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Domingo, 30 de Dezembro de 2007
Gordo, disse a mamã
Enquanto os convivas para o jantar e posterior comemoração da passagem de ano não chegam, aproveito para me lamentar. Durante este Natal, e pela primeira vez em praticamente quatro décadas, a minha mãezinha chamou-me gordo! Eu, que sou filho dela, sempre me submeti àquela forma de estar na vida tão engraçada, sempre com comida a saltar pelos olhos e ouvidos, sempre a enfardar para dentro, sempre a consumir enormes quantidades de doces e chicha. Para a minha mãezinha, tal como para quase todas as mãezinhas deste mundo, não há filhos gordos – há, sim, filhos saudáveis e bem alimentados. Felizes, portanto. Sempre assim foi, mesmo quando se dava um murro na mesa por o ritmo de produção de arroz doce ser superior à capacidade de enfiar goelas abaixo. Anda lá, come, dizia ela. Os filhos, preocupados com a linha, pois daí depende a rentabilidade quando se sai à caça de fêmeas, bem que tentam inventar desculpas para escapar, mas a mãezinha e a gula são aliados poderosíssimos! Invencíveis! Recordo um belo verão, ainda na década de noventa, em que passei as férias com o meu irmão lá em casa, a enfardar e a ver TV. No final, precisei de sair à civilização e descobri que só tinha um par de calças que me serviam – e apertadinhas! Foi quando dei o pulo dos oitenta para perto dos noventa. Um marco! O que me estranha, portanto, é esta mudança de postura da minha mãe. Logo, logo, logo no Natal de 2007. O meu irmãozinho ria-se que nem um perdido. Ah e tal, estás mais gordo ainda que o teu irmão, dizia-me ela, porque ele é mais alto e disfarça. Para mim, pessoalmente, francamente, sinceramente e tristemente, foi um choque. Até quase perdi o apetite, assim como que subitamente, mas ainda consegui atacar na aletria e na torta de cenoura. Enfim. Talvez seja a minha mãezinha preocupada com a minha saúde, que poderá ser afectada por um excesso de peso. Talvez seja a minha mãezinha preocupada com o meu estado civil, atribuindo à fasquia volumétrica a razão para não ter arranjado ainda uma namorada. Não sei. É um mistério. Mas, vou debruçar-me seriamente sobre o assunto. Talvez dar umas voltas de bicicleta por aí. Apostar numas partidas de futebol com os colegas de trabalho. Tirar a ferrugem aos halteres. Beber mais água. Coisas assim. Mas isso, claro, só a partir de 1 de Janeiro! Porque, até lá, e a começar daqui a poucas horas, vou tomar parte numa orgia gastronómica contínua. Começa com um jantar em minha casa, hoje mesmo, continuará com um almoço desportivo amanhã, dia 31, e terminará a poucos metros da Torre, dentro de uma barraca à cigano, atolado em garrafas de vinho e chouriças e outras porcarias nada saudáveis. Depois, novo ano virá, a 1 de Janeiro. Ano novo, vida nova. Mais cuidados com a saúde, mais cuidados com a alimentação, menos doces, menos carnes, menos cervejas, mais exercício. Por falar em carnes, o Nando está com esperanças que o restaurante aqui da aldeia que tem “rodízio à brasileira” esteja aberto para nós no dia 1, assim que chegarmos da serra esganados de fome e capazes de enfardar uma vaca inteira. Sim, vou começar o ano lindamente… pickwick
publicado por pickwick às 16:15
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Sábado, 29 de Dezembro de 2007
Beijos, beijinhos e beijocas

