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Quinta-feira, 31 de Agosto de 2006
Depilação, lasanha e a Catwoman
A Marta gosta deles depilados. É verdade! Como é que eu sei? É fácil. Ontem, fiz uma pacata viagem de comboio, em classe InterCidades, aproveitando para adiantar uma leitura em atraso, em direcção a Aveiro, essa bela localidade. A carruagem ia cheia, ao ponto que não sobrar espaço para esticar as pernas, o que torna logo tudo muito incómodo. À minha volta sentava-se um grupo de jovens, sofisticados, provenientes de um lugarejo qualquer onde existe um clube desportivo chamado União. Se calhar seriam de Alguidares-de-Cima, que teria um clube chamado União dos Alguidares, ou União Alguidarense, sei lá. Bom, a conversa dos jovens estava animada, ao ponto de não me conseguir concentrar na leitura. Um dos temas, surgido por acaso, foi a depilação dos desportistas. O Marco (não presente) depila-se. Supostamente por causa das massagens. A Marta gosta deles depilados. Acha giro. Deve ser mas é parva! Enfim, um dos moços, certamente possuído de grande razão, adiantou uma teoria fantástica sobre a necessidade de os homens manterem os pêlos todos, pois assim haveria uma clara distinção entre homens e mulheres. Ou seja, se todos fossemos depilados, seríamos todos confundidos. Concordo e voto no rapaz. Tem bom senso. Essa Marta (nome verdadeiro), apesar de ter um corpinho que arrumar com a maior parte das mulheres-modelo das passerelles, com umas sardas todas engraçadas e um cabelo entre o ruivo e o loiro, deve ser parva. Ela estava no banco mesmo à minha frente e tive que fazer um esforço para não lhe enfiar uma patada com a bota de gortex nas mandíbulas. Não gosto nada quando aparecem estas gajas assim, ainda tão novinhas e já com estas ideias parvas de que ah e tal, hoje é normal os homens cuidarem-se e fazerem a depilação… raios, deve ser fã daquela aberração do não-sei-quê Castelo Branco. Arre! Bem, de chegada a Aveiro, juntei-me a uma pândega na espaçosa varanda da casa de um amigo, no rés-do-chão, com as vizinhas todas dos prédios circundantes a esticarem o olho à socapa para os gajos viris e musculados que se preparavam para um repasto de lasanha ao ar livre. Antes, contudo, foi necessário trocar uma lâmpada a um candeeiro de parede, na varanda, missão que levou ao envolvimento de quatro marmanjos (três dos quais licenciados em engenharia electrónica), uma cadeira, um spray milagroso W-40, um canivete suíço, uma aranha, uma caixa de ferramentas e alguns guardanapos. Durante uma boa meia-hora. Indescritível. A seguir, abriram-se os tintos dão e alentejanos, acabou-se com as azeitonas e veio a lasanha. Ao PM (nome de código), cozinheiro e anfitrião, aqui deixo a minha mensagem e aconselhamento: quando se serve um jantar de lasanha, as quantidades devem ser medidas de maneira que, caso os X convidados comam tudo até não sobrar nada, fiquem com lasanha até ao goto, até não caber mais, a tal ponto que, se taparem a boca com a mão, bastará a respiração natural para fazer esguichar lasanha pelo nariz, como a lava quente de um vulcão! Bom, depois de muito encher o bandulho, de esvaziar as garrafas todas, de muita conversa da treta sobre questões filosóficas e ah e tal, recolhemos cada um a suas casas. Eu tive que cravar alojamento e, aproveitando a onda, cravar também um filmezinho. A escolha recaiu em “Catwoman”, ou a mulher-gato. Ora bem, para quem não viu o filme, esta fantástica obra cinematográfica de grande qualidade, aconselho vivamente a perdê-la. Uma gaja com maminhas de lagartixa, fato de napa barata, uma máscara com orelhas de pulga, a abanar o rabo feita ordinária, com umas unhas compradas na