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Domingo, 28 de Julho de 2013
No espírito da gazela

Programa para um final de tarde de Julho: ir de carro até casa do Nestor (nome de código), descarregar a bicicleta, ir de bicicleta com o Nestor até casa do Pascoal (nome de código), beber umas minis que o Pascoal tinha prometido meter ao fresco, dar uma voltinha de bicicleta pelas matas ao redor da terrinha do Pascoal, regressar a casa do Pascoal, beber mais umas minis que entretanto já estariam mais geladas do que as anteriores, regressar a casa do Nestor, carregar a bicicleta no carro, e regressar de carro a minha casa. Adoro programas saudáveis para um dia de Verão!


Onde é que entrou a gazela? Entrou na parte do programa em que estávamos a regressar a casa do Pascoal para a segunda (e última) rodada de minis e não havia mais minis. Ao invés, havia vinho verde Gazela geladinho, camarão salpicado de sal grosso, queijinho, omelete, manteiga, pãozinho, batatinhas fritas exóticas, e tostas. O Nestor ria-se e abanava-se no banco e fazia de conta que não queria mais vinho verde de cada vez que o Pascoal esticava o gargalo da garrafa para a beira do copo dele. A mulher do Pascoal parecia satisfeita por haver gente de bom garfo a fazer uma visitinha. O Pascoal estava divertidíssimo e parecia que não comia tostas com manteiga desde 1984. Eu ia descobrindo, a pouco e pouco, que os planos para um jantar saudável de água com duas barrinhas de cereais tinham ido pelo ralo do esgoto abaixo.


O regresso a casa do Nestor, já com o pôr-do-sol à vista, foi feito no verdadeiro espírito da gazela. Mas só no espírito. Porque, com aquelas subidas íngremes sem escadas rolantes, a serem trepadas por corpos encharcados em vinho verde e atulhados de petiscos, não havia gazela alguma! Quando muito, uns esbeltos exemplares de Syncerus caffer! pickwick

publicado por pickwick às 19:51
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Segunda-feira, 22 de Julho de 2013
Os pernis desequilibristas

Era uma manhã de sol e calor, típica de Julho. O plano era dar uma voltinha de bicicleta e/ou a pé pelas matas, antes de nos atirarmos – de garfo e faca em riste – aos petiscos no restaurante do Pedro.

 

Quando cheguei com o Nestor (nome de código) ao cruzamento, já depois de 45 minutos a pedalar pelos pinhais, ficámos pasmos: quatro mulheres, cada uma em cima da sua bicicleta. O maior espanto foi para duas delas, que eu nunca imaginaria que sabiam andar de bicicleta: a Dulce e a Fabiana (nomes de código muito codificados). Cada uma numa bicicleta, emprestadas pela colega-que-me-apalpou-o-braço, cada quadro mais enferrujado que o outro.

 

O sedentarismo, em particular o sedentarismo feminino português, é muito deprimente. Tal como o desempenho da Dulce e da Fabiana. Qualquer inclinação superior a 0,5% era suficiente para as bicicletas começarem a ziguezaguear perigosamente. Qualquer troço de terra batida mais parecia uma etapa do Paris-Dakar com beduínos esfaimados atrás de cada giesta. Aderiram à actividade com a falsa promessa de terreno plano e alcatroado, mas acabaram em trilhos irregulares e corta-matos inesperados. “Ai, que estou tão cansada” foi o queixume mais popular. A Fabiana caiu três vezes, em terreno plano e alcatroado. Safou-se na terra batida e escapou à fúria dos beduínos, graças àquela sábia estratégia militar de se apear e andar a pé.

 

Faziam-me lembrar a Cláudia, há uns anos atrás, quando a levei a fazer uma modesta caminhada pela Serra da Estrela, com passagem pela mítica Nave da Mestra. Os últimos quilómetros foram feitos em marcha extraordinariamente lenta, com intervalos intermináveis entre cada passada. Só lhe faltou cair para o chão e ficar a gemer.

 

Durante os momentos em que assumi o comando do carro-vassoura, deu para compreender as dificuldades. Rabos grandes e pesados, ausência de fibra, pernas em sintonia com os rabos e muito sofá. Tudo do melhor para causar sistemáticos desequilíbrios em cima de duas rodas. Ao que acresce a soberba dificuldade em vencer a roda pedaleira e fazer avançar o barco.


