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Terça-feira, 30 de Maio de 2006
Dez coisas que hoje me irritaram profundamente
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

06h28 - Levantar-me da cama, mesmo depois de ter feito uma maratona nocturna para acabar "A Conspiração" de Dan Brown (o livro acaba com Rachel Sexton e Michael Tolland a darem uma queca).
08h04 - 10h27 - Não ter adormecido no comboio. Acabei por assistir, impotente, a um programa do Eládio Clímaco e da Isabel Angelino durante a maior parte da viagem.
10h30 - Não existirem autocarros em Aveiro entre a estação e a Universidade das 10h25 ao às 11h54, apesar de nas restantes horas haver um de meia em meia hora.
10h31 - 10h42 - O taxista fungar e pigarrear incessantemente ao longo de toda a viagem, e não fazer o desconto de 0,05€ que todos os outros fazem aos estudantes.
15h40 - 15h42 - Achar que estava a gravar o início da entrevista com uma professora do Departamento, e ter sido ela a reparar que o maldito gravador estava desligado.
16h23 - 16h35 - Não ter conseguido arrancar mais do que vários "Não quero" e um "Cala-te!" ao tentar entrevistar um miúdo portador de Trissomia 21, apesar de ele fazer questão de andar de mão dada comigo por todo o campus universitário.
18h41 - 20h12 - Ter-me disponiblizado para ajudar uma colega a programar em ActionScript, e uma hora e meia depois não termos conseguido resolver sequer a primeira alínea do exercício.
20h23 - 21h19 - Ter gasto 1€ em Virtua Tennis 2002, apesar de só me sobrarem 8,23€ até ao fim do mês.
22h03 - Ter-me engasgado com uma rodela de chouriço do caldo verde.
22h22 - ... - Estar a arranjar desculpas mentais para não estudar para o exame de amanhã (este post está definitivamente incluído neste ponto...). riverfl0w
música: Tiveste Um Dia Mau – Cantor Mistério
publicado por riverfl0w às 22:27
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006
Porquê?
Já ando com esta tanga há muito tempo, mas lembrei-me agora de lhe pegar. É a tanga do “porquê”: a minha explicação para o ser humano e todos os seus disparates. Há uma lei da Física, muito foleira, que fala sobre a reacção que existe sempre que há uma acção. Ou seja, se metermos à boca um ovo cru inteiro dentro da respectiva casca e fecharmos as mandíbulas, o ovo partir-se-á e ficaremos com a boca toda badalhoca, cheia de pedaços de casca misturada com um líquido seboso e a cheirar a penas. A acção é meter o ovo e a reacção é ficarmos todos badalhocos. A Física é uma ciência lindíssima. Mas, tecnologias à parte, o bicho Homem é um palermita de primeira e tudo o que faz tem sempre um porquê. Fizéssemos nós um esforço por entender os porquês e as soluções radicais não tardariam a surgir e a melhorar a sociedade. Vejamos. Porque é que o pessoal rouba? Muito simplesmente, rouba porque pode roubar. Se não pudesse roubar, ou o acto lhe trouxesse inevitáveis e imediatas consequências, tem a sua lógica pensar que não roubariam. Imagine-se, por exemplo, que mal acabasse de roubar, um larápio era apanhado e obrigado a andar nu pelas ruas com um cartaz pendurado a anunciar a besta que ele era, com as unhas dos dedos dos pés pintadas de roxo fluorescente. Porque é que o pessoal conduz na estrada que nem uns loucos? Porque podem conduzir assim. Se não pudessem conduzir assim, ou esse tipo de condução lhes trouxesse um efeito imediato, acabariam imediatamente os acidentes na estrada. Por exemplo, imagine-se os carros equipados com um sistema de ejecção de um objecto fálico lubrificado e pontiagudo, com ponta em forma de broca, no assento do condutor, que, ao menor sinal de condução perigosa, como atravessar um traço contínuo ou ultrapassar limites de velocidade, dispararia o dito objecto entre as nádegas relaxadas do condutor. É que isto entrava logo tudo nos eixos! Infelizmente, os intelectuais e os seus mandatários não partilham esta opinião, recorrendo àqueles discursos da liberdade e dos direitos de não sei o quê, enfim, disparates em cima de disparates que nos trazem como andamos. Mas o dia virá! O dia virá em que isto leva uma volta e tudo passará a levar em conta os porquês, e estes estarão na base de todo o tipo de consequências e previdências. Pode demorar umas décadas, mas lá chegaremos. Que esta mania de se esperar que sejamos todos cidadãos, tem de acabar. Não há cidadãos! Porque é que haveríamos de ser cidadãos? Cheios de civismo! Porquê? Algum motivo prático para o sermos? Sabemos que é isso que desejamos em sonhos, mas que na prática implicaria deixarmos de ser uns porcos e uma cambada de mal intencionados. Por isso, falamos em civismo, fazemos de conta que damos lições de civismo, mas na realidade continuamos a ser os mesmos animais de sempre. Porque o próprio conceito não existe, não se enquadra no ser humano. O ser humano não nasceu para ser cívico, nem para ter civismo, nem para ser cidadão. Portanto, se a malta quer que o povo tenha civismo, tem que ser por obrigação. Depois o povo pensará: ó carago, deixa cá ser cívico senão ainda fico sem um olho ou um testículo ou um mamilo. E aí tem um “porquê” que lhe guiará a vida, como rumo, como farol. Não se explica ao povo que é feio deitar-se lixo para o chão. O povo não percebe. O povo não entende. O povo está-se nas tintas para que o chão fique cheio de lixo. Portanto, é preciso arranjar um porquê para que o povo não deite lixo no chão. Por exemplo, se deitar lixo no chão, é obrigado a viajar três horas seguidas dentro do contentor de um camião do lixo em hora de ponta no serviço de recolha. Aí, o pai diz ao filho, qual advertência: Zezé, se deitares lixo para o chão, depois vais ter que andar três horas dentro do camião do lixo e ficas a cheirar tão mal que não te queremos em casa durante dois meses. O próprio pai não deitará, porque não está com muita vontade de viajar no camião. O mesmo sistema se pode alargar a tudo e mais alguma coisa que dependa da vontade pessoal do ser humano e que possa ter prejuízos para a sociedade e para o mundo. Por exemplo, as gajas feias não podem andar na rua sem uma máscara. Porquê? Porque senão depois vem a Polícia da Estética e as gajas feias, apanhadas em flagrante delito, têm de andar durante um mês de verão com um tapete de Arraiolos com dois furos para os olhos enfiado em cima. Sou mesmo mauzinho. Vá, eu não queria ir por aqui, mas, não sei porquê, não resisto a estas coisas, a esta censura da falta de estética. Isto é mais forte que eu. Mas é daquelas coisas para as quais não há porquê que lhes valha. Já se nasce assim. Pior, é quando a feiura vem de dentro e aí reside. Não há plástica que modifique, não há chicote que eduque, nem creme que hidrate. Ser-se feio por dentro é do pior que pode haver e não tem cura. Ou melhor, ter cura, até tem, mas era preciso um “porquê” muito convincente e assustador para curar. Demasiado assustador. Demasiado brutal. É que, este “porquê” teria de abalroar o outro “porquê”, o “porquê” que leva a que algumas pessoas sejam feias por dentro, que está associado a um prazer mórbido em ser-se assim, em ser-se feio, em ser-se mete-nojo, em ser-se um monte de esterco, em ser-se um pedaço de poio de cavalo engripado. Uma missão impossível, direi eu. Por isso, o mundo está irremediavelmente perdido. A todos os que são feios por dentro, eu desejo, sinceramente, que morram numa valeta com um foguete psicadélico enfiado naquela zona do corpo onde o sol não brilha! Não fazeis cá falta!!!... pickwick
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publicado por riverfl0w às 22:07
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006
Surprise!
