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Sábado, 30 de Dezembro de 2006
Desventuras e Festividades

Sábado já começam as festividades por ocasião da transição de ano. Eu detesto festas. Só festinhas, no pêlo. Mas, festividades é uma situação diferente. Festividades é um conjunto de festejos relativos a qualquer coisinha. Não sei se é isso que diz o dicionário, o que duvido, mas, se não for, passa a ser. Assim sendo, e para manter a tradição, o povo ajunta-se no majestoso e luxuosíssimo apartamento do qual sou proprietário, no dia 30 à noite, para ultimar os preparativos para a noite seguinte, ao redor de umas travessas, umas garrafas e muitos copos. Um jantar, portanto. Este ano, para variar, os palpites apontam para que as gajas estejam em maioria. Isto, como bem se percebe, pode resultar numa tragédia grega, numa deturpação do conceito de festividade, num abafar de liberdades. Com gajas, tudo é possível, especialmente quando estão em maioria. Não sendo necessariamente por causa delas, embora possa admitir alguma correlação, dediquei os últimos dois dias a dar um jeitinho aqui na mansão. Eu não devia dizer isto, mas havia aqui coisas que não eram limpas há quatro anos, ou seja, desde que vim para aqui morar. Também não eram coisas assim muito importantes, só umas poeirinhas insignificantes nas prateleiras, umas janelas sebosas, e coisas afins. Até o meu computador mereceu uns mimos. Após quatro anos de uso diário e intensivo, sentei-me à beira do teclado com um borrifador limpa-vidros, papel e uma escova de dentes. Durante quatro anos, 99,9% das refeições nesta casa foram tomadas nesta presente mesa, com o prato sempre entre a boca e o teclado. As restantes refeições foram tomadas normalmente, numa mesa com toalha, por ter visitas em casa. Ora, como é de imaginar, quatro anos a teclar e a comer, não podem deixar um teclado indiferente. Este, estava imundo! Sebo das pontas dos dedos gordurosos durante o Verão, pingos da sopa durante o Inverno, molho de tomate durante o ano inteiro, enfim. Ao fim de longos minutos a escovar, ficou que parece novo, à parte a letra “E” que já quase não se vê, e mais cinco letras que um dia destes também vão desaparecer de tão gastas que estarão. Ficou um serviço bem feitinho, convenhamos. Ao fim de quatro anos, decidi-me, finalmente, pendurar na parede o escaparate que tinha comprado para as especiarias, para o sal e para o louro. Foi só fazer dois buraquinhos, buchas e parafuso, e ficou feito. Não sei porque carga de água esperei quatro anos para isto, com o escaparate sempre ali assente no chão, cheio de especiarias e porcarias e muito pó. Na mesma onda revolucionária, resolvi tratar de uma avaria técnica ali na casa de banho, que já se arrastava há muitos e longos meses. Queria evitar usar a palavra “anos”, para não parecer tão mal, mas confesso que perdi a noção. A avaria era com o estúpido do autoclismo, sendo que o encaixe do tubo de descarga na loiça da sanita tinha uma fuga e largava litros de água para o chão. Durante este tempo todo, resolvi a coisa com um alguidar lá debaixo, que tinha que esvaziar com alguma frequência. Como os pingos não caíam certeiramente, até porque a fuga parecia o filme da “Fuga das Galinhas”, o chão estava constantemente molhado, pelo que tinha de ter sempre junto do alguidar a bela da esfregona, para embeber a água entornada. Portanto, assim muito friamente, a minha casa de banho teve, durante todo este tempo, o aspecto típico de um WC de uma asquerosa Estação de Serviço perdida numa estrada qualquer atrás do sol que já se pôs. A pingar. Sempre a pingar. Como já tinha pendurado o escaparate, achei-me com toda a pinta para desmontar o autoclismo e armar-me aos cágados feito canalizador. Até nem custou muito. O anterior dono tinha tido um problema idêntico e resolveu-o com uma camada descomunal de silicone transparente, que durou durante algum tempo, mas que acabou por ter fugas. Depois vim eu, há muito tempo atrás, e tentei resolver o problema com mais silicone, desta feita de cor branca, que não resolveu nada, pois o estúpido do tubo continuou a largar água. E pronto, lá tive que me chatear, desmontar tudo, escapando por um triz ao desastre de partir o depósito só para o arrancar da parede, quando aquilo está feito para ser retirado por encaixe e com muita delicadeza. Tirei a silicone toda, deixando-me levar por pensamentos obscenos sobre seios recauchutados numa clínica no Brasil. Saí e fui a uma casa de materiais de construção, explicar o meu drama a um senhor que me atendeu de forma profissional, explicando-me como funcionam os encaixes e os tubos e os autoclismos. Cinquenta cêntimos foi quanto custou uma pecinha de borracha que deveria fazer as vezes dos quilos de silicone, vedando correctamente o encaixe do tubo na sanita. Foi aqui, nesta loja, com este senhor, que aprendi a falar caro, usando termos altamente técnicos da gíria profissional, como “tubo de descarga”. Bem, já não tenho a certeza se era tubo ou canal, mas não interessa. Ficou o problema resolvido e não se fala mais nisso. Bom, o problema seguinte prendia-se com o número de intervenientes no início das festividades, ou seja, no jantar de dia 30. Uma vez que só tinha sete assentos e as previsões apontam para um número entre oito e onze pessoas, lá tive que ir à cidade desencantar uns bancos baratos para remediar a situação. Encontrei-os a quatro euros. Depois, para tornar os bancos mais aconchegantes, fui comprar daquelas almofadinhas para bancos, que ajudam a acomodar as nádegas durante as longas horas de pasto e rega. Quando cheguei a casa, e juntei as duas coisas, é que reparei realmente no lindo serviço que tinha feito: os bancos são quadrados e as almofadas são redondas; para mais, as almofadas são de um tecido branco-sujo, o que até fica bem, não fosse o facto de terem desenhos de vaquinhas leiteiras com ar de atrasadas mentais, e serem contornadas por uns folhos muitíssimo abichanados, tipo aquelas saias rodadas e curtinhas que as miúdas assanhadas usavam nos anos sessenta. Portanto, em jeito de conclusão, vou ser gozado até mais não quando o pessoal chegar para o jantar. E eu que só estava a querer ser simpático e proporcionar conforto às visitas. Ora gaita! E, para o jantar, a ementa! Ora bem, o plano é simples. Numa travessa, que irá ao forno, vou meter lombo de porco, linguiça, entremeada, salsichas frescas, chouriço e entrecosto. É o que chamo pomposamente de “Assada Mista”. Costuma haver a “grelhada mista”, e agora passa a haver, também, a “assada mista”. Noutra travessa, a ir também ao forno, mas noutro forno, vou meter batatinhas redondinhas e pequenininhas, umas descascadas e outras também não, provavelmente em fundo banhado a azeite com rodelinhas de cebola. Num tacho cozerei arroz, com duas rodelas de chouriço e refogado prévio, que posteriormente irá ao forno (não sei em quê, que por esta altura já não haverá travessas vazias), numa clara tentativa para tostar a camada superior do arroz e simular um suposto “arroz de forno” (que não sei como se faz, mas sei bem como se come). Numa frigideira vou colocar a estufar bifinhos de porco (será estufar? não sei, vão lá para dentro e depois que se entendam os bifinhos com a frigideira…), que quando estiverem a postos serão misturados com cogumelos laminados e ensopados em natas! Natas, essa bomba calórica! Até vai doer. Da penúltima vez que tentei isto das natas, os bifinhos acabaram esturricados e as natas evaporaram-se todas, mas isso são águas passadas. Há que encarar o futuro com fé e pensar positivo. Bem, para a sobremesa é que ainda ando para aqui em negociações, embora já tenha comprado os ingredientes para fazer uma mistela esquisita parecida com “Natas do Céu”. Talvez arranje também um gelado, não vá dar-se o caso de as natas irem para o céu, e um abacaxi para desenjoar. Depois, vamos todos (no masculino) precisar de contribuir para a boa digestão do repasto, ingerindo os denominados digestivos, sendo que algumas experiências que fiz com cachaça e ramos de carvalho estão a fazer um ano de repouso nas garrafas. Depois, espalhamo-nos aqui pelo chão da sala, embrulhados nos sacos-cama, todos grogues, a arrotar a lombo de porco e linguiça, a mandar bufas com cheiro a natas, a tirar macacos e caroços de azeitona do nariz, com vinho tinto a pingar pelos cantos dos olhos, e a dizer muitos disparates, perante o olhar reprovador das gajas que continuarão estupidamente sóbrias e sérias. No dia 31, ressacados de carnes e bebes, encafuamos roupas e comidas nas mochilas, defecamos pela última vez do ano numa sanita de loiça portuguesa, penteamo-nos (válido apenas para os que possuem capilares de comprimento superior a oito milímetros) e fazemo-nos à estrada em quatro rodas, em direcção à serra. Lá chegados, mochilas às costas, serra acima, para chegarmos ao destino e concretizar, com toda a pompa e respectivos foguetes, o festejo de transição de ano. A não esquecer: colocar despertador para as 23h55m, dado que, a avaliar pela última década, a noite de dia 31 costuma acabar pelas 22h00, com toda a gente entornada e com comida até à língua. Depois, que venha 2007, que a gente não tem medo! pickwick

