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Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011
Desgraçada!!!

Todos os anos, desde há mais de uma década, que o início do mês de Setembro marca um ritual insubstituível da minha vida: a observação atenta das novidades carnais no mercado de trabalho. Não que faça anualmente uma visita àquela ruazinha de Amesterdão que mais parece um paraíso para benfiquistas com o coiso aos coices. Nada disso. É que acaba por haver sempre alguma colega nova no trabalho. Uns anos, a sorte é mais generosa, outros, nem por isso. A coisa tem vindo a degradar-se de ano para ano, essa é que é a verdade. Por um lado, há menos novidades, e, por outro, as novidades têm mais idade. Ora, a idade é um condicionante, por faixas: há uma faixa das solteiras, a seguir a faixa das solteiras ah e tal casam-se e andam por ali e têm filhos e ou não e ah e tal, e depois segue-se a faixa das casadas ou divorciadas. A faixa seguinte não interessa. Portanto, 20-30, 30-40 e 40-50. Teorias, portanto.

 

Este ano, desespera-se. Quase não há novidades. Quando eu já começava a perder a esperança, chegou a Cris (nome de código, como convém). Moça nos trintas, incrivelmente elegante – umas calças de ganga justas são ideais para tirar medidas a olho nu - e cabelo já grisalho. Não fosse a rapariga esconder firmemente qualquer esboço do mais leve sorriso, e eu ter-me-ia lançado aos pés dela, babando-lhe as meias todas e arranhando-lhe a biqueira dos sapatos com a minha barba de três dias.

 

Mas, lá está: uma mulher sem um sorriso, é como arroz doce com lentilhas em vez de arroz. No segundo dia, deve-lhe ter passado a neura e a moça já arreganhou para o lado meio centímetro da beiça. Hoje, já ia em nove milímetros, uma evolução estonteante!

 

Às tantas, porque trabalhamos no mesmo departamento, vi-me empurrado para mais uma daquelas repetitivas situações em que ah e tal o computador não funciona ou a net não dá ou tem bicho, então fala ali com ele (mim, ugh!). Sentei-me ao lado dela, peguei-lhe no portátil como quem pega num leitão para o desmanche, e comecei a bater nas teclas e a ziguezaguear com o ponteiro do rato qual relâmpago por entre ícon’s e menus. Ela deve ter pensado “ai, credo!, ainda me pega fogo ao Windows!”.

 

Bom, aquela do relâmpago não foi bem assim, antes pelo contrário. Ah e tal, é preciso calma porque ele está muito lento, sussurrou-me com voz doce e sensual (já estou a inventar, mas agora não interessa). Ah, está lento?, repeti eu. E pumba, msconfig, regedit, ctrl+alt+del, etc. Pelo canto do olho, com aquele meu jeito inconfundível de caçador experiente das florestas do Alasca, ia controlando as medidas das coxas, o último botão da camisa com flores, e outras coisas que tais. Se há coisa que aprecio, é mexer no computador ao lado de uma mulher muito bem apresentada, elegante e deliciosa. Também gosto de camarões com vinho verde gelado.

 

Para disfarçar, perguntei-lhe se alguém lhe tinha mexido no computador ultimamente, alguém que percebesse de informática, porque estavam desactivados muitos programas no arranque e por causa disso o computador devia ter ficado mais célere do que efectivamente ainda estava. Ah, mexeu o meu marido, respondeu ela.

 

Desgraçada!!!, gritei eu cá para dentro, espumando pelas pestanas e pelos sovacos. Filha da mãe! É casada?! E não usa anilha?! Grande xxxa! Eu sou um moço calmo, bom rapaz, mas tem dias em que as surpresas desagradáveis caem mesmo muito mal. No apertado prazo de dois segundos, planeei abocanhar-lhe o crânio com o portátil, como se este fosse uma terrível mandíbula de tubarão-branco (mínimo oito metros) esfomeado e com mau feitio. Pegar-lhe pelo tornozelo e batê-la tipo saco de batatas contra a esquina da mesa, a esquina da bancada, a esquina da cadeira e a esquina do caixote do lixo. Fazê-la engolir o poster inteirinho dos procedimentos de segurança em laboratórios que estava na parede e meter-lhe metade da língua dentro da tomada de corrente. Enfim. Dava um filme, dava, eu sei… pickwick

publicado por pickwick às 21:24
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Sábado, 10 de Setembro de 2011
Campismo – parte 2 – meloas