Surprise, como os mais cultos devem saber, quer “dizer surpresa”, em húngaro, ou noutra língua qualquer. Tanto faz a língua. E surprise porquê? Porque a miúda estava pacatamente a estender roupa no estendal (eu encomendei especificamente umas pernas, mas não me quiseram fazer a vontade) quando surgiu o artista e a retratou assim. Surpreendidíssima. Presumindo que a roupa estendida seria a roupa a vestir de seguida, nomeadamente umas botas pretas (ficam sempre sexy), uma camisola de gola alta laranja (já vi cores mais bonitas) e… e… bem… o que aparenta ser uma saia moderna, às listas verdes e brancas. Tanto faz que seja uma saia branca às listas verdes, como uma saia verde às listas brancas, desde que o verde não seja brando, nem vice-versa, porque aí é que ia ser uma grande confusão para a miúda. E é escusado alguém vir alegar que aquilo é uma toalha, porque não é. É uma saia, nota-se logo, até porque não há mais nenhuma peça de roupa para usar abaixo da cintura, o que imediatamente leva à brilhante conclusão que aquilo é a saia. O modelo da saia, isso sim, é o modelo sai-do-banho-enrolada-na-toalha, também muito sexy! Mas há outras coisas que faltam no estendal e que me levam a conjecturar. Outras coisas como uma cuequinha. Podia ser uma daquelas tipo fio-de-seda a fazer comichão nos pêlos do rabo. Mas nem isso. Não tem nada. E, para cima, para os apetrechos de amamentação das crianças, também não há nada que sirva de suporte ou, ao menos, de preservação do pudor. Nadinha. É uma opção de vida da miúda, entenda-se e respeite-se. Trata-se, obviamente, de uma galdéria, mas pronto, de galdérias e de peruas está o mundo cheio, que no inferno não as deixam entrar. Ao olhar para o rosto pretensiosamente surpreendido da moça, ocorre-me que nunca surpreendi uma miúda nestes preparos. Nem miúda, nem graúda, nem nestes preparos. É uma daquelas coisas da vida que apenas imagino através dos filmes. Será que só acontece nos filmes? Não sei, mas fico sempre com a impressão que não há miúda que seja realmente surpreendida assim. Ou nunca é apanhada de surpresa, ou se é apanhada, não é surpresa nenhuma, antes pelo contrário, é o satisfazer de um sonho íntimo e tal. Eu sei que estou a ser maldoso, mas os factos especulados são para ser relatados sem omissão. Sobre a miúda do estendal, apanhada de surpresa, devo acrescentar apenas que é desdentada. Eu não aprecio miúdas desdentadas, até porque depois não são capazes de dar umas trincadelas sensuais na carne alheia, mas deve haver quem aprecie profundamente miúdas desdentadas. Provavelmente, especulo eu, por razões de ordem técnica no decorrer de algumas actividades mais em privado. Neste mundo, há de tudo, como sabemos. Mas, recordo-me agora de uma história de uma miúda que foi, de facto, surpreendida com os pêlos púbicos arejados. Contaram-me há anos atrás e acredito piamente que a história é mesmo um facto. Passo a descrever. M (nome fictício para preservar a identidade de uma miúda que eu nunca conheci nem me lembro do nome) era uma estudante universitária e, tal como a maior parte das estudantes universitárias, transformou-se rapidamente numa galdéria espevitada e aluada (das que uivam à lua). Longe dos pais, a liberdade esticou-se até não poder mais, até aos limites de tudo o que pudesse ter limites. Certo dia, mais um dia daqueles dias banais feitos de aventuras e traquinices, juntou um grupo de amigos no apartamento alugado, na cidade. Amigos e amigas, que resolveram proporcionar uns aos outros uma actividade lúdica, recreativa e desportiva, banalmente conhecida como orgia. Para os que não sabem o que é uma orgia, é tipo numa festa com vinte lésbicas de olhos vendados dentro de um tanque cheio de peixes e enguias. Uma festança! Ora, calhou que, nesse mesmo dia, e não noutro, os dedicados pais que lhe sustentavam os estudos e o apartamento, resolveram vir de lá do sol-posto, qual caravana em peregrinação, para fazer uma visita de surpresa à adorada filha universitária. Vieram, chegaram, bateram à porta e foram atendidos por uma filha toda nua, com um fundo de jovens possuídos e desabridos, todos nus e suados, com música ambiente de gemidos e garrafas a tilintar. A isto, sim, chama-se uma “surprise” e uma miúda surpreendida! pickwick
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publicado por riverfl0w às 18:24
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Quarta-feira, 17 de Maio de 2006
Contadores de Anedotas
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

A Beatriz, uma pirralha de 11-12 anos, obrigou-me a fazer uma pausa para contar uma anedota nova. Entre enormes sorrisos e uns pulos histéricos, lá foi contando a anedota, que eram mais um enigma do que uma anedota, mas ela ria-se por todos os cantos e insistia que era uma anedota. Pronto. Então, eu estava dentro de uma casa com quatro paredes e uma janela em cada parede. Do lado de fora de cada janela havia animais ferozes: numa, eram 50 leões, noutra 30 “trigues”, outra 100 crocodilos e finalmente mais 10 jibóias na última. Por qual das 4 portas eu sairia? É que não ia querer ser comido, pois não? Portas?, perguntei eu. As minhas propostas de escavar um buraco no chão ou sair ejectado pelo telhado levaram a miúda a refazer a estória toda, sendo os “trigues” sido promovidos a tigres, por via da redução do seu número para 20. As jibóias passaram a ser 100 e os crocodilos transformaram-se em 20 tubarões num rio. Bom. Por fim, pensei qual dos animais poderia ser mais lento e optei pelas jibóias. E acertei! Fantástico. A Beatriz