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Quarta-feira, 30 de Junho de 2004
Dangerous Streets
Não posso sair à rua de momento. Esta aldeia, não parece mais uma aldeia. Parece um mercado de peixe em hora de abertura, cheio de lésbicas carentes de olhos vendados e buzinas de ar comprimido nas mãos. Está tudo louco. Apitam, apitam, gritam “aaaahhhhhhhh” ao virar de cada curva, assobiam em múltiplos tons, eu sei lá… Agora foi um camião TIR que também deu um arzinho da sua graça. Mas que chatice. Lá se foi a pacatez. Imagino a rotunda com o repuxo… já nem deve haver lugar para molhar o pezinho… A minha vizinha de baixo, que não foi contemplada de nascença com todas posses intrínsecas ao ser humano, nomeadamente nas que tocam ao interior da caixa craniana, passou as últimas dezenas de minutos a guinchar como se alguém lhe estivesse a tentar serrar uma perna com uma serra de recortes toda romba. O filho não lhe fica atrás, em todas as qualidades, embora se exprima de forma mais varonil, assim tipo hipopótamo a ser atropelado por uma trotinete a motor. Estas atitudes são lamentáveis. Causam distúrbios nos vizinhos que tentam, pacatamente, viver um dia a seguir ao outro. Não há mesmo condições. Já se anda nisto há demasiado tempo. Já rebentou o alarme de um carro e acabou de passar uma ambulância. Isto está lindo, está… “Olé olé” gritam uns… Bem, mas agora acabei de presenciar uma cena inédita: um cortejo barulhento, encabeçado por um tractor rebocando uma amálgama de gajos a roçarem-se uns nos outros com copos na mão e bandeiras desfraldadas, logo seguido de um Land Rover de caixa aberta nos mesmos preparos do precedente, desfilando logo de atrás N carros com gente sentada nas janelas e muitos, mas muitos, copos cheios erguidos no ar. Os dois primeiros veículos tornam fácil a identificação: é um cortejo gay. Aqui neste marasmo geográfico isto não é normal, atenção! O mais dramático desta história toda é não ter agora umas bejecas no frigorífico. Nem agora, nem desde há uns meses. A cerveja, como bebida alcoólica que é, e segundo dizem, ajuda a atrofiar os nossos sentidos. Por isso, não se deve beber se vai-se conduzir. Assim sendo, se eu bebesse agora meia dúzia delas, ficaria com os sentidos afectados, incluindo a audição, fazendo com que o chiqueiro sonoro que vai ali fora não chegasse por completo aqui acima aos pavilhões dos abanos laterais. Para a próxima, há que prevenir. pickwick
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publicado por riverfl0w às 22:12
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Ventilar o ar
Esta noite marcou-se o início do verão. Por mais que insistam, o verão só começa quando a ventoinha é ligada. Essa é que é a verdade! Essa história do dia 21 de não sei de quando é um bocado tanga. É só para a fotografia. E hoje foi dia de ligar a ventoinha cá em casa. O ar estava abafado apesar de as janelas terem estado cerradas o dia todo, para ripostar à onda de calor que – dizem – se abateu sobre o país. Bem, não vi nenhum calor, para ser franco. Ok que suei um bocado, mas foi apenas um truque para cativar as minhas colegas. Mulher que é mulher, sucumbe ao belo cheiro do suor másculo e viril. As outras são arraçadas, apenas. De maneiras que chegou ao fim o dia e a sala estava quente. Nada de perturbante. Apenas mais que o costume. O suficiente para prolongar o truque do suor para cativar as garinas. Isto dantes a malta fazia as casas na base do bota para lá tijolo e cimento e ‘tá a andar. Hoje já é injecções de poliuretano (ou lá como se chama mas que não tem nada a ver com a uretra) nas paredes, grandes técnicas de isolamento térmico, vidros múltiplos, ar condicionado, estores com isolamento no interior, eu sei lá… é um abuso. A minha casa é do tempo em que era cimento e tijolo. Construção sólida, simples, que deixa passar tudo o que não interessa. Bem, quase tudo. Quando circula lá em baixo na rua uma senhora de 1,43m e 98kg, não passa cá para dentro. Por outro lado, se for uma com 1,68m e 62kg, também não passa. Nem que eu a chame. Será que 1,68m e 62kg é uma boa relação peso altura? Como será uma mulher assim? Será que sua muito dos sovacos? Se suar e tiver muito calor, tem boa solução: é só tocar à campainha, subir as escadas e plantar-se em frente à ventoinha aqui na sala. Sim, porque, a partir de hoje, o ar é ventilado. Chegou o verão! Vou fazer um cartaz para meter na janela a avisar. Só tenho que deixar a fita métrica e a balança a jeito, para fazer o controlo de qualidade. O ar ventilado não está ao alcance de qualquer uma, note-se. pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:20
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2004
Ó vontade, vã existência...
