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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2004
Sua Maluca
Não, não é o nome de um bar gay nem de um barco de pescadores barbudos. É uma expressão! Portuguesa, está claro. Só podia. Aplica-se com alguma frequência, aqui e além, maioritariamente a mulheres, mas também a homens. Quando é a homens, das duas uma: ou é entre gays, ou entre malta com muito bom sentido de humor, sendo que, neste último caso, em 99% dos casos já se ouvem chocalhar umas quantas garrafas vazias em cima da mesa. Quando é a mulheres, ou seja, habitualmente, trata-se de uma delicadeza. É uma forma delicada de chamarmos ordinária, galdéria, leviana, doida varrida, etc. Às vezes, até é a nossa vizinha do lado, e não vamos querer chamar-lhe pelo “outro” nome, pois não? Dizermos “sua maluca” é mais suave, não desperta olhares alheios, não choca velhinhas conservadoras, não fica mal, e até pode ser interpretado de forma positiva. Sim, porque “maluca” também pode ser uma forma positiva de chamarmos alguém, sem usar discursos mais rebuscados nem conteúdos directos. Aí, estamos a substituir uma mistura de engraçada com fofinha, condimentada com atrevida (mas non troppo) e salpicada com um bocadinho de vontade de lhe pregarmos uma beijoca. Dizemos “és uma maluca” com a ternura e a intenção de quem diz “adoro-te”, mas pintada com tinta engraçada. Aliás, e se a memória não me falha, uma das última vezes que disse isso a uma mulher, a minha vontade mesmo era pegá-la ao colo e enchê-la de beijos, embora depois não tenha concretizado a parte do pegar ao colo. E das outras vezes, à mesma mulher, idem. Que não sobrem dúvidas. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:07
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2004
A.F.L.P.
Isto, para quem não identifique logo à primeira vista, é o nome de uma associação. Não posso revelar o nome, porque é secreta. Não é bem tipo seita, mas fica a meio caminho entre um “mutante” e a torre de um castelo na Floresta Negra. Portanto, “A” é de associação. Esquisita. Muito esquisita. Não está registada, ainda. O “P”, para quem tem olho para a coisa, é de Portugal, esta bela horta empurrada para as areias do mar onde se cultiva a estupidez a par com o intelecto. Os fundadores, e únicos sócios, puxam até si esse direito moderno de se associarem. Não é só um direito, como é também um “must” das civilizações que se prezam. Ou que têm a mania que o são, porque no fundo vai dar ao mesmo. Se há associações muito louváveis, respeitáveis e outras coisas acabadas em “áveis”, também as há, que nem pragas, de origem duvidosa, motivação suspeita e funcionamento ensombrado. Não resisti a ir à Internet procurar algo que não fosse chocante nem dramático. Encontrei quatro muito simples e nada polémicas: “Associação dos Investidores Analistas Técnicos do Mercado de Capitais” (parece um grito de um karateca antes do golpe final… AIA… TMC!...), “Associação das Vítimas de Erros Médicos” (pronto, lá está), “Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial” (é tão linda a paz mundial) e a “Associação dos Pintores com a Boca e os Pés” (esta merece existir). As associações associam-se, também, em associações de associações, como não podia deixar de ser, tal como a “Associação das Associações de Moradores do Monte Cristo” (imagine-se… o presidente, é presidente de vários presidentes… que luxo! Deve usar várias gravatas ao mesmo tempo). Não sei bem para quê, mas é um direito que lhes assiste. Nós, seres humanos, temos uma necessidade gigantesca de nos associarmos. Somos sociais, portanto. Por outro lado, satisfazemos outra grande necessidade do ser humano, quiçá das mais importantes, que é mandarmos. Nós gostamos mesmo é de mandar nos outros. Por isso fazemos uma associação. Assim nós somos o presidente e mandamos nos sócios. Se pusermos uma gravata ainda mandamos mais, mesmo que seja feia e às bolinhas amarelas. E, assim, somos convidados especiais do Presidente da Junta para as Festas em Honra da Nossa Senhora do Assobio. Bestial! Mas há quem não queira mandar em ninguém. Há quem queira associar-se só pelo prazer da associação. Associação