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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012
Teorias com prostitutas I

Mais uma viagem de carro desde a província até à capital. É sempre aquela viagem solitária, aproveitada para meditar sobre “a vida, o amor e as vacas”, observar o tráfego e o casario, enfim. E as prostitutas, de serviço à Nacional 1.


Eu sei que não soa muito bem, mas é verdade que tiro as medidas a todas elas. Entremeio a música do rádio com um repertório pessoal de expressões qualificativas resultantes de apreciações rigorosas e imparciais: uiiiiii…, eia que nojo!, eh lá!, tão gira!, blerk!, tão feiaaa!... e por aí fora. Nesta viagem, em particular, as expressões elogiosas estiveram em crise, em virtude da falta de qualidade dos exemplares avaliados, mas, há viagens em que funciona ao contrário. A par das expressões verbais, aproveito a solidão da viagem para me expressar corporalmente, com toda a liberdade que o banco do lado vazio me permite. Ora assobios, ora esgares de vómito, ora boca aberta e silêncio profundo. É da variedade que nasce a riqueza, já dizia o poeta.


Adiante. Ora, dadas as circunstâncias actuais da minha vida pessoal, veio-me à alembradura uma teoria muito antiga para resolver o buraco da minha vida sentimental. Reza a mesma que poderia parar à beira de uma qualquer jovem prostituta, desde que bem apresentada, ou bem-apessoada, e propor-lhe o abandono daquela vida dura, a troco da partilha do resto da vida dela comigo. Trocar a vida de objecto sexual para ser a única princesa de alguém. Blá, blá, blá. Só um gajo desesperado é que se lembra destas coisas, eu sei, mas já foi há muito tempo, mesmo.

 

E, se bem me lembro, o prazo de validade desta teoria terminou quando fiz a pé a estrada entre Lourosa e Espinho e me cruzei com uma prostituta tão feia, mas tão feia, mas tão tipo-atropelada-por-manada-de-búfalos-em-pânico, que ainda andei uns vinte passos a cambalear, agoniado com a visão, como se tivesse engolido de uma só vez uma perna de javali a decompor-se há duas semanas e invadida por uma colónia de larvas asquerosas a contorcerem-se de mórbido prazer com o nojento banquete.


Era uma teoria engraçada, era. Para uma época em que um gajo não era muito esquisitinho, tinha a fasquia quase a roçar o pó do chão, e havia disponibilidade psicológica para aturar um défice intelectual grave… pickwick

publicado por pickwick às 11:30
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Falha de pontaria

Depois de três horas de viagem, desde a capital, chegámos finalmente a Coimbra. Parecia estarem em curso as celebrações de um qualquer mega-casamento, tantos eram os carros que apitavam à nossa volta. Um deles atravessou à nossa frente, com três jovens alojados na bagageira aberta, de pernas penduradas no para-choques e segurando copos e garrafas. Provavelmente, não seria um casamento, mas um festejo futebolístico. 

 

Fui levar o meu companheiro de viagem até onde havia deixado o seu carro, numa ruela manhosa algures na zona antiga da cidade. Durante alguns minutos, fizemos a trasfega do material dele para o respectivo bólide. Mochilas e caixinhas, basicamente.

 

Entretanto, enquanto o Miguel ultimava a arrumação perfeccionista na bagageira, dei conta de uma moça ao longe. Loira e elegante, trajada com roupas de cores vistosas, entre o preto e o vermelho, acabava de fechar a porta do seu carro e metia-se a caminho, rua acima, na nossa direcção. Passo lento, como quem não tem pressa, em cima de um par de saltos altos - o calçado perfeito para uma rua com chão de “paralelos”.

 

O Miguel bateu com a porta da bagageira e eu fui ter com ele, com o meu ar de gajo chateado com a sorte: oh pá, já fechaste isso? que pressa! devias demorar mais tempo, para apreciarmos a gaja que aí vem… Fiz de conta que encetava o discurso de despedida, para ver se ela passava por nós. Pelo canto do olho, topei que já estava a poucos metros. Ui! Ui!

 

Nisto, ouço o Miguel: então? andas a passear?