Essa palavrinha tão nua que é a “vontade”, martela-nos a consciência como quem esmaga uvas para fazer o vinho como que nos emborrachamos naqueles momentos de afundanço das mágoas. Poderia falar de muitas vontades, porque a variedade é mais que muita e menos que desejada, mas há uma que este fim-de-semana me tocou intimamente. Assim tipo no íntimo. Não sei que nome dar a esta. Mas passemos a factos, que de argumentos está o cinema cheio. Seja ela a vontade de ser saudável e comer moderadamente. A vontade não comanda a vida, e uma destas não passa de furriel para cima. No entanto, ultimamente tem dado umas instruções que eu tenho tentado seguir. Com êxito assinalável, note-se. Passo semanas sem desvaneios gastronómicos nem dentadas em bifes. É verdura e mais verdura e é tudo muito lindo, muito saudável. Juntando a umas corridinhas pelos pinhais, isto até estava a correr bem, tendo em conta a proximidade da época balnear e tal. Mas no fim-de-semana foi o descalabro. Semanas de juízo atiradas pela janela fora, sem asas nem pára-quedas. Começou logo na sexta-feira: largado de casa nos 300km em direcção à capital, recebo uma bela de uma sms com um convite para um cineminha a horas de corar, sessão da meia hora depois das doze badaladas. Nada de mais, não fosse o facto de não ter ainda jantado. Já antevia o meu jantar lá para as 3h da matina, mas a coisa mudou de rumo. A minha companheira de sala apareceu carregada de malas e mochilas - o ideal para uma sessão de cinema – e ainda uma caixinha de bolos deliciosos e pegajosos. Os bolos eram restos de uma reunião onde os participantes não estariam esfomeados, claro. Que não era o meu caso, visto que não participei na reunião e muito menos não estava esfomeado. Daí que não me recordo muito bem do filme, se bem que me tinham avisado para não ir ver depois do jantar pelas cenas chocantes, mas não reparei em cenas chocantes… acho que passei metade do filme a meter a mão às escuras dentro da caixa dos bolos, procurando pegar pela parte com menos nata. Findo o filme, esvaziada a caixa dos bolos e já sem a parceira da 7ª arte, ala para casa da famelga, onde me aguardavam várias garrafas de cerveja, N travessas de arroz doce, queijo q.b., e um sofá a chamar por mim. Deu o repasto até quase às 6h da madrugada, que, como é óbvio, é fantasticamente saudável… Sábado e domingo foi só continuar o festim… mais cerveja, mais arroz doce, pratadas a transbordar, e por aí fora. Parecia que não comia há 3 semanas! Francamente! E onde foi a vontade, aquela que me deveria manter no rumo certo? Deve ter ido à praia… só pode… sacana… deixa um gajo assim indefeso perante um inimigo cruel e implacável disfarçado de prato e garrafa… pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:11
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Terça-feira, 22 de Junho de 2004
O belo do esférico
Não sei se alguma vez já tinha dito isto, mas... aqui vai: detesto futebol!!! Ó pá... é como as moscas no verão, tal e qual. E agora, fomos invadidos por um enxame gigantesco. Ainda assim, dou agora comigo a pensar que assisti a dois dos jogos da selecção portuguesa. Como foi possível? Bom, reconheço que a motivação para assistir aos dois jogos não foram estes propriamente ditos, mas sim o banquete que coincidiu temporalmente com o acontecimento. Coincidir também não é o termo mais adequado. Foi mais fazer bater certo. Ou assim. É daquelas desculpas “vamos jantar e ver o jogo?” Yá, bute lá, vocês vêem o jogo e eu como o jantar. Por acaso falhou a táctica e acabámos todos por ver os jogos e esvaziar as travessas e as garrafas. Não me lembro muito bem do que aconteceu durante os jogos. No primeiro jogo só descobriram que a malta tinha as pilhas gastas já quase no final, e quando foram mudar para Duracell já era demasiado tarde, embora se tenha notado a diferença: pareciam tipicamente os coelhinhos dos anúncios da Duracell, a marchar sem parar para trás e para a frente meio tontinhos meio grogues. No segundo jogo que vi, mais recente, não me lembro muito bem mas acho que ganharam. Reparei lá num tipo qualquer que passou o jogo a rematar contra os adversários. Ainda por cima, a poucos metros da baliza. Não percebi qual era a ideia dele, mas quando eu era jovem a malta costumava rematar para a baliza. A baliza é aquela cena com a rede. O belo do esférico é que me partiu todo. No meu tempo, as bolas eram assim com aquelas cenas da geometria, com cores diferentes e um pipo. Notei que já se evoluiu: a bola continua redonda, embora completamente diferente, prateada (deve ser para ofuscar os adversários) e com umas linhas esquisitas aos zigue-zagues. Não vi se tinha pipo ou não, embora o senhora da câmara se tenha aproximado muito da bola. Se calhar nem tem, já vem de fábrica assim cheia e nunca se esvazia. Um dos meus companheiros da assistência e dos jantares disse, das profundezas dos seus vastos conhecimentos sobre o assunto, que Portugal passa à frente. Gritou “golo” no domingo à noite. Estávamos à mesa e é feio gritar-se à mesa. Dantes era. Eu não sei porque é que Portugal passa à frente. Deve ser de algum esquema maluco de pontos e tal, porque ele estava à mesa a fazer cálculos de cabeça em função dos golos e de sei lá mais o quê. Eu trincava um gelado de morango e caramelo. Mas formei a minha opinião depois de ver dois jogos: passou à frente, mas com muita, mas muita sorte. Haja dó! Eu não gosto nada de futebol, mas aquilo saltava demasiado à vista que aqueles senhores com nomes que só se dão aos cachorros nunca jogaram juntos. Enfim. Acho que perdi um jogo qualquer, no qual, segundo dizem, Portugal ganhou. Parabéns. Tive pena de não ver. Pena, porque perdi um jantar e uma noitada de copos. Sim, porque isso é mesmo o que interessa. Futebol, a sério, é quando a gente vai para o campo e anda a correr de um lado para o outro a tentar enfaixar a bola na baliza. Não há cá esféricos nem caneleiras-para-meninas. Ah... Saudade!... pickwick
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publicado por riverfl0w às 20:04
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Domingo, 20 de Junho de 2004
Portugal já é campeão

