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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
Garganta funda

É feriado, que por acaso é Dia do Trabalhador, e um gajo mete-se a jeito para um dia de sossego, na paz e harmonia de um lar isento de stress. Começa-se por abrir as janelas, para deixar entrar um projecto falhado de luz solar. Um passeio matinal de pouco mais de dez metros pelas assoalhadas, para verificar se há monstros mutantes renascidos das cinzas da noite. Um copo de água. As plantinhas estão na mesma, que sem sol não há quem cresça. Ligam-se os dois computadores, verifica-se o mail, tiram-se uns apontamentos, abrem-se uns documentos, planeia-se o dia de trabalho, come-se uma bolachinha ou duas ou cinco, suspira-se de prazer por um dia tão sossegado e promissor. Entretanto, tira-se um generoso naco de lombo de porco do frigorífico e esfaqueia-se cirurgicamente em quatro locais distintos, pelos quais se introduz, a seguir, outras tantas linguiças picantes. Unta-se com especiarias que fazem mal aos corações mais sensíveis e mergulha-se a coisa em vinho branco. Ao almoço, irá ao forno com umas batatinhas. Um gajo até se baba, só de imaginar o petisco. Regressa-se ao computador e prossegue-se com uma pesquisa na lista de espécies autóctones.

 

Nisto, ia a manhã a meio, a campainha da porta começa a zurrar desalmadamente. Deve ser um vendedor de sabonetes lava-rabos ou técnicos de TV por cabo. Devia, mas não foi. Eram dois compinchas de longa distância, que por essa hora deviam estar algures a passear-se pelas serras de Arada e S. Macário. Em vez disso, estavam à minha porta, a sugerirem-me calçar as botas e abalar com eles para o passeio pedestre. Ora, um gajo com tanto trabalhinho para fazer, tanto lombo para assar e comer, tanta paz e tanto sossego, não cede facilmente. Ao fim de muita conversa da treta, e de uma actualização de conhecimentos aos comandos do Inkscape, não tive outra alternativa senão calçar as botas, meter meia dúzia de tarecos na mochila, e sair porta fora, renunciando heroicamente, qual mártir de uma causa desconhecida, a um dia de trabalho e paz e sossego e lombo de porco.

 

Algures no meio de nenhures, ou na Serra de Arada ou na Serra de S. Macário (venha o diabo e escolha!), deixámos o carro numa amostra de povoação, com um nome do género covas-de-qualquer-coisinha, e partimos rumo a uma garganta que subia quase até aos céus, por entre calhaus afiados e vegetação rasteira.

 

Umas fotos artísticas às folhas de carvalho salpicadas por pingos de água da chuva, uma gincana por entre incontáveis poios de vaca, tira impermeável, mete impermeável, volta a tirar, volta a meter, ora chuva, ora sol, enfim. Entretanto, hora do almoço. Paragem numa encosta, pseudo-abrigados do vento e da chuva numa curva abrupta. Chouriça a assar, queijinho, pão da véspera, bolachas, e uma mísera e única garrafinha de tinto alentejano, tudo para repartir por três estômagos esfomeados pelo esforço da caminhada e pelo avançado da hora. Com chuva a meio, o que deu muito jeito para deixar que algumas pingas aumentassem o volume do tinto nos copos – o desespero tem destas coisas… estragar um tinto requintado (Reguengos) com água da chuva.

 

Após o repasto, retoma-se a caminhada, sempre a subir. Entretanto, estala uma acesa discussão sobre vacas, a propósito dos incontáveis poios de vaca que evitávamos pisar, os quais, para surpresa de todos, eram maioritariamente provas inegáveis de que as vacas daquelas paragens não andam a ter a melhor das alimentações. Quem já andou pelo Portugal profundo, em terras frequentadas por bovinos, conhece muito bem o aspecto de um saudável poio de vaca – uma espécie de bolo de côco em cima do qual assentou as nalgas um simpático babuíno. Mas, os poios de hoje, eram mais do género arroz doce com ervas aromáticas e uma pitada de pimenta preta. Uma nojeira. Daí até começarmos a insultar a vacaria da região, foi uma questão de segundos. Só que, a bem dizer, houve ali uma dificuldade linguística conceptual que limitou a nossa agressividade: não se vai insultar uma vaca, chamando-lhe “vaca”. Ainda começámos com isso, aproveitando a liberdade dos montes. Mas, soou tão mal, que… “suas cabras!...”, ainda começou o Miguel… mas, nããã… ainda soou pior… E andavam três gajos, a subir um monte, a chover, no meio de giestas e tojos, a pensar que nomes feios haveriam de chamar às vacas que se borravam todas a subir o mesmo monte. Entretanto, a uns cem metros, três vacas pardas olhavam-nos com alguma atenção. Fiz “mmmm” e uma delas respondeu, mas depois falhou o vocabulário e a conversa ficou por ali.

