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Sexta-feira, 11 de Julho de 2008
30 passos para um aniversário feliz
  1. Acorde com um beijo e um sorriso da sua fã número um.
  2. Faça ar de durão e resmungue com a forma insistente com que a sua fã número um goza consigo por causa da idade recém adquirida.
  3. Saia de casa com mau humor, porque está, de facto, um ano mais velho.
  4. Piore o humor, ao constatar que acabou de ser promovido, finalmente, a quarentão.
  5. Desligue o telemóvel, para que ninguém o chateie com aquelas parvoíces dos “parabéns”.
  6. Vá para o trabalho com ar enjoado, com a nítida sensação de que estaria melhor a pastar ovelhas no cume de uma montanha.
  7. Seja discreto e vá directo para a reunião marcada para as 9h.
  8. Pelo caminho, deixe-se agarrar pelo patrão, que, de forma muito discreta, lhe quer desejar os parabéns.
  9. Responda ao patrão com um sorriso e uma pergunta: voltaram a ganhar as eleições?
  10. Siga em frente e participe na reunião com um ar casual, suspirando de alívio por ninguém parecer saber que é o seu aniversário.
  11. Acabe a reunião com ar de quem vai para uma tourada.
  12. Aproveite os preparativos dos seus colegas de trabalho para participarem no piquenique de encerramento do ano, para fazer de conta que vai ao carro buscar o telemóvel que ficou esquecido.
  13. No carro, ligue o motor discretamente e desapareça ao fundo da estrada, baldando-se para o piquenique e para tudo o resto que pudesse acontecer.
  14. Suspire de alívio, vidro aberto e rádio no ar, porque hoje não correrá o risco de passar pela vergonha de ter pessoas a entoarem-lhe aquela irritante e pirosa cançãozinha que habitualmente se canta nos aniversários.
  15. Refugie-se em casa, leia os e-mails, consulte a eBay, petisque sobras do acampamento do fim-de-semana passado e vá dormir a sesta.
  16. Acorde com o som do telefone fixo a tocar.
  17. Não atenda, pois ele raramente toca e se toca num dia como este, é porque alguém lhe quer dar os parabéns.
  18. Acorde vinte vezes durante a sesta, com o som do telefone fixo a tocar.
  19. Comece a rogar pragas a quem lhe está a tentar ligar, porque está a ficar com a sesta estragada.
  20. Lá para o final da tarde, acorde com o toque da campainha da porta.
  21. Abra a porta à sua fã número um, visivelmente irritada por ter passado a tarde toda a tentar ligar-lhe para o telemóvel e para o telefone fixo, porque ficou trancada fora de casa e a única salvação antes de chamar os bombeiros era a chave extra que está na sua posse para emergências destas.
  22. Resolva o problema à sua fã número um, não se safando de levar uma reprimenda pelo mau feitio de desligar o telemóvel e não atender o telefone fixo.
  23. Dê alguma razão à sua fã número um e ligue o telemóvel.
  24. Receba imediatamente meia dúzia de SMS e uma chamada da sua mãezinha, aflita por não ter conseguido ainda falar consigo durante o dia e isso poder indiciar uma situação de perigo de vida.
  25. Entretanto, receba uma notificação no hi5 de que alguém lhe deixou um comentário no seu perfil.
  26. Vá espreitar e verifique que é uma mensagem de uma colega de trabalho, numa língua estrangeira, dizendo: “Quelqu'un fête son anniversaire aujourd'hui, quelle merveille! 365 jours de plus, bravo! Joyeux Anniversaire. Gros bisous et bonne fête.”
  27. Após dez leituras, desista de tentar traduzir a mensagem na sua totalidade e fique-se pela percepção do assunto provavelmente associado à palavra “anniversaire”.
  28. Ajeite as nádegas na cadeira e solte uma bufa, em jeito de fogo de artifício abafado.
  29. Sinta-se com uma ligeira fome e vá jantar fora com a sua fã número um.
  30. Faça um esforço para não choramingar, quando, no final da refeição, o empregado o informa que já não há bolo de bolacha, a sua sobremesa favorita dos restaurantes. pickwick
publicado por pickwick às 00:05
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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007
Um dia de chuva
Hoje foi, e ainda está a ser, um dia de chuva. Será que o Outono já chegou? Não interessa. Foi um dia meio foleiro, molhado, cinzento, que facilmente cairá no esquecimento. Como outro dia qualquer.
 