loja do chinês, enfim… As legendas em brasileiro, bónus de um DivX sacado algures, rematavam a coisa. Adormeci a meio. Hoje de manhã, antes de ir apanhar o comboio de regresso ao lar, acabei de ver o filme, em modo zapping. A badalhoca da mulher-gato matou não sei quem, uma loira qualquer, ah e tal, o polícia apaixonou-se, mas ela, por ser gata, preferiu andar a miar feita estúpida pelos telhados e andaimes, com aquela fatiota preta e as bochechas do rabo a brilhar. Há pessoas que deviam ser proibidas de conspurcar o mundo do cinema! Aposto como o mundo gay já fez uma versão respectiva do filme: o homem-gato! Um gajo com ar de perfeito larilas, calças pretas em látex, depiladíssimo, um colar dourado e grosso com uma cruz, pendurado dos andaimes e parapeitos das janelas, a miar como se tivesse a boca cheia de sementes de girassol e larvas, sendo aplaudido por um bando de homens do lixo e estivadores em tronco nu e jardineiras. Uma nojeira pegada! pickwick
publicado por riverfl0w às 22:41
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Quarta-feira, 30 de Agosto de 2006
As Telmas
Uma leitora chamada Telma (nome de código) chamou-me à atenção para o facto de eu atribuir aos seres humanos do sexo feminino com o nome Telma, uma pelugem excessiva. Como se eu tivesse alguma coisa contra as mulheres e raparigas chamadas Telma. Não tenho. Muito pelo contrário. Até hoje, só ainda conheci pessoalmente uma rapariga chamada Telma, que era minha colega na escola primária, numa certa aldeia ribatejana. Por via do sacana do Alzheimer, as minhas memórias perderam-se nos confins da minha caixa dos pirolitos, sejam de há trinta anos atrás, ou do almoço de ontem. Ainda assim, consigo recordar, embora vagamente, a minha colega Telma. Era magrinha, ma non troppo, cabelo preto forte, um sorriso largo numa boca sexy e uns olhos capazes de virar um homem do avesso. Ok, estas memórias são uma adaptação à actualidade, porque eu na altura nem sabia apreciar gajas. Aliás, a única gaja que fazia um puto de 8 anos olhar era a Cristina Gameiro, uma imponente garota de cabelo loiro e curto, também da minha turma, cativante e ah e tal. Não tinha maminhas, porque a idade não permitia, mas eu ficava muitas vezes a olhar para ela, de soslaio. A Cristina, contudo, era uma vaca. Um belo dia, na aula, resolvi mostrar ao povo o novo sinal da virilidade, o do vai p’ro coiso e tal, o tal do dedo do meio, assim disfarçadamente e por baixo da mesa, não fosse ser apanhado em flagrante pela professora. E não fui. Mas a vaca da Cristina viu-me, mais o dedo espetado, desconfiada que ficou com a paródia nas mesas de trás, e em três tempos estava eu na sessão de régua de madeira e palmatória, junto da mesa da professora, todo corado, e a jurar o fim do mundo à estúpida da miúda. Daqui nasceu, provavelmente, a minha paranóia com as loiras, que ainda um dia me vão pagar por aquela sacanice. As loiras e as Cristinas! Sacanas… Queixinhas do caraças… Bom, portanto, a Telma não era daquelas miúdas que chamassem a atenção, assim naturalmente. No entanto, era uma miúda com um ar muito meigo e um sorriso de encher corações. Se não fosse a outra vaca loira, eu ainda lhe podia ter piscado o olho e ah e tal, mas pronto, estava distraído. A Telma era uma querida, é certo, mas tinha muitos pêlos nos braços, assim daqueles pêlos pretos e compridos que se notam a duzentos metros e ao lusco-fusco. Na altura, havia momentos em que pensava como seria passar-lhe a mão por aqueles pelinhos e tal, como quem passa a mão no pêlo de um gato, mas tudo muito inofensivo, claro, que eu ainda não tinha sido alertado convenientemente para a sexualidade. Como nunca mais conheci uma