Após o regresso ao lar doce lar, aqui na aldeia, retornei ao serviço no meu distinto posto de trabalho, atrás de uma secretária, no belo gabinete do patronato. A pasmaceira reinava no edifício. Umas senhoras dedicavam-se a lavagem e limpezas, aqui e além. Eu gosto destes ambientes, assim, de pasmaceira, sem o formigueiro de gente de um lado para o outro. É bonito! É saudável! É acolhedor! Mas dura pouco tempo! Ah, pois é! Quando dei por isso, já tinha uma colega a entrar pelo gabinete dentro. Beijinho daqui, beijinho dali, e toma lá uma prendinha para vós todos. Mais tarde abri e era uma caixa repleta de chocolates da Ferrero Rocher… horrível… Bom, eu pensava que já tinha acabado a vaga dos chocolates que atacou implacavelmente nas semanas antes do Natal, mas, afinal, ainda está para durar. Pior que mais chocolates, é ter que trocar beijinhos com colegas. Eu nunca gostei muito de beijos. Não sei se é algum trauma por a minha bisavó ter um bigode estilo D. Carlos I. Não sei se é pelo promiscuidade que se gera. Nunca gostei, pronto. E, na última semana, tem sido um exagero. As minhas colegas fizeram questão de me vir pregar dois beijinhos a desejar Bom Natal, quando durante dois anos nem um aperto de mão se atreviam. Eu não acho bem. Primeiro, porque eu não gosto dessas cenas abichanadas de trocar beijinhos com as colegas. Segundo, porque me obrigavam a levantar o traseiro da cadeira e dar a volta à secretária, o que, depois da segunda vez, começou a tornar-se muito cansativo. E hoje foi a mesma coisa. Apareceu a Fátima, chuac chuac, depois apareceu a outra Fátima, chuac chuac, depois apareceu a Maria, chuac chuac. Não há condições de trabalho, assim. Fui salvo por uma das minhas colegas do patronato, que, numa clara demonstração de sapiência superior, topou que eu não sou de beijinhos e cumprimentou-me com um sorriso e uma palmada nas costas. Obrigado, colega. Só tu me compreendes. As duas Fátimas foram-se embora e mais dois beijinhos para cada uma, depois da tradicional voltinha à secretária. Irra! Eu acho que esta cultura do cumprimento deveria mudar. Apertos de mão para toda a gente e pronto! Beijos é na namorada, na esposa ou na amante. Ou na filha. Nossa. De resto, é tudo corrido a aperto de mão. Ou à índio, braço no ar: ugh! Hoje fiquei com a sensação de que as gajas gostam de dar beijinhos nos gajos. É daquelas sensações sensoriais fantásticas, inexplicáveis pela razão. Não percebo qual é o gozo, especialmente quando o gajo – moi – vai para o trabalho todo gordo que nem um texugo e com barba de quatro dias. Enfim. Tremo só de pensar como será no primeiro dia de trabalho de dois mil e oito. Vão andar todas a beijarem-se umas às outras? Vão andar a correr atrás dos gajos para roubar duas beijocas? Depois vão tentar a terceira e quarta beijocas com a desculpa que se tinham esquecido que já haviam dado a primeira e a segunda? Ah e tal, já te tinha cumprimentado? Ah e tal, não faz mal, dá cá mais duas. Ora bolas! Vamos lá ver… E espero que não tragam mais chocolates. Eu gosto de chocolate, mas já tenho chocolate até nas veias dos olhos, debaixo das unhas e a gotejar do umbigo. A cera dos ouvidos acho que já é castanha! Até o Big Mac me soube a chocolate! pickwick

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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007
A Festa do Mundo
Após intenso, minucioso e longo período de meditação, eis-me nos finalmentes da minha fantástica proposta de alternativa ao Natal. Mais que uma alternativa, seria uma substituição plena dessa retrógrada comemoração de rabanadas e gorduchos. Chamar-se-ia “A Festa do Mundo” e teria, como fundamentação, o cada vez mais mundo global em que vivemos, onde impera a necessidade de sermos todos irmãozinhos e bons rapazes e boas raparigas, especialmente boas raparigas, porque as feias não são bem-vindas. Em vez de uma comemoração baseada nesse ser mítico que é a família unida e com saudades uns dos outros, ou no esbanjamento patético de dinheiro e alimento, “A Festa do Mundo” reporta-se à diversidade mundial e ao amor inter-racial e inter-cultural que se quer entre os povos. Assim sendo, aqui fica o plano:
1. Cinco dias seguidos de comemorações, sendo que, entre estes, os dias de semana devem ser promovidos a feriados mundiais.
2. Os cinco dias do ponto anterior, terão início a vinte e quatro de Dezembro e terminarão a vinte e oito do mesmo mês e do mesmo ano (não vá alguém querer emborrachar-se durante um ano seguido às custas disto).