Mas, as moças podiam ser pouco ágeis em cima de duas rodas, mas mais destras quanto ao manejo de faca e garfo. Nem por isso. No final das “entradas” do almoço, já havia queixumes. Ah e tal, já não consigo comer mais nada. Eu, o Nestor e o Gaspar (nome de código), olhámos uns para os outros, com aqueles sorrisos alarves de quem se vê a passar o resto da tarde a esvaziar jarros de vinho verde gelado e a devorar a chicha que as mulheres – que dobravam o número de homens - não conseguiriam ingerir. Mesmo depois daquela manhã de rabos agitados em cima dos selins.

 

Depois de uma voltinha de bicicleta pelas redondezas, para fomentar a digestão, num trajecto muito mais sereno do que o matinal, atracámos junto à piscina da colega-que-me-apalpou-o-braço. Pela enésima vez, a Dulce e a Fabiana ficaram sentadinhas nas cadeirinhas, vestidas de todo, enquanto o resto do povo se banhava numa água pouco abaixo dos 30ºC. Eu compreendo que, nem uma nem outra, têm perfil fisionómico para fazer arreganhar as beiças a um homem, mas, também não havia necessidade de ficarem ali assim, tal e qual como quando estavam a almoçar. Até porque, convenhamos, os dois únicos homens presentes não estavam em condições intelectuais para conseguir notar a diferença entre um saco de batatas e um malmequer. Podiam ter aproveitado. pickwick

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publicado por pickwick às 13:56
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Domingo, 12 de Maio de 2013
Banho de leggings

Para o Carlos, era para ser um fim-de-semana “só no relax”, em Mira. Pois. Ah e tal, na companhia de duas mocinhas de 23 e 24 anos, coiso, uns passeios de bicicleta, umas refeições agradáveis para elas mostrarem os seus dotes com os tachos, aspirar o ar do mar, comer uns caracóis, e por aí fora.

Mas, a vida não costuma prendar os atrevidos com a doce descontração da monotonia.

Tudo começou com um supostamente pacífico passeio de bicicleta a quatro pelos pinhais. Os homens, machos, trajados como quem vão para uma aventura. Elas, muito fêmeas, trajadas com leggings.

Podiam ser mal feitinhas de corpo, com nádegas-de-farinheira, flacidez generalizada e celulite abundante? Podiam. Mas, não. Nem uma pontinha de flacidez, ou gordurinha, ou celulite, ou o que quer que fosse fora do sítio. É no que dá praticar-se desporto regularmente e com afinco. Depois, o que é que acontece? Um gajo, vem lá da parvónia onde as gajas têm bigode e arrastam nalgas gigantescas, e entra em sofrimento súbito e incontrolável.

Eu podia ir na frente do pelotão, liderando e apontando o dedo ao arvoredo? Podia. Mas, fiquei para trás, em jeito de carro-vassoura, num sacrifício sem medida, torturado impiedosamente ao ritmo implacável de cada pedalada feminina. Eu já tinha uma impressão esteticamente positiva das leggings, e, ingenuamente, até pensava já ter atingido o zénite da apreciação desta moderna forma de trajar feminina. Que ingénuo! Credo! Há visões, a partir de um carro-vassoura, que são quase que indescritíveis, de tão perfeitas. Há uma harmonia no negro que cobre os glúteos, que ultrapassa todas as palavras que se poderão juntar para cantar o balancear das ancas. Enfim. Um gajo não faz mal a ninguém e depois tem que sofrer assim. Há justiça no mundo? Claro que não há.

A determinada altura, vimo-nos enfiados no meio de um mato confuso, alterado pela queda catastrófica de milhares de árvores em 2013. Opção: atravessar o leito de um ribeiro com cerca de uma dezena de metros de largura e água acima do joelho. “Vala” é como lhe chamam popularmente. Com as bicicletas. Eu não sabia, mas pedalar com água quase a chegar à coxa, não dá grande resultado, em especial com o fundo arenoso. Lá se fez a travessia, um a um, em grande galhofa, sempre na expectativa de que alguma alma tropeçasse e fosse arrastada pela corrente, afogando-se, devorada pelos crocodilos ou engasgada com um lagostim atravessada nas goelas.

