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Quinta-feira, 3 de Agosto de 2006
Hoje apeteceu-me escrever
Deitou-se, enfim. A névoa que lhe cobria os olhos era esbranquiçada, quase como o algodão que tinha visto crescer nos campos. O olhar turvo permitia-lhe ainda reconhecer o carvalho ao fundo, as margaridas de D. Laura a escassos metros de distância. O corpo lânguido e morno, como se apenas o sangue teimasse em mantê-lo vivo. Tivera uma vida cheia, isso alma alguma poderia questionar.
Recordava agora a delicadeza com que aquela mulher o tratara, não há tanto tempo assim. Tinham passado ainda poucos meses da primeira vez em que abalara o conforto meloso do ninho, e já planava portentosamente pela cidade. Mas naquele dia chovia como se todo o Tejo tivesse evaporado e quisesse furiosamente voltar ao seu leito, e a pressão da água era demasiada para aquele par de asas tão escassamente exercitado. Deixou-se então cair, ensopado e exausto, almejando apenas não perecer no impacto. E não se finou, de facto – mas apesar da aterragem não ter sido muito violenta, chegou para provar o gosto amargo do fel no bico. Foi um par de mãos que o amparou, minutos mais tarde. Ásperas, calejadas pelo tempo, ainda assim de uma candura extrema. Foram essas mãos que cuidaram de o proteger, enquanto repousava nos imaculados pedaços de linho onde ela lhe tinha feito o pouso. A maciez no trato de D. Laura cedo lhe curou a asa ferida, mimos que não o impediram de bater as asas mal se sentiu capaz disso. O seu corpo intrépido bailava novamente no ar. Sangue pulsante, tendões hirtos, o bater musculado das asas.
Passeou-se assim, libertinamente alado, enquanto a nostalgia do doce toque da mulher nas suas penas não o fizeram voltar. Não só as carícias, mas também as frutas saborosas que ela lhe chegava ao bico e o aroma das margaridas do jardim, que lhe enchiam os pequenos pulmões de um ar diferente. Quedava-se com ela alguns dias, para novamente voltar à liberdade de que não prescindia. Era uma espécie de amor, talvez. Como aquele que sentia pela sua mãe, quando ela lhe trazia sementes de girassol ao ninho e lhe afagava as penas com o bico.
Mas ali, agora, nem a mãe nem D. Laura lhe poderiam valer. Sentiu os pulmões encolherem devagarinho, e encheu-os de pronto com uma última golfada da fragrância das margaridas. Era ali, naquele jardim, que se queria despedir do Mundo. Por fim, expirou. riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 20:27
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Domingo, 30 de Julho de 2006
Doce Nostalgia #2
É plausível, extremamente possível aliás, que este post não vos diga absolutamente nada. Mas há alturas em que não resisto a partilhar os meus sonhos, histórias e ambições de criança. Ambições de palmo e meio, ambições de 10 anos - inspiradas talvez em Enid Blyton, Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães - mas sem dúvida verdadeiras.

Perseguição Total

Introdução

Depois de dois textos da Editora Relato terem sido assinados por ele, nós, Editora, apostámos definitivamente em André Spencer Coelho, o mais recente escritor português. Quando André Spencer Coelho escreveu esta obra, fê-lo a pensar em si, leitor. Depois de duas obras com o mesmo título ("O Relatório" e "O Relatório II"), decidimos lançar para o mercado um texto com um novo título, "Perseguição Total", sempre com o mesmo personagem, o lendário Inspector Barrosão.

Sempre querendo o melhor para si,
Editora Relato


Tinha acabado de tocar para sair da aula de Inglês. Levantámo-nos e o professor mandou-nos sair. Neste caso, o director da escola Colégio Vasco da Gama tinha-me pedido para investigar quem andava a roubar os pneus da Carrinha H. Mal saímos da aula de Inglês, comecei a minha investigação. Para tentar detectar o ladrão em 27 alunos da turma C do 6º ano, apliquei a minha táctica de procurar os mais "santinhos" da turma para seguidamente os perseguir. A escolha foi difícil, mas consegui eleger um suspeito: "Manelinho, o santinho". Foi aí que comecei a minha perseguição do primeiro ao último segundo. Ele dirigiu-se à sua viatura, arrancando de imediato. Mas ele não perdia pela demora: chamei o meu carro telepático e instalei-me nele. O percurso até ao seu suposto esconderijo não foi longo. Seis quilómetros após a partida do referido Colégio, o suspeito parou. Saiu da viatura, de que eu previamente tinha anotado a matrícula, dirigindo-se para uma vivenda. Segui-o, naturalmente. Só quando o vi a sair da vivenda com o fato-de-banho vestido é que reparei que aquele "santinho" era mesmo "santinho". A seguir ele mergulhou nas águas transparentes da sua bela piscina, e eu deixei-o em paz. Coitado!
Depois fui para minha casa, tendo lá chegado por volta da meia-noite. Tentei dormir, mas não consegui: tinha de arranjar rapidamente um suspeito. Mudei de táctica. Desta vez, decidi suspeitar dos mauzões, porque tinha aprendido uma lição: não confiar nos ditados populares. No meu suspeito "santinho" eu tinha aplicado um ditado muito popular: "As aparências iludem". Mas desta vez não caí na mesma armadilha, e até inventei um novo ditado popular: "As aparências não iludem". Mas, com tudo isto, esqueci-me de dormir. Bem, só tenho 3 minutos para adormecer ou não durmo o suficiente. Até amanhã!