3. A cada um dos citados cinco dias, corresponderá um continente: África, América, Antártica , Eurásia e Oceania. Ou seria, antes, África, América, Ásia, Europa e Oceania? Ou será África, América, Antártida, Ásia, Europa e Oceania e são seis em vez de cinco? Bem, que se lixe. Malditos acordos geográficos! Fazemos assim: a África é a dos gajos escuros e dos leões; a América é dos malucos a norte, dos pistoleiros ao centro e da picanha ao sul; a Ásia é do incenso e dos tigres; a Europa é dos tarados; e a Oceania é dos cangurus. O resto não interessa. E não se fala mais nisto.
4. Distribuídos os cinco continentes pelos cinco dias, cada um deles deverá ser vivido dentro do espírito do continente respectivo, numa comunhão de cultura, raças, gastronomia, amor e muito fogo.
5. Essa comunhão poder-se-á traduzir, por exemplo, em:
a) Festival de gastronomia, onde cada participante pode experimentar a feitura de variadíssimas receitas tradicionais.
b) Desfiles de vestuário tradicional (só gajas, please).
c) Desfiles de vestuário moderno (só gajas, mesmo).
d) Desfiles de biquinis tradicionais (obviamente).
e) Festival do Filme Porno (não havendo tradutor, não há crise), para divulgação de artistas e obreiros e, quem sabe, potenciar a exportação massiva de obras.
f) Feira do Livro Erótico, com as várias traduções das obras de referência, incluindo a BD, sendo que esta deverá reflectir as tradições do país de origem.
g) Festival erótico de divulgação das especialidades locais, sendo premiadas quaisquer inovações ao descrito no Kama Sutra.
h) Contratação de strippers indígenas para actuações ao vivo, sendo obrigatório iniciar cada sessão com vestuário tradicional do país de origem.
i) Festival da Cerveja (aceitam-se marcas brancas, pretas e amarelas).
j) Contratação de meretrizes indígenas para proporcionar, aos mais ousados, a experiência fantástica do sexo bi-cultural e bi-racial. 
Cinco dias por ano de folia intensa e aproximação dos povos! E promulgue-se, carago! pickwick
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007
Acabe-se com o Natal
Eu não quero ser desmancha-prazeres, nem mete-nojo (embora tenha queda para tal), mas quer-me parecer que o Natal já deu o que tinha a dar. Como festa, como celebração, como desculpa para o que quer que seja, whatever, já deu o que tinha a dar, digo eu. Quer-me parecer que o povo já está um pouco enjoado disto. Está cansado de encher o bandulho, de panos vermelhos, de rabanadas, do Pai Natal, das renas do Pai Natal, das ceias de âmbito profissional, das ceias de âmbito associativo, das ceias por dá cá aquela palha, dos presentes e prendas e presentinhos e prendinhas, dos laçarotes das prendas, do papel de embrulho das prendas, da confusão diária das vésperas, do bacalhau, do peru, do polvo e do resto, do bolo-rei, das SMS sisudas, das SMS humorísticas, das SMS eróticas, dos anúncios da TV, dos filmes lamechas na TV, dos programas de Natal da TV, da TV, do Natal, das canções de Natal tradicionais, das canções de Natal menos tradicionais, dos remix’s das canções de Natal, da neve, da neve artificial, das árvores de Natal, das bolas das árvores de Natal, dos enfeites, das estrelinhas, das coroas, do azevinho coitado, das viagens de Natal, dos acidentes das viagens de Natal, das filas para comprar presentes, das lojas a tresandar a Natal, dos hipermercados a tresandar a Natal, das chaminés por onde ninguém vai descer, do jantar de Natal em família, da família, dos avós desdentados, das tias chatas, dos pinheiros resinosos, dos pinheiros de plástico, das luzinhas a piscar, das lareiras, das meias, das camisolas, o bandulho constantemente atulhado de doces e couves, enfim. E, até, da Mãe Natal trajada a rigor com uma curtíssima mini-saia. Quer-me parecer que o povo está cansado e farto. Cheira-se no ar uma atmosfera de falsa alegria, um pacto silencioso com a tradição enfadonha, apenas inquebrável pelos adereços porreiros que acrescem a isto tudo: o subsídio de Natal, as