Telma na vida, ficou-me aquela ideia de que as Telmas são miúdas com muitos pêlos nos braços e, eventualmente, no resto do corpo. Se os pêlos não engrossarem, até podem escapar, mas se começarem com aquelas cenas da gillette, está tudo tramado, que quando derem por isso têm os pêlos mais grossos que um tronco de eucalipto. Quando surgiu este alerta da leitora com nome de código Telma, não resisti em rebuscar a Internet a ver se havia alguma coisa sobre uma Telma naquela aldeia ribatejana, que entretanto já foi promovida a vila e tal. Só encontrei uma Telma Pereira, que faz parte do rancho folclórico local, mas nem foto, nem idade, pelo que pode ser uma Telma qualquer, embora seja preciso muita pontaria para haver uma povoação com mais que uma Telma. Enfim. Colega Telma, se estás a ler este blog, por favor, entra em contacto comigo para tirarmos a limpo isso dos pêlos e tal, pode ser? pickwick
publicado por riverfl0w às 00:00
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Terça-feira, 29 de Agosto de 2006
Chicken piri piri - 3
Não se pode falar de Algarve, ou chicken piri piri, sem falar em mulheres. Gajas, portanto. Das 7846 mulheres que tive a delicadeza de apreciar, durante a minha estadia, apenas 12 estavam em conformidade com a generalidade dos requisitos a preencher para a promoção a comestível. Uma das 12 era, precisamente, a minha companheira, sorte a minha, o que faz com que sobrem apenas 11 das 7845 que foram alvo da avaliação. Para os mais letrados, isto corresponde a uns míseros 0,14 %. Ou seja, estamos em crise. Os alertas deixados neste blog, de forma construtiva, ao longo dos meses e anos da sua existência, parecem não ter dado os frutos desejados. Elas estão cada vez mais descuidadas, mais balofas e mais ordinárias. Está mal. Está muito mal. Entre as estrangeiras, encontramos do melhor e do pior. As piores são, de facto, as baleias. Designa-se por “baleia” um exemplar do sexo feminino cujas dimensões ultrapassam o sobrenatural. Em termos de medidas, num banco de trás de um espaçoso Mercedes, apenas cabem duas, muito apertadinhas. Conseguem ter muito mau gosto, usando bikinis e até, pasme-se, fazendo topless em locais públicos, aterrorizando as criancinhas e tirando o apetite aos apreciadores de peitos de frango. Instaurei um concurso para a Maior Baleia, anonimamente, claro, tendo ganho uma estrangeira que passava o dia esparramada em cima de uma pobre espreguiçadeira de plástico barato, sendo que as pregas das banhas caídas lateralmente quase chegavam à relva do chão. Ah! E, ainda por cima, desapertava o bikini, para bronzear o costado e ficar ainda mais sexy não sei para quem. Fui sabiamente alertado para o fenómeno das 18h30, entre as inglesas. Por volta dessa hora, recolhem aos quartos e apartamentos, onde dedicam um tempo desconhecido a transformarem-se nas gatas da noite, empapando-se em maquilhagens, ensopando os sovacos com perfumes, aperaltando-se com as melhores roupas e sapatos. Findo o tempo desconhecido, invadem as ruas, empestando os ares com aqueles perfumes misturados com a segregação das glândulas sudoríparas. Por essa hora, os transeuntes dividem-se em dois tipos: a gente aparentemente normal, de chinelos e calções; e as inglesas aperaltadas, como se fossem para uma cerimónia dos Óscares. Muito foleiro, anote-se. Bem, aparte estes pormenores culturais, passemos aos pormenores antropológicos. Com tantos ginásios, com tantos areais, com tantas escadas, com tantos nutricionistas e dietistas e outros curandeiros acabados em “istas”, não era já tempo de as mulheres andarem todas por aí com um corpinho elegante e firme? Não havia necessidade de se passearem pela rua com uma vergonhosa camada de celulite agarrada às coxas e nádegas. Já inventaram os soutiens milagrosos, que transformam seios-até-ao-umbigo em seios-quase-a-bater-nos-queixos. O que é que a ciência espera para combater de vez esse cisco no olho do homem chamado celulite, vencendo-o sem piedade? pickwick
