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Terça-feira, 17 de Julho de 2007
Miss t-shirt molhada de Ermelo 2
A continuação da relaxante saga no Parque Natural do Alvão.
 
7. Banha espanhola
Pouco antes de cair a noite, um bando de raparigas apareceu na nossa praia fluvial. Tinham passado o dia mais abaixo, nas piscinas junto às fisgas, e vinham atravessar o rio para regressarem não sei a que aldeia. A maior parte eram espanholas, algumas delas bem jeitosas, segundo apreciação posterior. Atravessaram graciosamente o rio, com um pé num calhau e o outro numa rocha, tão giras que elas ficavam. Uma delas, contudo, recusou-se ao salto. Pudera! Devia pesar uns vinte quilos para além dos cem, e a chicha à volta dos joelhos era tanta que até os meus colegas de expedição ficaram visivelmente chocados! O único gajo que acompanhava o bando de fêmeas, também espanhol, e de aparência normal, deu numa de cavalheiro e fez companhia à baleia na jornada que os levou até à China para conseguirem atravessar o rio. Eu, se fosse ele, atirava-a à água e montava-me em cima dela, qual jangada. Até o Nando, que costuma ser de um cavalheirismo inigualável, não mexeu uma palha para ajudar a rechonchuda donzela a virar-se para a outra margem, ficando-se quietinho com um sorriso muito mal disfarçado.
 
8. Manjar dos deuses
Pois foi. Parecia mesmo um daqueles banquetes no Olimpo: chouriça assada, vinho tinto Dão, queijinho, mais vinho tinto Dão, pão, outra chouriça assada, mais pão, e pronto. Não há nada como uma ementa diversificada e saudável. Para finalizar, mesmo antes da bela da cigarrilha, apareceu um salame de chocolate e uma garrafa de vinho do porto. Ambos deliciosos. Bem, depois há uma estória qualquer, muito mal contada, segundo a qual eu fiquei não sei o quê, que mal me segurava de pé, que só me faltou começar a cantar, ah e tal, que já não aguento nada, e blá blá blá, e que acabei por beber o leite achocolatado e as argolinhas de chocolate do pequeno-almoço, e não sei que mais. Boatos! É só boatos, ok?
 
9. A pastora número um
A manhã surgiu escura e fria, com nuvens a tapar o azul do céu. Nem parecia Julho! Que foleirada! Bom, no cimo da encosta de frente para a nossa praia fluvial, surgiu uma pastora a correr, como se tivesse o rabo a arder. À sua frente, a serem quase apedrejadas, meia dúzia de caprinos com chifres de metro e meio corriam desesperados. Ela enxotava-os, coitados, e já vinha tão cansada que começou a tirar o casaco. Meu Deus! Era uma pastora gorda, gorda, gorda, que eu nunca imaginei que houvesse pastoras tão gordas. Sinais dos tempos, só pode. Quando as cabras e os bodes se lançaram encosta abaixo, mais à frente, a pastora deu por terminada a sua labuta e virou costas, ora correndo, ora andando, de regresso à aldeia mais próxima. No meu tempo, as pastoras não eram assim.
 
10. A pastora número dois
Depois de levantar campo, e assim que chegámos ao cimo da encosta do outro lado do rio, começou a pingar. Acho que nunca mais parou, desde então. Apanhámos uma molha daquelas, passámos o resto da manhã a dar às botas debaixo de chuva, mas a vida é mesmo assim: ora secos, ora molhados. Poucos metros mais à frente, cruzámo-nos com uma pastora: a pastora número dois, sendo que a número um era a gorducha que andava a enxotar cabras. Esta, embora não fosse propriamente elegante, não abundava em banha. Cumprimentou-nos e continuou a ameaçar as cabras e até os bodes com a sua longa vara com bola na extremidade. A moca perfeita! A determinado momento, e numa clara demonstração de força e poder, a pastora número dois gritou para as suas cabras e bodes que seguiam por um trilho: vira! Pasmos, observámos a pronta obediência dos caprinos, que num ápice viraram à esquerda, como tropas bem treinadas e comandadas, deixando o trilho e descendo a encosta. Uma coisa é certa: lá na casa da pastora número dois, é ela quem usa as calças!
 
11. Cabras à cornada
Eu sempre achei piada ver gajas à porrada umas às outras. Guincham, usam o vocabulário que fica bem aos trolhas embriagados, puxam os cabelos, arrancam os cabelos, guincham mais ainda, rebolam pelo chão, lambadas para aqui, chapadas para ali. A sério, é mesmo um espectáculo a não perder. O mesmo não se pode dizer de um combate de cabras. Especialmente quando uma cabra sozinha tem que enfrentar a persistência e má disposição de meia dúzia de outras cabras, às quais se juntam uns quantos bodes de barbicha, num combate desigual e injusto, todos contra um, cornos nos cornos. Interessante, do ponto de vista científico e cultural. Mas com alguma falta de graça.
 
