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Quinta-feira, 25 de Julho de 2013
A mulher da minha vida

Cansado, depois de dois dias de trabalhos rurais sem irrigação estomacal, achei que estava na altura de me fazer à estrada e regressar ao lar-doce-lar. Tomei uma banhoca de água fria, para tirar a poeira do corpo e ganhar uma alma nova, e sentei-me na mota, com aquele suspiro de quem arranjou maneira de – desta vez – não ter que viajar com uma mochilona pesada em cima do lombo. Ao longe, o sol já havia desaparecido do horizonte. Idanha-a-Nova começava a mergulhar no alívio de uma frescura muito desejada.

 

Dada a conjuntura, achei que estava na hora de deixar que o acaso me fizesse cruzar com a mulher da minha vida. Para isso, só teria que fazer uma paragem estratégica para jantar. Algures. Nenhures. Ao acaso. O fado se encarregaria de a colocar lá. Sorridente, deslumbrante. Seria uma cliente solitária? Uma empregada de mesa a transbordar simpatia? Uma cozinheira sensual, preocupada em saber a opinião dos clientes?

 

Faltavam dez minutos para as dez da noite, quando estacionei à entrada de um restaurante na pequena povoação de Lardosa. Entrei, passei pela zona de bar, e sentei-me numa mesa, a um canto, com vista para toda a sala. Qual cowboy a posicionar-se estrategicamente para poder sair dali aos tiros depois de uma atribulada partida de poker. Havia esperança no ar.

 

Ou não. A cliente solitária, afinal, eram dois gajos de barba mal aparada, com ar de quem tinham passado o dia a virar fardos de palha. A empregada de mesa, afinal, era o dono do tasco, ao qual quase era preciso pedir por favor para me dar de comer, arrancando-o do serviço no bar e de uma amena cavaqueira com os clientes. E a cozinheira? Bom, 58 anos (medidos a olho), 85 kg (só porque sim) mal distribuídos, e uma linguagem de quem nunca passou na escola além da 2ª classe.

 

No tecto, um candeeiro de quatro lâmpadas, fabricado em 1978 (mais ano, menos ano), iluminava o espaço que mais parecia saído das memórias da criança que de vez em quando ainda habita em mim.

 

Esperança perdida, sobrava o sustento do corpo. Ah e tal, só temos entrecosto, serve? Anuí, conformado, desde que viesse rapidinho uma cervejola para tirar os ciscos da garganta. Olhei os dois clientes, que comiam com as mãos. Veio o entrecosto e pensei: ora, não há gajas, estou com pressa, vou comer com as mãos, também.

 

A cozinheira era, certamente, fã de óleo vegetal. O entrecosto pingava óleo, que escorria pelas minhas mãos e por pouco não chegava aos cotovelos. As batatas fritas, tinham mais óleo do que batata. E até a porcaria da alface estava encharcada em óleo, as folhas já a murcharem por afogamento. Foi a primeira refeição da minha vida em que tive que parar, a meio, para ir lavar as mãos e os antebraços!

 

Para finalizar, escolher a sobremesa. Ah e tal, temos “boca-doce”. É aquilo cor-de-rosa? É, sim. Venha ele! Aposto como já deviam ter essa sobremesa desde 1976. Porque, qualquer coisa mais elaborada, seria suficiente para a cozinheira dar o “tilt” e trepar pelas paredes.

 

Agoniado com os 900 ml de óleo que chocalhavam no estômago, fiz-me ao alcatrão, pela noite dentro. A frescura nocturna do Fundão deu lugar ao ar gélido da Serra da Estrela. Entre Alvoco da Serra e Loriga, a única coisa que não congelou (em final de Julho!) foi o diabólico par de tintins, sabiamente protegidos pelo depósito da gasolina.

 

Quanto à “mulher da minha vida”, outras oportunidades virão. Talvez. Qualquer dia. O mais próximo que encontrei, foi uma raposa, ágil e elegante, a trepar furtivamente um morro para escapar ao atropelamento. pickwick

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publicado por pickwick às 10:08
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