Pondo de lado o saudosismo, o tradicionalismo, e outras coisas acabadas em “ismo”, convenhamos que há algumas sérias vantagens em se passar uns dias num parque de campismo com piscina incorporada. Por um lado, pode apreciar-se conveniente e detalhadamente uma longa série de biquínis e respectivos suportes. Por outro lado, também se pode apreciar esses biquínis e respectivos suportes. Basicamente, é isso.

 

Nas duas manhãs que passámos na piscina do parque, quase que deu para fazer amigas. Bom, pelo menos, a minha vista apurada fez meia dúzia de amigas.

 

Em particular, um grupinho engraçado de seis jovens adultos, assim como quem andam na universidade e tal: três rapazes e três raparigas.

 

Rapariga 1. Estilo “arrumava-te bem dentro da caixa da flauta transversal”. Quase que podia andar em topless que ninguém pensaria tratar-se de uma rapariga, tal era a planície. A leveza corporal dava-lhe margem de manobra para andar a saltitar por ali, conversando com uns e com outros, saltando para a água, apanhando sol. Mas, ainda assim, apetecível.

 

Rapariga 2. Estilo “cuidado que podes partir o biquíni de porcelana”. Imponente, boa figura, elegante,175 cm de altura, biquíni discreto embora com pouco tecido. Confesso que devo ter passado aproximadamente duas horas líquidas a consumir-lhe a pele do peito com a minha mira laser alojada debaixo da sobrancelha esquerda. Era daqueles peitos que dão gosto apreciar: majestosos, mas não tipo “bolas de Pilates”. Um peito sobre o qual eu dormiria a melhor das sestas num qualquer prado verdejante nos Alpes. Tímida, definitivamente. Molhar o corpo desde as unhas dos pés até aos joelhos, já era uma aventura com demasiada adrenalina. E pouco dada a sessões fotográficas indiscretas, não tendo apreciado a iniciativa do amigo de pele branco-farinha, quando este saltou para dentro da piscina de máquina fotográfica de rolo em punho, tentando fotografá-la sentada na escadinha metálica com água a meio das canelas.

 

Rapariga 3. Estilo “meu Deus, porque me obrigas a ver estas coisas sem poder tocar?”. Extremamente elegante, quase a cair para o magrinha (opinião do Zequinha, muito discutível). Abdominais perfeitos, notando-se à distância cada músculo. Peitos discretos, meia-laranja. Pele muito, mas muito bem bronzeada. E, o mais importante, interessante, e outras coisas acabadas em “ante”, umas nádegas deslumbrantes, duas perfeitas meloas bem tonificadas. Acresce, a favor do deslumbramento, o facto de a rapariga usar uma reduzidíssima cuequinha, quase que “apagada” do mapa de tão enfiada que estava entre as duas deliciosas meloas. Com muita frequência, esta endiabrada inclinava-se para cima dos amigos e das amigas deitados, virando as nádegas para a piscina. Não estavam reunidas condições para um gajo conseguir racionalizar o que quer que fosse. Devo ter passado umas quatro horas líquidas a degustar visualmente aquelas meloas. À custa disso, apanhei um escaldão na careca que ficou uma obra imprópria para consumo.

 

Posto isto, resta acrescentar que, em determinada altura, os rapazes e a rapariga 1, acharam que era boa ideia pegar na rapariga 3 e atirá-la para dentro da piscina. A esta empreitada, a rapariga 3 opôs-se ferozmente, debatendo-se com unhas e dentes, muito valorosamente, para gáudio dos bons apreciadores de uma cena de pancadaria amigável. Realmente, aquele corpinho elegante e musculado certamente devia muito ao desenvolvimento de uma qualquer actividade desportiva de nível competitivo. A determinada altura, no emaranhado de braços e pernas e empurrões e puxões e muita risota, a rapariga 3 começou a perder a compostura da parte de cima do biquíni, facto que se evidenciou pelo contraste de cor entre a pele bronzeada do tronco e a pele branquinha dos seios. A ondulação habitual da piscina desapareceu subitamente, tal era a atenção com que os muitos utentes masculinos observavam o desenrolar dos acontecimentos.