publicado por riverfl0w às 12:47
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006
Chicken piri piri - 2
É, realmente, aquela terra vizinha de Marrocos fascina-me, mas pela negativa. Muito negativa. Por mim, até podia desaparecer tudo, debaixo de um tsunami devastador. Vejamos. Quando eu pensava que conhecia minimamente a fauna portuguesa, fui surpreendido por um novo e perigoso espécime: o “Algarve Tiger”. O Tigre Algarvio, para os amigos, que até deu mote para um livro em inglês. Ora, ainda ninguém se queixou de ser atacado a meio de um banho, ou serem arranhadas as costas durante o bronze, ou o bebé ser devorado directamente no carrinho. Por isso, não há nenhum tigre no Algarve, caraças! O livro traz, na capa, um inofensivo lince a dar um saltinho, e anuncia que no interior o leitor encontrará fotografias formidáveis do grande gato mais ameaçado do mundo. O tigre não é um grande gato, mas sim um touro sem chifres, com o coiro às listas. Mas, que interessa? Isto é mesmo para aqueles estrangeiros pacóvios e iletrados comprarem e exclamarem “Uah!...” Numa certa povoação, que até tem uma base aérea e não é nada pequena, encontram-se coisas estupendas. Por exemplo, uma igreja com cadeiras de esplanada, de plástico, castanhas. Nunca tinha visto tal coisa. Até naquelas aldeolas e lugarejos perdidos no cimo das serras, pobres até não poderem mais, se encontram bancos de madeira nas capelas e igrejas. Não falha. Só no Algarve é que isto acontece. Presumo que a Junta de Freguesia tenha vendido os bancos de madeira e mais uns quantos adereços religiosos aos sequiosos estrangeiros cujo dinheiro tudo podem comprar. Enfim. Nesta mesma povoação, o povo é multifacetado. O sapateiro, por exemplo, à hora em que lhe passei à porta, prestava-se a um serviço de pedicuro, embrenhado que estava num dos pés de um cliente, de tesoura em punho. A senhora dos seguros, também recebia boletins do Totoloto e Euromilhões. As lojas de artesanato típico, vendiam arte local, mas também Galos de Barcelos e outras peças oriundas de locais a centenas de quilómetros. Um fulano qualquer tem, na fachada da sua casa-loja, um vistoso painel atestando-o como inventor das irritantes cadeiras de tesoura, umas cenas sem jeito que umas alminhas julgam que podem servir de assento a um ser humano, e que se compram em todas as lojas da terra, tipo praga. Algures está escrito que as cadeiras são um legado dos romanos, mas esta gentinha não se compadece com a ética e a honestidade para vender mais. Aqui, vale tudo para meter mais uns trocos ao bolso. Ainda há quem se queixe dos ciganos, coitados… são uns santos, quando comparados com esta malta! Há um fenómeno que, de alguma forma, me mete confusão. Praticamente todas as casas do Algarve têm piscina. Só mesmo os apartamentos é que escapam, mas o respectivo condomínio tem uma, para não parecer mal. Qualquer barraca de cimento pintada de branco, tem uma piscina. São milhões! Onde vão buscar tanta água? Uma vez espreitei no Google Earth e o Algarve está polvilhado de rectângulos azuis. É impressionante! Noutros tempos, quando se falava em Algarve, falava-se em águas límpidas e mornas. As das praias, claro. Para que raio é que esta gente quer uma piscina, se tem uma praia logo ali ao lado? É para meter nojo? Será que a usam? Será que passam a vida na piscina e nem vão à praia porque a água está sempre turva e com