1. Operações básicas
Hoje foi dia de dar formação lá no local de trabalho. O tema: operações básicas no Windows. Destinatários: trabalhadores. Formandos: só gajas! Copiar, cortar, colar, mudar o nome, criar pastas, etc. Tudo muito básico. Aiiiii!, desapareceu tudo!!!! – exclamou a Fá, em pânico, quando entrou numa pasta vazia acabada de criar. O ambiente de trabalho?, que é isso? ai, é isto? – perguntavam elas. Não, Carlinha, não precisas de copiar, colar e depois apagar o original, quando pretendes mover um ficheiro, basta cortar e colar. Tenho que repensar aquela minha ideia de meter toda a gente a enviar ficheiros por e-mail, para acabar com as pen’s. Bem, já consegui acabar com as disquetes. Falta mesmo só as pen’s. Mas usarem o e-mail… bem… não sei se a paciência me acudirá…
 
2. Certificados
A Maria (nome de código), que organizou as inscrições para a formação, não quis deixar nada em mãos alheias nem o seu crédito a apanhar chuva, pelo que tratou de elaborar e imprimir uns certificados de participação todos abichanados. Ando eu para ali a pregar aos pardais, que ah e tal tem que se acabar com as impressões a cores porque não se pode andar a esbanjar rios de dinheiro em tinteiros a cores para o povo imprimir porcarias que podem muito bem ficar a preto e branco, e aquela desgraçada imprimiu-me aquilo tudo a cores! Tenho que fazer a folha a esta gaja. Ela, até as porcarias das lombadas dos dossiers quer a cores! Lá vai o tempo em que, uma patroa que tive, tinha receio de imprimir coisas a cores à minha frente, dada a descompostura que eu lhe pregaria logo a seguir, por causa do esbanjamento de dinheiro. Agora, ninguém me ouve.
 
3. Regueifa
A colega de longe, da beira-mar, que é uma querida e usa os óculos ao contrário, trouxe-me meia regueifa lá da terra dela. Meti na gaveta e petisquei às escondidas, não fosse ser apanhado e gozado. Só foi pena o chão de alcatifa ter ficado cheio de migalhas.
 
3. Parabéns a você
Uma das vice-patroas hoje fez anos. Não consigo evitar sentir náuseas quando perto de mim se comemora, de alguma forma, mais ou menos discreta, um aniversário. É um mistério, mas dá-me vontade de bater em toda a gente. Para que é que as pessoas comemoram os aniversários? Não bastava dizerem para si próprias: mais um? Claro que bastava. Mas, não. Querem beijinhos, querem que toda a gente saiba que fazem anos, depois dão os parabéns, mais beijinhos, sorrisos, ah não sabia, ah e tal, abraços, beijinhos, e blá blá blá. Esta vice-patroa, vibra claramente com isto.
 
4. Os bolinhos
Vibra de tal maneira que, logo pela manhã, chegou com um monumental bolo de chocolate e noz, para ser partilhado entre todos, na pausa matinal para o café. Eu, que detesto comer em magote, aproveitei dois dedos de conversa para não ir lá emborcar uma fatia. Mais tarde, fui lá sorrateiramente, aproveitando que não havia ninguém na sala, mas, não sei porquê, já nem o prato do bolo lá estava. Azar, pronto. Ah, bolo, e café para todos. Ou chá.
 
5. Chá das 17h20
Por falar em chá. À tarde, a formação teve que terminar abruptamente, porque a aniversariante (formanda) tinha umas colegas à espera para lancharem todas juntas e beberem um chá e comemorarem o aniversário. É a vitória da gula sobre a sapiência, uma guerra há muito perdida. Seria o resto do bolo de chocolate e noz que apareceu de manhã? Claro que não. Era outro bolo, com rodelas de ananás e mais um montão de coisas que não percebi, nem mesmo depois de enfardar duas grossas fatias. Com chá. Foi um momento bonito, as colegas cantaram os parabéns enquanto eu fazia de conta que estava a tratar de um assunto importante e por isso não podia cantar mas até podia cantar porque não estava a ocupar a voz nem o cérebro. Enfim. Não curto aniversários, pronto!
 