No dia seguinte, estive a procurar um mauzão na minha turma, e lá o descobri: "Tavares 009, danado para a porrada". Quando saímos da última aula, chamei logo o meu carro telepático, caso ele decidisse fugir antes de eu o poder seguir. Mal se via o meu carro telepático ao virar da esquina e ele já tinha arrancado. Não tinha tempo a perder! Tinha de o seguir!
- Comecei a minha perseguição total! - disse eu, enquanto o carro do suspeito se afastava cada vez mais. Arranquei imediatamente, na 5ª velocidade e a 285 quilómetros à hora. De repente, perdi o carro do suspeito de vista. Olhei para trás e lá estava ele! Tinha arrancado depressa demais para um novato a conduzir como ele. Então lá o segui a 40 quilómetros à hora até à casa dele. Chegámos lá eram 8 horas da noite, devido à demasiada lenta condução do suspeito. Ele saiu da viatura e mal entrou em casa foi-se deitar. Decidi dormir ao pé do último degrau das escadas que davam acesso à casa dele.
- Amanhã retomarei a investigação. - sussurei de mim para mim.
Acordei com um enorme peso na barriga. Olhei para cima e vi que ele me tinha tomado por um degrau. Era agora ou nunca. Eram ainda 5 horas da manhã e ele já tomava o percurso habitual para o Colégio. Segui-o a todo o custo, mas com alguma dificuldade devido ao sono. Chegámos ao Colégio e lá saltou ele o portão de entrada. Com os meus binóculos telepáticos, segui de perto os movimentos dele. Lá estava ele a roubar os pneus da carrinha! Fui-me embora para minha casa e dormi descansado o resto da noite.
Nos seguintes dias, "Tavares 009, danado para a porrada" ficou preso na cadeia de Caxias, e eu recebi a medalha de melhor detective do ano.

riverfl0w
26/9/96

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publicado por riverfl0w às 21:13
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Quinta-feira, 13 de Julho de 2006
Príncipes e Princesas com castelos de algodão