Da algazarra, do festejo, da fanfarra, da buzina, do grito, da emoção, do abraço, do optimismo, do sorriso rasgado, do patriotismo e do agitar frenético das bandeiras. Só falta mesmo... ser Campeão da Europa! riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 23:58
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Sábado, 19 de Junho de 2004
Vocabulário

Resultado: 24 pontos

Eu tenho um excelente vocabulário.

Teste O Seu Vocabulário.

A Grilinha pegou-me esta mania de testar tudo e mais alguma coisa... fica aqui a referência para aumentar o ego em dias que corram menos bem. riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 22:10
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2004
Corto-te aqui as goelas...
A carcaça vermelha circulava na estrada, dobrando as curvas e as contra-curvas ao passo cadenciado das voltas do motor. Estava calor e não havia nenhum javali a fazer-se ao bife. Estamos em zona serrana, onde o bicho abunda. Apreciar-se a paisagem de carvalhos e pinheiros, enquanto os quilómetros são batidos, é o melhor para um final de dia a cheirar a início do fim. Precisamente à curva N do trajecto em causa, eis que, lançado de cima a baixo, surge um Fiat Punto a pisar o risco do equilíbrio. Os pneus chiam, a chaparia balança perigosamente para o lado de cá, e as fracções de segundo demoram aquela eternidade dos apaixonantes filmes em câmara lenta. Vira ou não vira? Vá lá, não havia gordura no asfalto e a coisa encarreirou dentro da via, para deleite do condutor que lá deve ter ficado a pensar que era o maior. O mongo! O resto da viagem até casa fi-lo a sonhar alto. Mas alto mesmo: falar sozinho, a rosnar e a ranger os dentes. O tema do sonho era “Corto-te aqui as goelas”. Passo a descrever o dito. O cenário era o mesmo descrito anteriormente. Com o carro e tal. Só que, o cor-de-rosa não fazia parte das cores permitidas. Antes pelo contrário, ou vice-versa, ou arroz de marisco, o certo é que a coisa não correu bem para o lado do mongo. Nem para o dele, nem para o meu. Desequilibradíssimo, já só em duas rodas e um quarto, as nádegas do Punto esbarram nas nádegas do meu poderoso, desfazendo o porte esbelto e elegante, projectando-se de seguida sobre os fumarolas que se me seguem. Pimba, vira, sacode, bate, gira e aterra, arrastando-se mais uns metros. Sangue, lata amolgada, gritos, gajas histéricas (esta é a pior parte, convenhamos), confusão, telefonemas, óleo, estresse, enfim... uma tourada! Atormentadíssimo com a amolgadelazita insignificante junto à roda esquerda traseira, passa-me uma ventania entre as narinas e o tornozelo e dirijo-me muito mal disposto para a bagageira. Abro-a, olho para o mongo lá ao longe a sair rastejando da sua lata, meio ensanguentado, e rosno a meio tom: “sacana...”. A fúria que me assalta leva-me, conscientemente, a tirar debaixo de uma manta a catana de desbastar o mato. O vermelho inunda-me o branco do globo ocular. À medida que avanço para o mongo, vou crispando com mais e mais força os dedos em redor do cabo da arma. O longe faz-se perto e, perante o olhar abismado de uns quantos, eis-me já em cima do anormalzinho que provocou todo aquele circo. A ele dói-lhe qualquer coisa, tadinho, mas a hora dos queixumes é só depois do jantar. Sentado em cima dele, um joelho em terra de cada lado, puxo-lhe para trás o cabelo abichanado e encosto a lâmina naquele