 

Entretanto, actualização geográfica, o Nando saca das cartas militares para nos posicionarmos no terreno e melhor planearmos a ascensão até ao cume. Ups! Eram da Serra do Caramulo! A conversa mudou rapidamente das vacas indígenas e da falta de consistência do respectivo cocó, para os sinais evidentes e inegáveis de pré-senilidade do Nando – mas ele é que tocou no assunto, nós limitámo-nos a anuir simpaticamente!

 

Umas centenas de metros mais à frente, o terreno começou a complicar-se. O acesso à garganta era impraticável, e o Nando, que era o guia da expedição, descobriu que tínhamos falhado o trilho correcto ainda antes do almoço. Mais um sinal de pré-senilidade, claro. Logo a seguir, outro sinal de pré-senilidade: a bateria da máquina fotográfica tinha vindo praticamente descarregada, assim como a bateria extra!

 

Voltámos para trás, depois de cinco minutos de paragem estratégica para deixar cair livremente uma carga de granizo, regressando ao carro e encerrando oficialmente o passeio pedestre. A meio da descida, mais um sinal de pré-senilidade: a única laje de xisto escorregadia que havia ao longo do trilho, foi precisamente onde o Nando meteu as botas e zás!, de rabo na pedra. Então, partiste o cóccix? Ah e tal, não, não, que tenho umas boas nalgas. Prontinho, adiante, adiante. Conversa sobre nalgas, e as nalgas da amiga do Miguel que tinha quase partido o cóccix porque não tinha as nalgas tão acolchoadas como as nossas e mais não sei o quê… Nestas alturas, dou graças por não termos companhia feminina, senão, não haveria reputação que sobrevivesse ao nível tão eloquente das nossas conversas...

 

À chegada ao carro, o nosso guia fez mais uma descoberta estonteante: olhem, ainda bem que voltámos para trás lá em cima… é que íamos na garganta errada… estou mesmo a ficar senil… - e apontou para uma majestosa garganta afunilada entre medonhos penhascos, sobrevoada por uma camada de nuvens do mais negro que havia disponível, à direita da garganta que tentámos subir e que não nos levaria a lado algum, até porque não tinha mesmo trilho algum para levar ao cume. Mas, aquela outra, sim, era uma garganta para Homens! Enfim, fica para uma próxima. De preferência, quando o guia se lembrar de levar as cartas militares certas! pickwick

publicado por pickwick às 00:40
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Sábado, 28 de Abril de 2012
Manteiga de amendoim

Há pouco mais de dois anos que colaboro - como voluntário - num viveiro florestal, o qual está englobado num projecto de reflorestação de um terreno pouco pequeno, ali quase a chegar a Espanha, mas não tanto. É daquelas coisas em que um gajo se mete quando não consegue criar uma agência de modelos femininos ou montar um bordel de luxo ou arranjar namorada. Acontece.

 

Acontece, também, que um viveiro florestal desperta-nos para uma série de desafios inesperados. São as sementes que germinam de mais, as sementes que germinam de menos, a rega automática que entope, rega a mais, rega a menos, uma rabanada de vento mais pujante, um mangusto que assalta as instalações pela calada da noite, e… ratos!

 

Os ratos, são do catano! Começaram por venerar as centenas de bolotas de carvalho americano que foram semeadas em tabuleiros. Sobraram umas singelas covinhas vazias. Fizeram uma razia e instalaram-se de armas e bagagens algures onde lhes pareceu que tinham melhor vizinhança e não ficaria demasiado longe do supermercado para não ser preciso ir às compras de carro. Meteu-se rede metálica oito milímetros e encerrou-se o assunto (que estafadeira!). Mas, num viveiro, fechar a tasca das bolotas, é como fechar o restaurante chinês, mesmo ao lado do japonês, do mexicano, do italiano, e por aí fora. Os malandros podiam ter mudado para uma dieta sofisticada, baseada em saborosíssimos rebentos de ervas daninhas, tenrinhos e crocantes. Mas, não. Feitos brutos e de mau feitio, passaram a atacar sementes de prunus lusitanica, uma espécie autóctone que já raramente se encontra nas nossas matas. Não havendo rede para tantos tabuleiros de sementeira, inventou-se um esquema ao bom estilo Tarzan, pendurando-os com cordas que começaram a ceder após as primeiras regas.

 

Entretanto, procedeu-se a uma aprofundada investigação sobre armadilhas para ratos.

 

Ponderou-se, também, vedar todo o viveiro com rede e promovê-lo a resort tropical para um ou dois gatos – sem whiskas, nem sardinhas. Deliciosos ratos do campo, alimentados sem qualquer hormona, apenas à base de produtos naturais.

