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Segunda-feira, 25 de Setembro de 2006
One night in Coimbra – parte 2
Depois do “Porquinho”, fomos pelas ruas fora em busca de uma tasca para beber o café. Fomos a uma coisa chamada “café com arte”. Atenção, que não é uma tasca chamada “Café com Arte”. É “café com arte”. Porque o que é artístico é escrever com minúsculas. Dá um ar de intelectual, até. Ora, e era mesmo para intelectuais que a tasca estava virada, com uma extensa serventia de chás e tisanas e infusões e chávenas maricas com desenhos de dragões e mulheres de quimono, paletas de cervejas daquelas que faz de conta que são cervejas mas afinal são umas mistelas estrangeiras de fazer vomitar um porco, uma feira do livro usado a 50% de desconto com títulos disparatados e desconhecidos e que certamente não se conseguem vender de tão foleiro que é o conteúdo, e duas empregadas elegantes e boazonas e vestidas de preto sendo que uma delas era meio estrábica e tinha os olhos tão juntinhos que a cana do nariz quase não tinha por onde se enfiar e a outra de certeza que o amante lhe bate com a gaveta da cómoda cada vez que têm sexo. Gajas, ali, não faltavam, todas com um ar de cabecinha-de-teias-de-aranha e umbigo ao léu. Um regalo para o olho, claro. Eu tomei um BOP Moçambique. Tentei o mesmo esquema que para a sobremesa e pedi aconselhamento para o chá. A rapariga fez “hum… errr…” e perguntou se eu queria assim tipo calmante. Às tantas eu devia estar com um ar de bisonte alvoraçado no meio de um prado cheio de vacas suíças. Raio da miúda. Não, é ao contrário, disse-lhe eu. E ela escolheu o BOP Moçambique. Não sei o que é, mas bebi e fiquei na mesma. Ora gaita! Depois da arte do café, desandámos até uma aldeia nos arredores da cidade, onde parámos num barzito paroquial, já a acabarem-se os clientes. Podia ter-nos dado para pior, mas, entre umas minis, uns baldes de aguardente S. Domingos e mais umas bebidas que passaram ao esquecimento, deu-nos para estar para ali a fazer truques com cartas, truques com moedas, truques com cigarros, truques com canetas e por aí fora, como se conseguíssemos enganar alguém com aquelas parvoíces. Eu ainda pedi uma faca para mostrar um truque fixe mas, como pararam todos a olhar para mim com ar de susto, desisti e mostrei só um truque com moedas. Esta malta não aprecia o espectáculo, ora bolas! Bom, lá para as três e tal da madrugada, saímos da tasca. Pensava eu que a noite ficaria por ali, mas o pessoal teimou em ir a outra tasca! Com karaoke! Com muitas mulheres! Com muito fumo! Mal entrámos começou logo a correr bem, com uma loira toda elegante, de ombros bronzeados a arejar por baixo de um top às riscas, a iniciar uma canção qualquer. Foi sol de pouca dura. Até às seis da madrugada, hora em que, finalmente, saímos dali, todas as gajas que foram cantar ao microfone precisavam de uma sessão no talho para lhe tirarem umas generosas lascas de chicha. Mau para a vista. Enfim, mais umas camisolas com as costas despidas e tatuagens sensuais, umas minis, umas músicas, umas feiosas desesperadas, etc. Lá para as cinco e muito, apareceu a Ju, namorada do Tóti. Sentou-se ao meu lado, tirou a camisola e ficou com umas alcinhas pretas a favorecer a visibilidade para um peito abundante. O Tóti estava chateado e deu-lhe uma descompostura por ela ter ido para uma despedida de solteira e só ter regressado àquela hora. O amor é tão lindo, não é? Depois de uma noite mal dormida, almocei em casa do Nekas e fomos à tasca esperar pela Zu, uma miúda de vinte e um anos, com quem ele ia à tarde para uma reunião algures. Eu não conhecia a Zu mas avisei-o que se aproximava uma miúda da tasca. Tem umas mamas enormes?, perguntou o Nekas. Tinha. Então é ela, ripostou todo sabichão. Enormes, não. Descomunais! Chegou à nossa mesa, meio atrasada, ainda a acabar de se arranjar. Faltava-lhe um elástico para o cabelo. Procurou em cima da mesa, nos bolsos da saia e na carteira. Numa derradeira tentativa, procurou também nos bolsos da camisa. Quer-se dizer, na prática, abriu as mãos e apalpou aqueles peitos do tamanho da Lua, ostensivamente, alarvemente, ali, à nossa frente, à minha frente. Quase que se ouvia um “chloc chloc” daquela massa gigante de chicha fibrosa a sucumbir ao movimento vigoroso das mãos. Era o sinal que me faltava, para compreender que aquele não era o meu ministério, que aqueles ambientes, aquelas companhias, aquelas vistas, me eram prejudiciais, e que urgia fugir dali para fora rapidamente, não fosse aparecer uma amiga dela que também viesse com um esquecimento de qualquer coisa e se metesse ali a revistar os bolsinhos das cuequinhas rendadas… Deus meu, quando queres, és mesmo mau para mim! Porque me atiras para a frente dos olhos strippers loiras, mulheres com tatuagens nas costas nuas, cantoras gordas, ombros ao léu e seios XXXXXL? Porquê? pickwick
publicado por riverfl0w às 00:02
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Domingo, 24 de Setembro de 2006
One night in Coimbra – parte 1
Fui a Coimbra só para tratar de umas coisas com o Nekas e meter a conversa em dia, mas um convite para jantar leitão atirou-me para uma noitada daquelas. Fomos ao “Porquinhos”, eu, o Nekas, o Tóti, um amigo deles chamado Vitó que fica muito bonacheirão depois de beber uns copos, e um casal amigo do Nekas. O “Porquinhos” é um restaurante “in”, com arquitectura moderna, decoração a condizer, banda de música ao vivo, escadinhas, vidraças e tal. Nada do meu género, que sou mais de escolher a tasca pelo tamanho do bife, mas pronto, quem vai de arrasto, sujeita-se. A única mesa ocupada, quando entrámos, estava repleta de loiras lindas de morrer e boas de chorar por mais. Fomos rapidamente informados que se tratavam das mocinhas do “Passerelle”. Ora, eu, na minha tamanha ingenuidade, espreitei descaradamente da nossa mesa para a mesa delas, constatando que sim, elas tinham aspecto de quem anda em cima da passerelle… Só que, era outro tipo de passerelle, daquelas onde as gajas se roçam pelo chão e num varão de ferro, tiram a roupa, alimentando-se de bafos