publicado por pickwick às 01:27
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006
Os Implacáveis das Botas Altas

Acabou-se o Natal. Finalmente. Venha a Passagem de Ano. E, a propósito da Passagem de Ano, apanhei na rádio o anúncio de que a Brigada de Trânsito da GNR vai ser implacável para com os condutores com álcool no sangue. Implacável? Bem, passei-me. Então mas que raio de mariquice vem a ser esta? Não deviam ser implacáveis sempre? Quer-se dizer, durante o Natal um gajo podia andar com cerveja até ao nariz, a espumar digestivos pelos olhos e a dar bufas com cheiro a vodka, que não havia crise, é Natal, ninguém leva a mal, ah e tal o Pai Natal, perdão e não sei quê. E agora, com a Passagem de Ano, já não! Este país está cada vez mais canceroso. É cancro em tudo e em todos. Estas cenas da polícia ser condescendente para com os que teimam em pisar o risco da lei, amassam-me a paciência. Só dá vontade de arranjar um grupo de amigos chateados e organizar um Pelotão do Faz-e-Paga. Os brasileiros arranjaram os Pelotões da Morte, mas nós precisamos mesmo é de um Pelotão do Faz-e-Paga (PFEP). Isto é, um gajo bebe uns copos e mete-se ao volante pela estrada fora. É apanhado pela GNR, cujos agentes são condescendentes, e identificado. Minutos depois, o PFEP apanha o seboso infractor ao virar da esquina, pega-lhe fogo ao carro, dá-lhe uma tareia de tábuas com pregos e corta-lhe um dedo. Paga com o corpo, portanto. E com a carteira também, para arranjar outro carro. Nada de notificações, julgamentos e palavrinhas mansas. Fico lixado com estas parvoíces. Pior que estragado! Mas que país, este. Na rádio ouvi também que alguém escreveu uma obra qualquer em que sugere que Portugal seja um exemplo de caminho a não seguir para os países que entram para a União Europeia. Concordo plenamente. À parte o facto de ser lamentável esta situação, originada pela teoria ingénua e infantil do somos-todos-amigos-e-boas-pessoas que habita na mente da maioria dos decisores, irrita-me que o Alzheimer habite na maior parte de nós. Quando entrámos para a UE, como uns tristes cachorros rafeiros a receber ossos e couratos, “quem de direito” permitiu que, à luz do sol e chapado nos olhos de todos, se sugassem os ossos e os couratos todos, trocados por carrões, casarões e muitos trocos. Sistematicamente. Ainda assim, esses “quem de direito” continuaram aqui e além, livres de qualquer responsabilidade, no carrossel da vida política, ao mais alto nível, ainda hoje. Ninguém lhes pediu, nem pede, contas. É de tradição, não pedir contas. Raios os partam! Parecemos um país de anormais. E, por falar em anormais, tive acesso à bela da televisão durante o Natal, pelo que assisti a um comentário idiota do senhor Miguel Sousa Tavares, promovido a comentador, a propósito do endividamento das famílias portuguesas. Ou seja, os caramelos que compram tudo a crédito. Dizia o senhor, na sua ignorância, que a malta contrai créditos por causa da propaganda agressiva dos bancos e empresas de crédito pessoal. Que tanso! Como de costume, em Portugal desculpa-se sempre o povinho. Há-de haver, sempre, desculpas e mais desculpas. O povinho, esse, coitado, é sempre o enganado, a vítima, o enrolado. O tanas! O povinho é estúpido e mais nada! Vejamos um exercício simples de gestão financeira do vencimento. Maria Amélia e João Asdrúbal ganham, em conjunto, cinco euros por mês, sendo o agregado familiar composto pelo casal e um filho de cinco anos. O filho, embora ninguém saiba, vai sair estúpido como os pais, herdando verrugas intelectuais, maus hábitos e maus cheiros. Dos cinco euros por mês, dois euros são para o empréstimo da casa, um euro é para o empréstimo do carro e outro euro é para um crédito que pediram para comprar uma televisão abichanada com sistema de som sofisticado para ouvir concertos da Micaela e da Romana. Sobra um euro, para os gastos do dia-a-dia. Mesmo assim, estes estúpidos, anormais, analfabrutos, mal cheirosos, não se privam de ir comer ao restaurante, fumam tabaco que sai quase tão caro como a alimentação, compram DVDs, e, pasme-se, ainda fazem mais um créditozinho pequenino para um frigorífico novo, um computador todo artilhado, uma aparelhagem e umas férias em Espanha. Estúpidos! Não há outra palavra! O povo é estúpido! Por isso é que recebemos contentores de dinheiro durante anos e continuamos atrasados. Por isso é que estamos na cauda da Europa (e quase do Mundo) em aspectos insignificantes como educação, sinistralidade rodoviária, competitividade, e outras coisas que tais. O povinho é inculto, é ignorante, é iletrado, é estúpido e é atrasado. O povinho vibra com insignificâncias vestidas com flores e sapatilhas, e parvoíces e palhaçadas de enjaulados. O que o povinho precisa, um dia destes, é de ser corrido ao tabefe e a golpes de tábua. Não há outro meio. Não é preciso escrever, porque já está escrito. Só vamos a lado algum levados por força da chapada. E é esse o caminho! Quanto aos homens das botas altas, os tais que vão ser implacáveis daqui a poucos dias, boa sorte! Eu cá vou enfrascar-me para o cimo da serra, onde não há estradas, nem carros, nem televisão, nem mini-saias. pickwick

