar à porrada. “Hajimé”, disse ela, para dar início ao combate, como quem pede para afastar os lençóis porque está muito calor… (há aqui muita interpretação artística, eu sei, eu sei) Bom, é certo que foi porradinha da feia, com a voz da árbitra a dar música romântica de fundo. O Filipe não parecia nada cansado e eu bufava que nem um touro a cada dois segundos. Tentei aplicar uma técnica manhosa, mas saiu asneira da grossa e ia perdendo logo ali. A seguir, o Filipe também aplicou uma cena manhosa, eu cai-lhe em cima e a menina deu-me uma amostra de meio pontinho. Eu acho que foi muito generosa. Demasiado até. Depois veio o “gongo” e pumba! Ao vermos o vídeo, os meus amigos do peito insistiram na teoria de que a árbitra estava fascinada com as minhas nádegas, ocultas pelo grosso fato de judo. Tenho que concordar, pelo vídeo, que o olhar dela parecia eternamente fixado no volume dos meus glúteos. Cena estranha, realmente. Por falar em nádegas, o único defeito da árbitra era, precisamente, o excesso de nádegas, assim mais para os presuntos do que para as nádegas. Mas aquela vozinha e aquela carinha larocas, deixaram-me a suspirar. Sim, porque, entre cada bufadela, havia sempre espaço para um suspiro.

 

Ainda agora, passada uma semana, o Nando continua a não saber como é que ganhei os combates todos. Ele só me via a apanhar tareias atrás de tareias, sempre a ficar por baixo, em desvantagem. Eu também não sei. Não me lembro. Mas podia procurar a árbitra no Facebook e adicioná-la, assim só para tirar as teimas. Ou, se calhar, não. Podia estar fascinada com a marca do meu fato, cuja etiqueta aparece pouco abaixo do cinto. Sei lá. pickwick

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publicado por pickwick às 20:07
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
Toilettes de Verão

No início do Verão, fui fazer uma singela caminhada na Serra da Estrela com uma amiga. A Liliana, vá!, que é nome de código e fica giro. É coisa salutar, barata e limpa os pulmões. É coisa que contraria as actividades que pratica a maioria dos portugueses: dão cabo da saúde, da carteira e ainda sujam os pulmões.

 

Mas, com tanta saúde e austeridade, houve um aspecto, nesta actividade, que não foi tão positivo assim. Aliás, direi mesmo que o aspecto em causa acabou por me atormentar durante todo o dia e ainda nos dias além, até que acabou por sucumbir ligeiramente à perda de memória que tanto me afecta.

 

Vamos por partes.

 

Parte I – Toilette “Mas eu fiz mal a alguém?”

Fui buscar a Liliana à central da camionagem de Viseu, essa grande capital de distrito. Alguma curiosidade pairava no ar. Será que ela vinha com botas militares até meio da canela e calças camufladas? Ou calças caqui de bolsos laterais? Ou botas para trekking? Não!... A Liliana apareceu com uma mini-saia rodada. Como é sabido, este tipo de mini-saia é o mais fatal de todos os tipos de mini-saia. Nem demasiado curta, para a dona não parecer uma galdéria, nem demasiado comprida, de como quem vai à missa. Não demasiado justa, que pareceria requerer autorização papal para consultar a bibliografia interior. É um modelo arejado, saudável, capaz de suscitar, no mais distraído dos distraídos, o desejo súbito de que sopre um ventinho mais arrojado. Enquanto nos dirigíamos para o carro, pensava para comigo: “Mas eu fiz mal a alguém? Parti os dentes a alguma criancinha ou senhora de idade? Era só para fazermos uma caminhada na serra! Eu, assim, não vou aguentar!” Bom, entrámos para o carro, e eis que, poucos metros à frente, tive que encostar para a Liliana ir ao Multibanco. O mundo inteiro, mais os astros e os anjinhos e o Pai Natal, estavam todos contra mim: a caixa do Multibanco estava num local elevado em relação ao carro. Estou tramado, pensei para comigo. O que poderia haver pior que uma mini-saia rodada dois metros acima do nível dos olhos? Exacto: umas pernas finamente talhadas a escorrer por ali abaixo até ao chão; sem pitada de celulite e com muita, mas muita fibra. Não havia mais condições para manter a serenidade que se impunha. Mas, teve que ser! Daí até ao cimo da serra, ainda seria bem mais de uma hora de caminho, sujeito a ataques sucessivos e violentíssimos de vertigens “downhill”. E o que são “vertigens downhill”? São vertigens em que um gajo está sossegado, mas, de repente, sente como que uma tontura (mas que não é tontura, embora se arrisque a fazer figura de tonto), e uma força misteriosa e invisível o puxa para cima da bem torneada coxa de uma mulher. Hora e meia nisto, resistindo valorosamente, foi obra!