brejeiros de gajos desdentados que se babam a cada golpe de anca nua. Ou seja, estávamos a jantar a poucos metros de uma mesa cheia de strippers. Achei fantástico! Nunca tal me tinha acontecido. Entretanto, enquanto o leitão não vinha, foram-se abrindo garrafas de champanhe e vinho tinto. Pela porta do restaurante foram entrando centenas de clientes. De destacar um grupo enorme com t-shirts todas iguais: um jantar convívio de funcionários da “Herbalife”. Ah pois é. Esconderam-se lá atrás, num salão qualquer misterioso, montes deles e delas, todos vestidos de igual. À minha mesa comentava-se o motivo de tal encontro ser feito às escondidas. É que, segundo se consta, aquela malta dos produtos naturais vendem montanhas de coisas saudáveis e impingem montanhas de teorias e fazem montanhas de dinheiro, mas, quando chega a hora de comer, são todos uns alarves e não se contentam com nada menor que costeletas de palmo e meio por três centímetros de espessura! Mais tarde, quando saímos, é que me apercebi do dinheiro que estas tangas da natureza fazem. Lá fora, no estacionamento, havia uma frota de carros com “Herbalife” gravado em letras gigantes. O primeiro que avistei era um Audi A6, e mais não digo. De volta ao jantar, a sala principal encheu-se com mais umas centenas de clientes, numa presumível festa cuja origem não conseguimos apurar. As mulheres jovens e jeitosas presentes, em pouco tempo foram alimento para grandes divagações. O Tóti, todo chateado, reclamava com as mulheres que se arranjavam para sair e que demoravam horas para escolher cinco sapatos, dos quais seriam escolhidos dos, que por sua vez dariam para mais umas horas de indecisão, e tudo isto para quê? A cara de indignação do Tóti ficar-me-á gravada para sempre na memória! Para quê? Para as estúpidas andarem por aí com os sapatos debaixo da mesa e ninguém os ver! O Tóti domina! O Vitó tinha outra teoria: as gajas vêm a estes jantares, comem um naco minúsculo de comida, levantam-se da mesa e passam o resto do jantar a circular de pé, por entre as restantes mesas, a exibirem-se para eles e para elas, a mostrar a roupa nova, a maquilhagem refinada, o penteado inovador, para lá e para cá, vai e vem, ah e tal, que se comessem mais um naquinho iam inchar tanto que pareceriam porcas para abate no matadouro. Ele tem a sua razão, tenho que concordar. Olhando bem, havia duas que insistiam nessa atitude. Aliás, ninguém se lembra de as ter visto sentadas! E vestiam de igual, apenas de cor diferente. Igual? Sim, igual e muito provocante! Usavam daquelas camisolas que caem do ombro abaixo, assim teimosamente, para que fique a pele toda à mostra, provocando nos homens um inevitável desejo que no ombro oposto aconteça a mesma coisa e a roupa vá por ali abaixo até ao umbigo, deixando à mostra um peito perfeito e irresistível. Realmente, esse desejo existe, posso confirmar. Elas depois inclinam-se para a frente, naquela mesa e na outra, para conversarem com as amigas e os amigos, fazendo cada vez mais possível o desejo de todos. Enfim. Já disse que o leitão foi acompanhado com champanhe? Devo estar a subir na vida, só pode. Por falar em subir na vida, recordo-me de outro tipo de camisolas que parece estar na moda. São daquelas que parecem muito normais, mas deixam as costas todas a nu, rematadas com uma tatuagem sexy pouco acima da cintura, obrigando magicamente os homens a colarem-se na tatuagem, com um fio de baba a escorrer pelo canto da boca. Ora, porque é que estas mulheres usam este tipo de roupa? É muito simples. São as desmamalhudas. E o que é uma desmamalhuda? Uma desmamalhuda é uma mulher que foi bafejada pelo azar ou pela crise no momento em que Deus distribuiu as maminhas na Terra. Portanto, ou incha com silicone, ou desvia habilmente as atenções para a parte oposta do corpo. Espertinhas, hem? Ah, e tenho uma reclamação a fazer! Não vi uma única mulher com mini-saia! Mas que é isto? Algum pacto com o diabo? Estão todas parvas? Saem à noite de calças! Sacanas!... Adiante. Depois do leitão, veio a sobremesa. A mocinha que nos atendeu, brasileira, distribuiu a carta das sobremesas. Eu, já folgado da timidez graças ao efeito hilariante do champanhe, procurei a sobremesa cuja descrição ocupasse mais espaço no papel. Eram umas bolachas com não-sei-o-quê, com frutos secos e mais não-sei-que-mais, bem, na essência, ocupava duas linhas de texto, pelo que me vi forçado a pedir uma coisa daquelas. Não há, disse a mocinha. Rápido como um foguete, procurei a sobremesa com descrição de tamanho imediatamente a seguir. Também já não havia. Fiz um ar de desespero, como se me fossem atirar com o carro para as águas profundas do Mondego. A mocinha, simpática, gira mas com uma dentuça sobredimensionada, sugeriu-me os gelados alcoólicos. E eu pensei cá para comigo: gelados alcoólicos? Parece-me bem. Armado em gingão, olhei-a assim à mete-nojo como se lhe fosse sugerir que fosse ela a minha sobremesa, e perguntei-lhe: que me aconselhas? Ela fez um “hum… errr…”, apontou para a carta e zás: gelado de tangerina com aguardente velha! Fiquei desorientado, como se ela de repente me tivesse tirado a roupa toda, acenei que sim e fiquei a matutar o que raio é um gelado de tangerina com aguardente velha. Passados poucos minutos fiquei a saber! É de comer e chorar por mais! E mais! E mais ainda! Servido numa taça cónica de vidro, com pezinho de flamingo. Delicioso até mais não. Os companheiros de mesa escolheram sobremesas civilizadas, mas todas servidas com pipis e cocós e folhinhas de hortelã, em pratos do tamanho de antenas parabólicas, com lascas de não-sei-o-quê, e um estúpido fio de chocolate a fazer um desenho artístico no enorme prato branco. Num dos pratos, imagine-se, o cozinheiro borrifou pó de bolacha Maria por cima de um garfo, que depois de retirado deixou a respectiva marca e o resto do pó em redor, uma cena muito artística mas de utilidade nula. Só se o pessoal fosse de agarrar no prato com as mãos e lambê-lo todo. Não foi o caso. Mas era compreensível! Um gajo que paga mais de três euros por uma sobremesa, tem direito a lamber tudo até ficar a brilhar o fundo do prato, e ainda devia merecer uma sensual lambidela da empregada na orelha cheia de cera. pickwick