ficou frustrada por eu ter acertado, mas, ainda assim, fez questão de explicar a anedota: é que a melhor opção eram as jibóias porque eram 100… mas não 100 de cem, mas sim 100 de sem, ou seja, sem jibóias e tal… eu fiquei a olhar para ela a pensar se havia de me rir para ela ficar contente, ou continuar com cara de quem comeu arroz de grelos. A Beatriz, caso não saibam, é fã louca dos D’Zrt, dos Morangos com Açúcar e de outro lixo cultural do mesmo calibre. E quer começar desde já uma carreira de modelo. Bom, há gente que devia ser proibida de contar anedotas. Outros, deviam ser proibidos de escutá-las. Destes, lembro-me perfeitamente do Eduardo, já lá vão quase vinte anos. O Eduardo, estudante do 1º ano do curso de professor primário, era um fulano ali da zona da Bairrada, extremamente limitado intelectualmente, mas asseadinho. Tão asseadinho, que ficou famosa a baldada que atirou pela janela do sótão onde vivia comigo e com o Jorge. Baldada de água que usou previamente para lavar os pés fungosos e fedorentos, e que aterrou tragicamente em cima de um transeunte que circulava pacificamente naquela descida que existe junto ao Fórum Aveiro. O Eduardo era um tipo muito concentrado. Em época de estudo intenso, o mínimo ruído era pior que pratos partidos. O Eduardo estudava matemática pelos livros do 9º ano e nós devorávamos manuais de análise matemática de autores russos. Quando o Jorge virava a folha de um livro, o Eduardo quase saltava da cadeira, muitíssimo incomodado. Música no ar, então, nem pensar. E logo connosco, que tanto gostávamos de ter a música ambiente para um estudo mais rentável. Certa noite, após uma intensa sessão de estudo e de umas imperiais no Inhangá (esse mítico bar), o Jorge resolveu contar umas anedotas. Aqui está um rapaz que é um exímio contador de anedotas. Ora, nessa noite, optou por contar “apenas” anedotas do elefante e da formiga. Resmas delas. Não me lembro de quase nenhuma. Só daquela da savana. Eu conto. Num belo dia, na savana, apareceu ao longe um elefante e tal, aos saltinhos ligeiros como se andasse a saltitar num lago de nenúfar em nenúfar. Pelo caminho, atropelou uma multidão de formigas, junto à entrada do formigueiro. No dia seguinte, e nos demais, o elefante repetiu o passeio, ficando-lhe novamente o formigueiro no meio do caminho, produzindo grandes matanças diárias. A tal ponto, que as formigas resolveram revoltar-se e traçaram um plano maquiavélico para eliminar o elefante. Assim, um belo dia, puseram-se todas à espera do elefante, em formação de ataque. O “tum-tum” das saltitadelas do bicho eram impressionantes, mas elas não desarmaram. Quando o elefante ficou ao alcance, uma delas gritou “Agora!” e todas as formigas saltaram para cima do elefante. Este, pressentindo qualquer coisinha em cima da espessa pele, parou e sacudiu-se, atirando para longe as formigas que tinham acabado de saltar-lhe para cima. Todas, menos uma, que resistiu e ficou em cima dele. A esta, todas as outras bradaram lá do chão, em coro: “Esmaga! Esmaga! Esmaga!”... Pronto, contado por ele era de morrer a rir. E quando ele decidiu parar, já me doía tanto a barriga que não aguentava mais nenhuma anedota do elefante e da formiga. Eu ainda não tinha reparado, mas as únicas gargalhadas que se ouviam no sótão eram as minhas e as do Jorge. Os segundos que se seguiram à acalmia, foram cortados pelo comentário do Eduardo, muito sério: “eu não sei que piada acham a essas anedotas… ainda se fossem de alentejanos…“ O próprio Eduardo passou a ser uma anedota, em si próprio, daí em diante. Mudou-se para outra casa ao fim de um ou dois meses, mas ficou-nos para sempre na memória, pelas anedotas, pelas folhas dos livros, pela água de lavar os pés, etc. Cada vez que havia ajuntamento para sessões de anedotas, a figura do Eduardo acabava sempre por aparecer pelo meio, para grande risota geral dos que nunca o conheceram. Mas há mais. A Isabel, por exemplo, não entendia as piadas acima das básicas sobre alentejanos. Qualquer coisinha mais subtil, mas negra, passava ao lado, e a mocinha acabava por se rir sozinha, minutos depois, pela piada que achava de não perceber a piada acabada de contar… E, note-se, a Isabel era uma aluna com notas de 18 valores! Enfim, é como digo: se há gajos que deviam ser proibidos de contar anedotas, outros deviam ser proibidos de as ouvir. É como dar música clássica a um carroceiro! pickwick
música: I Started A Joke – Faith No More
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publicado por riverfl0w às 00:10
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Segunda-feira, 15 de Maio de 2006
Os amigos da Meia Via
Há passeios românticos, numa solarenga tarde de primavera, que facilmente se transformam em passeios nostálgicos. Por certo haverá casais de licenciados que passearão por ruas outrora calcorreadas com uma capa nojenta às costas, apontando para ali e para acolá, entre espasmos bestiais (de besta, entenda-se), recordando em voz alta as efemérides e as companhias que deram azo a cenas tristes de vómitos ao virar daquela ou de aqueloutra esquina. É uma forma de realizar um passeio nostálgico. Cada um tem a sua. Eu cá, foi mais de um saltinho à Meia Via. Para os menos sabidos e menos doutos em geografia nacional, a Meia Via é uma pacata aldeola ribatejana, banhada agora pela moderníssima A23, e alvo do malfadado progresso que assolou todo (ou quase) o país, remetendo para um outrora longínquo a paz e o sossego que faziam de nossa vida uma vida com qualidade de vida. Portanto, uma vida de qualidade. A Meia