 

Com grande pena minha, não tentaram a mesma sorte com a rapariga 2. O que, a bem dizer, até foi bom, porque, se calhasse a dar luta também, podia acontecer-lhe o mesmo deslize com a parte de cima do biquíni, e, aí, garanto que não conseguiria manter qualquer traço de serenidade. Provavelmente, passava-me uma coisa ruim pela mioleira e começava a bater palmas e a uivar ruidosamente, assim numa espécie de foca-lobo num qualquer show erótico de um parque aquático. pickwick

 

publicado por pickwick às 23:41
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
Campismo – parte 1 – a decadência

Conforme planeado, no último fim-de-semana de Agosto houve acampamento saudosista para o tal grupo de amigos de há duas décadas atrás, algures no norte alentejano. Duas tendas, um jipe UMM engenhosamente convertido em autocaravana, e uma verdadeira autocaravana xpto. Bom, uma das tendas não devia contar por inteiro, porque era daquelas que se transportam num disco e se atiram ao ar e montam-se sozinhas antes de caírem no chão e não me conformo com a falta de tradicionalismo.

 

Obviamente, tudo sinais de grande decadência. Aquilo que fomos e aquilo em que estamos transformados hoje. Exceptuando eu, claro, que me apresentei quase irrepreensivelmente, montando manual e pacientemente uma bonita tenda com um generoso avançado. A parte do irrepreensível falha apenas num pequeno detalhe: usei, só para mim, duas colchonetes e um daqueles colchões insufláveis de2 cmde espessura. Não é por já não ter corpinho para dormir no chão duro da natureza; na verdade, é porque, com três camadas de conforto, fica-se com a sensação de que se está a dormir num colchão de água, o que “cheira” logo a intensas relações carnais, “odor” que combina com as dezenas de biquínis que fui obrigado a suportar na vista.

 

A primeira noite, correu lindamente. Da última vez que tinha estado acampado com o Zequinha, já lá vão uns três anos, as coisas também tinham corrido lindamente. Começámos por beber um tinto apetitoso para acompanhar uma chouriça assada, depois passámos para a cerveja porque era verão e ficava bem, a seguir para ajudar à digestão foi uma aguardente de pêra, porque era verão mais umas cervejolas, porque ah e tal bota um licor de uva, verão cerveja, aguardente, cerveja, verão, licor, saco-cama, cerveja, licor, Gregório, cerveja, etc., até chegar o resto da malta toda, já de manhã alta, com as esposas e criancinhas e nós que mal nos segurávamos de pé e as garrafas vazias todas espalhadas pelo chão e enfim.

 

Desta vez, combinei com o Zequinha que ah e tal é só cerveja porque é verão, ok? Ok, disse ele, bebemos umas cervejolas, fomos jantar, mais umas cervejolas, começaram a chegar mais uns amigos, esposas, crianças, beijinhos, abraços, etc. Estávamos nesta alegria, e o Zequinha aparece com um café e um uísque: ah e tal, para ajudar à digestão. Um uísque? Bota abaixo, que em cima do jantar dilui-se logo. Entretanto, chegou o dono do jipe, abraço, beijinho, e o Zequinha aparece com mais um uísque para todos. Outro uísque? Ah e tal, por causa da digestão. Depois fomos brincar às autocaravanas e aos jipes armados em autocaravanas, bebemos mais umas cervejolas, e desejo, do fundo do coração, que depois disso não tenha acontecido nada de extraordinário. Porque não me lembro de me ter deitado, embora tenha acordado deitado. Tenho umas visões muito vagas da minha pessoa – ou o que restava dela – a correr para os pinheiros mais sombrios do parque de campismo, durante a noite, para os regar com qualquer coisinha, ora de cima, ora de baixo. Pelos vistos, terá havido uma vez em que nem consegui sair da tenda e… bom… o avançado da tenda é muito versátil… cof cof cof…

