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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Criação de pintos no frigorífico
Maria! (nome de código)
 
Se me estás a ler, acho que descobri uma solução para os ovos que ficam meses sem fim no frigorífico, para além do prazo de validade!
 
Lembro de como tens jeito para tricotar umas coisas com lã. Pois é! Fazes uns xailes, em lã pura, tipo virgem (a lã de caranguejo costuma trazer restos de cascas e não presta para estas coisas), moldados aos ovos. Assim tipo um aconchego para aqueles dias solitários que os ovos passam na gélida prateleira do frigorífico. À medida que vão apodrecendo, dia após dia, o aconchego do xaile fará com que, em vez de o interior de cada ovo se transformar num líquido escuro, asqueroso, intensamente mal cheiroso, ao ponto de provocar vómitos a oito metros de distância só com uma fungadela, o ovo operará esse milagre da natureza que é o nascimento de um novo ser vivo. Neste caso, um pinto.
 
Assim que o pinto partir a casca e saltar para o ambiente agreste do frigorífico, o xaile cai-lhe em cima. Convém, pois, que, para além de se adaptar na perfeição ao ovo, possa, também, adaptar-se à fisionomia do pinto, com um buraquito para o bico e para os olhos. Faz de conta que pinto nasceu na Noruega, vá. Nada de extraordinário.
 
Quando receberes as tuas visitas em casa, abres o frigorífico e perguntas o que preferem: ovo estrelado ou pinto na caçarola? Eu acho que é uma coisa muito à frente e que só te ficava bem. Aposto como irias impressionar – pela positiva – muitas amigas tuas.
 
Pela parte que me toca, e sem querer parecer que estou com mau feitio, troco bem um pinto e dois ovos por uma taça de Nestum. pickwick
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publicado por pickwick às 19:58
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Sonambulismo ou ladrões?
Das duas, uma: ou sofro de um inexplicável sonambulismo, ou ando a sofrer visitas dos amigos do alheio durante a noite.
 
Há uns dias atrás, acordei com uma dor esquisita na articulação superior da perna direita, ali onde o fémur se encaixa.
 
Há menos dias atrás, acordei com o joelho esquerdo todo torto e desde aí que ando a coxear, ainda que muito discretamente.
 
Há menos dias atrás ainda, assim tipo hoje de manhã, acordei com a parte esquerda do pé esquerdo toda amassada, o que acentuou ainda mais o coxear, apesar de manter a habitual discrição.
 
Portanto, ou tenho uns ataques de sonambulismo durante a noite e já mandei a coxa contra a parede, bati com o joelho contra a máquina de lavar e fui atropelado no pé pelo aspirador, ou... então, noite sim, noite não, entra-me cá em casa um amigo do alheio que me apanha em sono profundo e me bate com um taco de basebol em sítios estratégicos, com uma manhã tão grande, tão grande, tão grande… que só dou pela dor quando toca o despertador.
 
Nestas ocasiões, desejava ter uma daquelas banheiras especiais-de-corrida que são usadas no filme “Wanted” (“Procurados”, com a boca-de-bóbó Angeline Jolie), assim tipo caldo verde antes de lhe deitarem as couves, em que um gajo mete-se lá dentro todo amassado e, passadas umas horas de sono reconfortante, acorda novinho em folha, com os buracos todos fechados (salvo os que convém continuarem abertos, por motivos óbvios de natureza fisiológica). pickwick
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publicado por pickwick às 21:46
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Sábado, 26 de Setembro de 2009
Ah! Dicionário do umthondo!
Outro dia, em vez de sair como uma amiga, fiquei em casa a desenvolver um trabalho de investigação para um livro que ando a escrever, em colaboração com uns amigos. Entre muitos temas, cruzei-me com alguns termos em línguas africanas do século XIX, nomeadamente em Zulu e em Twi.
 
