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Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
Oferta turística - passagem de ano
Embora não sendo hábito, da minha parte, ver TV, hoje, por via de um almoço em casa de uma amiga, assisti a umas rasgadelas do telejornal da uma. Neste, era apresentada uma panóplia de ofertas turísticas para a passagem de ano, com o intuito de mostrar a diversidade de opções disponíveis, para todos os gostos e carteiras. Coisas para 8000 euros, viagens de parapente, festarola em aldeia serrana, etc.
 
Só para meter nojo, mas só mesmo para isso, vou aproveitar este espaço para divulgar a minha oferta turística para a passagem de ano. No caso de algum leitor ou alguma leitora (sendo que estas preferem sobre os anteriores), é só fazer o favor de me mandar um mailinho a manifestar o interesse.
 
Aqui vai:
 
OFERTA – Passagem de ano Aventura!
 
1. Local: Serra da Estrela (ou outra coisa que a valha)
2. Meio de transporte primário: automóvel particular
3. Meio de transporte secundário: a pé
4. Alojamento: (vide descrição abaixo)
5. Menu gastronómico para a festa:
- requintada chouriça caseira, assada segundo métodos tradicionais ancestrais
- biscoitos vários, típicos da época
- presunto especialmente seleccionado
- vinho tinto de várias castas, servido à temperatura ideal de consumo
- espumante arrefecido em águas-da-ribeira, segundo método sertanejo
- digestivos vários, raríssimos e de confecção caseira
- outras iguarias de menor valor
6. Preço: 252,18 euros (a este valor acresce IVA à taxa de 20%)
7. Breve descrição da oferta:
Os clientes são transportados de automóvel para um mundo mágico, no coração da serra, onde serão inicialmente sujeitos a um briefing sobre segurança e progressão nocturnas em montanha. De seguida, são equipados com sofisticadas mochilas, que garantirão uma autonomia para 24 horas. Após uma breve troca de palavras sobre a chuva que se abate violentamente sobre a serra, os clientes partem para um percurso pedestre com a duração de cerca de 3 horas, subindo cerca de 500m em altitude, sendo a maior parte do percurso feito em trilhos acidentados. As giestas, os tojos, os poios das vacas, as caganitas das ovelhas, os cães dos pastores, os calhaus, as poças de água, a lama, o frio, o vento e a chuva, são os ingredientes principais para a plena sensação de aventura. Findo o percurso, os clientes encontram-se na encosta norte da serra, onde a inclinação do terreno ultrapassa facilmente os 20%. Num socalco de uma ancestral área de cultivo, hoje abandonada, os clientes têm em mãos a construção do abrigo onde passarão a noite, orientados pelas instruções dos experts da equipa organizadora, tecnicamente qualificados e altamente experimentados. A construção dura cerca de três quartos de hora, dependendo da força da chuva, da quantidade de vezes que os toldos forem arrastados pelo vento, da firmeza do terreno alagado, do congelamento das mãos e da aselhice dos clientes. Segue-se o isolamento térmico do chão e a instalação dos equipamentos para dormir. O jantar, é um momento único onde os clientes são convidados a experimentar a confecção dos seus próprios alimentos, aprendendo técnicas ancestrais. Após o jantar, os mais atrevidos podem provar o aroma de umas cigarrilhas, debaixo de um enorme carvalho. À meia-noite, a abertura do espumante, depois de retirado das gélidas águas da ribeira próxima, as passas, xixi e cama. No dia seguinte, alvorada a gosto, pequeno-almoço com restos da véspera, desmontagem dos abrigos, arrumação do equipamento e regresso aos automóveis, por percurso alternativo, com a duração também de três horas, sob uma muito provável chuva gelada. pickwick
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
A cleptomaníaca e as calças da Lecas
Lá na nossa instituição, temos uma fulana que sofre daquela bela doença que dá pelo nome de cleptomania – uma vontade irresistível de roubar. Chama-se Dália (nome de código) e não lhe fazia mal nenhum ser atropelada por uma betoneira.
 