poios a boiar? Para ter uma casa de férias com piscina, há sítios melhores e mais saudáveis. Porquê o Algarve? Será mania? Será maria-vai-com-todos? Só pode… Bem, é aqui, nesta faixa à beira-mar, que se consegue encontrar um restaurante chamado “Restaurante Português”. Em Portugal, portanto. Não é normal. Lá dentro, tentava-se criar um ambiente de restaurante lusitano, mas, francamente, não reconheci nada que fosse típico da restauração portuguesa. Mas, que interessa? A malta que lá vai comer, come qualquer coisa, tanto faz que seja coelho à caçador ou guisado de gato siamês. Todas as lojas vendem umas coisas a que chamam “fisgas”, parecidas com as fisgas que usávamos quando éramos miúdos, com a grande diferença de a bifurcação não ser uma ramificação natural da árvore, mas sim um “U” artificial e muito foleiro. Junto com as fisgas, há sempre uns tacos de basebol a dizer Benfica, ou Sporting, ou Algarve, ou não sei mais o quê, como se o desporto fosse praticado no nosso país. E lojas de indianos, chineses e paquistaneses, a venderem de tudo um pouco. Uma balbúrdia sem identificação, este Algarve. Um autêntico nojo cultural. A par desta nojeira, vêm os “resorts”, ou lá como se chamam. São aqueles complexos de férias de luxo, onde os clientes chegam de helicóptero, cada noite custa mais que três dos meus ordenados, e grande parte dos clientes são portugueses. A estes, ninguém vai ver de onde veio o dinheiro para tamanho esbanjamento? No meio disto tudo, não entendo para que inventaram aquelas parvoíces dos direitos do consumidor. O sonho de férias do português é ir para um cantinho do seu país, onde tudo está conspurcado pelo excesso de gente e uso, onde tudo é vendido a preços exorbitantes, culturalmente descaracterizado, para andar no meio de filas de gente e de carros, a partilhar metros de areia com meio mundo, chafurdando no lixo que os de ontem deixaram, um pivete a gasolina queimada e bronzeadores, putos mal educados aos gritos e empurrões, enfim… Aqui, o consumidor quer mesmo é ser enganado. E à grande! pickwick
publicado por riverfl0w às 12:30
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Domingo, 27 de Agosto de 2006
Chicken piri piri - 1
Há muitos anos que não ia de férias para o Algarve. Quando era pequeno e andava a aprender a ler e escrever, era costume ir com a família passar umas duas semanas para aquela faixa de areia e calhaus ao sul do país. Por essa altura, era até divertido. Havia praias enormes, dava para ver o fundo do mar, apanhar conchas, pontapear uma bola e ver os dias a passar. No parque de campismo, em Lagos, onde costumávamos ficar, chocava-me constantemente com aquelas estrangeiras atrevidas que iam do banho para a tenda embrulhadas numa espécie de roupão de verão, só com dois botões, deixando qualquer minúscula rabanada de vento levantar o tecido e mostrar a estes olhinhos uma misteriosa mancha peluda pouco abaixo do umbigo. Nas praias, ficava de boca aberta quando, as mesmas estrangeiras, ou outras de calibre idêntico, despiam os bikinis ali mesmo, para vestirem roupa seca. Cenas fascinantes! Havia filas para tudo e mais alguma coisa, desde o pão até ao banho. De vez em quando uma tenda pegava fogo e havia muita animação no parque. A nossa tenda era gigante e os petiscos da minha mãe estavam sempre em consonância com o apetite que eu trazia da praia. A areia colada à camada de bedum anti-sol que era obrigado a trazer pelo corpo todo, não fazia qualquer diferença. Um belo dia, o meu pai resolveu dar outro grande passeio a pé comigo, pelo areal, até uma praia vizinha, onde toda a gente andava sem roupa! Tantos pêlos, caramba, e tantas mamas aos saltos num grupinho que jogava