Via também devia ser assim. No passeio, recordei-me de alguns fogachos, à guisa de “felaches” e picos de acesso ao Memory Stick. Muito cansativo, digo já, ou não tivessem passado mais de três décadas sobre a última vez que estive na Meia Via. Como o tempo voa. Ou, adaptando à modernidade, o tempo agora passa a vida a andar de avião. Bom, entrado na Meia Via, o único pedaço que de lá me poderia recordar era mesmo a escola. Não que lá tivesse estudado, mas porque a minha mãezinha lá trabalhou durante um ano e eu tinha de ir com ela para lá, fazer tempo, entregue à liberdade condicionada do recreio de uma escola primária. Ao dobrar a curva, mesmo antes de bater de frente no edifício escolar, uma encosta suave fazia descida para a auto-estrada. Eu não sou muito de pesadelos, mas há que referir que tenho sorte por nunca ter tido sonhos atribulados com uma cena foleira que me aconteceu naquela encosta. Acho que foi o primeiro dá-de-frosques da minha vida, um verdadeiro brilharete dos “100 metros encosta acima”. A cena foleira deu-se numa tarde qualquer, tinha eu seis anos. Como puto que é puto a sério, e não os pedaços de carne amorfa e enjoada de que são feitas as crianças hoje em dia, não tardei enquanto não quebrei a liberdade condicionada, atravessei a estrada e abalei encosta abaixo, na ganância de explorar novos territórios de baldios, pinheiros e mata rasteira. A coisa é que correu mal, pois um cigano dos seus dez anos, que não tinha mais nada para fazer, topou-me ao longe e em pouco tempo estava também na encosta, aproximando-se de mim com um arame ferrugento nas mãos, esticando-o repetidamente e exibindo um ar sinistro e pouco amigável. Não me lembro bem, mas mandou umas bocas quaisquer sobre enrolar-me o arame ao pescoço e ah e tal. E eu, nem esperei para lhe responder educadamente que fosse à m****, até porque só umas semanas mais tarde é que devo ter aprendido a ser assim educado, vai lá saber-se com quem tive as lições. Em três tempos tinha esgalhado a encosta toda e saltava ligeiro por cima do muro da escola, provavelmente branco que nem umas ceroulas, e muito ofegante, com o coração a saltar-me pelas narinas. É fixe ser-se ameaçado com um arame e escapar. É bonito, até. Lembro que, a seguir ao muro, o conforto veio mesmo dos meus únicos amigos de então. Naquele pátio enorme aos olhos de um puto de seis anos, mas pequenino como agora pude constatar, costumava passar muito tempo com os alunos mais velhos, os da “tele-escola”, tudo acima da barreira dos 12 anos. Uns matulões, pensava eu, lá de baixo da minha minorca estatura. O “russo”, era como me chamavam, a propósito da cor do meu cabelo. Acho que só passados muitos anos é que percebi essa expressão, mas pronto, eles eram felizes assim, a chamar-me destas coisas. Fui ter com eles e fazer queixinhas. Tipo apresentação de queixa de tentativa de agressão numa esquadra da GNR, mas com a diferença que ali se obtinham efeitos práticos. Tal como eu entrei de um salto por cima do muro para dentro da escola, assim saiu um bando de matulões em direcção à encosta baldia. Não assisti a nada, mas desde aí nunca mais voltei a ter problemas com arames e tal. Só com ciganos atrás da minha bicicleta, mas isso é outra estória, noutro local. Uns gajos muito fixes, esses amigos da Meia Via. É curioso regressar a um local passados tantos anos. Especialmente pela nova perspectiva arquitectónica da coisa, pairando os olhos ao dobro da altura de antigamente. Um recreio gigantesco, agora tão mediano. Foi nesse recreio que andei “à porrada” a primeira e única vez da minha vida. Por acaso, mas só por mero acaso, foi por instigação dos meus amigos fixes da Meia Via, curiosos por verem como é que um puto pãozinho de leite com seis anos se safava embrulhado à pancada com um gandulo de dez anos, da aldeia. Lindo serviço! Mas safou-se bem, graças à boa alimentação caseira e à azelhice bilateral. Uma daquelas cenas de pancadaria muito violentas, em que os dois contendores se abraçam, espumam, gemem, rebolam, urram, fingem que matam o outro, mas não acertam uma. No fim, sobram umas caras muito vermelhas, um nariz alheio amassado com a pressão dos abraços, talvez um bocado de ranho a escolher pelas beiças, as gadelhas todas alvoraçadas, as fraldas de fora e a cabeça a andar à roda. Altamente! Teoricamente, como o outro é que teve o azar de ficar com o nariz amassado, sobrou-lhe a derrota. Eu cá não dei por nada, de tão desorientado que estava. Os meus amigos é que estavam todos contentes, que paródia! E o dia estava a correr muito bem, até chegar a minha mãezinha e prometer ajustar contas comigo em casa. Pior, foi chegar a casa e ela ajustar mesmo contas comigo! Foram tantas neste coiro que jurei para nunca mais na vida alinhar numa daquelas. Mas pronto, foi pelos amigos da Meia Via. Uns gajos fixes. pickwick
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publicado por riverfl0w às 22:03
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Sábado, 13 de Maio de 2006
As vacas, o amor e a vida