Ora, no ano passado, foi um filme por causa do desaparecimento de um dossier, de duas pen’s e dos óculos de sol do patrão. E de sabe-se lá mais o quê, sem importância, que terá desaparecido misteriosamente sem que alguém desse por falta. Nunca se chegou a acusá-la formalmente, mas temos a certeza que foi ela. Assim uma daquelas certezas certezinhas.
 
Na semana passada, a nova psicóloga que veio trabalhar connosco descuidou-se e deixou ficar a respectiva pen, com o trabalho mais recente, nas traseiras do computador do gabinete dela. Misteriosamente, ou não, a pen desapareceu, sabendo-se que a Dália foi das poucas pessoas que esteve nesse gabinete entre a saída da psicóloga e o encerramento para fim-de-semana.
 
Por mim, se me deixassem, ou melhor, se não fosse demasiado escandaloso, fechava-me num gabinete com a Dália e fazia-lhe entrar a língua pelo ânus dentro, toda dobradinha em dois e bem amachucada com a palma desta minha mão justiceira. Mas, não. Ora bolas!
 
Por falar em bolas, a Lecas (nome de código) hoje entrou pelo gabinete do patronato dentro, toda pimpona, a abanar as nádegas, anunciando aos presentes o facto de estar a vestir um par de calças que já não lhe serviam há dois anos. Graças a um rigoroso regime de exercício físico, confessou, conseguiu reduzir o volume de enchimento e, assim, caber nas calças. O regime consiste numa caminhada diária, faça frio ou faça sol, chovam rabanadas ou crepes de morango. Admirei-lhe a força de vontade. Contudo, olhando com mais atenção para o rabiosque a abanar debaixo da ganga, tive de me conter para não lhe sugerir que fizesse uma pequena alteração ao seu percurso pedestre diário: em vez das ruas da cidade dela, uma ida e volta a Paris, para ver se realmente perdia peso de forma significativa, ao contrário das míseras lascas que se desprenderam das nádegas para dar entrada num velho par de calças de ganga.
 
A avaliar pelo ar de rapina que exibe quando passa pela mesa cheia de chocolates que agora é um foco de atracção no gabinete do patronato, deduzo que esta pequena vitória da Lecas vai passar, rapidamente, a uma redonda desilusão. Especialmente quando a Lecas entra pelo gabinete, vai direita à caixa e foge com um chocolate na mão, batendo as asas numa retirada estratégica, não vá alguém perguntar-lhe pelo regime… Como foi hoje… e ontem… e antes de ontem… e como vai ser amanhã… e além… pickwick
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publicado por pickwick às 00:05
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Chocolat au lait

Hoje o dia foi de grande azáfama, para trás e para a frente, e até uma pessoa teve que ser despachada para o hospital. Deu para ir almoçar fora com duas jovens colegas de trabalho, num ratio de 3 para 2, deu para me reunir com cinco (devia haver a palavra “cinca”, para melhor entendimento do género) colegas, num ratio de 1 para 5, e até deu para descobrir o ecrã de um computador portátil riscado a golpes de x-acto.

 
A meio da tarde, quase à hora do lanche, apareceu uma senhora francesa, pedindo para falar com o patronato. Não mão, trazia uma monumental caixa de chocolates, com um bilhete colado. Eu já conhecia a senhora, mas nunca tínhamos chegado a vias de facto ao nível oral. A senhora francesa, está em Portugal há poucos meses, pelo que fez o melhor que pôde, num português muito mal amanhado, para expressar o que lhe ia na alma e o destino a dar à caixa de chocolates: para agradecer o trabalho dos profissionais da nossa instituição para com os seus rebentos. O bilhete dizia precisamente isso, num português perfeito. Agradeci-lhe a atenção, assim com aquele meu ar de brutamontes que tão habilmente faço quando fico sem jeito, estendi-lhe a mão e desejei-lhe bom Natal.
 