voleibol. Bom, isto durou até aos meus nove anos. Depois, veio uma casa nova, grande, e o dinheiro não esticava para se chegar ao Algarve. Aos catorze, salvo erro, fomos de férias até Penacova, onde a tenda serviu pela última vez. Foram quinze dias de calma, de relaxe, de pesca no rio, sem filas, sem pressas. Uma nova perspectiva de férias que me cativou para sempre. Anos mais tarde, já maior de idade, alinhei numa semana de férias no Algarve com a família, à patrão, num aparthotel todo abichanado, com piscina e muita relva. Não se conseguia ver o fundo do mar, as praias pareciam mais pequenas, as filas tinham aumentado por todo o lado, havia mais carros do que pessoas e tudo soava a porco, com muito pó e muito lixo. O único toque de continuidade, em relação à minha infância, parecia serem as estrangeiras, que teimavam em trocar o bikini em público no fim de um dia de praia, que adoravam passear-se sem roupa interior, que tinham os seios ainda maiores. Ao fim de três dias, já agonizava ali, naquele fervilhar de gente, encontrando refúgio apenas na piscina do complexo onde estávamos instalados, e apenas àquelas horas do entardecer em que o povo debanda, por falta de sol. Enfim. Este ano, a minha fã número um convidou-me para uma semana no Algarve, aproveitando um alojamento à borla. Parecia mal dizer que não. A insubstituível companhia haveria de compensar aquele cantinho de Portugal tão deprimente. E compensou. Mas nem por isso consegui evitar choques diários com aberrações da civilização. O maior, acho, foi mesmo o do “chicken piri piri”. Tabuleta sim, tabuleta não, há um “chicken piri piri” afixado com letras pomposas, esquina sim, esquina sim. Em cada, dava comigo a tentar perceber o fenómeno por detrás daquela situação. Não consegui perceber. Apenas senti. É muito deprimente… Uma faixa de Portugal, transformada na terra do “chicken piri piri”. pickwick
publicado por riverfl0w às 12:48
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Sábado, 26 de Agosto de 2006
Os mistérios dos céus
De regresso à civilização virtual das teias de aranha, fui abordado por uma das leitoras deste blog, que teve a delicadeza de me confidenciar o conteúdo de uma conversa privada com o seu filhote, menor de idade, na esplanada de um determinado estabelecimento de venda de bebidas, com uma espantosa vista para o rio Tejo. Foi, sensivelmente, assim:
(…)
Filhote - Mamã, se eu estivesse a almoçar contigo lá em cima, no 1º andar, podia empoleirar-me ali, no gradeamento, e caía e explodia a minha cabeça.
Sino de Mafra - Sim, amor, mas depois a mamã ficava sem filho… e ficava triste.
Filhote - Pois, porque eu morria, não é?
Sino de Mafra - Sim, amor, tu morrias e a mamã ficava sem filho.
Filhote - E depois?
Sino de Mafra - E depois, o quê, Aristóteles (nome de código)?
Filhote - E depois tu tinhas que me arranjar…
Sino de Mafra - Ó amor, as pessoas, quando morrem, vão para o céu. Não podem ser arranjadas.
Filhote - Para o céu? Assim como os extraterrestres?
(…)
Comentava comigo esta leitora e mamã: “Realmente, que parvoíce, porque dizemos nós às crianças que quem morre vai para o céu? E explicar isto? Ele tem sempre mais uma pergunta. Não é fácil.”
Claro que é fácil. Primeiro que tudo, o educador tem que distinguir imediatamente o nível da conversa que se aproxima. Neste caso, a mamã não deveria responder que ah e tal, sim e não sei mais o quê. Ao ser questionada sobre quedas e explosões de cabeças, a resposta a dar deverá ser por aí nivelada. Qualquer coisa do género: “Não, amor, não necessariamente! Se caíres com os dentes para a frente, estes podem amortecer-te a queda e sairás ileso, apenas com umas lascas de esmalte a menos.”