 

Dia seguinte, serenidade nas tropas. Mulheres, crianças, sopinhas, iogurtes, colheres à boca, fá fá fá, fé fé fé. Entretanto, como ninguém estava capaz de dormir a sesta, o dono do jipe teve uma ideia luminosa: ah e tal, vamos de jipe explorar as margens da barragem! Mas só os homens, ok? Ou seja, quatro gajos num jipe transformado em autocaravana, pesado q.b., sem uma única costela de prudência feminina que pudesse arrepiar-nos de ideias tolas. Poucos minutos mais tarde – incrivelmente, não foram precisos muitos -, estávamos com o jipe perigosamente inclinado, com as duas rodas do lado direito atoladas dentro das águas da barragem. Eu, que ia entretido a filmar a passeata, dei por mim sozinho dentro do jipe, de máquina na mão, com a malta lá fora de mãos na cabeça e a esbracejarem que nem uns perdidos (até levaram as carteiras e os telemóveis, os malandros!). Nem me atrevi a mexer um dedo, não fosse a porta do meu lado abrir-se de surpresa e eu cair directo nas águas da barragem, tal era a inclinação do bicho. Longos minutos depois, achei que seria boa ideia sair pela porta do condutor, até porque ele queria entrar e experimentar umas manobras. Bem, depois nos pendurarmos todos (mais uns mirones que entretanto apareceram para testemunhar um eventual naufrágio) do lado esquerdo do jipe, para ele não tombar enquanto o condutor metia o motor a “dar o litro”, lá saímos daquela triste figura. Voltámos ao trilho de onde tínhamos saído? Não, claro que não. Mal escapámos daquela embrulhada e já estávamos metidos dentro do mato, satisfeitos que nem uns putos que acabaram de escapar a meia dúzia de tiros de caçadeira depois de roubarem maçãs numa quinta. Mais uns metros e estávamos dentro de uma pseudo-urbanização, tipo condomínio privadíssimo de moradias pseudo-luxuosas, cujo segurança ficou surpreendido quando nos viu aparecer ao portão, mas vindos do lado de dentro. Só depois de apontar a matrícula é que nos deixou passar, o safado. Enfim.

 

À noite, já sem a adrenalina do jipe, e sob o olhar apreensivo das mulheres, fomos experimentar um fogão que mandei vir da Holanda, que consome apenas mini-lenha e o gás produzido pela combustão dessa lenha. Uma coisa muito à frente, dupla combustão, ah e tal, do tamanho de uma lata de fruta em calda. Infelizmente, o Zequinha desde pequeno que tem um problema crónico com fogueiras, daí que o fogão very-light e muito high-tech se tenha transformado num simples bidão para queimar lenha e fazer monstruosas labaredas. A coisa tomou tal proporção, que, lá para a meia-noite, o vizinho do lado veio retirar o seu “jet ski” de perto de nós, só para o caso de ah e tal. pickwick

publicado por pickwick às 22:41
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
Questões de peso…

Hoje, houve ajuntamento de rancho no trabalho. Tocou o clarim para reunir as tropas, grande algazarra, ah e tal, e a malta já não se via há quase um mês e meio. Beijinho para aqui, beijinho para ali. Detesto trocar beijos com colegas de trabalho, mas elas penduram-se-me nas beiças e não tenho como enxotá-las sem que pareça um homem das cavernas. Bom, em abono da verdade, com algumas colegas – mas só mesmo algumas, tipo elite em círculo restrito – até não me importava de trocar mais um par de beijinhos e meter a mão no fim das costas, tap-tap, ah e tal, estás boa?, estou a ver que sim, eventualmente afagar-lhes os cabelos e mais não-sei-o-quê. Mas, isso agora não interessa.