publicado por riverfl0w às 23:24
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Sábado, 23 de Setembro de 2006
As Marias, a Ana e as Sagres
Começo por confessar que acabei o dia de sexta-feira numa onda totalmente Yunga. Conhecem? Eu também não, acabei de inventar. A onda “Yunga” vem do português clássico “chunga”, que, desmistificando, tem que ver com aquela necessidade rudimentar que um homem sente quando chega a casa, no final de uma semana de trabalho, e lhe apetece comer carne crua e beber muitas cervejas geladas. Yunga! Anotem! Vinha no carro, a caminho de casa, quando fui atacado pela onda Yunga. Parei no Pingo Doce e fui abastecer-me convenientemente, com febras de porco e um pack de Sagres. Costuma ser de Super-Bock, mas os plásticos e ah e tal, e foi mesmo Sagres. Misturado com febras apimentadas, até podia ser gasóleo agrícola, que eu não dava pela diferença. Enfim. Já marcharam todas, entretanto. Cheguei à caixa e encontrei a Ana Ferreira, assistente de caixa. Ora, eu gosto de reparar nos nomes das mocinhas, para imaginar como seria num ambiente mais informal e caseiro… eu chegava à caixa, olá Ana, olha, mete-me aí mais umas pastilhas para o mau hálito e uns cotonetes, está bem? Sim, docinho – respondia ela -, e uns emplastros para os costados, precisas? Não – dizia-lhe eu -, vou só ali buscar uma margarina e volto já. Era lindo, não era? Como num sonho. Bom, quanto à Ana Ferreira, nem sei que vos diga. Enquanto ela atendia o cliente à frente, eu pasmava-me. Olhava para o nome na placa, para as mãos, para os braços, para os pulsos, para o cabelo, para a cara, para o tamanho dela, para o peito, para as ancas, e, só quanto ela ditou o total da conta ao cliente, é que me consciencializei que era, de facto, uma gaja! Uma gaja-gajo! Não é uma Maria-rapaz! É mesmo uma gaja-gajo! Sem tetas! Sem ar de gaja! Aliás, com ar típico de gajo-que-joga-à-bola-e-cospe-para-o-chão. Não sei que dizer. Tem voz de gaja, mas o resto é gajo da cabeça dos pés, pelo que é dado a ver por cima da roupa de serviço. Para esquecer! Adiante. Quanto às Marias, bem, que tenho eu a dizer? Num post anterior falei de um suposto fenómeno sociológico com referências históricas, relativamente às Marias-de-não-sei-o-quê. Falo daquelas que querem apenas ser conhecidas como Maria, em vez de Maria-de-não-sei-o-quê ou apenas não-sei-o-quê. Hoje mesmo, confirmei isso com duas raparigas, uma com doze anos e outra com quinze. À de doze, a Maria Isabel, perguntei: queres que te chame Maria Isabel, Maria ou Isabel. Maria, disse ela. À de quinze, que tem um ar de sonsinha-mas-ai-que-sou-endiabrada, perguntei: queres que te chame Maria de Fátima, Maria ou Fátima. Maria, disse ela. É preciso mais? Claro que não! Maria está na moda e o resto é piroso, como as cuecas verde-fluorescente. Portanto, actuais e futuras mães, deixem-se de parvoíces e antiguidades. Gaja que é gaja, ou se chama Maria e pronto, ou chama-se outra coisa qualquer. Escusam de perder tempo com aquelas mariquices das vossas avós, de ah e tal, Maria da Natividade, Maria do Coito, Maria da Caganita e outras barbaridades que tais. “In” é a vossa filha chamar-se Maria Santos ou Maria Bonifácio. Maria de Mendonça também fica bem, parece sangue azul e “onça” faz lembrar pilhas de ouro, a brilhar, especialmente com aquele “de” pelo meio! Já agora, por falar na Maria de Mendonça, devo dizer que esta mocinha, de apenas doze anos, tem uns olhos azuis de morrer, um cabelo aloirado e farfalhudo, é giríssima, simpática, muito inteligente, mas tem um defeito, como todas as gajas inteligentes: desata-se a rir, descontroladamente, quase que a babar-se, de cada vez que fica sentada ao lado de um colega brutamontes com uma camisa de cavas e a cheirar a cavalo cansado e com a dentuça suja toda de fora. Maria, vê lá se acordas, está bem? Um gajo desses não descansa enquanto não te enfiar com uma chapada nas ventas por chegares atrasada com os chinelos e cervejola aberta. pickwick
publicado por riverfl0w às 01:23
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006
Os Caçadores de Bolonha
Não tenho bem a certeza, se o são, mas, sejam ou não, o nome fica a matar, digo eu. Se não os há, devia haver! Isto tem que ver, naturalmente, com aquela coisa bonita que circula há já algum tempo nas bocas do povo: o Processo de Bolonha. Não percebi muito bem o que é, mas fiquei com a ligeira impressão que se pretendia dar caça a qualquer coisa. Pode ser apenas um conjunto de bonitas intenções, engendradas por uma trupe de letrados embriagados, tal como muita coisa que vem ao mundo, mas não consigo evitar sonhar que seja mesmo uma caça ao disparate. Finalmente! E dar caça a quem? Ora, aí está a questão. Se calhar, descrevendo uma situação caricata, é mais fácil de perceber quem precisa de ser caçado. Imagine-se uma moderníssima escola A onde vai abrir um fantástico curso B, coordenado por um iluminado professor C. Ora, este professor C, mais a sua comissão instaladora, decide estruturar o curso B, recheando-o de cadeiras sonantes, por certo dignificantes para o curso em causa. Para a cadeira D, cujo nome não é de todo descabido, o professor C fuça no espectro de licenciados, mestrados e doutorados, que possam estar disponíveis para assumir a cadeira D, sendo que, quanto melhor e mais cotado for, melhor para o curso. Finalmente, surge o professor E, doutorado e mestrado e licenciado na área F. Diz-lhe o professor C: olha, prepara aí os conteúdos para a cadeira D. O doutor E, que passou centenas de horas mergulhado nas inutilidades das suas especializações e graduações na área F, pensa como há-de adequar esses fantásticos conhecimentos adquiridos, para fazer os conteúdos da cadeira D. Não que sejam necessários, não que façam sentido, não que sejam de utilidade para os alunos do curso B, não que o grau de exigência destes conhecimentos seja adequado ao perfil profissional dos alunos no final do curso. É que, basicamente, o doutor E