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Quinta-feira, 12 de Abril de 2007
Chouriça de azeite

Hoje de manhã cruzei-me com a Mary. Ah e tal, logo depois da reunião aparece lá em casa para assarmos umas chouriças que têm que se comer rápido, disse ela. Ah e tal, está bem, disse-lhe eu. O Philip e o Claude também iam, bem como a Charlie, que vive com a Mary. Depois da reunião, ainda fiquei à espera do Philip e do Claude, o primeiro porque estava a ver os mails e a assistir umas amigas no MSN, o segundo porque não sei bem, mas estava com uma gaja qualquer. Enquanto esperava pacientemente, apareceu na sala uma loira. A sério! Loira e gira! Normalmente as loiras portuguesas são mais feias que um escaravelho caído no óleo queimado de fritar batatas, mas aquela era bem gira. O Philip, que é jovem e pouco dado a contenções, começou logo a querer ficar mais tempo para tentar ir à mesma reunião que a loira, comentando esta pretensão com alguma sonoridade. Entretanto, entrou o patrão na sala. Ah e tal, venha ali para o gabinete, disse ele para a loira. Pronto, sacana do patrão! Lá foi a loira e voltou a sala à mesma pacatez e pobreza artística. O Philip queria ser patrão. Eu, hoje, também queria ser aquele patrão, para levar uma loira jeitosa para o gabinete. Ui, ui! Bem, em casa da Mary e da Charlie, a mesa estava ligeiramente mais bem recheada. Até havia gelado de rum com passas, tal como sugeri da outra vez! Nas brasas de uma lareira, duas chouriças de azeite (ou em azeite, ou sei lá o quê) chamuscavam-se. Uma porcaria! Enjoativo até mais não. É como comer uma chouriça normal e beber meio litro de azeite para acompanhar. Felizmente, havia uma terceira chouriça, dita normal, que soube muito bem a chouriça e melhorou o ambiente. Ah e tal, são caseiras, dizia a Mary. Pois sim, que sejam! A Mary é uma gaja esquisita. Tanta comida, tanta variedade, pão, folar, chouriças, cervejas, sumos, gelados, regueifa, etc., e ela, ah e tal, não gosto de nada do que está na mesa. Mas isto compreende-se? O Claude, que é um gajo simpático, perguntou-lhe logo aos gritos: então, e de chouriça crua, já gostas? A Mary engasgou-se um bocado, risota para trás, risota para a frente, enfim. Nova intervenção do Claude, que, para além de ser um gajo simpático, também é um gajo casado: eh pá, o que eu mais gosto na Mary é o cu! É mesmo bom, redondinho, perfeito. Confirmação do Philip: pois é, o Claude todos os dias diz que o que é mesmo bom é o cu da Mary. Risos, ha ha ha, he he he, hi hi hi… Eu também queria dizer qualquer coisa, mas não cedi à tentação de perder a compostura e complementar as referências estéticas da Mary. Fui forte e resisti. Disfarcei e olhei para a televisão. Má escolha! A telenovela que estava a passar estava impregnada de gajas jovens, podres de boas, todas trajando biquinis minúsculos, com peitos volumetricamente abastados, ah e tal, e pronto. A Mary inclina-se para a frente, para a lareira, para virar a chouriça, o elástico da cueca fica à mostra, o Claude resmunga que ela passa a vida a fazer aquilo em público e que um gajo fica logo desconcentrado, e blá blá blá. Por falar em gajas, vai a conversa para a loira da dentuça e da pele ao léu. Vulgo “loira do Mercedes”, por conduzir um jipe da Mercedes. Gritos histéricos, deles e delas: eia, que tem umas banhas gigantes a saltarem-lhe entre o top e a cintura, anda com umas calças todas esfaqueadas à frente e atrás, é feia, e as gajas assim não deviam andar naqueles preparos. Subscrevo totalmente. Ainda não tinha era reparado que ela tinha assim tantas banhas… estarei a ficar pouco exigente e muito distraído? Ou eles e elas é que são exagerados? Urge esclarecer! Pelo caminho, um contributo para o enriquecimento da história e da cultura da humanidade: o Claude revela que a Marilyn Monroe costurava botões do lado de fora das copas do soutien para imitar mamilos proeminentes, provocadores e excitados, que espevitavam a imaginação dos homens de todo o mundo, os quais, aos milhares, ainda segundo o Claude, se masturbavam às custas desses botões. O Philip confirmou: sim, a mãe dela até era costureira. Claro. Para não fugir a temas femininos, tombou a conversa para a Doce (mais um nome de código, sim), nossa colega de trabalho. A Doce, de há uns meses para cá mudou radicalmente a sua fisionomia. Sendo desportista, sempre a conhecei na casa dos 40 mas com um corpo fabuloso, fibroso e elegante. Dia após dia, vinha com umas calças justíssimas, espevitando a imaginação de quantos tropeçassem com o olhar na sua figura, de costas, encostada ao balcão do bar, a pedir uma tosta e um galão. Às vezes, justas demais. De há uns meses para cá, começou a engordar desalmadamente. O rosto permanece igual. Ou seja, a Doce está quase com corpo de baleia, mantendo o rosto de um modelo de passerelle. Passa pela cabeça de qualquer um que ela esteja grávida. Passou pela minha. E pela do Philip. Só que o Philip é assim mais dado a intimidades, daí que a apanhou um dia e perguntou, bem alto e em bom som, ah e tal, então, estás a engordar tanto… estás a ficar grávida, não estás? Não, não, responde ela, com um sorriso amarelo. Envergonhada, a Doce lá explicou que parou de tomar dezenas de anti-depressivos e outras porcarias do mesmo calibre, o que lhe provocou um apetite voraz, pelo que tem engordado a olhos vistos. Minutos depois alguém explicou ao Philip que a Doce já se tentou suicidar, embora tenha uma vida folgadíssima, casada com um médico, com uma filhota toda fofinha, vida profissional estável, etc. Apeteceu-me pedir à Mary para que, caso tome anti-depressivos, nunca deixe de os tomar. Mas fiquei melhor caladinho, guardando pensamentos badalhocos só para os meus botões. Acabadas as chouriças, acabadas as casacas onde cortar, viemos embora. Tenho que me cuidar. A exposição a estes ambientes e a estas conversas, não contribui, de forma alguma, para imprimir alguma decência no meu pensamento. Antes pelo contrário! Cus redondos, loiras boas raptadas para gabinetes, loiras dentuças com banhas de fora, gajas a engordar, gajas com botões do lado de fora do soutien, gajas das telenovelas brasileiras, e chouriças de azeite, não me trazem tranquilidade nenhuma! pickwick 

