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Sábado, 8 de Janeiro de 2005
Coração


Esta é a história de um coração
que andava pelo Mundo procurando uma razão,
uma razão para viver, uma razão para morrer,
uma razão para continuar a cantar
ao ritmo marcado pelo vento,
uma razão para viver a vida, de dia e de noite, de noite e de dia,
cantando sem parar, procurando a verdade,
ao ritmo de um Güagüancó.

Coração de cristal,
coração de madeira,
coração de verdade,
coração que bombeia,
coração armadilhado,
coração da guerra,
coração da paz,
coração da minha terra,
coração que não ri,
coração que não sente,
coração que não canta,
coração que morre,
coração transparente,
coração que não mente,
coração que se move,
coração da minha gente.

4 eram os Beatles,
30 pétalas tem a margarida,
10 são os mandamentos
e apenas uma a vida.
40 são os ladrões,
0 as regras para o amor,
4 são as cores, milhares as flores,
e apenas um o coração.

O coração pequeno e forte
continuava viajando e conhecendo o Mundo.
Encontrou outro coração que, como ele,
procurava um sítio para viver, para morrer,
para continuar a cantar,
ao compasso desse ritmo criado pelo vento.
E com tudo o que viu e escutou
por aí escreveu uma canção,
a canção do coração que canta.

O coração continuou marchando
com um sonho na mão,
conhecer o amor,
encontrar um irmão,
um coração diferente
que cantasse o presente,
que quisesse acreditar
que havia um mundo melhor.

No dia em que chegou ao mar
lançou uma garrafa
com uma breve mensagem
que aprendeu na viagem.
Que era baixo o céu,
havia um mundo imperfeito
com um coração bom
que continuava cantando.

4 eram os Beatles,
30 pétalas tem a margarida,
10 são os mandamentos
e apenas uma a vida.
40 são os ladrões,
0 as regras para o amor,
centenas são os países,
mil as raízes,
e apenas um o coração.

Coração que parte, que sobe, que canta,
que morde, que vale, que vem e que vai.
Coração que escuta, que cala, que grita, que baila,
que sabe, que fala, que se ouve palpitar.
Coração que se sente, que salta e que cai,
que ladra, que pede e que não tem nada.
Ele que agora vem, ele que se vai, ele que te oferece,
ele que te dá, ele que te toca, ele que te foge,
ele que agora quer,
ele que agora basta.

Que canta, que canta, que canta, que canta, que canta.

Coração de leão,
coração de pantera,
coração por amor,
coração que não espera,
coração de uma noite,
coração de luta,
coração de paixão,
coração, coração.
Coração de leão, que canta,
coração de pantera, que canta,
coração por amor, que canta,
coração que não espera, que canta,
coração de uma noite, que canta,
coração de luta, que canta,
coração de paixão, que canta,
coração, coração,
que canta, que canta.


Letra e música de Jovanotti, Jarabe de Palo, Ernesttico
Tradução livre de riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 01:59
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2005
Nostalgia, talvez

Hoje era urgente vir aqui. Dei por mim a duzentos e muitos quilómetros de onde sempre vivi, fechado num quarto a ler na diagonal o que os outros escreveram sobre a arte do século XX. Reparei que mal conheço as pessoas com quem vivo há quatro meses... reparei que talvez tenha criado laços mais fortes com os dois franceses e as duas polacas que a minha família acolheu nos últimos cinco dias, mesmo falando um francês mal amanhado. Aprendi que na Polónia não há laranjeiras, que a Torre Eiffel tem 360 metros, que se vê a uma distância de sete quilómetros, e que "Doubránotz" quer dizer "Boa Noite". São trivialidades, talvez. Mas não serão estes pequenos momentos que dão sabor à vida?

Reparei que mal sei os nomes dos meus colegas de curso. Uma delas competiu comigo num dos campeonatos de natação, há uns anos. Aquele nome não me era estranho, eu sabia. Cruzámo-nos algumas vezes na câmara de chamada. Veio-me à memória aquele cheio intenso a cloro, que antes das provas me dava sempre a volta ao estômago... o ajeitar frenético dos óculos, os músculos retesados à espera do sinal de partida.
Vasculhei nos motores de busca à procura desses tempos... ei-los! Míudos de catorze anos na piscina, de sorriso rasgado. Não foi há muitos anos que era eu quem estava ali... sonhava em ser campeão nacional, em ser apurado para os campeonatos da Alemanha, muito mais.

Hoje estou aqui, longe, e noto que que pouco tenho dessa época. Uma ou duas fotos, perdidas no tempo, alguns telefones que nunca mais foram marcados.
Hoje já não quero ser campeão nacional. Quero ir a São Tomé e Príncipe, a Taizé, escrever artigos para a revista, tirar a carta, ser titular da equipa de FutSal... e quem sabe ser jornalista, produtor multimédia, o tempo o dirá. E é por isso que tenho apontamentos sobre Les Fauves, Débussy, Schönberg, Bahaus, Breton, Entartete Kunst pousados na secretária.
Mas acima de tudo, quero falar mais, conhecer mais, viver mais. Cada momento como se fosse o último. Doubránotz. riverfl0w
publicado por riverfl0w às 01:19
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