tem mesmo que mostrar que é um gajo sabidão, licenciado e mestrado e doutorado, e, para isso, nada melhor que introduzir numa cadeira coisas estranhíssimas, tremendamente complexas, inúteis, absurdas, derrete-miolos, não vão o professor C e a sua comissão instaladora pensar que vão pagar rios de dinheiro a um licenciado e mestrado e doutorado para ensinar a calcular percentagens ou a usar o Powerpoint. Não pode ser. Um licenciado e mestrado e doutorado tem que ensinar coisas do arco-da-velha! Tem que moer a cabeça aos alunos, mesmo sabendo que isso não lhes traz mais-valia nenhuma a nível profissional nem a qualquer outro nível. É, à boa maneira portuguesa de novo-riquismo pindérico, uma questão de status intelectual. Os alunos, desgraçados, queimam X pestanas, esbanjam Y horas, chegam a investir Z euros em livros caríssimos e até em explicadores. Aliás, é tudo uma questão de cultura, isto de esbanjar recursos e energias. A cultura do patrão rico, esbanjador, pomposo e irremediavelmente pindérico. Saloio, como diria alguém. Esta estratégia de gerar conteúdos estende-se a todos os graus de ensino. Imagine-se, um rapaz que não prosseguiu estudos numa escola normal, enveredou por uma escola profissional para tirar um curso de cozinheiro que o lançaria na vida activa com uma belíssima ferramenta, com o curso pendurado por causa de? Ah pois é! Um módulo de matemática com matéria do 12º ano! Faz sentido? Claro que não! Imagine-se, uma criancinha com 11 anos, matriculada no 7º ano, ter um leque de 16 disciplinas! Faz sentido? Claro que não! Imagine-se, uma jovem de 17 anos, no 12º ano, candidata a um curso de enfermagem, matar-se para saber derivar logaritmos. Faz sentido? Claro que não! Não faz sentido, mas existe e propaga-se como os coelhos. Oxalá houvesse caçadores para acabar com esta praga que dura há tanto tempo. Que chatos do caraças! pickwick
publicado por riverfl0w às 22:07
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006
Os gajos que ficam chateados
Há por aí, por esse mundo maravilhoso da Internet, os quantos vídeos mostrando uns gajos muitíssimo exaltados, perdendo as estribeiras e desatando ao soco e ao pontapé a um qualquer pedaço de tecnologia. Ele é o gajo que se chateia com o computador do trabalho, ele é o puto que se chateia com a playstation, enfim. Acabei de descobrir que também sou desses, embora me fique pela fase do esbracejar e vomitar carvalhadas e fazer cara de mauzão e espumar pelas beiças e cerrar os punhos e ameaçar uns sopapos. Ultimamente, o meu computador tem andado a testar-me. Já não basta o Internet Explorer passar-se com qualquer coisinha e ah e tal lamentamos mas ocorreu um erro e o programa vai ter que encerrar. Já não basta o Microsoft Word lembrar-se de estoirar também e ah e tal vai encerrar e recomeçar e recuperar os documentos e o raio que o parta. Não. Esta estúpida desta máquina, desde há uns largos meses que se lembra de, por obra e graça do espírito santo, reiniciar-se sozinha. Grande vaca! É que não há paciência para tanto! Um gajo está a trabalhar e esta **** do ******* apaga-se e ah e tal para proteger o computador vai reiniciar-se e mais não sei quantos. E respeito? Já não há? O monitor, coitado, não tem culpa, mas volta e meia vê-se aqui no meio de um turbilhão de impropérios e facadas, escapando por muito pouco a ser atirado pela janela fora. E a máquina, idem, a sacana! Ora, depois há a máquina fotográfica digital, cuja prestação em dias bons alivia-me o peso na consciência pela ribeira de notas que dei por ela, mas tem dias em que… bem… geralmente em momentos únicos, lembra-se de bloquear, e pronto, fica ali, feita estúpida, com o canhão da objectiva a meio caminho entre o fechada e o aberta. Era directa para o chão é que ela ia bem, a ver se também achava muita gracinha. A minha sorte, diga-se, é não ser um tarado por equipamentos de alta tecnologia, como a maioria da população é. Dispenso! Realmente, isso poupa-me muitas chatices. Não tenho máquina de lavar loiça, não tenho micro-ondas, não tenho televisão, não tenho leitor de CD portátil, não tenho leitor de MP3, não tenho uma daquelas cenas pirosas de home-vídeo, ou lá o que é, não tenho impressora multi-funções, não tenho massajador para os pés, não tenho vibrador (vantagens de se ser homem), não tenho jacuzzi na banheira, não tenho aquecimento central e só tenho um telemóvel a funcionar. O carro tem vidros eléctricos e ar condicionado, portanto, mais dia menos dia um deles vai deixar de funcionar, mais provavelmente os vidros, que é para eu ficar com o carro na rua de vidro aberto, para os ladrões poderem entrar. Este verão fiquei com uma porta na mão, mas vá, não conta para a tecnologia. Ora, a vida até não corria muito mal. Por isso, só tenho uma pergunta a fazer a mim próprio: meu estúpido, para que foste tu comprar uma porcaria de uma bicicleta? Aquilo já me parecia sofisticado a mais. Tinha que dar raia. E deu. As estúpidas das mudanças estão avariadas. Acabei de vir da garagem, depois de duas horas de chave de fenda nas mãos e a dar ao pedal com o braço. Ficou na mesma. A corrente salta de uma roda dentada para outra, como se fosse pipocas na panela. Quando me fartei, olhei para a estúpida (foi despromovida de Berga para estúpida) e pensei seriamente se a deveria levar para o meio da rua e passar-lhe com o carro por cima, para ver se achava gracinha. Mas, pronto, depois de um bocadinho de Zen (inspira, expira, relaxa, inspira, expira, relaxa…), optei por fazer uma última tentativa, levando-a um dia destes a um dos mecânicos de bicicletas cá da terra. Talvez amanhã. Ou além, quando me passarem os nervos. Ainda está ali, por instalar, o computadorzinho de bordo que comprei à parte, para instalar e medir aquelas coisas super importantes de um passeio de bicicleta, como sejam a distância percorrida e a velocidade média e o ácido úrico, por exemplo. Não sei se o instale. O mais certo é medir uma velocidade de 220 km/h quando eu for a subir uma ribanceira a passo de caracol. Certo é que, a meio de qualquer trajecto mais esburacado, aquilo comece a fazer “tilt” e caia a tecla de controlo e meia dúzia de letras e dois parafusos. Se o vier a instalar, eventualmente, e alguma desgraçazinha se abater sobre aquele poço de tecnologia miniaturizada, já se sabe como vai ser o tratamento: deixo cai-lo discretamente no chão, assobio com discrição e passo-lhe com as duas rodas por cima. Cinco vezes, para não acontecer como no “Exterminador”, em que o mauzão tecnológico é atropelado e levanta-se logo a seguir para azucrinar o juízo do bonzão. Não quero cá um computador de bordo maricas, todo feito em fanicos, aos saltinhos no asfalto e a miar numa voz feminina e em brasileiro “à sua velocidadji é dji duzentuz quilómitruz por hora”. pickwick