12. Miss t-shirt molhada
Alguns quilómetros mais abaixo, na encosta da montanha, voltámos a cruzar-nos com a pastora número dois, que tinha atalhado caminho por entre giestas e cardos, na retaguarda das suas cabras. A pastora número dois, não tendo saído de casa prevenida para o dilúvio celeste, vinha tão encharcadinha como eu. De t-shirt. Sem mais nada por baixo. Toda molhada. É com estas e com outras que um gajo perde o apetite para o almoço. Fica-me a curiosidade: o que levará uma pastora a sair para os montes de t-shirt, num dia de chuva, sem nada por baixo? Já tinha ouvido falar no pastor e na cabra, que ah e tal… mas, e uma pastora e um bode? Será? pickwick
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publicado por pickwick às 05:24
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
Miss t-shirt molhada de Ermelo 1
Serve o presente post para dar conta das desventuras do passado fim-de-semana, numa intensa e cansativa expedição ao Parque Natural do Alvão, de botas e mochila.
 
1. Rumo às fisgas
O Parque Natural do Alvão não é assim uma coisa muito grande… é como um bidé em relação ao rio Tejo, em termos comparativos. Mas é bonito, verdejante e cheio de fios de água. A escolha recaiu sobre Ermelo, como destino para largar o carro e avançar mato dentro de mochila às costas. Ermelo, essa bela localidade de casas de pedra, plantada na encosta da montanha e ah e tal. Perto, mas não demasiado perto, ficam as Fisgas de Ermelo, fenómeno natural muito procurado pelos turistas. Era o nosso destino desse dia. Optámos por um trajecto menos óbvio, fora de alcatrão. Aliás, fora de tudo e mais alguma coisa, a avaliar pelo ribeiro que tivemos que atravessar, saltitando harmoniosamente sobre uns calhaus. Foi neste ribeiro, de água límpida e gelada, que aproveitámos para almoçar e bater uma valente sesta. Vida difícil, a de quem se mete pelo mato em busca de momentos descontraídos e em contacto directo com a natureza.
 
2. Pornografia de graça
Por falar em natureza, dediquei mais de uma hora à fotografia, aproveitando o facto de o dono da máquina estar esparramado em cima de uma rocha a roncar que nem um porco. Já tinha saudades de tirar fotografias. Borboletas, calhaus, quedas de água, calhaus, ervinhas, calhaus, árvores, calhaus, folhas, árvores, etc. Uma das últimas fotos, teve como protagonista uma libelinha que se abanava toda rente ao chão, junto a um calhau, para a frente e para trás. Se fosse um urso, eu diria que estava a procriar. Aproveitei para fotografar a libelinha, que não parecia querer sair dali. Até que, de repente, afastou-se definitivamente. Aí, pude ver, então, que não era uma libelinha, mas duas. Estavam a dar uma queca à sombra e ficaram tão incomodadas com a minha indiscreta presença que foram continuar o serviço para a sombra de outro carvalho. Desculpem lá, ó pá, não sabia…
 
3. Raio do lameiro
Já me tinha esquecido do que é um lameiro. Quando se anda, assim, por locais esquisitos, corre-se o risco de encontrar um lameiro. Um lameiro, que não sei bem o que é nem para que serve, é um terreno inclinado, numa encosta, permanentemente inundado, cheio de marcas de cascos de bovinos, com erva até mais não. Provavelmente serve para as vacas lá irem empanturrar-se com ervas. Para o excursionista, o lameiro serve apenas para um gajo se enterrar com lama até ao tornozelo, borrar as botas todas, e obrigar o cérebro a processar rapidamente palavrões e obscenidades. Uma nojeira, portanto.
 
4. As fisgas
No meu tempo, as fisgas serviam para dar um ar macho, colocadas no bolso de trás de uns calções rotos. Agora, há estas modernices dos telemóveis com sons polifónicos e muito maricas, e quedas de água a que dão o nome de fisgas. Pronto, assim seja. Tivemos o privilégio de chegar às Fisgas de Ermelo pelo lado contrário dos turistas. Do outro lado do caudal de água, portanto. Abancámo-nos no cimo de um penhasco, feitos lordes, a observar a gigantesca queda de água. É uma coisa bonita de se ver. Os turistas aparecem do outro lado do vale, nos seus carros e autocarros, ah e tal, tão bonito. Enfim.
 
5. As banhistas
As quedas de água dão lugar a piscinas naturais, onde se amontoam banhistas. Também é bonito de se ver. No Verão, os jovens das aldeias trazem os outros jovens das aldeias cujos pais emigraram para algures. As jovens, essas, exibem os melhores dos biquinis, com os melhores dos penteados e os apetrechos de maquilhagem mais modernaços. Um gajo nem consegue apreciar a natureza e a transparência das águas. É uma chatice!
 