publicado por pickwick às 00:33
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006
Noite de Natal

Que bonita! Que ternura! Bem, este ano, para variar mesmo, fui passar o Natal a essa bela localidade que responde pelo nome de Foz do Arelho. Não reparei se havia algum rio Arelho a desaguar por lá perto, mas isso agora não interessa. Fui passar o Natal à Foz do Arelho porque a minha mãezinha decidiu que, este ano, não havia de andar de roda dos tachos e das panelas e das travessas. Assim sendo, arranjou-se para ir passar quatro dias ao complexo hoteleiro do Inatel, naquela mesma localidade. É fácil, é barato e não dá que fazer. Comida na mesa, bufete em abundância, sem necessidade de conduzir depois das refeições, quarto aquecido com televisão… Bom, que se pode pedir mais? Além disso tudo, nada do irritante e obeso Pai Natal. Só vantagens! Fomos jantar por volta da hora do jantar, ou seja, já não me lembro. Mal entrei no refeitório (devia chamar-lhe restaurante, para ser mais chique, mas a verdade é que aquilo parecia uma cantina militar), percebi logo que este ia ser um Natal diferente. Diante de mim, sentada num sofá do átrio, estava uma moçoila dos seus 19-23 anos, mais coisa, menos coisa, cabelos longos e aloirados, óculos com armação azul, costados direitos e firmes, figura elegante e quase que majestosa, ajeitando-se para o jantar. Por ajeitar, entenda-se: vestir mais uma pecinha de roupa, para enfrentar o gelo da noite, por cima de uma curtíssima camisolinha, abaixo da qual assentava a cintura rebaixadíssima (tipo “tuning”) de umas calças de ganga. Palmo de pele à mostra, como manda a regra e como o povo gosta. Entre a cintura da calça de ganga e a pele fresca, dois centímetros de cuequinha azul-bebé. Meu Deus, porque me lanças estas coisas para a frente do nariz? Olhei com mais pormenor, meio embriagado pelo choque, reparando que as cuequinhas azul-bebé não estavam a ser usadas por acaso do destino, nem pelo destino do acaso. Aliás, ali, naquela vigorosa moçoila, nada parecia ter sido deixado ao acaso. O azul-bebé da cuequinha condizia com o azul da armação dos óculos, com o azul da ganga e com o azul de algumas faixas coloridas na camisola de lã. À matadora! Seria ela a ementa do jantar? Não. Que pena! A ementa era mesmo bacalhau conforme a tradição e, para as mentes mais abertas, lombinhos de porco. Nham! Para fazer feliz a mãezinha, provei o bacalhau, as couves, a cenoura e a batata. Depois, arrumei o prato e fui jantar os belos dos lombinhos. A menina da cuequinha azul-bebé foi sentar-se junto da família. Nesta noite, sabendo que não precisaria de conduzir, teria a oportunidade fantástica de poder regar os lombinhos com a bebida que me coubesse no estômago. Teria, digo bem. Mas não tive. Veio para a mesa uma garrafinha de tinto da casa, 75cl. Deu para provar. Gostoso! Mas não deu para beber. Quando eu e o meu irmãozinho esvaziámos a garrafa, a mãezinha olhou desolada para os seus dois filhos, lamentando profundamente que fossem uns beberolas e já tivessem bebido tanto vinho! Eu ainda sugeri uma cervejinha, que é assim mais fraquinha e ajuda à digestão, mas mais valia ficar calado, pois a sugestão ainda escandalizou mais a mãezinha, por implicar uma mistura explosiva de álcool… Estes dois irmãozinhos olharam-se, entristecidos com um Natal estragado por teorias puritanas sobre ingestão de bebidas alcoólicas. Ainda planearam um assalto ao bar do complexo, para botar abaixo uns úteis digestivos, mas optaram por uma posição abstémia, de respeito pela ocasião. Ora bolas! Entretanto, devido à limitação líquida, houve que remediar o tédio. Curiosamente, ao contrário do expectável, o Inatel não estava a ser frequentado apenas por representantes das brigadas do reumático e da artrose, tal como verificado pela existência de uma moçoila com cuequinhas azul-bebé. Além desta, outras dignas representantes do sexo feminino dentro do prazo de validade marcaram presença no refeitório. Para grande alegria da minha mesa, excluindo a minha mãezinha, que só tinha olhos para o bacalhau e para os lindos filhos. De destacar três presumíveis irmãs, cuja diferença etária rondaria os oito anos, sendo que a mais nova teria os seus dezanove anos. A mais velha era feia como um gnu e vestia-se como quem já ultrapassou o prazo de validade. A do meio, era portadora de uma beleza aceitável, boca tipo BB (de Brigitte Bardot), elegante, trajando com uma saia ligeiramente acima do joelho (palmas! alegria! júbilo!), pernas cobertas por umas meias integrais (tipo collants) de cor bordeaux (oh…), que condiziam com uma bonita camisola também bordeaux. Da mais nova, lamento a imprecisão científica, mas apenas me recordo que trajava uma mini-saia!... Muito mini… Que grande jantar de Natal! Ainda sobre a ementa, há a referir uma quebra no fornecimento de sobremesas. Ao que a minha mãezinha conseguiu apurar, posteriormente, era suposto ter havido pudim Molotov e uma torta à qual costumam chamar “tronco”, dadas as parecenças. Mas, aconteceu que, pelo caminho da confeitaria até ao Inatel, numa distância de alguns quilómetros, uma travagem mais brusca transformou as travessas de deliciosas sobremesas, nomeadamente as atrás referidas, numa javardice indescritível no compartimento da carrinha onde eram transportadas. E logo o pudim Molotov, tão sensível, tão ai-não-me-toquem-senão-desmancho-me-todo. Por isso, sobraram apenas outras iguarias menos espalhafatosas, das quais destaco o arroz-doce, esse inigualável príncipe das sobremesas. Um Natal sem arroz-doce, é como uma mulher muito gorda e muito feia e muito peluda a dançar toda nua em cima de um caixote de peixe apodrecido: não morre ninguém por causa disso, mas não é agradável. E porque a noite de Natal é uma noite bonita e feliz, divulgo publicamente a grande conclusão a que chegou o meu irmãozinho: na noite de Natal não há prostituição! Irmãozinho, subscrevo-te inteiramente. No Natal, só há mesmo meninas com lingerie sugestiva e saias encolhidas. Rameiras é que não! pickwick