publicado por riverfl0w às 22:07
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Terça-feira, 19 de Setembro de 2006
Berga
Depois da jantarada na barraca do Juca Bala, para a qual me olvidei de convidar o meu parceiro de blogue e que por isso mereci uma reprimenda redigida, faltavam cerca de quinze minutos para as onze da noite, hora de fecho da superfície comercial da SportZone, na cidade. Em velocidade gama-fashion, atirámo-nos para a dita, entrando na loja uns minutos antes de fechar. Posso dizer, desde já, que fomos corridos de lá para fora por um segurança com 1,90m, para que os funcionários pudessem encerrar o espaço e irem, eles próprios, para a borga. Mas, valeu a pena. O JN domina estas cenas e aconselhou-me uma bicicleta de montanha Berg, modelo não sei quantos, pela módica quantia de duzentos e dezanove euros. Quarenta e quatro contos, contas redondas. O dinheiro dava para pagar uma jantarada de luxo com os amigos, com stripper incluída e marisco à descrição. Mas, o desporto vem primeiro que a luxúria. É, ou não é? Claro que não é. Mesmo assim, ficou combinado levar a máquina. No dia seguinte, pouco depois de abrir a loja, apareci com o Multibanco em punho, pronto para desembolsar a fortuna. Fui atendido por uma mocinha pouco favorecida de rosto, mais ou menos de corpo, pouco sorridente, mas muito prestável. Mais um bocado e não conseguia desencravar a minha escolha do meio das outras dezenas de bicicletas que estavam em exposição. Parecia que nunca tinha pegado numa bicicleta. Mas, pronto, lá se arranjou maneira de a tirar. Entretanto, veio um fulano, com barba por fazer e ar de quem anda a comer a rapariga nos bastidores da loja, lembrando que estava ali para fazer as afinações finais antes de entregar a máquina ao cliente, pelo que deitou mãos à obra, enquanto a rapariga me sugava o precioso dinheiro. A bicicleta veio na bagageira até aqui, quase à beira da serra. Foi ontem. Hoje, não resisti. Quando cheguei a casa, depois de responder aos milhares de e-mails das minhas fãs histéricas e beber uma caneca de água da fonte, fui à garagem, de calções pirosos e t-shirt de ir à horta, tirei a menina (doravante denominada Berga), montei-me e nunca mais ninguém me viu. Claro, regressei já era de noite, daí que não me viram chegar. Bem, dei uma voltinha de cerca de 63 minutos pelos arredores aqui da merdaleja, experimentando as facetas todas da Berga. Isto é: pinhal, alcatrão, subidas, descidas, auto-estrada, gravilha e areia. Não experimentei a parte da água, porque a Berga não cabe na minha banheira, embora não seja gorda, antes pelo contrário. Não cabe e pronto. Adiante. Confesso que fiquei decepcionado. Eu já temia que aquilo não corresse muito bem, mas não pensei que corresse tão mal. Em estrada plana de alcatrão, é muito fixe, e ah e tal, na mudança mais pesada, acho que dei aí uns 93 km/h na recta das bombas de gasolina. Numa descida, penso que cheguei aos 147 km/h, mais coisa menos coisa. Ainda não instalei o conta-quilómetros digital, mas não devo ter falhado por muito, a avaliar pelo vento na cara. Quanto às mudanças, aqueles carretos todos, mais a corrente e aqueles manípulos todos abichanados, não funcionam! Raios partam o barbuças que disse que afinou a Berga. Devia perceber tanto de bicicletas como eu de reprodução de minhocas. Supostamente aquilo tem 3x7=21 mudanças diferentes. Mas, uma das três, não funciona. Duas das sete, passam a vida saltar automaticamente de uma para a outra, quando pedalo do lado esquerdo a corrente passa no carreto quatro, quando mudo para o lado direito a corrente salta para o carreto cinco. A roda da frente faz um subtil “nhac nhac”, a roda pedaleira faz “chic chic” e os carretos lá de trás passam a vida a fazer “shhh nhic shhh nhic”. Ah, e dói-me o osso do rabo! Ainda não inventaram selins com suspensão assistida, porquê? Nos primeiros quilómetros, quando pedalava com mais força, a roda pedaleira patinava em falso, embora isso pareça ter desaparecido. O tabelier não tem luz! Cheguei a casa já de noite e não conseguia ver em que mudança ia! Não podiam ter metido o raio de uns pêlos púbicos fluorescentes nos números das mudanças? E não tem espelho retrovisor nem piloto automático! É uma chatice, um gajo tem que se virar para trás para ver se vai ser atropelado por alguém e a Berga começa a desviar-se para o meio da estrada. Ao menos um cordãozinho, para prender a direcção enquanto eu olho para trás, ora gaita! A cena das mudanças é que me parte todo. Aquela das três, a que permite engatar uma mudança em que um gajo pedala com afinco durante meia hora e a bicicleta anda vinte centímetros, faz muita falta aqui nalgumas subidas. Por causa disso, fiquei com os músculos todos inchados de tanto pedalar encosta acima, sem parar, armado em macho-man, em Joaquim Agostinho da Ladeira. Quando cheguei a casa, subi as escadas do meu prédio como se ainda fosse sentado na bicicleta, com as pernas flectidas, a balouçar de um lado para o outro, os braços a segurar não sei o quê… Parecia um macaco daqueles que aparecem no circo a pedalar uma bicicleta. Ainda bem que não me cruzei com nenhum vizinho. Numa de analogias, isto da Berga é como se me tivesse casado de repente com uma gaja que não sabe cozinhar, não sabe passar a ferro, não sabe buscar pantufas e pensa que Kamasutra é um novo sabor das águas “Pedras”. Berga, não é assim que vamos cumprir aquele compromisso de irmos daqui até Aveiro e voltar. Berga, minha querida, vou ter de me chatear contigo, não é? E escusas de fazer olhinhos com essa maquilhagem à Ana Malhoa, esse quadro metade preto e metade azul, essa suspensão dianteira como se fosse o par de maminhas da Pamela Anderson! Ou te pões afinada, ou vais ter que levar com a chave de parafusos onde mais dói! pickwick