Há um filme, giríssimo na época, que tem o título ao contrário: a vida, o amor e as vacas. Tomou esse título, provavelmente, em função do grau de importância de cada um destes conceitos. As vacas eram mesmo vacas, daquelas de pêlo e cornos, que levavam cobóis a passear pelas planícies para passarem o tempo e ganharem algum para pagarem o uísque que consumiam avidamente para tentarem convencer-se uns aos outros - e aos demais - que eram homens do carago. Sendo assim, a vida tomava uma importância maior, seguida pelo amor, essa sacanice maldosa de quem criou o bicho Homem. Passados poucos anos sobre o filme, percebi que a ordem estava trocada e que o centro da vida era mesmo a raça bovina. Daquelas vacas que a gente sabe. Na altura, não me poupava a dissertações sobre a psicologia da vaca, aproveitando o facto de ter muito tempo livre para o fazer, em vez de estudar como era meu dever. Mais anos em cima e, às custas de mudar de cada X vezes e de tentar organizar os meus haveres Y vezes, encaixotei cartas e cartas acumuladas ao longo de vários anos, entre amigos e namoradas. Sobre estas últimas, mais verdadeiramente sobre uma delas, o volume de cartas era mais que muito, tendo acabado por ficar separadas em mais que uma caixa. Uma delas, daqueles “arquivos mortos” de cartão para entalar numa prateleira, acabou por escapar à remessa que transitou para a garagem, encontrando-se na estante da minha sala, com uma pomposa etiqueta a dizer “Correio da Vaca”. Com uma vaquinha que vinha com o Office, a acompanhar. Não há muitos meses, um dos irmãos da dita, com quem me dou na perfeição, veio cá jantar a casa e, estando de frente para a estante, exclamou entre duas garfadas: “Correio da vaca?! Que é essa m****, pá?”. O outro irmão, também à mesa, conhecedor da origem da coisa e do conteúdo da caixa, sorria de gozo. Eu disfarcei a coisa como pude, e penso que o rapaz nunca irá relacionar coisa com coisa. Enfim, isto das vacas tem muito que se lhe diga. Hoje mesmo, numa troca de sms com um amigo, atolado em conturbados sentimentos atrofiantes, derivados de uma relação amorosa mal acabada, vieram as vacas à conversa. Confesso que a culpa foi minha, pois quando o aconselhei a recorrer à escrita para aliviar o sentimento e o aperto, respondi ao pedido de sugestão de tema com “a vida, o amor e as vacas”. Fi-lo de forma imparcial, note-se, utilizando a sequência original do filme. Não quis, pois, influenciar o homem. O certo é que na sms de resposta dizia que ia para o meio das ruas de Coimbra pintar vacas. Pois, até ouvi hoje na rádio que iam andar vacas em fibra de vidro pela cidade e não sei que mais. Pouco depois, recebi nova sms com um pensamento filosófico que fez questão de pintar numa das vacas expostas ao público: “As vacas vão a todo o tipo de paradas e, se deixares, põem-te a pastar. Isso não é nada bom. Se possível, não aprendas a pastar. Se aprenderes, deixa o pasto enquanto podes. Isso é para elas, as vacas”. Esteve bem, este poeta. Portanto, se alguém encontrar uma vaca, no meio da cidade de Coimbra, com este pensamento brilhante, já fica sabendo que é tudo uma questão de gajas foleiras. E eu, faz de conta que não tenho culpa. Seja como for, devo dizer que fiquei encantado com a profundidade do pensamento. A analogia com o “pastar” é mais que perfeita e encaixa que nem uma luva. Vou dormir sobre o assunto, esta noite, para tentar digerir a coisa. Pela parte que me toca, os tempos de andar a ruminar pelos prados, feito artolas, a rastejar que nem as lesmas, já passou. Mas, pelo que parece, as vítimas não param de surgir. Parece uma sina, esta coisa de sermos convencidos a pastar. Aos que não conseguiram escapar à primeira, ou à segunda, nem às demais, reitero a necessidade de se manter a fé de que um dia será o dia da fuga do prado e a conquista da liberdade! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:19
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Quarta-feira, 10 de Maio de 2006
Memory Stick Failure
Ou a doença de Alzheimer. Que eu ainda não tenho. Espero. O certo é que desde há já largos anos que venho a ser atacado por momentos de profundas falhas no sistema de memória deste emaranhado de teias de aranha e cacos de porcelana reles que formam o meu cérebro. O mais chocante de que me lembro foi em 1997. Na véspera do meu aniversário, cuja data não vem ao caso, disse para comigo: amanhã fazes anos, que giro, estás mesmo a ficar velho. No dia seguinte, dia do meu aniversário, fui trabalhar, como todos os dias, e nunca mais me lembrei de que fazia anos. Como tinha o privilégio de trabalhar num gabinete e de ninguém num raio de 400 km saber o dia do meu aniversário, nunca fui chamado à atenção para o facto. Nunca, até que tocou o telefone. Era o Rui, 700 km mais a norte, a dar-me os parabéns. Espantado, exclamei: Parabéns?! E enquanto metíamos a conversa em dia tentava puxar pela cabeça para perceber a que propósito ele me tinha dado os parabéns. Teria ganho algum concurso, algum prémio? Teria feito alguma proeza fantástica, sem saber? Teria salvo algum gato enfezado do cimo de uma árvore? Bom, a conversa durou longos minutos, muito longos, porque o Rui trabalhava na empresa da rede 91 e podia telefonar à vontade que no final o saldo bancário nem mexia. Quando nos despedíamos, o Rui voltou a reiterar os parabéns e foi aí que, finalmente, se fez luz! Grunhi um “aiiii” e bati com força na testa e ainda ia para lhe explicar que só agora tinha percebido que os parabéns ela pelo meu aniversário, mas, felizmente, desligou o telefone e a minha reputação não desceu ainda mais. Não tão fortes, outras falhas de memória têm ocorrido durante os anos. As mais comuns, ora com mais, ora com menos intensidade, são as portas para fechar, especialmente as que foram fechadas mas que fico na dúvida e volto atrás para verificar e passados uns minutos esqueço-me se já verifiquei se me tinha esquecido e volto novamente atrás para confirmar e se for preciso ainda volto a parar para pensar novamente no assunto. A coisa tem corrido ligeiramente melhor desde que comprei