férias e umas prendinhas. Pela parte que me toca, tenho a reclamar que foi graças a esta trapalhada do Natal que, pelas vinte e duas horas do dia vinte e quatro de Dezembro do presente ano, fui confrontado com o ponteiro da balança a passar a centena de quilos. Não devo ter sido caso único, por certo. Tal como milhões de portugueses, vou ver-me obrigado a encetar sérios esforços para reduzir os efeitos nefastos de vários dias a alimentar-me como um camelo à partida para o deserto. Afinal de contas, não tenciono trocar de guarda-roupa só por causa de um barbudo vestido de vermelho. E, já agora, não esqueçamos os malefícios para a saúde! Ui! Do piorio! E o bacalhau! Tanto sal!!! Doces, açúcar, mais doces, ainda mais açúcar, fritos, doces fritos, óleo queimado, rabanadas, mais fritos. Peru engripado. Bolo-rei sem fava nem brinde. Bolo-rei de castanhas (andam a estragar castanhas, andam sim). Oferecem-se prendas e presentes que não servem para rigorosamente nada, só para ficar a oferta feita. Até há quem já não saiba o que fazer a tanto frasco de aftershave! Alguns já podem começar uma extensa colecção de cachecóis. Do mal, o menos, quando a oferta é feita de chocolates – embora o excesso de cacau seja perigoso. Pesando na balança, francamente, não vale a pena continuar. Era de se acabar com o Natal e pronto. Por causa do hábito instalado, poder-se-ia substituir o Natal por algo mais animado, mais apetecível, menos chato, menos vermelho, mais global e menos rechonchudo. Para breve, apresentarei ao mundo uma proposta para substituir o Natal por algo diferente. Uma proposta séria, baseada em estudos científicos rigorosos, como é meu apanágio. Que tal uma… Festa do Mundo? pickwick
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007
Orgia chinesa

Ontem fui até ao sub-mundo de Lisboa, ali para o lado de Telheiras, a uma zona infestada por criminosos de olhos em bico – a Telheiras Chinatown! Rufias doutorados em kung fu, meretrizes de vagina atravessada (como manda a tradição), tatuagens, facadas e muitos quilates. Eu gosto de entrar em zonas assim, a brisa carregada de odores intensos a moldar-me o penteado, a sensação de termos que fazer – a qualquer momento – um rotativo para manter à distância um qualquer arrebatador de carteiras. Afinal, os anos que passei no Oriente transformaram-me numa mortífera arma de pontapear bandalhos. Entrei num antro de decadência, lanternas vermelhas à porta, aroma forte a incenso, resmas de gajas com vestidos de racha até ao umbigo (a racha vinda de baixo, atenção), dois ou três chinocas com ar de gorilas encartados, champanhe, ambiente de cortar à faca. O meu grupo, bastante temido na zona, foi encaminhado para uma mesa redonda ao fundo, num recanto discreto com vista geral para o salão. Ao centro, meia dúzia de chinesas já quase sem roupa rebolavam-se no chão ou roçavam-se com um ar endiabrado numa estatueta de silicone de um touro bravo ribatejano, simulando actos inconfessáveis, carregados de um erotismo inédito. O mestre de cerimónias bateu as palmas e rapidamente surgiram, vindas não sei de onde, meia dúzia de chinesas com o ar mais leviano que se poderia imaginar. Libertas do peso atrofiador de roupas desnecessárias, estenderam-se ao comprido na nossa mesa, suplicando para as besuntarmos com molho agridoce e as lambermos de seguida. Uma cortina cerrou-se, poupando-nos aos olhares invejosos dos demais clientes daquela espelunca degradante. Que bonitas que elas ficam, assim! Com jeitinho e arte, deitámos o molho por cima daqueles corpos sequiosos de sexo e palmadinhas nas nádegas. A cor esbranquiçada da pele deu lugar a um cor-de-rosa delicioso. Elas, visivelmente excitadas com os preparos, ajudaram a espalhar o molho pelo corpo todo, metendo avidamente os dedos à boca, num claro gesto erótico de provocação. Só lhes faltou, mesmo, exclamar: oh, si, cariño! A que me estava mais próxima, agarrou-me a farta cabeleira e esborrachou as minhas beiças babosas nos seus seios