publicado por riverfl0w às 00:07
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006
Juca Bala, o Bandidão
Não existe! Para os que o viram, não tem explicação! Passo a desenvolver. No sábado à noite, juntei-me com dois amigos para irmos comer um “rodízio à brasileira”. Estávamos em Aveiro, essa bela localidade, e o JN (nome de código) conhecia o sítio perfeito para nos empanturrarmos à patrão. Assim foi, pelo que rumámos até aos arredores, ali para os lados da Gafanha da Nazaré, Ílhavo, etc., numa rotunda belíssima que antigamente era um cruzamento singelo onde, em tempos idos, eu passava todos os dias para ir trabalhar. A casa estava cheia. O nome: “Estrela do Sul”. Há uma constelação chamada “Cruzeiro do Sul” e esta estrela deve ter que ver com ela, servindo como orientação para aventureiros, embora os brasileiros sejam bem desorientados em relação a muitas matérias do foro moral. Eu não deveria ter lá ido jantar, uma vez que ainda não tinha conseguido fazer a digestão da pizza do almoço, uma New York Deluxe nº3 tamanho familiar. Já essa pizza custou a comer, porque ainda não tinha feito a digestão da cervejola gelada que bebi a meio da madrugada. Esta, por sua vez, não caiu muito bem, porque ainda não tinha conseguido processar aquela tripa de ovos moles que serviu de sobremesa no jantar da véspera. Pior ainda, a digestão do jantar da véspera, uma espectacular espetada de lombo de porco com gambas no “Mercantel”, tinha levado uma eternidade. De volta ao restaurante. No tapete de entrada, em letras bem gordas, lia-se “Juca Bala, o Bandidão“. Para quem não conhece as casas onde servem “rodízios à brasileira”, dos verdadeiros (no Algarve são falsificados e parecem os restos do restaurante do lado), eu passo a descrever: pagam-se X euros e vêm umas entradas, depois arroz, farinha de mandioca, feijão preto, batatas fritas, bananas fritas, montes de coisas desconhecidas todas fritas, uma cena parecida com gaspacho, depois vem um fulano com uma espetada de salsichas frescas, depois vem outro com outra espetada de não sei o quê com carne, e depois outro, e mais outro, e passamos o resto da refeição com um vaivém de gajos com espetadas enormes de carne suculenta, armados com um facalhão de matar rinocerontes para lascar a carne, até começarmos a deitar pedacinhos de carne pelas orelhas e pelos olhos e por todos os poros, e começamos a dizer que não queremos mais, mas os gajos ficam todos ofendidos por não queremos mais, mas temos medo de dizer que não queremos mais porque estão ali ao nosso lado de facalhão na mão, e sentimos o esófago atulhado de carne, com medo de tossirmos e saltar-nos um boi pela boca. Vale a pena! Bom, voltando ao “Estrela do Sul”, a decoração não tem nada de brasileiro. Pelo menos, não pareceu. Eram cenas tipo Argentina, umas bolas para apanhar vacas, um corno para tocar o fado, uns espetos de metal com metro e meio, um laço, e por aí fora. Os empregados falavam brasileiro. Pareciam brasileiros, mas hoje em dia tudo deve ser posto em causa, tamanha é paranóia pela pronúncia do Brasil. Trajavam com umas roupas que não pareciam nada brasileiras, mas sim Argentinas, mas que ficavam muito bem nas empregadas que por sua vez ficavam muito giras, embora fossem um bocadinho feias, coitadas. Mas riam-se com frequência, o que é bom. Música ambiente latina, meio argentina, meio brasileira, meio não se ouvia. Parecia um circo, sinceramente! Só faltavam vacas a circular e a mugir e a largarem poios entre as mesas, aos pés dos clientes, para dar mais ambiente. Mas, a paródia maior era o próprio patrão: o mítico Juca Bala! Este personagem andava trajado a rigor! Calças à gaúcho, chapéu preto de abas largas, cinturão de pele de vaca com 12 cm de largura e… uma pistola. Ah pois é! Não era bem uma pistola, mas sim um revólver, tipo aqueles modelos da Taurus com munições magnum, de cor preta. Ora, o Juca andava pelas mesas, como os comuns e mortais empregados, de espetada numa mão e facalhão na outra, a distribuir lascas de picanha suculenta. Era o único de chapéu. Era o único que parava numa mesa qualquer e desatava a cantar qualquer coisa que ninguém compreendia, provavelmente em brasileiro, talvez uma história de amor ou de como sodomizou uma vaca no prado quando era jovem. Aliás, quer cantasse, quer cumprimentasse ou descrevesse de que parte do boi vinha aquele pedaço de carne, ninguém o entendia. Mas, verdade seja dita, ninguém se atrevia a dizer-lhe isso na cara. Nunca! Não se diz uma coisa dessas a um gajo que gosta de se intitular Juca Bala, que é careca e usa chapéu preto, que passa a vida a lascar picanha com um facalhão de 40 cm, e que usa um revólver à cintura enquanto serve os clientes. Por falar em usar o revólver, tenha-se em conta que o Juca Bala, fazendo jus ao nome, dá, de facto, uso à arma! Quando lhe dá na telha, o que acontece de cinco em cinco minutos, puxa do canhão e “bang bang”. Normalmente aponta directamente aos clientes. Crianças incluídas! Bom, os tiros é mais do estilo “paf paf”, mas isso agora são pormenores insignificantes. O certo é que as cenas são uma paródia! Por exemplo, se pára numa mesa para cantar, apanha os clientes distraídos a tentarem perceber a letra da música, a tentarem olhar para o tecto para onde o próprio Juca olha naquele momento profundo, puxa do revólver discretamente e “bang bang”. Isto é, “paf paf”. Um genocídio. Todos os clientes mortos. Especialmente mulheres e crianças Outras vezes, quando chega a uma mesa com um naco de picanha a pingar, deixando os clientes todos a babarem-se, puxa do coiso e “bang bang”. Mas, atenção, que ele dispara com convicção, com um ar de bandido veterano, que até morde o lábio inferior a cada disparo, como se isso lhe trouxesse um orgasmo instantâneo ali mesmo. Divertidíssimo! Também veio à nossa mesa brincar aos bandidos. Estava a dizer não sei o quê, com a maior das naturalidades, mesmo ao lado do Nando (nome de código), quando puxa do canhão e “bang bang”, nos rins do Nando, à queima-roupa, a sangue-frio, a um palmo de distância. Mas, conseguiu ser tão realista, que o Nando foi mesmo apanhado de surpresa e deu um salto na cadeira, para o lado contrário ao impacto da bala! Ó Nando, então? Estavas tão cheio que temias que o balázio te empurrasse um bocado de picanha pelo esófago acima até te sair pelo nariz? pickwick
