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Terça-feira, 19 de Junho de 2012
A cor do primeiro encontro

Ao fim de longos meses de espera, de anseio, de lábios mordidos, de talvezes, de qualquer-dias, a Liliana viu-se a braços com o facto de ter três dias para escolher a roupa para o seu primeiro encontro com o Mateus. Naturalmente, recorreu ao meu aconselhamento técnico, dadas as minhas excepcionais capacidades para debitar baboseiras sobre vestuário feminino.

 

A primeira coisa que me veio ao pensamento, foi o meu primeiro encontro com uma mocinha, lá para o ano de 1985. Era uma rapariga engraçadinha, que me enchia as medidas, com uns lábios imprevisivelmente carnudos naquelas feições orientais. Uma mulher, é sempre uma mulher, seja chinesa, como ela, ou nem por isso, com as mesmas expectativas, preocupações e anseios. Acontece que a rapariga deve ter procurado aconselhamento técnico para aquele primeiro encontro. E tal foi a intensidade do aconselhamento, que eu quase não a reconhecida, tal era a transformação. O longo cabelo negro, que eu tanto desejava afagar e sentir, estava todinho apanhado no cimo da nuca, num enrodilhado artístico que mais parecia um cocó de São Bernardo. Desilusão completa! Semanas a fio, a imaginar-me pendurado nos fios do cabelo dela, qual Tarzan romântico, deitadas pela sanita abaixo com aquela amarração escusada. O corpinho, que eu venerava, e que conhecia ora debaixo de um uniforme escolar branco e imaculado, ora debaixo de um vestuário sóbrio, estava escondido debaixo de um exercício de alfaiate muito mal conseguido. Um vestido armado ao chiquérrimo, a atirar para o balão, que tira a qualquer homem a vontade de abraçar a cintura feminina. Uma desgraça. Para completar, uma mistura impressionante de bodegas a cobrir-lhe o rosto, que hoje compreendo, mas que na altura me deu a volta ao estômago. Para mim, que aprecio a sobriedade e a naturalidade, foi uma tacada de basebol no queixo. A coisa começou logo a correr mal, muito mal, e terminou pessimamente. Nunca mais ela falou comigo, nem eu com ela, e muitas pragas me deve ter rogado. Eventualmente, poderá ter ido para freira, à semelhança da… coiso… bom… adiante…

 

Portanto, tentei orientar o meu aconselhamento técnico no sentido do desaconselhamento. Isto é, nestas coisas, mais vale uma mulher ficar “quieta”, do que meter-se com invenções e acabar num estado desagradável à vista. Apesar disso, a Liliana insistiu em ir de vestidinho. Tem corpinho para isso, obra das longas horas quase diárias que tem passado no ginásio desde há muitos meses. Só faltava escolher a cor. Preto, vermelho, branco e preto, salmão.

 

Branco e preto, não, porque baralha. Não se pode deixar um homem baralhado, quando o objectivo é não o deixar fugir. É uma espécie de gelado “Perna de Pau”: não se sabe se começar pelo chocolate, pelo branco, ou pelo vermelho, ou mudar para uma sandes de presunto.

 

Vermelho, também não. Fere a vista e atinge o cérebro masculino, podendo provocar lesões atitudinais indesejáveis. Parece um fogo que não queima, como uma roseira que não pica, pelo que o homem, seja bombeiro, pirómano, ou maricas, não terá receio algum em se atirar de cabeça para as chamas.

 

Salmão, só a partir do segundo encontro. Salmão transmite uma ideia de fragilidade. Um homem a olhar para uma mulher vestida cor de salmão, é como um urso no Alasca a olhar para as águas baixas de um ribeiro, onde um salmão de aspecto delicioso aguarda pacientemente pelo seu fim, entalado entre dois calhaus.

 

Preto, é que é. Primeiro, ninguém desconfia. Depois, impõe respeito. Não baralha. E tem a vantagem de concentrar o olhar masculino, que fica hipnotizado como que à procura do fundo num buraco negro. E, como diria o poeta, homem concentrado, é homem garantido.

 

E nem penses em levar aquela mini-saia rodada e arejada! Senão, acabas o encontro romântico no hospital, com o pobre Mateus em estado grave de encravanço cardíaco, de língua de fora, espasmos na perna esquerda, olhos revirados, súbito crescimento capilar, e um prolongado uivo disfarçado de suspiro… pickwick

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publicado por pickwick às 09:51
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Terça-feira, 22 de Julho de 2008
Hou leng

No pretérito fim-de-semana, como diriam alguns amadores de repórteres, desci até à capital, para mais um banho de ociosidade, mulheres e alarvice. É sempre bom ir visitar a família, portanto.

 
Viajei de comboio, aproveitando o contraste entre o preço do bilhete ida e volta e o balúrdio que teria que pagar de combustível para fazer a mesma viagem no conforto do meu espectacular automóvel. Viajar de comboio é muito bom. Um gajo liga o computador portátil, adianta alguns trabalhos, ouve uma musiquinha, deita o olho às meninas que vão sentadas nos bancos à frente, deita o olho às meninas que circulam pelo corredor, e enfim, é um gosto.
 