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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006
Queria um Natal assim...

Isto sim, seria um Natal a sério, com muito entusiasmo, muita alegria e ainda mais alegria... Enfim, fica o suspiro...

 

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publicado por pickwick às 21:39
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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006
Vésperas de Natal

Que é como quem diz: nos dias antecedentes. Tipo, nos dias anteriores ao Natal. Isso. Fui passear à capital, essa bela localidade de mouros frustrados, paredes esborratadas e lixo humano. Um “must” desta cidade é a verdadeira, a única, a inimitável, a extraordinária Feira da Ladra. Fascina-me, pronto. Gosto de ir lá na ânsia de encontrar, por golpe de sorte, mais algum item que possa ficar bem no meu amontoado de itens amontoáveis, que alguns caridosos apelidam de coleccionáveis, como se eu tivesse, de facto, uma colecção. Enfim. A feira estava ligeiramente desfalcada. Os larápios do costume não faltaram ao chamamento, com os seus sacos suspeitos, os olhares por cima do ombro, e nem faltou uma bela rusga policial, como nos filmes. Só foi pena não encontrar nada do que queria. Para a próxima, talvez a sorte bata na minha porta. Ainda tentei ir a uma Feira de Velharias, com mesmo propósito, mas, dada a data, não se realizou, com grande pena minha. A culpa, claro está, é do Natal. Claro que não gosto do Natal. Acontecem sempre coisas estúpidas. Ah, e também fui Ikea. Já andava para lá ir há anos! Nunca calhou. E calhou agora. É um mundo! Fico sempre fascinado com estes centros de vendas, intoxicados por centenas de pessoas que se chocam nos corredores. O que vale é que, no meio de tanta gente, aparecem sempre umas gajas giras e bem postas, para adoçar o olhar. Ao fim de alguns minutos, torna-se enjoativo. É que, para quem vive numa paz de alma com vista para a maior serra de Portugal continental, ver-se embrulhado entre centenas de compradores com ar de ganância e olhares envidraçados, não traz absolutamente nenhum prazer. Mas, algum dia tinha de lá ir, para ver como era, até porque encontrei por lá umas coisinhas bem baratinhas que me faziam alguma falta e que tive mesmo, mesmo, mesmo que comprar, entrando para a lista de clientes desta superfície comercial tão conhecida. Adiante. Por altura do Natal, cometem-se algumas loucuras, como é sabido. Parece que o dinheiro estica misteriosamente até limites impensáveis e compram-se objectos cuja utilidade é mais difícil de imaginar do que relativamente a um pijama com ursinhos e “estrunfes”. Neste caso concreto, aconteceu com o meu paizinho, que resolveu comprar uma nova televisão. Eu já sabia, desde tempos há muito idos, que ele não gostava de televisões de tamanho mediano. Tem que ver com problemas de visão e ah e tal. Ultimamente, que é como quem diz, nos últimos anos, ele andava com um pouco de azar com a televisão lá de casa. Ora dava, ora não dava, ora gozava com o dono, enfim. Pelos vistos, o meu paizinho chateou-se e foi comprar uma televisão para homens. Não medi, mas deve ter mais de um metro de largura! Descomunal. Ocupa quase metade da parede. Um exagero, direi eu. Bom, mas para exagero mesmo, basta o preço. Prestei atenção ao preço delas, na Worten, assim só como que por curiosidade, e fiquei com a sensação que o mundo está mesmo perdido. Por esta altura, a televisão estava em promoção, por obra e graça do Pai Natal que gosta muito dos clientes, sendo o PVP de uns arredondados 1600 euros. Trezentos e vinte contos. Mas, antes da promoção extraordinária, a televisão estava à venda por 1900 euros, que foi quando o meu paizinho se lembrou de a comprar. Ou seja, quase quatrocentos contos! Por uma televisão. Isto não é normal. Com quatrocentos contos eu enchia uma estante com livros, comprava infindáveis peças de lingerie sensual para a minha fã número um, comprava umas calças novas para substituir a ganga coçada que uso hoje, e ainda sobrava dinheiro para mais uns livros e umas velharias sem importância. Quatrocentos contos! Porra! O Natal deixa as pessoas estranhas e sem capacidade para resistir à atracção absurda pelos produtos supérfluos. O Natal também é uma boa época para mostrar o nosso melhor em termos de disparates. Eu comecei bem. Fui ajudar o meu paizinho a mudar de sítio uma bicicleta daquelas estáticas para pedalar enquanto se vê televisão, tão prestável e simpático que eu estava, mas começou logo da melhor maneira, quando bati com um dos pés da bicicleta na esquina de uma parede. Foi só um toquezinho levezinho, devagarinho, como se fosse com uma pena. Só assim de mansinho, com carinho. Mas foi o suficiente para fazer saltar da parede uma lasca de estuque com quase um quilo e mais de um palmo de comprimento, deixando à mostra o cimento que se encontrava escondido debaixo de três centímetros de estuque. Foi um bom começo. Poucos minutos depois, foi a cena das molduras antigas que eram da minha avó. Umas relíquias, portanto. Era só para tirar os pregos de trás, com um alicate, com jeitinho, devagarinho, suavemente. E lá se foi o vidro, com uma rachadela em forma de banana. As molduras que sobraram, eram para ser penduradas algures nas paredes do corredor. Tarefa simples e ao alcance de qualquer mortal. Um preguinho de aço, um martelo, pás, pás, pás, e já está. Já está, lascas de estuque e caírem da parede. O meu paizinho já tinha agastada a célebre frase “não faz mal, ninguém morre por causa disso”, mas, na falta de outra coisa igualmente simpática para dizer, continuou a usá-la. A culpa, obviamente, é do Natal. Esbanjar dinheiro e lascar o estuque das paredes, são tudo efeitos nocivos da época natalícia. Arre! pickwick