6. Paz e sossego
Com o cair do dia, os banhistas metem-se a milhas, de regresso às aldeias, onde os papás já estão com copos a mais e as mamãs ultimam o repasto para o jantar, sendo que a noite terminará bem tarde, provavelmente com umas cambalhotas atrás de uns fardos de palha. Com a debandada, procurámos um local adequado para abancarmos, tomarmos o gosto à água, jantarmos e passarmos a noite. Uma praia fluvial em miniatura esperávamo-nos, a uns cem metros das fisgas, rumo à nascente do rio Olo. Do outro lado da praia, um fio de água escorria lentamente para o leito do rio, rocha abaixo. Na perspectiva de uma noite agoniante de desidratação, derivada do muito provável consumo de vinho tinto ao jantar, utilizei uma série de refinadíssimas técnicas para conseguir captar alguma da água potável. Pura e fresca. Enquanto o jantar não era servido, aproveitámos para ficarmos enfiados na água até ao pescoço, tipo morsas. O termómetro especial-de-corrida do Paulo, que faz parte do seu relógio também especial-de-corrida, marcava vinte graus, depois de meia hora soterrado debaixo de calhaus, a vinte centímetros de profundidade. A isto, chama-se boa vida. A única coisa a perturbar o ambiente relaxante era mesmo o coaxar das rãs, esses estúpidos seres saltitantes. Por várias vezes, ponderámos seriamente a hipótese de trocar a chouriça por coxas de rãs. Optámos por manter a chouriça e enxotar as rãs com calhaus certeiros. pickwick
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Terça-feira, 10 de Julho de 2007
O Gang do Xunga
Hoje foi um dia do caraças. Estou aqui capaz de espetar pregos de aço na testa de alguém. Hoje foi dia de grupos de trabalho, para dar oportunidade às pessoas para, de forma organizada, colocarem no papel aquelas ideias que partilham nos corredores. Ah e tal, podia fazer-se assim, podia fazer-se assado, e tal. Pois, foi dada a oportunidade, hoje, com continuação durante o dia de amanhã. O Xunga do ex-patrão, embora não tivesse sido convocado, marcou presença, para poder injectar veneno nas peruas do seu gang. É tudo uma malta com um muito mau perder, desde o Xunga até às peruas, e vice-versa. E, como é costume, que não sabe perder, enfrenta a derrota eleitoral com cara de poucos amigos, com cara-de-pau, com cara-de-pila-de-morcego. Só ao estalo! Foi recompensador verificar que a maior parte das pessoas aproveitou os grupos de trabalho para, de facto, colocarem por escrito, e em equipa, os pensamentos e as ideias que foram tendo nos últimos meses, tudo a bem da instituição e da sua missão. Pessoas motivadas, cheias de energia, entusiasmadas, produtivas. Gostei de ver. Excepto o Gang do Xunga. Que mais se poderia esperar de um gang de gajas liderado por um gajo xunga? Nada mais, pois claro. Uma é gorducha, mal feita e é conhecida internacionalmente por ser lerdinha todos os dias e até quando nem é dia. Outra é sexagenária, mas tem a mania que tem vinte e quatro anos e que está sempre numa festa da Lili Caneças, vestindo-se diariamente a rigor e conduzindo um Opel Tigra amarelo-canário. Outra é casada, mas desde há muitos anos dá umas baldas ao ex-patrão, o Xunga, sendo-lhe conhecida uma famosa queca num pinhal das redondezas, no interior de um conhecido BMW. Outra é neurótica, já se tentou suicidar, toma comprimidos anti-qualquer-coisa e engordou brutalmente nos últimos meses, tal como já dei conta neste blog; o marido é veterinário e bem que lhe podia injectar umas doses de urina de pato para ver se ela acalmava. Depois, anda o gang lá pelos cantos, a tecerem planos maquiavélicos, a roerem-se com ameaças mal esboçadas e feitiços fatais que não têm coragem de concretizar. O Xunga a injectá-las com veneno e elas a reagirem como fiéis canídeos. Ladrem! Au, au, au, dizem elas. Vitelas do caraças! A sexagenária parece mais um cadáver de mula do que uma vitela, mas isso agora são pormenores. Amanhã será outro dia. A dose final será no final, em plenário, oportunidade excelente para se lançarem petardos e peidos mal cheirosos para o meio da plateia. Não bastasse os maus fígados dos membros do gang e as respectivas mentes distorcidas pela parvoíce, o pessoal não percebeu o que é um dia de trabalho em grupos. Tentei ser claro: jornadas de trabalho para dois dias, divididas em quatro blocos; uma manhã, uma tarde, outra manhã, e outra tarde; N grupos de trabalho, distribuídos pelos quatro blocos, sendo que o pessoal se inscrevia nos grupos. Depreendia-se, pensava eu, que as pessoas estariam ocupadas durante os dois dias, certo? Mas, umas mentes brilhantes entenderam que só se inscreviam num grupo de trabalho do segundo dia, pelo o resto do tempo podiam ir alourar as pilas e as passarecas. Mongos! Cérebros de minhoca! Três bufardas em cada um, era o mínimo. Enfim. Anda um gajo a organizar coisas para depois desligarem o tradutor de português-português. No fim do dia, depois de umas peripécias protagonizadas pelo gang, comentava a Rosinha (sexagenária também) entre amigos: ah e tal, o que vale é que o (eu) é uma pessoa muito calma… Pois sim, pensei eu para com os meus botões. Se ela soubesse o pouco que faltou para me saltar a tampa e arrancar as cadeiras do auditório e fazê-las engolir às peruas do gang e enfiar o projector de vídeo pelas narinas acima do ex-patrão e regá-los a todos com gasolina sem chumbo noventa e cinco e pegar-lhes o fogo e embrulhá-los na tela de projecção e atirá-los do telhado e rasgar-lhes os pneus dos carros e partir-lhes as tíbias com um taco de basebol e arrancar os ovários a elas e pendurar o gajo no tecto preso com fio de pesca por um dos testículos… Coisas assim… Pessoa muito calma, dizia a Rosinha. Está bem. Bom, como se não bastasse isto tudo, o dia teve, ainda, como protagonista falhado, o próprio senhor sol. Querido sol, hoje andaste a vadiar e não vieste cá? Como passei o dia todo enfiado dentro de um edifício, desde as oito e trinta da manhã até às vinte horas, quase que não te via. Contudo, rapidamente descobri que te andavas a baldar, que estavas a falhar, que tinhas ido vadiar para nenhures. E como é que eu soube disso? Simples: o vestuário das minhas colegas, hoje, era abundante! Ou seja, por causa da tua vida de boémia, fiquei privado das poucas coisas que podem animar a vida a um triste como eu dentro daquele edifício. Em face disto, aqui te deixo um apelo: querido sol, amanhã, por favor, apresenta-te a escaldar por volta das nove e meia, hora a que a maior parte das minhas colegas vão sair de casa. Está bem? Obrigado. pickwick
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Domingo, 8 de Julho de 2007
Arraial na mata
Escrevo estas linhas depois de um bom banho e após fazer acompanhar um naco escandalosamente grande de bolo com uma cervejola fresquinha. Foi o ponto final na orgia gastronómica deste fim-de-semana, passado num parque de merendas de uma nossa senhora do não sei quê, à beirinha de uma daquelas aldeias meio esquecidas pelo mundo, com uma brutal vista para a encosta da Serra da Estrela. A isto, chama-se qualidade de vida. Fiz companhia a várias dezenas de amigos e conhecidos, num verdadeiro arraial beirão, mas sem a parte cansativa das danças de roda. Além do escaldão do costume, estou urgentemente necessitado de uma semana de fecho-para-obras, para repor os níveis do organismo que tinha antes de enfardar febras, cervejas, tinto, pão, azeitonas, e outras porcarias que fazem tão mal mas sabem tão bem.
 