com sabor agridoce, gemendo com o primeiro impacto. Agora, sim, íamos esturricar o molho. E pronto, um ventinho mais forte fez bater os estores da janela do meu quarto e lá se foi o molho agridoce. Na verdade, na verdade, ontem fui a Telheiras a um restaurante chinês, cuja especialidade era um rodízio oriental. Isto é, as travessas estavam todas dispostas ao público, a malta ia até lá, servia-se à vontade, comia, repetia, repetia, até não caber mais no estômago. Orgia, sim, mas gastronómica. Horrível. O meu paizinho ria-se, de tanta graça que achava ao meu ar guloso no regresso à mesa com o quarto prato cheio até deitar por fora. Anos no Oriente deixaram-me assim, guloso por chinesices no prato. Mesmo assim, mesmo com aquela tentação irresistível, consegui resistir! Consegui dizer “não” antes que um naco de pato assado (cha siu) viesse espreitar ao cimo do esófago. Consegui deixar espaço para o café, para o digestivo, e para uma sobremesa à uma da madrugada. Estive bem, confesso. A isto, chama-se auto-controle, e não é para todos. Com a idade, vem a maturidade, o auto-cotrole, o domínio da mente sobre o corpo, o saber dizer “não”. Só bebi duas cervejas, recusando serenamente a terceira. Estava no caminho certo, pensei comigo próprio. Este Natal, iria ser uma vitória da mente sobre a gula, do “mais não” sobre o “é cheio, obrigado”. A resistência! A oposição! A vitória! Depois, veio a noite, e um novo dia. Às dez e tal, estava eu pacatamente a ver se caçava uma pomba no quintal (são nojentas e deixam tudo cheio de cagadelas ácidas), quando aparece a minha mãezinha com um tacho e uma colher: ah e tal, não queres rapar aqui o tacho da aletria? Carago, pensei eu. Depois fui destacado para o auxílio à elaboração de uma tarte de cenoura e uma pratada de rabanadas… Ainda agora, acabei de ser interrompido na redacção deste post, pelo meu próprio irmãozinho, para ir lá abaixo alarvar na mesa dos doces, às escondidas da minha mãezinha. Sim. Sucumbi! Lá se foi o auto-controle. Maldita gula. Acho que nem com uma banda gástrica da largura do Tejo conseguia escapar. pickwick

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Domingo, 23 de Dezembro de 2007
Ligue 113
Há uns tempos atrás, fiz a viagem de Lisboa para a minha terrinha em quatro rodas, num domingo à tarde, descansadamente, como quem está de férias mas não está, como quem não tem mais nada para fazer mas tem, como quem se está a defecar para o resto do mundo e as suas tretas. Enfim. Um dia “não”. Vai-se pela mítica Nacional Um, país a cima, a marcar passo nos infindáveis semáforos que são mais do que os cogumelos na mata. A música bem alta, para dar azo a talento escondido que há dentro de mim, ou à falta dele, e o cérebro calibrado para grandes meditações e pensamentos filosóficos. Momentos há, na vida, em que precisamos destas transcendências. Precisamos de afastar a mente das banalidades da vida, do trabalho, dos trabalhos, das gajas boas, do horror das gajas feias e gordas, da problemática da alimentação saudável, dos trocos nos bolsos, da roupa para passar a ferro que já vai em oitenta centímetros de monte, das bolas de cotão que vagueiam pelos fundos da casa à espera do aspirador, etc. Precisamos de pensamentos mais altos! E ali ia eu, estrada fora. Pouco antes de Pombal, assim como que um quilómetro antes, reparo que o fulano circula à minha frente não vai a jogar com as cartas todas do baralho. Viatura cheia, uma Sharan verde, grande animação familiar. De vez em quando, vai para o meio da estrada, uma roda de cada lado do traço contínuo. Para variar, também vai para o exterior da estrada, uma roda de cada lado do traço separador. Abdico dos pensamentos mais altos, para trocar comigo mesmo a impressão de que o tipo é parvo. Será que vai com os copos? Já estava quase na hora do lanche. Á passagem por Pombal, presto atenção à curva do Marquês (agora só restam as bombas de combustível) para ver se faz a curva a direito ou não. Faz, direitinho, como