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Domingo, 24 de Dezembro de 2006
O Natal na Zara

Um destes dias que passaram, vivi uma experiência memorável, a qual desejo partilhar ao longo destas linhas. Julgo que era uma quarta-feira. Combinei com uma amiga irmos até à cidade mais próxima, meter a conversa em dia, jantar e dar um passeio por um centro comercial. Sim, um centro comercial. Um gajo tem que fazer cedências, a troco da companhia. Pretendia parquear o carro num espaço baldio mesmo em frente ao restaurante chinês, onde iríamos jantar, e onde já estavam parqueados dezenas de carros. Quando cortei para o terreno, o qual alguns bem dispostos cidadãos apelidam de parque de estacionamento, quando surge pela frente um daqueles fulanos com ar de cão rafeiro, magro e mal arranjado, barba por desfazer e cabelo desgrenhado, alto, a esbracejar. Estava a falar com uma gaja qualquer e deixou-a para vir para a frente do meu carro esbracejar. Quem era o fulano? Um arrumador, pois claro. A dar indicações para onde eu poderia encontrar um lugar vago. Ora, há uma série de personagens da nossa sociedade que constituem uma verdadeira lista negra de indivíduos elimináveis. Os arrumadores estão nos primeiros lugares. Naquele mesmo “parque”, há uns dois anos atrás, apanhei pela frente outro arrumador, a querer prestar-se a servir, cuja disponibilidade obteve, como resposta da minha parte, uma tentativa frustrada de atropelamento, para gáudio do meu irmão que se desmanchou em gargalhadas de júbilo. Agora, como então, os nervos incharam e lá se foram as estribeiras. Parei o carro à entrada e fiquei a olhar para o arrumador com aquele ar de quem come criancinhas guisadas ao pequeno-almoço. Ele topou que havia qualquer coisa de errado, mas a droga deixa as pessoas assim, com pouca perspicácia. Aproximou-se da minha janela, a sorrir e a esbracejar. Pronto, passei-me. Prego a fundo, motor a roncar, rodas em rotação rapidíssima, calhaus e lama a saltarem por todo o lado, a amiga ah e tal calma que dás cabo disto tudo, travo mais à frente, mais prego a fundo, mais calhaus pelos ares, mãos crispadas, dentes a ranger, irritação máxima. Detesto arrumadores. Estacionei mais à frente, ah e tal o gajo ainda te vem dar cabo do carro, dizia a amiga. Ah sim?, pensei eu, então deixa-o o vir que depois tenho ali uma coisa na bagageira para ele. Fechei o carro e dirigimo-nos ao restaurante, que ficava, curiosamente, na mesma direcção onde o arrumador estava instalado com uma gaja, provavelmente uma das suas fãs. Não sei o que passou pela cabeça do arrumador, mas lá achou que eu comia mesmo criancinhas guisadas ao pequeno-almoço e jantava arrumadores gratinados. Começou a andar mais a gaja, afastando-se, mas falando alto, bem alto, ah e tal, não te fiz mal nenhum, porque é que ‘tás chateado comigo, e eu a fazer-lhe sinal com a mão para se afastar, como quem afasta uma mosca. Ele foi mantendo a distância, até que desapareceu ao fundo da rua, para nunca mais se ver. Sou mesmo um querido, quando chega o Natal, não sou? Bom, carne de vaca com cogumelos chineses e bambu, pato três sabores, cervejinha, banana frita com gelado, ah e tal, e lá fomos nós para o centro comercial. Queria comprar uma saia, a minha amiga. Está bem, disse-lhe eu. Mais valia ter ficado calado. É Natal e devemos ser simpáticos, mas ir com uma amiga às compras à procura de uma saia, é, tão só e apenas, um infantil erro táctico. Fui arrastado por todo o centro comercial, entrei em praticamente todas as lojas de marcas pomposas com roupa de gaja. Tipo cachorrinho. Valeu-me o consolo de não ser o único gajo a arrastar-se atrás de gajas que queriam comprar roupa. Aliás, o mundo deve estar a mudar, porque a quantidade de gajos a arrastarem-se atrás de gajas que queriam comprar roupa, era escandalosamente grande! Às mãos cheias! Começámos pela Zara. Que só tinha roupa para gajos. Ah, esta é a Zara Man, disse ela, vamos à Zara Woman. Pronto, então. Vamos lá. Visita cultural. Apesar de ser Dezembro e estar um frio de rachar cimento, as empregadas apresentavam-se todas elegantemente vestidas com calças pretas e uma camisa fininha, também preta, com riscas. Esta camisa, das duas uma: ou foi feita propositadamente dois números abaixo das utilizadoras, ou o modelo é mesmo para dar a impressão que é dois números abaixo. Um gajo nunca sabe, porque a moda tem destas e doutras coisas. Ou seja, como todas as empregadas da Zara eram proprietárias de abundantes e erectos seios, todas as camisas aparentavam estar em risco de estoirarem pelos botões, facto que proporcionava uma paisagem deslumbrante para qualquer apreciador da especialidade. Para mais, a Zara não contrata gajas balofas. Algumas menos bonitas, sim, mas balofas é que não. Pelo que, dentro daquela loja, a paisagem era, de facto, deslumbrante. À parte as empregadas e os respectivos peitos volumosos a forçarem os botões, a loja tinha ainda outras coisas para entreter o olho. Nomeadamente, as peças de roupa. Ora, em quase todas as secções havia uma peça de roupa que me fascinou. Tratava-se de uma mini-saia, incrivelmente mini, estonteantemente curta, com cerca de um simples palmo de comprimento. Ah pois é. Um palmo! C’um caraças!, exclamei eu, perante tanto erotismo subjacente. Ah e tal, respondeu a amiga, isso é para usar com calças por baixo. É mesmo?, questionei eu, incrédulo e desapontado. Bem, em princípio, respondeu ela. Nunca se sabe, terminei eu, babando-me interiormente com a imaginação. Tenho que sair mais vezes à rua naquela cidade, para me cruzar com as compradoras daquele tipo de saia. Já na fila para pagar uma camisola (ainda faltava a saia que nos levou ali), detectei um fulano engravatado, de casaquinho, gel no cabelo, metro e oitenta, que também era funcionário da Zara Woman. Carago!, exclamei eu. Gajo de sorte! Prestei mais atenção e apercebi-me que, afinal, não era um gajo de sorte. Não. Era um gajo com toda a sorte que se poderia arranjar e pedir emprestada. O bafejado, sacana sortudo, para além de trabalhar na Zara só para mulheres, rodeado de mulheres e mais mulheres e ainda mais umas quantas gajas e as amigas das gajas, só aqui e além cruzando-se com o namorado de uma cliente, trabalhava na área da experimentação. Esta é aquela área mais reservada, que tem uns cubículos vedados por umas reles cortinas que deixam gigantescas brechas através das quais um olho mais atento encontrará corpos esculturais a experimentarem roupa, despe, veste, despe, veste, vem cá fora, mostra às amigas (ou ao coitado do namorado), volta para dentro, despe, veste, e ah e tal. Quanto é que o gajo pagou ao patrão para trabalhar ali, hum? Não tem problemas de coração? E as que vão comprar roupa sozinhas e depois ficam com o fecho encravado e pedem ajuda? E as que vão comprar roupa sozinhas e não têm mais a quem pedir opinião sobre certa roupa parca de tecido? Enfim, fiquei o resto da noite a roer-me por não ter um emprego daqueles. Lá para a décima segunda loja, a minha amiga encontrou a saia que queria, com um farrapo de seda agarrado como musgo na parte da frente, preta, pelo joelho, da Pepe Jeans London (o esforço que fiz para conseguir memorizar uma marca de roupa que nunca ouvi falar, só para dar conta da mesma aqui neste blog!), que custou a módica quantia de setenta e cinco euros. Quinze contos. Com quinze contos, tentei explicar, eu comprava quase dez pares de calças. Não adiantou, ela gostou mesmo da saia e não vacilou, nem mesmo com o penduricalho de seda à frente, que mais parecia um defeito do que uma obra de arte e cuja utilidade a empregada da loja não conseguiu explicar. Minutos depois, já no Continente, comprou uma outra saia, giríssima (não me fica bem comentar roupa de mulher, mas depois de ver o sortudo do gajo a trabalhar na Zara Woman no meio de mulheres a trocarem de roupa, o mundo tem que mudar), daquelas que dá vontade de meter a mão por baixo, pelo preço de quinze euros. E sem penduricalhos inexplicáveis. Ou seja, pelo preço da outra, compravam-se cinco destas, se não me falham as contas. E acabou o dia. Eu devia sair menos à rua. E sair menos com amigas quando vão pelas ruas fora acometidas por aquela missão universal de comprar roupa. Os fenómenos a que assisto afectam-me negativamente na maneira de ver o mundo, diminuindo a esperança que tenho na humanidade. Sim, a raça humana está perdida. pickwick