um Nokia reles, o mais barato da loja, equipado com um fantástico gestor de lembretes. Um gajo não tem uma secretária loira de mini-saia mas tem um telemóvel com lembretes, que é quase a mesma coisa e pode apalpar-se sem levar dois pares de estalos ou ser-se arrastado selvaticamente para debaixo de um vão de escada. A mais recente crónica sobre as minhas falhas de memória decorre dos regulares acidentes naquela divisão da casa cheia de azulejos, frigoríficos e pratos. O saltinho à cozinha para meter água ao lume para fazer chá ou cozer arroz tem levado ao esquecimento crónico de que ficou qualquer coisa ao lume. Qualquer coisa que se evapora e que, ao fim de vários minutos, se transformará numa peça de metal seca a ser esturricada em cima de uma chama viva, sobreaquecida, perdendo irreversivelmente qualidades. Já aconteceu com um púcaro de alumínio, deixado ao lume várias horas, o qual, desde então até agora, se amolga à mínima pressão de uns dedos sensíveis (como os meus, por exemplo) ou a passagem mais viril de um pano da loiça. A seguir, veio um tacho, daqueles de fundo não-sei-quê todos sofisticados e inox e ah e tal, deixado ao lume durante várias horas, muitas horas porque tinha muita água, e que acabou todo negro por dentro e com uma cor suspeita por fora. Posteriormente, veio outro púcaro, maior, mais jeitoso, mais caro, abandonado só e sozinho… este teve melhor sorte, porque só deve ter ficado ao lume durante umas dezenas de minutos, safando-se só com umas cores pirosas e umas manchas denunciadoras. Não querendo acabar com o resto do trem de cozinha aqui de casa, desenvolvi uma sofisticadíssima técnica para evitar a continuidade destes percalços, técnica essa que está em aplicação neste preciso momento, enquanto digito estas linhas e tenho água ao lume para um cházinho. A técnica consiste em sair da cozinha com uma pega nos dentes. A pega, como os mais entendidos sabem, é aquele objecto de pano ou renda que se usa para pegar num tacho ou púcaro a escaldar. Assim, venho sentar-me em frente do computador, ou ali na mesa, com a pega nos dentes, para garantir que ao fim de alguns minutos irei questionar-me por que raio estarei com uma coisa daquelas nos dentes e, aí, chegarei à conclusão de que tenho algo ao lume. Brilhante, não é? pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:08
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Segunda-feira, 8 de Maio de 2006
A tripa cagueira
Eu sei, eu sei... estamos na Primavera, está um tempo tão lindo e há tantas coisas bonitas sobre que escrever... Mas a verdade é que a minha tripa está revoltada com qualquer coisa e então resolvi dedicar-lhe umas linhas. É como aqueles gajos incas que iam para cima duns penedos abanar não sei o quê e cantar umas coisas e chamar pelo Sol e ah e tal e as culturas de arroz e as lamas e as escadas e não sei mais quê. Pois, não sou muito letrado em cultura inca, mas o que interessa mesmo é a intenção. A deles e a minha. A deles era não sei o quê, ah e tal, mas a minha é interceder junto dos meus intestinos para que parem de fazer birra e arreganhar a dentola. Rapidamente. A tripa cagueira sempre foi uma coisa que me fascinou. As gajas jeitosas também, mas há algo de misterioso na tripa que me espevita a imaginação. Isto resolvia-se bem se eu fosse um Homem de grandes "Lycopersicon esculentum", tirava dali da gaveta da cozinha o facalhão de cortar fatias de chouriça assada em álcool (é uma faca normal, mas foi só uma desculpa para falar nesse belo petisco português) e abria aqui a zona do umbigo, só para ver como era. Só por curiosidade, nada daquelas mariquices japonesas com gritos histéricos e paninhos brancos. A bem dizer, até dava jeito, porque uma coisa que sempre desejei foi pegar na tripa com as mãos, desde o princípio, e começar a espremê-la para sair todinho, como se fazem às tripas dos porcos para depois se lavar e fazer chouriças (sim, esses belos petiscos). Esta técnica, digo eu, bateria aos pontos aquela cena muito gay de enfiar um tubo entre as nádegas e não sei o quê do clister. Clister, como todos sabem, era uma ordem militar portuguesa da altura dos descobrimentos, em que a malta andava de espada à cintura e túnicas cor de azeitona a gritar não sei o quê que já não me lembro. Uns parvalhões, mas enfim, coisas da época. Bem, depois, convenhamos, pegar na tripa também pode servir para a massajar. Toda a gente sabe o bem que faz massajar o corpo. Eu bem que tento deitar-me de barriga em cima do encosto da cadeira, mas a coisa não se adapta muito. Os fabricantes nunca pensaram muito nesta utilidade da cadeira e por isso nunca desenvolveram encostos a condizer com a zona do umbigo. Uns tansos, é o que é! Não percebem nada de negócio. Ora bem, depois de esvaziar a tripa, massajá-la, eventualmente untá-la com massa de mecânico (para deslizar bem), seria necessário fechar a abertura. Agora a medicina está muito evoluída e tal, agrafos e não sei mais o quê, mas continuo a achar que o método do João Rabão (o célebre herói gadelhudo que grunhia mais do que falava e batia em tudo e em todos e gastava resmas de munições e andava sempre com os braços abertos a fazer de asas de pato) ainda é o melhor método. Portanto, passando a descrever: deita-se pólvora na abertura, chega-se-lhe o fogo, faz “sssshhhhhh”, luz, grita-se (ou não, já não me lembro, mas pode gemer-se, em alternativa, que também fica bem), depois tira-se uma agulha de dentro do cabo do facalhão de matar javalis, uma linha não sei de onde que não me lembro, e costura-se tudo. Pronto, fica a coisa prontinha como nova, imaculada, até à próxima necessidade. A questão da pólvora é muito importante, porque ajuda a colar mais depressa as bordas da abertura na barriga. Ok, agora, o problema, é que eu, sinceramente, não tenho coragem para fazer isto. Eu sou uma pessoa sensível e tenho a noção que meter as tripas cá de fora dará origem a um cheiro nauseabundo, insuportável, que me provocaria rapidamente enjoos e vómitos compulsivos. Por isso, porque não me apetece vomitar, não o faço. Mas estejam à vontade, quem for menos sensível ao cheiro, para fazer este tratamento à tripa da próxima vez que tiverem problemas, está bem? Depois digam qualquer coisinha, que até somos capazes de fazer um filme. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:06