 

Neste jogo social de confraternização e actualização de dados, algumas colegas fizeram o favor de me presentear com alguns comentários de índole fisionómica: ah e tal, estás mais… coiso…; ah e tal, estás mais elegante; ah e tal, estás mais magro. Uma delas, em particular, que tem um problema gravíssimo de relacionamento com a tecnologia informática, em particular com o Excel, foi mais profunda: ah e tal, estás mais novo p’raí uns 10 anos!

 

Ora bem. Tendo em conta os comentários de há poucas semanas atrás, que ah e tal agora estás gordo e careca, como quem fala com desdém de uma travessa de peixe apodrecido, tenho a concluir, pelos factos ocorridos hoje, que:

 

1. No prazo de mês e meio, baixei a minha cotação de elefante africano para bisonte americano. Estou orgulhoso de mim mesmo, carago! Estou capacitado, portanto, para saltitar, alegre e pimpão, no interior de uma loja de cristais, sem que isso traga prejuízo a alguém.

 

2. A careca, rodeada de pequenas colónias de cabelos brancos, ao invés de ser exclusivamente um factor de envelhecimento da imagem, pode ser, também, um factor de rejuvenescimento inesperado dessa mesma imagem. Fascinante!

 

Entretanto, a minha sub-sub-sub-patroa (arre lá para as hierarquias) fez-me uma festinha muito fofinha pelo braço esquerdo abaixo (quase trinta centímetros), despedindo-se “até amanhã”. Foi um gesto muito lindo, digo eu. pickwick

publicado por pickwick às 21:30
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
Toilettes de Verão

No início do Verão, fui fazer uma singela caminhada na Serra da Estrela com uma amiga. A Liliana, vá!, que é nome de código e fica giro. É coisa salutar, barata e limpa os pulmões. É coisa que contraria as actividades que pratica a maioria dos portugueses: dão cabo da saúde, da carteira e ainda sujam os pulmões.

 

Mas, com tanta saúde e austeridade, houve um aspecto, nesta actividade, que não foi tão positivo assim. Aliás, direi mesmo que o aspecto em causa acabou por me atormentar durante todo o dia e ainda nos dias além, até que acabou por sucumbir ligeiramente à perda de memória que tanto me afecta.

 

Vamos por partes.

 

Parte I – Toilette “Mas eu fiz mal a alguém?”

Fui buscar a Liliana à central da camionagem de Viseu, essa grande capital de distrito. Alguma curiosidade pairava no ar. Será que ela vinha com botas militares até meio da canela e calças camufladas? Ou calças caqui de bolsos laterais? Ou botas para trekking? Não!... A Liliana apareceu com uma mini-saia rodada. Como é sabido, este tipo de mini-saia é o mais fatal de todos os tipos de mini-saia. Nem demasiado curta, para a dona não parecer uma galdéria, nem demasiado comprida, de como quem vai à missa. Não demasiado justa, que pareceria requerer autorização papal para consultar a bibliografia interior. É um modelo arejado, saudável, capaz de suscitar, no mais distraído dos distraídos, o desejo súbito de que sopre um ventinho mais arrojado. Enquanto nos dirigíamos para o carro, pensava para comigo: “Mas eu fiz mal a alguém? Parti os dentes a alguma criancinha ou senhora de idade? Era só para fazermos uma caminhada na serra! Eu, assim, não vou aguentar!” Bom, entrámos para o carro, e eis que, poucos metros à frente, tive que encostar para a Liliana ir ao Multibanco. O mundo inteiro, mais os astros e os anjinhos e o Pai Natal, estavam todos contra mim: a caixa do Multibanco estava num local elevado em relação ao carro. Estou tramado, pensei para comigo. O que poderia haver pior que uma mini-saia rodada dois metros acima do nível dos olhos? Exacto: umas pernas finamente talhadas a escorrer por ali abaixo até ao chão; sem pitada de celulite e com muita, mas muita fibra. Não havia mais condições para manter a serenidade que se impunha. Mas, teve que ser! Daí até ao cimo da serra, ainda seria bem mais de uma hora de caminho, sujeito a ataques sucessivos e violentíssimos de vertigens “downhill”. E o que são “vertigens downhill”? São vertigens em que um gajo está sossegado, mas, de repente, sente como que uma tontura (mas que não é tontura, embora se arrisque a fazer figura de tonto), e uma força misteriosa e invisível o puxa para cima da bem torneada coxa de uma mulher. Hora e meia nisto, resistindo valorosamente, foi obra!