se fosse em piloto automático. Metros mais à frente, volta à mesma: ora no meio da estrada, ora na berma. Penso para comigo que não estou para aturar gente parva e, uma vez que a pressa não era minha companheira, deixei-me ficar para trás. A música estava boa e convidava a um exercício vocal. Se apanhasse uma brigada da GNR ainda parava para os avisar da palhaçada do fulano da Sharan verde. Com a distância que deixei, dois ou três carros meteram-se entre nós. Música! Há quem goste de cantar no banho, ou guinchar, o que quer que seja, mas eu prefiro fazer figuras tristes no carro, de vidros fechados, com o som bem alto. Ninguém me ouvirá a tentar cantar, por melhor ouvido que tenha. Quando muito, podem ver-me a abrir e a fechar a boca, mas, se eu não abanar a cabeça à Estêvãozinho Maravilhas (o black ceguinho, remember?), passo bem por um gajo ensonado. Disfarço, portanto. Absorto na música e em alembraduras que agora me escapam, já dois quilómetros depois de Pombal, reparo em qualquer coisa a ir pelos ares uns metros mais à frente, pedaços a voar, muito fumo. Pareceu-me ver carros no ar. Um deles era verde. Pois, acidente em cheio, mesmo ali. Como é habitual nestas coisas, pára o trânsito, junta-se logo muita gente, invadem o acidente, puxam as pessoas dos carros para fora, enfim. A Sharan, ao que deu para ver, chocou de frente com uma carrinha com trabalhadores vindos de algures. O choque foi tal que as viaturas trocaram de posição, pelos ares. Tudo amassado! O costume. Perdi a conta às ambulâncias que chegaram, carros dos bombeiros, equipamento para desencarcerar, GNR, blá blá blá. A estrada nacional ficou cortada durante umas largas horas, tal foi a brutalidade do acidente. Fui ter com um dos agentes da GNR para ver se queria ficar com o meu contacto, uma vez que tinha testemunhado o comportamento do condutor da Sharan, mas disse-me que não era preciso, porque não sei o quê, que resumidamente a culpa do acidente ficaria para os pássaros. Muito bem! Meia volta, apanhei a A1 em Pombal e rumei a casa, a resmungar com a parvoíce de um país e das suas gentes. Um mês mais tarde, quase a chegar a Faro, noite dentro, apanho na mesma direcção um camião TIR com um comportamento idêntico ao do Sharan: ora na berma, ora no meio da estrada. Vários carros tiveram que se desviar para não serem atingidos. O meu companheiro de viagem ligou para o 112, explicou a situação, passaram à GNR, blá blá blá, mas não vimos desfecho nenhum. E, assim, pergunto: porque raio é que, neste país das invenções, ainda não inventaram um número de telefone, o 113, por exemplo, para dar conta de situações de perigo na estrada? Até posso entrar em pormenores. Imaginemos o Sharan. Ligo para o 113, explico, e, em poucos minutos, sobrevoa-nos um helicóptero com um dístico gigante a dizer “Team 113”. Grande poeirada, barulho ensurdecedor, o aparelho atravessa-se à frente e pousa na estrada. O trânsito pára. Do helicóptero sai uma equipa vestida de negro (tipo SWAT, artilhados até mais não), um senhor vestido com uma bata branca e um urso. De forma eficaz, a equipa retira do Sharan o condutor e bloqueia qualquer acção dos familiares. O senhor de branco leva o condutor e o urso para a mata, para trás de uns arbustos. O urso, amestradíssimo, sodomizará o condutor (Ricardo Araújo Pereira, obrigado pela ideia!) contra um pinheiro, sob o olhar atento do senhor de branco. Consumado o acto e satisfeito o urso, o senhor de branco tratará qualquer potencial foco de infecção no condutor, provocado pela brutalidade sexual do animal. O condutor regressa ao carro e à família, de pernas abertas e cheio de dores. Os homens de preto, o homem de branco e o urso, embarcam no helicóptero e vão-se. Mais uma missão cumprida pela Team 113. Mais um condutor que não esquecerá a importância de conduzir de forma atenta e civilizada nas estradas portuguesas. Mais um acidente evitado. No banco do helicóptero, o urso relaxa com um ar consolado. Sempre é melhor que trabalhar para um circo. Bom, ele, de facto, trabalha para um: o grande circo das estradas! pickwick