1. A mulher do Delfim
Entre as várias dezenas de pessoas presentes, encontrava-se o Delfim, um rapaz aí para os seus trinta anos, proveniente de uma aldeia ali para os lados de São Pedro do Sul. O Delfim, apesar de ser simpático e saber estar, é aquilo a que vulgarmente se chama um campónio. Pelas feições do rosto e pela aparência física, dá para especular o seu passado: terá crescido numa família humilde e muito carenciada, onde faltou alimento para crescer harmoniosamente, deixando-lhe um corpo algo encolhido e vergado; as mãos, essas, são de quem desde pequeno teve que dar o litro para o sustento de todos, aumentadas pelo trabalho físico continuado; o rosto, é de quem não terá passado bem quando criança, com olhos de carneiro mal morto, provavelmente sem grandes hipóteses de um percurso escolar normal, prevalecendo o trabalho com baldes e pás e rédeas de animais de tracção. É mera especulação, mas pareceu-me ser assim. Ainda assim, e ao contrário de muitos que se transformam em brutamontes consumidores de garrafões de tinto e enchidos, que batem em tudo e todos por tudo e por nada, o Delfim saiu uma pessoa que sabe estar, calma, serena, algo desajeitado no meio de tanta diversidade social e cultural. Ora, mas o que interessa, mesmo, é a mulher do Delfim, cujo nome não cheguei a saber, mas que também não interessa. A mulher do Delfim, é, fisicamente, o caso típico da camponesa (campónia, nem por isso), que trabalhou duro, desde criança, nas lides do campo. Pele curtida pelos anos passados ao sol, cabelo ligeiramente oleoso e não tão cuidado como as trintonas da cidade, braços musculados e fibrosos, com as veias em grande relevo, ombros puxados atrás – típicos de quem puxa pelo físico na lavoura -, e nem um sinal de gordura ou celulite no corpo. Só fibra! De rosto, não é feia nem bonita; é, simplesmente, normal. Olhos castanhos, cabelo, castanho, à portuguesa. Até tem um sinalzinho sexy como a balofa da Catarina Furtado, que não lhe fica nada mal. E tem maminhas em tamanho perfeitamente adequado, o que lhe dá uma figura bastante interessante. E, por falar nas maminhas da mulher do Delfim, que fique registado que são muito sensíveis às baixas temperaturas: quando, no sábado, o sol começou a desaparecer e o calor se foi, os mamilos das maminhas da mulher do Delfim despontaram, chamando a atenção dos menos distraídos. E lá foi ela buscar uma camisolinha para combater o fresco da noite. A mulher do Delfim fez-me lembrar os meus propósitos de vida de há uns vinte anos atrás, quando a paciência para aturar gajas das cidades já se me tinha esgotado. Nessa altura, os meus planos eram, depois de ter a minha vida profissional assente, correr as aldeias das beiras e de trás-os-montes em busca de uma mulher do campo, simples, humilde, simpática, bem disposta, sem purpurinas nem cuequinhas laranja, sem os vícios que mais aparvalham o género feminino, para a convidar a partilhar o resto da vida comigo. Alguém que não me atazanasse o juízo com materialismos supérfluos, e que não padecesse da ignorância doméstica da maior parte das mulheres que enchem os lares deste país. Com o passar do tempo, fui conhecendo muitas aldeias do interior profundo, mas fui descobrindo, infelizmente, que as gajas do campo conseguem ser tão vazias de tudo como as da cidade, e que pouco as distingue nos tempos que correm. Talvez a mulher do Delfim fosse diferente, não sei, mas agora também já não interessa.
 