Como a malta é jovem, a travessia não bastou. Houve que regressar para dentro de água, sem as bicicletas, e dar umas braçadas à mete-nojo. Fica sempre bem às meninas atirarem-se à água sem roupagem adequada… molham-se, a roupa molhada desadequada cola-se ao corpo, coiso e tal, as leggings não precisavam porque já estavam coladas, enfim. E, claro, roupa molhada torna-se transparente. O que faz com que, qualquer cuequinha com coraçõezinhos fica imediatamente visível, tanto em textura, como na dimensão da nádega que cobre.  

Como a malta é jovem, a travessia e o banho não bastaram. Havia que voltar para dentro do leito do rio e seguir a corrente, sempre com as bicicletas. Era um plano inteligente, audacioso, que correu lindamente na primeira meia dúzia de metros. Até os guiadores desaparecerem abaixo da superfície da água.

À noite, de banho quente tomado e agasalhados por causa do vento frio, comeram-se uns caracóis e beberam-se umas cervejolas e provaram-se novamente uns “viriatos” e tentou ver-se um filme e tal.

No dia seguinte, Domingo, novamente em cima das bicicletas, novamente leggings, novamente um sofrimento indescritível. Ah e tal, são tão confortáveis, comentava a Liliana. E pensava eu para comigo: são tão confortáveis, que se consegue averiguar mais detalhadamente o corpo de uma mulher de leggings do que o de uma mulher com micro-biquíni. Este, é um facto inquestionável. Aliás, eu até ia mais longe. Mais detalhadamente do que uma mulher nua, porque pode ter aqueles quilómetros de pêlos públicos encaracolados que distorcem as linhas da pele. Com leggings, não há enganos nem distorções. As leggings revelam a verdade. Tenho dito!

Para aliviar a coisa, teoricamente, surgiu a oportunidade de um passeio numa barca típica numa lagoa. Podia ser um passeio pacífico? Podia. Não fossem as meninas gostarem de ficar de pé, em cima do banco da barca, a balouçarem para um lado e para o outro. De leggings. Num lindo dia de sol. Com a luz recordada pelo negro que cobria os glúteos. Já tinha falado no negro que cobria os glúteos? Talvez, mas nunca é demais reforçar certos detalhes, não vá a memória fraquejar. Acho que os escravos das galeras sofreram menos em décadas de trabalhos forçados do que eu ali, em meia-hora de tortura psicológica.

Por fim, a Liliana fez um arroz de tamboril que ainda não provei, por estar aqui na escrita, torturado pela circulação das leggings dela pela cozinha. E a Alexandra fez uma sobremesa húngara com croissants fatiados (what?!) que também ainda não provei, e sim, a Alexandra também anda para ali de leggings de um lado para o outro. Há um ambiente nesta cozinha que não se aguenta!!! pickwick

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publicado por pickwick às 14:43
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
O dia do Lambrusco

Num saltinho, fui ao Pingo Doce comprar cinco garrafinhas de Lambrusco, essa pomada refrescante para aqueles momentos de maior necessidade. De regresso a casa, foi trocar as calças de ganga pelos calções de banho, atascar a mochila com a toalha de praia e as garrafas e a lanterna e os chinelos e mais meia dúzia de tarecos insignificantes. Passar pela garagem, pegar na bicicleta e atravessar a vila com o ar mais descontraído possível, passando despercebido graças ao chapéu-à-malandro e aos óculos-à-mete-nojo.

 

Normalmente, as pessoas andam de bicicleta com um máximo de dois litros de água num daqueles depósitos high-tech incorporados numa mochila muito larilas. Mas, eu, não!, tinha que ir carregado que nem uma mula a caminho do Huascarán...

 

Atravessada a vila, sete quilómetros pelo interior de uma imensidão de pinhais e antigos terrenos agrícolas. Dado o aproximar do meio-dia, tenho que reconhecer que foi uma boa escolha: por um lado, escapando ao trânsito das estradas alcatroadas; por outro, dos sete quilómetros, só uns quinhentos metros é que foram a levar com o sol nos costados, já que o resto foi sempre debaixo de uma muito confortável sombrinha.

 

E este filme todo para quê? Para chegar à piscina da colega que em tempos me apalpou o braço, local escolhido para um ajuntamento de tropas, numa singela aldeia perdida no meio de nenhures.