publicado por riverfl0w às 00:00
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Domingo, 17 de Setembro de 2006
Boten Anna

O amigo de um amigo de um amigo de um amigo, convidou-me a ver e escutar o vídeo clip de um grande êxito da música pop (ou whatever) sueca. Por momentos, pensei que iria ver um bando de suecas loiríssimas, trajadas com mini-saias anti-gravíticas, a abanarem-se todas enquanto recitavam um qualquer poema sofisticado. Chamava-se Boten Anna e comecei logo a bater palmas só de pensar como seria a Anna. É que, as Ana’s, enfim, a gente já sabe que há delas giras, mas há outras que parece que passaram uma semana dentro de uma máquina industrial de lavar tijolos. Mas, as Anna’s, ó meus amigos! São obrigatoriamente loiras, podres de boas e muito dadas! E não falam português, para não nos massacrarem com discursos sobre o amor, a fidelidade, os sentimentos, a amizade acima de tudo, o gato, as fibras ao pequeno-almoço e os iogurtes magros que estão em promoção. Acontece que, infelizmente, a música é cantada por um gajo com ar de esqueleto de tubarão, com cabelinho à repolho-trinchado e que só diz disparates. Ó pá! Muitos disparates! Chama-se a si mesmo Jonas “Basshunter”, o camelo! (camelo é a minha sugestão de semelhança com o reino animal) Também conhecido por Jonas-caçador-de-baixos, na versão portuguesa. Dei-me ao trabalho de transcrever a letra da música – um enorme êxito na Suécia -, para que se possa perceber a dimensão da coisa. Aqui vai, em bom português, porque o clip tem uma versão legendada:


Eu conheço um bot.
Chama-se Anna, Anna é o nome dela.
Ela pode-vos banir, banir-vos a sério.
Ela limpa o nosso canal.
Quero dizer-vos que conheço um bot.
Eu conheço um bot.
Chama-se Anna, Anna é o nome dela.
Ela pode-vos banir, banir-vos a sério.
Ela limpa o nosso canal.
Quero dizer-vos que conheço um bot.
Ela vigia toda a gente no nosso canal.
E vê se não há problemas.
É impossível alguém fazer um take-over.
E lembrem-se, eu conheço um bot.
Um bot que ninguém pode tocar.
E ela kicka-vos quando lhe apetece.
E kicka todos os spammers.
Não, ninguém pode tocar no nosso bot.
Veio um dia, e eu não podia acreditar.
O canal estava estranho.
Nunca pensei que estivesse tão errado.
Mas a Anna disse-me "não sou um bot,"
"Sou uma rapariga muito bonita".
Foste muito estranha para mim.
Não tenho nada a dizer.
Para mim continuas a ser um bot.
Chama-se Anna, Anna é o nome dela.
Ela pode-vos banir, banir-vos a sério.
Ela limpa o nosso canal.
Quero dizer-vos que conheço um bot.
Ela vigia toda a gente no nosso canal,
E vê se não há problemas.
É impossível alguém fazer um take-over.
E lembrem-se, eu conheço um bot.
Um bot que ninguém pode tocar.
E ela kicka-vos quando lhe apetece.
E kicka todos os spammers.
Não, ninguém pode tocar no nosso bot.


Notas para os mais distraídos: O bot e o canal dizem respeito ao IRC, essa bela comunidade. A menina loira que aparece no vídeo, com umas roupas brancas muito ordinárias, é uma conhecida actriz porno! Se não for conhecida, nem actriz porno, passa a ser. Não a estou a ver com jeitos de fazer mais nada na vida, com aquele arzinho… Quanto ao vídeo clip, deliciem-se: http://basshunter.m0o.eu/anna/index_pt.php pickwick

publicado por riverfl0w às 13:55
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Sexta-feira, 15 de Setembro de 2006
Maria e as palmadas
Chama-se Maria da Conceição. É um nome bonito, até porque a minha mãezinha também se chama assim. Ela, e mais metade das mães da população portuguesa. Não bastava ser Maria, há que ser Maria de algum lado, neste caso, é da Conceição, essa bela localidade açoriana (Conceição é uma freguesia portuguesa do concelho da Ribeira Grande, Açores, com 12,74 km² de área e 1 797 habitantes (2001). Densidade: 141,1 hab/km². Localiza-se a uma latitude 37 Norte e a uma longitude 25 Oeste, estando a uma altitude de 7 metros). Esta Maria não é dos Açores, mas é de perto de Bragança, ou seja, é como se fosse. Curiosamente, não se apresenta como Maria da Conceição, nem como Conceição, nem como São, nem como Sãozinha, nem como Mariazinha. Apenas como Maria. Fica-lhe bem, acho eu. Olá, eu sou a Maria, disse ela. Dada a tenra idade, nos vintes, presumo que deve ter sido das últimas raparigas portuguesas a serem registas com este nome, no longínquo século XX. Agora é tudo nomes sofisticados, como Magda, Marta, Luísa, Lúcia, Fernanda, Fafá de Belém, e por aí fora. Ah, e Ana Malhoa, que também é um nome moderníssimo. Ora, acontece que esta Maria, que é minha colega de trabalho, tem uns probleminhas físicos e psicomotores. Dos problemas físicos, destaca-se um rosto que, mesmo de dia, se poderia confundir facilmente com esse mito da beleza masculina: Frankenstein! Tal e qual. Só falta mesmo os parafusos para segurar as goelas. A Maria também tem um bocadinho de cabelo a mais e um par de óculos, mas isso agora são pormenores técnicos insignificantes. E tem um arame misterioso a envolver um dos dentes. Em seu abono tem um corpo muito elegante, com cerca de 1,73m, e um belíssimo par de (…) que salta à vista por baixo daquelas blusas justas que as mulheres adoram usar para ficarem mais bonitas e andarem na moda mas que a toda a gente sabe que é só para espevitar os glóbulos oculares dos machos e assim sentirem-se mais mulheres e mais desejadas. Fazem elas bem e a gente agradece a preocupação. Bem, quanto aos problemas psicomotores, temos uma carga eléctrica corporal que é demais para um