de ideias, associação de interesses comuns, associação do prazer de estarmos juntos, associação para fazermos coisas juntos. O presidente somos nós. Redigimos as actas com palavras sussurradas ao ouvido e assinamo-las com um beijo muito molhado. Somos tesoureiros dos nossos próprios tesouros, que são um para o outro, como o ouro para o cofre. Os vogais batem palmas pelas actividades, congratulam-se com a maneira como tudo corre e não hesitam em festejar. Organizamos arraiais em cima de umas mantas no meio do chão, pela noite dentro e até bem depois do sol raiar, na intimidade de uma caixa fechada. Piqueniques é connosco e já é tradição a romaria de farnel debaixo do braço até onde os pés nos levam, algures debaixo de uma sombra – um verdadeiro sucesso associativo! Fazemos planos para voos mais altos, passeios até bem mais longe, muitos mais piqueniques, e, secretamente, ansiamos pela perpetuidade disto tudo, de preferência acompanhada de um crescimento e fortalecer da associação, como tal. Cada vez mais unidos, como os mosqueteiros. Quando calha, fazemos um bailarico, onde se dança ao som do silêncio, nos braços um do outro, num abraço que tenta matar a saudade que há-de vir e abafar o aproximar da despedida. Mais vezes do que podemos querer admitir, sentamo-nos pacatamente a pensar para nós próprios como nos dá prazer sermos sócios desta associação. Sócios, presidentes, tesoureiros, secretários e vogais. De vez em quando, contratamos os senhores do cinema ambulante para virem passar um filme, aqui ou acolá, onde der mais jeito, tanto faz, desde que assistam os dois sócios, mão na mão, na paz reconfortante de uma sala escura. Elegemos uma Comissão Fiscalizadora para se bater pelo fiel cumprimento dos estatutos desta associação, constituída pelos sócios que mais vontade têm de os ver cumpridos: os mesmos que são o presidente, o secretário, o tesoureiro e os vogais. Mais palavras, para quê? Aqui, esta noite, fala-se de amor. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:49
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Domingo, 26 de Setembro de 2004
As gajas do meu tempo 2
Este segundo tomo tem o subtítulo “Explicadas a quem não percebeu, e a mim também”. O “paleio inteligente e sugestivo” era de facto um paleio divertido. Um rapazola dos seus 20 anos galanteava uma moçoila um pouco mas velha que ele, já muito mulher e senhora do seu nariz, algures num canal de chat. Ela, que é conhecida pela sua simpatia, não estava muito pelos ajustes com o discurso. A bem dizer, ela até o conhecia e sabia bem a linda prenda que ali estava. Independentemente disso, o rapaz desfazia-se em rasgados elogios e palavras muito românticas. Mandava-lhe rosas. Dizia coisas bonitas. Obviamente ele estava na brincadeira. Eu sei que ele até queria que não fosse na brincadeira, mas há que encarar a realidade de frente, e essa não perdoa. Perante o desdém da moçoila, corri em socorro do rapaz, com o argumento vistoso de que “no meu tempo as gajas não eram assim”. Eu também disse isso na brincadeira. Confesso que não tenho bem a noção se eram ou não eram, ou se as de hoje são ou não são, e isso pouco importa, para ser franco. Mas, entrar em comparações entre o passado e o presente, é sempre meio caminho andado para se dizerem muitas asneiras. Em resumo, dizer que dantes as miúdas gostavam de ouvir palavras bonitas e receber flores, e que as de hoje não, e até acham ridículo se um rapaz vai por esse caminho. Será? Não sei. A questão é que, quando enveredamos pelo caminho da comparação fácil com um passado que vive na nossa imaginação, é provável que estejamos apenas a comparar presenças e ausências. Ou seja, trocado por miúdos (a pedido de alguém), ou temos, ou não temos. Ou temos uma mulher a quem podemos dizer coisas bonitas com cheirinho a romance, ou não temos. E se não temos, é fácil identificar o problema: as gajas dantes não eram assim! Quanto temos, bom, o resto do post também era sobre isso. Ser-se ou tentar ser-se romântico. Até parece que se é intencional. E é-o, de facto. Não se é romântico ficando de papo para o ar a ler o jornal ou de olhos colados na TV. A própria noção de romântico