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Segunda-feira, 12 de Março de 2012
A dieta, a tareia e o rodízio – parte 1

Assim que se acabaram as orgias gastronómicas portuguesas associadas às chamadas “boas festas”, comecei a debruçar-me seriamente sobre a necessidade - eventualmente desnecessária, dependendo da perspectiva – de começar a fazer uma dieta rigorosíssima, a par de um treino físico intenso e metódico, aspectos essenciais para, no início de Março, participar num torneio de judo exclusivo para fulanos com cabelos brancos que julgam que ainda têm vinte anos.

 

Sempre fui uma pessoa meditativa e nunca recuso dedicar o tempo que achar necessário à meditação, pelo que o “debruçar-me seriamente” rendeu muitas semanas. Em especial a questão da dieta. Para alguém que ainda tinha arroz doce e bolo-rei misturado no sangue, havia que perder uns sete quilos, mais coisa, menos coisa, para poder competir na categoria de menos de 90 kg. Com o passar das semanas, a meditação sobre o assunto tornou-se cada vez mais séria, embora limitando-se a isso. Sem balança em casa, pesei-me umas duas semanas antes e não me espantei com os 94 kg. Lindo serviço!

 

Ainda assim, deixei prolongar a fase da meditação, porque é bom pensar seriamente sobre qualquer assunto de relevo. Só na semana que antecedeu o torneio, é que comecei a tentar transformar a meditação em ações concretas, embora muito pouco convincentes, tenho que reconhecer. À mesa, deixei de comer o pão todo logo nas entradas. Com torneio num domingo, só na quinta-feira é que me decidi comprar uma balança cá para casa, por causa das coisas. Na quarta-feira, finalmente, fui fazer uma corridinha desesperada pelos pinhais, trajado com uma combinação sofisticada de indumentárias: calções, calças de fato treino, t-shirt, camisola de algodão, casaco impermeável e camisola de malha polar. Deu para ensopar a vestimenta como se tivesse chovido desalmadamente. Na sexta-feira, apesar de haver oportunidade para ir correr novamente, fiquei na sorna, pois mal podia com as pernas, o que é uma coisa muito inteligente para alguém que está a preparar-se para ir levar umas tareias.


No sábado, lá me achei com forças e meti-me aos pinhais, com a indumentária sofisticada. Ao chegar a casa, depois de um banho, já estava nos 88,4 kg. Maravilha. Ligou o Miguel, eh pá, tens que comer massas e carne porque ah e tal. Fui na conversa dele, mas acordei no domingo com 89,9 kg.

Num acto de soberba inteligência, vesti a combinação mortal e fui correr novamente para os pinhais, desesperadíssimo. Nestas alturas, um gajo dá graças por escolher um percurso sem concorrência, onde é muito improvável cruzar-se com mocinhas a fazer um saudável jogging, o que, a acontecer, seria uma machadada no meu ego, tal era a minha figurinha. Mas, adiante.


Chegado a casa, banho, balança e 88,2 kg. Uffffff!...

 

Com pesagens oficiais às 14h15, foi correr para o carro, passar no supermercado para comprar umas bombas calóricas e rumar a Coimbra, apenas com uma barrinha de cereais e um copo de água no estômago. Eu sei que isto parece coisa de gaja, mas um homem desesperado deixa vir ao de cima a sua mais profunda faceta feminina.

 

As pesagens decorreram num balneário. Coisa de homens, portanto. O problema, é que os quase oitenta atletas participantes tiveram que se pesar na mesma balança, pelo que a confusão era mais que muita. E, nestas ocasiões, os desesperados não usam cueca, não vá uma graminha de algodão a mais catapultá-los para o escalão de peso acima. Não foi o meu caso, confiante que estava na balança de casa, e que bateu certinho com a balança oficial.


A seguir, e até ao início dos combates, lá para as 16h30, desforrei-me em chocolates, barras de cereais e néctares de fruta, para tentar arranjar alguma forcinha de última hora e compensar o desgaste da inteligente corridinha matinal. E fartei-me de rogar pragas a mim próprio por ter deixado para a última da hora esta coisa do peso.

 

Já agora, qual seria o problema de competir no escalão de peso acima? Bom… é que os gajos desse escalão são… como direi… muito pesados, vá… pickwick

publicado por pickwick às 21:08
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