 

Da investigação, resultou um projecto de armadilha, recorrendo a um garrafão de água, peças móveis em arame, e manteiga de amendoim como isco. Adianto já que a armadilha não resultou, provavelmente porque o rato-do-campo português desconhece por completo a manteiga de amendoim, esse bedum do imperialismo americano, ao contrário dos ratos americanos que protagonizaram os inúmeros vídeos demonstrativos de armadilhas que abundam no Youtube. Valeu-nos umas pastilhas com veneno, e as coisas acalmaram por lá…

 

Mas, há muitos anos que não comia manteiga de amendoim. Desde… 1987. Entre 1984 e 1987, comia manteiga de amendoim como quem come caldo verde com rodelas de chouriça e um naco de broa. Não estava em Portugal, obviamente, porque, por cá, nessa altura, até a Coca-cola era “artigo de meio luxo”. Admira-me como não fiquei com diabetes, à custa disso. O mais habitual, era que a camada de manteiga de amendoim fosse de espessura superior à da fatia de pão. Um abuso, portanto. Desta vez, foi tudo mais comedido. Provámos a manteiga de amendoim ao pequeno-almoço, só por causa das cócegas, e o resto que sobrou das armadilhas ainda continua no frigorífico, à espera de passar o prazo de validade.

 

Pensando bem, acho que, pior que as fatias de pão barradas com manteiga de amendoim, eram as sandes de açúcar amarelo e canela com que a minha avozinha me presenteava ao lanche, quando ia passar algumas semanas a casa dela (ai, adolescência, onde já vais…). Ah e tal, é bom, come. Pois é, avozinha, e pumba, a boca toda empapada com açúcar e canela, os dentes acastanhados, uma nojeira completa. Depois, chegava o jantar, ah e tal, hoje o jantar é diferente, dizia a minha avozinha, e pumba, uma pratada de arroz doce a fazer as vezes da entrada, da sopa, do prato e da sobremesa, e um “não digas nada à tua mãe”. Já havia diabetes nessa altura? Ou é uma doença moderna que se propagou através dos macacos?

 

Bom, mesmo em minha casa, era um abuso. Recordo-me de, um belo dia, um dos meus vizinhos ter aparecido à hora do lanche e apanhado aqui o rapaz a preparar o leitinho numa caneca, segundo a receita habitual diária: um terço da caneca para o açúcar e o cacau, e dois terços para o leite. Qualquer coisa como uns quatro centímetros de depósito. O vizinho ficou escandalizado, eu fiquei com má fama nas redondezas, mas os grossos nacos de pão barrados em Tulicreme ficavam tão divinais quando mergulhados naquele néctar lácteo… pickwick

publicado por pickwick às 21:54
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Segunda-feira, 12 de Março de 2012
A dieta, a tareia e o rodízio – parte 1

Assim que se acabaram as orgias gastronómicas portuguesas associadas às chamadas “boas festas”, comecei a debruçar-me seriamente sobre a necessidade - eventualmente desnecessária, dependendo da perspectiva – de começar a fazer uma dieta rigorosíssima, a par de um treino físico intenso e metódico, aspectos essenciais para, no início de Março, participar num torneio de judo exclusivo para fulanos com cabelos brancos que julgam que ainda têm vinte anos.

 

Sempre fui uma pessoa meditativa e nunca recuso dedicar o tempo que achar necessário à meditação, pelo que o “debruçar-me seriamente” rendeu muitas semanas. Em especial a questão da dieta. Para alguém que ainda tinha arroz doce e bolo-rei misturado no sangue, havia que perder uns sete quilos, mais coisa, menos coisa, para poder competir na categoria de menos de 90 kg. Com o passar das semanas, a meditação sobre o assunto tornou-se cada vez mais séria, embora limitando-se a isso. Sem balança em casa, pesei-me umas duas semanas antes e não me espantei com os 94 kg. Lindo serviço!

 

Ainda assim, deixei prolongar a fase da meditação, porque é bom pensar seriamente sobre qualquer assunto de relevo. Só na semana que antecedeu o torneio, é que comecei a tentar transformar a meditação em ações concretas, embora muito pouco convincentes, tenho que reconhecer. À mesa, deixei de comer o pão todo logo nas entradas. Com torneio num domingo, só na quinta-feira é que me decidi comprar uma balança cá para casa, por causa das coisas. Na quarta-feira, finalmente, fui fazer uma corridinha desesperada pelos pinhais, trajado com uma combinação sofisticada de indumentárias: calções, calças de fato treino, t-shirt, camisola de algodão, casaco impermeável e camisola de malha polar. Deu para ensopar a vestimenta como se tivesse chovido desalmadamente. Na sexta-feira, apesar de haver oportunidade para ir correr novamente, fiquei na sorna, pois mal podia com as pernas, o que é uma coisa muito inteligente para alguém que está a preparar-se para ir levar umas tareias.