Estas idas à capital implicam, na esmagadora maioria das vezes, uma refeição chinoca, dado que o meu paizinho é um fã dos restaurantes chineses e eu não me faço rogado, embora a comida chinesa dos restaurantes na Europa não tenha nada que ver com a comida chinesa que se come nos restaurantes chineses da China. Mas isso são pormenores. Ora, mais uma vez, lá fomos a um restaurante chinês, ali para os lados da Parede, que eu desconhecia por completo mas que já era local de romaria para o meu paizinho.
 
A dona do restaurante era uma senhora dos seus quarenta anos, mais década menos cinco anos, magrinha e pequenina, com uma fronha de poucos predicados e um sorriso repetitivo. Daquele tipo de mulheres que a gente olha, tira as medidas, e pede à Nossa Senhora para que não a faça cruzar-se muitas vezes no nosso caminho. Enfim, simpática, mas um atentado à beleza feminina.
 
A trabalhar com ela, estava outra chinesa, bem jovem, mais encorpada, mais alta, mas toda jeitosa, sem excessos. Daquelas mulheres que a gente olha, tira as medidas, mas parece que é preciso estar sempre a medir outra vez, para eventuais ajustes e acertos. Trajava à mulher europeia, com umas sapatilhas e uns calções, com um ar de grande descontracção. Não se mostrava muito à vontade com a língua portuguesa, ao ponto de ter confundido uma Fanta Laranja com um Ice Tea. Um senão: uma borbulha feiosa mesmo em cima de uma das narinas, a borrar de vermelho escuro um rosto que até era muito agradável à vista.
 
No final da refeição, e chegada a hora dos pagantes, o meu paizinho lá foi ao balcão, solicitar a conta e apresentar o cartãozinho. Eu fui atrás. Mas, o pagamento foi adiado pela tendência crónica do meu paizinho para meter conversa com chinesas. Neste caso, com a menina da borbulha, que ele ainda não conhecia.
 
Nestas situações imprevistas, eu ainda tento ser um pouco optimista e imaginar que a coisa ficará por uns poucos segundos, meia dúzia de palavras de circunstância e está feito. Sou mesmo ingénuo…
 
Bom, acho que a conversa começou mesmo com o meu paizinho a querer saber de onde ela tinha vindo, que não a conhecia de lado nenhum. Vinha da China (grande novidade!) para trabalhar numa multinacional com delegação em Lisboa, mas, nos tempos livres, vinha ajudar a amiga no restaurante. Ora, convém referir que o meu paizinho tem problemas sérios de audição, não domina o inglês oral, não domina o cantonense (dialecto outrora implantado no sul da China), não domina o mandarim (dialecto oficial que já meteu o cantonense na reforma), e tem uma lábia do outro mundo. A jovem apenas dá um jeito no português para o desenrasque, domina o inglês e, claro, domina a língua materna – o mandarim. Portanto, condições instaladas para uma conversa às apalpadelas.
 
Depois, ela quis saber por que cidades chinesas o meu paizinho já tinha andado, e lá fez ele um esforço de memória para relembrar nomes chinocas. E depois, ela quis que o meu pai dissesse qualquer coisa em chinês. Veio-me logo à ideia que ele ia aproveitar para mandar um piropo, mas, pensei, talvez não, que não fica bem a um senhor de setenta e quatro anos andar a mandar piropos a meninas de vinte e poucos. Acho que até fechei os olhos, como que a pedir a intervenção divina para que ele não se esticasse, mas parece que a oração não é algo em que possa ser mestre. Com um sorriso mafioso nos lábios, o meu paizinho lá disse em cantonense: “hou leng”! Fechei os olhos, desesperado. Como toda a gente sabe, “hou” quer dizer “muito” e “leng” quer dizer “bonita”.
 
Como se não bastasse, a rapariga não percebia mesmo nada de cantonense, logo não percebeu nada, logo foi necessário traduzir, em voz (muito) alta, em pleno restaurante, ao que se seguiu uma exibição do meu paizinho na escrita de caracteres chineses, aproveitando o facto de o mandarim e o cantonense serem dialectos completamente distintos mas que partilham a mesma escrita.
 
Por vontade do meu paizinho, ficava ali o resto da noite a desenhar caracteres chineses e a mandar piropos à rapariga, mas, se por um lado eu me afastei uns centímetros para mandar uma SMS de socorro a ver se alguém me ligava e assim tinha desculpa para bater em retirada, por outro, a rapariga começou a sentir-se mal por estar ali a dar conversa a um velhote quando se tinha comprometido ajudar a amiga nas lides do restaurante e aproveitou essa desculpa para zarpar do balcão e terminar a conversa. E pronto, viemos embora.
 