deve ser deixada apenas para ela, que melhor poderá avaliar. Embora romântico e apaixonado sejam uma parelha inseparável. No entanto, quando queremos dar algo, daquele tipo de coisas que não se metem numa caixa, recorremos a uma série de estratégias e malabarismos. Intencionalmente. Sempre intencionalmente. É curioso que, quando falamos em intencional, acende-se sempre o holofote da desconfiança, tornando as intenções sempre de foro maligno. A nossa sociedade ensina-nos a ser assim, desconfiados, pouco crentes e a colocar um gigantesco sinal negativo na palavra “intenção”. A realidade é que, por mais que digamos que não, tudo o que fazemos é com intenção. Senão, seríamos todos uma cambada de asnos atados uns aos outros pela corda da estupidez. Não dizemos à mulher de quem gostamos “adoro-te” sem nenhuma intenção. É muito intencional. Muito mesmo! Saltam logo à vista duas intenções muito óbvias, neste exemplo: uma, porque sabemos que ela vai gostar de ouvir, vai ficar contente, vai sorrir, o ego sobe por ali acima, sente-se feliz, e nós ficamos satisfeitos por isso acontecer; outra, porque muitas vezes não conseguimos conter dentro de nós próprios aquilo que sentimos, e temos uma necessidade incrível de soltar cá para fora esse sentimento, dizer a alguém, contar a alguém, e tanto melhor se é precisamente a pessoa por quem sentimos o que sentimos. E todos os gestos que fazemos, todas as frases que dizemos, todos os beijos que damos, pautam-se sempre por estas duas intenções. Sempre intencionalmente. Depois, vem o medo. Claro, esse! O discurso mais fácil é o de remeter tudo para os tempos de hoje, as gajas de hoje e tudo o mais de hoje. Já os gregos faziam o mesmo. O medo está presente nas relações. Sempre. Em maior ou menor dose, por este ou aquele motivo, está lá sempre. Sentir medo é humano. Só os loucos não o sentem. Sentimos medo dos outros, medo da nossa relação e, pior que tudo, sentimos medo de nós próprios. O rapazola do início do post, por certo que pensará duas e mais vezes nas ocasiões futuras que se prestarem ao desenvolvimento daquelas frases bonitos e rosas virtuais. Sentirá medo. Medo de ser ignorado. Medo de se rirem na cara dele. Medo por não ser correspondido na mesma medida. Medo de não ser compreendido. Traumatizado, algum dia decidirá que as mulheres não querem mais ouvir baboseiras nem serem tratadas como princesas de um conto de fadas. Eventualmente, depois dessa decisão, chegará até ele uma que sempre sonhou ser a princesa do conto de fadas de algum príncipe. Tarde demais! Ou talvez não! Enfim, agora que confundi quem não tinha percebido, e que cada vez menos percebo aquilo que escrevo, chegou a hora de meter o ponto final neste derramamento de trocadilhos. pickwick
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Sábado, 25 de Setembro de 2004
Livro Amarelo
Quero escrever no Livro Amarelo. O das reclamações. Onde se pode cuspir tudo e nem é preciso guardanapo para limpar os pingos dos beiços. Quero reclamar, agora e já, por causa do maldito Internet Explorer. Faltava um minuto para as doze belas badaladas que marcam o fim de um dia e o princípio de outro, e urgia “postar” ainda dentro do dia 24. Vinte e quatro! Eis senão quando, vindo da escuridão do maléfico XP, salta uma janelinha perversa, a anunciar a boa nova: um problema com o Internet Explorer e vai encerrar o mesmo e tal. Ora, um gajo não tem como se vingar. Um gajo não tem em quem bater com a cadeira. Um gajo nem tem licença para usar a caçadeira que também não tem. Um gajo assim morde-se todo de raiva e pouco mais pode fazer. Não se admite… um “post” exactamente à meia-noite! Não há consideração, é o que eu acho! Não há! Um minuto mais cedo e não ficava um buraco no dia vinte e quatro, ali no belo do calendário! Ora bolas! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:11
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As gajas do meu tempo