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Domingo, 7 de Maio de 2006
Romance na penumbra

Se há amores que parecem predestinados, tal é o fogo da paixão, outros há que são mais difíceis de conseguir, por motivos vários de ordem natural e sobrenatural e outras coisas acabadas em 'al', com laranjal. Bem, quando eu era miúdo escrevi um romance entre duas pessoas, em que uma delas era uma galinha, não me lembro bem se era o gajo ou a gaja, mas também não importa agora. Apetece-me escrever um romance difícil. Assim, decido agora mesmo criar dois personagens: o Amílcar, que é um prato de porcelana do início da década de 1900 com a pintura de um general, e a Brobuteia, que é uma maçaneta de porta em esmalte branco. Ali por alturas de Outubro, o Amílcar foi comprado num antiquário e espetado em imaculada prateleira numa sala antiquada cuja porta se fechava às custas de apalpar o rabo à Brobuteia. Poder-se-ia dizer que esta rapariga era da má vida, mas seria depreciar a sua missão de vida e ignorar a utilidade evidente. Poucos dias depois do Amílcar aparecer - já a euforia da sua chegada tinha passado entre os restantes pratos, jarras e porcarias inúteis - o tédio regressou à sala. As vistas não eram das melhores, alternando entre quadros mal pintados, jarras cheias de celulite e pratos rachados, tudo a cheirar a mofo num ambiente de meia-luz. Por vezes, o velhote anfitrião surgia pela porta, batendo irritantemente com a sua bengala no chão de madeira comida pelo bicho, misturando o cheiro a mofo com o fedor a cueca mijada. Enfim, não era das melhores vidas que se podia ter, a do Amílcar e da Brobuteia, mas podia ser sempre pior. Algures ali para o mês de Dezembro, o Amílcar começou a prestar mais atenção à forma obscena como o dono da casa apalpava a Brobuteia. Afinfava ali uma manápula nas nádegas da rapariga e torcia-a sem qualquer compaixão, obrigando-a a gemer de dor. A forma condescendente com que Brobuteia aceitava o seu destino, levou Amílcar a pensar que estava ali uma rapariga de valor, uma pessoa invulgar no sítio errado com a missão errada. De si próprio não pensava muito diferente, pelo que o seu cérebro, ainda desenvolto e elástico, como sempre foi desde que foi parido, e o foi no célebre dia da violenta perseguição aos pratos foleiros do número 4 da rua do Almirante Carvalho Araújo, não demorou muito a tecer planos e cruzar ideias. Obviamente, Amílcar tinha que saltar dali para fora, pegar na Brobuteia e transladarem-se para paragens mais propícias à felicidade de ambos. Por alturas de Novembro, ou seja, um mês antes de ter estas ideias, Amílcar decidiu que não tinha mais tempo a perder e estava na hora de passar dos actos aos pensamentos. Na segunda semana de Outubro, aproveitando a escuridão trazida pela noite e por um candeeiro avariado na rua próxima, desceu da sua prateleira por uma fio de teia de aranha, sem ser notado. A aranha fez negócio com ele, trocando o suporte para pratos onde estava Amílcar - e que dava um excelente palco para os seus concertos e recitações - por uma descida grátis usando a sua teia. Um negócio da China! Já no chão, Amílcar rodopiou acrobaticamente pelo soalho estragado, até estacar à beira da porta. Olhando para o meio desta, chamou:
- Ó boazona! Ó rabo branco! Ó jeitosa!
Por alturas de Setembro, o alvo da sua paixão deu conta do chamamento e respondeu:
- Sim?! Quem me chama? Que me quereis!
- Quero-te toda, cá em baixo, ó brasa da minha paixão, e despacha-te que o eléctrico das onze não tarda a passar lá para as catorze! - respondeu o Amílcar, todo entusiasmado.
- Ai, ó homem, mas ainda me magoou toda a saltar daqui aí para baixo… não é perigoso?
- Perigoso é o primo do piri-piri, ó boazuda! Deixa-te de tretas e desatarracha-te lá depressa, vá!...
A Brobuteia era uma miúda jeitosa, de falas moderadas, mas um bocadinho limitada em termos de progressão do pensamento. Se hoje voltasse à escola, seria definitivamente uma aluna com necessidades educativas especiais, aparelho nos dentes e saia cor-de-laranja. Um tom mais elevado de voz será como que uma ordem para ela. Em menos de quinze dias desatarrachou-se sozinha da fechadura da porta, onde viveu durante tantos anos, e preparou-se para saltar para a nova vida.
- Ó de baixo! Estais aí? Vou saltar, está bem?
- Sim, anda lá, despacha-te que o estúpido do velhote já olhou várias vezes para aqui a pensar que sou um cotão das ceroulas… quando vier a mulher da limpeza, daqui a dois dias, descobrem a trapaça e estamos lixados! Rápido!...
Brobuteia inclinou-se para a frente, preparando o salto. Lá em baixo, Amílcar esfregou de contente as mãos do general da pintura, posicionando-se para receber aquele rabo branco e perfeito que há tantos meses ansiava. Lá para Julho, Brobuteia saltou, finalmente.