(Uma leitora deste blog, nome de código “Chi”, caiu no ingénuo erro de me pedir para escrever uma história de príncipes e princesas com castelos de algodão doce, para o blog dela. Não fazendo um caderno de encargos, um pedido destes encerra perigo eminente. O resultado não ficou bonito, mas poderá servir de aviso à navegação alheia.)
Era uma vez um Príncipe chamado Liló, que vivia num país encantado e cheio de flores com padrões axadrezados. Liló ia a passar no prado verde, montado no seu belo cavalo lilás e zarolho, quando avistou ao longe um castelo de algodão em tons de cinza. Impressionado com as vistas, Liló apressou o corcel pela relva até estacar às portas do castelo, feitas de enormes placas de chocolate para culinária. Um véu esbranquiçado esvoaçava pela janela da torre mais alta do castelo, chamando-lhe a atenção. O relinchar do cavalo zarolho trouxe ao parapeito a dona do véu. Era, nem mais, nem menos, que a Princesa Salsinha, famosa galdéria das cortes que tinha sido atirada pelo seu pai para um quarto no cimo da torre, afastada das tentações da carne. Foi, decididamente, amor à primeira vista! Um novo relinchar do corcel inquieto com tamanha seca e farto de ouvir como música de fundo mais um tema de Emanuel, trouxe Liló à realidade. Ganhando coragem, dirigiu-se à Princesa Salsinha:
Liló – Ó de cima! Ó do véu!...
Salsinha – Que quereis, nobre e viril cavaleiro?
Liló – Cavaleiro? Então? Brincamos? Eu sou um Príncipe!
Salsinha – Ah! Ok! Desculpe lá o mau jeito. Então que me quereis?
Liló – Tão sozinha aí no cimo… precisais de ajuda?
Salsinha – Bem, se me resgatásseis desta maldita torre, eu poderia confortar-vos durante uma semana ali na cabana abandonada à beira do regato.
Liló – E não podeis descer sozinha daí?
Salsinha – Não. O meu pai trancou-me aqui dentro. Sacana…
Liló – Que pena… Então, que tenho de fazer?
Salsinha – O castelo é feito de algodão. As portas são feitas de chocolate. Só tendes de seguir em frente, comendo tudo o que lhe apareça pela frente. E, para que ficais mais desperto para o que vos espera, anuncio-vos que toda a minha roupa é feita de algodão doce…
Liló – Xi… Algodão doce…
O Príncipe lambeu-se avidamente, os olhos reviraram-se e um fio de baba escorreu para cima do dorso do cavalo, que, temendo algo pior, relinchou mais uma vez, acordando Liló para a realidade.
Liló – Pronto! Não precisais de dizer mais nada! Vou a caminho, minha princesa!
Salsinha – Vinde, vinde, que vos espera a concretização de todos os vossos mais íntimos sonhos…
O Príncipe avançou e devorou as portas do castelo. Um bocado enjoativo, o chocolate para culinária, mas o amor tudo compensa. Entrando no pátio interior, aproximou-se da torre e começou a comê-la. O desespero era tanto, que Liló não se apercebeu logo que o algodão da torre não era algodão doce, mas sim algodão simples, o que, ao fim de uns 7 metros de torre, começou a tornar-se muito intragável. Ainda assim, porque o seu prémio aguardava, continuou. A torre, sendo comida a partir de baixo, metro após metro, trazia o quarto cimeiro para mais perto de Liló, que devorava os nacos de algodão com um ar já agoniado.
Salsinha – Estais quase, meu príncipe – gritava ela, já cheia de calores.
Por fim, o quarto ficou ao nível do chão e Liló viu-se perante uma porta de chocolate com avelãs. Pedaços de algodão pendiam-lhe das mandíbulas, presos nos dentes. Inspirou profundamente, arrotou com vigor e, suspirando, atirou-se à porta, comendo-a em cerca de 27 segundos.
Salsinha – Meu príncipe! – exclamou, ardente e a arfar.
Liló acabou de mastigar o último pedaço de chocolate e olhou a Princesa Salsinha, mesmo ali, à sua frente, arfando, o peito a subir e a descer por baixo de um corpete de algodão doce azul, uma cuecas e ligas de algodão doce laranja e a tatuagem de um banco de jardim do lado esquerdo do umbigo. Toda a indumentária sensual e provocante estava a derreter-se por cima daquele corpo quente de desejo. O algodão açucarado misturava-se com o suor da pele, as cores desmaiavam e Salsinha parecia coberta, afinal, por uma “nhanha” empastelada que, depois de largos quilos de algodão, não parecia nada apetecível ao Príncipe Liló.
Liló – Errr… Oh menina, que nojo que para aí vai…
Um pequeno arroto brotou-lhe por entre os dentes castanhos do último pedaço de chocolate.
Salsinha – Meu príncipe, temos que ser rápidos. Quanto a minha lingerie derreter toda, o efeito do feitiço passará.
Liló – Feitiço? Qual feitiço?
Liló olhou Salsinha com mais atenção, começando a aperceber-se de uma camada peluda que despertava para o ambiente pesado do quarto.
Liló – Oh menina, que pêlos são esses? Que nojo!
Salsinha – Na verdade, eu sou uma Knorr. Uma bruxa feiosa, que trabalha no atendimento telefónico do INEM, transformou-me numa princesa coberta de algodão doce, para se vingar dos homens esbeltos que a desdenharam durante toda a vida.
(Nota do autor: os Knorr são uma espécie rara de animais míticos, adaptados fisiologicamente de uma obra de Woody Allen; os Knorr têm cerca de 2,4 metros de altura em adultos, a cabeça é um gomo de laranja algarvia, o tronco é de um chimpanzé e os membros são de chimpanzé, mas de chimpanzés diferentes.)
Liló parou uns instantes para pensar. Aquele não era o seu ministério, definitivamente.
Salsinha – Que ar desolado é esse?
Liló – Olhe, menina, eu vou-me embora, está bem? Fique-se lá com a cabana e os algodões e tudo o resto, que eu vou mudar de ares e beber uma água com gás para desenjoar disto tudo. Passe bem!
Salsinha – Oh… - exclamou, desfazendo-se em lágrimas citrinas que lhe pingavam para os pêlos asquerosos misturados com algodão doce derretido.
Liló montou o fiel corcel, entretanto também já enjoado com tanta nojeira, fazendo-se ao prado e aos montes que tocavam o horizonte. Desapareceu para nunca mais voltar.
Moral da história: antes de qualquer casamento, convém sempre haver dificuldades que testem a relação e mostrem aqueles pêlos todos escondidos debaixo da capa do desconhecimento mútuo. pickwick

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publicado por riverfl0w às 00:06
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