Sim, há uma língua africana chamada Twi. É uma língua do caraças e vi-me à rasca para conseguir encontrar o que queria num dicionário online. E sim, há um dicionário online de Twi. Tem é uns caracteres esquisitos, com uma pronúncia ainda mais esquisita, mas ao fim de uma hora já tinha o que procurava.
 
Quanto do dicionário de Zulu, há coisas em que a curiosidade é mais forte que qualquer pedacinho de racionalidade. Andava eu à procura do significado de “panzi”, quando o dicionário me respondeu que ah e tal não existe, mas se quiser e tal pode procurar “Similar English entries: pan, pénis”. E eu, pimba, deixa lá ver como é que se diz pirilau em Zulu. Diz-se “umthondo” ou “ubolo”, conforme apeteça. Mas, atenção, se estivermos a falar do pirilau de um animal, por exemplo de um elefante, diz-se “umboko”. Bonito, não é?
 
Passo seguinte: como se chama o órgão sexual feminino? Ora, aqui é que as coisas se tornam divertidas, pois até os Zulus tinham palavras vulgares a serem usadas para o efeito. Assim como nós temos a passarinha, a bichana, o grelo, o berbigão, a pombinha, a sardanica, a rata, a grila ou a pardaloca.
 
Portanto, “isinene” ou “isibunu” é por definição. Mas também se usa “ikhekhe” (bolo) e “inkomo” (cabeça de gado). Não querendo fazer do comentário seguinte uma tese de Doutoramento, atrevo-me a sugerir o seguinte: os Zulus chamarão “ikhekhe” à passarinha de uma mulher dentro do prazo e “inkomo” no caso de a senhora já estar fora do prazo. São uns malandros! pickwick
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
A dentadura misteriosa
Uma das minhas novas colegas de trabalho, que não prima pela beleza e muito menos pelas linhas corporais harmoniosas, tem uma forma invulgar de se rir. Diz uma piada, daquelas de se cair no chão e rebolar até arranhar os cotovelos, mas só abre oito milímetros de boca.
 
Presumo que tal se deve à sempre bem sucedida vontade de não mostrar a dentadura. Haverá dentes ao pendurão, capazes de saltar fora quando a abertura das beiças ultrapassar os oito milímetros? O que se esconde naquela boca? Será uma mutante, daquelas raparigas que engoliram um bidão de lixo tóxico radioactivo quando eram bebés? Será outra Orc com cobertura de Carnaval a imitar os humanos? pickwick
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
Uma Orc lê o meu blog
Precisamente no dia a seguir à publicação, neste blog, de uma reflexão sobre o vestido de uma das minhas novas colegas de trabalho, cujas semelhanças físicas com os Orcs do “Senhor dos Anéis” são impressionantes, o vestidinho foi trocado por umas grosseiras calças de ganga. Parece que foi uma troca para sempre, porque, desde aí, ela não tem usado outra coisa.
 
Toda a gente sabe como as calças de ganga impedem uma análise do tipo de roupa interior em uso, através do método do “relevo do elástico”. Isto quer dizer que, depois desse post, acabou-se o bem-bom.
 
Ora, tudo leva a crer que esta alteração imediata de vestuário foi uma consequência directa do acesso da pessoa em causa ao meu blog. Ou seja, em bom português, parece-me que uma Orc anda a ler o meu blog. Presumo que a conseguiria fidelizar, como leitora, se alternasse os posts sobre maminhas com outros sobre nacos de carne crua, mas isso fica para outras aventuras, até porque, a bem dizer, porreiro, porreiro, era ela voltar a ir trabalhar com o vestidinho. pickwick
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Quando elas estão esfomeadas
Outro dia, fui sair com uma amiga (outra vez?). Fomos almoçar fora. Já era tarde, mas os restaurantes não-convencionais são mais permissivos quanto à hora de entrada dos clientes. O convite, da minha parte, era para comer umas “francesinhas”.
 
No mesmo local onde, no ano passado, fui jantar “francesinhas” algumas vezes com um colega, depois do nosso cansativo treino de judo, sendo que ele tinha sempre alguma dificuldade em comer tudo.
 