 

Ou seja, basicamente, um gajo chega, atesta a arca com cinco garrafas de Lambrusco e mais outras três que por lá apareceram, atira-se de mergulho para a piscina, troca duas ou três impressões com o Pedro sobre a dificuldade da vida que é estar ali naquelas condições desumanas, e aparece a anfitriã com umas minis e uma travessa cheia de empadas, pastéis de bacalhau e umas cenas a meio caminho entre um rissol e uma chamuça. Obviamente, um gajo não sai da água. Abeira-se da margem, apoia-se com os cotovelos, e serve-se: mini numa mão, salgadinho da outra. Pumba! E mais um mergulho. E mais uma mini. E mais uns salgadinhos.

 

Entretanto, chegam mais umas colegas, completamente desprevenidas para banhos, o que levantou um coro de protestos. Porque, não é justo ter-se uma piscina, dois gajos e cinco gajas, e três delas não têm equipamento. Não é justo!

 

Lá mais para a frente, houve que sacrificar o prazer e saltar fora, para grelhar uns enchidos e umas carnes, petiscar daqui e de dacolá, esvaziar metade dos Lambruscos, provar os ovinhos de codorniz, o queijinho, e coiso e tal. Uma vida muito difícil, diga-se.

 

Depois do repasto, meteu-se a conversa em dia na frescura da cave, enquanto se provavam uns licores e uns digestivos e ah e tal.

 

E, assim que tocou a sineta do fim da digestão, pumba! para dentro de água outra vez, que, lá para o final da tarde, estava um caldinho para cima de trinta graus. A sorte, é que a anfitriã mantém um frigorífico no recinto da piscina, estrategicamente abastecido de minis, para aquelas eventualidades que… ah e tal…

 

Isto é tudo pormenores insignificantes, eu sei, por isso é que começámos a ficar com a pele engelhada de tanto tempo de molho e tivemos que regressar à mesa para provar os dois quilos de camarão e acabar com o resto dos Lambruscos. Parecia uma tarde nos tempos gloriosos de Roma.

 

Entretanto, lá para as dez da noite, a malta começou a abandonar o barco. Eu esfreguei as mãos de contente por ter ido de bicicleta, o que me permitia beber sem medida, na certeza de que agente algum da autoridade estaria escondido atrás de um pinheiro, na escuridão da mata, à espera de passar um ciclista desprevenido com excesso de coiso no sangue.

 

Tirando este aspecto altamente positivo, sobrava a realidade do regresso, a cavalo da fiel bicicleta. A minha sorte, reconheço, foi ser um moço prevenido e ter levado a lanterna na mochila, porque, se fosse confiar no farol xpto da bicicleta, bem que se podia atravessar um elefante pintado de verde fluorescente no meio do trilho, que eu não dava por nada e espetava-me no meio daquelas pernas elegantes. Assim, foram sete quilómetros aos zigue-zagues, a piscar os olhos, lanterna na mão esquerda e um camarão a saltar até às goelas a cada solavanco naqueles trilhos acidentados. pickwick

publicado por pickwick às 22:33
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008
Amelinha e o colete

Um grupo de jovens amigos preparava-se para um passeio de bicicleta numa escaldante tarde de Domingo. Cientes das questões de segurança associadas a actividades desta natureza, os jovens envergavam coletes reflectores e capacetes típicos do ciclismo. Rapazes e raparigas, assim na casa dos 20, mais ano, menos tremoço. Eu andava por perto, empenhadíssimo na minha missão dominical.

 
Às tantas, este apuradíssimo sistema auditivo que transporto nas zonas laterais do crânio detectou uma conversa que merecia alguma atenção da minha parte.
 
Adulto preocupado: Amelinha, vais assim vestida?
Amelinha: Vou.
Adulto preocupado: Não levas o teu colete?
Amelinha: Não.
Adulto preocupado: Queres que te empreste o meu?
Amelinha: Não, vou bem assim, obrigada.
Adulto preocupado: Mas, não tens outra roupa?
Amelinha: Tenho, mas vou bem assim.
Adulto preocupado: (silêncio).
Amelinha: (meia-volta).
 
Não quis perder a oportunidade de registar o alvo de tanta preocupação por parte do adulto em causa e partilhar o objecto em si. Afinal, não há melhor disfarce para um fotógrafo, do que o próprio disfarce de fotógrafo. Se é que me faço entender. Aqui fica, então, o belo par de nádegas da Amelinha.
 