Entretanto, apareceu uma colega nossa que viveu em França até ao fim da adolescência, e que tem ajudado nas traduções. A senhora francesa agarrou-se a ela, deu-lhe outra caixa de chocolates, e se não derramou umas lágrimas foi porque não calhou.
 
O Natal presta-se a estas coisas, eu sei. Eu dispenso perfeitamente. À excepção das magníficas travessas de arroz doce, borrifadas com canela.
 
Levei a caixa de chocolates para a sala, fechada, com o bilhete bem visível, para proporcionar um agradável momento de leitura aos meus colegas.
 
Instantes depois, assim daqueles instantes em que um gajo sai da sala e vai ao gabinete e volta à sala, deparei-me com a caixa completamente vandalizada, sobrando menos de vinte por cento dos chocolates! Num ágil golpe de ancas, posicionei-me estrategicamente, de forma a, num simples e singelo alongamento do braço, caçar um dos chocolates sobreviventes. Um gajo tem de ser assim, ágil, para fazer face à concorrência do bando de abutres esfaimados que rondam diariamente o local de trabalho, olhos fitos em qualquer peça comestível que se atravesse ao caminho. Com ou sem bilhete lamechas. pickwick
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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008
As bifanas e as gajas
Conversa no MSN com o Juan (nome de código), numa destas noites frias de Inverno:
 
Juan diz: andámos lá até quase à 1h da matina
Juan diz: depois fomos os dois comer umas bifanas com umas fresquinhas
Juan diz: vida difícil
Pickwick diz: umas bifanas????
Pickwick diz: carago
Pickwick diz: melhor que isso
Pickwick diz: só mesmo gajas 
Juan diz: ehehehe
Juan diz: ah pois é!
Juan diz: as gajas podem ser chatas e as bifanas n se mexem do pão
Juan diz: é uma grande diferença
 
Portanto, Bifanas no Pão 1; Gajas Chatas 0. Está bem. pickwick
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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008
O Mercedes e o mau hálito
No sábado passado fui até à capital, para uma reunião de trabalho. Fica bem a um gajo ir reunir-se à capital, em especial se for com pessoas que igualmente se deslocaram de longe, assim tipo Algarve, Porto e Braga.
 
Na véspera, ligou-me o Figas (nome de código), que mora a 11 km de mim e também tinha sido convocado para a mesmíssima reunião. Foi a primeira reunião dele na capital, pelo que estava um bocado tímido. Combinámos ir juntos, de carro até Coimbra e depois de Comboio até à capital.
 
Às 6h30 em ponto, conforme combinado, ainda de noite e a pingar, o Figas estava no cruzamento à beira de minha casa, no seu Mercedes não-sei-quê-sport. Ah e tal, é um modelo Sport, já dei duas vezes 260 km/h com ele, em Espanha, e agora mudei-lhe os pneus para uns mais duros, que se gastam menos, mas não são bons para a chuva. E tal. Chovia com fartura. Num troço de auto-estrada, os lençóis de água eram mais que muitos, mas o Figas não perdoava. Olha, olha, dizia ele, enquanto o bólide se ressentia do impacto neste ou naquele lençol de água.
 
Eu não acho graça nenhuma a estas divagações automobilísticas. Mesmo dentro de um Mercedes versão Sport. Até Coimbra, não consegui desgrudar os olhos da estrada, sempre alerta para aquele momento inesperado em que somos obrigados a accionar os travões secretos de emergência debaixo do tapete do lado do pendura, salvando a pátria, o coiro e os dentes.
 
O Mercedes é um carro engraçado. Pessoalmente, depois de uma viagem destas, não vejo grandes melhorias, ou mais valias, em relação a uma carroça puxada por duas vacas injectadas com ecstasy. Engraçado, mas nada mais.
 
