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Quarta-feira, 27 de Junho de 2012
Intimidações

Desde há vários e longos meses que travo uma discussão filosófica muito acesa com a Liliana, a propósito do jejum a que o destino a parece ter forçado.


(contextualização: a Liliana tem 24 aninhos (já?!), a acabar a sua licenciatura, moça inteligente, sabe o que quer, muito bem apresentada, faz duas horas de ginásio dia-sim-dia-não e o resultado até faz impressão à vista desarmada)


A discussão gira, portanto, em torno do facto de a Liliana estar de jejum, apesar daquela tão boa apresentação. As amigas, pelos vistos, abarbatam-se todas com os respectivos namorados, embora fiquem a anos-luz dela no que respeita a boa apresentação. Mais, parece que, quanto pior o feitio delas, mais fácil é encontrarem um namorado.


Para contrapor as teorias delas sobre o destino e a má sorte, eu insisto em duas teorias principais que se lhe aplicam na perfeição: a teoria das probabilidades e a teoria da intimidação.


A teoria das probabilidades, é simples de perceber. Quanto maior o número de rapazes que ela conhecer, na sua vida pessoal, profissional ou lúdica, maior a probabilidade de encontrar um rapaz que lhe caia aos pés com uma rosa entalada nas beiças. E como está a haver, claramente, uma assímptota horizontal na função que descreve o número de rapazes que ela conhece, as coisas correm mal. É como ir à caça de coelhos com uma G-3, lado a lado com uma mão-cheia de caçadores com os seus coelhos à cintura, num terreno já batido e onde apenas sobram esquilos, ratos-do-campo, gafanhotos e uma menina de mini-saia de serviço ao quilómetro trinta e nove.


A teoria da intimidação já é uma coisa mais refinada. Dita esta teoria que há um certo número de pessoas, independentemente do sexo/género, que têm um perfil intimidante. Ainda que possa tresandar a simpatia, um perfil intimidante é algo natural, quase inexplicável, mas facilmente detectável, que coloca uma barreira cerrada dissuasora de qualquer niquinho de atrevimento. A um homem, nunca passará pela cabeça dar uma palmadinha nas nádegas a uma mulher com perfil intimidante, ou apalpar-lhe uma maminha a ver se faz “fon-fon”. Ora, sendo dissuasor de atrevimentos, este tipo de perfil será, também, dissuasor de desejos. Ou seja, em vez sugerir um jantar romântico, ou um passeio à beira-mar, ou um cineminha, ou uma canja com broa à luz da vela, o homem desanima e parte em busca de paisagens mais pacíficas, em que não corra o risco (ainda que infundado) de ter que engolir um sofá ou um fardo de palha a arder. E, dado o facilitismo e o imediatismo que se entranharam na cultura da nossa sociedade, para quê arriscar, quando ao lado há garantido e sem esforço? pickwick

publicado por pickwick às 22:31
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3 comentários:
De cocacolagirl a 27 de Junho de 2012 às 22:57
Um dia apresento-te o meu caso e quero ver a teoria que vais criar :)
De pickwick a 27 de Junho de 2012 às 23:08
Podes começar...
A teoria desenvolver-se-á, precisamente, a partir da própria forma como exporás o teu caso... que terá tudo que ver com o caso em si... :-)
De cocacolagirl a 28 de Junho de 2012 às 14:46
É sempre um bocadinho complicado falarmos de nós próprios a outras pessoas, não é? Deixa-me cá reflectir e tentar resumir em segundos o "meu caso" :)
Considero-me uma rapariga normal, nem pouco agradável à vista nem demasiado agradável à vista...não sou propriamente muito extrovertida, sou um pouco reservada e tímida e consequentemente não me dou a conhecer muito facilmente. Lá de vez em quando aparece um indivíduo do sexo masculino que acaba por se mostrar interessado em tentar conhecer-me, mas das duas uma...ou estão interessados em conhecer-me a mim propriamente dito ou estão interessados em conhecer a minha parte exterior. No 1º caso as coisas aparentam correr bem inicialmente mas depois não anda nem desanda. No 2º caso quando reparam que tão cedo não vão ter o que querem põem-se a andar tão rápido como apareceram. :)

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