 
 
 
Portanto, e analisando friamente a questão, se de pé, firme e hirta, as nádegas da Amelinha já são o que se vê, uma provocação sensual irresistível, imagine-se a proprietária das mesmas encavalitada no selim de uma bicicleta. Imagine-se o efeito da flexão do corpo para a frente na disposição dos humildes calções e consequente visibilidade das perfeitas bochechas que compõem o par de nádegas. Imagine-se o aperto. Imagine-se o suor. Meu Deus…
 
Nota do autor: os factos aqui narrados, bem como a imagem e os suores sentidos, são em tudo coincidentes com a realidade presenciada e vivida. Ficção, só mesmo o rumo tomado pela imaginação nos minutos que se seguiram. pickwick
publicado por pickwick às 00:02
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008
Quinta da Vedação

Outro dia, fui dar um passeio de bicicleta naquela altura do dia em que ninguém desconfia, assim a hora e meia do pôr-do-sol, como quem chega a casa depois de mais um dia de trabalho no patronato. Embora tenha já uns percursos alinhavados para puxar pelas pernas, onde se destaca uma descida até ao Mondego e o penoso regresso a casa, sabe sempre bem explorar novos trilhos. Aqui, a aldeia é rodeada por matas de pinheiros e antigos terrenos agrícolas, algumas espécies florestais nativas aqui e acolá, um ou outro ribeiro, e muitas subidas e descidas. Quilómetros e quilómetros…

 
Relativamente perto, há uma quinta recuperada para efeitos de turismo, cujo tipo ainda não consegui perceber, embora no site da Câmara Municipal falem daquilo como se fosse uma versão rural do “Dolce Vita Tejo”. Para mim, parece mais uma treta para dar de mamar a uns quantos iluminados partidariamente bem conectados.
 
Acontece que a quinta passou a ter uma vedação de rede. Quem olha através da rede, só vê mato rasteiro e não percebe o que é que aquilo tem de tão maravilhoso assim. A originalidade do local é de tal ordem, que até o nome é original e só pode ter sido produto de momentos de profunda e divina inspiração: Quinta da Vedação (nome de código, claro). A originalidade não é tanta assim, pois já reparei que há mais umas quantas quintas com o mesmo nome espalhadas pelo país. O que quer dizer que, se eu comprar um terreno em nenhures e lá largar uma carrada de tijolos, posso pomposamente chamar o meu terreno de Quinta dos Tijolos. Básico. Muito básico.
 
Bem, posto isto da apresentação turística, cheguei ao portão da quinta e segui por um trilho apertado que segue do lado direito, junto à vedação, claro. Mais à frente, o trilho alarga-se e, durante uns dois quilómetros, vai-se cruzando com outros trilhos, fazendo curvas e contra-curvas, proporcionando aquele prazer imenso que é ir a esgalhar ora por cima de lajes de granito, ora em terra batida, a ver quando é que um gajo se espalha ao comprido e enfia com a dentadura num naco de rocha.
 
Entretanto, cheguei a um curso de água que dá pelo bonito nome de Cagavaio. Este, sim, é um nome original e divertido. Passei o curso e segui por um trilho que virava à esquerda, uma vez que o da direita levava a uma povoação onde já tinha passado noutra altura. Em poucos metros, o trilho que seguia passou a acompanhar a vedação da dita quinta. Um trilho majestoso, suficientemente largo para um jipe circular à patrão. Eu nem fazia ideia de que a vedação da quinta continuava para o lado de cá do Cagavaio, o que já parecia ser até um abuso, mas, dada a largura do trilho, não valia a pena reclamar.
 
Trilho e vedação seguiam lado a lado. Giestas altas, tojos e silvas, compunham a vegetação circundante, misturadas com penedos de granito. Estas coisas de andar pelos trilhos são muito bonitas, mas há que cuidar dos acidentes. Ou seja, cada vez que se atravessam silvas ao caminho, há que apear da bicicleta e levá-la ao ombro, para não arriscar um furozito pouco desejado.
 
Parei numa laje gigantesca para puxar da Canon e testá-la na caça ao pôr-do-sol, nos poucos minutos que ainda sobravam até o sol desaparecer lá ao fundo, por trás dos montes. Ainda perdi um tempinho a brincar aos fotógrafos, mas deu para relaxar, ali, no meio do nada, só com o laranja do céu, o verde da vegetação o cinzento do granito. Muito bonito.
 