- Aí vou eu! Segurai-me que sou uma louca!
- Vem! Anda, que te amparo pelas nádegas, meu pedaço de febra!
A descida, como nos filmes, demorou alguns minutos. Amílcar, com os braços do general estendidos e a tremerem, fechou os olhos do general. Numa questão de segundos, o rabo da Brobuteia pareceu-lhe maior do que aquilo que via da prateleira e ali de baixo. Teria sido enganado? Do outro lado da sala, um grito triunfante do dono da casa apanhou-o desprevenido.
- Upa!... - gritava o dono.
A senhora da limpeza, com uma lingerie púrpura cheia de rendas e muito foleira, agitava o espanador do pó enquanto tentava bater palmas.
- Engrácia, chegue-me aí outro penico. Esta operação às cataratas transformou-me num lince! Não há maçaneta que hoje escape aos meus lançamentos.
Amílcar, subitamente, caiu em si. Sim, tudo fazia sentido. O estúpido do velho, operado aos olhos há três semanas, treinava a pontaria que a nova visão lhe permitia ter, atirando penicos de porcelana branca à maçaneta da porta, ou seja, às nádegas da Brobuteia. Obviamente, quem se quedava em cima dele, não era a Brobuteia, mas sim o penico de porcelana. Brobuteia, atingida violentamente no cóccix e assim atordoada, caía também. O penico caiu com um estrondo ensurdecedor em cima do Amílcar, fazendo-o em cacos e desfazendo-se também em pedaços de porcelana branca com cheiro a urina. Brobuteia caiu logo a seguir, lascando-se nas nádegas. Como estava atordoada nem deu pela morte a chegar. Amílcar só teve tempo de arregalar os olhos do general, pois em poucos segundos um dos olhos ficou em cima do tapete e o outro foi para debaixo da estante de pau-preto.
- Porra, que já parti isto tudo! - gritou o velho.
- Ai, tão giro! Atire outro, atire outro! - guinchava a senhora da limpeza, abanando o rabo disforme e gorduroso.
E assim terminou, dramaticamente, o segundo maior romance da história daquela sala. Porque o maior, estava para vir a seguir, quando uma das cadeiras piscou o olho às ceroulas do velhote. Mas isso, é outra estória.
Moral desta estória: se faz favor, coma cenouras enquanto é novo, para não ter de ser operado às cataratas quando for velho e depois estragar um romance como este, está bem? pickwick

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publicado por riverfl0w às 23:56
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2006
Malditas purpurinas
Ontem, um puto perguntou-me o que eram purpurinas. Achei estranho a pergunta, vinda de um fedelho de 12 anos, ávido consumidor de televisão como todo o fedelho de 12 anos que se preze. A Sónia, da mesma idade, chegou-se à frente para adiantar uma explicação para o objecto em causa, falando em vernizes e brilhantes e porcarias (as porcarias são da minha autoria) para adornar as unhas de miúdas pirosas (as miúdas pirosas também são da minha autoria). Eu não tenho TV mas ainda outro dia calhou ver um pedaço de um anúncio num ecrã alheio. Fiquei na mesma, mas deu para ver que as gaiatas que interpretavam os papéis tinham um ar de bestas. Não daquelas bestas como normalmente encontramos a sair de um bar mal cheiroso, daquelas bestas a cheirar a cavalo cansado, muito ordinários em todos os aspectos e que não se perderia nada se fossem levados pelo veterinário municipal para abate. Não, aqui estamos a falar de bestas requintadas. Daquelas que se lavam, cheiram bem, têm bom aspecto, mas que não passam disso. São as chamadas BPs… ou Bestas das Purpurinas. As BPs são insolentes, porcas de espírito, vazias de valores e esgotam a paciência ao pobre mundo. Bem, mas desviei-me do assunto. Eu queria mesmo falar era das purpurinas. Alguém é capaz de me explicar o que raio são purpurinas? E porque raio se chamam assim? Serão de cor púrpura? Ou purpurina tem a haver com desinfecções e álcool etílico? Peço desculpa por tresandar a ódio a esta onda das purpurinas, mas é mais forte que eu. Apesar de não ter TV, oiço rádio com frequência, não escapando, assim, à porcaria do anúncio das malditas purpurinas. É de ouvido cheio que ando, de tanto ouvir aquelas pitas mal desmamadas, com pronúncia de quem anda a mascar gomas do tamanho de um presunto e a saber a corante sintético, conspurcando o ar à sua volta com gafanhotos cuspidos em partículas minúsculas filtradas pelos aparelhos metálicos que usam nos dentes. É irritante! Muito irritante! Será esta a geração das purpurinas? A tal que levará o mundo à derrocada final? O triunfo das bestas das purpurinas no mundo civilizado, a queda do império do normal, o fim do princípio do caos. Lá estou eu a bater no ceguinho. Devo ter alguma coisa contra alguém, para estar aqui assanhado com um sector da sociedade que cospe gafanhotos por entre os aparelhos. Só pode. E eu que só queria dizer mal das purpurinas, depois de saber o que são… O estranho, é que tenho falado com uma série de gente, de todas as idades, e ninguém parece saber o que são purpurinas. Cá para mim, esta é mais uma estratégia de génio de algum grupo empresarial X, do qual faz parte uma nova empresa B que fabrica purpurinas. A empresa A, que também faz parte do grupo X, lança no mercado uma publicidade sobre os seus produtos, mencionando um outro produto que não tem nada a haver com a sua linha de produção, mas que, dada a sua raridade e insistência, suscita a curiosidade de 10 milhões de cromos. Ora, quando a curiosidade já é tanta que não cabe entre tanta calça justa, eis que surge no mercado uma empresa B, fabricante do tal novo produto, também do mesmo grupo X mas que ninguém precisa de saber, que terá à sua mercê 10 milhões de consumidores, completas bestas, ansiosos por levar para casa um frasquinho da novidade. Ou seja, daqui a nada, haverá 10 milhões de frascos de purpurinas vendidos, entrando em praticamente todos os lares desde país. Duvidam? Esperem só para ver... pickwick
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publicado por riverfl0w às 13:49
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