Assim sendo, qual era a estratégia? Um gajo está com fome, apetece uma “francesinha”, convida uma amiga, as amigas comem pouco, e um gajo entra pelo restaurante dentro com aquele sorriso à malandro, como quem vai comer “francesinha” e meia porque a sua parceira só consegue comer metade.
 
Um gajo senta-se, todo lampeiro, pede duas “francesinhas”, prova as azeitonas, dá dois dedos de conversa com a amiga, vêm as “francesinhas” e a amiga quase que é a primeira a acabar. Não há condições! Nem um cantinho de pão, nem uma colherzinha-de-sobremesa de molho. Tudo! Não bastasse a frustração de quem fica sem meio doce, a amiga ainda insistiu em comermos sobremesa!
 
Há dias em que elas andam esfomeadas! Este foi um desses dias.
 
Ainda me lembro do tempo em que íamos de Aveiro treinar judo a Coimbra, acabando por jantar todos antes do regresso. Lembro-me mesmo, mesmo, mesmo muito bem, de como eu e o Zé nos sentávamos estrategicamente entre as gajas, já na certeza de nos lambuzarmos com os bifes e as batatas fritas que elas não conseguiam comer. Bons tempos, carago! pickwick
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
Malinhas de senhora
Outro dia, fui sair com uma amiga. Ah e tal, fomos não sei onde, que já não me lembro, mas foi algures num local público, que eu sou um gajo decente e ela também é. Às tantas, o meu olhar de lince apanhou a minha amiga a mexericar dentro da sua malinha de senhora.
 
Eu não sou muito de olhar para dentro das malinhas das senhoras, até porque não deve haver lá nada de interesse para um simplório como eu e, ainda por cima, costuma reinar lá dentro uma confusão tal que ficamos logo mal impressionados.
 
No caso em apreço, intrigou-me o facto de a amiga trazer duas malinhas de senhora! Sim! Duas! Uma dentro de outra! Um gajo, quando é confrontado com um aparato desta natureza e envergadura, presta-se logo ao académico exercício das hipóteses:
 
1. Está com medo que chova e assim espera que a dupla camada proteja os haveres.
2. A mala de dentro é mais prática e é a preferida da dona, mas partiu-se a alça e não houve tempo para a substituir.
3. A mala de dentro é mimada e gosta de andar na rua aconchegada dentro de outra.
4. As malas são muito chegadas uma à outra e fariam um berreiro infernal caso uma delas ficasse em casa.
5. Caso apareça uma promoção ou uns saldos inesperados, a mala de fora pode servir para o respectivo transporte.
6. Se à dona das malas passar uma ventania e subitamente lhe apetecer roubar um banco ou uma loja de gomas, pode enfiar a mala de fora na cabeça e consumar o assalto sem que ninguém a venha a reconhecer.
7. Se de repente se vir sozinha em plena rua e for vítima de uma tentativa de assalto, pode rapidamente enfiar um tijolo na mala de fora e girá-la no ar, qual arma ameaçadora e mortífera.
 
Enfim, não aguentei mais e quis saber.
 
Ah e tal, saí à pressa de casa e não tive tempo de trocar o conteúdo de uma para a outra. E para que é que uma gaja necessita de trocar o conteúdo de uma mala para outra? Porque a cor da primeira não condiz com a roupa. Obviamente.
 
É nestes momentos que me sobe ao umbigo uma estranha sensação de ir completamente nu na rua, sem uma qualquer mala que condiga com a minha roupa rasca e muito usada. pickwick
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Ó para ele, tão macho
Outro dia fui apanhado numa onda de ah e tal vamos à feira comer umas bifanas e um caldo verde e andar nos carrinhos-de-choque. Já houve tempos em que mandar umas pantufadas nos carrinhos-de-choque ainda me entusiasmava, mas acho que já foi algures no século passado. Um gajo com a idade fica meio artolas e deixa de saber apreciar certos prazeres da vida. Enfim, não se pode ser perfeito. Entre o perfeito e o imperfeito fica aquele gajo que, como eu, já não tem paciência para andar a chocar contra os carrinhos das meninas nem para andar ao soco com os namorados ou pretendentes dessas meninas que também andavam na pista mas um gajo não sabia, embora seja incapaz de renunciar a um caldo verde e a uma bifana. E assim lá fui.
 