Depois, nunca se deve confirmar a uma criança que, se ela morrer, a respectiva mamã ficará sem um filho. Dar este tipo de conversas, apenas está a contribuir para que a criança desenvolva interiormente uma tendência para a chantagem barata. Mais tarde, ou mais cedo, virá o dia em que a mamã será pressionada de forma impiedosa e súbita: “mamã, ou me compras um iPod com PlayStation integrada e capacidade para acoplar uma sanita descartável, ou atiro-me da banheira abaixo e ficas sem filho.”
Nunca, jamais em tempo algum, se explica a uma criança que as pessoas, quando morrem, vão para o céu. Isso é uma conclusão a que elas devem chegar, por si próprias, em tempo próprio, nem que, por essa altura, já tenham carta de condução de pesados. Antes, deve abrir-se a possibilidade de, após uma queda, ser possível o arranjo. O arranjo é a mãe do engenho e o pai da habilidade. É para isso que há médicos ortopedistas e dentistas, parafusos de titânio e próteses dentárias. Aproveita-se a ocasião e explica-se o que são paraplégicos, tetraplégicos e outras coisas acabadas em “gicos”. Pode, eventualmente, simular-se a dor provocada por uma reles luxação num ombro, aplicando um alicate de pontas em cima da respectiva articulação. Mas nada de céu. O céu é, por enquanto, para os pássaros, os aviões e os pára-quedas. Por fim, os extraterrestres. Ora, é conveniente não deixar passar em branco esta situação.
Quando a criança falar em extraterrestres, o educador, ou a mamã, deve aproveitar para, imediatamente, explicar que os extraterrestres são como as pizzas de extraqueijo ou extracebola. Portanto, são pessoas, como outras quaisquer, com uma camada extra de terra em cima, ou seja, todos porcos, todos badalhocos, eventualmente enlameados. Mas, atenção: não deixar a criança confundir com os mortos, que também têm muita terra em cima. Então, com simplicidade e naturalidade, a criança perceberá que os humanos sujos de terra não têm hipótese de levantar voo e irem para o céu. É uma questão básica de lastro. A mamã estará a contribuir, de forma positiva, para fazer crescer, daquela criança, um cidadão esclarecido e conhecedor do mundo que o rodeia, capaz de tratar por “tu” a Física e a Medicina. pickwick
publicado por riverfl0w às 01:13
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Sexta-feira, 25 de Agosto de 2006
Calúnias, férias e outras demandas
Sim, estive em São Jacinto, rodeado de centenas de homens peludos e entrados na idade. É verdade. Recomendo a qualquer um. A repetir, certamente. Como todos devem saber, São Jacinto - ou, mais originalmente, San Jacinto - é um pacato município da Província de Masbate, numa das milhares de ilhas que formam esse fantástico país chamado Filipinas. Fui até lá por ocasião de mais um encontro dos antigos combatentes da Guerra do Ultramar, que se realiza todos os anos numa ilha diferente. Sabem como eles são, com aqueles traumas todos dos tiros e das bombas e ah e tal, então para não serem atacados de surpresa, mudam o local de encontro todos os anos. Espertinhos, hem? Bom, eu gosto muito destes encontros de homens peludos. Costumo ir disfarçado de homem peludo, também, com um belo chapéu de palha com um buraco na copa, atingido por um balázio traiçoeiro. Para dar mais credibilidade, vou a mancar de uma perna, por causa de uma mina cujos estilhaços ainda andam dentro da perna, supostamente. Obviamente, e tal como as mentes mais lubrificadas já devem ter atingido, eu não vou a estes encontros por causa de homens peludos, ou pelo prazer de brincar ao Carnaval. Nada disso! Eu vou, porque é hábito organizarem uns poderosos torneios de Miss T-Shirt-Ensopada, de Miss Sabonete-Escondido, de Miss-Vale-Encantado-do-Chantili, Miss Passareca-Fumadora e outros torneios com nomes sugestivos e grandes salvas de palmas. Nos primeiros anos, os antigos