 

Parte II – Toilette “Credo! É melhor olhar para o chão!”

Chegados ao destino, no belo lugar de Penhas Douradas, estacionei o carro e deixei a Liliana entregue à privacidade necessária para trocar de roupa (que eu já estava quase sem aguentar mais um minuto de sofrimento) para a caminhada. Agora é que iam aparecer as calças camufladas, pensei eu. Nã! Nada disso! Mártir que é mártir, não tem sossego. A Liliana sai do carro e… pumba! Leggings pretos e uma espécie de top cinzento. Tudo muuuuuito justinho ao corpo. Definitivamente, fiz muito mal a alguém num passado pouco distante. Mal refeito do choque e metemo-nos ao caminho. Credo, pensei eu. É melhor olhar para o chão! Ou para o lado. Fechar os olhos, não podia, por causa dos calhaus. Até à paragem para almoçar, junto a um ribeiro de águas límpidas salpicadas por flores brancas flutuando à superfície, foi mais hora e meia de tortura. Aquela coisa das leggings, é, basicamente, como que uma pintura a spray por cima das pernas, numa só camada. Permite apreciar pormenorizadamente a interacção muscular das coxas, dos gémeos e dos glúteos. Sempre com grande discrição, claro. O top cinzento justo, tem o defeito de permitir aferir a dimensão e a consistência da região do tórax, as quais, no caso particular da Liliana, estavam na dose perfeita para um gajo se desorientar. O meu azar, sinceramente, foi a Liliana frequentar um ginásio. Senão, a situação até poderia passar-me ao lado. Mas, não foi o caso. Aquilo eram pernas demasiado bem talhadas para um gajo se deixar distrair pelas plantas, pelos montes, pelos vales e pelos passarinhos. Enfim, depois parámos para almoçar, descansar, tirar umas fotos e apreciar a natureza, junto ao tal ribeiro. Entretanto, a Liliana estava entretida a fotografar umas plantinhas e eu estava entretido a fotografá-la a ela. Discretamente, claro. Ou não. Acho que já estava a perder a vergonha e não tirava os olhos de cima dela. Aqueles braços bem feitos e suavemente musculados, também, ui!, ui! Depois veio uma conversa sobre macrofotografia, ah e tal, ela encostou-se ligeiramente a mim para espreitar a máquina e pensei logo: nã!... tu deves é ter pegado fogo a um infantário sobrelotado na hora da sesta! Gaguejei? Não me lembro. Mas passou-me um arrepio pela espinha abaixo… Depois continuámos viagem, mais um bocadinho de tortura, deixámos o trilho e começámos a entrarem corta-mato. Eu, preocupadíssimo com o bem-estar da Liliana, e a rapariga, afinal, não tinha fibra só no corpo todo. Meteu-se por ali fora, no meio de um matagal de giestas, tojos e demais vegetação serrana, saltitando graciosamente de penedo em penedo, qual gazela passeando na savana. Mais uns pontos a favor dela.

 

Parte III – Toilette “Ufff!...”

Finalmente, estávamos de volta ao carro. Mais um bocadinho de privacidade para a muda de roupa. Eu já não sabia se havia de esfregar as mãos de contente por ir passar mais uma hora e meia sentado ao lado de uma deliciosa mulher de mini-saia, com umas coxas que me tiram a serenidade toda, ou se havia de começar a rezar antes de hora e meia de “vertigens downhill”. Tortura pura. E se eu me enganava a meter uma mudança e me “caía” a mão em cima da pele daquela coxa tão ah e tal? E se me descuidava e ficava colado naquelas coxas e deixava o carro resvalar para o meio dos pinheiros-de-casquinha e das tramazeiras e dos penedos? Ó vida difícil! Estava entregue a estes pensamentos pecaminosos, quando ela saiu, finalmente. De calças de ganga justas. A terceira toilette do dia. Pensei logo: ufff!... Acabou-se parte do tormento! Mas, atenção! Aquelas calças de ganga não são de se menosprezar. São as calças perfeitas para um qualquer passeio ou jantar, em que um homem sente aquele prazer infinito de estar orgulhosamente na companhia de uma bela mulher. Parámos, mais à frente, para provar a água na nascente do Mondego, e tive oportunidade para verificar que, efectivamente, aquelas calças eram umas boas calças. Portanto.