 

Pensei logo: ah e tal, querem ver que a gaja é uma galdéria e o Miguel anda aí na má vida para a conhecer? Olhei-a de frente, enquanto eles trocavam beijinhos e faziam conversa de circunstância. Afinal, era moça para a minha idade, ou pouco mais velha. Mas fazia cá um vistaço! Uiiii!... Muito bem apresentada, realmente. No entanto, a combinação de elegância, roupa e cor de cabelo, fazia-me imaginar rapidamente uma mulher para todo o serviço.

 

Em menos de cinco segundos, o Miguel estava a apresentar-me a moça, beijinho-beijinho, nome para lá, nome para cá, ah e tal esta é a mulher do Fernando. Claro que é, pensei eu, mas que grande argolada! O Fernando é um amigo comum e excelente pessoa. Fiz meia dúzia de palavras de circunstância e meti-me a olhar para as fachadas das casas antigas à volta, na esperança de que a moça jamais percebesse que poucos segundos antes estava rotulada de rameira. Nunca se deve menosprezar a capacidade feminina para adivinhar, apenas com uma simples troca de olhares, o que vai na cabeça de um homem…

 

Pouco depois, despediu-se e foi embora, aguentando-se habilmente por cima dos “paralelos”, qual penico equilibrista. Não troquei palavra alguma com o Miguel sobre o assunto. Fiquei tão engasgado que não me ocorreu mesmo nadinha. Só dei Graças por não ter tido uma inoportuna descaída ao género da construção civil: nem assobios, nem caça aos macacos, nem meio-fósforo entalado nos caninos, nem um piropo de vocabulário refinado. Teria sido um incidente diplomático sem reparo possível. pickwick

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publicado por pickwick às 22:24
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007
Nossa Senhora do Assobio