pescoço... com força... com mais força... é o pânico... ele pensa que agora é que vai desta para melhor... o povo grita ainda mais, o histerismo das gajas torna-se deveras insuportável (que chatas, estas gajas!) e eu quase que parto os dentes (os meus) de tanto pressionar as mandíbulas em falso, para o som da minha conversa sair meio distorcido, um mix entre o sapateado do Fred Astaire e a rouquidão do Louis A., com um fiozinho de baba asquerosa a pingar pela beiça abaixo. Digo umas coisas lindas, faço promessas e elogio os passarinhos e as plantinhas, e fico ali longos minutos a prolongar o cenário macabro. O mongo já se borrou nas cuecas, as calças já estão ensopadas, chora e treme convulsivamente, e eu vacilo entre o espera e o não espeta. Que vontade! A raiva acumulada ao longo de horas, dias, semanas, meses e – especialmente - anos, mantém-se insistentemente no braço direito, travada apenas pela história dos detidos nas cadeias portuguesas que vão tomar banho e são obrigados a apanhar o sabonete, mesmo que só usem gel de banho. Só isso trava a vontade infinita de esfrangalhar as goelas àquele monte de esterco que me estragou a traseira do carro. Entretanto, já a conversa vai longa e me dói o joelho esquerdo de estar tanto tempo naquela posição, chego à minha terrinha. A monotonia do caminho quebra-se com as rotundas da moda e o sonho é interrompido para se dar atenção às prioridades e às passadeiras e às mulheres menos feias que circulam nos passeios. Entretanto, acho que a GNR e os bombeiros já iam a chegar. Quis pensar no que ia fazer quando chegassem, mas dou de caras com a minha rua, o meu prédio e o conforto acolhedor do meu lar. Que se lixem todos! Foi bom enquanto durou e agora o resto que fique para a sessão da meia-noite. Uns batem na parede, outros partem a porta do quarto. Ou a loiça. Outros sonham... e tudo porquê? Não sei bem, mas amanhã é outro dia e o que foi já não será. Felizmente! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:02
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Quinta-feira, 17 de Junho de 2004
Bonito

Ouvir

Bonito, todo me parece bonito.

Bonita mañana, bonito lugar,
bonita la cama, qué bien se ve el mar,
bonito es el dia, y acaba de empezar,
bonita la vida, respira, respira, respira.

El teléfono suena, mi pana se queja,
la cosa va mal, la vida te pesa,
que vivir así no le interesa,
que seguir así no vale la pena.
Se perdió el amor, se acabó la fiesta,
ya no anda el motor que empuja la tierra,
la vida es un chiste con triste final,
el futuro no existe pero yo le digo...

Bonito, todo me parece bonito.

Bonita la paz, bonita la vida,
bonito volver a nacer cada día,
bonita la verdad cuando no suena a mentira,
bonita la amistad, bonita la risa.
Bonita la gente cuando hay calidad,
bonita la gente que no se arrepiente,
que gana y que pierde, que habla y no miente,
bonita la gente por eso yo digo...

Bonito, todo me parece bonito.

Qué bonito que te va cuando te va bonito, qué bonito que te va.

Bonito, todo me parece bonito.
La mar, la mañana, la casa, la samba,
la tierra, la paz y la vida que pasa.
Bonito, todo me parece bonito.
Tu cama, tu salsa, la mancha en la espalda,
tu cara, tus ganas el fin de semana.

Bonita la gente que viene y que va,
bonita la gente que no se detiene,
bonita la gente que no tiene edad,
que escucha, que entiende, que tiene y que da.