2. Problemas sérios
A meio de uma conversa qualquer sobre o sexo oposto, o Joka lamuriou-se que ah e tal, porra, pá, quando me casei, a minha mulher era uma bomba! Agora, vejo-me à rasca para conseguir dar uma queca, primeiro que um gajo fique tal e coiso, tem que fazer filetes (não percebi a piada dos filetes, mas pronto)… o que me vale é a mão, que é à velocidade que quero e resulta sempre. Risos e tal. O tinto ajuda a soltar a língua a qualquer um. Olhei de relance para a mulher do Joka. Coitado do rapaz. Compreendo-o. A mulher dele tem uns presuntos tais que cada perna é quase tão grossa como o tronco dele! Um exagero. Como o percebo! Assim, não dá para ganhar entusiasmo! Aproveitei para olhar para a irmã da mulher do Joka, também quarentona e mãe de filos, casada com o Zé. Os mesmos descomunais presuntos! Coitado do Zé. Não lhes custava nada fazerem uma dietazinha. Andam a aprender danças de salão, mas as aulas devem ser de rabo numa cadeira a ver um DVD. Ainda por cima, vestem-se com aqueles fatos-de-treino tamanho normal, de tal maneira que até se nota o relevo da pele-casca-de-laranja nas calças! Eu dou graças por ainda haver mulheres que se cuidam depois de serem mães e depois de passarem bem à frente da barreira dos trinta. Estas, é que são as verdadeiras mulheres! Não andam aqui para enganar ninguém. Não andam aqui para transformar a vida sexual dos maridos num esforço gigantesco de imaginação. Não andam aqui a competir com as mulheres dos outros para ver quem deixa crescer os presuntos maiores. Estas, sim! pickwick
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Sábado, 7 de Julho de 2007
Meio mamilo
Eu estava lá. Eu vi tudo. E aqui estou eu, a tocar a trombeta, no meu humilde papel de arauto. Foi hoje. O dia começou lindamente, com três mulheres a passarem a manhã no gabinete do patronato, mesmo à minha frente. Era em trabalho, mas não é por trabalharem que deixam de ser mulheres, não é? Depois, fui almoçar com as mesmas três mulheres, o que também é porreiro, dignifica a profissão e aligeira a infelicidade por ainda não ter ganho o Euromilhões. Da parte da tarde, as três mulheres foram embora, cada uma aos seus afazeres. Eu fiquei ali, na paz e no sossego, a tentar adiantar alguma coisa. Até que, lá mais para o final da tarde, chegou a loira-dentuça e o sossego acabou. Vinha com a Nanda, que também é loira, pelo que, de repente, fiquei com duas loiras sentadas numa mesa em frente da minha secretária. Mais uma vez, tenho que confessar que é dignificante. Bom, mas a verdadeira questão, aqui, não é ter duas loiras no gabinete. A verdadeira questão, que me traz aqui, é que uma delas, a loira-dentuça, vinha vestida com um longo vestido vermelho (tipo carmim, para uma descrição mais abichanada), com uma monumental racha desde o tornozelo até à ponta superior do fémur. Como se não bastasse esta abertura descarada, o vestido da loira-dentuça era dotado de umas alças fininhas e uma abertura para o decote que mais parecia o Mosteiro dos Jerónimos. Uma vez que não tinha uma máquina fotográfica para registar o aparato, recorri à Internet para poder apresentar, aqui, um modelo com algumas parecenças. Encontrei. O vestido era vermelho em vez de branco, a racha era enorme, mas o decote era tal e qual. Uma depravação! Pior, as mamas da loira-dentuça davam para chegar a meio caminho entre o umbigo e a rótula, não fosse o generoso do vestido apará-las. Sem mais nada por baixo, tal como na foto ao lado. Eu acho que, a partir de determinada idade, as mulheres deviam ser proibidas de andar nestes preparos. Só lhes tira dignidade. Hoje estou com a mania da dignidade. Bem, a determinada altura, que podia ser uma altura qualquer como as outras, reparo que há um ligeiro problema com a mama direita da loira-dentuça! É que, ali, naquela posição, a escrever apontamentos e a folhear um dossier, metade do mamilo direito estava completamente fora da protecção moralista do vestido decotado. Completamente visível. Atenção: isto não é mais uma embrulhada de palavras com segundo sentido! A loira-dentuça tinha, realmente, meio mamilo fora do vestido, para quem quisesse reparar. Esteve assim durante uma boa meia-hora, até terminarem o trabalho e irem embora. Meio mamilo! Impressionante! Pessoalmente, não é paisagem que me satisfaça. Se fosse de uma mocinha de vinte anos, carne fresca, seios firmes e hirtos, isso, sim, era qualidade visual. Neste caso, acabou por me deixar ligeiramente mal disposto, como se morresse de pavor que as mulheres bonitas tivessem desaparecido subitamente da face da terra. Como se os seios de todas as mulheres tivessem, agora, palmo e meio de altura. E ainda dizia o Dr. Karen Weatherby, depois de uns estudos quaisquer: "Olhar para os seios de uma bela mulher durante 10 minutos, em cada dia, é o equivalente a uma meia-hora de aeróbica. A excitação sexual aumenta a frequência cardíaca, e é benéfica para a circulação do sangue. Nós pensamos que, com tal prática diária, os homens podem aumentar a esperança de vida em pelo menos 5 anos." Pois, caro Dr. Weatherby, cumpre-me informá-lo de que não basta olhar para os seios de uma bela mulher. Nem olhar para os belos seios de uma mulher. Para resultar, é preciso olhar para os belos seios de uma bela mulher. Repare, Dr. Weatherby, que, uma mulher, por mais bonita que seja, se tiver seios para além do limite do umbigo, dificilmente conseguirá provocar excitação sexual. E mais, Dr. Weatherby: uma mulher com uma armação saliente de dentes e dentolas, e com meio mamilo à mostra, jamais trará um incremento da circulação do sangue. Quando muito, ter-se-á uma náusea súbita, seguida de uma hemorragia nasal. Quanto à esperança de vida, a minha hoje deve ter baixado aí uns nove anos. Ou vinte e nove! Ainda me sinto horrorizado! Xô! Vai-te embora, ó meio mamilo! Argh! Que nojo! pickwick
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2007
Sejam felizes 3
Post: Concorrência desleal
Comentador: Alff
Mensagem: é como a concorrência desleal que existe quando passamos por uma barraquinha de limonada, e no final da rua, temos um limoeiro e uma fonte! Enfim... O meu maior sonho é aparecer num "sejam felizes 3".
Resposta: Caro Alff, permita-me que discorde dessa comparação com o limoeiro e a fonte. Um limoeiro, uma fonte e um fundo de rua, são como o Trio Odemira no auge do sucesso discográfico. Deite-se relaxadamente à sombra do limoeiro, descontraia-se com o som da água a pingar da fonte, beberique algumas golfadas da pureza cristalina do líquido, e não pense em mais nada. Nem em concorrentes. Nem em saias curtas. Nem em caldo verde. É do melhor. Em três tempos atingirá a felicidade plena. E, por falar em felicidade, aproveito para o felicitar pela sua aparição na saga “Sejam Felizes”, episódio três. Acabou de ver concretizado o seu maior sonho, pelo que, assim sendo, esperamos ansiosamente pelo seu convite para estarmos presentes nas festividades gastronómicas em honra deste acontecimento. Para mim, nada de ensopado de borrego nem bacalhau com natas, sim? Obrigado, desde já.
 