Nestas coisas, definitivamente, eu não saí ao meu paizinho. Sou mais do tipo de me armar em “sniper” e ficar, de forma muito camuflada, a abater alvos à distância. Enfim, gostos… pickwick

 

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publicado por pickwick às 21:18
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007
Orgia chinesa

Ontem fui até ao sub-mundo de Lisboa, ali para o lado de Telheiras, a uma zona infestada por criminosos de olhos em bico – a Telheiras Chinatown! Rufias doutorados em kung fu, meretrizes de vagina atravessada (como manda a tradição), tatuagens, facadas e muitos quilates. Eu gosto de entrar em zonas assim, a brisa carregada de odores intensos a moldar-me o penteado, a sensação de termos que fazer – a qualquer momento – um rotativo para manter à distância um qualquer arrebatador de carteiras. Afinal, os anos que passei no Oriente transformaram-me numa mortífera arma de pontapear bandalhos. Entrei num antro de decadência, lanternas vermelhas à porta, aroma forte a incenso, resmas de gajas com vestidos de racha até ao umbigo (a racha vinda de baixo, atenção), dois ou três chinocas com ar de gorilas encartados, champanhe, ambiente de cortar à faca. O meu grupo, bastante temido na zona, foi encaminhado para uma mesa redonda ao fundo, num recanto discreto com vista geral para o salão. Ao centro, meia dúzia de chinesas já quase sem roupa rebolavam-se no chão ou roçavam-se com um ar endiabrado numa estatueta de silicone de um touro bravo ribatejano, simulando actos inconfessáveis, carregados de um erotismo inédito. O mestre de cerimónias bateu as palmas e rapidamente surgiram, vindas não sei de onde, meia dúzia de chinesas com o ar mais leviano que se poderia imaginar. Libertas do peso atrofiador de roupas desnecessárias, estenderam-se ao comprido na nossa mesa, suplicando para as besuntarmos com molho agridoce e as lambermos de seguida. Uma cortina cerrou-se, poupando-nos aos olhares invejosos dos demais clientes daquela espelunca degradante. Que bonitas que elas ficam, assim! Com jeitinho e arte, deitámos o molho por cima daqueles corpos sequiosos de sexo e palmadinhas nas nádegas. A cor esbranquiçada da pele deu lugar a um cor-de-rosa delicioso. Elas, visivelmente excitadas com os preparos, ajudaram a espalhar o molho pelo corpo todo, metendo avidamente os dedos à boca, num claro gesto erótico de provocação. Só lhes faltou, mesmo, exclamar: oh, si, cariño! A que me estava mais próxima, agarrou-me a farta cabeleira e esborrachou as minhas beiças babosas nos seus seios com sabor agridoce, gemendo com o primeiro impacto. Agora, sim, íamos esturricar o molho. E pronto, um ventinho mais forte fez bater os estores da janela do meu quarto e lá se foi o molho agridoce. Na verdade, na verdade, ontem fui a Telheiras a um restaurante chinês, cuja especialidade era um rodízio oriental. Isto é, as travessas estavam todas dispostas ao público, a malta ia até lá, servia-se à vontade, comia, repetia, repetia, até não caber mais no estômago. Orgia, sim, mas gastronómica. Horrível. O meu paizinho ria-se, de tanta graça que achava ao meu ar guloso no regresso à mesa com o quarto prato cheio até deitar por fora. Anos no Oriente deixaram-me assim, guloso por chinesices no prato. Mesmo assim, mesmo com aquela tentação irresistível, consegui resistir! Consegui dizer “não” antes que um naco de pato assado (cha siu) viesse espreitar ao cimo do esófago. Consegui deixar espaço para o café, para o digestivo, e para uma sobremesa à uma da madrugada. Estive bem, confesso. A isto, chama-se auto-controle, e não é para todos. Com a idade, vem a maturidade, o auto-cotrole, o domínio da mente sobre o corpo, o saber dizer “não”. Só bebi duas cervejas, recusando serenamente a terceira. Estava no caminho certo, pensei comigo próprio. Este Natal, iria ser uma vitória da mente sobre a gula, do “mais não” sobre o “é cheio, obrigado”. A resistência! A oposição! A vitória! Depois, veio a noite, e um novo dia. Às dez e tal, estava eu pacatamente a ver se caçava uma pomba no quintal (são nojentas e deixam tudo cheio de cagadelas ácidas), quando aparece a minha mãezinha com um tacho e uma colher: ah e tal, não queres rapar aqui o tacho da aletria? Carago, pensei eu. Depois fui destacado para o auxílio à elaboração de uma tarte de cenoura e uma pratada de rabanadas… Ainda agora, acabei de ser interrompido na redacção deste post, pelo meu próprio irmãozinho, para ir lá abaixo alarvar na mesa dos doces, às escondidas da minha mãezinha. Sim. Sucumbi! Lá se foi o auto-controle. Maldita gula. Acho que nem com uma banda gástrica da largura do Tejo conseguia escapar. pickwick

publicado por pickwick às 16:28
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