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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006
Começou o raio do Feliz Natal

Pronto! Ah e tal, boas festas, boas entradas, Feliz Natal, blá blá blá. Aqui está um dos motivos pelos quais o Natal é tão irritantemente irritante! Qualquer coisinha, então adeus, boas férias, Feliz Natal, boas entradas em 2007, e o caraças. Beijinho, beijinho (esta parte até podia ser agradável, se não tivesse o Feliz Natal), entra com o pé direito, não comas muitos doces, blá blá blá. Hoje ainda perguntei, com ar pasmado, a alguns colegas: Feliz Natal?! Que apressados! É como chegar ao verão e começar a dar os parabéns pelo aniversário a toda a gente, adiantadamente. É foleiro e pronto! Já chegaram no correio alguns postais, até em mão própria, cheios de simpatia e ternura, mas era escusado, ok? E por e-mail? Oh oh! Já começou a vaga do Feliz Natal electrónico! Uma nojeira a invadir a minha caixa de correio electrónico. Por falar nisso, hoje descobri mais uma daquelas que não lembram a Nossa Senhora e muito menos ao Menino Jesus. Eu conto. Outro dia, já lá vão largas semanas, desenhei e pintei um postal de Natal (compromissos e responsabilidades, a quanto me obrigais!) para enviar a todos os sócios de uma associação à qual pertenço, e que bem podia ser uma associação de apreciadores de lingerie e respectivo conteúdo, mas que não é. Trata-se, portanto, de uma obra original. O desenho seguiu em formato electrónico para uma empresa de impressão, que tratou de imprimir os cartões e devolvê-los, para que os pudéssemos expedir para todos os associados, acto que concretizámos no virar do mês. Hoje, recebi por correio electrónico (num e-mail, portanto) os votos de Feliz Natal do dono da empresa de impressão, enviados para uma série de clientes ou amigos ou sei lá. Os votos vinham sobre a forma de uma imagem, tipo postal de Natal, que era, nada mais, nada menos, que o postalinho que eu tinha criado! Fiquei sem palavras! Viva o Natal! E, como esse e-mail, outros surgiram, de empresas que fazem de contas que eu sou o melhor cliente e amigo quando nem sequer as conheço, de amigos, de conhecidos, de misteriosos remetentes, sei lá, qualquer dia também recebo um e-mail do próprio Pai Natal a falar-me sobre as renas e o bacalhau da consoada. Estamos a 20 de Dezembro. Daqui a dois ou três dias estará na hora de desligar o telemóvel, como forma de protesto pela onda imensurável de mensagens com votos e mais votos. Escapariam as mensagens humorísticas sobre o Natal, se não tivessem perdido já a graça. Ontem chegou-me uma, que rezava assim: “Aviso natalício: o Natal este ano foi cancelado. E tudo por tua culpa… Disseram ao Pai Natal que te portaste bem todo o ano… E ele morreu de tanto rir! Feliz Natal!” Eduardo, pá, essa não teve graça, ok? Tenho aqui uma guardada desde o ano passado, que diz assim: “Natal? Sininhos? Anjinhos? Peru? Azevias? Amor? Ganda tanga! A malta quer é sexo e Boas Festas no corpo todo! Festas felizes!” José, pá, não foi má, mas parece uma gracinha dos bosquímanos do deserto do Kalahari. O Rui, no ano passado, também mandou uma mensagem que bateu aos pontos todas as outras: “José martelava, Maria gemia, o burro de pau feito e a vaca mugia… Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Já agora, sai debaixo do burro, porque não pertences ao Presépio.” Bonita, não é? Ainda dentro desta onda, devo dizer que acho extremamente foleiro enviar votos de Feliz Natal e afins assim por grosso. Isto é, pega-se em todos os endereços do telemóvel, e aí vai disto. Pega-se em todos os endereços de e-mail, e aí vai disto. Foleiro. Muito foleiro. São opções de vida, claro, mas escusavam de me entupir o e-mail e a memória do telemóvel, não? Apesar de tudo, apesar de achar o Natal uma nojeira insuperável, uma abundância de hipocrisia transbordante, devo confessar que fico sentido quando, do meio do nada, surge um telefonema simples, de um amigo, a desejar Feliz Natal. É raro, mas tem acontecido. Preferia não receber estes telefonemas, sinceramente. Detesto que me telefonem e detesto o Natal. Mas, no meio de tanto absurdo a propósito e despropósito do Natal, estes singelos telefonemas surgem como uma lufada de ar fresco. Ao ponto que eu parar e pensar se não serei uma versão gulosa e modernaça do Grinch, o tal que roubou o Natal a não sei quem… E as Mãe Natal? Uiii… pickwick