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publicado por pickwick às 00:09
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Domingo, 8 de Abril de 2007
A Espada do Rei

Não é a do Afonsinho, não. É o título do pior filme que vi nos últimos anos. Pior que isto, só mesmo ver um do Manoel de Oliveira em dia de dor de barriga. O original em inglês é “The King Maker”, para que os interessados se possam situar no universo cinematográfico. Bom, e onde é que eu fui buscar esta pérola estragada? Ao clube de vídeo da minha terrinha, claro está. Ainda se chama “clube de vídeo”, mas já não tem vídeos. Não faz mal, a gente compreende. Olhei para o panorama de filmes desconhecidos, paranormais, policiais de cueca e algibeira, monstros medonhos, gajas semi-nuas e sei lá mais o quê, e dei com a capa do que parecia ser um épico. Eu adoro filmes épicos: espadas, valores morais, braços cortados, decapitações, mais espadas, muitos cavalos, sangue, amor, gajas com túnicas transparentes e seios comedidos, lanças, gajas sujas de lama, mais cavalos e mais espadas. Gosto e pronto! E este parecia ser um, tal e qual. Todo contente, volvi a casa, para me deliciar com a sessão cinéfila, num sábado à noite, a sós, na paz e no sossego do meu canto. O pormenor de ser baseado numa história verídica, passada na Ásia em 1547, atraiu-me ainda mais. Mas, mais ainda, era o facto de a aventura se passar com portugueses! Sim, daqueles portugueses que deram meia-volta ao mundo para chegarem ao Oriente e andarem a negociar com chinocas e outros povos de olhos em bico e pele de cor suspeita. No caso presente, algures no que aparentava ser a Tailândia. O filme começa com um naufrágio de um navio supostamente português, cujo único sobrevivente se chama Fernando De Gama e dá à costa cheio de fraquezas. Quando acorda, vai ao mato procurar água potável e vai beber a um charco onde está um crocodilo enorme. Normalmente, num filme que meta crocodilos, há sempre um deles que abocanha ferozmente outro ser vivo, para gáudio dos espectadores. Neste caso, e apesar de o Fernando De Gama ter enfiado a cabeça no charco, mesmo a dois palmos do focinho do crocodilo, este não faz mais do que arrotar-lhe para cima. Foi o prenúncio de que algo não batia bem neste filme. Entretanto o homem é apanhado por uns árabes, que o levam para uma cidade onde abunda a mistura étnica para ser vendido como escravo. Quando sobe ao palanque para ser admirado pelos compradores, dá-lhe uma coisa ruim, esmurra um dos guardas, dá um triplo salto com pontapé certeiro nas queixadas de outro guarda e… pronto… a partir daí foi o fim da macacada! Disse para mim mesmo: já me lixei com o filme! Parecia um daqueles filmes do Jackie Chan, a saltitar em varandas, por cima de canoas, a voar para aqui e acolá, a lutar com três e quatro de cada vez, etc. Depois levou com uma moca na mioleira, desmaiou, foi comprado pela Maria De Torres que era portuguesa e filha de um construtor civil e podre de boa, foi recrutado para lutar pelo rei, depois foi promovido a guarda-costas do rei, depois o rei morreu porque a rainha o mandou assassinar, depois a rainha convenceu o povo de que ele é que tinha conspirado para a morte do rei, depois teve que desmascarar a rainha má, depois apareceu o irmão do rei que resolveu o problema, e depois viveram todos muito felizes e ele deve ter ido para a cama com a Maria De Torres. Não sei se já referi, mas a Maria De Torres era toda boa. A história não interessa. O filme ganha pelos pormenores fantásticos, alguns dos quais passo a descrever:

1. O De Gama, soldado português pela primeira vez no oriente, já dominava perfeitamente o karaté, ao nível dos melhores mestres. Os pontapés rotativos e os pontapés em voo parece que já haviam nascido com ele.

2. Nem todos tinham olhos em bico. A começar pelo irmão do rei da Tailândia (se é que aquele país esquisito era mesmo a Tailândia), que tinha os olhos tão em bico como os meus. Até a feiticeira com aspecto asqueroso que vivia numa caverna e deu à rainha a ervinha para envenenar o rei!

3. Naquele tempo, certamente, todos voavam. Não há cena de pancadaria no filme em que não haja gajos pendurados por cordas, a rodopiar no ar e a trepar andaimes e paredes sem mãos. Todos voam, até o velhote português que era pai da Maria De Torres e já estava fora do prazo.

4. Para grande desilusão minha, a Maria De Torres usava um corpete muito conservador. Inaceitável, especialmente numa terra asiática onde o corpo necessita de muito arejo. Incompreensível.

5. Os portugueses envolvidos no enredo têm nomes muito suspeitos. Fernando De Gama ainda se compreende, se bem que o “De” era escusado. Maria De Torres, idem, até porque sou fã das mulheres portuguesas chamadas Maria. Quanto ao pai da Maria, o Phillippe De Torres, francamente! Isso é lá nome de um construtor civil português que se preze?!

6. Regra geral, ninguém falava como gente normal. Além de todos falarem sempre em inglês (que os produtores nem se dignaram meter uns diálogos em tuga ou em tailandês, para tornar as coisas mais giras), pareciam ter sempre uma meia suja enfiada na boca a dificultar a fala. Ou como se tivessem metido à boca um rolo de papel higiénico embebido em cola para madeira. Enfim…

7. A rainha, assim que se apanhou com o marido a partir para uma dolorosa batalha, atirou-se para a cama com um amante secreto, um borra-botas qualquer. Minutos depois de terem sexo, a rainha é acometida por um súbito enjoo. Questionada pelo amante sobre a origem do enjoo, a rainha responde que vai ter um filho. Estes tailandeses são todos muito instantâneos, carago!

8. E as lutas de espadas? Uiiii!... Nunca vi tal coisa. Muito movimento em câmara-lenta, cada um à espera da sua vez para desferir o próximo golpe, machados contra espadas, espadas contra armas inventadas na hora, arcabuzes, canhões, setas em desenhos animados, sei lá.

9. E a cor do sangue derramado na batalha? Claramente cor-de-rosa. Então quando andam à pancada no rio, é tal e qual um batido de morango! É que nem um daltónico convencem com aquilo!

10. E ninjas? Também teve ninjas, ah pois é, todos de preto, a caírem do tecto e a rebolarem e depois levaram nas trombas do Fernando De Gama que sabia mais de karaté que eles todos juntos.

