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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Acidentes rodoviários
Já nos finais do mês de Julho, pela manhã, fiz-me à estrada daqui até Sintra. Ia passar uns quatro dias na companhia de uns amigos, algures numa quinta junto à serra. Coisa bonita, portanto.
 
Saltei fora do IP3 para apanhar um troço de auto-estrada até Condeixa, passando, a partir daí, a circular na velhinha Nacional nº1. Eu gosto deste trajecto, que, para além de poupar nos custos de combustível e portagens, proporciona uma paisagem muito mais diversificada, com milhares de casas e casinhas, lojas e indústrias, anúncios e tascas, gente a circular a pé ou em duas ou em quatro rodas, montanhas, árvores, contentores do lixo, pontes e buracos. Não há motivo algum para um gajo se aborrecer ou para adormecer de tédio ao volante.
 
Desta vez, no entanto, e apesar de desperto para o perigo acrescido dos acidentes rodoviários, fui vítima de um.
 
Foi assim: eu ia descansado da vida, já a deixar Condeixa para trás, numa zona em que a estrada era ladeada por abundantes matas, quando sou surpreendido, à minha direita, por uma moçoila dos seus vinte anos, linda que se fartava, boa que até doía, com uma blusa insignificante e uma saia com cerca de 14 cm de altura. Sim, 14 cm de saia é assim tipo ah e tal esqueci-me da saia mas como o cinto é largo ninguém nota. Sem exagero! Não bastasse esta visão, a moçoila ainda fez o favor de sorrir para mim, de orelha a orelha, obviamente satisfeitíssima por me ver de boca aberta e de olhos pregados nos seus atributos mais vistosos.
 
Com a distracção da paisagem, saí fora do alcatrão e a roda direita embateu violentamente num penedo ali perto. Como era de esperar, o carro capotou violentamente quatro vezes seguidas antes de se estatelar violentamente em cima das quatro rodas. Sem que eu conseguisse controlar, o embate das quatro rodas fez com que o carro saltitasse violentamente durante vários metros, qual elefante pardo a saltitar suavemente de nenúfar em nenúfar na Lagoa Azul. E a moçoila ficou para trás.
 
Ao fim de uns cem metros, ainda o carro ia a rabear de forma ligeiramente descontrolada já no asfalto, surgiu, à minha esquerda, uma segunda moçoila, igualzinha à primeira. Só que esta, para piorar toda situação, para além de ter o que parecia ser uma saia igual à da outra, tinha-a completamente arregaçada até à cintura! Literalmente! Ainda por cima, quando ia a passar por ela, virou-se de costas para mim, a provocadora! Para que conste da acta, eram duas as magníficas e divinais bochechas das nádegas, perfeitas bolas de carne sem qualquer ponta de gordura, de tonalidade ligeiramente carente de sol, redondinhas como as bolinhas chinesas de terapia.
 
Não sei o que aconteceu, mas o motor de repente enguiçou, bloqueou as rodas e o carro deu dois mortais à frente, elevando-se a cerca de catorze metros de altura. Durante a subida do primeiro mortal – lembro-me como se tivesse sido daqui a um bocado -, o meu cérebro ainda labutou, em velocidade acelerada, para tentar discernir se entre as duas bochechas haveria algo parecido com um discreto fio dental, mas, infelizmente, não chegou a resultados. Quanto mais o carro se elevava no ar, pior o ângulo de observação das bochechas. Felizmente, ao fim dos dois mortais à frente, o carro aterrou em cima do farol direito, amortecendo a queda. Mais uns saltinhos durante uns metros e, graças à dificilmente igualável perícia do condutor, o carro retomou a marcha monótona pela Nacional nº1.
 
Percorri vários quilómetros completamente desorientado, em dúvida sobre se teria adormecido ao volante e começado a sonhar, ou se tinha mesmo passado por duas deusas em preparos pouco conservadores e a tresandar a erotismo barato.
 
Tal como há quem chame acidentes de terreno a qualquer monte de terra e calhaus, também somos livres de considerar que duas gajas daquele calibre à beira da estrada são verdadeiros acidentes rodoviários, já que estão mesmo em cima da rodovia.
 
Nota 1: o relato das cambalhotas e reviravoltas e demais agitações a que o carro foi sujeito, é pura ficção, sendo a única parte desta estória nessas condições.
 
Nota 2: as duas meninas não trabalham ao Domingo, conforme pude verificar na viagem de regresso, quatro dias depois. pickwick
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publicado por pickwick às 21:09
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