Post: Concorrência desleal
Comentador: faltadecu
Mensagem: ai, (censurado)! que repugnância!!! começaste tão bem e acabaste tão mal... chiça, que até fiquei com urticária, ... ah, e tal... até vou ter pesadelos..
Resposta: Querida faltadecu, venho, por este meio, solicitar o seu perdão pela falha indesculpável que levou ao seu problema de urticária e pesadelos. Não era, obviamente, o meu objectivo. O meu objectivo é, agora e sempre, a felicidade dos leitores e, principalmente, das leitoras, independentemente do tamanho global das nádegas. Posso fazer algo para remediar? Umas massagens com óleo de fígado de golfinho? Uma música popular para embalar o sono e evitar os pesadelos? Um banho de imersão? Quatrocentos mil euros? Vá, deixe lá isso passar, seja feliz, e, quando voltar ao normal, logo combinamos uma jantar em Paris, está bem? Aí, aproveito para verificar ao vivo essa coisa da sua falta de cu que tanto me tem apoquentado.
 
Post: nenhum
Comentador: Pickwick
Mensagem: (secreta, via subconsciente)
Resposta: Caro Pickwick, aproveito este espaço para te endereçar algumas palavrinhas, a propósito da felicidade. Já percebi que andas feliz. O calor começa a chegar, finalmente, fazendo com que as tuas colegas não se consigam conter e apareçam com decotes arrojados e roupa curtíssima. Eu sei que ficas muito feliz porque é bonito de se ver. Eu sei que ficas muito feliz por veres-te rodeado de mulheres cheias de calor e com pouco decoro. Eu sei que ficas muito feliz por, finalmente, poderes avaliar em pleno as dimensões dos apetrechos torácicos das tuas colegas. Eu sei que ficas muito feliz quando, como aconteceu ontem, uma das tuas colegas resolve aparecer com umas calças brancas estrondosamente transparentes que deixam bem à vista desarmada umas cuequinhas fio-dental escuras. Eu sei que ficas muito feliz com estas coisas. Mas, gostava de te alertar para outra situação. Não achas que andas a abusar um bocadinho da tua fã número um? Cada vez que estás com ela, achas mesmo que tens necessidade de meter o dedo indicador dentro do decote dela, puxá-lo para ti e espreitar avidamente lá para dentro? Não tens modos? Está bem que o recheio continua muito apetitoso e o volume é perfeito, mas podias dar uma folga a essa tua missão de verificar todos os dias se continua tudo como dantes, não achas? Qualquer dia, assim um destes dias, mais dia, menos dias, ela responde-te à letra e arranca-te um punhado de pêlos do peito, à bruta. Aí, não te queixes. Sê feliz, sim, mas não te engasgues com a própria felicidade. Abraço. pickwick 
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publicado por pickwick às 20:13
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Terça-feira, 3 de Julho de 2007
Concorrência desleal