11. E os actores? Parecia que estavam a ler directamente das cábulas, e pela primeira vez!

12. E a Maria De Torres? Uiiiiiii… pickwick

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publicado por pickwick às 23:58
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007
Os guinchos da Lulu

Foi ontem que recebi um daqueles e-mails fantásticos que nos transportam para outra dimensão, mas tudo em território nacional. Dizia assim:

“Santa Maria da Feira, 10 de Março de 2007 - Corta-mato Nacional do Desporto Escolar. Tendo esgotado a bateria da câmara de vídeo, não me foi possível filmar o espectacular momento em que Maria de Lurdes Rodrigues, subindo à zona do podium para entregar as medalhas dos Juvenis masculinos, após sucessivos assobios e apupos por parte dos alunos e professores presentes, gaguejando e tremendo-lhe a voz, agarra no micro e faz o brilhante discurso, que, aproximadamente cito: " U-uuuuuu-uuuuuu-uuuuu! Eu também faço e faço mais alto que vocês!"

(Esclarecimento breve: Maria de Lurdes Rodrigues, também conhecida por Lulu, Milu ou Sinistra, é, presentemente, uma das ministras do governo do camarada Sócrates, concretamente cabendo-lhe o pelouro da educação.)

Como não poderia deixar de ser, a obra cinematográfica acabou por ir parar ao sítio do costume: o Youtube! A não perder: http://www.youtube.com/watch?v=AnAMxj59BL0

Bom, eu nem sei o que dizer… Esta mulher, a quem não quero chamar gaja porque a tal me obriga a boa educação, ocupa uma posição na sociedade que a devia obrigar a reprimir alguns impulsos básicos dos animais, tais como ladrar, uivar, miar, ganir, zurrar, ou guinchar. Devia, mas não obrigou. Assim sendo, temos uma ministra portuguesa a responder aos apupos dos alunos com guinchos. Huuuu?! Oh mulher, há falta de espelhos em casa? Custa-me perceber pessoas como esta. Então e se um dos presentes se lembrasse de mandá-la para onde o sol não brilha e cheira mal? Ela responderia também com uma grande “carvalhada”? Ah e tal eu consigo dizer uma asneira ainda mais feia do que vocês! Nha nha nha nha! Mas isto é o quê? Como é possível que uma ministra se apresente em público a fazer a figura hilariante de uma feirante a vender lençóis de flanela e cobertores eléctricos depois de uma noitada na discoteca da cueca-preta?! O que é aquilo? Algum espectáculo de uma cantora pimba fora de prazo a solicitar frustrantemente a participação do público que foi ali para ver outra coisa qualquer?! E vergonha, não há? E saber estar em público, não sabe? E porque é que pega no microfone daquela maneira tão… tão… pimba? Só lhe faltou começar a saltitar o microfone de uma mão para a outra, qual Marco Paulo em versão feminina e ainda mais pimba! Peço desculpa. O Marco Paulo não é pimba. Bom, a gente pode não gostar do homem e das suas canções, mas há que dar a mão à palmatória e reconhecer que se trata de um bom profissional, um homem do espectáculo por natureza, e que leva a sério a sua profissão e a sua arte. Quando à Lulu, depois de ver esta figura, não consigo evitar julgá-la por uma tabela muito baixa, sem qualquer dignidade e sem qualquer profissionalismo. Os políticos são como são e a malta já sabe o que a casa gasta. Pondo de lado as questões de competência profissional, há os que sabem estar e os que não sabem estar. Há os que se comportam com menos dignidade que um carroceiro emborrachado e estatelado no chão do alpendre de uma tasca de aldeia, e há os que são quase irrepreensíveis nas suas posturas, não fossem as motivações obscuras que os movem. Esta senhora, como está provado, pertence à classe dos carroceiros emborrachados. Se um carroceiro com os copos subisse àquele palco e guinchasse “uuuuuuuu”, eu até compreendia, pronto, pouca formação, ambiente de trabalho à base de mulas e esterco, etc. Era uma figura triste, na mesma, mas era, de algum modo, desculpável. No caso presente, estamos a falar de uma senhora que é ministra, com licenciatura e doutoramento. Não se compreende. Aliás, compreende-se: estamos a descer mesmo muito abaixo! Para termos uma ministra que se comporta como um carroceiro, é porque estamos quase a bater no fundo do poço. Ao menos que fosse elegante ou loira ou menos feia ou usasse mini-saia, para não ser tudo tão negativo… Ok, pronto, mini-saia, não. pickwick

publicado por pickwick às 09:34
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Domingo, 1 de Abril de 2007
As bestas da Covilhã