Depois do manjar, os meus companheiros de passeio - uma senhora e os seus dois filhos adolescentes – foram gastar umas fichas nos carrinhos, enquanto que eu me plantei nuns bancos metálicos muito mal jeitosos que rodeavam a pista, daqueles que um gajo senta-se e passados três segundos já está a levantar-se para se sentar novamente porque entretanto já se está quase com o traseiro no chão.
 
Algures durante a terceira ficha, acercou-se da pista uma família muito jovem, tipo os irmãozinhos todos juntos e os pais nem vê-los. Havia a adolescente gorda, um bebé num carrinho, um jovem adulto com ar de quem levanta vacas durante a manhã e mata coelhos à dentada durante a tarde, mais duas ou três personagens que se me evaporaram da memória, e um puto com cerca de onze anos.
 
Às tantas, cada um foi para seu lado, para os carrinhos, carrosséis e demais diversões, ficando o bebé, no carrinho, à guarda do puto. Que puto responsável, pensei eu. Quando olhei com mais atenção, reparei que o puto estava já a mais de meio de um cigarrinho, na maior das descontracções, alternando umas beijocas no bebé com umas baforadas de fumo para o ar. Com aquele ar de macho-por-desmamar, quase que aposto como o puto estava decidido a que o povo o tomasse por pai do bebé.
 
Eu, com aquela idade, se fosse apanhado pelo meu paizinho a armar-me aos cágados com um cigarro, nem que fosse meio cigarro, levava um chuto com tamanha força que pegava fogo no cu e ainda ganhava um galo na testa quando chocasse com o planeta Mercúrio. A minha sorte, com aquela idade, foi dominar minimamente a versão lusitana da mítica arte Ninja. Embora às vezes nem por isso. pickwick
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
O vestidinho tão giro
Já posso confirmar que tenho uma colega de trabalho com um estilo de vestir muito próprio e crónico. Chama-se Sandy (nome de código, ‘tá claro) e o estilo de vestir é tão singelo, tão singelo, mas tão singelo, que até provoca ardor na vista. Estou a falar de um vestido feito com um tecido muito leve, assim tipo algodão fino, que se adapta – com uma facilidade incrível – às formas corporais. Assim daquelas coisas que parecem uns moldes: caem em cima do corpo e não há curva que escape.
 
Cumpre-me, também, informar que a Sandy é uma trintona, provavelmente já a acercar-se dos quarenta, casada e mãe de filhos, que mantém um corpo incrivelmente elegante, provavelmente até mais formoso do que quando era uma jovenzinha. Ora, isto faz com que um gajo se desconcentre cada vez que tropeça o olhar no vestido.
 
A Sandy parece estar bem aviada de vestidos iguais, apenas variando a cor de uns para os outros. Acho que ainda não a vi com outra coisa que não seja o belo do vestidinho. Tão giro, carago.
 
Mas, fazendo jus ao dito “não há bela sem senão”, tenho que dizer que a Sandy tem um rosto mesmo, mesmo, mesmo, mas mesmo muito igualzinho ao daquele gajo do “Senhor dos Anéis” que comandava as tropas de lindíssimos Orcs de Moria. Tal e qual. Este “senão” obriga-me a um delicado e exigente exercício de selecção visual, impedindo que o cérebro receba imagens acima da linha das clavículas. Não é qualquer um que consegue concretizar, com sucesso, este tipo de exercício. Vale-me a experiência de uma vida e a inabalável força de vontade. Ser esquisitinho também ajuda. pickwick

 

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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
Conceda-lhe lá um emprego, vá
Desde pequeno que sempre gostei de exercitar o corpo e puxar pela máquina. Já não estou em estado de abusar muito dela, pela má utilização que lhe dei na última década, mas, ainda assim, lá vou dando umas escapadinhas.
 