Ontem, que por acaso foi Domingo, fui até à capital do meu distrito fazer uma palestra sobre várias coisas, entre as quais a Guerra Anglo-Boer na transição entre os séculos XIX e XX. Como se eu percebesse alguma coisa do assunto! Enfim, o povo contenta-se com pouco e quaisquer blasfémias projectadas pelos ares são recebidas com júbilo e cânticos de aclamação. A caminho da cidade, a cerca de vinte quilómetros da minha aldeia, concretamente na travessia de um rio que dá nome a uma famosa zona demarcada de vinhos, vi-a. Top branco e justo, saia preta esvoaçando graciosamente, botas de cabedal preto de cano alto, joelho ora à vista ora escondido, caminhar decidido e ritmado como se estivesse numa qualquer passerelle, cabelo solto pelas omoplatas, e uns óculos enormes para proteger os olhos do sol ou o sol das olheiras. Vi-a de costas, atravessando a ponte. Coisa bonita de se ver, confesso. Completamente deslocada geograficamente. Que faria uma raridade daquelas, num Domingo de manhã, sozinha, vistosa, a atravessar uma ponte perdida numa estrada entre montes e vales e matas? Olhei de lado e pareceu-me reconhecer uma menina-de-serventia que costuma plantar-se num cruzamento cem metros mais à frente. Nunca a tinha visto tão bem arranjadinha, tão cuidada, tão bonita, tão menina-inocente. Passei no cruzamento e lancei a vista para onde é hábito ela estar de serventia, sentada num balde de tinta vazio virado a contrário, a puxar umas fumaças. Junto ao balde, um cão rafeiro morto. Será que ela se ia plantar por lá, naquele cenário, à espera de cliente? Segui em frente e fui à palestra. Regressei já quase no fim da hora do almoço, com o estômago ainda vazio. Voltei a passar junto ao balde de tinta virado ao contrário com o cão morto a fazer-lhe companhia. Ao entrar na ponte, vi-a novamente, caminhando na minha direcção, com uma garrafa de água de litro e meio na mão, com a maior das descontracções. Realmente, estava mesmo muito apresentável. Se a memória não falha, costuma estar de serventia com umas calças de ganga rafeiras e uma camisola qualquer. Por ser Domingo, sei lá, estava toda catita, como se houvera picado o ponto na missa dominical. Sob o top branco notava-se, na perfeição, um soutien normalíssimo. Para que raio é que uma meretriz anda com um soutien? Faz sentido? Claro que não. E a que propósito é que uma graciosidade daquele calibre faz serventia num local ermo como aquele cruzamento, sujeita a toda a lixarada, poluição, canídeos mortos, ratazanas esfomeadas e clientes mal cheirosos? É um desperdício. É como atirar pérolas a porcos, digo eu. Uma mocinha daquelas devia trabalhar num bordel decente, com ar condicionado, banhos quentes, campainha na recepção, chão encerado e copos de água nas mesinhas de cabeceira para clientes com dentaduras postiças. E doze mudas de cuecas por dia! Condições de trabalho, portanto. Fiz uma pequena pesquisa na Internet e encontrei a foto de uma mulher que em muito se parece com a figura da menina-de-serventia em causa. A cor do top é ao contrário e a saia era preta. O corpo, muito idêntico. Enfim, bonito de se ver. No entanto, e para compensar estes dois “encontros” à beira do asfalto, um à ida, outro à vinda, falta-me relatar um terceiro “encontro”, ocorrido entre aqueles dois. Aconteceu à chegada às fraldas da cidade, quando virei da estrada principal para uma secundária que dava acesso a uma aldeia que já havia sido praticamente engolida pelo crescimento desenfreado da grande cidade. A cerca de vinte metros do cruzamento, já a deixar para trás a fila de carros a caminho do reboliço citadino, apanhei um daqueles sustos que nem com água gaseificada se recupera. Mesmo ali, ao lado esquerdo, debaixo de umas mimosas, entre ramos caídos e restos de entulho, estavam duas senhoras com idade para terem filhos a acabar a universidade, gorduchinhas como manda a idade e a falta de brio, com um ar altamente suspeito. Estavam de serviço! Obviamente. Não percebi qual das duas era a mais feia, mas aposto como passam o tempo a roer-se de inveja por cada qual ser menos feia que a outra qual. Aposto como adoram ser feias, mal feitas e terem um aspecto asqueroso tipo máquina-de-encerar-o-chão com defeitos causados por uso excessivo e continuado e momentos de sobreaquecimento. Aposto como pelo menos uma delas é desdentada e a outra tem borbulhas de pus nas virilhas. Aposto como fazem serventia a pares, quando assim solicitado pelo cliente. Aposto isto tudo. Mas, o que não consigo perceber, é como é que há seres humanos com pila ao pendurão que solicitam a serventia destas matronas fora de prazo e sem inspecção feita, quando há um exemplar de qualidade inegável, a poucos quilómetros dali, que presta serviço idêntico (à parte os pormenores técnicos de flexibilidade corporal e o caderno de encargos do serviço, claro). Assim, à primeira vista, parece-me um caso de concorrência desleal. Afinal de contas, como é que duas gajas naquele estado terminal (nem com tripla recauchutagem numa clínica brasileira ficavam em condições) podem competir, naquela profissão, com uma moçoila tão jovem e tão bem apresentada? Teoricamente, não haveria, sequer, competição. As duas, debaixo daquelas mimosas, acho que nem se fossem elas próprias a pagar, ou a oferecer bolos de frutos secos, se safavam. Mas, isto, sou eu a pensar, com a minha visão redutora e limitada do mundo. Às tantas, pensando de forma mais aberta, com um olho no horizonte do mau gosto do homem e o outro nas razões da mente que a própria mente desconhece, talvez chegue à conclusão de que a concorrência é desleal, sim, mas para o lado da moçoila jeitosa e bem apresentada. Basta, assim por momentos, contabilizar as coisas que as outras duas têm a mais: mais chicha, mais buracos de serventia, mais crostas, mais unhas podres, mais cataratas, mais banha, mais espaço entre dentes, mais lubrificante natural (banha derretida com o calor, entenda-se), mais área almofadada para posições cansativas, mais volume para amarfanhar com os dedos, mais batom esborratado à volta das beiças, etc. Pobre moçoila do cruzamento. Assim, com esta feroz concorrência, só mesmo dando serventia sem recibo, para poupar no IVA. pickwick