 

Parte II – Toilette “Credo! É melhor olhar para o chão!”

Chegados ao destino, no belo lugar de Penhas Douradas, estacionei o carro e deixei a Liliana entregue à privacidade necessária para trocar de roupa (que eu já estava quase sem aguentar mais um minuto de sofrimento) para a caminhada. Agora é que iam aparecer as calças camufladas, pensei eu. Nã! Nada disso! Mártir que é mártir, não tem sossego. A Liliana sai do carro e… pumba! Leggings pretos e uma espécie de top cinzento. Tudo muuuuuito justinho ao corpo. Definitivamente, fiz muito mal a alguém num passado pouco distante. Mal refeito do choque e metemo-nos ao caminho. Credo, pensei eu. É melhor olhar para o chão! Ou para o lado. Fechar os olhos, não podia, por causa dos calhaus. Até à paragem para almoçar, junto a um ribeiro de águas límpidas salpicadas por flores brancas flutuando à superfície, foi mais hora e meia de tortura. Aquela coisa das leggings, é, basicamente, como que uma pintura a spray por cima das pernas, numa só camada. Permite apreciar pormenorizadamente a interacção muscular das coxas, dos gémeos e dos glúteos. Sempre com grande discrição, claro. O top cinzento justo, tem o defeito de permitir aferir a dimensão e a consistência da região do tórax, as quais, no caso particular da Liliana, estavam na dose perfeita para um gajo se desorientar. O meu azar, sinceramente, foi a Liliana frequentar um ginásio. Senão, a situação até poderia passar-me ao lado. Mas, não foi o caso. Aquilo eram pernas demasiado bem talhadas para um gajo se deixar distrair pelas plantas, pelos montes, pelos vales e pelos passarinhos. Enfim, depois parámos para almoçar, descansar, tirar umas fotos e apreciar a natureza, junto ao tal ribeiro. Entretanto, a Liliana estava entretida a fotografar umas plantinhas e eu estava entretido a fotografá-la a ela. Discretamente, claro. Ou não. Acho que já estava a perder a vergonha e não tirava os olhos de cima dela. Aqueles braços bem feitos e suavemente musculados, também, ui!, ui! Depois veio uma conversa sobre macrofotografia, ah e tal, ela encostou-se ligeiramente a mim para espreitar a máquina e pensei logo: nã!... tu deves é ter pegado fogo a um infantário sobrelotado na hora da sesta! Gaguejei? Não me lembro. Mas passou-me um arrepio pela espinha abaixo… Depois continuámos viagem, mais um bocadinho de tortura, deixámos o trilho e começámos a entrarem corta-mato. Eu, preocupadíssimo com o bem-estar da Liliana, e a rapariga, afinal, não tinha fibra só no corpo todo. Meteu-se por ali fora, no meio de um matagal de giestas, tojos e demais vegetação serrana, saltitando graciosamente de penedo em penedo, qual gazela passeando na savana. Mais uns pontos a favor dela.

 

Parte III – Toilette “Ufff!...”

Finalmente, estávamos de volta ao carro. Mais um bocadinho de privacidade para a muda de roupa. Eu já não sabia se havia de esfregar as mãos de contente por ir passar mais uma hora e meia sentado ao lado de uma deliciosa mulher de mini-saia, com umas coxas que me tiram a serenidade toda, ou se havia de começar a rezar antes de hora e meia de “vertigens downhill”. Tortura pura. E se eu me enganava a meter uma mudança e me “caía” a mão em cima da pele daquela coxa tão ah e tal? E se me descuidava e ficava colado naquelas coxas e deixava o carro resvalar para o meio dos pinheiros-de-casquinha e das tramazeiras e dos penedos? Ó vida difícil! Estava entregue a estes pensamentos pecaminosos, quando ela saiu, finalmente. De calças de ganga justas. A terceira toilette do dia. Pensei logo: ufff!... Acabou-se parte do tormento! Mas, atenção! Aquelas calças de ganga não são de se menosprezar. São as calças perfeitas para um qualquer passeio ou jantar, em que um homem sente aquele prazer infinito de estar orgulhosamente na companhia de uma bela mulher. Parámos, mais à frente, para provar a água na nascente do Mondego, e tive oportunidade para verificar que, efectivamente, aquelas calças eram umas boas calças. Portanto.