 

E pronto. Fui levá-la para apanhar o autocarro de volta à terra dela e regressei, sossegado, conforme consegui, para a paz da minha casinha. Seguiram-se umas quantas noites mal dormidas, assaltado por visões de mini-saias rodadas, de leggings pretas, e dos contornos irresistíveis do corpinho da Liliana. E agora, só por causa de estar para aqui a escrever isto, já estou mesmo a ver que vou ter outra noite mal dormida. Ai, a minha vida! pickwick

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publicado por pickwick às 15:37
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011
Ding, dong!

Estava eu na pacatez da minha maison, com as minhas janelas tipo fenêtre, a tentar fazer alguma coisa de útil e produtivo para quebrar com a improdutividade do Verão que já se foi, quando tocou a campainha de porta.

 

Um gajo pensa que vive numa aldeia perdida nas beiras e que é como se vivesse numa ermida isolada no cimo de uma montanha, mas, afinal, de vez em quando, alguém toca à campainha. E não é o motoqueiro das pizzas, não.

 

Abro a porta e… numa fracção de segundo, assim como que num bater de asas de um colibri, vi a minha vida a andar para trás. No bater de asas seguinte, foi para exclamar “mau, mau, Maria!” para comigo mesmo. Já no terceiro bater de asas, um conselho a mim próprio cheio de sabedoria, sensatez e serenidade: “shttt… não olhes, pá! não olhes!”.

 

Plantadas à minha frente, estavam as minhas vizinhas de cima, mãe e filha. A mãe, ah e tal, agora não interessa e mais logo também não. A filha, 17 aninhos, fresca que nem uma alface, trajava uma coisa que, no tal bater de asas do colibri, me pareceu um vestido de noite muito sensual, daqueles com alcinhas fofinhas, a dar pelo meio da coxa, excepcionalmente decotado para não atrofiar os pulmões durante a noite. Como era hora do lanche, presumo que não fosse mesmo vestuário para dormir, mas não tentei verificar, especialmente porque já tinha reparado que a lingerie era preta e corria o sério risco de ser apanhado pela mãe a tirar as medidas à roupa da filha. Pior: ser apanhado com as retinas a caírem para dentro do decote da rapariga! E eu, que ainda não tinha a noção de que a rapariga era tão prendada ao nível do tórax. Mas mesmo muito prendada!

 

Espanto-me comigo mesmo. Como consegui recolher tantas evidências num bater de asas de um colibri? Estou com um poder de observação muito à frente!

 

Contextualizando, as duas vinham entregar-me um pack de três garrafas de vinho (cerveja é que era!), como agradecimento pela ajuda que dei à miúda numas dúvidas que lhe surgiram ao longo do ano com a Matemática, sendo que a respectiva terminou a coisa com dezoito valores.

 

Voltando ao que interessa, lá se foi aquela teoria de que as mães e os pais não têm noção de que as jovens saem da casca e abalam de casa à socapa com roupas capazes de facilmente provocar paragens cardíacas. Esta mãe, que até parece boa pessoa, acompanha a filha - esta quase em trajes menores - à porta do meu apartamento, em plena luz do dia. Será que, por eu viver sozinho, esta mãe acha que sou larilas e que até poderia trazer a filha de tanguinha e em topless sem que isso me despertasse apetites indecentes? Não compreendo, a sério. Escapa-se-me. Mas agradeço o gesto. Foi um gesto bonito, para uma tarde de segunda-feira. Até escusavam de ter trazido o vinho. pickwick

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publicado por pickwick às 21:54
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