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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007
Porcarias in a bottle

Ontem fui jantar a casa de uma amiga. Eu até gosto de ir jantar a casa de amigas, excepto quando me obrigam a encher o bandulho até ficar com a sobremesa a boiar no quimo (hoje aprendi uma palavra nova) à altura dos lóbulos das orelhas. Foi o caso. Arrastei-me, feito elefante-sem-pernas, até ao sofá da sala, estiquei-me e liguei a televisão. Já não via televisão há vários meses, pelo que havia necessidade de me actualizar. Descobri, após breves cálculos matemáticos de algibeira (algoritmo secreto, portanto, não mo peçam), que cerca de 7% da população portuguesa faz parte de elencos de telenovelas. Só pode! São centenas de telenovelas portuguesas, com centenas de actores cada uma, e nós somos uma nação com pouco mais de dez milhões de almas. Portanto, 7% e não se fala mais nisso. Nos intervalos, claro, a bela da publicidade. Como só oiço rádio, também havia que fazer uma actualização da publicidade da moda. E, aí, fui despertado para o exagero a que chegaram as cervejas portuguesas. Daqui a nada, não haverá cervejas, nem cervejolas e muito menos bejecas. Só porcarias! Limas, porcarias, groselhas, porcarias, lights, porcarias, zeros, porcarias, sem álcool, porcarias, ruivas, porcarias, pretas, porcarias, greens, porcarias, perfeitas, porcarias, não sei quê, porcarias. Não bastassem as porcarias que fazem à pobre da cerveja, ainda se lembraram de mais uma parolice para as vender: uma “mini design edition”! Mas o que raio é uma “mini design edition”? Design? Mas isto é alguma campanha para vender cervejas àqueles gajos do circo que engolem vidro partido? Ou a gays com preocupações ergonómicas? Qualquer dia, fazem uma “big pirilau edition”, para tornar alcoólicas as mulheres com défice de libertação de endorfinas. Chiça! Qualquer dia… bem… qualquer dia… inventam uma porcaria para meter nos animais, logo na criação, ou ainda no feto, para nascerem já com sabores e mutações. E os talhos nunca mais serão os mesmos! Coelhos sabor a morango. Peru pineapple. Pato sabor a maçã-javali. Picanha sabor a bola-de-bacalhau-de-Lamego. Frango lima light. Entremeada zero%. Novilho green. Mais tarde, nascerá o amendoim-bacalhau-à-brás, a alface-presunto e o pêssego-requeijão. Mas, qualquer dia… qualquer dia… o ser humano já nasce - ele mesmo - com aroma. Imagine-se! Quando trincamos a chicha deliciosa do braço da namorada, liberta-se um aroma a damasco. Não serão precisos desodorizantes, porque o corpo libertará automaticamente suor aromatizado (arroz de marisco era uma opção interessante). Nos ginásios, a mistura de odores no ar pareceria o Mercado ao sábado de manhã. Sovacos a cheirarem naturalmente a floresta ou selva tropical. O suor, nalguns casos, poderia ser usado como tempero para carnes grelhadas (suor com aroma a vinho branco). E os odores sexuais? Ui! De abrir o apetite! Imagine-se, um garanhão de metro e oitenta que, no momento de se vir, libertaria um discreto odor a paté-de-atum ou a camarão-com-melão. Do melhor! E bufas? As bufas – aqueles gases mortíferos libertados inferiormente em momentos de intimidade e alívio – revolucionariam o saber estar do povo e as regras de etiqueta. A Paula Bobone escreveria best-sellers sobre a arte social de libertar bufas com estilo. Bufas com cheiro a laranja, bufas com cheiro a rosas, bufas com cheiro a água-com-gás (não subestimem a mente humana), bufas em molho de escabeche, e, no topo da arte, la pièce de résistance, o aproveitamento da capacidade inflamatória das bufas para fazer grelhados e fondues, dispensando a parte chata dos temperos. E incompatibilidades? Ah e tal, o senhor nasceu com aroma a melancia, portanto não pode nadar em tinto. Casamento fracassado porque ele nasceu com aroma a sardinha-assada-com-pimentos e ela nasceu com aroma a gelatina-de-morango. Pancadaria na sauna porque alguém se lembrou de nascer com aroma a virilha-de-bezerro. E a matança do porco nas aldeias? Os donos guardariam segredo sobre o aroma, o qual só seria desvendado na altura em que o porco, dependurado pelos tendões das pernas traseiras nos barrotes do telhado da adega, é desmanchado, espalhando-se as tripas todas pelo chão, dando lugar a muitas palmas e gritos de júbilo assim que o aroma a coco se eleva no ar. Nos mercados municipais, os frangos com aroma a framboesa são vendidos sempre com os respectivos miúdos, os quais serão posteriormente usados pelas donas-de-casa para se esfregarem nos sovacos e pescoço antes de saírem para um qualquer convívio social. E isto tudo, porquê? Por causa das porcarias que fazem às cervejas! Daqui a um bocado vou almoçar e vou beber uma Super Bock. Com aroma a Super Bock, sabor a Super Bock, e numa garrafa Super Bock. Cerveja! Sem porcarias! E mais! Vou almoçar com uma gaja! Com aroma a gaja, sabor a gaja e num corpo de gaja! Antiquado? Seja! Antes ser antiquado do que nascer com o sovaco a cheirar a baunilha! pickwick

publicado por pickwick às 00:02
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4 comentários:
De Cátia a 18 de Junho de 2007 às 16:58
De repente, e algures no meio deste post, tive a sensação de estar a ler "O Perfume" de Suskind. Deveras interessante a tua opinião em relação às cervejas e afins...
De pickwick a 18 de Junho de 2007 às 23:35
Suskind? Mau, mau, Maria! Isso parece nome de um assador de frangos na Festa do Avante! Mas, não, deve ser um expoente da cultura literária... também tinha maus fígados, não? :p
De Ribatejana a 19 de Junho de 2007 às 04:55
Espectacular e super espirituoso este texto. Obrigada pelas gargalhadas!
De Alex a 20 de Junho de 2007 às 07:30
Realmente, tive a minha dose diária de riso quando li este post, e continuei.... adorei ler-te.
O que se faz hoje em dia às coitadinhas das cervejas e afins é imperdoável. Onde estão os bons velhos tempos das bejecas, em qualquer esplanada da esquina, lá mesmo ao pé de casa? Onde se vai e nem é preciso pedir, logo que se chega ao balcão já tá uma fresquinha à espera??? e nem light, nem sem álcool... só a bejeca????
Fica bem e continua!

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