Em Coimbra, apanhámos o Alfa. Grande conforto, às vezes grandes gajas, mas com o frio a exibição de carnes torna-se mais rara e o prazer da observação é reduzido a uma unha. Na capital, reunião, argumentos para trás, argumentos para a frente, heresias à mistura, almoço de escalopes de peru com natas e cogumelos, o presidente da reunião pagou o almoço, é um querido, continuação da reunião, concessões, esforços estéreis, blá, blá, blá, e entretanto são 17h e está na hora de regressar.
 
Do Chiado a Santa Apolónia, apanhámos boleia de um dos companheiros de reunião. Num Mercedes. Arre! No banco de trás, não havia espaço para coçar a micose, tal era o aperto. Afinal de contas, o único gajo com menos de 90 kg era o próprio condutor e proprietário. Um Mercedes é, afinal, uma carroça apertadinha.
 
Comboio até Coimbra, poucas gajas para apreciar, com excepção da hospedeira de bordo a impingir umas bijutarias gastronómicas a preços astronómicos. 
 
De regresso ao interior do Mercedes versão Sport, estofos em cabedal, ah e tal, andámos uns 200m e íamos levando com outro carro em cheio pela lateral esquerda, assim daqueles acidentes bem assanhados, com mortos e feridos e muita baba e muito ranho. O cruzamento era manhoso, eu sei, mas o Figas podia ter menos problemas de vista, não? Valeu-nos o meu “cuidado!!!” e o ABS da carroça. Senão, era cá um tiro pela esquerda que íamos parar ao fundo do Mondego com os faróis do outro carro enfiados nos sovacos.
 
Eu, quando são estas cenas, perco logo a paciência e prefiro fazer os outros 75 km a pé até casa. Mas, pronto, um gajo tem de ser diplomático e disfarçar o buraco que acabou de fazer no tapete do lado do pendura, à procura dos travões.
 
Já no IP3, começa a conversa esquisita. Ah e tal, uma pastilha para o mau hálito, diz o Figas. Não sei quê, que não gosto nada quando as pessoas estão ao pé de mim e estão com mau hálito. E o fulano tal está sempre com mau hálito e não posso com aquilo mas o gajo não percebe. E por isso eu não gosto nada de estar com mau hálito, porque também não gosto que estejam ao pé de mim com mau hálito. E às vezes a malta também não está à vontade para dizer ao outro que está com mau hálito, com receio de ser desagradável. Mas devia dizer, se o outro estiver. Vamos parar ali para comer uma sandes de leitão? Não, obrigado, vou jantar com alguém.
 
Como ninguém foi acusado de mau hálito, quedou-se sobre o Mercedes um silêncio pouco agradável, enquanto eu tentava digerir a conversa. Pelo tom, deduzi que era mais provável que ele quisesse que eu lhe dissesse se ele tinha ou não mau hálito, do que eu ter mau hálito e ele me querer informar disso sem ser demasiado grosseiro. A dúvida pairou no ar até à minha rua. E foi-se, com o vendo, a chuva e o frio.
 
Para a próxima, vou de bicicleta. pickwick
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publicado por pickwick às 20:42
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Jornada desportiva
Dizem que está uma espécie de frio. Talvez sim, talvez sopa de legumes.
 
O certo é que, com algumas espécies de temperaturas, a execução de determinadas tarefas reveste-se de carácter especial, por motivos variados. Nada que impeça a jornada desportiva que ainda decorre.
 
1. Apesar de, no final do inverno passado, ter instalado uma salamandra XPTO espanhola aqui na sala, ainda não me compenetrei das suas eventuais potencialidades domésticas. Por tal, ultimamente tenho adoptado uma sofisticada técnica para combater o frio, em especial naqueles momentos em que temos de passar horas a fio em frente do computador, a dar aos dedos, embora estes sejam as partes que mais rapidamente arrefecem e gelam. E a sofisticadíssima técnica consiste em levantar pesos. Pois é! Um gajo começa a estar com frio, levanta-se, pega nos halteres, e pimba, pimba, pimba e pimba. Quinze minutos a bombear, dá aquecimento corporal para cerca de uma hora! Assim, junta-se o útil ao agradável. O útil é um corpo musculado de linhas viris (lá para 2013) e o agradável é a sensação de calor num ambiente gelado. Efeitos colaterais: umas dores musculares, passíveis de desaparecerem com massagens feitas por mãos femininas.
 