Acabei de estar embrulhado num paleio inteligente e sugestivo sobre a reacção das mulheres de ontem e de hoje aos gestos cavalheirescos e de plena devoção dos corações masculinos que palpitam por elas. Tem que se entrar logo no discurso do “no meu tempo”, porque é inevitável. Aliás, até fica bem. Fica bem, mas habitualmente cai-se no disparate da comparação desmedida, da palavra fácil, do julgamento sem argumento, do comentário depreciativo, enfim, é sempre a dar nos costados. Não quero entrar em comparações. Ou melhor, quero, mas discretamente, sem que se perceba que as estou a fazer. Quero comparar, não as gajas do meu tempo com as gajas deste tempo, mas sim quando se tem uma gaja que gosta de ser do meu tempo com quando não se tem essa gaja. Não sei se me fiz entender… Em vez de comparar uma travessa de leite-creme com um balde de comida para porcos, compara-se o quando tínhamos a travessa com quando não a tínhamos. Assim, creio que somos mais fiéis ao que pensamos realmente. Concentramo-nos na riqueza daquilo que temos, em vez de gastarmos energias a pensar no que já tivemos, ou que sonhamos ter, ou no que os outros têm. Há que dar valor, em tempo real, ao que temos. A vida não é fácil para ninguém, e todos os pedaços de felicidade que batem à nossa porta devem ser convidados a entrar e a passar uns anos connosco. Uns longos anos. Mas, a conversa era mesmo por causa da receptividade das moças aos embates dos nossos arremessos de romance. Ser-se romântico não é fácil. Ou melhor… não se é romântico. Tenta-se ser. Tenta-se que esses nossos arremessos sejam recebidos com um sorriso imenso e um galopar do coração. Que haja eco nas nossas palavras, nos nossos gestos, nas nossas vontades expressas de uma forma ou de outra. Quando uma palavra não basta para expressar o que sentimos, multiplicamos as formas de o fazer saber a ela. Com mais jeito ou menos arte, ou vice-versa, lá nos aventuramos a fazer isto ou dizer aquilo. Não há que ter medo! Medo de quê? Que hoje os nossos arremessos sejam ridicularizados? Que pareçamos demasiado lamechas para a velocidade e a frieza com que correm os dias? Ou medo simplesmente de mostrar o que nos vai cá dentro? Quem tem medo, compra um cão! Ou escreve num blog! Ups!... Isto não era para se dizer… pickwick
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004
Abusos
“Ignorance is always abusive. A man who does not know is always full of violent affirmations and maligned interpretations.” Quem escreveu isto foi um senhor de nome Fabre. Foi o primeiro estudioso do comportamento dos insectos. Pois, porque os insectos também se comportam. E escreveu isto na altura em que estudava os pirilampos, em particular. Retirei esta citação de um texto escrito em 1922 por uma personagem querida de milhões de jovens e adultos deste mundo. É engraçado descobrir como certos pensamentos permanecem inalteráveis com o passar dos anos, das décadas, dos séculos. E logo este, que se nos atravessa à frente, dia sim, dia não. Engraçado é, que nunca tinha colocado as coisas neste pé. Que as pessoas fazem com frequência afirmações violentas e interpretações malignas, a gente já sabia. Temos de aturar isso quase todos os dias, de todos os quadrantes. Agora, que a base disso é a ignorância, isso sim, é uma novidade para mim. Quer-se dizer, agora que penso nisso, realmente há que dar razão a este senhor dos insectos. A ignorância, é também a base de todos os mal entendidos. E estes, por sua vez, propiciam todas essas situações de afirmações e interpretações. Certo? Informemo-nos, ó gente! Ide em busca dos insectos! pickwick
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2004
Inconsciências 6
Esta é a verdadeira inconsciência! Um gajo quando vai para a escola primária ainda está em processo procriação da consciência, a bem dizer. Antes, então, não passa de uma expectativa dos adultos que torcem por nós e pelo nosso futuro como médicos famosos e cheios de notas. Quando se anda ainda de fraldas, é a altura excelente para as barbaridades que nunca queremos que os nossos filhos saibam. Apanhei a minha primeira bebedeira com a bonita idade de ano e meio. Assim tipo dezoito meses. Por aí, segundo consta dos registos de memória da família. Local? Um bar qualquer em Moçambique, onde fazia muito calor. Dizem. Eu não me lembro de nada. Estava ao colinho da minha mãezinha, ao balcão. Como estava calor, a bela da imperial ajudava a abater