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Sábado, 25 de Setembro de 2004
As gajas do meu tempo
Acabei de estar embrulhado num paleio inteligente e sugestivo sobre a reacção das mulheres de ontem e de hoje aos gestos cavalheirescos e de plena devoção dos corações masculinos que palpitam por elas. Tem que se entrar logo no discurso do “no meu tempo”, porque é inevitável. Aliás, até fica bem. Fica bem, mas habitualmente cai-se no disparate da comparação desmedida, da palavra fácil, do julgamento sem argumento, do comentário depreciativo, enfim, é sempre a dar nos costados. Não quero entrar em comparações. Ou melhor, quero, mas discretamente, sem que se perceba que as estou a fazer. Quero comparar, não as gajas do meu tempo com as gajas deste tempo, mas sim quando se tem uma gaja que gosta de ser do meu tempo com quando não se tem essa gaja. Não sei se me fiz entender… Em vez de comparar uma travessa de leite-creme com um balde de comida para porcos, compara-se o quando tínhamos a travessa com quando não a tínhamos. Assim, creio que somos mais fiéis ao que pensamos realmente. Concentramo-nos na riqueza daquilo que temos, em vez de gastarmos energias a pensar no que já tivemos, ou que sonhamos ter, ou no que os outros têm. Há que dar valor, em tempo real, ao que temos. A vida não é fácil para ninguém, e todos os pedaços de felicidade que batem à nossa porta devem ser convidados a entrar e a passar uns anos connosco. Uns longos anos. Mas, a conversa era mesmo por causa da receptividade das moças aos embates dos nossos arremessos de romance. Ser-se romântico não é fácil. Ou melhor… não se é romântico. Tenta-se ser. Tenta-se que esses nossos arremessos sejam recebidos com um sorriso imenso e um galopar do coração. Que haja eco nas nossas palavras, nos nossos gestos, nas nossas vontades expressas de uma forma ou de outra. Quando uma palavra não basta para expressar o que sentimos, multiplicamos as formas de o fazer saber a ela. Com mais jeito ou menos arte, ou vice-versa, lá nos aventuramos a fazer isto ou dizer aquilo. Não há que ter medo! Medo de quê? Que hoje os nossos arremessos sejam ridicularizados? Que pareçamos demasiado lamechas para a velocidade e a frieza com que correm os dias? Ou medo simplesmente de mostrar o que nos vai cá dentro? Quem tem medo, compra um cão! Ou escreve num blog! Ups!... Isto não era para se dizer… pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:00
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