2. Uma bela quinta-feira, fui treinar para uma prova de corta-mato com um colega de trabalho, o Fifi (nome de código), já depois do pôr-do-sol, ora em alcatrão, ora mato dentro. O Fifi tem menos de trinta anos e é árbitro de futebol, pelo que foi muito simpático em ter parado as vinte e três vezes em que fiquei sem fôlego. No dia seguinte, portanto, ais e uis, e um andar à coxo. Vergonhoso…
 
3. Outro dia, foi dia de corta-mato lá na instituição. A tal prova para que tinha andado a “treinar” na semana anterior. A malta gosta destas paródias, embora a maior parte acabe por fazer pouco mais que trinta metros. Apesar disso, fiz questão de completar as quatro voltas do percurso. O Fifi saiu ao fim da segunda volta, para ir tratar do som para o espectáculo de entrega das medalhas. O Lili (nome de código), um jovem de vinte e cinco anos, saiu logo ao fim da primeira volta, vai lá saber-se porquê. Os restantes, homens e mulheres, desapareceram misteriosamente de cena. Valeu-me o Pipi (nome de código), quarentão praticante amador de ténis, ou praticante de ténis amador, que concluiu três voltas comigo. Um agente da GNR que montava guarda na estrada para impedir a passagem de veículos, já esfregava as mãos de contente, com o final da prova, para se poder ir embora. Mas, homem que é homem, vai até ao fim. E o Pipi foi um gajo porreiro, que aceitou dar a quarta volta – um feito inédito, mesmo já com risco de um colapso cardíaco. Cortámos a meta, bofes de fora e fomos tomar banho. Ainda estávamos a vestir-nos quando invadem o balneário para nos chamarem para irmos receber as medalhas e a coroa de louros (versão oliveira). Foi bonito, com o senão de no dia seguinte estar mais morto que vivo. Deu direito a uma cervejola ao almoço, para revigorar mente e corpo.
 
4. Ainda com a pica toda do corta-mato, na semana seguinte convenci o patrão e o Fifi a irmos correr ao final do dia, na quinta-feira. Já de noite, pois claro. Isto foi nas vésperas do fim-de-semana em que se previa estarem -15ºC na serra da Estrela, a escassos 7 km do meu local de trabalho, pelo que se imagina a bela temperatura que se fazia sentir. Ainda assim, lá fomos os três, feitos tolinhos, estrada fora. O patrão, que é da zona, levou-nos por um trilho de terra batida pelo meio de nenhures, até um santuário mais além. Fizemos tudo sem stress, até porque não se podia aspirar o ar com muita força para não congelar os pulmões. Soube bem o passeio, coisa para uma hora, embora o dia seguinte fosse muito penoso. Há um motivo estratégico para ter convencido o patrão a ir correr: devido à idade avançada, passaria para ele o fardo de fazer os pedidos para uma paragem aqui e acolá, para recuperar o fôlego. E ajuda à frágil sustentação do ego, confesso.
 