 

E pronto. Fui levá-la para apanhar o autocarro de volta à terra dela e regressei, sossegado, conforme consegui, para a paz da minha casinha. Seguiram-se umas quantas noites mal dormidas, assaltado por visões de mini-saias rodadas, de leggings pretas, e dos contornos irresistíveis do corpinho da Liliana. E agora, só por causa de estar para aqui a escrever isto, já estou mesmo a ver que vou ter outra noite mal dormida. Ai, a minha vida! pickwick

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publicado por pickwick às 15:37
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Sábado, 24 de Março de 2007
Pele ao léu

Às vezes farto-me de ver tanta pele feminina ao léu. À mostra. É como aquele dito popular, de que “tudo o que é demais enjoa”. Pois, tenho a dizer que começa a enjoar. Ligeiramente! Mesmo com algum frio, ou com pouco calor, como se queira, as gajas andam com uma mania desabrida para terem sempre a cintura ao léu. O umbigo, as bochechas-laterais-bóias-de-salvação, o fundo das costas, ah e tal. Quando a elegância é inegável, é bonito de se ver, e eu sou um grande apreciador. Mas a coisa toma facilmente contornos pouco agradáveis, quando todas as gajas se lembram de andar nestes preparos, nem que tenham bóias que chegassem para alimentar um esquimó durante três semanas. Fica mal, pronto! Fazem de propósito? Claro que fazem! São umas… umas… enfim… umas endiabradas! Para não entrar por outro caminho. Ao menor gesto que implique levantar os braços acima da linha dos ombros, fica logo ali tudo a ver-se, a pele sedosa, às vezes o elástico da cuequinha de cores garridas, ah e tal. Já há uns tempos tinha reparado que a Gorety (nome de código) fazia parte do grupo que adora exibir a pele. É uma trintona discreta, pouco dada a gorduras para além daquelas que chegam com a idade, mas que nunca mete as camisas e blusas por dentro das calças. É sempre com a fralda de fora, e sempre de fralda curta. Mesmo quando o tempo não está para calores. A Gorety é como a Maria: é elegante, formosa, sexy, apetitosa, mas tem uma fronha que mete medo a qualquer um numa ruela escura. Hoje, calhou estar mais de uma hora na mesma sala com a Gorety, facto que não me causa qualquer transtorno por si só. Contudo, passadas algumas dezenas de minutos, calhou passar atrás da Gorety, que estava sentadinha numa cadeirinha e ligeiramente inclinada para a frente, nos seus afazeres. Espero não ser mal interpretado, mas o meu olhar foi atraído inocentemente para uma área corporal extensa completamente a céu aberto, ali por jeitos de quem não quer a coisa mas acabam-se as costas e ah e tal. Área extensa e geometricamente pouco convencional. Olhei melhor e… não vale a pena disfarçar, era mesmo o rego do cu! Também não vale a pena estar com paninhos quentes, que ah e tal era o entre-nádegas, o ribeiro do rabiosque, o refego dos quartos traseiros, o vale dos glúteos, o desfiladeiro nadegueiro, blá, blá, blá, ah e tal, porque não! Era mesmo o verdadeiro, o único, o inconfundível, o senhor rego do cu. A minha primeira tendência foi para exclamar um “Uiiiiiii” melodioso e começar a bater com o pé no chão e a uivar desalmadamente, mas o decoro falou mais alto e engoli qualquer trejeito brejeiro que me viesse a subir pelas goelas acima. Passei adiante, a fazer de conta que estava chocado com aquela ordinarice fruto de uma moda decadente. A moda das calças de cintura descaidíssima, cuequinhas enfezadas e escondidas, camisas e blusas curtinhas, ah e tal. Gostava de saber o que é que as gajas ganham com isto tudo? Aliás, o que é que ganharam com a revolução da mini-saia? Ar condicionado para as partes baixas? Um caminho mais curto entre o nariz dos homens e algum aroma íntimo? E hoje em dia? Querem freneticamente arejar o rego do cu para quê? Problemas de flatulência por causa daquelas porcarias das fibras e dos corpos danones e dos iogurtes magros? E a barriga sempre à mostra e ao léu é para quê? É algum sistema de arrefecimento da zona intestinal para amortecer gases? Ou acham que a exposição continuada ao frio provoca uma utilização mais intensiva das células, ao ponto de derreter gorduras, celulite e outras porcarias que se agarram à chicha como as lapas aos rochedos? Francamente!... pickwick

publicado por pickwick às 00:06
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