Uma das escapadinhas a que me afeiçoei, é subir as escadarias da Nossa Senhora do Assobio (nome de código... sim, também tem direito), numa povoação a uma dezena de quilómetros de minha casa. Aquilo tem uns lanços de escadas jeitosos, com uns degraus muito medievais e toscos, e umas capelinhas espalhadas.
 
Já se imagina a coisa: subir, descer, subir, descer, e por aí fora.
 
Hoje, apanhei três mulheres de mãos dadas a fazer a escadaria. Ao longe, fui assaltado por pensamentos vários, com destaque para este, que se repetiu com maior frequência: são lésbicas e adoram ménage à trois. A uns cem metros, notava-se que a do meio trazia os ombros nus, coisa que eu aprecio muito, porque, como é do conhecimento público, logo abaixo dos ombros vêm as maminhas.
 
À medida que a distância se foi encurtando – elas a subir e eu a descer -, apercebi-me que a dos ombros nus era toda jeitosa, elegante e bem feita, assim na casa dos trinta, cabelo preto e comprido, enquanto que as outras já tinham passado do prazo ainda antes do final do Século XX.
 
Há fetiches para todos os gostos, como bem sabemos, e podia haver ali um qualquer daqueles que cruzam a homossexualidade com a paixão por gente mais nova e desta por gente mais velha. Por gente mais nova, eu até compreendo, ah e tal, maminhas firmes, pouca celulite, rabinho-de-pêra, etc. Mas, por carne flácida, celulite descaída, maminhas até aos joelhos e pele encarquilhada? Por favor.
 
No momento do cruzamento entre o trio e a minha pessoa, fiquei impressionado com o que se estava a passar entre as três. Iam de mãos dadas, sim, mas a rezar. Acima e abaixo da longa escadaria. Subi três vezes, elas já lá andavam quando cheguei e por lá ficaram quando abalei. Uns “Pai Nossos” e umas “Ave Marias”, tipo a reza do terço.
 
Numa das vezes em que nos cruzámos, percebi mais qualquer coisa para além das tradicionais orações atrás citadas. A mais nova, com mais vigor e em muito boa forma física (já disse que era toda boa?), rezava: Nossa Senhora do Assobio (nome de código), concedei-me um emprego...
 
Confesso que foi a primeira vez que ouvi alguém a pedir um emprego daquela forma. Impressionou-me, e pela positiva. Deu-me logo uma vontade imensa de ser um empresário extraordinariamente bem sucedido e consequentemente rico, para lhe dar um emprego logo, logo, logo. Não por ela ser toda boa e jeitosa e estar em boa forma, mas pela Fé que a levou a fazer aquele esforço físico.
 
Eu não sou assim um católico daqueles de tirar o chapéu, pois se vivesse na Idade Média já me teriam chegado fogo às nádegas numa fogueira qualquer, mas, tenho a dizer que, ao passar pela rapariga e ouvir-lhe aquele pedido desesperado, fiquei com a estranha sensação de lhe estar a ler a alma com uma nitidez impressionante.
 
Não aprecio aquela malta que anda de joelhos por Fátima, para cumprir uma qualquer promessa. Mas, já sinto bastante admiração pelo esforço colocado no pedido e pela Fé da rapariga, convicta de que, eventualmente, alguém, lá em cima, a escutaria e a atenderia.
 
Fiquei assim todo melancólico, sim. Também estava a suar por todos poros e a largar um fedor muito másculo mas pouco agradável. Depois, cheguei a casa, meti uns restos de queijo à boca, abati duas cervejolas ao stock do frigorífico, e vim para aqui escrever este post, antes que fosse atacado pelo incrível Alzheimer e aqueles momentos na escadaria fossem comidos pela bocarra feia do esquecimento. pickwick
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publicado por pickwick às 22:41
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