Bem, vim à civilização passar uns dias e, como tal, tive (e ainda tenho) a oportunidade de ficar colado na caixinha mágica. Ontem, dotado de um grau de civilização elevadíssimo, vi os telejornais de três canais ao mesmo tempo, do princípio ao fim! É fantástico! O que um gajo consegue fazer com um telecomando na mão! Uma das notícias que me entusiasmou sobremaneira foi o daqueles mocinhos e mocinhas da Covilhã que foram numa viagem de finalistas a um paraíso qualquer chamado “Lloret del Mar”. Vou começar por chamar os bois pelos nomes. Não eram nenhuns mocinhos e mocinhas da Covilhã, mas, antes, umas bestas da Covilhã. Filhos de outras bestas, também da Covilhã. Tenho dito! Para quem não teve a oportunidade de visualizar na caixinha mágica os acontecimentos hilariantes que tornaram esta viagem de finalistas num mostruário de bestas embrutecidas, passo a explicar que as bestas foram passear uns dias ao tal paraíso, sendo que, na última madrugada, parte deles decidiu que era divertidíssimo transformar partes do hotel onde pernoitavam numa alegre e bem disposta festa do ovo e outros acessórios de higiene. Os funcionários do hotel, que trabalham num hotel, portanto, um daqueles locais onde alojam pessoas de todo o mundo que vêm passar férias, descansar, para reuniões de trabalho ou para comer a secretária às escondidas da mulher, não gostaram da piadinha e correram com os tugas todos dali para fora, na hora. A perspectiva foi: vamos correr com o lixo humano. Plenamente de acordo. Se fosse no corredor do meu prédio ou, pior, da minha casa, a expulsão seria igual, talvez com alguns condimentos acessórios. As crianças inocentes foram arrancadas da cama (as que dormiam), coitadinhas, sem lavarem os dentes nem trocarem a fralda, sem a sessão do biberão matinal, e postas com armas e bagagens na rua. A parte da bestialidade de toda esta situação, é aquela em que as crianças ficam escandalizadas por terem sido corridas de lá para fora! As crianças e os pais. As bestas e os pais das bestas! Uma pessoa normal, civilizada, educada, normal, consciente e normal, que se visse envolvida numa situação destas, teria, no mínimo, metido o rabo entre as pernas e regressado ao país cabisbaixo e extremamente envergonhada, apenas revoltada com o facto de ter que partilhar viagens destas com energúmenos! Uma pessoa normal, na plenitude da sua cidadania, compreenderia que um hotel não se pode compadecer com um grupo de sessenta índios, cujos guerreiros uma bela noite se entusiasmaram e resolveram fazer de quartos e corredores a arena para uma dança dos espíritos e do machado e das penas. As bestas, pelo contrário, acham normal que os índios dêem cabo de um hotel e da clientela. As bestas são incapazes de perceber que uma unidade hoteleira tem outros clientes, clientes quiçá civilizados. As bestas não percebem que deixar um corredor de pernas para o ar é suficiente para um hotel perder umas dezenas de clientes. As bestas não percebem que, neste filme, eles são os selvagens! As bestas são, enfim, bestas completas! Mais divertido, ainda, no meio disto tudo, são as reportagens televisivas sobre a animação nocturna em Lloret del Mar: invariavelmente, os protagonistas estão agarrados a garrafas de bebidas alcoólicas. Com alguma variância, não muita, os protagonistas estão a fazer figuras tristes, alimentados pela alegria proporcionada por uns bons copos. Algumas das figuras tristes, como é de esperar, transformam-se em javardices e distúrbios. Algumas figuras tristes, são figuras de urso, mas como isso é premiado pela sociedade obcecada com a caixinha mágica, tanto melhor. Mas, a maior aberração disto tudo, é que estamos a falar de hordas de fedelhos que, para estas paragens, são enviados alegremente com o patrocínio dos próprios pais. Toma lá cem euros para comprares uns shots e umas botellas, diz o pai para a filha de 14 anos. Ou de 17, tanto faz. No meio disto tudo, não são as figuras tristes ou o vandalismo que está em causa. O verdadeiro problema, que não é visto como um problema, é ser tudo perfeitamente normal, perfeitamente aceitável, perfeitamente divertido e muito perfeitamente iluminado pelas luzes de uma ribalta decadente. Não há um nico de vergonha! Não há um pedacinho de arrependimento! Não há um bocadinho de consciência! Não há um pingo de noção de cidadania! Não há um restinho de humanidade (de Ser Humano)! São, pura e simplesmente, umas bestas! pickwick

publicado por pickwick às 10:29
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