Depois continuei, pedalei, subi e desci, e o raio da vedação parecia não ter fim. Um verdadeiro abuso. Do outro lado do Cagavaio, atrás de umas árvores, avistavam-se alguns edifícios pintados de amarelo-cocó-de-bebé, a destoarem completamente com a paisagem, já com os pontos de luz a funcionarem. Era o complexo urbanístico da quinta, pois claro. E a noite a cair, a passos largos.
 
A ideia não era pedalar de noite. Com sorte, daí a poucos metros encontraria outro trilho, mais plano, que me levaria a uma povoação e a partir da qual chegaria a minha casa em vinte minutos. E tanta sorte tive, que, daí a poucos metros, o trilho terminou abruptamente junto a um lameiro ao lado do curso de água. No lameiro, dois burros pastavam. Dos verdadeiros, tipo jumentos, asnos e ah e tal. A vedação continuava a fazer curvas e contra-curvas. À frente, a giestas enormes e silvas a condizer barravam o caminho, numa mistura de densidade impenetrável. Noite.
 
Nestes momentos, não há compostura que sobreviva! Então aqueles montes de esterco fizeram um trilho ao lado da vedação e depois acabam com o trilho assim, sem mais nem menos?! Cambada de testículos de javali que pariram o caraças da quinta!!!
 
Há já algum tempo que não praticava o calão lusitano corrente e de baixo nível, pelo que foi o momento oportuno para rever o repertório nacional e desenvolver a expressão oral.
 
Não havia mesmo outra solução senão voltar para trás, com a visibilidade a desaparecer e a espumar de raiva pelos cantos da boca. Ainda me aventurei num minúsculo eucaliptal que surgiu numa curva, mas, onde aquele acabava, recomeçava a vegetação alta e impenetrável. Meti o “farol” no guiador e foi sempre a abrir até chegar à estrada alcatroada, já depois das 22h00. Enquanto havia vedação, havia asneiras a bailar no ar, predominando as começadas por “C” e “F”.
 
Cheguei a casa às 22h30, ainda com restos de espuma nos cantos da boca e um olhar assassino como quem deseja ardentemente esfrangalhar à catanada os inventores da quinta e da sua vedação.
 
Para a próxima, além da bomba de ar para os pneus, do equipamento para iluminação, da chave-estrela, do cabo com cadeado e do spray lubrificante que costumo levar sempre na mochila para estas escapadinhas na natureza, vou levar também uma bateria de doze Volt, daquelas dos automóveis, uns cabos eléctricos com pinças e um tijolo.
 