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publicado por pickwick às 14:10
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
A solha nojenta
Há umas noites atrás, fui convidado para jantar em casa da minha fã número um. Eu até não desgosto de lá ir comer. Há sempre qualquer coisa de esquisito na mesa, no seu conjunto, mas, a mim, o esquisito não afugenta. Ao subir as escadas, pensei para comigo: ui, ‘tou com uma fome tal que ‘tou capaz de comer duas vacas inteiras e ainda sobra espaço para a sobremesa! Eu gosto de ir jantar com esta perspectiva de vida. Dá aquela sensação de vida boa, de abundância, de felicidade, de muita saúde. Há que aproveitar o colesterol andar ocupado com outrem. Subi, toquei, ela veio abrir a porta, e, repentinamente, entraram-me pelas narinas aquelas partículas microscópicas que trazem consigo o odor ao jantar. E as partículas que trazem o odor a um jantar, também trazem o odor a qualquer porcaria imunda que esteja presente. Neste caso, e para grande desespero meu, o odor era: a solha – esse animal nojento, fedorento e pré-histórico! Essa aberração da natureza! Esse excremento dos oceanos! Um nojo! O mundo perfeito de um manjar de carne desmoronou-se ali mesmo à minha frente, enquanto a minha anfitriã se mentalizava para, pacientemente, me aturar o resto da noite. Aturar-me a mim e ao meu repúdio pelos animais com espinhas. Exclamei vozes de ordem contra a opção gastronómica, apesar de não me ficar nada bem reclamar dentro das paredes da casa que me acolhe. Fiquei desvairado, sim! Como louco! Que nojo, solha! – gritei! Não é solha, é douradinha, respondeu calma e condescendentemente a minha anfitriã. Douradinha? Não se chama “douradinha” a um peixe, carago! Quando muito, “dourado”, ou “exterco-aquático”, mas “douradinha” é que não. Douradinha é o que se chama a uma loiraça podre de boa a desfilar com um biquini dourado. Ou sem biquini, mas com cabelo comprido. Agoniadíssimo com o fedor, enchi-me de coragem e penetrei na penumbra de mau cheiro em que se tinha transformado a cozinha. Impressionante! Numa travessa, ladeados por quatro rodelas de limão, repousavam os dois defundos. Peixes, claro. Ela insistia que eram douradinhas. Eu, que sou vidente nas horas vagas, vi logo que se tratava de solhas nojentas. Há cinco grandes classes de peixes: os carapaus, as sardinhas, os bacalhaus, as solhas e as lulas. As solhas – que abarcam uma grande variedade de peixes vendidos habitualmente no mercado – destacam-se pelo nojo que provocam em seres humanos com bom gosto, como a minha ilustre pessoa. Arrepiantes. Grelhadas! A minha anfitriã que tire o cavalinho da chuva, porque nunca mais vou comer bifanas grelhadas naquela chapa! Jamais! Pasma-me a alma como há gente – entre a qual a minha anfitriã – que exclama coisas bonitas e solta gemidos de prazer enquanto mastiga e engole nacos de solha. Não compreendo, a sério. Será por ser gaja? Eu sempre imaginei que um bando de mulheres nuas numa praça de peixe entraria facilmente numa histeria colectiva, numa loucura sexual em massa, a esfregarem-se todas com solhas e carapaus, gemendo e guinchando de imensos prazeres, com escamas perdidas nos cabelos molhados, rabos de peixe a sair das bocas badalhocas, enfim. Uma orgia em jeito de semi-fábula-erótica. Deve ser por isso que as mulheres têm uma predilecção natural para os pratos de peixe. Pronto, a muito custo, entre mil caretas, meia dúzia de arrotos e uma agonia profunda, enfiei goela abaixo a maldita solha, sem espinhas, sem restos de tripas, sem escamas, sem aqueles nacos de gordura sebosa dos oceanos acumulada à passagem pelas descargas de não sei quantos petroleiros. Devo ter levado uma boa meia hora para o fazer. Ela ria-se. Não sei de quê. A agonia alheia não deve ser motivo de riso. E muito menos a minha agonia! Blerk! Que solha nojenta, pá! No dia seguinte, andei de caganeira (perdoem-me a expressão, mas é o termo que melhor enquadra as revoluções intestinais que me assaltaram), como se a solha ingerida estivesse prenha e houvesse parido dentro das minhas tripas, dando à luz milhares de solhas nojentas, de tamanho minúsculo, grelhadas, assim ao bom estilo dos filmes tipo “Aliens”. Felizmente, o corpo humano vem dotado de capacidades fantásticas e conseguiu expelir naturalmente o cardume de solhas. Isso deu-me margem de manobra para enfrentar, de forma séria e consciente, dias mais tarde, a Ceia de Natal da minha instituição. Ui! Que até doeu! pickwick