o sofrimento. A minha mãezinha, que não era muito de beber, mas gostava de fazer coisas que ficassem bem aos olhos dos outros, tinha pedido uma imperial. Gostava mais de conversar com a colega ao lado do que propriamente beber cerveja. Copo cheio, portanto. Já naquela altura o meu estômago ansiava por tudo e mais qualquer coisa que mexesse, deitasse fumo, tivesse espuma ou borbulhasse. E ali, mesmo à minha frente, tinha uma combinação de duas. Espuma e borbulhas. A minha mãezinha ainda estranhou o copo vazio, mas como a conversa foi longa e a distracção ainda mais, não pensou mais no assunto. Até ao momento em que me meteu no chão e me largou. Aí, sim! Qual Fred Astaire?! A loucura total. Nem seguro pela mão! Imparável! Meses depois, o meu primeiro acidente de automóvel. Sóbrio, atenção! Sóbrio e ainda de fraldas. Era para ser uma brincadeirinha do meu paizinho. Meter-me ao volante do “Vauxhall Viva” branco da família, com uma almofada por baixo para poder ver (e ser filmado) para a frente e conduzir conscientemente. Bem, até hoje ainda não percebi como foi. Há umas filmagens de uma câmara Super 8, muito descontroladas, onde apareço eu ao volante, a olhar para a câmara, a rir-me a bandeiras despregadas. Completamente feliz, presumo. Com um chapéu à cóbói, se bem me lembro. O carro em andamento, numa pequena descida. De repente, entra em cena o meu paizinho, largado a correr, a tentar meter a mão dentro do carro e agarrar no volante ou não sei onde. Diz-se que foi a primeira árvore que apareceu logo à frente. Eu não sei. Não tenho culpa. O meu paizinho tapou-me a vista e não pude desviar o carro. pickwick
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Terça-feira, 21 de Setembro de 2004
Generation Buraca
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

Devia andar eu lá pelo 8º ano de escolaridade, na escola, obviamente, quando apanhei pela primeira vez o termo “generation gap”. Se não era assim, era qualquer coisa parecida, ou pelo menos que soava a isto. Era um texto da disciplina de inglês. A professora era feia que nem uma bruxa encardida e carregava na pronúncia inglesa ao ponto do ridículo. Na altura, o termo apanhou-me como quando uma prisão de ventre apanha uma pessoa. Hoje, volvidos alguns anitos sobre este primeiro encontro, divirto-me a relembrar as “buracas” todas que se me têm cruzado ao longo da vida. Não é fácil não entrar no jogo. Presumo que seja uma tendência natural. Tão natural como escolhermos um clube de futebol. O ser humano tem uma tendência absurda para se associar a uma facção e esfaquear o inimigo para a defender. Ou tão só para que a sua facção erga a bandeira num morro mais alto. Como em todo lado há facções, sejam clubes, partidos, sexos, licores ou tipos de roupa interior, nas idades elas também estão presentes. Tinha que ser! Os mais novos exaltam-se em críticas aos mais velhos, atribuem-lhes características ao bom estilo dos moradores dos sarcófagos, e abanam a cabeça aos seus discursos que entretanto entram por um ouvido e saem pelo outro. Os mais velhos, soltam raios e coriscos aos “putos”, riem-se da sua falta de experiência de vida, gozam com a sua hipotética falta de maturidade e não os levam a sério. Todos se esquecem, contudo, que os que já não são, já o foram, e os que ainda não são, hão-de lá chegar. Fazem lembrar o estúpido passar dos comboios na linha: umas carruagens chegam sempre primeiro à estação, mas acabam por chegar todas e pouca diferença faz quem chegou depois de quem. Urso é o passageiro que grita que chegou primeiro e palhaço o que se ri do urso. Neste circo que é a vida. pickwick
música: My Generation – The Who
publicado por riverfl0w às 02:52
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2004
Intimidade