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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006
O Natal incentiva o rímel

Não sabiam? Mas é verdade. Tem tudo que ver com aquela palermice das árvores de Natal e dos penduricalhos nos ramos e nas paredes e nos cortinados, e o azevinho, e as luzinhas, e os bonecos do Pai Natal pendurados nas varandas e as estrelinhas e ah e tal. Tem, tem! Hoje, uma percentagem escandalosamente grande de colegas foram trabalhar com rímel nas ventas. Nomeadamente a Maria (a já famosa da queixada de um certo animal) e a sua companheira de casa, a Carla. Ambas com rímel nas pálpebras. Está bem que hoje havia Ceia de Natal para a comunidade trabalhadora do sítio, à qual eu me baldei descaradamente, mas era escusado passarem o dia inteiro com as pálpebras a fazerem faíscas e a dispararem raios de luz por causa do rímel psicadélico que insistiram em espalhar nas pálpebras. Estou agora aqui a pensar para comigo… o rímel usa-se nas pálpebras? Ou é nas pestanas? Hum… agora fica-me a dúvida. Bom, seja como for, é aquela porcaria psicadélica que as gajas metem nas pálpebras, não se sabe bem para quê, que lhes dá aquele ar ridículo de robô metálico com maminhas e nádegazinhas de silicone barato. Não consigo perceber para que metem estas porcarias na cara. Gaja que é gaja, não usa maquilhagem, e aí é que se vê se realmente é bonita ou não. É que, a bem dizer, ficam tão… como direi… tão… pirosas! Não aprecio. Se um gajo quiser, assim como que de um momento para o outro, lamber lascivamente os olhos a uma fêmea, o que vai lamber? Meio milímetro de pele e uma décima de milímetro de poeira crepuscular? É que, verdade seja dita, no calor da ternura e do erotismo que uma mulher transmite, um homem sente uma vontade irresistível de lamber a pele da mulher. Eu sei que parece muito animal falar assim, mas sabeis bem do que falo. Ora, à excepção dos homens abertos a novos e sintéticos paladares, o homem normal não lambe a pele a uma mulher pela gula de se lambuzar com pastas e poeiras cósmicas. Lambe, porque quer sentir o paladar natural da pele dela. O aroma carnal. Certo? Portanto, Maria e Carla, fazíeis melhor se limpásseis essa poeira toda das pálpebras e aparecêsseis mais naturais e com maior ar de doçura. Além da Maria e da Carla, devo salientar a Dulce. A Dulce, que dia-sim, dia-sim aparece com paletes de maquilhagem a esborratar as feições pouco atraentes, foi trabalhar também com quilos de maquilhagem na cara e, obviamente, quilos de rímel e outros pós psicadélicos. Nada de novo, até aqui. Acontece que, embora tenha sido um dia bastante frio, em especial numa aldeia a meia dúzia de quilómetros de uma encosta da Serra da Estrela, a Dulce foi trabalhar com uma mini-saia! Ah pois é! Ah pois é! Morram de inveja! Está bem que, por baixo, usava umas meias-collans castanhas, baças, mas não deixava de ser uma mini-saia, daquelas largas, que deixam um gajo com epilepsia quando elas se lembram de subir as escadas à nossa frente. Dulce, tu és uma miúda porreira, mas, por favor, em dia de trabalho, não apareças nesses preparos, está bem? Um gajo precisa de concentração para produzir! E, por falar em rímel, outro dia andei a bisbilhotar umas cenas no Google Earth e descobri uma imagem de satélite da minha rua, na qual estavam estacionados o meu carro e o carro do vizinho da porta em frente! Fiquei fascinado! Um gajo fascina-se com pouco: mini-saias, decotes e imagens de satélite do próprio carro. Sim senhor! Com tanta ligeireza de espírito, até admira como é que tenho um emprego, uma casa e um carro! E, por falar em mini-saias, há bocado trocava umas impressões com o Guã, ali no Messenger, quando veio à conversa o jantar. Ah e tal, estou a comer lasanha, disse-lhe eu. Porra, você come muita lasanha, respondeu-me o Guã. Sinal vermelho para a lasanha, está visto. Percebido! Devia optar por uma alimentação mais verde, mais fibrosa, mas entre ontem e hoje ao almoço abati oito chocolates de caramelo. Algo não vai bem, por aqui. Deve ser do frio. Por falar em fibra, já repararam que agora está na moda as gajas usarem uns calções no Inverno? Com collans por baixo, note-se! A parte chata da questão é que, quando usam um casaco comprido, um gajo olha e pensa que ah e tal, olha, lá vai fulana tal com um casaco e uma brutal mini-saia por baixo. Ui, ui, tão bom! E está a ser enganado! Redondamente! Não está bem! Não é leal da parte delas! Este Inverno vai ser amargurado por enganos dispensáveis. Ora bolas. pickwick