Bom, para ser franco, esta nossa senhora não é do assobio nem da bufa, mas, para manter o anonimato, há que não identificar locais. Seja do assobio e ponto final. Adiante. O frio já se foi, o calor está a ver se fica, há mais sol que sombra e enfim, apetece sair à rua, depois um Inverno cinzento e gelado. Por sair à rua, entenda-se um bocadinho de exercício físico para descongestionar as células que passaram meses a banquetearem-se com gorduras acumuladas pela ingestão de entremeadas, cervejolas, mais entremeadas, chouriças, queijos e outros requintados petiscos nacionais. Pronto, estou a exagerar, que até nem abusei muito, mas sabeis como é: verão, praia, sexo, etc. Outro dia, já lá vai quase um mês e ainda fazia frio, resolvi subir a escadaria da Nossa Senhora do Assobio, com aquelas capelinhas espalhadas entre os lanços. Aproveitei a estadia na cidade e, com as botifarras de galgar paredes, fui por ali acima, até à igreja, lá bem no alto. Cheguei com os bofes de fora. Completamente de fora. Se tivesse comido um iogurte, tê-lo-ia vomitado logo ali, pela boca e pelas orelhas e pelo nariz. Nem me conseguia baixar, porque as pernas não aguentavam e caía logo no chão, feito pardal. Pensei para comigo: oh caraças, estás mesmo em baixo de forma! Desci a escadaria toda até ao carro e rumei a casa, começando assim um penoso processo de incremento de uma dor irritante nos músculos das pernas, que só desapareceu passados muitos dias. Hoje, chateado por estar em baixo de forma, alegre por estar um belo dia de sol, fui até à escadaria da Nossa Senhora do Assobio. Larguei o carro ao cimo das escadas, numa jogada brilhante, e fui por ali abaixo, até ao fim da escadaria. Meia e volta, e aí vai ele, todo manganão, machão e muito viril, em passo ligeiro, degraus acima, o segundo lanço de escadas entusiasma-se, corre, corre, ao terceiro lanço vai a passo para regularizar a respiração, ao quarto lanço corre outra vez, upa, upa, eia, eia, bofes de fora, e é melhor não correr mais que isso cansa. Cheguei ao cimo de tal forma que nem podia com um rato pelo rabo. Pernas a tremerem mais que as canas num canavial em dia de tempestade. Inspira, expira, inspira, expira, meio segundo para cada. Tive que sentar no granito do degrau mais próximo, porque a vida não estava fácil. Sorte que não havia ninguém por perto, Especialmente gajas. É foleiro um gajo ser apanhado por uma gaja com os bofes de fora. Ponderei o estado físico, até porque a escadaria era mais comprida do que parecia, e achei que estava pronto para repetir a proeza mais meia dúzia de vezes. Gajo que é gajo, não se fica por menos. Retomado o ritmo da respiração, toca a descer. Ao terceiro lanço de escadas, cruzei-me com uma senhora de idade, de mochila às costas, a trepar os degraus como quem vai de patins, e já quase a chegar ao cimo das escadas, portanto. Ora, isto não abona nada em meu favor. Olhei em redor, não vi ninguém, e deduzi que mais ninguém topou que, tecnicamente, tinha sido batido aos pontos por uma velhota. Enfim. Atirei para trás das costas. Um gajo não pode atrofiar com estas coisas. Fica mal e não dá saúde. Chegado ao fim das escadas, meia volta, e aí vai ele, escadaria acima, todo macho, upa, upa, desta feita mais devagar, a arfar, a bufar, a revirar os olhos, quase a cambalear. Vergonhoso, eu sei, mas não estava lá ninguém para ver. Nem me atrevi a correr, não fosse tropeçar logo no primeiro degrau, como se este tivesse 90 cm de altura. Ao cimo, o mesmo pensamento: estado físico, aguenta-se mais uma? Claro que aguenta, mas só depois de descansar um bocado e deixar de arfar como um cão tinhoso que correu à frente de um búfalo durante quatro horas seguidas. E depois de deixar de ouvir aquelas batidas ruidosas no peito, o sangue a ser bombeado a toque de caixa pelo corpo fora, o motor quase a engasgar-se. Homem que é gajo, ou vice-versa, não desarma, e havia que tentar uma terceira vez, pelo menos. Assim foi. Pezinhos de lã escadas abaixo, pezinhos de chumbo escadas acima. Ao cimo, o delírio: tonturas quanto baste, o coração saltou cá para fora e ficou pendurado por uma artéria num dente, mais tonturas, pum, pum, pum, pum, parecia um burro a zurrar e a levar uma carga de porrada. Triste figura, eu sei. Mas não estava ninguém a ver. Nenhuma gaja. Estava safo. Ainda faltava um lanço até chegar ao carro. Parecia a Grande Muralha da China, tal modo parecia comprido. Eram só meia dúzia de degraus, pronto, mas parecia mesmo a muralha. Consegui chegar ao carro, pé ante pé, não fosse tropeçar e cair, que agora não podia cair, porque havia gajas ali espalhadas, nomeadamente enfiadas dentro de carros com gajos de ar suspeito que lhes aferiam a qualidade da chicha. Abri a porta de trás, entrei, tranquei as portas, deitei-me no banco e fiquei para ali, feito triste, ao abrigo visual do povo, a arfar, a gemer, a revirar os olhos, ai, ai, ai. Lembrei-me daquelas conversas que ah e tal, não faça esforço físico sem antes consultar um médico e não sei o quê, testes médicos de esforço, electrocardiogramas, água, muita água, muita sede, gajas boas, biquinis, ai que está a ficar muito calor aqui dentro, ai que ainda bato a bota. Enfim, tanta coisa, para nada. Foi só uma fraquezazinha de pouco impacte. Passageira. Entretanto, toca o telemóvel. Bonita altura para me ligarem. Do outro lado, a minha interlocutora fartou-se de não perceber o que eu dizia entre os gemidos e teve que tirar o auricular, sujeitando-se a comer uma daquelas multas de fazer xixi pelas pernas abaixo. O telefonema era para ir ter com ela. Lindo serviço. A muito esforço, sentei-me, saí do carro, voltei a entrar para o lugar do condutor, chave à ignição, vrum, e… Bem, as pernas tremiam violentamente. Parecia que estavam ligadas aos 220 V e em transe fantástico. Ora, isto dá muito jeito para meter a embraiagem, calcar o travão, ou, melhor ainda, acelerar o bólide. E, melhor dos melhores, é ir ter com uma gaja, a tremer das pernas, quase a desfalecer, quase a cair para o chão. Portanto, isto tudo começou porque vem aí o Verão, gajas, praia, sexo, boa forma física, blá, blá, blá, peito para fora, barriga para dentro, ah e tal, e acabou comigo a fazer figuras tristes ao pé de uma gaja, com um ataque crónico de fraqueza muscular nas pernas. Há uma mensagem qualquer por trás disto. Não sei qual é, mas há. pickwick

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publicado por pickwick às 23:02

editado por riverfl0w em 19/06/2007 às 19:15
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