A intimidade é uma coisa muito gira. Sermos íntimos. Há quem não goste. Há quem prefira carapaus fritos com arroz de tomate, mas não faz mal. Mas a intimidade é assim como que a porta de entrada para outro mundo, outra dimensão. As distâncias encurtam-se e não conseguimos esconder um sorrisinho de prazer por não haver barreira alguma entre o nosso coração e o coração da outra pessoa. Podemos perguntar porque nos faz uma carícia na bochecha, e respondermos sobre o que sentimos quando lhe beijamos o pescoço. Sei lá. Dá para tudo. Uma imensidão de sentimentos, de toques, que podemos explorar a dois, sem receios, sem vergonhas, sem precisarmos de nos entalar atrás de uma máscara protectora. Podemos olhar nos olhos, passar horas assim, sem sermos assaltados por dúvidas e incertezas. Podemos passar horas a tocar-nos, com o mesmo à vontade, com a mesma liberdade, com as mesmas certezas. É sentir que apenas o corpo físico nos separa, enquanto que tudo o resto se une. E mesmo esse, colado carne com carne, pele com pele, em pouco tempo se funde num só. É podermos esgravatar lá no mais fundo dos nossos sentimentos, para os procurar descobrir e partilhar. Porque só assim conseguimos viver a intimidade. Partilhando. Tudo. Até ao minúsculo grão de areia emperrado naquele cantinho do coração. pickwick
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publicado por riverfl0w às 18:12
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2004
Um dia no paraíso
Ela é loira, espampanante, linda de morrer, boa como o milho e como a broa, vestida da maneira mais sexy que se possa imaginar. A luxuosa limousine passa veloz entre o trânsito, a caminho do restaurante à beira-mar, com vista para a marina cheia de iates e barcos de recreio. Antes da refeição, um mergulho na piscina privativa e requintada do restaurante, para abrir o apetite. Almoçam-se lagostas, engole-se caviar descontraidamente, o champanhe de oitenta euros borbulha nos copos, os empregados deambulam à nossa volta para que não nos falte nada, as iguarias a preços exorbitantes sucedem-se umas às outras. Vêm as sobremesas, coisas nunca antes vistas, numa diversidade impressionante de sabores e arte. Sai-se do restaurante e desce-se para a marina. No bolso já salta a chave no barco de recreio onde passaremos as próximas horas. Um barco grande, veloz e com muitos extras. Parte-se em direcção ao horizonte, ela despe o vestido curto, ficando-lhe sobre a pele bronzeada e muito cuidada aquele biquini minúsculo e provocante. Passam-se praias e rochedos, ultrapassam-se gaivotas e golfinhos, ao longe avistam-se umas ilhas. Aproximam-se. Aparecem coqueiros, praias desertas, areias sem fim. Abrimos a arca frigorífica e tiramos o repasto que fará o lanche: camarões, vinho verde e gelado de manga. Suspira-se. Afinal de contas, isto é um verdadeiro dia no paraíso. Mas, eu sou um gajo de gostos simples. Um programa destes era tédio garantido. Do que eu gostava mesmo, mas mesmo, mesmo, mesmo, era de ir até um local sossegado. Na companhia de quem me faz feliz e me consegue arrancar um sorriso quando estou mais carrancudo. Um local sossegado, pode ser à beira de um rio de águas límpidas, à sombra de algumas árvores, sem ninguém. Apenas nós os dois. E um guarda-rios muito azul que debica no leito do rio em busca do almoço. Um mergulho num rio destes vale um milhão de praias. Não é preciso ser loira, nem usar biquini tanga. Basta ser ela! E haverá algo mais romântico do que um piquenique aqui? Não me parece! Para a ementa, não haja requinte! Sandes mistas, rissóis, salada e tigeladas. Água serve muito bem para acompanhar. E depois, francamente… um barco de recreio? Mas haverá algo melhor que dormir uma sestinha ao colo da mulher por quem estamos de beicinho caído e que nos adormece entre um olhar, um sorriso e muitas carícias? Ou tentar dormir… porque se tem sempre receio de adormecer e perder minutos daquele cenário tão transbordante. E passar umas horas com ela nos meus braços, conversando, escutando ora a sua voz, ora o passar do vento entre as árvores, ora o seu riso alegre, ora as águas do rio entre as pedras. E também há lanche, atenção! O resto das sandes, do fiambre, do queijo, dos rissóis, uma fruta. Um passeio, atravessar uma ponte sobre o rio, ver uma cobra-de-água a caçar um peixe, ver muitas árvores, olhá-la de soslaio e pensar o quanto estou bem ali na sua companhia. Enfim… Como é que era mesmo o título deste post? “Um dia no paraíso”? Exactamente! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:18
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