publicado por pickwick às 00:07
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Domingo, 1 de Julho de 2007
Questões de pagamento

Excepcionalmente, decidi publicar um texto que uma das leitoras deste blog (e nossa fã) me enviou, num momento de óbvio desabafo. Trata-se de uma questão pertinente, delicada, sensível, que merece uma reflexão cuidada e profunda. É um tema actual, pelos contornos sofisticados, mas, também, milenar, dada a natureza do serviço sobre o qual se debruça o texto e a sua autora. Tem a palavra:

"E porque é que eu iria pagar se o posso ter sem pagar?

Ora aqui está uma questão que se poderia colocar a propósito de vários tipos de mercadoria, como por exemplo as couves ou os nabos ali da horta. Mas não. Trata-se de um outro tipo de mercadoria. Ou de negócio. Ou nem sei…

Há uns tempos, num daqueles momentos raros de muita paciência e curiosidade, vagueava eu num certo canal da net, Mirc para ser mais rigorosa, quando fui abordada no “private” (para quem não sabe, é a possibilidade de dialogar com apenas uma pessoa de cada vez) por uma “Lolita” que queria conversa, tal como acontece quase todas as vezes que me ligo naquele canal… Enfim, são sempre as mesmas questões, independentemente do inquiridor: nome, idade, localidade, se tem namorado… Não há paciência!  Já questionei se andariam a preencher questionários para alguma entidade, assim tipo Casa do Povo ou similar, mas parece que é mesmo falta de originalidade e de inteligência para iniciar novos conhecimentos e amizades, ainda que virtuais…

Na abordagem, a “Lolita” lá me convenceu a dar-lhe o meu contacto do MSN… E, espanto dos espantos, depois de autorizar a sua adição nos meus contactos, lá recebi uma fotografia. Bem… fiquei sem palavras… Era de alguém em lingeri numa posição passível de ser considerada “provocante”! E porque haveria eu de receber uma fotografia daquelas? Justo eu, que nunca peço fotos a ninguém! Lolita, ou melhor, o Carlos, lá continuou a conversa, explicando que tinha colocado implantes nos seios, que era “acompanhante” e que recebia no seu apartamento… Enfim!!! No meio de “incentivos”, que certamente fazem parte do seu “ marketing”, tentou convencer-me a passar por lá… Mas porque pensaria ela, ou melhor ele, que eu estaria interessada em pagar para ter algo que posso ter e em muito melhores condições? Porque iria pagar para ter de fraca qualidade quando posso ter de luxo?

No meio da conversa, toda ela cheia de nomes “técnicos”, próprios do meio, fez questão de indicar um amigo, com uma outra “especialidade”, uma vez que o facto de ser negro lhe conferia outras “potencialidades físicas”… E em menos de nada já esse amigo me contactava a “oferecer” os seus préstimos profissionais, com envio de vídeo exemplificativo, certamente retirado de algum site porno…

Mas chega a tanto o descaramento?    O que eles não sabem é o quanto detesto que me impinjam produtos, sejam eles quais forem. Quando vou a uma loja e sinto que me estão a “empurrar” alguma coisa, pois é quando perco o interesse pelo produto. E neste caso, nem que me pagassem! Livra! Safa! Haja qualidade de vida, acima de tudo!

Bluestocking"

Querida Bluestocking, não me querendo impingir, pois já fiquei a perceber que seria automaticamente remetido para a esfera do desprezo, cometo o arrojado atrevimento de a convidar para um lanchinho para, na calma de uma esplanada virada ao mar, debatermos o seu conceito de luxo, no âmbito do tema em causa. Fiquei deveras curioso. pickwick

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publicado por pickwick às 21:47
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