5. Logo no domingo seguinte, pimba. Estava em casa, lá fora chovia, ah e tal, um gelo de rachar, entretanto veio um bocado de sol, mais uma chuva, mais sol, céu nublado e cá vai disto. Duas sweats em cima do corpo e pimba para os pinhais, já com o sol a cair no horizonte. Isto de correr pelos pinhais é muito giro… a natureza, as árvores, os passarinhos, as nuvens, os esquilos, as poças de lama, a ausência de gajas, etc. Mas, isto de um gajo ter peso a mais que a conta é muito chato. Ali nos pinhais nos arredores da minha aldeia, há um percurso que costumo (ou costumava fazer), que incluía uma série de descidas e subidas, sem que a maiorzinha ficava sempre para o fim. Nesse mesmo percurso, todos os anos acontecia o mesmo, quando, pela Primavera, recomeçava a treinar. As primeiras vezes um gajo parava meia dúzia de vezes nas subidas, que já não se aguentava. Depois, de semana para semana, à medida que começava a entrar em forma, ia parando menos vezes, até que, passados uns tempos, entrava mesmo em forma e não parava vez nenhuma nas subidas. Entretanto, já tinha perdido uns quilinhos com a brincadeira. Presentemente, tenho cerca de quinze quilos a mais do que deveria (a fasquia está no peso que tinha quando fui para a tropa), o que quer dizer que é como se andasse a correr com três garrafões de água pendurados no corpo. É muita água! E o que é que acontece? Acontece que um gajo está de tal maneira em baixo de forma, que tem que parar nas descidas!!! Isto é deprimente, mas é a verdade. Um manifesto sinal de decadência. Nada que não se consiga inverter…
 
6. Falando em jornada desportiva, começou o mês de Dezembro, e, com ele, a repetição de uma jornada “desportiva” de outro calibre. É o mês do Natal e, consequentemente, o gabinete do patronato encher-se-á de chocolates a um ritmo quase diário. Ou são os trabalhadores que passam por lá para deixarem uns docinhos, ou são os próprios membros que oferecem os docinhos aos trabalhadores que por lá passam. O certo é que se trata de um mês de intenso consumo de chocolates. Arrasador! Depois vem o Natal com a família, um intervalo, e a desgraça total com a passagem de ano… Ainda se eu fosse um enjoadinho que só gostasse de salada-de-fruta e pescada com hortaliça… mas, não… tive logo o azar de ser um cidadão do mundo, aberto à diversidade gastronómica e aos prazeres da vida… (suspiro) pickwick
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
Correcção técnica

Por lapso, culpei um dos três magos de dar um beijinho no nariz do esquimó. Afinal, segundo ouvi hoje na rádio, foi o esquimó que deu um beijinho no nariz do mago.

 
No entanto, continuo na minha:
 
1. Os esquimós esfregam os narizes, pelas razões já adiantadas. Beijinhos no nariz já é desvirtuar a tradição, em favor de tendências menos másculas. Ou seja, é um gesto gay. Estamos, claro, a ter em conta, tão só e apenas, trocas de beijinhos entre indivíduos do mesmo género.
 
2. O mago ficou com um sorriso de orelha a orelha quando o esquimó lhe deu um beijinho no nariz. Como quem tem um arrepio na espinha provocado por um intenso prazer. Que é isto, senão a revelação de uma tendência menos máscula? Magos gays! Onde isto já vai.
 
Em jeito de conclusão, e porque estamos a falar de esquimós, a minha fraca memória ainda consegue reter, após tantos anos, uma cena de um filme com o Anthony Quinn, que fazia de esquimó ou algo semelhante. O António chegou a um iglo, perdido no meio de nenhures, debaixo de um temporal muito feio, com muito frio e muito vento. O proprietário do iglo, como era tradição hospitaleira, convidou-o a entrar, para se abrigar. Lá dentro, estava a mulher do proprietário. Como mandava a tradição, a mulher disponibilizou-se para aquecer o visitante, através de uma técnica que acho fantástica. Tirou as botas e as meias ao António, levantou a sua própria camisola (sem soutien, note-se) e puxou dos gelados pés do António para junto dos seus maravilhosos e consistentes seios, baixando a camisola! Isto sim, é uma esquimó a sério.
 
Acho que depois, segundo a tradição, o António também teve direito a uma queca, mas, dada a banalidade do acto, não me ficou na memória se sim ou se sopas. pickwick
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publicado por pickwick às 11:47
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