Bonito Portet, bonito Peret,
bonita la rumba, bonito José,
bonita la brisa que no tiene prisa,
bonito este día, respira, respira.
Bonita la gente cuando es de verdad,
bonita la gente que es diferente,
que tiembla, que siente,
que vive el presente,
bonita la gente que estuvo y no está.

Bonito, todo me parece bonito.

Qué bonito que te va cuando te va bonito,
qué bonito que te va.
Qué bonito que se está cuando se está bonito,
qué bonito que se está.

Bonito, todo me parece bonito.

Letra e música: Jarabe de Palo

Ouvir

riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 23:55
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Segunda-feira, 14 de Junho de 2004
Regresso
Hoje peguei na mochila e fui à escola. Cumprimentou-se o funcionário coxo, piscou-se o olho às continas, como habitual. Reviram-se amigos, apertaram-se vigorosamente as mãos e encostaram-se os lábios às faces das meninas. Mas giro mesmo foi quando me puseram uma folha pautada à frente, contra apresenção do BI. Aí sim, revivem-se velhos momentos... Hoje dissertei audaciosamente sobre a ironia implícita de Sttau Monteiro, a insegurança política de D. Miguel Forjaz, o regresso de D.Sebastião no seu cavalo branco e a utopia pessoana do 5º Império. Audaciosamente, sim, porque não são todos os que têm coragem de falar do que sabem e do que não sabem. Agora resta esperar que os correctores da prova sejam tão pouco inteligentes como D. Miguel foi quando mandou queimar o Gomes Freire.
Amanhã vou falar de vales, rios, montanhas, pescadores, artífices, guias turísticos, cabelos grisalhos e o efeito do Euro 2004 nas migrações pendulares. Wish me luck! riverfl0w
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publicado por riverfl0w às 12:36
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Quinta-feira, 10 de Junho de 2004
Por favor... tapem-se!!!
Já devia saber que ir à cidade poderia ser bastante prejudicial para a saúde privada e pública. Um verdadeiro perigo, mas ainda assim, lá fui. Ontem. Não devia! Ó meu Deus, estava um dia de calor como haverá muitos daqui a umas semanas, mas como não havia igual há muitos meses, pelo que havia muito calor, e pessoas acaloradas, e enfim... Isto de viver num lugarejo para lá de onde o sol se põe não é tudo um mar de rosas. Para começar, não há mar. E mesmo que houvesse, aqui não há calor. Quer-se dizer... há, mas as pessoas não mostram que têm assim tanto calor. Não tanto como ontem quando fui à cidade e vi aquilo ali, assim, de um lado para o outro, vinham de todo o lado e iam para os outros lados todos. Muito calor. Há aqui uma situação típica de exploração matemática na área da proporcionalidade inversa. Que é inversa da proporcionalidade directa. Ou seja, um exemplo de directa será: quanto mais beberes, mais clones identificas. O da inversa será: quanto mais calor, menos roupa. Muito menos roupa. Eu evito descrever mais pormenorizadamente o que vi. Só me lembro de exclamar repetidamente, sozinho dentro do carro: “ó por favor, por favor.. tapem-se... vá lá... aiiiiiiii...” e virar a cabeça completamente desorientado para um lado e para o outro e pouco para a estrada. Muita sorte tive eu em não haver muito trânsito, quando não já havia lata amolgada com fartura, postes derrubados e bocas de incêndio a esguichar forte e feio como nos filmes. Vim de lá completamente fora de mim, de volta à minha terrinha pacata e onde as mulheres não sentem muito calor. Elas também são tão pouquinhas que quase nem as vejo. E talvez por isso me tenha acontecido o que aconteceu quando passei na rua principal da minha terrinha. Para além de já não vir na posse integral das minhas faculdades, eis que ao longe vislumbro a mulher mais bonita e bem feita que já se passeou por estas ruas calcetadas: 1,80m para cima, cabelo longo e castanho ondulado, um vestido vermelho impressionante e muito levezinho a esvoaçar ao sabor do vento, uma elegância estonteante, seios firmes e hirtos como nos filmes, um pé à frente e o outro atrás. Ai!... Estava estacada mesmo à beira da rua, como se estivesse para se meter a atravessar para o outro lado. Inconscientemente, engatei a rapidíssima para a frente e voei no meu bólide vermelho para não perder a oportunidade secular de me deliciar com a proximidade de tamanha deusa. Em poucos segundos estava quase em cima dela. E só já tão próximo é que me apercebi: era o raio de um manequim da loja de roupas!... Eu sei, eu sei... óculos e tal... pickwick
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publicado por riverfl0w às 02:23
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