No sábado, lá me achei com forças e meti-me aos pinhais, com a indumentária sofisticada. Ao chegar a casa, depois de um banho, já estava nos 88,4 kg. Maravilha. Ligou o Miguel, eh pá, tens que comer massas e carne porque ah e tal. Fui na conversa dele, mas acordei no domingo com 89,9 kg.

Num acto de soberba inteligência, vesti a combinação mortal e fui correr novamente para os pinhais, desesperadíssimo. Nestas alturas, um gajo dá graças por escolher um percurso sem concorrência, onde é muito improvável cruzar-se com mocinhas a fazer um saudável jogging, o que, a acontecer, seria uma machadada no meu ego, tal era a minha figurinha. Mas, adiante.


Chegado a casa, banho, balança e 88,2 kg. Uffffff!...

 

Com pesagens oficiais às 14h15, foi correr para o carro, passar no supermercado para comprar umas bombas calóricas e rumar a Coimbra, apenas com uma barrinha de cereais e um copo de água no estômago. Eu sei que isto parece coisa de gaja, mas um homem desesperado deixa vir ao de cima a sua mais profunda faceta feminina.

 

As pesagens decorreram num balneário. Coisa de homens, portanto. O problema, é que os quase oitenta atletas participantes tiveram que se pesar na mesma balança, pelo que a confusão era mais que muita. E, nestas ocasiões, os desesperados não usam cueca, não vá uma graminha de algodão a mais catapultá-los para o escalão de peso acima. Não foi o meu caso, confiante que estava na balança de casa, e que bateu certinho com a balança oficial.


A seguir, e até ao início dos combates, lá para as 16h30, desforrei-me em chocolates, barras de cereais e néctares de fruta, para tentar arranjar alguma forcinha de última hora e compensar o desgaste da inteligente corridinha matinal. E fartei-me de rogar pragas a mim próprio por ter deixado para a última da hora esta coisa do peso.

 

Já agora, qual seria o problema de competir no escalão de peso acima? Bom… é que os gajos desse escalão são… como direi… muito pesados, vá… pickwick

publicado por pickwick às 21:08
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Terça-feira, 24 de Março de 2009
Momento gastronómico

Larvas albinas adocicadas

 
Ingredientes:
- 250g de larvas albinas, de preferência ainda a estrebucharem um pouquinho
- Brita salgada a gosto
- 1 litro de sumo de vaca
- 1 esférico de ácido nítrico alaranjado
- 350g de areia adoçante
- 30g de gordura de sumo de vaca
- 6 ovos de melro-doméstico, sem casca nem clara
- Poeira de canela a gosto
 
Equipamento:
- Fogueira ao estilo medieval
- Colher de pau de carvalho alvarinho
- Tacho de cobre, sem furos
 
Procedimentos:
Leve as larvas albinas a cozer em água previamente polvilhada com brita salgada, durante 15 minutos, e depois escorra-as, tendo o cuidado de não deixar fugir nenhuma. De seguida, junte o sumo de vaca e a camada exterior do esférico de ácido nítrico, chegue novamente o fogo ao tacho e deixe cozer até ficar tudo quase desidratado. Adicione então a areia adoçante, tendo o cuidado de a peneirar antecipadamente para não levar conchas e patas de caranguejo, e deixe ferver tudo durante mais 10 minutos. Se ainda houver alguma larva a mexer-se, aperte-lhe o gasganete com firmeza, até soltar o último suspiro. Junte a gordura de sumo de vaca, mexa com suavidade e mestria, e retire o tacho do fogo. Dilua os ovos de melro-doméstico no sumo produzido com os restos do esférico de ácido nítrico, e adicione esta mistela às larvas, em fio, mexendo sempre. Não olhe para o lado, senão falhará certamente a pontaria. Volte a levar o tacho ao fogo, mexendo sempre com a colher de pau de carvalho, mas apenas com o intuito de deixar o produto engrossar, evitando que ferva. Apague a fogueira com uma baldada de água e despeje o conteúdo do tacho para uma travessa ou, então, para pratinhos individuais, no caso de os destinatários serem pessoas sem paladar apurado. Por fim, vá largando a poeira de canela em cima do produto final, em linhas rectas cruzadas, ou em círculos, ou em bonequinhos, ou em frases sentimentais, procurando a artista escondida e tímida que há em si.

 

Nota: Os meus agradecimentos à Sofia, por me ter mandado uma sms urgente a pedir a receita de arroz doce numa perspectiva diferente...

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publicado por pickwick às 22:41
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