publicado por pickwick às 17:42
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007
A Rici é uma balofa
Há já muitas semanas que a Sandy se foi. A Sandy, era a minha colega podre de boa, que pecava apenas pelo natural facto de estar prenha. Isto não é um comentário machista e pouco humano, mas, antes, um simples desabafo técnico. De um momento para o outro, e tal como já prevíamos, chegaram as ordens superiores para a rapariga ser transferida para outra instituição, à pala de uma gravidez de risco, devendo, portanto, ser substituída. À ansiedade que tomou conta de alguns trabalhadores durante alguns dias, seguiu-se o desalento e a desmotivação laboral. É que, para desilusão geral, a Sandy foi substituída pela Rici. Ora, é certo que antes a Rici que um gajo barbudo. Ou, num patamar mais básico, antes uma gaja que um gajo! É certo. Mas, podíamos ter tido um pouquinho mais de sorte. Mas, não tivemos. Saiu-nos na rifa uma tripeira balofa! Nos tempos da Sandy, ainda podíamos vislumbrar a lingerie que usava, por exemplo – se a memória não me falha, era sempre um soutien requintado e umas cuecas muito rascas e excessivamente usadas. Com a Rici, bom, para além de não dar vontade de saber que lingerie traz, também não dá para ver, já que a moça apresenta-se sempre de forma imaculada e conservadora. Ali, não há rego do cu que apareça para tomar um pouco de ar fresco. É uma espécie de convento-ambulante. Um convento rechonchudo, já que falamos nisso. A toda esta conjectura, chama-se um “grave decréscimo nas condições laborais”. Já não bastava a progressão na carreira congelada durante décadas e os aumentos salariais anuais de fazer rir, agora ainda temos que gramar com uma colega balofa. E eu ainda vou mais longe nas críticas: era preciso, também, ter uma pronúncia exageradamente tripeira?! O “B” não se diz “bê”, mas “biê”. O “3” não se diz “três”, mas “triês”. E por aí fora. Eu já nem ligo. Não ligo à pronúncia, nem às formas balofas do seu corpo que parecem querer saltar para fora da roupa, como que banha espremida por um cinto apertado. Formas e linguagem à parte, tenho a dizer que a Rici ainda é uma jovem, muito jovem, quase que acabada de sair da fase pós-teenager, mas que tem uma postura demasiado rígida e séria para uma moçoila daquela idade. Devia sorrir mais, abanar mais as nádegas – sem exagerar, para não partir nenhuma mesa ou portada -, e dizer umas piadas. É demasiado profissional naquilo que faz, não fraqueja, mantém tudo “na linha”, e é inegavelmente dedicada ao trabalho. Mas, não era isto que queríamos. Pelo menos, não era isto que eu queria. Eu queria uma colega jeitosa, airosa, arejada de roupa, sem chicha em excesso, com o elástico da cuequinha sempre à mostra, o decote sempre cheio de calor, com um sorriso maroto e que marchasse com as nádegas a dar-a-dar. Deveria ser menos profissional, para que pudesse ser repreendida segundo o secular método das palmadinhas no rabo enquanto sentada no colinho. Enfim. Ando a ver filmes a mais, parece-me. Ainda tinha algumas esperanças na Caty, outra das colegas novas deste ano, mas aquele metro e setenta de gaja parece-se cada vez mais com um cadáver a caminhar em cima de umas andas de cana rachada. Profissionalmente, não há ambiente! Há anos assim! Este é um deles! Ora bolas! pickwick
publicado por pickwick às 15:43
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