corpo só. A rapariga funciona com 220 V em cada dedo! Não pára quieta, resmunga, levanta-se, senta-se, abana a gadelha para a esquerda, abana a gadelha para a direita, exclama um “oh” de cinco em cinco minutos, anda para um lado, anda para o outro, resmunga mais um bocado, ri-se, dá umas gargalhadas, faz cara feia (esta sai com naturalidade), faz cara alegre, faz cara de embeiçada, faz cara disto, cara de aquilo, abana-se, enfim. Não se pode! Mas, tem um tique psicomotor! O Zé é que hoje o assinalou e muito bem, relembrando que da última vez que se sentou ao lado dela, foi para casa com o braço, o peito e o ombro cheios de nódoas negras, cuja origem teve que explicar delicadamente à sua mulher. Ou seja, a Maria gosta de bater nas pessoas. Como seria expectável, tem preferência por bater em homens. É compreensível. Eu, pela parte que me toca, já fui alvejado várias vezes. No entanto, e porque a experiência de vida traz sabedoria a quem dela faz uso, consigo quase sempre dizer umas graçolas, mandar umas bocas, e posicionar-me estrategicamente fora da rota dos braços esvoaçantes da rapariga. Quase sempre. Quase, portanto. Ela não faz por mal, eu sei. Às vezes, até sabe bem, o toque feminino e ah e tal. Pena é bater com tanta força. Eu aposto como são tudo carências. A bem dizer, acredito que ela tenha algumas dificuldades em beneficiar da companhia e da atenção de um homem normal. A cara não ajuda nada a isso, como já dei a entender. Talvez isto justifique aquele comportamento meio desgovernado e quase violento. Deve pensar que dá um tabefe no braço de um gajo e é logo apalpada nas nádegas e raptada para dentro de uma arrecadação escura. Maria, vê lá se baixas a tensão arterial! Eu não quero ter que andar a justificar nódoas negras a ninguém, está bem? pickwick
publicado por riverfl0w às 13:57
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006
Kekas coloridas
A Margarida (nome de código) mandou-me ontem uma SMS ansiosa: se puderes, liga-te no MSN que preciso falar contigo! E lá fui. Às vezes é giro servir de confessionário a uma amiga já madura. É giro quando tentamos explicar certas coisas da vida, sob várias perspectivas, com abordagens diferenciadas, medindo e calculando, prevendo e especulando. Especialmente, sobre coisas que temos a mania que percebemos. Eu adoro dar conselhos sobre coisas que não domino, mas que me ficam bem dizer. Até quase que me convenço de que até percebo do assunto. Ora, acontece que esta amiga, a Margarida, anda de beicinho com um amigo dela, presumivelmente um ex-namorado, que teoricamente se andará a fazer ao piso novamente. Normalmente, nunca se deve voltar a ter relacionamentos com ex-namorados, ex-maridos, ex-o-que-quer-que-seja. É uma questão de princípio. É como voltar a comer o que vomitámos, mais coisa, menos coisa. Só que, neste caso, a Margarida tinha uns quantos factores a pesar favoravelmente. Factor um: a Margarida precisava de se sentir mulher. Factor dois: a Margarida precisava de satisfazer uma daquelas necessidades básicas do ser humano saudável. Factor três: o jovem em causa é tão bom na cama que a deixa completamente maluca. Desfavoravelmente, também estavam em causa alguns factores. Factor quatro: o gajo é um animal. Factor cinco: o gajo é parvo. Factor seis: o gajo gosta de se vangloriar com mulheres, sobre mulheres. Ora, posto isto, e há umas quantas semanas atrás, aconselhei a Margarida a aceitar um convite dele para passarem um fim-de-semana juntos numa determinada cidade beirã. “Ao menos vais lá e vais papá-lo”, disse-lhe eu, todo cheio de argumentos e sabedoria. Ela foi. Correu mal, não havia preservativos à mão, nenhum dos dois esteve para se mexer e ir à rua adquirir um pacotinho deles, pelo que a noitada teve que se ficar por aquilo a que os especialistas chamam de “sexo soft”. SS, para os amigos. Ainda assim, suficientemente tórrido para deixar a Margarida completamente fora de si. Maluca de todo, portanto. Ainda bem para ela. Merece esses pasmos de felicidade! Acontece que a Margarida é uma miúda simpática e de bom coração, o que a leva a confundir contextos físicos com contextos sentimentais, e vai daí tomou como certo que aquele fim-de-semana era o início de um sólido e inabalável amor. Apesar de ela depois tentar ligar-lhe resmas de vezes e ele não atender… Assim sendo, tentei explicar-lhe que há que ser-se mais frio nesta vida. Frio, calculista, previdente e ter sempre em atenção a nossa auto-protecção. Ou seja, separar uma valente noite de sexo (embora soft) de um namoro sério e comprometido. Ou seja, dá lá umas kekas com ele, diverte-te à brava, mas não te deixes enrolar e ser pau mandado dele. Falei-lhe daquele conceito tão bonito que é o das amizades coloridas, ou as kekas coloridas, para os mais conservadores. Falei e tentei explicar, exemplificando com projecções futuristas e teorias por confirmar. Bom, no final de hora e meia de conversa, ela pareceu mais aliviada, mais senhora de si, mais liberta do fardo de uma relação indefinida. Eu, por mim, fiquei com a consciência pesada por andar a aconselhar coisas destas. Como se não houvesse amor no mundo. Como se tudo fosse às cores: as amizades e as kekas. Como se não houvesse gente séria, capaz de amar, capaz de se comprometer. Como se uma metade do mundo quisesse enganar a outra metade, sistematicamente. O certo é que há por aí muita besta à solta, de ambos os sexos, e, como tal, há que andar de olho aberto. Sem, contudo, perder umas belas oportunidades para… para… enfim, para dar uns jeitos. A minha mãezinha, se me soubesse a fazer aconselhamentos destes, acho que se atirava para a linha do comboio, só com o desgosto. Andou uma mãe a labutar duas décadas para agora dar nisto. Francamente. Desculpa lá, ó mãezinha, tu até estiveste bem, eu é que não jogo com o baralho todo. Quanto a ti, Margarida, já sabes: da próxima vez, se faz favor, vai equipada com a caixinha das borrachinhas, está bem? E deixa lá de implicar com os boxers apertadinhos do rapaz! pickwick
publicado por riverfl0w às 19:22
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