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Domingo, 17 de Dezembro de 2006
Tags e ah e tal
River, esta é para ti: consegui meter um tag!!!!!!!!! E é com o nome de código de uma menina! Ui ui! Ainda pensei estrear com um elemento do corpo feminino, mas depois achei que seria muito grosseiro da minha parte começar assim. Espero que ela não fique chateada com este atrevimento, mas achei que, a começar, tinha que começar com nível. pickwick
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Natal, maminhas e outros disparates

Estou a ganhar gosto por esta elaborada técnica de escrever por partes e usar pontos e meter números e ah e tal que até pareço um daqueles engenheiros que ganham 18 mil euros por mês a coçar a micose por baixo da mesa. Adiante.

1. Cantorias de Natal

Afinal, correram menos mal as cantorias de Natal. O povo trepou para cima do palco, perante uma assistência atónita e sob a batuta de um entusiasmado maestro. A plenos pulmões, ah e tal um bom natal e não sei quê. Correu bem. Algumas colegas esconderam-se atrás de mim, sendo que eu já me tinha escondido atrás de outras colegas. Sim, no palco só estavam dois gajos: eu e o fotógrafo da festa. O resto, meus amigos, era um mar de gajas esganiçadas. A Ana, que estava à minha frente, segurava um papel com a letra da música, mas estava a achar tanta graça à cantoria que não parava de saltitar, tornando a leitura da letra da canção uma tarefa impossível. Azar! Ainda íamos na segunda quadra, quando a Isaura - uma colega dos seus cinquenta anos que tem um problema de dicção e fala como se tivesse metade da língua agrafada a um dos beiços – pára de cantar e segura-me o braço: ai, o colega canta muito bem! Teoricamente, isto deveria fazer bem ao ego. Certo? Mas eu não gosto de elogios destes, por vários motivos: a) a elogiadora é balofa e feia, embora muito simpática; b) não se interrompe uma cantoria de Natal para dizer coisas destas, seja a quem for; c) é foleiro tentar elogiar um gajo que canta (ou guincha) com voz de rádio de válvulas avariado.

2. Um toque de mamas

A Maria desenvolveu uma nova técnica de contacto com os seus colegas masculinos. Já não dá palmadinhas no peito dos colegas, mas, antes, encosta os seus peitos aos colegas masculinos. Não queria dizer “esfrega”, para não ser muito brejeiro, mas, na realidade, é o verbo que melhor se adequa à situação. Esta técnica, secular, é usada por um sem-número de mulheres e miúdas, com um objectivo ainda por definir em concreto, sendo que o mais provável é tratar-se de um desarranjo hormonal temporário. Deve fazer algum efeito tipo bomba de encher pneus: por cada encosto, a mama é pressionada e há um fluxo de energia positiva que sobe pelo corpo da mulher até aos miolos, dando-lhe uma sensação de renovação da bateria de hormonas. Sei lá, qualquer coisa assim. Nunca percebi muito bem.

3. Gatos

Afinal, ao que parece, continuo alérgico a gatos. E gatas. Daquelas com pêlos e bigodes, que deixam croquetes em caixas de areia. Esta cena das alergias é uma mariquice que bem que poderia ir passear para outras paragens, não? Chiça!

4. Joana das Tostas

O mistério da foto da Joana das Tostas (nome de código) está cada vez mais misterioso. A menina em causa contactou-me por via oficial, como manda o preceito, espicaçando-me com o anúncio de que a sua foto se encontra no seu blog, embora seja preciso olhar com atenção. Ora, já revirei o blog dela e mais uns quantos que vieram por arrasto e não encontrei nada do que pretendia. Como se isso não bastasse, a Joana dirigiu-se a mim nos termos mais educados, respeitosos e formais que se poderiam encontrar em 2006. Foi muito simpático da parte dela, sim, mas um gajo até sente um arrepio na espinha ao ser tratado assim, por você, com formalidade. Joana, conseguiste intimidar-me. Parabéns!

5. Barba Negra

Ah pois é. Fui ao cinema, em casa. DVD, portanto. À falta de outra porcaria, trouxe a porcaria do “Barba Negra”. Podia dar-me para pior, eu sei, mas fiquei por aqui, com o mais foleiro filme de piratas que podia existir. Piratas que ficam muito chateados mas demoram quase dois meses para tirar a espada da bainha e trespassar o inimigo. Barcos que num segundo têm uma vela içada e no segundo seguinte, noutro ângulo, já têm oito velas içadas. Cenas marítimas em alto mar filmadas numa zona com um metro de água de profundidade. Enfim. Eu devia ter vergonha.

6. Alfa Pendular

É fixe andar de comboio. Especialmente no Alfa Pendular. Há mulheres com camisolas curtinhas que ficam com a pele sedosa toda à mostra, desde o diafragma até à bacia, quando vão mexer nas bagagens lá em cima. Há televisão a bordo! Há comando eléctrico do cortinado. Há hospedeira de bordo com carrinho cheio de comida. Há velhotes desdentados a ressonarem em estéreo. Há estribo para os pés. E tem que haver dinheiro para pagar o balúrdio do bilhete! Sacanas!

7. Tags e outros fenómenos

Este fim-de-semana estive com o meu parceiro deste blog, que me interpelou, pela n-ésima vez, sobre a utilização de “tags” nos meus posts. Ainda não sei bem para que servem os “tags”, embora ele me tenha explicado que é por causa disso que temos tantas visitas no nosso blog e aparecemos em tantos motores de busca. Ora bolas. E eu a pensar que havia gente que lia este blog. Afinal, vêm cá parar por engano, somando nas estatísticas enganosas, dando ao pedal daqui para fora assim que descobrem que foram, eles próprios, enganados pelo motor de busca. Ainda assim, com “tags” ou sem eles, o nosso blog aparece em primeiro lugar no Google quando fazemos uma busca usando as seguintes palavrinhas mágicas: “maminhas cuequinhas Maria”. Estou orgulhoso! pickwick

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publicado por pickwick às 21:56
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