6. As palavras misteriosas
Vi-me a braços com o desconhecimento de uma série de passwords de contas de correio electrónico e acessos a serviços online. Era suposto haver uma lista, mas não havia, que o ex-patrão não tinha e na secretaria também não havia e ninguém sabia delas e algumas delas até ninguém imaginava que poderiam haver. O ex-patrão, era, portanto, um gajo mesmo muito organizado. Raios o partam. Felizmente, a Internet estava lá, e deu para sacar um programa grátis, à borla, que se instalava e conseguia descobrir todas as passwords alguma vez registadas no computador. Deu para safar a maior parte. Ainda faltam duas ou três, mas nada que não se resolva com um contacto formal.
 
7. Pila de gorila-manso retalhada
Estou prestes a receber um carregamento de trinta litros de aguardente. Bagaço, aliás. Objectivo: quinze litros para fazer licores (o de uva é fantástico) e outros quinze para armazenar com lascas de madeira de carvalho (para tentar envelhecer). Para os licores são necessários muitos frascos. Por isso, tive que andar a investir em alimentação que seja vendida em frascos. Feijão, por exemplo. E salsichas de Frankfurt. E polpa de tomate. Com estes ingredientes, inventei um manjar requintado e nutritivo, ao qual dei o sóbrio nome de “Pila de gorila-manso retalhada”. Modo de preparar: faz-se um refogado, deita-se o feijão branco, a polpa de tomate, umas ervilhas, e polvilha-se tudo com especiarias saudáveis, tipo pimenta e colorau e caril e o picante; retalham-se quatro salsichas de Frankfurt, que parecem pilas de gorila-manso, e deitam-se também na panela; deita-se água; e massa. E prontinho! Não querendo enjoar ninguém, devo dizer que os nacos de salsicha ensopados na polpa de tomate recriam o cenário quase real de um gorila que foi atacado com uma navalha de talhar cortiça e privado da sua virilidade. As ervilhas fazem de conta que eram os mamilos do gorila. Quanto aos feijões brancos, é como se fossem bolsas de pus resultantes de inúmeras infecções cutâneas. Bem, por falar em enjoar, isto não está a correr nada bem. Maldita imaginação… pickwick
publicado por pickwick às 22:18
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Sábado, 10 de Julho de 2004
10 de Julho

Hoje é um dia deveras importante para a Pátria lusitana. À primeira leitura, assim de relance, poderá parecer que a minha professora da Primária era disléxica e me ensinou que o Dia de Portugal se comemora a 10 de Julho e não a 10 de Junho. Mas não. O problema dela era com os ‘érres’ e não com palavras nasaladas. (À professora Dina, que entretanto emigrou para Inglaterra, uma grande beijoca na eventualidade de passar por aqui por engano).

Enfim, 10 de Julho é também um marco na História de Portugal porque foi nesse dia, nesse mesmo dia, que veio ao mundo aquele que mais tarde se tornou uma figura proeminente da sociedade portuguesa.

Este Homem nasceu no século XX, filho precisamente dos seus pais, sendo esta a primeira de muitas coincidências assombrosas que só podiam prenunciar um futuro grandioso. Aprendeu sozinho a andar, a falar e a fazer bolhas de saliva com a boca, revelando o espírito autodidacta que tão útil lhe seria mais tarde. Teve uma infância assaz feliz, rodeado de jovens flausinas que adoravam cofiar os seus pêlos do peito, razão pela qual grande parte da sua obra literária diz respeito ao sexo oposto.

Aluno aplicado e exemplar, concluiu o 9º ano de Escolaridade aos 19 anos com um “Excelente” a Língua Portuguesa, acompanhado de uma nota de recomendação para a Licenciatura de Técnicas Modernas de Pesca (especialização em Peixes Ósseos) da Universidade de Cambridge.

Os seus conhecimentos nesta área permitiram-lhe, entre outras façanhas, pescar o carapau que tinha engolido o anel de Rose, passageira do Titanic.

É por estas e outras razões, sobre as quais não me vou alongar, que hoje me apraz prestar homenagem a esse grande Homem de nome pickwick. Oxalá esse distinto cidadão continue a passear a sua inteligência, boa disposição, paciência, humildade e criatividade por muitos e longos anos.
PARABÉNS PICKWICK!

riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 02:30
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