E para que quero eu uma bateria, uns cabos e um tijolo? É simples. Da próxima vez que me irritar daquela maneira, no meio do mato, solto o animal que há em mim, salto a vedação, procuro o patrão da quinta, parto-lhe o tijolo na cabeça, baixo-lhe as calças e as cuecas, e frito-lhe os testículos com choques eléctricos. Sacanas, pá!... pickwick
publicado por pickwick às 00:06
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Sábado, 8 de Setembro de 2007
Na Sopinha da Aguieira - 1
No passado fim-de-semana, combinei uma ida à Barragem da Aguieira com o Nando e o Miguel. Porquê? Porque sim, e porque o Miguel queria ir treinar windsurf, e porque a água é salobra e dá vontade de ficar-se por lá de molho, como numa sopinha, e porque ainda é Verão. Para condimentar a coisa, obriguei-me a fazer o percurso de bicicleta, que é coisa de homem, até porque a distância de minha casa até ao sítio combinado é de cerca de 36 km. O Nando, que arranjou maneira de habilmente não trazer a bicicleta dele, ofereceu os seus préstimos para servir de “carro de apoio”. É bonito, ter-se um “carro de apoio”. Ah e tal, porque eu não sou como vocês, eu trabalho e preciso de descansar e mais não sei quê. Pois sim. Bem, os primeiros quilómetros da jornada correram bem, pelo menos até chegar à Lapa, num sítio onde a estrada passa por cima da linha e que, por isso mesmo, se eleva em altura, facto que serviu de pronta desculpa para desmontar da bicicleta e ir a pé. Vá lá, foi a única vez em todo o percurso que sucumbi à tentação de poupar-me ao esforço. Enfim. A sorte, é que o percurso tinha sido cuidadosamente estudado, havendo a certeza de que era quase sempre na horizontal, o que é muito bom para a saúde e facilita. As partes irritantes foram aquelas em que se atravessavam aldeias e aldeolas, trocando-se o piso de alcatrão perfeito por um montão de “paralelos” de pedra, obrigando a um passo de caracol e à sensação de que a bicicleta se iria desmembrar toda a qualquer momento. Não se pode ter tudo, é sabido. Em jeito de reclamação, tenho a dizer que fiquei extremamente desiludido por não haver exemplares do sexo feminino nas ruas das aldeias por onde passei. É desmoralizante! Só gajos com mau aspecto e automóveis estacionados. Assim, não estão reunidas condições para um passeio de qualidade! Adiante, mais à frente, já quase a chegar à barragem, e na dúvida sobre qual o caminho a tomar para rodear as bombas de gasolina e atravessar a ponte, liguei para o meu “carro de apoio”. Do outro lado, um toque de conforto: “estou perdido”. Excelente! Não sei quê IP3, nomes de aldeias para aqui, nomes de aldeias para acolá, mas, pronto, lá nos encontrámos e rumámos ao local combinado com o Miguel. Contudo, achei por bem obrigar o “carro de apoio” a pagar um fino no “Lagoa Azul”, até porque estava muito calor, a garganta estava seca e uma cervejinha cai sempre bem a qualquer hora. O Miguel, já na “praia”, tinha acabado de chegar com o seu C3, prancha de windsurf no tejadilho e um desejo enorme de se fazer à água. Fomos testar a qualidade da sopa, que se mantinha a uma temperatura agradável, convidando-nos a ficar a boiar, como se fossemos feijões e ervilhas. Ui! Do melhor! Não sabia que montar o equipamento para a prática de windsurf dava tanto trabalho! É só mecanismos esquisitos, fitas para aqui, esticadores para ali, encaixa dali, estica de acolá, enfim. O Miguel já suava por todos os cantos. Um caiaque acho que dava menos trabalho. Mas, pronto, gostos são gostos. Levámos a prancha para a água, para encaixar o mastro da vela, e puf. O encaixe da vela na prancha partiu-se. Ah e tal, isto tudo custou-me 100 euros em segunda mão, material de mil novecentos e oitenta e não sei quê, tinha o Miguel anunciado minutos antes. Eu ainda gostava de saber quem foi o anormal que inventou um encaixe daqueles, em plástico, com cerca de quinze milímetros de diâmetro. É normal? Claro que não é normal! Não lembraria a ninguém! No mínimo, um encaixe em aço, com trinta milímetros de raio, que é para não se partir e estragar o dia ao dono e aos amigos do dono que tinham vindo de tão longe para apreciar a arte de surfar com a força do vento. Por falar em vento, esse estava de férias, de tal maneira que um barquinho à vela que velejava algures no meio da barragem, ficou sem energia e os desgraçados ficaram ali incontáveis minutos completamente parados no meio do nada. Com tanta energia dispendida na montagem do equipamento (o Miguel a montar e nós a darmos apoio moral), e com o choque psicológico de vermos o encaixe partido, fomos atacados por uma fome horrível. Corremos para a pseudo-sombra de umas mimosas e começámos a tratar do almoço. Ementa: presunto, chouriço assado, pão e batatas fritas. Acompanhamento: três garrafas de tinto. Sobremesa: licor de uva caseiro. Há uma grande vantagem em não se fazer um piquenique com gajas. A ementa é muito mais restrita e limitada, sendo possível, assim, apreciar com mais rigor a qualidade e o sabor dos itens disponíveis. Não somos obrigados a comer rodelas de tomate, a catar lascas de cenoura, a debicar folhas de alface, a provar a colheita de sumo de laranja e a mordiscar uma maçã, só para ficarmos bem na foto e sermos simpáticos. Não há rissóis, croquetes, empadas, doces caseiros, rolinhos de fiambre e queijo, e outras iguarias perfeitamente dispensáveis. No fim, até podemos terminar tudo com uma boa cigarrilha. E a meio, quando nos apetece, como aconteceu, podemos levantar da “mesa” e ir a correr para a água refrescar o corpo aquecido por um intenso dia de Verão. Só tivemos um pequeno deslize, cuja culpa nos é alheia: uma das garrafas de tinto estava estragada, sendo que o líquido sabia a groselha com detergente para a loiça e fazia muita espuma. Azar. pickwick
publicado por pickwick às 00:10
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