combatentes recorriam frequentemente a miúdas nativas, bronzeadas e roliças, com minúsculas saias de barbas de milho, a quem pagavam uns alguidares de guloseimas. Mas, com o passar do tempo, começaram a tornar-se mais refinados, trazendo as próprias filhas para estes torneios. Algumas trazem nódoas negras no corpo, disfarçadas com pó de arroz, provavelmente derivadas da natureza selvagem dos progenitores, mas, num bar sombrio debaixo de uns coqueiros, qualquer nódoa negra passa facilmente por uma mancha de tequila com groselha. Na boa! No final dos torneios, os progenitores das concorrentes tombam no pó que nem veados baleados e, então, é a hora 3M. As mocinhas, extenuadas de tanto trocarem de roupa, saltarem, abanarem as nádegas, ficam de tal modo que dão tudo por umas belas massagens (M de massagens), muitos Mimos (M de mimos) e uma tosta integral barrada com marmelada (M de marmelada). Quem sou eu para lhes negar isso? Quanto ao meu parceiro de estendal, não percebo o que é que ele foi fazer para tão perto de mim. A ilha de Taizé, que fica ali a meio caminho entre as Filipinas e a China comunista, não tem cervejas para homens, nem precisa que os mictórios sejam lavados à mangueirada. É, por si só, um país esquisito, com osgas do tamanho de crocodilos e outras mariquices típicas de chinocas mal dispostos e amarelados. Não te compreendo! As mulheres de lá voam com o vento e não sabem grelhar febras nem abrir uma garrafa de tinto. Podias ter ido para o Alentejo, carago! pickwick
publicado por riverfl0w às 23:25
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Sábado, 19 de Agosto de 2006
Je m'en vais
Aqui o arauto vai de férias por uma semana e uns pós. Falo no singular, uma vez que o último paradeiro conhecido do pickwick é em São Jacinto, há dois dias atrás, rodeado de centenas de homens peludos com uma média de idades de 50 anos. É triste, mas é verdade.

Já eu tenho Taizé à espera, onde o prognóstico passa por lavar casas de banho à mangueirada, beber uma jola no Oyak e ouvir Deus sussurar-me coisas bonitas ao ouvido. Já para não falar nos magotes de gente que vou conhecer e que no final da semana me vão fazer verter uma lágrima ou outra à laia de despedida, sem sequer precisar de ver o Spiderman para atingir esse belo efeito dramático.

Enfim, os arautos vão-se, fica o estendal. À disposição de quem o quiser vasculhar enquanto os donos estão por fora. riverfl0w
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publicado por riverfl0w às 00:42
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Segunda-feira, 14 de Agosto de 2006
Lexicologia

Altiloquência, borzeguim, ciclóstomo, desinência, elanguescente, feérico, grácil, hiperónimo, ignífugo, jurisconsulto, lazarento, muar, necear, obnubilar, parvajola, questiúncula, rescender, solilóquio, tataranha, undívago, vulvovaginite, xairel e zaranzar.

Desculpem, mas isto algum dia tinha de ser feito. É preciso memorizar tanta coisa nesta vida e eu ainda me dou ao luxo de ter na cabeça palavrões destes. Como se algum dia viesse a dizer "Atentastes na altiloquência daquele solilóquio sobre a vulvovaginite? Até me sinto a zaranzar de tão obnubilado que estou.". Se alguém as quiser levar para posterior uso, está à vontade. Título incluído. E não, não ando a ler dicionários. riverfl0w

publicado por riverfl0w às 03:51
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Sábado, 12 de Agosto de 2006
O melhor insulto do ano



Desculpa Joana, mas este sim é o melhor:

Lex Luthor: Sabes porque é que o número 200 é tão importante na nossa relação?
Otis: Não..
Lex Luthor: Porque representa o teu peso e o meu coeficiente de inteligência.


in Super-Homem, o filme (1978)

riverfl0w
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publicado por riverfl0w às 14:55
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