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Terça-feira, 1 de Agosto de 2006
A velhice está perdida
Costuma dizer-se que ah e tal, a juventude está perdida. Eu acredito que ainda há esperança para a juventude, naquela base de que não há nada que não se resolva com uns bons tabefes e uns cabelos arrancados. Mas, quanto à velhice, está mesmo perdida. Eu ainda pensava, ingenuamente, que a velhice era o pilar da sabedoria, da educação, da rectidão. Ontem, vi-me confrontado com a triste realidade. Passo a explicar. Enquanto esperava pela minha fã número um, resolvi abancar à sombra de umas belas árvores, num belo banco de madeira, num belo jardim de uma bela vila do centro deste belo país. Era hora do almoço, o sol estava chateado com alguém, e nada como uma sombrinha, um livro, e muito sossego. Tipo férias, a bem dizer. Estava tudo a correr bem, a leitura a deslizar, a sombra agradável, o som do repuxo no pequeno lago, o chilrear dos passarinhos, umas miúdas todas arejadas a passar no passeio do outro lado da rua, enfim. Até ao momento em que apareceu um senhor aí dos seus 65 anos, com ar de tarado e algum atrofio mental. No jardim havia resmas de bancos, todos vazios, à excepção do meu e de outro mais além, onde estava sentada uma miúda toda gira. Mas o homem teve mesmo que se vir sentar no banco em frente ao meu, a uns dois metros de distância. Até aí, pronto, aceitável. A coisa começou a tomar contornos dantescos, quando chegaram as amigas do homem. Duas velhas muito encardidas e enrugadas, uma mancar e a outra sem os dentes, acompanhadas pela filha de uma delas, deficiente mental (a sério). Devo dizer que, esta última, era a única pessoa ali que trazia alguma normalidade. Porque, das conversas que se seguiram, não há memória! Aparentemente, era tudo solteiro, divorciado ou viúvo. Daí que a conversa tendesse, por tudo e por nada, para o sexo. Porque fulano não sei o quê com a gaja tal, porque a fulana não sei que mais a olhar para o outro, porque foram não sei que mais, e o que querem sei eu, e você o que quer sei eu, e ah e tal, e por aí fora. Ah e você passa a vida na cama, tem que passar mais tempo de pé, está a ficar muito gorda, o que você precisava sei eu. O homem só dizia que precisava de uma mulher em casa para lhe tratar da roupa, da comida e das limpezas. Sim, sim, diziam as outras, com aqueles risinhos de quem está a pensar em muito sexo. Nisto, chegou uma outra amiga, aí dos seus 60 anos (uma jovem, portanto), que veio definitivamente baixar a qualidade da conversa. Ainda por cima, veio sentar-se no meu banco, do outro lado da minha minúscula mochila. Não podia com o homem nem com molho de tomate, nem com as amigas de não sei quem, e vai daí aos gritos, a praguejar, a puxar de todo o bonito vocabulário do mais ordinário dos carroceiros, porque estou f***** com fulano tal, c****** os f****, p*** que os pariu, e ah e tal. Às tantas, deu conta que estava gente ao lado dela, nomeadamente aqui este personagem, com ar intelectual, de livro em punho, feito letrado. Ai desculpe a minha conversa e tal, disse ela. Respondi com um olhar condescendente e um sorriso amarelo-torrado. Ah e tal, os homens? Os homens não servem para nada. Só servem para limpar o cu à gente, dizia a outra. Não sei se foi da minha camisa às riscas comprada no Continente, ou da cor dos meus olhos, ou do cabelo rapado à mete-nojo, mas a mulher entendeu e comentou para as outras: ah, este deve ser francês. Pois claro, eu até estava a ler um livro inglês, portanto, só podia ser francês. Passada hora e meia, lembraram-se que estava na hora de zarpar. Ia eu começar a sorrir com o retorno do sossego, após tanto tempo de matracas a chocalhar, quando as velhotas são imediatamente substituídas por uma nova brigada do reumático, de bengalas em punho, almoço no bucho, e muita palheta para soltar. A brigada encheu os dois bancos, deixando-me ali, novamente, encostado a uma ponta, de livro em riste, para levar mais um banho de cultura popular. A presença, ali perto, de um bando de adolescentes com aquelas calças a deixar ver a bela da cuequinha, como é moda, bonitos e minúsculos tops, posições provocantes em cima dos bancos do jardim, serviram de mote para os membros da brigada começarem a divagar sobre a vida. Ah e tal, essas miúdas, agora, andam para aí todas descascadas, dizia um. Pois andam, todas descascadas, responderam os outros. No meu tempo, não era nada disto, elas até se censuravam umas às outras se trouxessem a saia acima do joelho. Assim, nem dá gosto, porque o fruto proibido é o mais apetecido, e dantes a gente ao tentar imaginar o que ficava por baixo da roupa ficávamos logo todos entusiasmados, mas agora não sobra nada para a imaginação. Pois é, pois é. E no meu tempo, se fossem à missa com a saia acima do joelho, eram logo corridas dali, senão o padre não conseguia dar a missa direito. Ah, e outro dia, o padre ali da aldeia X foi apanhado na cama ali com uma fulana da aldeia Y. Ah pois claro, então elas vão-se lá confessar a ele, ele fica logo a saber o que elas são e já sabe que pode aproveitar à vontade. Bom, depois de três horas deste banho oral de cultura popular, tocou o meu telemóvel. Estava safo. A minha fã número um vinha-me buscar. A sorte, é que vinha com um decote de fazer engasgar qualquer um, principalmente a mim. Foi graças a este decote que, após alguns, minutos, consegui tirar da minha cabeça o tormento e o desassossego de imaginar aquelas velhotas encardidas, desdentadas, mal cheirosas, de unhas enormes e rugas por todo o lado, a uivarem em cenas de sexo desabrido com velhotes em idêntico estado de decomposição. Em dias de calor, recomendo: não vos quedeis em bancos de jardim à sombra, pois correis o risco de acumulação de pesadelos eróticos. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:50
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2 comentários:
De elisa a 2 de Agosto de 2006 às 09:45
Obrigada pelo conselho: vou ficar longe de bancos de jardim, nos próximos tempos:)!
Beijinhos
De Anónimo a 8 de Dezembro de 2015 às 10:39
gosto muito

tocar à trombeta